840: Navalny vai processar prisão por não lhe dar botas de inverno

– Para se deduzirem juízos de valor, é necessário conhecer a pessoa em causa e eu apenas não compreendo que o Navalny, depois da cura na Alemanha do envenenamento pelos russonazis ☠️卐☠️ putinocratas, regressou à rússia, sabendo o que lhe esperava. A não ser que a prisão lhe desse trunfos políticos como activista. Mas depois da tentativa de envenenamento, tudo é possível por parte de assassinos terroristas profissionais…

ACTIVISTAS/NAVALNY/ANTI-RUSSONAZIS ☠️卐☠️

Alexei Navalny disse que a falta de roupas de inverno significa escolher entre não sair da cela ou ficar doente, que é “fortemente desencorajado” na prisão.

O opositor russo Alexey Navalny
© EPA/MOSCOW CITY COURT PRESS

O líder da oposição russa preso, Alexei Navalny, disse esta segunda-feira que vai processar a sua prisão de segurança máxima por não lhe dar botas de inverno, altura em que as temperaturas na Rússia caem abaixo de zero.

Estou a processar a minha prisão e a exigir botas de inverno”, disse Navalny no Twitter.

O homem de 46 anos está a cumprir uma pena de prisão de nove anos perto de Vladimir, uma cidade a cerca de 230 quilómetros a leste de Moscovo, onde as temperaturas na segunda-feira caíram para os -6 graus Celsius.

Navalny disse que a prisão já tinha mudado para roupas de inverno há “semanas”, mas os guardas recusaram-se a dar-lhe botas. “Os meus guardas prisionais recusam-se propositadamente a dar-me as minhas botas de inverno”, disse ele.

Navalny disse que a falta de roupas de inverno significa escolher entre não sair da cela ou ficar doente, que é “fortemente desencorajado” na prisão.

O activista anti-corrupção, que sobreviveu a um ataque com Novichok em 2021, acrescentou que já havia adoecido lá.

“O meu pátio de exercícios é de cimento coberto de gelo e bem mais pequeno do que a minha cela. Veja se você pode andar nele com botas de outono”, disse ele. “Mas você tem que andar. É a única hora e meia de ar fresco que você consegue.”

Navalny denunciou da prisão a ofensiva do presidente Vladimir Putin na Ucrânia.

O activista disse esta segunda-feira que recentemente recebeu “muitas cartas sobre depressão, melancolia e apatia”. Ele pediu aos russos que “se animem”.

“Termine seu latte de abóbora e faça algo para trazer a Rússia para mais perto da liberdade”, escreveu ele, no seu habitual estilo irónico. Navalny, cujo nome Putin se recusa a pronunciar publicamente, foi o único político da oposição na Rússia capaz de galvanizar protestos em todo o país nos últimos anos.

Ele disse recentemente que as autoridades prisionais o mantiveram dentro e fora de confinamento solitário.

Navalny foi preso no ano passado quando voltou da Alemanha para a Rússia, depois de se recuperar do ataque de envenenamento.

Diário de Notícias
DN/AFP
21 Novembro 2022 — 16:10



 

839: Um País sem Valores é um País Moribundo

OPINIÃO

Os valores perdem-se quando as pessoas não conseguem distinguir o bem do mal, o certo do errado, a verdade da mentira e toda a acção dos fortes é desculpada por mais horrível e perversa que seja.

Os valores são um guia de acção, uma bússola que perante as situações que enfrentamos na vida nos permitem escolher o caminho a seguir.

Sem valores a sociedade avança para a lei da selva, em que a força é suprema, a corrupção alastra, a justiça não existe e a Lei é arbitrária. Naturalmente uma sociedade assim não pode progredir, definha e morre em lenta agonia.

A perda de valores confirma-se quando nos ensinam, erradamente, que o democrata e o antidemocrata são igualmente aceitáveis, que o racismo e o anti-racismo são semelhantes, que o fascismo e antifascismo são extremismos a rejeitar, que a honestidade e a desonestidade são posturas igualmente certas e o que importa é enriquecer.

Que o agressor e a vítima são ambos culpados. Que o assassino e o assassinado não se distinguem. Que se o mal está feito não há nada a fazer. Que a corrupção e o combate à corrupção são exageros e que a verdadeira diferença é entre políticos corruptos com uma pequena obra feita e os honestos que não fazem nada – vejam lá qual é melhor?

É neste ambiente de dissolução moral e cívica que é formada a nossa juventude, sem convicções fortes, sem um sentido de justiça que a faça generosa, forte e interventiva.

As polícias, PSP, GNR, SEF, etc., estão infestadas por agentes que destilam ódio racial mas mesmo assim são louvadas como instituições impolutas em que devemos confiar.

Estes agentes odeiam os grupos racializados, os imigrantes, os democratas, os comunistas, os socialistas, os radicais, os de esquerda, os deficientes, os de orientação sexual diferente da deles, os activistas, os que se vestem de forma pouco habitual, em suma todos os que não pensam como os seus mentores de extrema-direita.

Não merecem ser punidos afirmam certos políticos. Porque, dizem-nos, estes racistas são tão bons como os anti-racistas. Para lavar algumas aparências internacionais organize-se um inquérito que depois arquive os casos. Eis a resposta sempre pronta para varrer um problema para debaixo do tapete e seguir em frente como nada fora.

