598: A CENSURA DO FACEBOOK

Fui hoje confrontado com a CENSURA do facebook em ordem a um (ou mais) posts sobre a guerra na Ucrânia, perpetrada por um país russonazi que assassina civis desde crianças a idosos, bombardeia e destrói residências civis, infra-estruturas, escolas, hospitais, creches, supermercados, etc..

A CENSURA recaiu sobre isto:

Russonazis = ☠️☠️
RESPOSTA DO FACEBOOK:
Hoje às 20:54
Podes apresentar recurso sobre a decisão de retirar os teus conteúdos
Se consideras que a decisão de Facebook é prejudicial para um grupo ou questão que é importante para ti, podes apresentar recurso ao Conselho de Supervisão.
O Conselho de Supervisão não faz parte do Facebook, é um grupo de especialistas que toma decisões independentes sobre o que deve ser permitido no Facebook.
Podes apresentar um recurso até 20 de novembro de 2022.
Número de referência: FB-5LO7CN5F

Não vale a pena apresentar recurso dado que a entidade CENSÓRIA não reconhece o meu DIREITO a exprimir o que sinto contra um país que assassina desde crianças a idosos, bombardeia residências civis, infra-estruturas, escolas, hospitais, creches, lares, etc..

Hoje às 20:54 facebook

Confirmámos que o teu comentário desrespeitou os Padrões da Comunidade

Revimos novamente o teu comentário e este desrespeita os nossos Padrões da Comunidade.

Vou repensar a minha continuidade nesta merda de rede “social” dado que não preciso dela para ABSOLUTAMENTE NADA!

05.11.2022



 

População está “condenada” sem acordo entre países ricos e pobres, alerta Guterres

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ANTÓNIO GUTERRES

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, lembra o compromisso não cumprido, assumido há dez anos pelos países desenvolvidos, de dar às nações mais pobres do mundo um total de 100.000 milhões de euros, até 2020, no âmbito da ajuda à protecção climática.

© EPA/MYKOLA TYS

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou este sábado para a necessidade urgente de um acordo climático entre os países ricos e os que estão em desenvolvimento, caso contrário a população mundial estará “condenada”.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada poucas horas antes da COP27 que decorrerá a partir de domingo na cidade egípcia de Sharm el Sheikh, Guterres lembrou o compromisso não cumprido, assumido há 10 anos pelos países desenvolvidos, de dar às nações mais pobres do mundo um total de 100.000 milhões de euros, até 2020, no âmbito da ajuda à protecção climática.

“Não há como evitar uma catástrofe se ambos não chegarem a um acordo neste sentido”, declarou o secretário-geral da ONU. “Neste momento, estamos todos condenados”, alertou.

António Guterres afirmou que o mundo está a aproximar-se de uma crise climática “irreversível” e de “danos dos quais não será capaz de recuperar”.

“Precisamos de mais urgência, mais ambição e reconstruir a confiança entre o norte e o sul do planeta”, acrescentou.

O responsável vincou que “metade da humanidade está na zona de perigo de enchentes, secas, tempestades extremas e incêndios florestais”.

“Nenhuma nação está imune. No entanto, continuamos a alimentar o nosso vício em combustíveis fósseis. Perante isto, temos uma de duas opções: ou a acção colectiva, ou o suicídio colectivo”, afirmou.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Novembro 2022 — 14:30



 

596: O manual de instruções sexual da Idade Média

SEXUALIDADE/IDADE MÉDIA

Desde sexo só depois do casamento, proibições aos domingos e listas com as posições mais pecaminosas, a sociedade medieval tinha algumas regras sexuais caricatas — e os castigos para os mais atrevidos podiam ser pesados.

Giovannino de’ Grassi / Wikimedia

A nossa relação com a sexualidade nem sempre foi tão aberta como é nos dias de hoje. Na Idade Média, quando a Igreja e o Estado eram um só, as regras sobre com quem, quando e como se podia ter relações eram bastante mais rígidas.

Uma das principais regras e que durou muito além da Idade Média — e que ainda perdura em certas partes do mundo — é a proibição ao sexo antes do casamento. E o castigo para os “pecadores” que quebrasse a regra e fossem descobertos não era pêra doce — eram executados e estripados.

Havia também dois tipos de votos separados que complicavam a coisa. Os casais faziam votos quando ficavam noivos e faziam outros votos no casamento. Ambos tinham o mesmo peso e quando um casal fazia o primeiro, já podia consumar a relação sem ter de temer ver os seus intestinos a ser arrancados.

Há uma diferença entre os dois: o voto de noivado podia ser anulado, mas não havia espaço para arrependimento nos votos de casamento. Mas isto não significava que um casal podia ficar noivo, fazer o truca-truca e dois separar-se sem consequências – se fizessem sexo antes enquanto ainda estavam noivos, estavam automaticamente casados aos olhos da Igreja.

Claro que muitas pessoas não sabiam disto — ou fingiam não saber — e os tribunais eclesiásticos passaram muito tempo e lidar com casais que não se tinham apercebido de que se tinham casado desta forma.

A única forma de se escapar a um casamento infeliz era a impotência sexual, dado que o objectivo do matrimónio era a procriação. Houve também muitos homens que tentaram usar isto como argumento para passar a perna à Igreja, alegando que eram impotentes com a sua ex-mulher, mas sendo curados magicamente quando se voltavam a casar, relata o Ancient Origins.

