3: Pedro Nuno Santos e a TAP. Voando sobre um ninho de cucos

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OPINIÃO

A demissão de Pedro Nuno Santos culmina uma crise política que não sabemos ainda se terá chegado ao fim. A TAP era sem dúvida um dos dossiers mais difíceis que o ex-ministro das Infra-estruturas tinha em mãos.

A TAP foi nacionalizada como contrapartida dada ao PCP para suportar a solução política da geringonça e possibilitar a António Costa chegar ao poder.

Agora, a empresa estava a atravessar um novo processo a caminho da uma segunda privatização de modo a possibilitar a sua venda.

Pedro Nuno Santos era um ministro com dossiers bastante difíceis e de manifesto desgaste político.

Num primeiro momento resistiu penosamente à questão do novo aeroporto, quando decidiu, unilateralmente, fazer um anúncio da sua construção sem conhecimento do primeiro-ministro. Foi desautorizado, publicamente, mas manteve-se no governo muito devido aos apoios que possui dentro do Partido Socialista.

Todavia, este novo episódio a envolver também a demitida secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, que deixou a administração da TAP com uma choruda indemnização de meio milhão de euros, derrubou Pedro Nuno Santos.

O ex-ministro assumiu a responsabilidade política de um caso grave. Ainda que tenha afirmado desconhecer o contrato que levou Alexandra Reis a sair da TAP com uma choruda indemnização de meio milhão de euros, na condição de tutela da empresa, Pedro Nuno Santos escolheu a via da demissão.

Era difícil à equipa das Infra-estruturas resistir a um episódio que chocou o país a assistir atónito a uma indemnização de um valor de meio milhão de euros praticamente inacessível à esmagadora maioria dos portugueses. Hugo Mendes, secretário de Estado, acompanhou Pedro Nuno Santos na demissão.

Tudo isto aconteceu quando na TAP os funcionários, os pilotos, o pessoal de cabine via os seus vencimentos serem cortados, com ameaças de despedimento, num processo de reestruturação rumo a uma nova privatização.

Pedro Nuno Santos apadrinhou Alexandra Reis que fez uma trajectória supersónica, saindo da TAP para a NAV Portugal e acabando a na secretaria de Estado do Tesouro. Este exercício de carreirismo político acabou por atingir profundamente Pedro Nuno Santos.

O ex-ministro das Infra-estruturas está agora liberto para prosseguir a sua carreira política e eventualmente aspirar à liderança do Partido Socialista. Tem quatro anos pela frente e fortes apoios no PS.

Não saiu do governo empurrado. Decidiu ele próprio assumir a responsabilidade política por uma trapalhada que o atingiu a ele, mas mancha também todo o governo pela falta de coordenação que o Executivo mostra.

Por outro lado, a saída de Pedro Nuno Santos não encerra o assunto da TAP. Há ainda um conjunto de esclarecimentos que, seguramente, os partidos da oposição não vão deixar cair.

Há sinais manifestos de descoordenação política no seio do governo, onde as escolhas feitas para preencher lugares no governo têm sido desastrosas.

O caso do autarca Miguel Alves escolhido para secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, apesar de indiciado num estranho processo da construção de um pavilhão fantasma, antecedeu este novo caso de Alexandra Reis, que pela insensibilidade social que revela deixa marcas profundas de desgaste no governo de António Costa.

O Executivo parece estar esgotado nas suas soluções, somando demissões atrás de demissões.

Uma situação preocupante num governo de maioria absoluta com quatro anos ainda pela frente. Como serão os próximos?

Jornalista

Diário de Notícias
António Capinha
30 Dezembro 2022 — 00:55

actualizado em: 04/02/2023 16:17




 

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