Os racistas estão organizados. Em falsos sindicatos. Em sindicatos que assumem discursos como se fossem as chefias da Polícia. Que defendem todos os actos dos seus membros e que perseguem os raros polícias que ousam denunciar os desmandos e o racismo.

Estes falsos sindicatos são na verdade movimentos de extrema-direita organizados dentro das Polícias. Muitos deviam ser dissolvidos. Atenção. Nem todos.

Os agentes racistas são uma minoria repete-se, mas afirmam-no sem dados concretos, logo sem saber do que falam, provavelmente mentindo. Quanto era jovem aprendi uma lengalenga que ajuda a pensar “Se um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais, três elefantes incomodam muito mais …”.

É, pois, fácil imaginar, como o disse Luzia Moniz, que se quatro jornalistas encontraram 591 agentes a proferir discursos de ódio, oito jornalistas encontrariam muito mais e doze jornalistas ainda mais. Quantos serão então os agentes racistas? A maioria? Todos?

Porque não se apura a verdadeira extensão do problema e, sem dados concretos, se apressam os políticos e dirigentes das forças policiais a por as mãos no lume pelos restantes agentes? Que revela essa atitude? Quem querem proteger? De que se querem proteger?

E os que fazem os inquéritos serão diferentes dos colegas? Não terão aprendido todos na mesma escola? A quase ausência de punições nas últimas décadas dá-nos uma resposta concreta e factual às perguntas anteriores.

Naturalmente os inquéritos deviam ser feitos por entidades exteriores, independentes, incluindo peritos internacionais. Só assim seriam as conclusões credíveis. Não é preciso muita imaginação copie-se o exemplo do Reino Unido e até o da Igreja Católica.

Vivo perto de uma esquadra. Uma esquadra pequena com poucos agentes. Vejo-os passar diariamente. Sinto-me em perigo. Podem pertencer todos ou a maioria ao grupo dos 591 que sabemos de fonte segura acreditam no discurso de ódio.

Sei que todos esses 591 continuam de serviço, equipados de bastões e armas de fogo e prontos para passar das palavras à acção. Quem me garante a segurança? Quem me protege desses polícias? O Governo, o IGAI e os comandos da Polícia não parecem ser.

Não se actua, não se corta a direito, não se tomam acções decisivas porque no centro do poder os valores estão ausentes, não distinguem um racista de um anti-racista, não diferenciam um democrata de um antidemocrata, nem destrinçam um fascista de um anti-fascista.

Esta amálgama confusa de valores leva à paralisia, à desculpabilização, à impunidade, à dissonância entre a palavra e o ato e à simples hipocrisia. Estão a destruir a nossa sociedade e a torna-la num palco violento e cruel.

Diário de Notícias
Jorge Fonseca de Almeida
21 Novembro 2022 — 15:16



 

838: PS, PSD e PCP aprovam ida de Marcelo ao Qatar

– Além de mais uma, entre tantas, passeata à pala dos contribuintes, por aqui se vê, entre os “representantes” do Povo Português, que o futebol encontra-se muito acima da violação dos Direitos Humanos… Pobre Povo a quem deste carta branca!

QATAR/MUNDIAL/MARCELO

A deslocação do Presidente da República ao Mundial de futebol mereceu votos contra de IL e BE e abstenção do Chega.

Ricardo Castelo/LUSA

PS, PSD e PCP aprovaram esta segunda-feira o parecer da Comissão de Negócios Estrangeiros que autoriza a deslocação do Presidente da República ao Catar, que mereceu votos contra de IL e BE e abstenção do Chega.

PAN e Livre não têm assento na Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, onde decorreu a votação.

A autorização da deslocação do chefe de Estado para ver o primeiro jogo da selecção nacional de Futebol no Mundial 2022 do Catar será votada na terça-feira pelo plenário da Assembleia da República.

O Presidente da República não pode ausentar-se do território nacional sem o assentimento da Assembleia da República, de acordo com a Constituição.

Apesar dos votos favoráveis, a viagem de Marcelo Rebelo de Sousa não está isenta de polémica, com muitas personalidades políticas a pedir ao chefe de Estado para que não viaje, no que pode ser interpretado como uma forma de apoio ao regime qatari, conhecido pelas suas violações dos Direitos Humanos.

ZAP //
21 Novembro, 2022



 

837: Actualização das pensões pode custar até 200 milhões de euros

SOCIEDADE/PENSÕES/ACTUALIZAÇÃO

As pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações (CGA) devem aumentar em 2023 acima do que foi legislado pelo governo em decreto-lei. Esta actualização deverá representar um acréscimo de despesa entre 150 e 200 milhões de euros sem pesar no défice.

As pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações (CGA) devem aumentar em 2023 acima do que foi legislado pelo governo em decreto-lei. Esta actualização deverá representar um acréscimo de despesa avaliado entre 150 e 200 milhões de euros, avança o Público.

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, adianta ainda ao jornal que este aumento da factura com as pensões não terá impacto no défice.

Esta mexida nas actualizações só será possível porque o PS entregou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2023 que dá margem de manobra ao executivo para aumentar mais as pensões de forma a acomodar uma inflação mais alta.

As pensões mais baixas, até 957,4 euros, que correspondem a duas vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS) que se fixará em 478,7 euros, podem subir 5% em vez de 4,43%, como definido pelo Executivo, segundo as contas do Dinheiro Vivo com base nas regras de cálculo das prestações e na estimativa mais recente da inflação para este ano que deverá atingir 8%, segundo a Comissão Europeia, ou seja, 0,6 pontos acima da projecção do governo de 7,4%.