A Igreja Católica começou a abrir o olho a estas travessuras e acabou por impor uma regra que exigia que o casal estivesse casado há pelo menos três anos e que houvesse testemunhas para sancionar os divórcios por impotência.

Marcar no calendário

As regras não se cingiam apenas a com quem se podia ter relações sexuais, já que a Igreja também definia um calendário para casais, com dias “castos” onde a fornicação estava proibida. Estes dias incluíam os domingos, os feriados religiosos, como o Natal e a Páscoa, e também os 40 dias da Quaresma.

Apesar de não estar explicitamente proibido, a Igreja também recomendava que o sexo fosse evitado durante a gravidez, a menstruação e a amamentação.

Se agora já sabemos que o que um não quer dois não fazem, na Idade Média a mentalidade era outra. O mito de que não há violações dentro de um casamento era mais forte do que nunca, com a lei a obrigar ambos os cônjuges a pagar a “dívida matrimonial” e ter relações com o parceiro se o outro assim quisesse, mesmo que não estivessem para aí virados.

Com o passar do tempo, a Igreja apercebeu-se de que muitas pessoas se estavam a marimbar para as regras e que as ignoravam e passou, progressivamente, a ser mais branda com os incumpridores.

Só de missionário, por favor

Uma das crenças religiosas medievais que se mantém até aos dias de hoje e que ainda informa muitos dos dogmas católicos modernos é a ideia de que as relações sexuais têm apenas um propósito: fazer bebés.

Ter relações pelo prazer carnal ou para se criar uma maior intimidade com os seus amados era grande um pecado. Isto significa que o sexo oral e anal e a masturbação estavam expressamente proibidos e que, consequentemente, as relações entre pessoas do mesmo sexo eram ilegais.

Quem violasse as regras, especialmente os homossexuais, era castigado de forma severa, com muitos a ser enforcados, queimados vivos ou a morrer à fome.

A Igreja também reprovava seriamente se a mulher assumisse o controlo da coisa, já que o sexo era encarado como uma coisa que o marido fazia à esposa, que devia ter uma postura submissa e passiva.

Qualquer posição onde a mulher ficava por cima era considerada anti-natura e alguns teólogos até fizeram listas e ilustrações das posições que eram aceitáveis e das que não o eram, com os manuais a indicarem quais as posições que mais provavelmente condenariam os “pecadores” a arder por toda a eternidade no Inferno. A única posição que era universalmente aceite era, como o nome indica, a posição de missionário.

Adriana Peixoto, ZAP //
5 Novembro, 2022



 

595: O terramoto que ainda não acabou

OPINIÃO

Em 1955, no bicentenário do grande terramoto de Lisboa de 1 de Novembro 1755, o município da capital publicou uma antologia contendo os 3 textos de Kant (1724-1804), traduzidos por Luís Silveira, sobre essa catástrofe.

Os opúsculos de Kant – que procuravam explicar o grande sismo no quadro de leis naturais próprias autónomas, indiferentes tanto aos desígnios humanos como aos caprichos de uma qualquer divindade castigadora – são apenas uma parte dos muitos textos de grandes autores, como Voltaire e Rousseau, que foram profundamente afectados pela tragédia da mártir capital portuguesa, então uma das mais importantes cidades mundiais.

Ainda hoje abundam os ensaios que voltam à tripla catástrofe lisboeta (sismo, tsunami e incêndio) na perspectiva de avaliar o seu impacto filosófico e cultural na mudança da cosmovisão ocidental.

O que estava (e está) em causa consiste em compreender como o debate sobre o terramoto de 1755 provocou o corte abrupto com uma visão caracterizada pela confiança na bondade do mundo e no optimismo relativamente ao nosso lugar nele.

Os pensadores que mais influenciaram a primeira metade do século XVIII foram o alemão Leibniz, nos seus Ensaios de Teodiceia (1710), e o inglês Pope, no seu poema metafísico, Ensaio sobre o Homem (1732-4).

Leibniz ousou penetrar na mente divina, tentando decifrar o seu processo de escolha racional na criação do mundo. Concluiu que Deus era obrigado a “consentir” algum mal, como condição para que, na sua totalidade, este fosse o melhor dos mundos possíveis.

Numa linha, menos especulativa, mas convergente na substância, Pope vai defender que o mal é um erro da perspectiva humana. Nós não conseguimos vislumbrar “a grande cadeia do Ser”, na qual, tudo o que existe, mesmo o sofrimento, está no seu lugar necessário e adequado.

Foi precisamente contra esta lógica de alegre aceitação e submissão a um mundo de harmonia preestabelecida, que as interpretações da magna tragédia de Lisboa, por parte da inteligência europeia, se ergueram.

Como aceitar que 30.000 lisboetas tenham perecido, enquanto em Paris e Londres a vida continuava na sua distraída normalidade, perguntava Voltaire.

Como responsabilizar Deus pelos males do terramoto, quando Lisboa em vez de construir em extensão, amontoava os seus habitantes em 20 000 prédios de seis e até sete andares, admoestava Rousseau.

