62: TikTok. Demasiado grande para banir? Ascensão meteórica embate nos receios de espionagem e segurança

 

🇺🇸 TIKTOK // 🇨🇳 ESPIONAGEM CHINESA // SEGURANÇA

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Governo dos Estados Unidos baniu rede social detida pela empresa chinesa ByteDance dos dispositivos federais. Há um coro de vozes que pede proibição total no mercado norte-americano.

© LOIC VENANCE / AFP

No tempo que demorou a ler a entrada deste artigo, milhões de utilizadores pegaram no telemóvel, abriram a aplicação TikTok e começaram a ver vídeos. A maioria deles pertence à Geração Z, tem entre 10 e 29 anos e passa mais de uma hora por dia na plataforma.

É um fenómeno de popularidade, mas a rede social detida pela empresa chinesa ByteDance está ameaçada pelos receios de espionagem e segurança que crescem no mercado internacional.

“No final do dia, o TikTok é o fentanil digital da China”, disse o comissário do regulador das comunicações (FCC) nos Estados Unidos, Brendan Carr, em Novembro.

“Muitas pessoas olham para o TikTok e acham que é apenas uma aplicação divertida para partilhar vídeos de dança ou outros vídeos engraçados”, afirmou o responsável. “Mas esse é o lobo disfarçado de carneiro.

Por baixo disso, opera como uma aplicação de vigilância muito sofisticada”, alegou. “Não é pelos vídeos, é por recolher tudo desde o histórico de pesquisa e navegação, potencialmente padrões de uso das teclas, dados biométricos, incluindo cara e voz.”

A comparação com o fentanil, o opiáceo de uso médico mais potente do mercado, voltou a ser feita esta semana por Mike Gallagher, o congressista que vai liderar a comissão da Câmara dos Representantes sobre a China.

“É altamente viciante e destrutiva e estamos a ver dados muito preocupantes sobre o impacto corrosivo da utilização constante de redes sociais”, afirmou o republicano na NBC. A informação partilhada na app, argumentou, “vai efectivamente para o Partido Comunista Chinês.”

Esta é a grande questão que ameaça limitar a ascensão meteórica do TikTok, app que surgiu em meados de 2018 e em pouco tempo tornou-se na mais descarregada em todo o mundo.

Conhecida pelos vídeos curtos – inicialmente virados para o lip synch (sincronização labial) com músicas – tem mil milhões de utilizadores activos e capta uma fatia enorme de atenção: os utilizadores consomem, em média, 95 minutos de TikTok por dia. Está abaixo apenas do YouTube e com fortes indícios de que o poderá ultrapassar em breve.

Mas não se os legisladores norte-americanos o puderem evitar. Depois de anos de controvérsia, Joe Biden assinou no final de Dezembro um pacote legislativo que inclui a proibição do TikTok nos dispositivos móveis dos funcionários federais.

Antes disso, já vários governos estaduais tinham agido contra a app e pelo menos 14 estados emitiram proibições nas últimas semanas, desde o Texas à Virgínia, Luisiana e Kansas.

Em reacção, uma porta-voz do TikTok disse à CNN que lamentava estas políticas “não fundamentadas” e “baseadas em falsidades politicamente motivadas” contra o TikTok.

O que está em causa

As iniciativas ocorrem depois de anos de escrutínio e dúvidas levantadas ainda durante a presidência de Donald Trump, que ordenou sanções às transacções no TikTok e WeChat mas viu as directivas bloqueadas em tribunal.

Os receios focam-se no poder que o Partido Comunista Chinês (PCC) terá sobre a rede social. O argumento é de que Pequim pode obrigar a ByteDance a dar acesso a todo o tipo de dados, a usar o TikTok como um canal de operações de influência obscuras e a censurar conteúdos importantes.

Sabe-se que, pelo menos ao nível da censura, isso já aconteceu: o TikTok baniu contas que publicaram informações sobre os campos de detenção de cidadãos da minoria uigur.

