19: Com Lula é entrar a ganhar

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🇵🇹 OPINIÃO

Pela terceira vez, Luis Inácio Lula da Silva, de 77 anos, está de volta ao Palácio do Planalto, a sede do governo em Brasília. É o início de um tempo novo em que ao renascimento do mais prestigiado líder da esquerda sul-americana, que chegou a estar preso um ano e meio por uma condenação viciada de que foi finalmente exonerado, se junta o desafio da reconstrução de um país gravemente fracturado, de mal consigo e com o mundo.

Lula regressa com uma promessa de esperança — que os seus compatriotas voltarão a ser felizes — e três prioridades: Reactivar a economia, combater a fome e a pobreza, e que a estrela do Brasil volte a brilhar na cena internacional.

Um dos sinais de mudança mais esperados com este regresso de Lula à presidência é justamente na política externa, após quatro anos de gestão personalista e ultra-conservadora de Jair Bolsonaro, que minou a influência do Brasil em fóruns multilaterais e levou a potência sul-americana ao isolamento diplomático.

O novo governo de Lula representa uma oportunidade para reconstruir pontes — regionais e globais –, e principalmente para exercer um papel de liderança política no chamado sul global, entre o conjunto de países não-alinhados.

Depois de quatro anos em que o Brasil hostilizou vizinhos, rompeu laços com os Estados Unidos e atacou a China, seu principal cliente, o novo presidente promete devolver o seu país ao mundo — o mesmo mundo que entre 2003 e 2010 se habituou a admirar a autenticidade daquele a quem Bolsonaro chamava depreciativamente “o nove dedos”,

Lula, antigo torneiro-mecânico, que nessa qualidade perdera o mindinho. Foi com Lula no poder, durante aqueles dois primeiros mandatos, que o Brasil mais se projectou no exterior como em nenhuma outra época da sua história independente de 200 anos.

Numa das cimeiras do G20, o então presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, referia-se publicamente a Lula: “Este tipo encanta-me! É o mais popular dos líderes mundiais.” Um antigo operário, sem estudos universitários, chegara à presidência da maior democracia sul-americana e, em poucos anos, resgatava à pobreza milhões de brasileiros.

Foi com ele que o Brasil se juntou aos BRIC, o selecto grupo de países emergentes em parceria com a Rússia, a Índia e a China. E foi também com ele que o Brasil chamou para si a organização de um Mundial de Futebol e uns Jogos Olímpicos.

Com Lula de novo no poder, a expectativa é agora de um rápido regresso do Brasil ao diálogo internacional, seja entre as maiores economias mundiais, mas também com os países de língua portuguesa, no âmbito da CPLP, uma organização que vai certamente ganhar fôlego, e questões antigas como a mobilidade ou a criação de um instrumento financeiro comum aos países de língua portuguesa vão conhecer novo impulso.

O mundo já tinha saudades do Brasil e este promete estar de volta, com um presidente que se lida bem com as ambiguidades da diplomacia e que se move à vontade entre pobres, banqueiros ou reis sem parecer um impostor. A diplomacia faz-se também de sinais.

E para lá da quase centena de delegações estrangeiras que se fizeram anteontem representar na posse de Lula (o triplo das que estiveram na posse de Bolsonaro), foi notório o destaque que o novo protocolo brasileiro deu às representações de língua portuguesa.

Entre os primeiros cinco que puderam saudar oficialmente Lula, estiveram Portugal, Cabo Verde e Timor-Leste, para além de Espanha e Argentina. Lula conta com Portugal e Espanha na reanimação do diálogo entre a União Europeia e o Mercosul, e sabe também que, para aspirar a integrar o restrito número de países no Conselho de Segurança da ONU, conta com o apoio de um português, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas

Jornalista

Diário de Notícias
Afonso Camões
03 Janeiro 2023 — 00:37



 

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