789: Pensionistas vão perder mais de metade do salário

– Embora já não ande por cá em 2070, penso ter o dever de inserir este artigo neste espaço por uma questão de solidariedade para com os que, nessa altura, terão estes problemas.

PENSIONISTAS/PERDAS/PENSÕES

Cenário para 2070 é dos piores da Europa. Apenas 42,7% dos portugueses poupam para a reforma e só 13% têm planos individuais.

Daqui por 48 anos, a taxa de substituição da pensão pelo ordenado será de apenas 46%.
© Unsplash

Quem se reformar daqui por 48 anos, em 2070, arrisca-se a perder mais de metade do seu salário na pensão que vier a receber, de acordo com um estudo conduzido pela Nova School of Business and Economics apresentado ontem durante a conferência anual da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

Por exemplo, se, em 2070, um trabalhador com um ordenado de dois mil euros se aposentar só terá direito a 46% do seu último recibo de vencimento, ou seja, a 920 euros.

As pensões actuais até estão próximas do valor do último salário recebido. Em 2019, a taxa de substituição do vencimento pela pensão era de 79%, segundo o mesmo estudo. Ou seja para um ordenado de dois mil euros, o trabalhador recebe 1580 euros de reforma.

Mas daqui por 48 anos, as estimativas são bem mais negras e apontam para uma redução de 33 pontos, de 79% para 46%, a terceira maior quebra da Europa, logo atrás de Espanha e Letónia. Já o recuo da taxa de reposição na média da UE a 27 é de nove pontos entre 2022 e 2070.

No longo prazo, o Estado não conseguirá cobrir a diferença, que se irá acentuar à medida que os anos passam, entre salários e pensões. Isto significa que os descontos para a Segurança Social ou para a Caixa Geral de Aposentações, no caso dos funcionários públicos, não serão suficientes para pagar pensões equivalentes aos rendimentos dos trabalhadores. Perante estas projecções, coloca-se a questão de quanto é que os portugueses estão a poupar para as suas reformas e o panorama não é animador.

Apenas 42,7% dos portugueses afirmam que guardam parte dos seus rendimentos para complementar a sua reforma, segundo um inquérito coordenado pela Universidade do Minho e apresentado também ontem na conferência anual da ASF. O maior incentivo para poupar para a reforma é a previsão de uma quebra nos rendimentos no futuro, com 54% dos inquiridos a indicar este motivo.

14% temem um agravamento das despesas com saúde; 12% pretendem amealhar para ter rendimento adicional para viajar ou para outras actividades de lazer; e 9% poupam para fazer face a um aumento dos custos com lares ou residências de idosos.

Analisando agora a aplicação das poupanças para as reformas, constata-se que apenas 13% dos portugueses optam por mecanismos complementares como os planos de poupança reforma (PPR).

A maior parte (26%) dos inquiridos preferem investir em acções e 18% têm o dinheiro em depósitos a prazo, os quais, nos últimos anos, têm dado uma rentabilidade muito baixo por via das taxas de juro negativas. Situação que se mantém, apesar da subida vertiginosa das Euribor, porque a banca tem resistido a subir os juros nos depósitos ao contrário dos créditos.

Teixeira dos Santos defende benefícios fiscais para incentivar as empresas a criar planos de poupança para os trabalhadores.

Face à reduzida poupança para a reforma e à incapacidade do sistema público em assegurar prestações equivalentes aos salários, o antigo ministro das Finanças socialista, Fernando Teixeira dos Santos, defende a criação de planos de poupanças nas empresas para complementar a reforma dos trabalhadores.

“A existência de um plano a nível empresarial, que enquadre as pessoas nesse pilar de poupança, é fundamental”, afirmou o ex-governante durante a conferência anual da ASF. Para isso, sublinhou, “é preciso ver de que forma é possível gerar os melhores incentivos para que as empresas estejam predispostas para avançarem com este tipo de planos”.

Teixeira dos Santos notou que “há já uma percepção de que a taxa de substituição” do valor da reforma face ao último salário “não é de 100%”. Porém, ressalvou que “ainda há muita gente que vive na ilusão” de que a pensão será igual ao ordenado.

“Como a tendência demográfica é inescapável, a situação vai agravar-se e o factor de sustentabilidade no cálculo das pensões vai ter repercussões e isso pode ser um incentivo para que as pessoas acordem para a necessidade de pouparem mais para compensar uma pensão que será cada vez mais reduzida no decorrer do tempo”, rematou.

Salomé Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

Diário de Notícias
Salomé Pinto
18 Novembro 2022 — 07:01



 

788: Putin. Um abcesso mundial

OPINIÃO

O recente encontro de Joe Biden com o Xi Jinping, à margem da reunião do G 20, traduziu-se num “atar de mãos” para Putin. Fechou-se mais uma opção de guerra na trajectória de loucura do ocupante do Kremlin.

Sejam armas químicas, biológicas, nucleares tácticas ou estratégicas, ou quejandos, Putin ficou a saber, pela concordância dos dois presidentes das maiores potências mundiais, que lhe está, tacitamente, vedado o uso daquele tipo de arsenal militar.

A questão da utilização de armas nucleares por Moscovo parece ser uma possibilidade que para Putin está, seriamente, em cima da mesa. Não é em vão que William Burns e Sergei Naryshkin, responsáveis máximos, respectivamente, da CIA e do FSB (antiga KGB) se encontraram em Ankara com o assunto em agenda.

Burns terá avisado a sua contraparte das consequências da utilização daquele tipo de armamento no teatro da guerra.
Entretanto, vai-se acentuando o isolamento internacional da Rússia.