Kant, partiu da tragédia absurda de Lisboa para a sua grande aventura intelectual de refundar a filosofia através de uma crítica das potencialidades e limites da finita racionalidade humana. Importava não cometer o erro de confundir a vastidão do que podemos pensar com a exiguidade do que podemos conhecer. Depois do terramoto, Deus foi ilibado do mal.

A teodiceia eclipsou-se. A questão do mal passou a ser inteiramente da responsabilidade humana. O mal, transitou da especulação metafísica para o terreno de um bem maior a ser construído no tumultuoso campo da história.

267 anos depois desse dia crucial, onde nos encontramos nós? O saldo deste mundo, deixado sem reservas sob gestão e império humanos, só nos pode envergonhar: guerras totais, genocídios, holocaustos…e para cúmulo: o ataque sem tréguas contra a ecologia vital da nossa casa planetária e do nosso futuro comum.

Não surpreende que Martin Heidegger, numa entrevista à revista Der Spiegel, publicada a seu pedido só após a sua morte em 1976, tenha dito: “agora, só um deus nos poderá salvar”.

Professor universitário

Diário de Notícias
Viriato Soromenho-Marques
05 Novembro 2022 — 00:20



 

594: Vão chover bolas de fogo nas noites de Novembro

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma bola de fogo brilhante a passar por cima de Brkini, na Eslovénia, a 12 de Novembro de 2015, durante um © CNN Portugal

Não importa que o Halloween já tenha acabado, porque as “bolas de fogo de Halloween”, como lhes chama a NASA, ainda vão poder ser vistas no céu durante as noites das próximas semanas, graças à chuva de meteoros das Táuridas do Sul.

O pico estimado da chuva de meteoros acontecerá este sábado, dia 5, de acordo com a EarthSky. As Táuridas são conhecidas por produzirem bolas de fogo altamente brilhantes e em maior quantidade – meteoros que podem chegar a parecer mais brilhantes do que o planeta Vénus.

Espera-se que a chuva deste ano apresente maior número de bolas de fogo, num fenómeno que também é conhecido como Enxame de Táuridas. As Táuridas do Sul geralmente têm apenas cinco meteoros por hora durante o seu pico, que acontece quando a Terra está mais perto do centro da corrente de detritos. Mas, a cada sete anos, a gravidade de Júpiter puxa a corrente dos meteoros e causa um incremento no número.

“Com a taxa normal para as bolas de fogo, alguém teria de ficar lá fora 20 horas seguidas para ver uma”, disse Robert Lunsford, coordenador do relatório de bolas de fogo da American Meteor Society.

“Com as Táuridas, esse tempo pode ser reduzido um pouco, talvez até cinco horas. E se tiverem muita sorte, podem sair à rua e em poucos minutos ver uma. A altura em que aparecem é totalmente imprevisível.”

Origem das Táuridas

As Táuridas são o resultado de uma separação de um cometa muito grande há cerca de 20 mil anos. Entre outros detritos, essa separação criou o Cometa Encke, que tem uma órbita em torno do Sol de pouco mais de três anos, o mais curto de qualquer cometa importante no nosso sistema solar.

Com cada passagem da Terra na sua órbita curta, deixa para trás um rasto de detritos. Esse rasto inclui as Táuridas do Sul, que são um aglomerado tão grande que demora várias semanas a passar pelo planeta.

“A maioria das chuvas de meteoros contém pequenos pedaços de poeira. Bem, as Táuridas também têm algumas partículas grandes”, afirmou Bill Cooke, director do Meteoroid Environment Office da NASA.

“E, enquanto a chuva de meteoros estiver a decorrer, veremos não partículas de poeira, mas partículas do tamanho de pedras – e algumas do tamanho de bolas de futebol e maiores, que, claro, produzem bolas de fogo extremamente brilhantes.”

Ver uma bola de fogo

As bolas de fogo das Táuridas são meteoros com mais de um metro de diâmetro, e têm um brilho excepcionalmente intenso, de acordo com a NASA.

Movem-se devagar porque atingem a atmosfera da Terra num ângulo perpendicular, por isso são vistas a deslocar-se através do céu por alguns segundos, em contraste com o milissegundo de visibilidade que a maioria dos meteoros nos oferece.

Os meteoros mais brilhantes e mais duradouros podem ser vistos fragmentando-se e desmoronando-se enquanto viajam pelo céu, de acordo com Lunsford. Muitas vezes, as bolas de fogo são coloridas e parecem ter as cores vermelha, laranja ou amarela.

“Seria como uma estrela cadente”, disse Mike Hankey, diretor de operações da American Meteor Society e criador do programa de rastreio de bolas de fogo. “Mas em vez de durar meio segundo, pode durar três ou quatro segundos, e em vez de ser apenas tão brilhante como uma estrela, pode ser tão brilhante como a lua – às vezes ainda mais brilhante.”

Este ano, a sociedade de meteoros já registou um aumento acima da média das bolas de fogo, enquanto a NASA fotografou bolas de fogo que parecem ser ainda mais brilhantes do que a lua no céu nocturno.

A melhor hora para sair à rua e detectar uma bola de fogo será às 2 da manhã (6 da manhã GMT) durante a próxima semana, de acordo com Lunsford.

À medida que a lua se aproxima da sua fase de lua cheia, marcada para 8 de Novembro, o seu brilho começará a perturbar as hipóteses de serem vistos meteoros menos intensos, mas as bolas de fogo, devido ao seu tamanho e brilho, podem ser vistas em qualquer parte do mundo, a qualquer momento durante a noite.

