“Incitamento ao genocídio”. Kuleba quer “propaganda russa” banida da UE

UCRÂNIA/PROPAGANDA RUSSONAZI ☠️卐☠️ /GENOCÍDIO

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dymtro Kuleba, recorreu à rede social Twitter para acusar a televisão estatal russa de  “incitamento ao genocídio” contra os ucranianos.

A posição apresentada pelo governante ucraniano surge depois de um excerto de um programa da televisão estatal russa, partilhado online, mostrar o apresentador, Roman Babayan, a explicar que os militares do país “começaram agora a atacar as infra-estruturas de gás” de toda a Ucrânia.

Em causa está uma afirmação que levou o político russo Boris Chernyshov a argumentar que os ataques eram simplesmente “retaliatórios” e uma “expressão do santo ódio” dos russos face a Kyiv.

Referindo-se aos ucranianos, o legislador disse ainda que eles “ficarão sentados sem gás, sem luz e sem mais nada” ao longo deste inverno, e rematou: “Eles têm de congelar e apodrecer ali”.

Estas afirmações levaram Dymtro Kuleba a defender que a “propaganda estatal russa na UE e noutros locais deve ser totalmente banida”.

Notícias ao Minuto
Ema Gil Pires
20.11.2022



 

827: Parlamento Europeu declara Rússia um Estado patrocinador do terrorismo

ORCS/RUSSONAZIS ☠️卐☠️ /ESTADO TERRORISTA/PUTINOCRATAS/PE

O Parlamento Europeu (PE) vai aprovar na quarta-feira, em Estrasburgo (França), uma resolução que reconhece a Rússia como um Estado patrocinador do terrorismo para que Moscovo venha a responder por crimes alegadamente cometidos na Ucrânia.

A resolução, que foi debatida na sessão plenária de Outubro, tem aprovação garantida pelos dois maiores grupos do PE, o Partido Popular Europeu (PPE) e a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D).

Parlamento Europeu declara Rússia um Estado patrocinador do terrorismo

O Parlamento Europeu (PE) vai aprovar na quarta-feira, em Estrasburgo (França), uma resolução que reconhece a Rússia como um Estado patrocinador do terrorismo para que Moscovo venha a responder por crimes alegadamente cometidos na Ucrânia.

Notícias ao Minuto
Lusa | 18:16 – 20/11/2022



 

826: NASA: Teremos seres humanos a viver na Lua ainda esta década

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/VIDA/LUA

Quando será poderemos viver na Lua? Esta é uma questão que se tem colocado, face aos avanços que têm acontecido na área espacial. Howard Hu, considerado o “pai” da missão Artemis e responsável do projecto aeroespacial Orion da NASA referiu que em breve teremos seres humanos a viver na Lua.

O passo seguinte? Marte.

Seres humanos a viver na Lua: devem ser criados habitats

Até 2030 a NASA tem intenções de ter astronautas a viver e a trabalhar na Lua. Tal afirmação foi proferida por Howard Hu, líder do projecto aeroespacial Orion, da agência americana, ao programa de Laura Kuenssberg, da BBC. Para que tal aconteça deverão ser criados habitats específicos e aeronaves destinadas a apoiar o seu trabalho.

“Certamente, nesta década, teremos seres humanos a viver lá por alguns períodos. Terão habitats e rovers no solo”, afirmou, acrescentando que os astronautas enviados para a superfície da Lua estarão lá a fazer “fazer ciência”.

“É o primeiro passo que estamos a dar rumo à exploração profunda do Espaço a longo prazo, não apenas para os EUA mas para o Mundo. É um dia histórico para a NASA mas também para todos aqueles que amam o voo espacial humano”, referiu, durante a entrevista. Howard Hu disse ainda que a missão Artemis representa o início do regresso do ser humano à Lua.

Se tudo correr bem com a missão, o próximo voo já será tripulado. É provável que esse voo leve astronautas a pousarem na Lua, o que não acontece desde a Apollo 17, em Dezembro de 1972.