Se em Fevereiro último, do encontro entre Xi e Putin tinham saído sinais de uma “parceria sem limites”, recentemente, a China através de declarações de fontes oficiais ao Financial Times, afirmou que Putin “não disse a verdade” sobre a guerra na Ucrânia.

De facto, a China tem neste “dossier” o desafio de um equilibrismo difícil de conseguir. Está, compreensivelmente, “em cima do muro”. Existem na Ucrânia seis mil cidadãos chineses. A China tem uma enorme carência de recursos energéticos para manter em funcionamento a sua economia.

E, na Rússia, não falta gás e petróleo para vender. Por outro lado, não está no ADN de Pequim aceitar uma guerra onde não existe o mínimo respeito pelos direitos humanos. Sociologicamente, a guerra não se faz só com pistolas-metralhadoras e mísseis.

No terreno os soldados russos têm-se comportado como “gangsters”. Roubam, pilham, assassinam. A violência brutal do exército russo leva às últimas consequências as orientações do topo da hierarquia política russa.

O nível de pobreza e de educação dos soldados russos expressa-se bem na pilhagem que vão fazendo. Bens pessoais, electrodomésticos, automóveis, roupa, ouro, nada escapa à voragem das tropas russas. Tornou-se habitual os ucranianos serem despojados dos seus bens pessoais.

Nos últimos dias a tensão subiu no panorama internacional. Putin revelou-se um desastroso comandante das Forças Armadas. Soma derrotas atrás de derrotas, sem que se anteveja uma estratégia lógica no conflito.

A sua ausência da recente reunião do G 20, o comportamento errático do ministro Lavrov no encontro e os ataques com cerca de cem mísseis desencadeados em várias cidades da Ucrânia mostram bem o desatino que reina no Kremlin.

À medida que o Ocidente vai treinando e dotando o exército ucraniano de novas e mais modernas armas de defesa, as forças armadas russas sofrem desaires no terreno. Kherson é a última e mais importante expressão da incapacidade do exército russo em manter posições.

Perante a evidência da desorganização e fragilidades do exército russo, Putin decidiu atacar alvos civis. A população ucraniana está sem água, sem luz, sem aquecimento. É a estratégia de terror de Moscovo.

Putin transformou-se num abcesso mundial. Esta guerra está beira de vir a tornar-se num conflito internacional. Qualquer incidente que aconteça com um míssil em território de países que pertençam à Nato pode dar origem a um conflito de proporções mundiais.

A paz, por enquanto, parece ser uma miragem. A supremacia do exército ucraniano no terreno condiciona, para já, o início de conversações. E a teimosia de Moscovo em não abandonar o território ucraniano ocupado dificulta qualquer passo no sentido da paz.

Perante a loucura de Moscovo e a aventura em que Putin meteu todo o mundo resta-nos esperar que as instituições políticas, diplomáticas e militares ocidentais mantenham a cabeça fria, agindo e respondendo com inteligência à crescente loucura de Putin. Que, verdadeiramente, se transformou num abcesso de consequências negativas para toda a Humanidade.

Jornalista

Diário de Notícias
António Capinha
18 Novembro 2022 — 00:05



 

Vou “Catar-vos” uma, duas, estórias

OPINIÃO

Catar 2022, esse “pronome verbal”, menos mal que “Chéquia”, lembra-me um particular mal-entendido entre um Embaixador e um funcionário de Embaixada, linguista e muito cioso do que é correcto. Foi esse mesmo funcionário que me informou que já poderia escrever dossiê sem aspas em vez de “dossier”, o que registei de imediato.

Também registei este “feito-diverso” que me relatou de um seu dia de trabalho em que tinha que dar seguimento a um ofício ou outro documento oficial, com destino ao Qatar, tendo o funcionário-linguista escrito Catar a rematar o destinatário.

O Embaixador não ignorou tal facto no exame final ao despacho, chamou o funcionário e diminui-o com um “como é possível confundir um nome com um verbo?” O funcionário insistiu que agora era assim (há 10 anos), que agora haviam regras novas.

O Embaixador não quis acreditar, tendo dito que mesmo que seja verdade, não colará em Portugal, porque é um verbo que implica piolhos! Assim se vê a força do futebol, de Chéquia a Catar!

O Irão, que sempre dissemos/ouvimos Irão, do verbo ir, nunca nos fez confusão e até nos sugere o exótico de todos os “kafiristões” que para lá estão! Irão em Portugal, Irã no Brasil. Chamar Irão ao Irã também é motivo de gozo no Brasil, já dizer Irã na Guiné-Bissau é fazer referência a uma religião e não a um país. Das idiossincrasias que desmentem o “todos diferentes, todos iguais”!

Quanto ao Catar 2022, fico contente por perceber que os estrangeiros, que são aqueles que falam estrangeiro, andam a menos de um mês do pontapé de saída a lamentarem-se pelo erro crasso que foi aceitarem organizar este Mundial no Catar. Até parecem portugueses estes estrangeiros! Alavancado nos petrodólares compraram tudo e os comprados não sabiam que quem paga manda? Parecem mesmo portugueses!

Em termos de grande política, este Mundial vai-se ficar pelas pequenas polémicas da mini-saia a caminho do estádio, do bêbado que começa a acompanhar aos gritos o chamamento para a oração, do mesmo bêbado apanhado a urinar na esquina, do fotógrafo que apontou a câmara para a esposa errada, quando só queria enquadrar o spoiler do aileron da biatura no strander do centro comercial e outros feitos diversos do género cultural. O que tenho visto nas reportagens televisivas tem sido demasia de avisos sobre “o respeito da nossa cultura”, quase de dedo em riste para a camera.

Ora para o Catar país, para o Médio Oriente e para o Islão em toda a sua extensão planetária, a grande política que poderá sair deste evento, em tudo depende da gestão destes comportamentos “a contra-cultura”, inconsequentes e fruto do culto do individual.