Significa um aumento máximo de até 50 euros, ou seja, mais entre dois ou oito euros do que o previsto para as reformas deste intervalo de valores.

Nos escalões seguintes de reformas também haverá uma alteração face ao que foi legislado em Outubro pelo executivo. Pensões entre 957,4 euros (duas vezes o IAS) e 2.872,2 euros (seis vezes o IAS) devem subir acima dos 4,07%.

Assim como as reformas entre 2.872,2 euros e 5,744,4 euros (12 vezes o IAS), que terão uma actualização superior a 3,53%, por força de uma subida da inflação superior à previsão do governo.

O parlamento começa esta segunda-feira a “maratona” de discussão e votação, na especialidade, do Orçamento do Estado de 2023 (OE2023), que tem aprovação garantida em votação final global, na sexta-feira, pela maioria absoluta do PS.

Dinheiro Vivo Dinheiro Vivo
21 Novembro, 2022 • 08:40



 

Apoio da NATO será necessário “durante muito tempo”, afirma Jens Stoltenberg

O que eu ainda não consegui entender é porque razão a Ucrânia está proibida de atacar território russonazi ☠️卐☠️ sendo que partem de lá os bombardeamentos a estruturas civis, prédios, etc.. Seria da mais conclusão lógica, a Ucrânia defender-se, atacando quem os ataca, bombardeia, assassina inocentes e destrói bens imóveis civis!

NATO/APOIO/UCRÂNIA

Jens Stoltenberg disse que Putin subestimou a capacidade de defesa e de resistência dos ucranianos, assim como a unidade da comunidade internacional em torno de Kiev.

© EPA/CHEMA MOYA

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, defendeu esta segunda-feira que os países da Aliança têm de estar preparados para apoiar a Ucrânia “durante muito tempo” porque não se pode subestimar a capacidade da Rússia para manter a guerra.

“Temos de estar preparados para apoiar a Ucrânia durante muito tempo”, apesar de a Rússia estar a recuar no terreno e de os ucranianos estarem a libertar territórios ocupados, afirmou Stoltenberg em Madrid, na 68.ª sessão anual da Assembleia Parlamentar da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa entre países europeus e norte-americanos).

Stoltenberg disse que o Presidente russo, Vladimir Putin, quando atacou militarmente a Ucrânia, em Fevereiro passado, subestimou a capacidade de defesa e de resistência dos ucranianos, assim como a unidade da comunidade internacional em torno de Kiev, mas seria agora “um grande erro subestimar a Rússia”, que mantém uma “capacidade militar significativa e um elevado número de tropas” para continuar a guerra.

Após nove meses de guerra e sem conseguir derrotar a Ucrânia em “alguns dias”, como era o objectivo inicial, Moscovo está neste momento a provocar um número significativo de vítimas no terreno e a infligir “um sofrimento aterrador ao povo ucraniano”, com disparos de mísseis sobre cidades, casas e infra-estruturas energéticas vitais, sublinhou Stoltenberg, para pedir aos membros da Aliança Atlântica que se mantenham unidos em torno da Ucrânia e no reforço do apoio a Kiev.

“Sei que este apoio tem um preço e nos nossos países muitas pessoas enfrentam uma crise de custo de vida e são tempos difíceis para muita gente. Mas os preços que nós pagamos, os aliados na NATO, medem-se em dinheiro, enquanto os ucranianos pagam um preço que se mede em sangue”, afirmou.

Soltenberg acrescentou que o preço a pagar em caso de vitória da Rússia seria “mais elevado”, com “regimes autoritários de todo o mundo” a saberem “que poderiam conseguir o que querem com força brutal” e a tornar o planeta “mais perigoso” e os países da NATO “mais vulneráveis”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
21 Novembro 2022 — 11:41



 

835: A fronteira quebrada no rio Bug

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦

POLÓNIA/SOLIDARIEDADE/UCRÂNIA

O afluxo de refugiados ucranianos à Polónia é um êxodo sem precedentes na história da Europa. A sua escala e a resposta maciça da sociedade polaca, que nove meses depois da invasão russa da Ucrânia acolhe mais de três milhões de ucranianos, apanhou todos de surpresa.

Se forem incluídas as pessoas da anterior onda de emigração da Ucrânia, que teve início em 2014 com a guerra no Donbas, vivem hoje na Polónia cerca de 3-3,5 milhões de ucranianos.
© Wojtek RADWANSKI / AFP

Alguns dias antes da guerra na Ucrânia, com a situação instável na fronteira Polónia-Bielorrússia forçada por imigrantes trazidos pelo regime de Minsk de vários países do mundo, ressoava na opinião pública polaca o debate sobre a capacidade de a Polónia aceitar refugiados. Os peritos no fenómeno das migrações enganaram-se.

Numa entrevista publicada pelo semanário Krytyka Liberalna, a 22 de Fevereiro, o professor Maciej Duszczyk, do Centro de Estudos sobre Migração da Universidade de Varsóvia, questionado se a Polónia seria capaz de receber um milhão de refugiados da Ucrânia, disse: “Definitivamente não.

O exemplo mais simples: vejamos o que aconteceu na Alemanha em 2015 e 2016, quando cerca de um milhão de refugiados acabou de chegar ao país. Os Estados alemães não conseguiram lidar com tal afluência de pessoas. A sociedade civil tinha de ser envolvida. E isto num país duas vezes maior que o nosso, com uma Administração muito mais eficiente e uma forte autoridade local descentralizada.”