A missão Artemis 1, é a primeira etapa para a NASA voltar a colocar a humanidade em solo lunar, que deverá acontecer em 2024. A caminho do satélite natural, a viagem da cápsula poderá ser acompanhada por todos nós na Terra.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
20 Nov 2022



 

825: Ucrânia: ataques “deliberados” à central nuclear em Zaporíjia

UCRÂNIA/ATAQUES/ZAPORIJIA/NUCLEAR

É uma situação “extremamente grave”, avisou o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica.

Pravda Gerashchenko / Telegram

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, considerou hoje que os ataques à central nuclear ucraniana em Zaporíjia foram “absolutamente deliberados, direccionados” e classificou a situação como “extremamente grave”.

Uma boa dúzia de ataques” atingiu a central, segundo Grossi, que, sem atribuir responsabilidade às forças russas ou ucranianas, ficou indignado por haver quem considere uma central nuclear “um alvo militar legítimo”, afirmou numa entrevista ao canal de televisão francês BFMTV.

“Seja quem for, pare com essa loucura”, exortou Rafael Grossi, que insistiu: “Quem faz isto sabe perfeitamente o que pretende atingir. É absolutamente deliberado e direccionado”.

A Rússia e a Ucrânia trocaram acusações sobre a autoria dos ataques.

“A central está na linha de frente, há actividades militares que são muito difíceis de identificar, há pessoal russo e ucraniano em operação”, disse Grossi.

A AIEA, que tem dois inspectores na central, vai efectuar uma avaliação dos danos provocados pelos ataques.

“Houve danos em zonas bastante sensíveis“, acrescentou Grossi, especificando que os reactores não foram afectados, mas sim a zona onde se encontram os combustíveis frescos e usados”.

Grossi disse esperar poder apresentar segunda-feira de manhã o balanço, e acrescentou que os inspectores não puderam sair hoje porque a situação é muito instável.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de Fevereiro, ocupa militarmente o território da central e o Presidente russo, Vladimir Putin, reivindicou a sua anexação, bem como a de quatro regiões ucranianas.

Ao longo dos últimos meses, Moscovo e Kiev têm trocado acusações sobre ataques em Zaporíjia.

Lusa // ZAP
20 Novembro, 2022



 

824: Direitos humanos nunca podem ficar fora de jogo

OPINIÃO

Muito se tem falado sobre o Mundial de futebol no Qatar. Nas últimas semanas o evento ganhou mediatismo, mas não sobre desporto. Fala-se de como o país não respeita os direitos humanos, da discriminação das pessoas LGBTI+, da ausência de direitos das mulheres, e da forte repressão da sociedade civil.

Espanta-nos como, apesar de tantas ONG referirem estes problemas desde 2010, pouco ou nada ter melhorado significativamente naquele país. E a FIFA, em vez de o exigir, quis silenciar quem o denunciava e afirma que estas críticas “são apenas hipocrisia”.

Há vários anos que a Amnistia Internacional publica relatórios sobre como os milhares de trabalhadores migrantes sofreram diversos abusos, incluindo salários em atraso ou não pagos, taxas de recrutamento ilegais, trabalho em condições extremas e por horários extensos, sem direito a dias de folga.

Muitos destes trabalhadores perderam mesmo a vida, e falta ainda uma investigação independente e criteriosa a estas mortes.

Esta matéria ganhou relevo, infelizmente só nas últimas semanas, mas isto era já sabido pelo Comité Executivo da FIFA – ou deveria sê-lo – quando, em 2010, atribuiu a organização do Mundial ao Qatar.

Desde aí, muitas organizações de direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional, têm realizado investigação, mobilizado campanhas e pedido mudanças, nomeadamente que a FIFA exija às autoridades cataris a implementação de reformas para garantir a dignidade, a liberdade e a reparação, e por avanços claros nos direitos humanos. Infelizmente, na prática, muito pouco tem mudado.

Nos últimos anos, o país procedeu a algumas – poucas – reformas legislativas que poderiam fortalecer os direitos de milhares de trabalhadores migrantes, mas as investigações mais recentes indicam que as práticas abusivas por parte das entidades empregadoras se mantêm com total impunidade.

