548: “Assassino de planetas” detectado pela primeira vez próximo da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

NOIRlab
Conceito artístico de um asteróide numa órbita do Sol mais próxima do que a órbita da Terra

Um asteróide de cerca de 1,5 quilómetros de tamanho foi detectado, pela primeira vez, na proximidade da Terra, anunciaram esta segunda-feira cientistas.

O asteróide, denominado 2022 AP7, “está no caminho da Terra, o que o torna num asteróide potencialmente perigoso”, disse um astrónomo do Instituto Carnegie para a Ciência, Scott Sheppard.

A ameaça não é imediata, uma vez que se encontra “muito longe” da Terra, mesmo ao atravessar a órbita do planeta, sublinhou.

Mas, como qualquer asteróide, a trajectória vai ser lentamente modificada devido às forças gravitacionais exercidas sobre ele, nomeadamente pelos planetas, o que torna qualquer previsão a longo prazo muito difícil, adiantou o cientista.

Este é o “maior objecto potencialmente perigoso descoberto nos últimos 8 anos”, de acordo com um comunicado de imprensa do NOIRLab norte-americano, que opera vários observatórios.

Este asteróide próximo da Terra leva cinco anos a circundar o Sol, e no seu ponto mais próximo passará a vários milhões de quilómetros da Terra.

O risco é portanto hipotético, mas, em caso de colisão, um asteróide deste tamanho teria “um impacto devastador na vida tal como a conhecemos“, explicou Scott Sheppard.

A poeira lançada para a atmosfera bloquearia a luz solar, arrefecendo o planeta e causando uma extinção em massa.

A descoberta foi feita através do telescópio Victor M. Blanco, no Chile, com os resultados publicados na revista científica The Astronomical Journal.

“A nossa pesquisa encontrou até agora dois asteróides próximos da Terra com cerca de 1km de largura — uma dimensão a que chamamos de assassinos de planetas, explica Sheppard.

Cerca de 30 mil asteróides de todos os tamanhos, incluindo mais de 850 a medir um quilómetro ou mais, foram catalogados nas proximidades da Terra, sem que nenhum represente uma ameaça para o planeta durante os próximos 100 anos.

De acordo com Scott Sheppard, há 20 a 50 grandes Objectos Próximos da Terra por detectar. “A maioria deles está em órbitas que tornam a detecção difícil“, acrescentou.

Para se preparar para uma descoberta mais grave, a agência espacial norte-americana NASA realizou em Setembro a Missão DART,  que lançou uma nave espacial contra um asteróide não perigoso — provando ser possível alterar a sua trajectória.

ZAP // Lusa
1 Novembro, 2022



 

547: Caderno de significados

OPINIÃO

Afinal. Quer dizer afinal que apesar de tudo, além do mais, em conclusão. Afinal, talvez haja recessão. Talvez. Talvez quer dizer que pode haver ou pode não haver, não é, afinal, certo.

A recessão que o governo negou que estava para vir pode, afinal, chegar. E a perda do poder de compra que o governo anunciou, até à aprovação do Orçamento do Estado na generalidade, que não aconteceria em 2023, afinal, parece, como a recessão, que talvez venha mesmo a acontecer.

O ministro das Finanças já, parece, se disponibilizou para implementar o aumento dos pensionistas, porque a inflação é maior do que aquilo que o governo esperava. Afinal, todo o documento foi feito com base em pressupostos que, já sabíamos todos, pareciam estar errados. Ou, pelo menos, demasiado optimistas.

A língua portuguesa tem, estima-se, quase 230 mil palavras. A cada uma delas corresponde um e só um significado, embora erradamente atribuamos sinónimos perfeitos a muitas delas. Por exemplo, lindo, bonito e belo são utilizados como sinónimos, mas as três palavras não querem dizer exactamente a mesma coisa.

Ou então a língua portuguesa não seria tão rica, variada e não disporia dos recursos estilísticos que a tornam no que de facto é. Isto porque as palavras têm demasiada importância no espaço público e no discurso político para que as utilizemos de forma imprecisa, vaga, errada ou, pior, propositadamente enganosa.

Recessão e austeridade não são sinónimos. Mas uma recessão leva a períodos de austeridade e de contenção. Perda de poder de compra quer dizer que, com o mesmo dinheiro nominal, se compram menos bens e serviços.

E, por fim, que quando a inflação está alta e, apesar de aumentos salariais, das pensões e dos apoios sociais, se esse aumento não corresponder ao valor da inflação, cada um de nós terá, na verdade, menos dinheiro disponível no fim do mês. Como dizia em tempos, aflito com os números, o agora secretário-geral das Nações Unidas, é “fazer as contas”.

Os políticos, sobretudo, porque eleitos e detentores da soberania popular que lhes é delegada, têm, antes de mais – e muito haveria a dizer nessa matéria – de cuidar bem da língua.