Outros eventos espaciais este ano

Há mais quatro chuvas de meteoros que pode ver ainda durante 2022, de acordo com o guia de chuva de meteoros da EarthSky:

  • 12 de Novembro: Táuridas do Norte
  • 18 de Novembro: Leónidas
  • 14 de Dezembro: Gemínidas
  • 22 de Dezembro: Úrsidas

E há mais duas luas cheias no calendário do Old Farmer’s Almanac de 2022:

  • 8 de Novembro: A lua dos castores (que atingirá o pico juntamente com um eclipse lunar total)
  • 7 de Dezembro: Lua fria

MSN Notícias
CNN Portugal
CNN Portugal
04.11.2022



 

593: Sem testes gratuitos e isolamento pago é difícil conter transmissão, mas hospitais estão preparados

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

O que aí vem ninguém sabe, mas há uma expectativa. E esta é: mesmo que a infecção por SARS-CoV-2 se mantenha elevada, o impacto da doença covid-19 será muito menor do que no início de 2021, quando ainda não havia vacinação. Neste momento, nos hospitais a preparação para eventuais surtos é permanente, mas a saúde pública alerta: “É preciso vigilância mais apertada no número de casos.” Reuniões do Infarmed regressam dia 11.

Portugal e outros países que deixaram estratégia de testagem massiva registam agora menos casos por milhão de habitantes.

Quase três anos depois e com mais um inverno à porta, regressa a imprevisibilidade em relação à infecção pelo vírus que invadiu o mundo a partir da China, no final de 2019 – o SARS-CoV-2. Sobretudo porque não há garantias de que não apareçam novas variantes que substituam a Ómicron, dominante desde o início deste ano em todo o mundo, ou novas sub-variantes desta.

Sobre as que apareceram recentemente, a BQ1 e a BQ1.1, identificadas na Nigéria, e que estão a substituir a BA.5, ainda pouco se sabe quanto ao seu impacto.

Até agora, a percepção que existe é a de que estas sub-variantes podem ser mais transmissíveis do que as anteriores, mas menos agressivas na doença grave e com protecção das vacinas que existem. E esta é também a esperança de quem está no terreno, na saúde pública, a gerir hospitais e na medicina intensiva.

Ao DN, o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que inclui os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, assume a imprevisibilidade: “O que aí vem ninguém sabe”, mas em termos de preparação “já estamos permanentemente, desde há quase três anos”. Luís Pinheiro diz até que, na sua opinião, “a nível de unidades hospitalares há uma preparação global muito maior”.

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que “o país está mais preparado nesta área” e que “mau seria se não fosse assim”, depois do “curso intensivo que tivemos nos primeiros dois anos”, mas o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) alerta para o facto de ser esperado um aumento significativo de infecções e de eventuais surtos – como destacou também, na semana passada, a própria Organização Mundial de Saúde, pedindo aos países que se preparassem -, e o que está a acontecer é que

“Muitas pessoas positivas não se testam nem cumprem isolamento”, fazendo com que não haja um retrato real da infecção no país e que a transmissão aumente.

Por isso mesmo pede ao governo que defina orientações e directrizes e que faça regressar medidas como a testagem e o apoio ao isolamento.

Gustavo Tato Borges concorda que “o país tem muito mais experiência do que no início da pandemia para lidar com novos casos de covid-19. Não só ao nível da saúde, mas também do cidadão, tendo em conta o conhecimento e os hábitos que se adquiriram.

Portanto, está melhor preparado para lidar com a situação no caso de poderem existir novos surtos”, mas relativamente à área da saúde pública “é fundamental uma monitorização mais apertada dos casos, que deixou de existir com o fim do estado de alerta.

Não é voltarmos a ter de contactar telefonicamente todos os infectados, mas é voltarmos a ter mais facilidade no diagnóstico. Ou seja, precisamos que a população volte a ter testes gratuitos disponíveis nas farmácias para ter o diagnóstico rapidamente”, diz.

Acrescentando: “Não existindo isto, então que se comece a fazer a vigilância da carga viral da covid-19 nas águas residuais, que é um indicador extremamente importante para se perceber a circulação do vírus e o impacto que a infecção poderá ter ao nível da doença e da sua gravidade.”

Desta forma, explica ao DN, “poderemos estar mais tranquilos. Ou seja, se ficarmos a saber que não há uma carga viral elevada nas águas residuais e que os internamentos não estão a aumentar, quer dizer que a situação está controlada.

Mas se houver uma carga viral elevada nas águas residuais e os internamentos a aumentar, então teremos de fazer alguma coisa rapidamente para impedir a circulação do vírus na comunidade”.

Por outro lado, o médico argumenta ser também fundamental a manutenção do isolamento dos casos positivos com o respectivo apoio, salário pago a 100% durante os cinco dias.

“A maior parte das pessoas não se testa porque não arrisca a que lhe digam que tem de ficar em casa. Muitas já ganham tão pouco que não podem ganhar menos e passam à frente deste crivo quando o isolamento de cinco dias continua a ser muito importante.”

E explica porquê: “Não podemos pensar só no caso das empresas. Temos de pensar também nos lares e em outras instituições que lidam com idosos ou com pessoas mais vulneráveis, porque os seus funcionários também irão trabalhar positivos.