Contra-cultura sem aspas implicaria uma consciência política e politizada. Uma consciência e a malta que lá vai para ver a bola, fá-lo para se embebedar, se exibir e por vezes confrontar. É da gestão deste confronto que se fará a prova dos nove. Esta gestão também inclui o tratamento dado aos detidos.

O que se passar à porta fechada, dará sinais sobre o que as autoridades, A Cultura, para ser literal, estará preparada para alavancar a partir de 19 de Dezembro e marcar a agenda de um potencial Novo Médio Oriente no esboço da Nova Ordem Mundial.

Quanto à nossa selecção, acho que nem Irão Catar sonhos a Doha, começando pelo patético de equipas que nos calhou no grupo, que nos faz de favoritos, terminando no existencialismo de Cristiano Ronaldo, que de momento só me trás à memória uma cabeçada de Zidane a Materazzi na final do Mundial 2006.

Os psicólogos analisaram aquilo na altura como uma forma simbólica do cabeceador, em fim de carreira, destruir tudo o que tinha construído até aí. Um fim de ciclo, obrigaria a um último acto dramático num grande palco. Daquilo que nos conheço, acrescento que ser português é não ser capaz de lidar com a pressão de se ser favorito, ou o(s) melhor(es) do mundo!

Politólogo/arabista www.maghreb-machrek.pt

Escreve de acordo com a antiga ortografia

Diário de Notícias
Raúl M. Braga Pires
18 Novembro 2022 — 00:27



 

786: A máquina de fazer pobres

– Comecei a trabalhar em 1960, logo, na época mencionada pelo cronista nesta sua peça. E nessa época, mesmo até ao 25’Abr’74, só não trabalhava quem era chulo por natureza e dedicação ou com alguma doença impeditiva de o fazer. Passei por várias empresas e nessas passagens – por melhoria de condições e salário -, era quase como sair de uma e entrar na outra 48 horas depois de fazer a entrevista.

OPINIÃO

A geração nascida em Portugal entre os anos 40 e 60 do século XX, e que quando teve a oportunidade de estudar, desde logo no ensino superior (ou, noutra perspectiva, de emigrar), beneficiou de um espaço que estava infelizmente por ocupar.

Aquele espaço, por exemplo, de uma administração pública em crescimento e carecida de quadros técnicos, e o espaço de uma melhoria económica e de actualização industrial e empresarial que necessitou urgentemente de trabalhadores qualificados.

De um país, no fundo, que, na transição da ditadura para a democracia, estava em condições de os receber, acomodar e recompensar, em termos que sentissem como minimamente adequados. Termos, portanto, de progresso objectivo, mensurável, materializável.

A realidade dos seus filhos e dos seus netos já não foi efectivamente tão generosa do ponto de vista da dimensão das oportunidades disponíveis e da sua solidez, incorporando-se naquilo a que Beck chamou de precariado académico, a par, naturalmente, do não académico, e todos nós vivendo, na verdade, num “estado de desconhecimento”, condicional e eventual – a economia, os “mercados” e a sua “emoção” -, uma situação que não percebemos e não dominamos, porque transcendente para os leigos, não envolvidos e sem poder de decisão.

Esse desconhecimento, ou a sua convicção, também nos disponibiliza para um determinado estado de justicialismo colectivo, mais imediato e alheio à ponderação do tempo do contraditório, que seguramente nos ameaça, mas, superficialmente, nos parece o mais adequado.

Quando comecei a passar mais tempo em arquivos, a analisar registos públicos diversos dos séculos XVIII e XIX, apercebi-me que boa parte das pessoas mantidas “em ficha”, como profissão, eram simplesmente “trabalhadores” (assim classificados num contexto desfavorável, já que grande parte destes registos eram registos judiciais e prisionais, mas igualmente noutros). Havia, é certo, sapateiros, criadas, alfaiates… mas especialmente “trabalhadores”.

Isto é: alguém que trabalhava, havendo trabalho, fosse ele qual fosse – por oposição ao “vadio” ou ao “pobre”, num tempo em que não havia a designação, mais recente, de “desempregado”. E um “trabalhador” que seguramente não trabalhava, nesse regime de jorna, não havendo trabalho…

O percurso, entretanto, foi o de orientação para um trabalho e um emprego, uma carreira e uma vida basicamente identificada com o trabalho, via ideologias socialistas, doutrina social da Igreja, urbanização e industrialização, associada a uma penosidade devida do trabalhador e a uma presumida posição vantajosa do empregador.

E, a partir daí, progressivamente, nova mudança para um discurso e uma prática sobre a flexibilidade, a habituação a diferentes cargos, percursos, desempenhos ao longo da vida, até à aceitação, cada vez mais universal, e até dita valiosa, de que estamos aqui para fazer o que houver para fazer, circular, rodar.

Oportunidades. Experiências. Liberdade. Nomadismo laboral. E falar baixo… E este foi o percurso ocidental, porque na generalidade do resto do mundo as coisas não se passaram, entre os séculos XIX e XX, de forma tão agradável.

A exploração do trabalhador e da pessoa sempre foi – e é – a regra em boa parte do planeta -, mas disso sabemos pouco. Compramos, no mundo ocidental, a roupa, os gadgets, os equipamentos industriais, os automóveis… Mas as pessoas que neles estão incorporadas são desconhecidas e espúrias perante os nossos padrões – portanto, inexistentes.