Durante 12 anos, a FIFA desperdiçou a sua janela de oportunidade para exigir mudança. Nunca o fez e nunca assumiu a responsabilidade que tinha enquanto agente máximo na organização do evento.

Enviou até vários sinais em sentido contrário, nomeadamente quando, há algumas semanas, Gianni Infantino endereçou uma carta a todas as federações da competição, instando-as a “concentrarem-se no futebol” e a colocarem de lado as preocupações com os direitos humanos.

Temos agora um espaço temporal curto, enquanto dura o Mundial. Temos ainda esperança de que haja um compromisso claro e concreto com um fundo de compensação de 433 milhões de euros para os trabalhadores migrantes que sofreram abusos e para as famílias dos que morreram.

É este agora o nosso foco, pelo qual temos e continuamos a fazer acções de sensibilização e activismo.

Gostaríamos de ver também os agentes desportivos a abraçarem esta grande causa de promoção dos direitos humanos. Esta deveria ser a sua posição, em vez de terem receios de o fazer e de tentarem impedir as iniciativas que são organizadas, como aconteceu com uma acção da Amnistia Internacional no jogo Portugal-Nigéria, quinta-feira nas imediações do estádio de Alvalade.

Queremos que as entidades desportivas compreendam o seu papel tão importante neste momento. E esta vontade é partilhada por milhares de adeptos: num inquérito a 17.477 adultos em 15 países, 67% afirmaram querer que a suas federações nacionais se manifestem publicamente sobre os direitos humanos no Qatar.

Porque o desporto pode e deve ser agente de mudança e de difusão destes valores e porque só com todas as entidades envolvidas conseguiremos marcar uma posição firme e mostrar à FIFA e às autoridades cataris que é imperativo compensar os milhares de trabalhadores migrantes que tornaram o mundial possível e as suas famílias.

É por tudo isto que neste Mundial, é preciso ir além do futebol: não deixemos os direitos humanos fora de campo, para que não fiquem fora de jogo.

Director de Campanhas da Amnistia Internacional – Portugal

Diário de Notícias
Paulo Fontes
20 Novembro 2022 — 01:06



 

823: Ucrânia já registou 47 mil potenciais crimes de guerra

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦

Porta-voz da Comissão Política da Assembleia Parlamentar da NATO disse que será adoptada uma resolução que defende “o estabelecimento de um tribunal internacional para investigar e julgar o crime de agressão cometido pela Rússia nesta guerra contra a Ucrânia”.

© EPA/STR

– Moscovo devia ficar assim para sentirem “in loco“, o que é destruição e morte provocada pelos russonazis ☠️卐☠️ putinocratas.

O procurador-geral da Ucrânia, Andriy Kostin, disse este domingo que estão registados 47 mil potenciais crimes de guerra no país e reivindicou um tribunal internacional especial para investigar e julgar “o crime de agressão” da Rússia.

“Não há dúvida de que a extensão dos crimes cometidos pelo exército russo” desde 24 de Fevereiro, quando iniciou o ataque militar à Ucrânia, “é simultaneamente brutal e colossal”, afirmou Andriy Kostin, numa intervenção por videoconferência desde Kiev, na 68.ª sessão anual da Assembleia Parlamentar da NATO, que decorre em Madrid.

O procurador disse que as autoridades ucranianas, com o apoio de peritos e entidades internacionais, têm até agora “47.000 incidentes registados como crimes de guerra”, que englobam tortura, assassinatos, agressões sexuais ou deslocações e transporte forçados de populações “à escala massiva”, com destino ao que poderão vir a ser considerados “campos de concentração”.

Andriy Kostin destacou que a Rússia tem na Ucrânia uma estratégia de ataque contra civis, com 8.000 mortos não militares, incluindo 400 crianças, identificados até agora.

O procurador lembrou “a chuva de mísseis sobre cidades ucranianas” e infra-estruturas críticas das últimas semanas, que considerou “actos de terror e de intimidação contra a população civil”, com destruição de casas e outras infra-estruturas vitais para os ucranianos, como centrais energéticas.