Há uns que são assintomáticos, e já escapam ao controlo, os outros não arriscam ficar em casa, podendo estar a contaminar as pessoas mais vulneráveis. E será difícil não haver disseminação da transmissão.”

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos.

Se não continuamos a monitorizar “a incidência da doença, não sabemos o número de infecções reais que temos e não sabemos em que ponto estamos. O que estamos a fazer é a monitorizar os internamentos gerais, enfermarias e cuidados intensivos, e os óbitos.

Esperemos que não se comece a tomar medidas só quando os internamentos atingirem níveis preocupantes”, frisa, reforçando mais uma vez que “uma medida restrita só tem efeitos entre três a quatro semanas. Primeiro baixam os casos, depois os internamentos, e só depois os óbitos”.

Neste momento, destaca Gustavo Tato Borges, “desconhece-se quais são as medidas que estão pensadas pelo governo e pelas autoridades de saúde para este inverno. Mas é importante que haja um plano de vigilância e orientações que sejam divulgados, porque as que existem são do tempo do estado de alerta em vigor e estão desactualizadas”.

Isto porque, apesar de haver sempre imprevisibilidade, nos anos anteriores havia muitas medidas que permitiam “mitigar a transmissão da infecção, agora não”. Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde anunciou que as reuniões do Infarmed, entre governo e peritos, regressam dia 11.

Os dados divulgados pela plataforma internacional, Our World in Data revelam que Portugal não regista das piores situações no quadro europeu, sobretudo em relação a países como Alemanha, França e Itália. Mas há uma diferença enorme. Estes países mantêm a testagem massiva, daí que consigam identificar maior número de casos e ter maior vigilância através da incidência. Espanha está melhor do que Portugal, mas tem as mesmas regras.

Hospitais preparados para eventuais surtos

Em relação às unidades hospitalares, os circuitos separados para doentes respiratórios e não respiratórios mantêm-se, mas há algumas alterações na gestão de camas e de recursos.

Como explica o director clínico do CHULN, Luís Pinheiro, “os circuitos separados mantêm-se, os doentes não circulam misturados, seja no espaço da urgência, de enfermaria ou em áreas comuns, mas há maior flexibilidade na gestão dos recursos e dos espaços”.

Ou seja, “a filosofia do início da pandemia que levou à criação de enfermarias estritamente dedicadas a doentes com covid-19 mudou completamente e o que fazemos agora é colocar os doentes positivos em espaços próprios, naturalmente separados dos outros, mas nas enfermarias em que devem tratar a sua doença base, porque a realidade dos últimos meses é que o facto de um doente estar positivo para a infecção SARS-CoV-2 não significa que tenha covid-19. Foi internado por outra patologia e testou positivo”.

Isto mesmo está a ser feito em Santa Maria e em muitas outras unidades. A prioridade agora é tratar os doentes que tiveram de entrar no hospital porque tiveram um AVC ou outra situação nas áreas correspondentes, embora dentro destas enfermarias haja salas para doentes positivos e salas para os outros doentes. Luís Pinheiro salienta: “Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

O que temos é um modelo de organização mais flexível e mais ágil, que adaptaremos conforme a evolução da pandemia, reconvertendo salas de enfermarias para que os doentes se mantenham separados dos outros mas tenham o tratamento adequado à sua patologia.”

“Não temos um número de camas alocadas e vazias à espera de doentes com covid-19, como havia anteriormente. Isso hoje seria um desperdício.

A sua expectativa é de que, embora possa “haver um aumento de transmissão da infecção, o que é natural, e um maior número de doentes a testar positivo e doentes internados com covid-19, o impacto desta seja significativamente menos grave do que foi no passado, não só pelas característica do vírus, mas também pela vacinação da população com doses de reforço, como está a ser feito agora”.

Por exemplo, nesta semana a instituição que dirige tinha “um doente com covid internado em UCI, mas até há muito pouco tempo não tínhamos nenhum.

Nas enfermarias temos cerca de 30 positivos, mas, como digo, estes não são sinónimo de doença – a maioria, cerca de 60% a 65%, testou positivo à covid e tem de estar separado dos outros, mas a tratar as suas doenças originais”. Um número que diz “manter-se estável desde há várias semanas”.

Como médico, reforça que “o que aí vem nenhum de nós sabe. Há sempre uma incógnita em relação ao vírus e às variantes ou sub-variantes que venham a predominar”. E isto é o que o incomoda mais, embora tenha “a expectativa de que se passe a viver mais com a infecção pelo SARS-CoV-2 do que com a covid-19”.

Esta será mais uma que deverá “fazer parte do conjunto de patologias infecciosas respiratórias com as quais já lidamos e a fazer parte da rotina que é a nossa resposta clínica, para lidarmos com a doença de forma mais organizada e menos dramática”.

UCI. Há camas instaladas mas não activas por falta de recursos

O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, concorda que, nesta altura, “o país está mais preparado para lidar com a covid-19 nesta área do que no início de 2020”. E isto porque “se saltou de 620 camas, no final de 2019, para 860”.

