37: Por que procrastinamos?

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OPINIÃO

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Procrastinar significa adiar sucessivamente uma decisão ou acção, apesar de existir essa intenção em decidir ou fazer. É um termo constituído por duas palavras latinas: pro (que significa para) e cras (que significa amanhã). Ou seja, significa que adiamos decidir ou fazer algo e, muitas vezes, nada acontece.

Uma leitura rápida e simplista deste tipo de situações gera frequentemente a ideia de que a pessoa que procrastina é preguiçosa ou que não tem força de vontade suficiente. Mas não é assim tão simples.

Uma das principais razões para esta situação é o medo. O medo de falhar, de não ser suficientemente bom, de desiludir ou de frustrar.

Da mesma forma, a procrastinação surge habitualmente associada à desmotivação, à sobrecarga de trabalho, ao elevado stress, ao pessimismo e à baixa sensação de controlo, muitas vezes potenciados pelas metas muito abstractas ou demasiado ambiciosas.

Outras pessoas procrastinam porque evidenciam elevada distracção ou impulsividade e estão mais centradas no “aqui e agora” (valorizando o prazer imediato), minimizando as possíveis consequências negativas a médio ou longo prazo.

É também frequente uma crença de perfeccionismo: “Tenho de fazer sempre tudo bem e, se assim não for, nem vale a pena fazer”. E, de mãos dadas com esta crença, pode existir uma elevada insegurança, baixa auto-estima e sentimentos de inferioridade face aos outros.

“A procrastinação surge habitualmente associada à desmotivação, à sobrecarga de trabalho, ao elevado stress, ao pessimismo e à baixa sensação de controlo.”

O que podemos fazer para não procrastinar?

Não existe uma receita universal, na medida em que diferentes pessoas procrastinam por diferentes motivos. Assim, o primeiro e mais importante passo é olhar para dentro e aumentar o seu auto-conhecimento.

O que penso? Como me sinto? O que receio? Em que acredito? O que valorizo? Quais são as principais razões que me levam a procrastinar?

Ao mesmo tempo, é importante definir objectivos concretos e mensuráveis (ao invés de metas muito abstractas), com etapas mais curtas e atingíveis. Pense em babysteps e não em passos de gigante. Um de cada vez.

Devemos ainda minimizar as distracções externas e definir um sistema de auto-reforço por cada etapa que se consiga atingir, o que ajuda a aumentar a motivação e a sensação de auto-eficácia. Aqui, recordo-me de uma cliente que, por cada artigo que lia para a sua tese de mestrado, se recompensava vendo um episódio da sua série favorita.

Por fim, sugere-se ainda uma planificação realista das diversas actividades, prevendo algum tempo para pausas e lazer e emparelhando tarefas mais e menos atractivas.

Se as suas resoluções de Ano Novo envolvem decisões ou acções que tem vindo a adiar sucessivamente, esta é uma reflexão que pode ser importante.

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

Diário de Notícias
Rute Agulhas
05 Janeiro 2023 — 00:25



 

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