No texto publicado apenas horas antes da invasão russa, Duszczyk previa que, no caso de uma vaga de refugiados, a Polónia poderia acolher entre 100 mil e 150 mil. Sublinhava que viveriam “em condições dramaticamente más”. A vida desenhou um cenário diferente.

70% dos polacos ajudam

De acordo com as autoridades polacas, entre 24 de Fevereiro e 11 de Novembro chegaram à Polónia 7,7 milhões de vítimas da invasão russa. Durante o mesmo período, 5,8 milhões de pessoas seguiram em direcção oposta.

O governo de Mateusz Morawiecki estima que desta onda de refugiados estejam actualmente a viver na Polónia cerca de 1,9 milhões de ucranianos e que 1,4 milhões terão encontrado alojamento em casas de famílias.

Os primeiros refugiados a chegar receberam alojamento principalmente em pavilhões desportivos e em instalações pertencentes à Igreja Católica. O facto que os ucranianos chegados serem na sua maioria cristãos ortodoxos não constituiu um problema.

A ajuda foi também direccionada para áreas ocupadas pela Rússia — só durante as primeiras quatro semanas da guerra a Igreja Católica polaca enviou 147 camiões e 180 outras grandes viaturas para a Ucrânia, transportando principalmente alimentos, num valor total de 5,5 milhões de euros. Nas semanas seguintes, o apoio à população ucraniana intensificou-se por parte de entidades tanto religiosas como seculares, mas também de instituições governamentais, autarquias e ONG.

As autoridades de Varsóvia estimam que a ajuda fornecida pelo Estado polaco aos refugiados tenha excedido os mil milhões de euros, dos quais 800 milhões foram desembolsados a partir de um fundo especial do governo.

Segundo o chefe do Instituto Polaco de Economia (PIE), Piotr Arak, mais de 70% dos polacos adultos já se juntaram na ajuda aos refugiados e durante os três primeiros meses do conflito os cidadãos doaram para este fim dois mil milhões de euros. “Graças a uma decisão sem precedentes das autoridades polacas, foram concedidos aos ucranianos os mesmos direitos que os polacos têm, com excepção da possibilidade de votar”, observou Arak.

Estimou que, se forem incluídas as pessoas da anterior onda de emigração da Ucrânia, que teve início em 2014 com a guerra no Donbas, vivem hoje na Polónia cerca de 3-3,5 milhões de ucranianos.

Refugiado, ou seja, cidadão

Os refugiados vindos do outro lado do rio Bug, após o início da guerra, têm na Polónia o direito a prestações familiares e de educação, entre elas um pagamento mensal de 110 euros por cada criança.

Recebem também assistência psicológica gratuita, alimentação e acesso a cuidados médicos. “Será difícil para nós retribuir a gentileza que aqui vivemos de muitas pessoas e instituições”, explica Olga, de Kiev, que desde Março encontrou abrigo na área metropolitana de Varsóvia. “Os procedimentos realizados por funcionários polacos no âmbito do acolhimento aos refugiados são muito eficientes.

No ponto de recepção temporária junto ao estádio do Legia foi-me dado em poucas horas tudo o que é preciso para viver: alojamento gratuito, um cartão para chamadas telefónicas e Internet, um número de identificação para registar os meus filhos na escola e ter acesso a um médico, bem como uma oportunidade de trabalho”, conta a ucraniana.

Outra vítima da guerra, Anna Yashina, cita as palavras do presidente Volodymyr Zelensky, quando este disse, em Março, que, graças à abertura dos polacos aos milhões de refugiados “de facto, já não há fronteira entre a Ucrânia e a Polónia”. Acrescentou que até que a guerra esteja terminada não tenciona regressar à terra natal.

A maioria dos refugiados adultos ucranianos não está desocupada. De acordo com o Ministério do Trabalho polaco, mais de 400 mil pessoas, ou cerca de 60% dos refugiados em idade activa, já encontraram um emprego. Mais de metade declara que está a ganhar melhor salário, comparando com a vida na Ucrânia.

Um estudo da Gremi Personal mostra que quase 52% dos refugiados ucranianos que trabalham na Polónia acreditam que a sua estada neste país lhes deu um melhor nível de vida.

O empresário Dominik Piwowarczyk, proprietário da empresa de comércio e serviços D&D, de Varsóvia, acredita que o aparecimento de refugiados ucranianos no mercado de trabalho polaco pode torná-lo mais dinâmico a longo prazo.

“Em vários lugares substituíram os polacos que emigraram para a Europa Ocidental nos últimos anos”, disse, salientando que permanece um mistério a questão da estabilidade das finanças públicas, sobrecarregadas com o pagamento de apoios sociais aos numerosos recém-chegados.

As autoridades da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) também apontam o pesado fardo que a ajuda concedida à Ucrânia representa para o orçamento do governo polaco.

Estimam que no final de Dezembro de 2022 as despesas relacionadas com a manutenção dos refugiados de guerra ascenderão na Polónia a 8,4 mil milhões de euros e serão as mais elevadas entre os países membros da organização.

Corações abertos e carteiras também

A 10 de Novembro, no Parlamento Europeu, representantes polacos argumentaram que as declarações generalizadas de solidariedade da UE para com as vítimas do conflito não chegam e que “a abertura dos corações deve ser acompanhada pela abertura das carteiras”.