Andriy Kostin afirmou que várias regiões da Ucrânia, como a capital, Kiev, estão já com temperaturas negativas e estão criadas “situações humanitárias severas para o inverno”, questionando como poderá a população sobreviver nestas circunstâncias, sem energia ou aquecimento, e considerou que também nesta dimensão estão em causa crimes de guerra da Rússia.

“As nossas necessidades, as nossas reivindicações e os nossos apelos são bastante simples. Precisamos de parar esta guerra o mais depressa possível para libertar o nossos território e restaurar a nossa soberania e a nossa integridade territorial.

E precisamos de garantir justiça às vítimas e sobreviventes das atrocidades cometidas pela Federação Russa, precisamos de pôr um fim à impunidade da Rússia”, disse o procurador-geral ucraniano.

Reparação aos ucranianos

Andriy Kostin, apelou à comunidade internacional “para apoiar o estabelecimento de um tribunal para o crime de agressão, para julgar os cérebros do crime” nomeadamente, o Presidente russo e chefe supremo das forças armadas da Rússia, Vladimir Putin, e “toda a elite russa” envolvida.

O crime de agressão também deve ser julgado por ser “o ponto de partida, que precede todos os outros crimes de guerra”, defendeu.

O procurador insistiu também na necessidade de garantir “a reparação” e compensação aos ucranianos pela destruição do país e das “propriedades dos civis”, através da confiscação de bens de russos.

“A Europa não testemunhou esta destruição desde a II Guerra Mundial” e devem ser adotados novos “mecanismos internacionais para confiscar os bens dos autores”, defendeu, alertando como, ao abrigo do direito internacional, tem sido difícil executar decisões nesse sentido, como algumas ditadas por instâncias como o Tribunal Penal Internacional, o Tribunal Internacional de Justiça ou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

No final da intervenção de Andriy Kostin, um porta-voz da Comissão Política da Assembleia Parlamentar da NATO disse que será adoptada uma resolução neste encontro de Madrid que defende “o estabelecimento de um tribunal internacional para investigar e julgar o crime de agressão cometido pela Rússia nesta guerra contra a Ucrânia”.

A sessão deste ano da Assembleia Parlamentar da NATO (Organização do Tratado o Atlântico Norte, a aliança militar entre países europeus e norte-americanos) termina na segunda-feira, com um plenário em haverá uma intervenção do Presidente da Ucrânia, por videoconferência.

A Assembleia Parlamentar da NATO integra 269 deputados dos 30 países da Aliança e outros 100 membros de estados parceiros.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Novembro 2022 — 11:21



 

ONU anuncia “explosões poderosas” na central nuclear de Zaporijia

– Estranho é o vídeo abaixo ter sido publicado no Kadyrov’s Telegram channel, um assassino russonazi ☠️卐☠️ nacionalista tchetcheno!

UCRÂNIA/INVASÃO/ORCS/RUSSONAZIS ☠️卐☠️ /ZAPORIJIA

De acordo com Rafael Grossi, chefe da agência atómica da ONU, anuncia que “as notícias… são extremamente perturbadoras”. Russos falam de bombardeamentos ucranianos.

© EPA/HANNIBAL HANSCHKE

A central nuclear de Zaporijia, na Ucrânia, foi bombardeada, de acordo com várias agências noticiosas russas e confirmadas já pelos agentes da ONU especializados em energia nuclear.

As explosões nas imediações da central nuclear de Zaporijia, registadas entre a noite de sábado e esta manhã são “extremamente perturbadoras”, segundo informações de agentes da ONU citados pela Sky News.

Rafael Grossi, chefe da agência atómica da ONU, já veio entretanto dizer que se trataram de “explosões poderosas”, naquilo que parecia ser um novo bombardeamento à central nuclear. “As notícias… são extremamente perturbadoras.

As explosões registaram-se no local desta grande central nuclear, o que é completamente inaceitável”, sublinhou Grossi, num comunicado por escrito, acrescentando que os danos causados em edifícios, sistemas e equipamentos “não foram críticos” até ao momento.