Mas, muito pior que os atropelos gramaticais, a ausência de concordâncias entre sujeito e predicado e a pobreza dos recursos – 230 mil palavras parecem não chegar – utilizados, é o facto de escolherem as palavras erradas.

Consoante estamos diante de discursos de esquerda ou de direita, aos mesmos conceitos são dadas diferentes fórmulas. Uns dizem “patrões”, “trabalhadores”, “grande capital”.

Outros escolhem para descrever a mesma realidade “empresários”, “colaboradores”, “grandes empresas”. A esquerda não hesita em dizer que nos tempos da troika Portugal viveu em austeridade. Agora, com um quadro de economia de guerra depois de uma economia de pandemia, a mesma esquerda recusa a ideia de austeridade.

Há outros exemplos da forma como a linguística é utilizada pelos fazedores de discursos e criadores de frases que demonstra bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Orçamentos a mais da direita são Orçamentos “rectificativos”, ou seja, assume-se que o primeiro Orçamento falhou e que é preciso rectificar, corrigir, melhorar. Se o caso se der com governos de esquerda, o “rectificativo” passa a ser um Orçamento “suplementar”, recusando a ideia de que se falhou na primeira versão, apenas se “acrescentou” algo mais, por causa da “incerteza”.

Muitos destes truques acabam por passar despercebidos à maioria dos cidadãos. Mas, ao serem utilizadas de forma intencional palavras que não transmitem a realidade, mas que a mascaram, iludem ou suavizam, o resultado é uma percepção errada dessa mesma realidade e do que ela pode trazer.

Na utopia da construção de país decente será possível, pergunto, sem ser preciso um caderno de significados, que, por sistema, nos possam dizer a verdade?

Jornalista

Diário de Notícias
Pedro Cruz
01 Novembro 2022 — 07:30



 

“Lander” InSight detecta impressionante impacto de meteoróide em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Blocos de gelo do tamanho de pedregulhos podem ser vistos em torno da orla de uma cratera de impacto em Marte, nesta imagem capturada pela câmara HiRISE a bordo da sonda MRO da NASA. A cratera foi formada no dia 24 de dezembro de 2021 pelo impacto de um meteoróide na região chamada Amazonis Planitia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona

O “lander” InSight da NASA registou um sismo marciano de magnitude 4 no passado dia 24 de Dezembro, mas os cientistas só mais tarde descobriram a causa desse sismo: o impacto de um meteoróide, estimado como um dos maiores vistos em Marte desde que a NASA começou a explorar o cosmos.

Além disso, a colisão com a superfície escavou pedaços de gelo do tamanho de pedregulhos mais perto do equador marciano do que alguma vez foi encontrado – uma descoberta com implicações para os planos futuros da NASA de enviar astronautas para o Planeta Vermelho.

Os cientistas determinaram que o sismo resultou do impacto de um meteoróide quando olharam para o antes e depois em imagens da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA e avistaram uma nova cratera.

Fornecendo uma rara oportunidade de ver como um grande impacto abalou o chão em Marte, o evento e os seus efeitos foram detalhados em dois artigos científicos publicados dia 27 de Outubro na revista Science.

Estima-se que o meteoróide tenha tido entre 5 a 12 metros – suficientemente pequeno para ter ardido na atmosfera terrestre, mas não na fina atmosfera de Marte, que tem apenas 1% da sua densidade.

O impacto, numa região chamada Amazonis Planitia, escavou uma cratera com cerca de 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade. Alguns dos detritos ejectados pelo impacto voaram até 37 quilómetros de distância.

Com imagens e dados sísmicos documentando o evento, pensa-se que esta é uma das maiores crateras cuja formação foi já testemunhada no Sistema Solar. Existem muitas crateras maiores no Planeta Vermelho, mas são significativamente mais velhas e são anteriores a qualquer missão marciana.

“A descoberta de um impacto fresco deste tamanho não tem precedentes”, disse Ingrid Daubar da Universidade Brown, que lidera o Grupo de Trabalho de Ciência de Impacto do InSight. “É um momento emocionante na história geológica – e conseguimos testemunhá-lo”.

O módulo InSight tem visto a sua energia diminuir drasticamente nos últimos meses devido à acumulação de poeira nos seus painéis solares. Espera-se agora que o “lander” seja desligado nas próximas seis semanas, pondo fim à ciência da missão.

O InSight está a estudar a crosta, o manto e o núcleo do planeta. As ondas sísmicas são fundamentais para a missão e revelaram o tamanho, profundidade e composição das camadas interiores de Marte.

Desde que aterrou em Novembro de 2018, o InSight detectou 1318 sismos marcianos, incluindo vários provocados por impactos de meteoróides mais pequenos.