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Diário de Notícias
Miguel Romão
18 Novembro 2022 — 00:15



 

785: Ucrânia: Rússia inicia fortificação da Península da Crimeia

– Façam aos putinocratas russonazis ☠️卐☠️ o mesmo que eles estão a fazer à Ucrânia desde Fevereiro: BOMBARDEIEM essas “fortificações” e dêem-lhes do mesmo veneno que estão a instilar aos ucranianos. A Crimeia ocupada pertence à Ucrânia, por isso, há que expulsar de lá os invasores russonazis ☠️卐☠️

UCRÂNIA/CRIMEIA/OCUPAÇÃO/RUSSONAZIS ☠️卐☠️

Decisão das autoridades locais, controladas por Moscovo, ocorre na sequência da contra ofensiva das Forças Armadas de Kiev na região de Kherson, vizinha da Península da Crimeia.

© STRINGER / AFP

A Rússia anunciou esta sexta-feira que está a construir fortificações na península da Crimeia, invadida em 2014, na sequência da ofensiva ucraniana na região Kherson.

“Os trabalhos de fortificação estão a ser realizados e controlados por mim, no território da Crimeia, para garantir a segurança dos habitantes (da Península da Crimeia)”, disse Serguei Akasionov, governador instalado por Moscovo na região ucraniana invadida e anexada por Moscovo em 2014.

A decisão das autoridades locais, controladas por Moscovo, ocorre na sequência da contra ofensiva das Forças Armadas de Kiev na região de Kherson, vizinha da Península da Crimeia.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Novembro 2022 — 10:21



 

784: Nazismo e Fascismo

Apesar das semelhanças, o nazismo e o fascismo são diferentes. O nazismo foi um movimento ideológico que nasceu na Alemanha e esteve sob o comando de Adolf Hitler de 1933 a 1945.

Já o fascismo foi um sistema político e surgiu primeiro, na Itália, tendo aumentado a sua influência na Europa entre 1919 e 1939.

O nazismo tem carácter nacionalista, imperialista e belicista (que tende a se envolver activamente em guerras). O fascismo também tem carácter nacionalista e é anti-socialista.

Nazismo Fascismo
Definição Movimento ideológico que misturava dogmas e preconceitos baseados na ideia de que a “raça ariana” (alemã) era superior a todas as outras. Regime ou movimento político e ideológico em que o conceito de “nação” e “raça” está acima do indivíduo e seus valores.
Principais líderes Adolf Hitler, Henrich Himmler, Martin Borman, Joseph Goebbels, Hermann Goering, Klaus Barbi. Benito Mussolini, Francisco Franco, Hideki Tojo.
Características
  • Racismo
  • Totalitarismo
  • Nacionalismo
  • Anti-comunismo
  • Antiliberalismo
  • Totalitarismo
  • Nacionalismo
  • Populismo
  • Antiliberalismo
  • Anti-socialismo

O que é nazismo?

O nazismo foi um movimento ideológico surgido na Alemanha e é comummente associado ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, comandado por Adolf Hitler de 1933 a 1945.

Apesar de muitos o considerarem uma versão “extrema” do fascismo, a principal diferença é que o movimento nazista acreditava no “racismo científico”.

O “racismo científico” é a crença em uma pseudociência de que existem raças de seres humanos superiores e inferiores.

O conceito de “raça” entre seres humanos tem sido debatido. Actualmente, “etnia” é o termo mais utilizado para referenciar grupos distintos, já que aspectos socioculturais são considerados mais relevantes que factores genéticos.

No entanto, os alemães, sob influência do Partido Nazista, passaram a acreditar que a “raça ariana” era superior a todos os outros grupos humanos, sendo os judeus o alvo principal de seus preconceitos e dogmas. Por isso, os nazistas são anti-semitas.

A origem da palavra “nazismo” está ancorada na junção das palavras Nacional-Socialismo. Neste caso, o socialismo foi redefinido pelos nazistas para distingui-lo do socialismo marxista, fortemente rechaçado pelo movimento.

Extremamente rígidos no que tocava a sua superioridade em relação a outras “raças”, os nazistas contrastavam no quesito “luta de classes”, sobre o qual eram contra. Isto fazia frente ao capitalismo, que passava a dominar o ocidente.

Principais características do nazismo

Racismo

Os nazistas praticaram o “racismo científico”, termo actualmente usado com carga pejorativa e uma vertente ideológica baseada em uma pseudociência para justificar actos racistas.

De acordo com a crença alemã da época, os seres humanos eram divididos por “raça”, sendo a “raça ariana” superior a todas as outras. Neste sentido, consideravam os judeus a raça mais inferior, aversão chamada de “anti-semitismo”.

Para todos os efeitos, os alemães sob influência do nazismo acreditavam que não deveriam se misturar a outras “raças”, sendo o povo que deveria liderar o mundo.

Totalitarismo

O cidadão que vivia na Alemanha nazista deveria seguir os preceitos ordenados pelo Estado, não tendo liberdades (como de expressão) garantidas.

As acções e medidas adoptadas pelo Führer (líder nazista) eram inquestionáveis, uma vez que era cultuado quase como uma divindade.

No totalitarismo, o governo tenta comandar todos os aspectos sociais, sejam de ordem pública ou privada.

Desta forma, é um sistema político autoritário, geralmente com o poder concentrado em uma única pessoa como líder, sem partidos políticos e parlamentos.

Nacionalismo

O nazismo defendia um nacionalismo revolucionário. Isto quer dizer que acreditavam em uma sociedade alemã “superior”, o que deu origem às acções preconceituosas e radicais do movimento.

Para os nazistas, era preciso construir uma “Grande Alemanha”, anexando territórios de povos com origem germânica, como a Áustria.

Esta construção era chamada de “Espaço Vital” e devia incorporar os países de população ariana. Depois, deveriam se expandir para o oeste.