A Rússia já acusou as forças ucranianas de terem realizado novos bombardeamentos contra a central nuclear, garantindo que o nível de radiação permanece “em conformidade com a norma”.

“O regime de Kiev não para as provocações para criar a ameaça de um desastre na central nuclear de Zaporijia”, a maior da Europa e militarmente ocupada pela Rússia, afirmaram os militares russos em comunicado.

A agência noticiosa estatal russa Tass avança que projécteis ucranianos caíram perto de um local de armazenamento da central, mas não estavam a ser detectadas emissões radioactivas.

Renat Karchaa, operador russo da empresa de energia nuclear Rosenergoatom, disse que se registaram 15 disparos nas instalações da central, de acordo com Tass.

A central nuclear de Zaporijia – a maior central nuclear da Europa – está sob ocupação russa desde Março, mas continua a ser operada pelas forças ucranianas.

Troca de acusações

Pouco depois de Moscovo ter acusado Kiev de atacar o local, a agência nuclear ucraniana acusou a Rússia de bombardear a central nuclear de Zaporijia.

“Na manhã de 20 de Novembro de 2022 [este domingo], como resultado de numerosos bombardeamentos russos, pelo menos 12 ataques foram registados no local da central nuclear de Zaporizjia”, afirma a Energoatom, operadora estatal das centrais nucleares da Ucrânia, citada pela AFP.

A Energoatom acusa os russos de “mais uma vez organizarem chantagem nuclear e colocarem o mundo inteiro em risco”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Novembro 2022 — 11:51



 

821: O Mundial em que o negócio está acima dos direitos humanos

MUNDIAL/FUTEBOL/QATAR/DIREITOS HUMANOS

Uma década, muitas mortes e controvérsias, e mais de 200 mil milhões de euros depois, a prova mais polémica da história do futebol, arranca hoje no Qatar e termina a 18 de Dezembro.

O “Mundial da vergonha”, como tem sido insistentemente chamado, tem hoje início com o jogo de abertura entre o Qatar, o país anfitrião, e o Equador (16.00, RTP1).

Uma competição marcada por polémicas e uma enorme contestação devido a temas sensíveis, como as 6750 vidas perdidas na construção dos estádios, o desrespeito pelos direitos humanos, as perseguições à comunidade LGBTQI+ e a corrupção envolvida na escolha do país para organizar a prova, que será a última de dois dos melhores jogadores de sempre: Ronaldo e Messi.

Para chegar a Doha, o Mundial percorreu um longo e tortuoso caminho, por entre montanhas de dinheiro, símbolo da corrupção que fez cair a cúpula do futebol mundial, e vales de corpos sem vida de milhares de trabalhadores, num absoluto desprezo pelos direitos fundamentais e dignidade humana. Contra os críticos, o Qatar prometeu o melhor Campeonato do Mundo de Futebol de sempre.

Pretensão assente no maior investimento alguma vez feito num evento desportivo – a factura já passou dos 200 mil milhões de euros, nove vezes mais do que os 11 mil milhões gastos no Rússia2018.

Segundo várias organizações de direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional (AI), desde o início das obras (2010) até Outubro, morreram 6750 trabalhadores na construção dos estádios. Todos oriundos da Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka.

A FIFA e o Qatar admitem apenas três (!) mortes nas obras e mais 36 trabalhadores que perderam a vida devido a causas naturais. Como no país não há autópsias, é impossível saber ao certo o número de vítimas.

Mas, confiando nas embaixadas dos países de origem, cerca de um quarto dos 30 mil operários (com salários de 264 euros) não chegou a ver o início do Mundial que ajudou a construir.

O que levou a AI a pedir aos organizadores 433 milhões de euros para o fundo de apoio às famílias das vítimas e aos sobreviventes. Um pedido recusado, apesar do organismo estimar lucros de três mil milhões.

As tímidas e esporádicas intervenções públicas de jogadores, treinadores e federações, também envergonham o mundo do futebol, tantas vezes elogiado pelo humanismo e carácter solidário.