Mas o sismo resultante do impacto de Dezembro passado foi o primeiro observado a ter ondas superficiais – uma espécie de onda sísmica que ondula ao longo do topo da crosta de um planeta.

O segundo dos dois artigos científicos relacionados com o grande impacto descreve como os cientistas utilizam estas ondas para estudar a estrutura da crosta de Marte.

Caçadores de crateras

No final de 2021, os cientistas da missão InSight informaram o resto da equipa que tinham detectado um grande sismo marciano no dia 24 de Dezembro.

A cratera foi descoberta pela primeira vez no dia 11 de Fevereiro de 2022 por cientistas que trabalhavam no MSSS (Malin Space Science Systems), que construiu e opera duas câmaras a bordo da MRO.

A CTX (Context Camera) fornece imagens a preto e branco, de média resolução, enquanto a MARCI (Mars Color Imager) produz diariamente mapas de todo o planeta, permitindo aos cientistas seguir as mudanças climáticas em grande escala, como a recente tempestade regional de poeira que diminuiu ainda mais a energia solar do InSight.

A zona do impacto era visível nos dados MARCI e isso permitiu à equipa fixar um período de 24 horas dentro do qual este ocorreu. Estas observações correlacionaram-se com o epicentro sísmico, demonstrando conclusivamente que o impacto de um meteoróide provocou o grande sismo de dia 24 de Dezembro.

“A imagem do impacto era diferente de qualquer outra que já tinha visto antes, com a cratera massiva, o gelo exposto e a dramática zona de explosão preservada na poeira marciana”, disse Liliya Posiolova, que lidera o Grupo de Ciência e Operações Orbitais no MSSS.

“Não pude deixar de imaginar como devia ter sido testemunhar o impacto, a explosão atmosférica e os detritos ejectados a quilómetros de distância”.

A determinação do ritmo a que as crateras são formadas em Marte é crucial para refinar a linha temporal geológica do planeta. Em superfícies mais antigas, como em Marte ou na Lua, existem mais crateras do que na Terra; no nosso planeta, os processos tectónicos e de erosão apagam características mais antigas da superfície.

As novas crateras também expõem materiais situados abaixo da superfície. Neste caso, grandes pedaços de gelo espalhados pelo impacto foram vistos pela câmara a cores HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment) da MRO.

O gelo subterrâneo será um recurso vital para os astronautas, que poderão utilizá-lo para uma variedade de necessidades, incluindo água potável, agricultura e combustível para foguetões.

O gelo enterrado nunca tinha sido visto tão perto do equador marciano que, como a parte mais quente de Marte, é um local apelativo para os astronautas.

Astronomia On-line
1 de Novembro de 2022



 

545: Vestígios de um antigo oceano descobertos em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/PALEOGEOGRAFIA/GEOCIÊNCIAS

Composta recorrendo a 28 exposições individuais, esta imagem pelo rover Curiosity da NASA foi capturada depois do veículo subir a encosta íngreme de uma característica geológica chamada “Greenheugh Pediment”. Ao longe, no topo da imagem, está o chão da Cratera Gale, que está perto de uma região chamada Aeolis Dorsa, que os investigadores pensam ter sido outrora um oceano gigantesco.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Um conjunto recentemente divulgado de mapas topográficos fornece novas evidências para um antigo oceano no norte de Marte. Os mapas oferecem o caso mais forte de que o planeta outrora teve uma subida do nível do mar consistente com um prolongado clima quente e húmido, e não a paisagem dura e gelada que existe hoje em dia.

“O que nos vem imediatamente à mente como um dos pontos mais importantes aqui é que a existência de um oceano deste tamanho significa um potencial de vida mais elevado”, disse Benjamin Cardenas, professor assistente de geociências da Universidade Estatal da Pensilvânia e autor principal do estudo recentemente publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

“Diz-nos também mais sobre o clima antigo e a sua evolução. Com base nestas descobertas, sabemos que deve ter havido um período que era suficientemente quente e a atmosfera era suficientemente espessa para suportar tanta água líquida de uma só vez”.

Há muito que se debate, na comunidade científica, se Marte já teve um oceano no seu hemisfério norte de baixa elevação, explicou Cardenas.

Usando dados topográficos, a equipa de investigação conseguiu mostrar evidências definitivas de uma linha costeira com cerca de 3,5 mil milhões de anos com uma acumulação sedimentar substancial, de pelo menos 900 metros de espessura, que cobre centenas de milhares de quilómetros quadrados.

“A grande novidade que fizemos neste artigo foi pensar em Marte em termos da sua estratigrafia e do seu registo sedimentar”, disse Cardenas. “Na Terra, traçamos a história dos cursos de água olhando para os sedimentos que se depositam ao longo do tempo.

Chamamos a isso estratigrafia, a ideia de que a água transporta sedimentos e que se podem medir as mudanças na Terra através da compreensão da forma como os sedimentos se acumulam. Foi o que fizemos aqui – mas é Marte”.