Outros conteúdos sensíveis para o executivo de Xi Jinping podem ser eliminados. Há também preocupação com falhas ao nível da moderação, protecção da privacidade e efeitos nos utilizadores mais jovens.

“Tendo em conta a política do governo chinês de exigir que as empresas que operam no país entreguem dados a seu pedido, e também a capacidade de manipular os utilizadores por parte do mecanismo de recomendação, há grandes preocupações sobre como o TikTok poderia ser utilizado pela China para espiar locais e actividades, bem como apresentar informações de uma forma que poderia manipular as pessoas, como um método de propaganda”, explica ao DN Chester Wisniewski, principal cientista de pesquisa da empresa de cibersegurança Sophos.

Em Novembro, o director do FBI Chris Wray disse à comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes que a agência está preocupada com a exposição de dados pessoais a um potencial acesso chinês.

O superintendente de Educação no estado do Luisiana, Cade Brumley, enviou um memorando às escolas urgindo-as a remover a app dos dispositivos escolares. “A falta de medidas de privacidade de dados do TikTok é extremamente preocupante”, escreveu.

Mike Gallagher aludiu ainda à possibilidade de censura de notícias e de mexer no algoritmo conforme o que o governo chinês considera publicável.

“Temos de nos questionar se queremos que o PCC controle aquilo que está à beira de se tornar na empresa de média mais poderosa da América.”

O facto de não haver provas de que o Partido Comunista Chinês tenha acedido ou pedido para aceder a dados de utilizadores não demove os avisos. Porque também não há certeza de que isso não aconteceu e alguns desenvolvimentos nos últimos meses aprofundaram as suspeitas.

Em Dezembro, a ByteDance confirmou que funcionários do TikTok usaram a aplicação para monitorizar a localização de jornalistas da Forbes. Isto aconteceu meses depois de uma investigação da revista ter descoberto que pelo menos 300 funcionários da ByteDance eram ex-empregados de empresas de comunicação estatal da China, sendo que quinze operavam em simultâneo na ByteDance e em órgãos de comunicação do regime comunista e 50 trabalhavam no TikTok.

Em Junho passado, o BuzzFeed reportou que a informação de utilizadores nos EUA estava a ser “repetidamente” acedida na China.

Preocupações de espionagem estiveram na origem da proibição na Índia, que foi o primeiro país a banir a rede social, em 2020, alegando que o TikTok representava uma ameaça para a sua integridade e segurança nacional.

Com 200 milhões de utilizadores, a Índia era o maior mercado internacional da app e a sua proibição estabeleceu um precedente.

Mas Chester Wisniewski refere que uma proibição de descarregar a app nos dispositivos do governo ou da empresa “pode não servir de nada.”

O especialista indica que a maioria dos utilizadores recorre a dispositivos pessoais quando um dispositivo da empresa bloqueia aplicações populares, “portanto proibir a utilização pode não resolver nenhum problema, principalmente de rastreamento e actividade.”

O cientista da Sophos sublinha que “não há provas de roubo de dados”, que seria o que mais se evitaria ao bloquear a app.

Demasiado grande para banir?

O CEO do Tik Tok, Shou Chew, numa cimeira organizada pelo New York Times.
© Michael M. Santiago/Getty Images/AFP

Com 100 milhões de utilizadores nos Estados Unidos e enorme influência na Geração Z, a rede social é a que cresce mais rapidamente e está a desviar investimento em publicidade de outras gigantes.

A sua importância explica as negociações que protagonizou nos últimos anos, à porta fechada, com o Comité de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos, um painel com individualidades de várias agências que tem como missão avaliar negócios estrangeiros que levantem riscos de segurança nacional. Há a noção de que o TikTok é demasiado grande para banir mas não pode continuar a operar como até agora.

A empresa disse que ia migrar os dados dos utilizadores americanos para a nuvem da Oracle e reestruturar a moderação de conteúdos. Tal não parece ser, neste momento, remédio suficiente.