Jogadores como Bruno Fernandes e Mats Hummel lembraram que o torneio “custou a vida a milhares de pessoas”, e, pelo menos, oito capitães, incluindo os da Alemanha, Dinamarca e Inglaterra, prometeram usar braçadeiras arco-íris em homenagem à oprimida comunidade LGBTI+.

Para evitar o escalar de protestos nos relvados, a FIFA endereçou uma carta a pedir às selecções que “não deixem que o futebol seja arrastado para batalhas políticas e ideológicas”, lembrando que “respeita todas as opiniões e crenças, sem pretender dar lições de moral ao resto do mundo”.

Na realidade, a FIFA e o Qatar andaram sempre de mãos dadas. Ainda ontem, Gianni Infantino, líder do organismo que rege o futebol mundial, acusou os europeus de hipocrisia na questão dos migrantes que morreram na construção dos estádios.

“Não quero dar nenhuma lição de vida, mas o que está a acontecer aqui é profundamente injusto. Pelo que nós, europeus, temos feito nos últimos 3000 anos, devemos desculpar-nos nos próximos 3000 anos antes de começar a dar lições de moral às pessoas que são apenas hipocrisia”, atirou.

Entre os líderes mundiais, quase todos levantaram a voz em defesa dos direitos humanos, mas foram muito poucos os que que boicotaram a competição – as poucas excepções foram a família real e o governo da Dinamarca.

Blatter: o porta voz do “erro”

Em 2010, a atribuição da organização do maior evento desportivo a seguir aos Jogos Olímpicos a um país do tamanho de Trás os Montes, com menos de três milhões de habitantes (72% homens) e sem tradição futebolística causou perplexidade.

O cheque em branco convenceu a FIFA, mas saiu caro à cúpula do futebol mundial, com o então presidente da FIFA, Joseph Blatter, e o então líder da UEFA, Michel Platini, destituídos e acusados de corrupção em tribunal.

O francês terá retirado o apoio à candidatura dos EUA e influenciado os membros do Comité a votarem no Qatar, depois de um encontro no Eliseu promovido pelo então presidente Sarkozy com o príncipe e actual emir do Qatar, Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, que prometeu reforçar os investimentos em França, incluindo a aquisição do PSG (o que aconteceu em 2011).

O Qatar venceu os EUA (14 votos contra 8) e Platini não demorou a ser perseguido pela justiça suíça, com o apoio do FBI, por crimes fiscais dos quais foi absolvido.

Blatter também foi acusado de corrupção e absolvido, embora condenado por irregularidades financeiras durante o mandato como presidente da FIFA. Ele que em 2010 justificou a escolha do Qatar com a aposta em “novos territórios”, há dias admitiu ter sido “um erro”.

Não só pela questão dos direitos humanos, como pelos constrangimentos na calendarização, por ser jogado no inverno e a meio da época na Europa, que fornece 70% dos 831 jogadores. Em Portugal, a I Liga só será retomada a 28 de Dezembro.

O primeiro Mundial num país do Médio Oriente obrigou ainda a adiar a pretensão do novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, de aumentar de 32 para 48 as selecções na fase final, por falta de estádios para o alargamento – oito em vez dos habituais 12.

Estádios faraónicos, topo de gama, climatizados, reutilizáveis e alguns com apenas um mês de vida, como o inovador Estádio 974, que receberá o Portugal-Gana, no dia 24, construído com 974 contentores.

Mundial amigo do ambiente?

Independente desde 1971, o Qatar é um símbolo de ostentação entre os biliões do petróleo, a grandiosidade e a modernidade, sem esquecer os arcaísmos islâmicos que o fazem regredir aos olhos do mundo quando negam direitos às mulheres ou criminalizam as opções sexuais.

Um relatório da ONU descreveu o país como “quase uma sociedade de castas baseada na nacionalidade”, onde o emir controla os poderes executivo, legislativo e judicial.