Marta Majewska, presidente da câmara da cidade fronteiriça de Hrubieszów, participante do evento, disse acreditar que até ao momento as autoridades locais polacas não sentiram qualquer apoio por parte da UE. Acrescentou que a sua cidade, de 17 mil habitantes, só na primeira semana da guerra recebeu 10 mil vítimas do conflito.

“A palavra solidariedade […] assume hoje uma nova dimensão histórica e um novo significado. Nós, como Polónia, temos o direito de contar com esta solidariedade, temos o direito de esperar esta solidariedade”, disse Majewska em Bruxelas, recordando que mais de 90% dos ucranianos chegados à Polónia são mulheres e crianças.

Apesar de Bruxelas, desde o início da guerra, ter anunciado a sua prontidão para apoiar as vítimas, os primeiros fundos da UE destinados a este fim chegaram à Polónia apenas em Outubro — 144,6 milhões de euros. O ministro do Interior polaco, Mariusz Kamiński, admite que, embora a quantia seja “pequena face às necessidades”, este apoio mostra que a UE aprecia a Polónia.

Aponta que Varsóvia tinha solicitado a Bruxelas mais 40 milhões de euros, esperando, na sequência da destruição pela Rússia de infra-estruturas críticas ucranianas, uma nova vaga de migrantes no inverno. Segundo o eurodeputado Jan Olbrycht, a Europa deve fazer um ajustamento urgente no seu orçamento.

“A guerra mudou a situação. Não existem fundos suficientes no orçamento da UE para 2021-2027 que possam ser realojados, entre outras coisas, ao apoio económico-financeiro à Ucrânia”, observou o membro do partido de oposição Plataforma Cívica.

Entretanto, na sociedade polaca a disponibilidade para ajudar os ucranianos mistura-se com fadiga e até mesmo queixas. Uns pedem mais empenho da Comissão Europeia, enquanto outros exigem que os ucranianos cuidem por si da sua própria subsistência. “Os polacos já ajudaram demais, tirando dos seus próprios bolsos. Penso que alguns dos refugiados permanecem aqui apenas para beneficiar de apoio social.

Muitos deles receberam aqui apoio com o qual nem os próprios polacos podem contar”, aponta a enfermeira de Varsóvia Teresa Lis, salientando que muitos cidadãos polacos que pagam contribuições para a saúde pública foram “expulsos” das filas de espera dos hospitais e clínicas médicas para dar lugar aos ucranianos.

“A prioridade é agora dada aos ucranianos, o que irrita muitos doentes”, disse Lis, evidenciando que está aborrecida, entre outras coisas, com a grande presença na Polónia de médicos e enfermeiros ucranianos.

“Uma vez que há uma guerra na Ucrânia, o seu lugar é com os seus compatriotas que sofrem. As equipas médicas estrangeiras com fraco conhecimento da língua ucraniana não os substituirão lá”, acrescentou.

As 104 palavras polacas

Os peritos em segurança salientam que o afluxo maciço de ucranianos à Polónia é uma área de interesse para o Kremlin, com o alvo de espalhar fake news e manipulações, a intensificarem-se à medida que a guerra continua. O site CyberDefense24 aponta que a desinformação russa pode alimentar-se com o ressentimento histórico.

Salienta que a retórica utilizada por estas fontes apresenta frequentemente figuras controversas, como Stepan Bandera, co-fundador da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), que através do Exército Insurrecto Ucraniano (UPA) levou a cabo a limpeza étnica da população polaca durante a II Guerra Mundial.

“A questão do alegado privilégio, principalmente financeiro, dos ucranianos na Polónia é também uma narrativa extremamente popular e antagónica. É de esperar que no contexto da inflação crescente e da situação cada vez mais difícil de muitas famílias polacas sejam usados estes slogans para fins de desinformação”, explicou.

Os manipuladores pró-russos também estão activos na Ucrânia, espalhando notícias sobre um alegado plano de Varsóvia de anexar territórios ucranianos. Apenas poucos se deixam enganar.

Segundo um inquérito apresentado pelo Top Lead, 97% dos ucranianos que vivem hoje na sua terra natal consideram a Polónia um país amigo. O presidente Zelensky falou sobre esta atitude na sexta-feira, por ocasião do 104.º aniversário da independência da Polónia.

Utilizou simbolicamente 104 palavras polacas para agradecer aos vizinhos o apoio, o qual ele supõe ficará impresso na memória dos ucranianos: “Recordarão como nos receberam, como nos ajudaram. Os polacos são nossos aliados, a vossa pátria é nossa irmã. A vossa amizade será para sempre. A nossa amizade será para sempre. O nosso amor, para sempre. Juntos seremos vitoriosos.”

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Marcin Zatyka
21 Novembro 2022 — 00:30



 

Ucrânia diz que descobriu quatro “locais de tortura” usados pelos russos em Kherson

– Os putinocratas Peskov, Medvedev, Lavrov, Kadyrov, Lukaschenko e demais pandilha, não têm nada a dizer sobre isto? Ah pois, são fake news ucranianas, eles é que dizem a verdade na sua propaganda podre e imunda.