A equipa utilizou software desenvolvido pelo USGS (United States Geological Survey) para mapear dados da NASA e do instrumento MOLA (Mars Orbiter Laser Altimeter) da sonda Mars Global Surveyor.

Descobriram mais de 6.500 quilómetros de cristas fluviais e agruparam-nas em 20 sistemas para mostrar que são provavelmente deltas de rios ou canais submarinos, os remanescentes de uma antiga linha costeira marciana.

Elementos de formações rochosas, tais como espessuras do sistema de cristas, elevações, localizações e possíveis direcções de fluxo sedimentar ajudaram a equipa a compreender a evolução da paleogeografia da região. Cardenas explicou que a área que antes era oceânica é agora conhecida como Aeolis Dorsa e contém a mais densa colecção de cristas fluviais do planeta.

“As rochas em Aeolis Dorsa capturam algumas informações fascinantes sobre como o oceano era”, disse. “Era dinâmico. O nível do mar subiu significativamente. As rochas estavam a ser depositadas ao longo das suas bacias a um ritmo acelerado. Havia muitas mudanças a acontecer aqui”.

Cardenas explicou que, na Terra, as antigas bacias sedimentares contêm os registos estratigráficos da evolução do clima e da vida. Se os cientistas quiserem encontrar um registo de vida em Marte, um oceano tão grande como o que outrora cobriu Aeolis Dorsa seria o local mais lógico para começar.

“Um grande objectivo das missões dos rovers marcianos é procurar sinais de vida”, disse Cardenas. “Têm andado sempre à procura de água, de vestígios de vida. Este é o maior de todos os tempos. É um corpo gigante de água, alimentado por sedimentos provenientes das terras altas, presumivelmente transportando nutrientes.

Se houvesse marés no antigo Marte, teriam existido aqui, trazendo suavemente água para dentro e para fora. Este é exactamente o tipo de lugar onde a antiga vida marciana poder ter evoluído”.

Cardenas e colegas mapearam o que determinaram serem outros antigos cursos de água em Marte. Um estudo futuro na revista Journal of Sedimentary Research mostra que vários afloramentos visitados pelo rover Curiosity eram provavelmente estratos sedimentares de antigas barras de rios.

Outro artigo publicado na Nature Geoscience aplica uma técnica de imagem acústica, usada para ver estratigrafia sob o fundo do mar do Golfo do México, a um modelo de erosão de uma bacia marciana.

Os investigadores determinaram que os relevos chamados cristas fluviais, encontradas amplamente em Marte, são provavelmente antigos depósitos fluviais erodidos de grandes bacias semelhantes a Aeolis Dorsa.

“A estratigrafia que estamos aqui a interpretar é bastante semelhante à estratigrafia na Terra”, disse Cardenas. “Sim, é uma grande afirmação dizer que descobrimos registos de grandes cursos de água em Marte, mas na realidade, esta é uma estratigrafia relativamente mundana.

É geologia dos livros escolares, assim que a reconhecemos pelo que ela é. A parte interessante, claro, é que está em Marte”.

Astronomia On-line
1 de Novembro de 2022



 

544: Os lagos rasos na crosta gelada de Europa podem entrar em erupção

CIÊNCIA/GEOLOGIA/GEOFÍSICA

NASA/ESA/K. Retherford/SWRI
Esta ilustração retrata uma pluma de vapor de água que poderia ser potencialmente emitida da superfície gelada da lua de Júpiter, Europa.

Na busca por vida para lá da Terra, os corpos com água subterrânea, no nosso Sistema Solar exterior, são alguns dos alvos mais importantes.

É por isso que a NASA vai enviar a nave espacial Europa Clipper para a lua de Júpiter, Europa: há fortes evidências de que sob uma espessa crosta de gelo, a lua abriga um oceano global que poderá ser potencialmente habitável.

Mas os cientistas pensam que o oceano não é a única água líquida em Europa. Com base nas observações do orbitador Galileo da NASA, pensam que os reservatórios de líquidos salgados podem residir dentro da concha gelada da lua – alguns deles perto da superfície gelada e alguns muitos quilómetros abaixo.

Quanto mais os cientistas compreenderem a água que Europa pode conter, mais provável é que saibam onde procurá-la quando a NASA enviar a Europa Clipper em 2024 para realizar uma investigação detalhada.

A nave vai orbitar Júpiter e vai utilizar o seu conjunto de instrumentos sofisticados para recolher dados científicos enquanto passa pela lua cerca de 50 vezes.

Agora, uma investigação está a ajudar os cientistas a melhor compreender como estes lagos sub-superficiais de Europa podem ser e como se comportam.