O dinheiro nunca foi um problema, mas o bolso dos adeptos promete sofrer com isso. Um bilhete pode custar até 800 euros (ver a final pode chegar 2225) e uma cerveja 15 euros, e tem de ser consumida em locais próprios para não ir contra as regras do país (foi proibida a venda nos estádios e zonas circundantes), que é o terceiro mais rico do Mundo, graças ao ouro negro (petróleo) e à maior reserva de gás natural do mundo, que o torna num dos maiores emissores de gases com efeito de estufa.

Apesar disso, os organizadores atestam um Mundial amigo do ambiente e o primeiro de sempre a atingir a neutralidade carbónica, embora um relatório do Carbon Market Watch conclua que se trata de uma “contabilidade criativa”.

Certo é que Doha nunca teve tanta vida nas ruas, mesmo sem a beleza feminina despida de preconceitos que fez das bancadas de outros Mundiais um espectáculo dentro do próprio jogo.

Agora, será o Mundo capaz de assistir ao futebol sem pensar em conjunturas geopolíticas, fundamentalismos religiosos e opressão de mulheres e migrantes?

Perante tanta discórdia e polémica, só mesmo o futebol dentro das quatro linhas poderá salvar esta competição. Portugal “não é favorito, mas é candidato”, nas palavras de Fernando Santos.

E os principais candidatos são os suspeitos do costume: Brasil, Argentina, Alemanha e a campeã França. Até à final de dia 18, haverá muito futebol todos os dias. Mas a cruzada pelos direitos humanos não vai parar certamente.

isaura.almeida@dn.pt

Diário de Notícias
Isaura Almeida
20 Novembro 2022 — 00:48



 

820: Rússia quer paz temporária, diz Zelensky, mas a Ucrânia recusa. Porquê? A iniciativa de Kiev e o receio tremendo de Moscovo

UCRÂNIA/INVASÃO/GUERRA/ORCS/RUSSONAZIS ☠️卐☠️

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta sexta-feira que rejeita qualquer proposta de “paz temporária” vinda da Rússia.

Rússia quer paz temporária, diz Zelensky, mas a Ucrânia recusa. Porquê? A iniciativa de Kiev e o receio tremendo de Moscovo © TVI24

“Os compromissos amorais conduzirão a mais derramamento de sangue. Uma paz genuína e duradoura só pode resultar do completo desmantelamento de todos os elementos da agressão russa”, disse Zelensky, que falava para um fórum de segurança no Canadá.

Mas porquê? À CNN Portugal, o major-general Isidro de Morais Pereira explicou o raciocínio que levou a esta tomada de posição.

“A Ucrânia alcançou uma coisa que é muito importante na guerra, a iniciativa. Um princípio-base da guerra é que, uma vez alcançada a iniciativa, nunca mais a devemos perder. Só a ofensiva conduz a resultados decisivos.

A Ucrânia não tinha a iniciativa, estava na defensiva quando foi invadida. No entanto, com o apoio ocidental em armamento, formação militar e recursos económicos e financeiros, conseguiu organizar-se e alcançar a iniciativa.

Primeiro, expulsou as forças russas de Kiev, depois afastou-as do oblast de Kharkiv e, agora, de parte significativa da região de Kherson. Um acordo de paz nesta altura não faz sentido absolutamente nenhum”, afirma.

“Neste momento, a paz interessa, sobretudo, a Putin, que percebeu que a Rússia não tem capacidade para anexar a Ucrânia, nem sequer conseguir aquele segundo objectivo, a Novorossiya, de Donetsk à Transnístria.

Os russos têm tanto receio que estão a fortificar a região de Melitopol e, inclusive a Crimeia, que é a região mais vulnerável do ponto de vista militar. O Zelensky sabe perfeitamente disso, porque conhece a História Militar”, completa.

Segundo o major-general, a Rússia iria usar uma eventual trégua para ganhar tempo e “treinar novos efectivos e constituir unidades, bem como para construir posições defensivas, algo que já está a fazer a cerca de 60 quilómetros da frente de combate”.

“Moscovo já percebeu que vai perder ainda mais terreno e está com um receio tremendo de perder a Crimeia. Está consciente de que perdeu a iniciativa, da forma desastrada com que mobilizou 300 mil homens e do desgaste das unidades que estão a combater na frente, algumas há muitos meses e apenas com 10 a 20% dos efectivos”.