Anti-comunismo

Por extinguir a propriedade privada, o comunismo era visto como um perigo para a sociedade alemã. Para o nazismo, as classes deveriam ser bem definidas, assim como a ascensão social se daria através do mérito e do talento.

No entanto, a ideia era que fosse criado um sentimento de solidariedade entre as classes, algo que, para os nazistas, faria que a distinção fosse superada.

Vale ressaltar que o socialismo embutido na palavra “nazismo” (Nacional-Socialismo) não teria ligações claras com o socialismo defendido por Karl Marx, que era judeu.

Outro ponto considerado perigoso pelos nazistas era a questão religiosa. No socialismo e comunismo, a religião deve ser algo privado e que, aos poucos, seria eliminada da sociedade.

O Partido Nazista era veementemente contra esta ideia, pois toleravam a religião desde que fosse controlada pelo Estado nazista.

Antiliberalismo

Hitler era contra o liberalismo por acreditar que o sistema económico iria contra o interesse público. O nazismo queria uma economia voltada aos interesses do povo.

Para os nazistas, a economia de mercado e a busca desenfreada pelo lucro causava danos à sociedade.

Estes danos seriam baseados no controle económico por grandes empresas, além da possibilidade de domínio das finanças internacionais por um país ou grupo de países.

Para o Führer, o liberalismo estava em declínio e o conceito de comércio internacional não seria eficaz para se ter acesso a recursos necessários. Para obtê-los, os nazistas acreditavam no domínio completo de territórios que possuíssem tais recursos. Portanto, a guerra era a única forma de consegui-los.

O que é fascismo?

O fascismo foi um sistema político liderado por Benito Mussolini e surgiu na Itália entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial (1919-1939). Sob o comando de Mussolini, o fascismo influenciou politicamente diversos países europeus.

Num regime fascista, a sociedade e a economia ficam sob total domínio do Estado. Este usa a ditadura e a força para implantar medidas, além de utilizar a violência para reprimir a oposição.

Como no nazismo, os fascistas eram extremamente nacionalistas e anti-comunistas, assim como não acreditavam na liberdade política e económica.

Outro aspecto marcante do fascismo é que se pregava que os interesses da população eram os interesses do Estado, apesar de o movimento desprezar a democracia eleitoral.

Por isso, não era necessário que o povo se manifestasse através de representantes eleitos, pois o Estado já saberia o que seria melhor para a população.

O regime fascista é autoritário, sendo o poder do líder inquestionável, pois possui uma aura de divindade. O culto à personalidade (do líder) é uma das características do fascismo, assim como no nazismo e em outros sistemas ditatoriais.

Uma das diferenças mais importantes entre o fascismo e o nazismo é que o movimento não incorporou o racismo nas suas directrizes originais.

Principais características do fascismo

Totalitarismo

Os fascistas acreditavam que a nação devia ficar sob o comando de um único líder, sendo que ele não teria limites para o poder em mãos. Isto é, as decisões tomadas e as ordens dadas pelo líder fascista eram inquestionáveis.

Praticamente todos os aspectos da vida pública e privada deveriam ser regulamentados pelo Estado.

Nacionalismo

Da mesma forma que o nazismo, a ideia de nacionalismo era muito enraizada no fascismo. Os fascistas lutavam pela “preservação da nação”, mesmo que isto fosse feito através de medidas violentas, que deveriam ter o apoio da população.

O nacionalismo dos fascistas era militante. Todos os cidadãos do país deveriam participar desde a infância dos movimentos nacionais, por bem ou por mal.

Populismo

Para que o sentimento de nacionalismo fosse implantado na mente dos cidadãos, o regime fascista criava propagandas políticas e populistas para enaltecer o povo.

Além disso, era uma ideologia extremamente contra intelectuais e suas pesquisas. O anti-intelectualismo era incutido na mente dos cidadãos para que rejeitassem ideias e conceitos que não fossem promovidos pelo Estado.

Antiliberalismo

Apesar de aceitar algumas ideias capitalistas, como a propriedade privada, o fascismo acreditava que o Estado devia intervir na economia. Isto a fim de impedir “desequilíbrios” económicos e sociais.

Há algumas outras características, como o militarismo, em que a sociedade estaria sempre preparada para a guerra e o expansionismo.

Benito Mussolini e Adolf Hitler

Por fim, muitas vezes, a palavra “nazismo” e “fascismo” são tratadas como sinónimos. Mas as semelhanças são concentradas na questão do nacionalismo, da unidade territorial e certos aspectos da teoria económica.

O fascismo liderado por Mussolini não tinha um viés racista ou anti-semita até que o chefe de Estado, Mussolini, se aliou a Hitler.

O nazismo, entretanto, desde que surgiu, já tinha em suas directrizes o racismo e o anti-semitismo. Foi até incluída uma cláusula no documento que fundava o Partido Nazista, assinado em 1920, que diz: “Nenhum judeu […] pode ser cidadão.”

Juliana Bezerra Revisão por Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.
Emerson MachadoEscrito por Emerson Machado
Escritor e jornalista, muito ligado a literatura e artes em geral. Trabalha com textos informativos e criativos desde que se lembra, tendo publicado seis livros e diversas reportagens, com direito a prémios e tudo. É apaixonado por ciência e tecnologia e já escreveu para revistas, assessoria, jornal impresso e online. Vive no Porto, Portugal.

In Diferenças
Revisão por Juliana Bezerra
Escrito por Emerson Machado



 

783: Opositor de Putin garante que invasão não tem apoios de todos os russos

– O regime putinocrata russonazi ☠️卐☠️ segue as mesmas linhas de orientação de todos os regimes de ditadura fascista/nazi ☠️卐☠️. E este ayatollah putineiro russonazi ☠️卐☠️ não foge à regra. Ele e todos os putinocratas russonazis ☠️卐☠️ que andam à volta dele que são da mesma laia ou ainda piores. Não me esqueço do tempo do fascismo salazarista e da tenebrosa PIDE/DGS que utilizava os mesmos métodos e meios de repressão, tortura e assassínio. Pena que muita gente desse tempo já se tenha esquecido disso.