Assim, “há uma capacitação muito significativa dos cuidados intensivos”, mas alerta que ainda “há camas instaladas que não estão activas por falta de recursos humanos, sobretudo de enfermeiros, e, como se sabe, um médico ou um enfermeiro para esta área não se forma em duas semanas. Este é um problema que convém resolver a breve prazo”.

José Artur Paiva recorda que a capacitação que a pandemia trouxe à medicina intensiva fez “com que se aumentasse o número de camas e melhorou também a capacidade em termos de quartos de isolamento”. Por isto, e por todo o saber, ou melhor, “pelo curso intensivo que ganhámos nestes quase três anos, mau seria se os hospitais não estivessem preparados”.

Na sua opinião, “os profissionais estão mais conscientes e ganharam conhecimento da doença e de como a tratar, o que é muito importante comparado com o que vivíamos em Março e em Abril de 2020”, destacando ainda que, “do ponto de vista de capacidade das unidades de medicina intensiva e de quartos isolados, estamos agora perto da média europeia, quando naquela altura éramos dos piores países”.

Ao olhar para o próximo inverno, o presidente do colégio da especialidade espera que na área da medicina intensiva este possa ser “encarado de uma forma significativamente diferente dos dois Invernos anteriores”.

Isto é, em termos de organização, “mais do que ter áreas de cuidados intensivos divididos para doentes com covid-19 e não covid, parece-me mais importante que o doente seja internado nas áreas adequadas à sua patologia”, defende, explicando: “Um doente que precisa de cuidados críticos porque teve um AVC ou uma hemorragia cerebral deve ir para a área onde são fornecidos os cuidados neuro-críticos, o mesmo em relação a doente com traumatismo grave, e nestas áreas devem ser usados os quartos de isolamento que permitam a prevenção da transmissão da infecção.”

“Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico”.

À partida, reforça também, o próximo inverno será “um pouco imprevisível”. E por dois factores. Por um lado, porque “a percepção que se tem agora das novas sub-variantes é a de que são mais transmissíveis mas provocam menos doença grave, nomeadamente às pessoas que não têm quadros de imunodeficiência e que realizaram o suporte vacinal, mas, repito, ainda não temos certezas”.

Por outro lado, não sabemos como se irá comportar o vírus da gripe. “Depois de dois anos em que o nosso contacto com o vírus influenza foi muito baixo, os quadros de gripe podem assumir uma gravidade acima daquilo que era normal no período pré-pandémico, havendo ainda todos os outros agentes respiratórios de infecção vírica ou bacteriana.

E em termos de medicina intensiva esta é uma fase do ano em que há claramente uma procura de camas de UCI mais elevada.” No entanto, “a expectativa não é muito pessimista em relação a casos graves de covid-19”.

O DN contactou há uma semana autoridades da saúde nacional, nomeadamente a Direcção-Geral da Saúde, para saber qual a situação real que se vive no país, comparando-a com outros países europeus, assim como que plano de vigilância está a ser preparado para este inverno, que recomendações vão ser feitas e em que pé está o projecto de vigilância em simultâneo covid-19/gripe. Até ao fecho desta edição não obteve respostas.

Presidente da ANMSP pede para que Governo mantenha obrigatoriedade de máscara nos serviços de saúde, senão será difícil conter transmissão

Cuidados a ter

Unidades de Saúde

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública recomenda que o Governo mantenha a obrigatoriedade do uso de máscara nos serviços de saúde, senão o contágio será inevitável nestas situações. Gustavo Tato Borges diz saber que há ACES em que os médicos de família ainda usam acrílicos como separadores e viseiras, e que estas devem ser mantidas para se protegerem a eles próprios.

População

Em relação aos utentes, o primeiro conselho vai para aqueles que estão a ser chamados para a dose de reforço. “Façam-na rapidamente, quanto mais depressa tivermos uma cobertura vacinal adequada com esta dose de reforço mais depressa poderemos ter uma protecção acrescida na população”.

Sintomas

É preciso que cada um de nós esteja atento aos sintomas e que não os menospreze. Se estiver com um quadro de sintomas respiratórios é importante que imediatamente – sendo a mais adequada para proteger os outros a SP2, que é de bico de pato, e não tanto a cirúrgica. Quando se está com sintomas deve evitar-se visitar pessoas vulneráveis e contactar com outras de forma prolongada.

Ventilação

Apesar de se estar a entrar na época do frio é muito importante a ventilação, em casa, empresas e até mesmo em locais de convívio deve abrir-se regularmente as janelas os espaços onde estamos a trabalhar ou a conviver voltando a fechar para permanecer.

Teletrabalho

O médico relembra ainda: “Sempre que se puder recorrer ao teletrabalho, deve fazer-se. É a forma de se poder minimizar a disseminação da doença”. É que há sempre alguém mais vulnerável, que mesmo com a vacinação, poderá pagar um preço mais elevado.

Gustavo Tato Borges diz que os últimos dois anos foram “um período estranho da nossa vida, mas o teletrabalho, o uso de máscara e o arejamento dos espaços devem passar a ser coisas comuns do nosso dia”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
05 Novembro 2022 — 00:16



 

592: Economia já começou a perder emprego e empresários antecipam cenário pior até Janeiro

ECONOMIA/DESEMPREGO/EMPRESÁRIOS

INE. Desde que eclodiu a guerra na Ucrânia, e apesar dos meses de verão fulgurantes devido ao turismo, a economia portuguesa já perdeu quase 20 mil empregos até Setembro. No grupo populacional com 25 anos ou mais, já há destruição líquida de postos de trabalho face há um ano e desemprego começou a subir.