É que a entrada no novo ano traz também uma nova composição do congresso, agora dividido entre republicanos na Câmara dos Representantes e democratas no Senado.

Não está posta de parte a possibilidade de que mesmo este congresso dividido venha a tomar novas medidas, algo que o republicano Mike Gallagher sublinhou dizendo que as preocupações são bipartidárias.

O congressista é um dos autores de uma proposta de lei para banir totalmente o TikTok dos EUA. Há também pressões sobre a Apple e a Google para retirarem a app das suas lojas de aplicações.

No entanto, tais medidas seriam muito controversas num país em que a liberdade de expressão goza de protecções excepcionais. Além disso, o TikTok é muito popular na Geração Z e tem sido palco de lançamento de negócios, produtos e fortunas individuais.

Será mesmo demasiado grande para banir? E haverá provas que justifiquem uma medida tão drástica?

As opiniões dividem-se. A American Civil Liberties Union (ACLU) considera que, para endereçar problemas relacionados com as redes sociais, é preciso que o Congresso aprove reformas e legislação que proteja a privacidade dos dados dos utilizadores.

A organização assumiu-se contra a proibição logo no mandato de Donald Trump, quando o então presidente ordenou sanções às transacções envolvendo o TikTok e o WeChat.

Segundo disse a directora do Projecto de Segurança Nacional da organização, Hina Shamsi, tal proibição “viola os direitos de Primeira Emenda das pessoas nos Estados Unidos ao restringir a sua capacidade de comunicar e conduzir transacções importantes”, considerando tratar-se de um “abuso” que debilita os direitos e privacidade.

Por outro lado, sublinha Chester Wisniewski, “não há nada que impeça o Facebook, o Twitter ou qualquer outra aplicação de redes sociais nos nossos telefones de fazer o mesmo.”

O especialista não usa aplicações de redes sociais que são propriedade dos EUA, apenas a versão web, para limitar a capacidade de rastrearem as suas actividades físicas e online.

Mas muitas empresas não se importariam de ver uma proibição total a acontecer, como diz ao DN Hans Hartman, principal investigador da Suite 48 Analytics, uma firma de pesquisa de mercado para a indústria do vídeo e fotografia.

“As maiores redes sociais sediadas nos EUA, como Meta, Snap, Google, expressaram preocupações porque o TikTok está a comer as suas fatias de receitas publicitárias”, indicou.

“Não é, por isso, surpreendente que estejam a copiar agressivamente algumas das suas funcionalidades, em particular o YouTube com Shorts e Facebook/Instagram com Reels”, continuou. “Uma proibição do TikTok nos EUA seria certamente bem recebida por estas redes.”

Seria diferente para outro tipo de empresas que têm usado a rede social para chegarem a alvos demográficos que já abandonaram redes mais maduras como o Facebook.

“Pelo contrário, os grandes anunciantes não gostariam de ter menos soluções competitivas para promoverem as suas marcas junto de uma faixa etária mais jovem”, frisou Hartman.

Para quem está envolvido na indústria, a questão de segurança nacional cai fora das suas competências, até porque não há certezas sobre quão realistas são os perigos alegados por legisladores e reguladores.

O que lhes interessa é o impacto no seu negócio e no mercado, e aí os interesses divergem. Se grandes anunciantes perderiam uma boa plataforma para anunciar, criadores de outras apps poderiam gostar da medida.

“Para o ecossistema alargado de programadores de apps de fotografia e vídeo, um desaparecimento do TikTok seria geralmente bem-vindo”, afirmou Hans Hartman.

“O TikTok não tem estado focado em construir um ecossistema de programadores para se ligarem à sua app, ao contrário do que a Snap fez, por isso para eles não haveria muito a perder se fosse banido nos EUA.”

Hartman, que é também chairman da Visual 1st, disse que a vantagem de uma proibição seria poder atrair “uma porção dos seus utilizadores que estariam à procura de soluções alternativas para ver ou partilhar vídeos curtos.”