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦
🇺🇦 UKRAYINA NE ROSIYSʹKA 🇺🇦

🇺🇦 UKRAINA – NE ROSSIYA 🇺🇦
🇺🇦 HEROYAM SLAVA 🇺🇦

🇬🇧 DROP ALL RUSONAZI ORCS FROM UKRAINE
🇺🇦 VYHNITʹ Z UKRAYINY VSIKH RUSONAZIVSʹKYKH ORKOV
🇷🇺 VYBROSITE VSEKH ORKOV RUSONAZI IZ UKRAINY

TERRORISMO/ORCS/RUSSONAZIS ☠️卐☠️ /UCRÂNIA/TORTURA

As autoridades de Kiev encontraram “locais de tortura em quatro prédios”.

© EPA/OLEG PETRASYUK

O Ministério Público ucraniano fez saber, esta segunda-feira, que foram descobertos quatro “locais de tortura” usados pelos russos enquanto ocupavam Kherson, uma cidade no sul da Ucrânia que as forças de Kiev recuperaram em 11 de Novembro.

Em Kherson, as autoridades ucranianas “continuam a determinar os crimes da Rússia”, afirmou o Ministério Público da Ucrânia na rede social Telegram. A mensagem indica que as autoridades de Kiev encontraram “locais de tortura em quatro prédios”.

Entre os quatro prédios visitados pelos investigadores estão “centros de detenção provisória” de antes da guerra, “onde, durante a tomada da cidade, os ocupantes detiveram pessoas ilegalmente e as torturaram brutalmente”.

Os investigadores apreenderam partes de “bastões de borracha, um bastão de madeira, um dispositivo usado pelos ocupantes para electrocutar civis, uma lâmpada incandescente e balas”, explicou a fonte, dez dias depois do regresso do exército ucraniano a Kherson.

“O trabalho para estabelecer os locais de tortura e detenção ilegal de pessoas continua”, disse o Ministério Público, que observou que também que deseja “identificar todas as vítimas” da ocupação russa.

Desde a reconquista de Kherson, em 11 de Novembro, Kiev tem denunciado vários “crimes de guerra” e “atrocidades” russas na região, mas, até ao momento, Moscovo não reagiu às acusações.

Na sexta-feira, um relatório divulgado pelo Observatório de Conflitos dos Estados Unidos referiu que, entre Março e Outubro, mais de 220 pessoas foram detidas ou desapareceram às mãos das tropas russas em Kherson.

O relatório indicou também que 55 dos detidos ou desaparecidos foram torturados, enquanto cinco morreram durante o cativeiro ou pouco depois da sua libertação. Seis dessas pessoas terão sofrido violência sexual ou de género.

Também o comissário dos direitos humanos do parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, denunciou, na semana passada, terem sido descobertas várias valas comuns, tendo as investigações demonstrado que as forças russas torturaram prisioneiros ucranianos com recurso, por exemplo, a choques eléctricos. Também existem relatos de execuções e de espancamentos com barras de ferro.

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.557 civis mortos e 10.074 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Com Lusa

Diário de Notícias
DN/AFP
21 Novembro 2022 — 13:19



 

Depois de Kherson, caminho aberto para Zaporíjia e Crimeia? Ainda não é “o princípio do fim da guerra”, mas o “fim do princípio”

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦

Zaporíjia e Crimeia são possibilidades na mira da contra-ofensiva ucraniana, depois da retomada de Kherson. A Ucrânia já recuperou 74 mil quilómetros quadrados, cerca de metade do território capturado pela Rússia desde 24 de Fevereiro, mas os analistas ouvidos pelo Expresso acreditam que o fim à vista para o conflito, que Zelensky proclamou, é uma realidade mais distante


Território ucraniano recuperado e território ocupado pelas tropas russas
jaime figueiredo

Ainda não é o “princípio do fim” da guerra, como anunciado pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A retirada russa da cidade de Kherson terá implicações para o curso da guerra e ambos os lados querem dar os passos certos à conquista de território.

O Instituto para o Estudo da Guerra [Institute for the Study of War] acredita agora que a Rússia se prepara para lançar uma nova ofensiva em Donetsk, reforçada pelos soldados retirados da parte ocidental de Kherson. Mas o que farão as Forças Armadas ucranianas?

Os analistas ouvidos pelo Expresso estão convencidos de que Zaporíjia estará no radar dos ucranianos. Já o Instituto para o Estudo da Guerra defende que a Ucrânia pode fazer conquistas na região de Luhansk, no leste ucraniano, com as tropas dispensadas de Kherson a auxiliarem a linha da frente. Os ucranianos terão uma tarefa logística difícil se quiserem estabelecer-se na margem leste do rio Dniepre.

O princípio do fim ou o fim do princípio?

Mark Cancian, antigo conselheiro do Departamento de Defesa norte-americano, lembra que a conquista em Kherson reforçou a motivação e auto-estima das tropas ucranianas.

“Os ucranianos estão a ficar mais fortes ao longo do tempo, à medida que mais equipamentos são entregues e as tropas recebem treino militar. Embora as condições sejam difíceis, com o piso lamacento e a aproximação do inverno, os combates provavelmente continuarão a alto nível.”

É por isso também que o analista norte-americano em matéria de Defesa diz ser “improvável que este seja o começo do fim da guerra”, como proclamou Zelensky.

“Os russos têm agora linhas mais defensáveis ​​e estão a receber tropas do processo de mobilização parcial. Serão, por isso, capazes de fixar uma forte defesa, e os avanços ucranianos serão lentos.”