© Rafael Costa

A economia portuguesa está a perder força e isso já começa a ser visível nos indicadores de emprego e de desemprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O emprego está a caminho da estagnação, a taxa de desemprego, ainda baixa, está a subir lentamente, as expectativas dos empresários relativamente à contratação e criação de postos de trabalho nos próximos três meses estão a cair a pique em todos os sectores analisados.

Segundo o INE, o emprego total cresce cada vez menos, tendo avançado apenas 0,8% em Setembro face a igual mês de 2021. Este valor, ainda preliminar, é o mais fraco desde Março de 2021, estava Portugal a reerguer-se da pior vaga da pandemia.

Se o período de observação começar quando eclodiu a guerra na Ucrânia (final de Fevereiro), então aí torna-se claro que mesmo com um verão turístico fulgurante, a economia portuguesa perdeu quase 20 mil empregos desde início da guerra e crise inflacionista até ao último mês de Setembro.

Mas o INE mostra, por exemplo, que há partes do emprego total que podem estar já a ceder, mesmo quando se compara com Setembro do ano passado.

Emprego mais jovem ainda resiste

A camada mais jovem (menos de 25 anos) ainda resiste, mas o grande grupo formado pelos trabalhadores com 25 anos ou mais já estará em contracção: a estimativa preliminar do INE relativa a Setembro indica uma descida de 0,1%, a primeira desde Fevereiro do ano passado, quando o país saiu da vaga mais mortífera da covid.

Na população desempregada acontece algo similar. O desemprego total (número de pessoas sem trabalho, mas que procuraram activamente emprego e estavam disponíveis para trabalhar) ainda desceu 2,5% em Setembro, mas esta é a pior marca desde maio de 2021, quando o país começou o segundo grande desconfinamento.

Uma vez mais, o grupo dos mais jovens parece ser o que resiste melhor a esta conjuntura que está a virar para pior. Em Setembro, o desemprego jovem (menos de 25 anos) ainda recuou cerca de 14%, para 62,5 mil casos.

Já o grupo dos restantes desempregados (25 anos ou mais) aumentou 0,6% no mês de Setembro, para 256,2 mil casos. Não se registava um agravamento neste indicador mensal do INE desde maio de 2021.

A taxa de desemprego, que é o peso do número de desempregados no total da respectiva população activa, pode ter subido para 6,1% em Setembro.

Antes de eclodir a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o rácio do desemprego português estava a descer; era de 5,7% em Fevereiro passado, o valor mais baixo em 20 anos. Nas séries do INE, é preciso recuar a Fevereiro de 2002 para encontrar um nível de desemprego inferior (5,5%).

© INE e cálculos DV

© INE e cálculos DV

© INE

Confiança dos gestores no emprego cai a pique em todos os sectores

Ainda de acordo com o instituto oficial, os indicadores prospectivos de curto prazo (próximos três meses) relativos ao emprego no sector privado estão todos em declínio acentuado.

A maioria dos mais de quatro mil empresários e gestores de topo ouvidos pelo INE indicam que estão a cortar a fundo nos planos de emprego até Janeiro, pelo menos. Pode ser contratar menos, não contratar, despedir ou não renovar contratos.

No caso da indústria e da construção essas perspectivas caíram para o nível mais baixo desde o pior momento da pandemia (final de 2020, início de 2021).

O INE faz estes inquéritos de confiança a cerca de 4.300 empresários: 1.000 são empresários ou gestores da indústria transformadora, 600 da construção e obras públicas, 1.100 do comércio, 1.400 dos serviços.

Outro indicador fundamental que não está a melhorar é o do investimento industrial. Quase 78% dos gestores abordados dizem que vai ficar igual ao que está ou pior.

O INE refere que, “de acordo com a informação recolhida sobre a evolução do investimento no âmbito do inquérito qualitativo de conjuntura à indústria transformadora, 63,6% das empresas prevêem que o investimento em 2023 irá estabilizar face a 2022, enquanto 22,7% das empresas prevêem um aumento e 13,7% uma diminuição”.

© INE

Clima arrefece antes do inverno

O INE remata dizendo que o indicador geral de clima económico em Portugal “diminuiu entre Agosto e Outubro, reforçando o movimento descendente iniciado em Março e atingindo o mínimo desde Abril de 2021”.

“Os indicadores de confiança da Indústria Transformadora, da Construção e Obras Públicas, do Comércio e dos Serviços diminuíram todos em Outubro relativamente a Setembro.”

Esta semana o ministro das Finanças, Fernando Medina, veio a público dizer que a economia está a surpreender pela positiva e que o emprego continua “forte”, tendo inclusive sinalizado que pode rever em alta o crescimento estimado para este ano de 6,5% para perto de 6,7%.

Mas 2023 será outra conversa. Mesmo com fundos europeus e uma previsão de salto monumental no investimento público, o governo projecta uma forte travagem da economia para apenas 1,3% de crescimento em 2023.

E o emprego só deve avançar 0,4%. No entanto, a taxa de desemprego fica incólume nos 5,6%, segundo o cenário macro da nova proposta de Orçamento do Estado para 2023.