Uma descoberta chave num artigo publicado recentemente na revista The Planetary Science Journal apoia a ideia de longa data de que a água poderia potencialmente irromper acima da superfície de Europa, quer como plumas de vapor, quer como actividade crio-vulcânica (ou seja, fluxos viscosos de gelo em vez de lava derretida).

A modelagem por computador apresentada no artigo científico vai mais longe, mostrando que se houver erupções em Europa, estas provavelmente são originárias de lagos rasos e incrustados no gelo e não do oceano global muito abaixo.

“Demonstrámos que as plumas ou fluxos de criolava poderiam significar a existência de reservatórios rasos de líquido abaixo, que a Europa Clipper seria capaz de detectar”, disse Elodie Lesage, cientista do projecto no JPL da NASA no sul da Califórnia e autora principal da investigação.

“Os nossos resultados dão novas informações sobre a profundidade da água que pode estar a conduzir a actividade superficial, incluindo as plumas. E a água deve ser suficientemente rasa para poder ser detectada por múltiplos instrumentos da Europa Clipper”.

Profundidades diferentes, gelo diferente

A modelagem por computador de Lesage estabelece um plano do que os cientistas poderiam encontrar dentro do gelo se observassem erupções à superfície.

De acordo com os seus modelos, provavelmente detectariam reservatórios relativamente próximos da superfície, na parte superior de 4 a 8 quilómetros da crosta, onde o gelo é mais frio e mais quebradiço.

Isto porque o gelo sub-superficial ali não permite a expansão: à medida que as bolsas de água congelam e se expandem, podem quebrar o gelo circundante e provocar erupções, tal como uma lata de refrigerante explode num congelador. E as bolsas de água que rebentassem seriam provavelmente largas e planas como panquecas.

Os reservatórios mais profundos na camada de gelo – com bases a mais de 8 km abaixo da crosta – empurrariam contra o gelo mais quente que os rodeia à medida que se expandem.

Esse gelo é macio o suficiente para agir como uma almofada, absorvendo a pressão em vez de rebentar. Em vez de actuar como uma lata de refrigerante, estas bolsas de água comportar-se-iam mais como um balão cheio de líquido, onde o balão simplesmente se estica à medida que o líquido no interior congela e se expande.

Detecção em primeira mão

Os cientistas da missão Europa Clipper vão poder utilizar esta investigação quando a nave espacial chegar à lua de Júpiter em 2030.

Por exemplo, o instrumento de radar REASON (Radar for Europa Assessment and Sounding: Ocean to Near-surface) é um dos instrumentos chave que será utilizado para procurar bolsas de água no gelo.

“O novo trabalho mostra que as massas de água no subsolo pouco profundo podem ser instáveis se as tensões excederem a força do gelo e podem estar associadas a plumas que se elevam acima da superfície”, disse Don Blankenship, do Instituto para Geofísica da Universidade do Texas em Austin, EUA, que lidera a equipa do instrumento de radar.

“Isto significa que o REASON poderá ser capaz de ver corpos de água nos mesmos locais em que se veem as plumas”, acrescenta.

A Europa Clipper transportará outros instrumentos que serão capazes de testar as teorias da nova investigação. As câmaras científicas serão capazes de obter imagens estereoscópicas de Europa e a alta resolução; o gerador de imagens de emissão térmica vai usar uma câmara infravermelha para mapear as temperaturas de Europa e encontrar pistas sobre a actividade geológica – incluindo crio-vulcanismo.

Se existirem plumas em erupção, estas poderão ser observadas pelo espectrógrafo ultravioleta, o instrumento que analisa a luz ultravioleta.

Mais sobre a missão

Missões como a da Europa Clipper contribuem para o campo da astrobiologia, o campo de investigação interdisciplinar que estuda as condições de mundos distantes que podem abrigar vida tal como a conhecemos.

Embora a Europa Clipper não seja uma missão de detecção de vida, vai realizar uma exploração detalhada de Europa e investigar se a lua gelada, com o seu oceano subterrâneo, tem a capacidade de suportar vida.

A compreensão da habitabilidade de Europa vai ajudar os cientistas a compreender melhor como a vida se desenvolveu na Terra e o potencial para encontrar vida para lá do nosso planeta.

ZAP // CCVAlg (18.10.2022)
1 Novembro, 2022



 

543: 120 mil apoios a famílias foram rejeitados devido ao IBAN

APOIOS ÀS FAMÍLIAS/RECUSAS/IBAN/AT

Autoridade Tributária e Aduaneira

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) já processou mais de quatro milhões de pagamentos do apoio extraordinário às famílias, cerca de 85% do total, havendo 120 mil que foram rejeitados por terem IBAN inválido no Portal das Finanças.

Estes dados foram divulgados hoje pelo Ministério das Finanças que, em comunicado, precisa que após os 4.020.641 pagamentos de apoios já processados, a primeira fase de transferências “terminará com o processamento de mais cerca de 700 mil pagamentos, que se encontra em curso”.