OPOSIÇÃO/RUSSOS/ACTIVISTAS

Vladimir Kara-Murzá pediu que seja rejeitada “a fachada de falsa unanimidade” anunciada pelo Kremlin.

© NATALIA KOLESNIKOVA / AFP

O opositor do regime russo, Vladimir Kara-Murzá, preso desde Abril, garantiu esta sexta-feira que a invasão da Ucrânia não tem apoio de todos os russos e pediu que seja rejeitada “a fachada de falsa unanimidade” anunciada pelo Kremlin.

Em discurso lido em Genebra pela sua mulher, que recebeu em seu nome o prémio de direitos humanos da organização não-governamental UN Watch, Kara-Murzá lembrou ainda que, antes da invasão à Ucrânia, já tinha chamado a atenção para a situação dos presos políticos na Rússia, num discurso que fez no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

“Esse problema atingiu proporções de crise. A Rússia de Vladimir Putin acaba de superar a União Soviética em número de presos políticos e o segmento que mais cresce é o dos opositores à guerra de Putin contra a Ucrânia”, acusou o activista.

Segundo o opositor de Putin, mais de 19 mil pessoas foram detidas pela polícia russa desde Fevereiro, em diferentes protestos contra a guerra, das quais 5.000 enfrentam, como ele, processos administrativos ou criminais.

“Dezenas de pessoas continuam presas: jornalistas, advogados, artistas, sacerdotes, políticos, militares”, enumerou o opositor do regime de Vladimir Putin, destacando que todos permanecem presos por “negarem ficar em silêncio perante a atrocidade”.

Por isso, dedicou-lhes o prémio recebido esta sexta-feira, na Suíça, após descrevê-los como “as vozes de uma Rússia melhor, mais livre e com mais esperança”.

“Espero que quando as pessoas do mundo livre pensarem e falarem do nosso país não se recordem apenas dos cleptocratas, dos abusadores e dos criminosos de guerra do Kremlin, mas também de nós, que os enfrentamos”, insistiu.

Kara-Murzá, que escrevia colunas críticas para com o regime do presidente russo, Vladimir Putin, em meios de comunicação norte-americanos como o Washington Post, decidiu voltar à Rússia em Abril, após o início da guerra na Ucrânia.

Em 11 de Abril foi preso por, alegadamente, difundir informações falsas sobre o exército russo durante um discurso que fez na Câmara dos Representados do Arizona, no mês anterior.

Em Outubro, segundo um dos seus advogados, foi acusado de alta traição por criticar publicamente as autoridades russas no estrangeiro, um crime punível na Rússia com penas de 12 a 20 anos de prisão.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Novembro 2022 — 07:30



 

782: Programa Artemis: Lançamento do SLS; nave espacial Orion a caminho da Lua

CIÊNCIA/ARTEMIS/LUA/NASA

O foguetão SLS (Space Launch System) da NASA, transportando a nave espacial Orion, foi lançado no teste de voo Artemis I, quarta-feira, 16 de Novembro de 2022, a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Florida. A missão Artemis I da NASA é o primeiro teste de voo integrado dos sistemas de exploração de espaço profundo da agência: a nave espacial Orion, o foguetão SLS e os sistemas terrestres.
Crédito: NASA/Bill Ingalls

Após um lançamento bem-sucedido do SLS (Space Launch System) da NASA, o foguetão mais poderoso do mundo, a nave espacial Orion da agência está a caminho da Lua como parte do programa Artemis.

Sem tripulação, o SLS descolou no seu primeiro teste de voo às 06:47 (hora portuguesa) da manhã de quarta-feira passada a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro de Voo Espacial Kennedy da NASA no estado norte-americano da Florida.

O lançamento é a primeira etapa de uma missão na qual a Orion vai viajar aproximadamente 64.000 quilómetros para lá da Lua e regressar à Terra ao longo de 25,5 dias.

Conhecida como Artemis I, a missão é uma parte crítica da abordagem de exploração da Lua e de Marte pela NASA. É um teste importante para a agência antes de transportar astronautas na missão Artemis II.

“Que visão incrível ver o foguetão SLS da NASA e a nave Orion lançarem juntos pela primeira vez. Este teste de voo não tripulado vai empurrar a Orion até aos limites dos rigores do espaço profundo, ajudando-nos a preparar para a exploração humana da Lua e, em última instância, de Marte”, disse o Administrador da NASA, Bill Nelson.

Depois de atingir a sua órbita inicial, a Orion abriu os seus painéis solares e os engenheiros começaram a fazer testes dos sistemas da nave espacial. Após cerca de 1,5 horas de voo, o estágio superior do foguetão disparou com sucesso aproximadamente 18 minutos para dar à Orion o grande impulso necessário para a enviar para fora da órbita da Terra e em direcção à Lua.

A Orion separou-se do seu estágio superior e dirige-se para a Lua graças ao módulo de serviço, que é o propulsor central fornecido pela ESA através de uma colaboração internacional.

“Foi preciso muito para chegar até aqui, mas a Orion está agora a caminho da Lua”, disse Jim Free, administrador adjunto associado da NASA. “Este lançamento bem-sucedido significa que a NASA e os nossos parceiros estão num percurso para explorar mais longe no espaço do que nunca, em benefício da humanidade”.