Cedric Leighton, analista militar da CNN antigo responsável dos serviços secretos da Força Aérea norte-americana (onde trabalhou durante 26 anos), também não tem dúvidas de que a libertação de Kherson tenha sido “um marco importante na guerra”, podendo até marcar o início de uma nova fase no conflito.

“Podemos esperar que o Presidente Zelensky esteja certo, mas podemos estar mais perto de alcançar o fim do início da guerra do que o fim da própria guerra”, argumenta o analista de riscos estratégicos.

Mas a Ucrânia já libertou cerca de 74 mil quilómetros quadrados desde o início da guerra, o que representa cerca de metade do território que os russos capturaram desde 24 de Fevereiro. “A principal cidade libertada é Kherson, embora os ucranianos tenham também as ameaças que pairavam sobre Kiev e Kharkiv”, destaca Mark Cancian.

“Se incluirmos o território conquistado pela Rússia a partir de 2014, a Ucrânia recuperou pouco mais de um terço do território que inicialmente perdeu para Moscovo”, aclara Cedric Leighton.

Para que frente é o caminho?

Há alguns factores importantes que a Ucrânia deve considerar à medida que avança. De acordo com Cedric Leighton, as forças ucranianas “provavelmente terão de consolidar as conquistas recentes na parte oeste do rio Dniepre antes de avançarem com as operações na parte leste”.

O caminho até à Crimeia – uma região de especial simbolismo para ucranianos e russos, por estar sob domínio dos pró-russos desde 2014 – ainda se apresenta cheio de obstáculos. “O largo rio Dniepre e o facto de que todas as principais pontes que o atravessam foram destruídas tornam as operações imediatas em direcção à Crimeia muito difíceis de realizar”, sustenta o antigo militar.

Outro aspecto que os militares ucranianos terão de considerar é o clima. “Se o inverno for relativamente ameno, será possível para os ucranianos seguirem em frente assim que estabeleçam pontos de travessia sobre o Dniepre. Se for um inverno frio, pode ser mais difícil para o avanço dos ucranianos.”

Cedric Leighton antecipa que as forças russas tentem “escavar” e estabelecer posições defensivas a leste do rio. “No entanto, a qualidade das tropas russas é tão baixa que os russos podem não estar dispostos a lutar depois de perderem a cidade de Kherson.

Se for esse o caso, a Ucrânia pode tentar tirar vantagens da situação e continuar a sua contra-ofensiva, mas acho que farão uma pausa antes disso.”

Antes da retirada dos russos, as autoridades ucranianas alertaram para a possibilidade de Moscovo transformar Kherson numa “cidade da morte”, o que, segundo o jornal “The Guardian”, tem vindo a confirmar-se.

Na vila de Novoraisk, uma criança de 11 anos ficou ferida quando a família, de carro, passou por cima de uma mina alojada no solo. Os soldados russos transformaram toda a região num campo altamente minado. Fitas vermelhas circunscrevem muitas áreas, indicando que a cada dez metros, haverá um depósito de explosivos.

Os esforços para retirar as minas podem demorar meses ou até anos. Especialistas ucranianos em desminagem alertam que, mesmo que a guerra terminasse amanhã, demorariam pelo menos uma década a erradicar a ameaça.

Se as áreas recém-libertadas de Kherson – particularmente a cidade – também ainda são vulneráveis ​​a ataques da artilharia russa e à acção de drones do lado leste do rio, os ucranianos farão mais movimentos no nordeste e no leste, conforme as oportunidades tácticas se apresentem.

O objectivo de longo prazo da Ucrânia é libertar todo o território que perdeu para a Rússia desde 2014, que inclui a Crimeia e as províncias orientais do Donbas, Luhansk e Donetsk.

“Zaporíjia apresenta dificuldades semelhantes às enfrentadas em Kherson, com o factor adicional de ter a central nuclear na parte ocupada pela Rússia. Assim que acharem que estão prontos, espero que os ucranianos sigam em direcção à fronteira da Crimeia.”

Ali, diz Cedric Leighton, as tropas ucranianas tentarão eliminar qualquer ameaça de longo alcance aos seus portos marítimos ao longo do Mar Negro, particularmente Odessa.

“Também vão querer recuperar todos os territórios que perderam a sul. Se fizerem isso, a posição russa será ainda mais fraca e os ucranianos ficarão mais perto de impedir o reabastecimento russo terrestre da Crimeia.”

Os ucranianos têm tropas suficientes para concentrar a ofensiva numa área, mas Mark Cancian não antevê, para já, progressos em direcção à Crimeia. Os ucranianos terão de fazer escolhas e não dispersar esforços. “Os russos vêm atacando há meses na área do Donbas a sul de Bakhmut, mas com poucos progressos.

Duvido que os ucranianos se concentrem lá. O meu palpite pessoal é de que atacarão na área de Zaporíjia, já que a região foi pouco defendida no passado. Nenhum dos lados tem tropas suficientes para equipar fortemente toda a linha de frente.”

O Instituto para o Estudo da Guerra afasta a possibilidade de um cessar-fogo ou de uma desaceleração das operações militares. Neste momento, a pausa no conflito funcionaria a favor de Vladimir Putin, já que os ucranianos têm aproveitado as oportunidades e o momento cujo ápice foi, até agora, a entrada em Kherson.

Da mesma forma pensa Cedric Leighton: “A Rússia continuará a tentar atacar infra-estrutura ucraniana, especialmente centrais eléctricas, estruturas de aquecimento e instalações de gestão de água, para tornar a vida o mais difícil possível para os civis ucranianos.