Os mais de quatro milhões de pagamentos já efectuados correspondem a cerca de 85% dos apoios extraordinários previstos serem pagos pela AT.

O ministério liderado por Fernando Medina adianta também haver ainda cerca de 120 mil ordens de pagamento “que foram rejeitadas por terem IBAN inválidos no Portal das Finanças”.

Estes 120 mil agora observados são menos do que as rejeições registadas quando teve início esta operação, refere o comunicado, precisando que “até agora, já foram actualizados cerca de 2,1 milhões de IBAN no Portal das Finanças, desde início de Setembro”.

A rejeição não significa que as pessoas em causa não venham a receber o apoio uma vez que, tal como já foi referido, a AT continuará “a fazer sucessivas tentativas de transferência destes apoios extraordinários ao rendimento ao longo dos próximos seis meses”.

Desta forma, os contribuintes que ainda não o fizeram deverão verificar e/ou actualizar o seu IBAN no cadastro do Portal das Finanças.

Numa nova nota informativa publicada no Portal das Finanças é explicado que a AT disponibiliza aos contribuintes, “há largos anos, a possibilidade de registarem um IBAN associado ao seu registo/NIF, que fica registado na informação cadastral do contribuinte, sendo relevante na sua relação financeira com a AT”.

É o que sucede quando, por exemplo, uma pessoa abre actividade e tem de indicar um IBAN para associar aos recibos verdes que emite.

“Adicionalmente, e exclusivamente para efeitos de recebimento de reembolso de IRS, os contribuintes podem indicar na declaração de IRS um outro IBAN” para receber o reembolso do IRS, sendo este apenas utilizado para o pagamento do apoio quando o contribuinte “não tenha nenhum IBAN associado ao seu NIF ou o IBAN não se encontre no estado de ‘Confirmado’”.

Em causa está o apoio extraordinário de 125 euros a todas as pessoas residentes em território nacional, que tenham declarado rendimentos brutos anuais até 37.800, na declaração de rendimentos Modelo 3 de IRS relativa a 2021 e de 50 euros por pessoa considerada dependente “identificada na declaração, independentemente dos rendimentos obtidos pelos responsáveis ‘parentais’ ou pelo próprio dependente”.

Já nos casos em que a pessoa está na condição de pensionista ou é beneficiária de prestações sociais, o apoio é pago pela Segurança Social.

ZAP //Lusa
31 Outubro, 2022



 

542: Pode haver até quatro triliões de naves alienígenas a voar perto da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: `Oumuamua.

O professor de Harvard Avi Loeb, conhecido por defender que a primeira rocha espacial interestelar observada no nosso sistema solar podia ser uma nave alienígena, acredita que pode haver até quatro triliões a voar perto da Terra.

Na altura, Loeb defendeu ainda que as outras hipóteses apresentadas não tinham em conta todas as características conhecidas do misterioso objecto e criticou a arrogância da comunidade científica.

Em Outubro de 2017, o astrónomo canadiano Robert Weryk descobriu, com o telescópio Pan-STARRS1, do Observatório Haleakala, no Havai, um objecto estranho, alongado e do tamanho de um campo de futebol a viajar pelo Sistema Solar a 315 mil quilómetros por hora, puxado por uma força invisível sem explicação.

O objecto foi mais tarde apelidado Oumuamua – “Mensageiro das Estrelas”, em havaiano – e os cientistas acreditam que pode ter sido o primeiro visitante de fora do Sistema Solar a ser observado directamente.

Agora, num novo estudo que ainda não foi revisto pelos pares, Loeb e Carson Ezell, também astrónomo de Harvard, previram quantos objectos semelhantes ao Oumuamua poderão viajar pelo Espaço, concluindo que podem ser 4.000.000.000.000.000.000.000 (ou quatro triliões) só no nosso Sistema Solar.

No artigo, citado pelo Interesting Engineering, os autores indicaram que é possível “utilizar taxas recentes de detecção de objectos interestelares e capacidades conhecidas para estimar a densidade de objectos semelhantes na vizinhança solar”.

Basearam os seus cálculos nos quatro objectos interestelares que até agora foram observados: o Oumuamua; dois meteoros interestelares denominados CNEOS 2014-01-08 e CNEOS 2017-03-09; e o cometa interestelar Borisov. Também tiveram em conta a nossa capacidade limitada de observar o Sistema Solar.

Loeb e Ezell chegaram a duas estimativas. A primeira calculou o número de objectos interestelares que provavelmente voam à volta do nosso Sistema Solar, fora do alcance dos nossos instrumentos. Eles estimaram que existem 40 mil sextiliões desses objectos.