Nas horas seguintes, uma série de 10 pequenas investigações científicas e demonstrações tecnológicas, denominadas CubeSats, foram lançados a partir de um anel que ligava o estágio superior do foguetão à nave.

Cada CubeSat tem a sua própria missão com o potencial de preencher lacunas no nosso conhecimento do Sistema Solar ou demonstrar tecnologias que possam beneficiar o desenvolvimento de futuras missões para explorar a Lua e para lá dela.

O módulo de serviço Orion também realizou o primeiro de uma série de queimas de combustível para manter a nave na rota para a Lua. Nos dias que se seguem, os controladores da missão no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston vão realizar testes adicionais e correcções de rota, conforme necessário.

A Orion deverá passar pela Lua no dia 21 de Novembro, realizando uma aproximação próxima da superfície lunar a caminho de uma órbita retrógrada distante, uma órbita altamente estável milhares de quilómetros para lá da Lua.

“O foguetão SLS forneceu a potência e o desempenho para enviar a Orion a caminho da Lua”, disse Mike Sarafin, gestor da missão Artemis I. “Com a realização do primeiro grande marco da missão, a Orion vai agora embarcar na fase seguinte para testar os seus sistemas e preparar-se para missões futuras com tripulação”.

O foguetão SLS e a nave espacial Orion chegaram à rampa de lançamento 39B do Centro Kennedy no dia 4 de Novembro, onde aguentaram a passagem do furacão Nicole.

Após a tempestade, as equipas realizaram avaliações exaustivas do foguetão, da nave espacial e dos sistemas terrestres associados e confirmaram que não houve impactos significativos devido às condições meteorológicas severas.

Os engenheiros já tinham colocado o foguetão novamente no edifício VAB (Vehicle Assembly Building) dia 26 de Setembro antes do furacão Ian e depois de cancelarem duas tentativas de lançamento, uma no dia 29 de Agosto devido a um sensor de temperatura defeituoso, e a outra a 4 de Setembro devido a uma fuga de hidrogénio líquido numa interface entre o foguetão e o lançador móvel.

Antes de regressar ao VAB, as equipas repararam com sucesso a fuga e demonstraram procedimentos actualizados de tancagem.

Enquanto estava no VAB, as equipas efectuaram manutenção normal para reparar pequenos danos na espuma e na cortiça do sistema de protecção térmica e recarregaram ou substituíram baterias em todo o sistema.

A Artemis I é apoiada por milhares de pessoas em todo o mundo, desde empreiteiros que construíram a Orion e o SLS, às infra-estruturas terrestres necessárias para o seu lançamento, a parceiros internacionais e universitários, a pequenas empresas fornecedoras de subsistemas e componentes.

Através das missões Artemis, a NASA vai aterrar a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na superfície da Lua, preparando o caminho para uma presença lunar a longo prazo e servindo de pedra angular para uma viagem humana a Marte.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022



 

Webb observa “ampulheta” incandescente e o nascer de uma nova estrela

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A protoestrela L1527, vista nesta imagem pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, está embebida numa nuvem de material que está a alimentar o seu crescimento. O material ejectado da estrela limpou as cavidades acima e abaixo dela, cujos limites brilham laranja e azul nesta imagem infravermelha. A região central superior exibe formas semelhantes a bolhas devido a “arrotos” estelares, ou ejecções esporádicas. O Webb também detecta filamentos feitos de hidrogénio molecular que foi chocado por ejecções estelares passadas. Intrigantemente, as bordas das cavidades no canto superior esquerdo e inferior direito aparecem direitos, enquanto os limites no canto superior direito e inferior esquerdo são curvados. A região na parte inferior direita aparece azul, pois há menos poeira entre ela e o Webb do que as regiões cor-de-laranja mais acima.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI, J. DePasquale (STScI)

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA revelou as características outrora escondidas da protoestrela dentro da nuvem escura L1527 com o seu instrumento NIRCam (Near Infrared Camera), fornecendo uma visão da formação de uma nova estrela.

Estas nuvens abrasadoras dentro da região de formação estelar de Touro só são visíveis no infravermelho, tornando-as num alvo ideal para o Webb.

A protoestrela propriamente dita está escondida dentro do “pescoço” desta forma de ampulheta. O disco protoplanetário, visto de lado, é a linha escura que atravessa o meio do pescoço.

A luz da protoestrela “vaza” para cima e para baixo deste disco, iluminando cavidades dentro do gás e poeira circundantes.

As características mais prevalecentes da região, as nuvens azuis e alaranjadas, contornam cavidades criadas à medida que o material que se afasta da protoestrela colide com a matéria em redor.

As cores são devidas a camadas de poeira entre o Webb e as nuvens. As áreas azuis são onde a poeira é mais fina. Quanto mais espessa for a camada de poeira, menos luz azul é capaz de escapar, criando bolsas de cor laranja.

O Webb também revela filamentos de hidrogénio molecular que foram chocados à medida que a protoestrela ejeta o material para longe. Os choques e a turbulência inibem a formação de novas estrelas, que de outra forma existiriam por toda a nuvem. Como resultado, a protoestrela domina o espaço, roubando grande parte do material para si própria.

Apesar do caos que L1527 está a causar, tem apenas cerca de 100.000 anos – um corpo relativamente jovem. Dada a sua idade e o seu brilho no infravermelho distante, L1527 é considerada uma protoestrela de classe 0, a fase mais precoce da formação estelar.

Protoestrelas como esta, que ainda se encontram envoltas numa nuvem escura de poeira e gás, têm um longo caminho a percorrer antes de se tornarem estrelas de pleno direito. L1527 ainda não gera a sua própria energia através da fusão nuclear de hidrogénio, uma característica essencial das estrelas.