E aí, há medidas comuns que devem ser adoptadas por todos os que se preocupam com a privacidade. “Os utilizadores devem assumir que todos os dados que partilham com qualquer rede social são públicos”, avisa Wisniewski, o cientista da Sophos.

“O rastreamento e a venda de informações, mesmo nos EUA, são sempre uma possibilidade para qualquer pessoa que tenha dinheiro para os pagar, pelo que assumir que algo é privado quando partilhado nas redes sociais é insensato.”

A questão específica com o TikTok, sublinha, é que é “claramente mais preocupante para os jornalistas que cobrem a actualidade do país e temas que a China considera controversos, e também para dissidentes, expatriados e pessoas com acesso a propriedade intelectual que acreditem ser do interesse do governo chinês.”

P&R

Chester Wisniewski, principal cientista de pesquisa da empresa de cibersegurança Sophos

Há uma preocupação de cibersegurança relacionada especificamente com o TikTok, ou apenas os riscos habituais de qualquer plataforma de redes sociais com posts virais?
Suspeito que, neste caso, as duas coisas sejam verdade. Tendo em conta a política do governo chinês de exigir que as empresas que operam no país entreguem dados a seu pedido, e também a capacidade de manipular os utilizadores por parte do mecanismo de recomendação, há grandes preocupações sobre como o TikTok poderia ser utilizado pela China para espiar locais e actividades, bem como apresentar informações de uma forma que poderia manipular as pessoas, como um método de propaganda.

Não há nada que impeça o Facebook, o Twitter ou qualquer outra aplicação de redes sociais nos nossos telefones de fazer o mesmo, mas parece haver um escrutínio adicional do TikTok, especialmente após terem surgido notícias de que este estaria a ser utilizado para espiar jornalistas.

Pessoalmente, partilho destas preocupações também quanto à utilização desta mesma forma das aplicações de redes sociais que são propriedade dos EUA, e, como resultado, não as utilizo ou não as instalo (utilizo-as apenas na versão web), para limitar a sua capacidade de rastrear as minhas actividades físicas e online.

O governo dos EUA demonstrou a preocupação de que a aplicação possa ser uma backdoor que torna os dados dos utilizadores acessíveis na China. Quão preocupados devem estar os utilizadores?
Os utilizadores devem assumir que todos os dados que partilham com qualquer rede social são públicos.

O rastreamento e a venda de informações, mesmo no EUA, são sempre uma possibilidade para qualquer pessoa que tenha dinheiro para os pagar, pelo que assumir que algo é privado quando partilhado nas redes sociais é insensato.

Especificamente no que diz respeito ao TikTok e à China, é claramente mais preocupante para os jornalistas que cobrem a actualidade do país e temas que a China considera controversos, e também para dissidentes, expatriados e pessoas com acesso a propriedade intelectual que acreditem ser do interesse do governo chinês.

As empresas devem proibir o uso da aplicação nos seus dispositivos?
Pode não servir de nada. A maioria dos utilizadores recorre a dispositivos pessoais quando um dispositivo da empresa bloqueia aplicações populares, portanto proibir a utilização pode não resolver nenhum problema, principalmente de rastreamento e actividade.

Que eu saiba, não há provas de roubo de dados, que seria o que mais se evitaria ao bloquear a utilização da aplicação.

Quais são algumas dicas para os utilizadores garantirem que estão a utilizar a aplicação com segurança?
Com aplicações como o TikTok, a utilização é uma espécie de “tudo ou nada”.

Obviamente, não divulgar detalhes pessoais e a localização em vídeos é uma boa prática, mas se se está preocupado com o rastreamento da aplicação e dos nossos comportamentos online, a única resposta possível é removê-la e não voltar a utilizá-la.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Rita Guerra, Los Angeles
08 Janeiro 2023 — 00:15



 

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Ex-secretária de Estado do Turismo Rita Marques considera “legítimo” regresso ao privado

 

– Esta situação é bem demonstrativa do estado de podridão em que se encontra a política, os políticos, a pseudo-justiça e a falta de carácter de toda esta gente. Neste particular, a “justiça” é bem clara quando diz: ““os titulares de cargos políticos de natureza executiva não podem exercer, pelo período de três anos contado a partir da data da cessação do respectivo mandato, funções em empresas privadas (…) relativamente às quais se tenha verificado uma intervenção directa do titular de cargo político”“. Bem clara esta lei.