A estimativa menor, de quatro triliões, refere-se ao número desses objectos que poderiam voar em direcção à “zona habitável” do nosso sistema solar, mais perto do  Sol – o que significa que os astrónomos têm uma maior probabilidade de os observar. Loeb e Ezell notaram que as dimensões destes objectos variam.

Há vários anos que Loeb tem defendido que os avistamentos de OVNIs devem ser investigados com o mesmo rigor científico que qualquer outro fenómeno relacionado com o espaço.

Em 2021, o professor de Harvard fundou o Projeto Galileo, que visa construir uma rede global de telescópios e câmaras com o objectivo de captar imagens de alta definição de um OVNI. Recentemente, Loeb afirmou que poderíamos ver tal imagem “dentro de dois anos”.

ZAP //
31 Outubro, 2022



 

541: Já nem na Google Play Store estamos a salvo! Novo malware tenta roubar dados bancários

TECNOLOGIA/GOOGLE PLAY STORE/ANDROID/MALWARE

A Play Store da Google deveria ser uma área segura e que deveria trazer segurança aos utilizadores do Android. Na verdade, esta loja de apps tem sido usada para espalhar malware, que afecta a segurança dos utilizadores.

A mais recente campanha está a atacar e a fazer estragos, de uma forma simples. Esta loja serve de porta de entrada para o malware e deixa os utilizadores vulneráveis, sendo depois usada para roubar dados bancários, com todo o prejuízo associado.

Agora é a Play Store a porta de entrada

Esta nova campanha de ataque no Android tem estado a ganhar força e a fazer cada vez mais vítimas, fruto de uma falta de atenção. A porta de entrada é a Play Store do Android e abre caminho para que os dados dos utilizadores sejam roubados.

Este deveria ser um ponto seguro deste ecossistema, mas a verdade é que cada vez mais a Play Store é usada de forma a permitir os ataques. No caso concreto desta nova ameaça, tudo começa com as normais apps que aparentemente são inócuas e que depois se revelam um vector de ataque.

Malware não larga o Android

A falha vem mesmo das permissões que são pedidas e que abrem a porta à instalação de novas apps, estas, sim, com as cargas maliciosas e que deixam os utilizadores vulneráveis. Apesar de ser uma simples app, é imediatamente pedido que seja autorizada a instalação de novas apps (REQUEST_INSTALL_PACKAGES), algo que muitos autorizam de forma directa.

Com esta autorização dada, a app maliciosa depressa comunica com a sua fonte e traz uma actualização infectada com malware. Nas versões mais recentes do Android, mais resistentes a estes ataques, o malware disfarça-se da loja da Google recorrendo a uma simples página web.

Apps que a Google deixou passar

Com este malware presente no Android, o acesso a mensagens 2FA e outras autenticações ficam expostas e o roubo dos dados acontece. Os alvos são as apps bancárias e similares, sendo depois aberta a porta a muitos problemas, como já aconteceu no passado. As apps até agora identificadas estão abaixo:

  • Recover Audio, Images & Videos – 100.000 downloads
  • Zetter Authentication – 10.000 downloads
  • My Finances Tracker – 1.000 downloads

Este malware está a ser marcado com o nome SharkBot e Vultur, com campanhas dirigidas a utilizadores nos principais países europeus. Este é um problema grande e que deixa dúvidas sobre a forma como a Play Store da Google funciona. Não é uma entrada directa do malware, mas é o veículo usado pelos atacantes para deixar os utilizadores mais distraídos vulneráveis.

Pplware
Autor: Pedro Simões
01 Nov 2022



 

540: Outra actualização ao Firefox para resolver problemas com a versão 22H2 do Windows 11

– Sou utilizador fiel do SO Windows desde a primeira versão a P/B sob MS-DOS, tendo adquirido todas versões seguintes até à versão 10. Não penso actualizar para a versão 11 até que a Microsoft entenda que não pode exigir aos utilizadores que tenham de mudar – e comprar – hardware (motherboard, CPU e memórias RAM), por ser exigência daquela empresa para o W11 ser instalado. Contudo, esta actualização do Firefox (106.0.3) já a tenho instalada, sendo o meu browser preferido. Sou informático quando ainda não existiam computadores domésticos, com formação técnica em Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos, assemblador de PC’s, segurança e demais áreas informáticas.

BROWSERS/ACTUALIZAÇÕES/MOZILLA/FIREFOX

Apesar de manter um ritmo muito elevado de novas versões do Firefox, a Mozilla não tem descurado as questões das restantes versões. Sempre que necessita lança actualizações e correcções para assim ter um browser próximo da perfeição.

Esta situação está agora a repetir-se novamente, com a mais recente versão. O Firefox 106 está com algumas falhas e por isso surge agora mais uma correcção. Tem o número 106.0.3 e procura resolver problemas, em especial com a actualização 22H2 do Windows 11.