Dinheiro Vivo
Luís Reis Ribeiro
Luís Reis Ribeiro
05 Novembro, 2022 • 00:01



 

Elon Musk despede “cerca de 50%” dos trabalhadores do Twitter em todo o mundo

TWITTER/ELON MUSK/DESPEDIMENTOS

A plataforma, que tinha cerca de 7500 funcionários no final de Outubro, notificou milhares de pessoas por e-mail, explicando que o objectivo é “melhorar a saúde da empresa”.

© Odd ANDERSEN / AFP

Uma semana depois de ter sido comprado por Elon Musk, o Twitter comprometeu-se a despedir metade dos trabalhadores, ao mesmo tempo que lança grandes projectos e luta contra usuários, anunciantes e associações preocupadas com a transformação da influente rede social.

“Cerca de 50% dos funcionários serão afectados” pelos despedimentos em andamento no Twitter, segundo um documento enviado esta sexta-feira aos funcionários da rede social, a que a France-Presse (AFP) teve acesso.

A empresa californiana, que tinha cerca de 7.500 funcionários no final de Outubro, notificou milhares de pessoas por e-mail, explicando que o objectivo é “melhorar a saúde da empresa”.

O Twitter anunciou também o encerramento temporário dos escritórios, para “garantir a segurança de cada funcionário, bem como dos sistemas e dados do Twitter”.

“Acordei e descobri que não vou trabalhar mais no Twitter. De coração partido. Não posso acreditar”, publicou a directora de Reclamações para os EUA e Canadá, Michele Austin, na sua conta do Twitter.

“Os meus pensamentos, o meu respeito, a minha energia e o meu amor estão com os tweeps [nome dado aos funcionários do Twitter] em todo o mundo hoje. Juntos construímos a plataforma mais incrível do planeta“, escreveu o director-geral do Twitter em França, Damien Viel.

Na quinta-feira passada, quando Elon Musk assumiu o controle da empresa, o novo proprietário dissolveu o Conselho de Administração, demitiu executivos, assumindo o cargo de presidente executivo e retirando a empresa da bolsa.

Gerentes e departamentos de marketing e design parecem particularmente afectados, de acordo com um funcionário recentemente despedido, que preferiu permanecer anónimo.

Aquele funcionário teme que a nova gestão tente encontrar maneiras de reter as indemnizações, encontrando desculpas para acusá-los de má conduta profissional.

Entretanto, cinco funcionários do Twitter recentemente despedidos entraram com uma acção colectiva contra a empresa, por não terem recebido o aviso prévio de 60 dias exigido pela lei norte-americana para despedimentos colectivos.

Um deles, o francês Emmanuel Cornet, foi demitido por má conduta profissional sem explicação, apesar de estar entre os 5-10% dos melhores engenheiros da empresa, segundo listas compiladas esta semana.

“Estamos a testemunhar a destruição em tempo real de um dos sistemas de comunicação mais poderosos do mundo. Elon Musk é um bilionário imprevisível e inconsistente, ele representa um perigo para esta plataforma, que ele não está qualificado para liderar”, respondeu Nicole Gill, cofundadora da Accountable Tech, uma das organizações não governamentais que convocou os anunciantes para pressionar o novo chefe.

O empresário defende uma visão absolutista da liberdade de expressão, que, segundo os seus críticos, corre o risco de abrir as portas para o ressurgimento de abusos, como assédio, discurso de ódio, ou desinformação.

Vários grupos já decidiram suspender os gastos com publicidade no Twitter, incluindo a gigante americana agro-alimentar General Mills, a fabricante automóvel americana General Motors e a sua concorrente alemã Volkswagen.

Adicionalmente, mais de um milhão de usuários parecem ter deixado a plataforma desde a última quinta-feira, segundo estimativas do Bot Sentinel, especialista em análise de contas de redes sociais.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Novembro 2022 — 00:17



 

590: Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 1.736 casos de infecção e mais seis mortes em relação à semana anterior.

DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25

Portugal registou, entre 25 e 31 de Outubro, 5.920 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 1736 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 525 pessoas, mais 47 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, menos um.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 57 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 23% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus baixou para 0,87.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.300 casos entre 25 e 31 de Outubro, menos 210 do que no período anterior, e 19 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 823 casos (menos 1.261) e 13 mortes (mais seis) e o Norte totalizou 1.440 casos de infecção (menos 207) e 12 mortes (menos três).

No Alentejo foram registados 292 casos positivos (mais 25) e seis óbitos (mais cinco) e no Algarve verificaram-se 220 infecções pelo SARS-CoV-2 (menos 85) e uma morte (mais uma).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 247 novos contágios nos últimos sete dias (menos dois) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 598 casos nesse período (mais quatro) e dois óbitos (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.151), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (912), enquanto os jovens dos 10 aos 19 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (188).

Dos internamentos totais, 206 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (131) e dos 60 aos 69 anos (82).

A DGS contabilizou ainda oito internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, seis dos 10 aos 19 anos, 12 dos 20 aos 29 anos, 14 dos 30 aos 39 anos, 14 dos 40 aos 49 anos e 34 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, sete pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e outras três entre 50 e 59 anos.

Os dados indicam ainda que 66% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 51% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 70% dos idosos com mais de 80 anos e a 50% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 19:25