Os russos também podem tentar aumentar os ciber-ataques, embora os ucranianos tenham lidado com eles de forma bastante eficaz até agora.”

Expresso
21 Novembro 2022 7:32
Catarina Maldonado Vasconcelos
Catarina Maldonado Vasconcelos
Jornalista

 Jaime Figueiredo
Jaime Figueiredo
Coordenador-Geral de Infografia



 

“O Irão e a Rússia podem mentir, mas não se podem esconder”: Moscovo terá acordo com Teerão para construção de drones kamikaze em solo russo

– russonazis ☠️卐☠️ e iranianos, são compadres no terrorismo e assassínio colectivo. Nada de estranhar nesta “amizade”…

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦

RUSSONAZIS ☠️卐☠️ /IRÃO/DRONES KAMIKAZE/UCRÂNIA/GUERRA/PUTINOCRATAS

Moscovo e Teerão chegaram a acordo para a construção de drones em território russo, no que seria um novo passo na ajuda iraniana ao Kremlin durante a invasão da Ucrânia, escreve este domingo O Washington Post.

“O Irão e a Rússia podem mentir, mas não se podem esconder”: Moscovo terá acordo com Teerão para construção de drones kamikaze em solo russo © TVI24

Moscovo e Teerão chegaram a acordo para a construção de drones em território russo, no que seria um novo passo na ajuda iraniana ao Kremlin durante a invasão da Ucrânia, escreve este domingo O Washington Post.

O jornal norte-americano, detido pelo multimilionário Jeff Bezos, cita oficiais dos sistemas de informação americanos, que alegam ter tido acesso a documentos e informações que comprovam este novo desenvolvimento.

Segundo a mesma fonte, representantes de Rússia e Irão finalizaram o acordo, que prevê a construção de centenas de drones, no início de Novembro, estando já em curso o processo de deslocalização dos equipamentos necessários para o fabrico das armas.

Desde Agosto, e de acordo com os Estados Unidos, a Rússia já atacou a Ucrânia com mais de 400 drones de fabrico iraniano, com muitos destes Shahed-136 a serem dirigidos contra infra-estruturas civis, principalmente de produção e armazenamento de energia.

O Irão nega veementemente ter fornecido este equipamento militar à Rússia. “Acreditamos que armar os dois lados prolongará a guerra, por isso nunca considerámos e não consideramos que a guerra seja o caminho certo, nem na Ucrânia, nem no Afeganistão, nem na Síria, nem no Iémen”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Hossain Amir-Abdollahian, ao homólogo português João Gomes Cravinho, em meados de outubro.

No entanto, no dia 9 de Novembro, Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, viajou para Teerão para discutir as relações bilaterais, bem como as sanções económicas e a “interferência” do Ocidente nos assuntos governamentais iranianos.

“O Irão e a Rússia podem mentir ao mundo, mas não podem esconder os factos: Teerão está a ajudar a matar civis ucranianos através do fornecimento de armas e a ajudar a Rússia nas suas operações. É mais um sinal de quão isolados estão”, afirmou Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança dos Estados Unidos, citada pelo Washington Post.

MSN Notícias

TVI TVI
CNN Portugal
20.11.2022 às 19:04



 

831: Kiev prepara-se para retomar a Crimeia

🇺🇦 SLAVA UKRAYINI 🇺🇦

UCRÂNIA/INVASÃO/GUERRA/RUSSONAZIS ☠️卐☠️ /CRIMEIA/OCUPAÇÃO

A Rússia não pediu directamente à Ucrânia uma trégua instantânea na guerra, esclareceu este sábado um assessor de topo do presidente ucraniano, após Volodymyr Zelensky ter dito a uma audiência no Fórum Internacional de Segurança de Halifax que Kiev rejeitou a preferência da Rússia por uma “curta trégua”.

Kiev prepara-se para retomar a Crimeia © TVI24

O comentário de Zelensky deixou em aberto a questão sobre se Moscovo fez, de facto, o pedido à administração ucraniana. Algo que Andriy Yermak, que dirige o gabinete presidencial ucraniano, declarou não ter acontecido.

Durante uma conferência de imprensa, Yermak afirmou que o Kremlin não propôs a referida trégua ao governo ucraniano. “Não [tivemos] qualquer pedido oficial do lado russo sobre algumas conversas, algumas negociações”, disse.

A afirmação surge durante um período sensível na brutal guerra que já decorre há nove meses. De acordo com o jornal Politico, altos funcionários dos EUA e da Europa estão a tentar convencer a Ucrânia a chegar a uma solução pacífica para o conflito que a Rússia iniciou. Até agora, a Ucrânia rejeitou esses apelos, dizendo que qualquer tentativa de negociações agora beneficiaria mais Moscovo do que Kiev.

De facto, Yermak sinalizou uma próxima campanha militar na Crimeia, a península que a Rússia afirmou anexar em 2014, embora não confirmasse uma linha temporal exacta para o seu início. “Esta guerra, ela continua”, disse , acrescentando que “tem a certeza” que uma campanha para retomar a Crimeia irá acontecer.

No início de sábado, o vice-ministro ucraniano da Defesa Volodymyr Havrylov disse à Sky News que as tropas ucranianas estariam na Crimeia em Dezembro e que a guerra terminaria na próxima primavera.

MSN Notícias
TVI TVI
CNN Portugal
20.11.2022 às 18:34