No entanto, mesmo conseguindo um acordo de paz temporário, a tarefa russa não seria simples. “Desde a formação como efectivo até à constituição de unidades, é preciso pelo menos um ano. Ainda tem outro problema grave, os quadros.

Sargentos e oficiais levam anos a formar. A mobilização também tem corrido mal porque foi liderada pelos sargentos e oficiais, que compõem as estruturas em tempo de paz, só que têm sido levados para o campo de batalha.”

“Não é só no terreno que a Rússia tem problemas”, diz Isidro de Morais Pereira. “A Rússia está com problemas em formar pilotos de caça, que levam pelo menos um ano a formar. Não é só construir mais aviões. Porque é que a Rússia não tem a supremacia aérea? Porque não se pode dar ao luxo de perder mais aviões e, sobretudo, mais pilotos.

Nestes meses, já perderam mais aviões na Ucrânia do que em todos os dez anos da Guerra do Afeganistão. Os sistemas de defesa antiaérea fornecidos pelo Ocidente, como os IRIS-T, os NASAMS e os Flakpanzer Gepard, têm sido fulcrais”, conclui o major-general.

MSN Notícias
TVI TVI
Pedro Falardo
19.11.2022 às 19:50



 

819: Esta superstição sexual está a deixar as tartarugas do Panamá em risco de vida

CIÊNCIA/BIOLOGIA/TARTARUGAS MARINHAS

A tartaruga-oliva faz parte da lista de espécies consideradas “vulnerável” da União Internacional para a Conservação da Natureza, com o número de exemplares a diminuir.

Bernard Spragg / Wikimedia

As tartarugas marinhas de Punta Chame, uma península do Panamá que se precipita no Oceano Pacífico, enfrentam uma ameaça existencial semelhante à do rinoceronte e do pangolim: uma superstição humana. Os ovos da tartaruga protegida, colhidos ilegalmente da praia, são actualmente vendidos porta a porta na cidade por 75 cêntimos a 1 dólar cada um pelas suas supostas qualidades afrodisíacas.

“Especialmente os homens pensam que ao comerem ovos de tartaruga terão mais prazer sexual”, explicou Jorge Padilla, um conservacionista da ONG Fundacion Tortuguias, que recolhe e eclode os preciosos ovos. “Os ovos não vão ajudar. Eles não são um afrodisíaco”, insistiu ele.

A tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) faz parte da lista de espécies consideradas “vulnerável” da União Internacional para a Conservação da Natureza, com o número de exemplares a diminuir.

A sua sobrevivência depende fortemente de pessoas como Padilla, que com voluntários da aldeia recolhem os ovos acabados de pôr e os enterram na areia do viveiro.

Centenas de ovos eclodem todos os anos entre Julho e Fevereiro, sendo que em poucas horas são trazidos para a praia e libertados perto da beira da água por voluntários que olham com orgulho para os pais enquanto as pequenas criaturas fazem uma corrida frenética para o oceano.

“Não podemos simplesmente colocá-los (na água) porque eles têm de passar por um processo chamado ‘imprinting‘ (ao longo da praia) que os levará de volta dentro de 18-20 anos à mesma praia onde nasceram” para depositarem os seus próprios ovos.

Dia e noite, Padilla patrulha a praia para afugentar os caçadores furtivos. Outras ameaças incluem cães vadios que perambulam pelas praias em busca de comida, e águias. Padilla afasta os cães mas deixa as águias como predadores naturais de tartarugas e parte do círculo da vida.

As tartarugas também acabam como captura acessória da pesca, e enfrentam ameaças às suas praias de nidificação devido à invasão humana e às alterações climáticas.

“Há muitas ameaças às tartarugas marinhas, tanto no Pacífico como nas Caraíbas: colheita ilegal de ovos, consumo excessivo da sua carne, das suas cascas… São usadas para pentes… vestuário”, disse Padilla.

ZAP //
20 Novembro, 2022