Foi há pouco que a nova versão do Firefox foi disponibilizada aos utilizadores deste browser. Ao contrário das situações anteriores, esta não acumula novidades e melhorias em diversas frentes, mas traz sim correcções de problemas reportados pelos utilizadores.

Com esta nova actualização, a Mozilla quer trazer ed volta a estabilidade que este browser nos habituou e que os utilizadores querem. Em primeiro lugar, este novo Firefox vai corrigir um problema que o Windows está a apresentar, em especial no arranque deste browser.

A Mozilla não detalhou as causas deste problema que está a afectar alguns utilizadores do sistema da Microsoft. Ainda assim, e após a sua instalação, a criadora do Firefox garante que com esta nova versão este problema do browser desaparece de forma completa.

Uma segunda situação que é corrigida com o Firefox 106.0.3 resulta da instalação da actualização 22H2 do Windows 11 e da novidade Moment 1. Esta acontecia com a utilização das Suggested Actions do sistema da Microsoft.

Em concreto, e após copiar um texto de uma simples página web, o browser da Mozilla deixava de responder, acabando por deixar de poder ser usado até ser reiniciado. As Suggested Actions permitem ao utilizador tomar algumas acções directamente com base no que o utilizador seleccionar ou copiar.

Esta nova versão está já disponível para os utilizadores instalarem. Deve surgir de forma automática para os utilizadores, mas pode também ser procurada, para assim eliminar os problemas que estão bem conhecidos e que afectam especialmente o Windows.

Pplware
Autor: Pedro Simões
31 Out 2022



 

539: O bolsonarismo venceu, está a vencer

OPINIÃO

Escrevo a uma hora em que os brasileiros ainda não acabaram de votar. O título desta crónica não é, portanto, sobre o resultado da segunda volta das Presidenciais brasileiras, é sobre uma sociedade que chegou a estas eleições profundamente dividida e, não apenas no Brasil, insuportavelmente reaccionária. Na verdade, o bolsonarismo, o trumpismo, ou o venturismo em terras lusas, representam o mesmo, são fruto do oportunismo mais básico.

Jogam com o medo das pessoas, que cresce nos tempos de maior incerteza; oferecem soluções simplistas que parecem tremendamente eficazes, mas que nunca funcionam, limitando-se a jogar a responsabilidade sobre o adversário político, visto como inimigo.

Esta marcha dos reaccionários, que se opõe aos avanços e transformações sociais (a começar pelos direitos das mulheres), é a base social destes políticos oportunistas e populistas.

E só é assim porque os partidos tradicionais, pilares essenciais do sistema democrático, estão, eles próprios, a não saber lidar com uma desregulação do mercado de trabalho, que o torna retrógrado.

Trabalhadores que passaram a colaboradores e recibos verdes que passaram a empreendedores acreditam cada vez mais que são os pobres e os imigrantes que os impedem de ter uma vida melhor, porque é suposto os pobres serem pobres, porque não lutam para sair da pobreza, e os imigrantes não se adaptam, porque querem impor-nos a sua cultura, transformando-se uns e outros num peso para o país.

Marcelo chegou a Belém já Costa estava em São Bento e tem medo de sair deixando Costa no mesmo lugar, mas muito pior que isso será deixar André Ventura como fazendo parte do seu legado ao país.

A este populismo mais básico que consolida o poder da extrema-direita no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em tantos outros lados do mundo, respondem os democratas com um populismo mais soft, que coloca igualmente as culpas do que corre mal nos outros. Como se vê agora pela Europa, procurando atribuir ao Banco Central Europeu os males do mundo que estão para chegar.

Isto é também uma vitória dos movimentos reaccionários que procuram normalizar os comportamentos mais perversos e aproveitam todas as brechas abertas na Democracia. Uma trupe de políticos, comentadores e influencers, para quem não há liberdade de expressão sem o direito de mentir e ofender.

O que se segue, na rota da crise, aponta para dificuldades cada vez maiores dos trabalhadores, pobres ou com medo da pobreza, aumentando o potencial de crescimento dos populistas de extrema-direita.

Em Novembro há Intercalares nos Estados Unidos e poderemos confirmar que o trumpismo também está a vencer e se mantém forte, mesmo depois de os norte-americanos terem experimentado todas as misérias da presidência de Trump.

Por cá, seguimos cantando e rindo, reféns de um poder socialista que se diverte a dar primazia ao Chega, de uma oposição social-democrata que anda a toque de caixa com o que Ventura faz e diz, nem cuidando de perceber que estão todos a trabalhar para que um dia também seja possível em Portugal ter os reaccionários no poder.

Marcelo chegou a Belém já Costa estava em São Bento e tem medo de sair deixando Costa no mesmo lugar, mas muito pior que isso será deixar André Ventura como fazendo parte do seu legado ao país.

Jornalista

Diário de Notícias
Paulo Baldaia
31 Outubro 2022 — 00:30