A sua forma, embora maioritariamente esférica, é também instável, assumindo a configuração de um pequeno, quente e inchado “tufo” de gás algures entre 20% e 40% a massa do nosso Sol.

À medida que uma protoestrela continua a acretar massa, o seu núcleo comprime-se gradualmente e aproxima-se da fusão nuclear estável. A imagem revela que L1527 está a fazer exactamente isso. A nuvem molecular circundante é constituída por poeira densa e gás que estão a ser arrastados para o centro, onde a protoestrela reside.

À medida que o material cai para dentro, espirala em torno do centro. Isto cria um disco denso de material, que alimenta o material para a protoestrela. À medida que ganha mais massa e se comprime cada vez mais, a temperatura do seu núcleo sobe, acabando por atingir o limite que dá início à fusão nuclear.

O disco, visto na imagem como uma banda escura em frente do centro brilhante, tem aproximadamente o tamanho do nosso Sistema Solar. Dada a densidade, não é invulgar que tanto deste material se aglomere – o início dos planetas. Em última análise, esta vista de L1527 fornece uma janela do aspecto do nosso Sol e do Sistema Solar na sua infância.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022



 

Estudo de anãs brancas “poluídas” descobre que as estrelas e os planetas crescem ao mesmo tempo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.
Crédito: Amanda Smith

Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.

Um estudo de algumas das estrelas mais antigas do Universo sugere que os blocos de construção de planetas como Júpiter e Saturno começaram a formar-se enquanto uma estrela jovem está a crescer.

Pensava-se que os planetas só se formassem quando uma estrela atinge a sua dimensão final, mas novos resultados, publicados na revista Nature Astronomy, sugerem que as estrelas e os planetas “crescem” juntos.

A investigação, liderada pela Universidade de Cambridge, muda a nossa compreensão de como os sistemas planetários, incluindo o nosso próprio Sistema Solar, se formaram, potencialmente resolvendo um grande puzzle da astronomia.

“Temos uma boa ideia de como os planetas se formam, mas uma questão pendente que temos tido é quando eles se formam: a formação planetária começa cedo, quando a estrela-mãe ainda está a crescer, ou milhões de anos mais tarde?” disse a Dra. Amy Bonsor do Instituto de Astronomia de Cambridge, a primeira autora do estudo.

Para tentar responder a esta pergunta, Bonsor e colegas estudaram as atmosferas das estrelas anãs brancas – os antigos e ténues remanescentes de estrelas como o nosso Sol – para investigar os blocos de construção da formação planetária.

O estudo envolveu também investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Munique, da Universidade de Groninga e do Instituto Max Planck para Investigação do Sistema Solar em Gotinga.

“Algumas anãs brancas são laboratórios espantosos, porque as suas atmosferas finas são quase como cemitérios celestes”, disse Bonsor.

Normalmente, os interiores dos planetas estão fora do alcance dos telescópios. Mas uma classe especial de anãs brancas – conhecidas como sistemas “poluídos” – têm elementos pesados como o magnésio, ferro e cálcio nas suas atmosferas normalmente limpas.

Estes elementos devem ter vindo de pequenos corpos como asteróides deixados para trás pela formação planetária, que chocaram contra as anãs brancas e arderam nas suas atmosferas.

Como resultado, as observações espectroscópicas de anãs brancas poluídas podem sondar os interiores desses asteróides dilacerados, dando aos astrónomos mais informações das condições em que se formaram.

Pensa-se que a formação planetária comece num disco protoplanetário – feito principalmente de hidrogénio, hélio e pequenas partículas de gelo e poeira – em órbita de uma estrela jovem.

De acordo com a teoria actual sobre como os planetas se formam, as partículas de poeira colam-se umas às outras, acabando por formar corpos sólidos cada vez maiores.

Alguns destes corpos maiores vão continuar a acretar material, tornando-se planetas, e alguns permanecem como asteróides, como os que colidiram com as anãs brancas no estudo actual.

Os investigadores analisaram observações espectroscópicas a partir das atmosferas de 200 anãs brancas poluídas em galáxias próximas. De acordo com a sua análise, a mistura de elementos observada nas atmosferas destas anãs brancas só pode ser explicada se muitos dos asteróides originais tivessem derretido, o que fez com que o ferro pesado se afundasse para o núcleo enquanto os elementos mais leves flutuavam à superfície.

Este processo, conhecido como diferenciação, foi o que levou a Terra a ter um núcleo rico em ferro.

“A causa do derretimento só pode ser atribuída a elementos radioactivos de vida muito curta, que existiram nas fases iniciais do sistema planetário, mas que se decompõem em apenas um milhão de anos”, disse Bonsor.

“Por outras palavras, se estes asteróides foram derretidos por algo que só existe durante muito pouco tempo, no início do sistema planetário, então o processo de formação planetária deve começar muito rapidamente”.

O estudo sugere que é provável que o quadro de formação precoce esteja correto, o que significa que Júpiter e Saturno tiveram muito tempo para crescer até aos seus tamanhos actuais.

“O nosso estudo complementa um consenso crescente no campo de que a formação planetária começou cedo, com os primeiros corpos a formarem-se em simultâneo com a estrela”, disse Bonsor. “As análises das anãs brancas poluídas dizem-nos que este processo de fusão radioactiva é um mecanismo potencialmente ubíquo que afecta a formação de todos os exoplanetas”.

“Isto é apenas o começo – de cada vez que encontramos uma nova anã branca, podemos reunir mais evidências e aprender mais sobre como os planetas se formam.

Podemos traçar elementos como o níquel e o crómio e dizer quão grande deve ter sido um asteróide quando estes formaram o seu núcleo de ferro. É espantoso que sejamos capazes de sondar processos como este em sistemas exoplanetários”.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022