🇵🇹 TRAFULHICES // CARGOS POLÍTICOS // REBALDARIA

published in: 4 semanas 

Rita Marques vai ser administradora do grupo The Fladgate Partnership, com responsabilidades na divisão de hotéis e do turismo. Enquanto secretária de Estado concedeu a esta empresa o estatuto definitivo de utilidade turística.

© Gerardo Santos / Global Imagens

A ex-secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços Rita Marques classificou o regresso ao sector privado como “legítimo”, apesar de passar a gerir uma empresa à qual concedeu um benefício há menos de um ano.

O jornal Observador noticiou este sábado que, apesar de a lei prever um período de nojo de três anos, Rita Marques, que deixou o Governo há pouco mais de um mês, vai agora administrar a The Fladgate Partnership, que detém a WOW, uma empresa à qual, enquanto secretária de Estado, concedeu o estatuto definitivo de utilidade turística.

O semanário Expresso, na sua edição ‘online’ avançou este domingo que, à SIC Notícias, a ex-governante afirmou igualmente estar “absolutamente segura das decisões tomadas enquanto secretária de Estado” e também “das que toma na esfera privada desde que deixou o Governo”.

De acordo com a lei “os titulares de cargos políticos de natureza executiva não podem exercer, pelo período de três anos contado a partir da data da cessação do respectivo mandato, funções em empresas privadas (…) relativamente às quais se tenha verificado uma intervenção directa do titular de cargo político”.

Rita Marques vai ser administradora do grupo The Fladgate Partnership, com responsabilidades na divisão de hotéis e do turismo.

Na nota divulgada pela empresa, indica-se que, “depois de terminar funções como secretária de Estado do Turismo no período de 2019-2022, Rita Marques assume agora funções como administradora da The Fladgate Partnership, com a responsabilidade sobre a divisão dos Hotéis e do Turismo, ficando à frente da gestão de importantes unidades como o WOW, o quarteirão cultural de Gaia”.

A ex-governante assume, “a partir do dia 16 de Janeiro, funções como membro do Conselho de Administração da The Fladgate Partnership com a responsabilidade sobre a divisão dos Hotéis e do Turismo”, disse a empresa, detalhando que “a cargo de Rita Marques vai ficar a direcção do WOW, o quarteirão cultural de Gaia, as caves da Taylor’s e da Fonseca, o hotel The Yeatman, o Vintage House no Douro, o Hotel da Estrela e o Palacete Chafariz d’El Rei em Lisboa, ainda o Museu do Vitral, o Ferry no rio Douro e os 20 restaurantes do grupo”.

Além disso, “a juntar a esta carteira, estará também o novo hotel de luxo, que nascerá em Vila Nova de Gaia no final de 2024, e as lojas na baixa portuense”.

“Estou muito entusiasmada por me juntar à grande equipa da The Fladgate Partnership. O vinho do Porto é o mais antigo embaixador de Portugal.

Estou certa de que construiremos excelentes oportunidades para continuarmos a valorizar o vinho do Porto, promovendo a redescoberta da cidade do Porto e da região do Douro, enquanto destinos vínicos e culturais de excelência”, declarou Rita Marques, citada na mesma nota.

Por sua vez, Adrian Bridge, presidente executivo (CEO) do grupo disse que “é uma grande honra integrar Rita Marques no grupo Fladgate Partnership, beneficiando do conhecimento e da experiência nas áreas da gestão de negócio e do turismo.

Este reforço vem alavancar a forte aposta na área do turismo, no qual o grupo tem vindo e vai continuar a investir e que é uma boa sustentação para o negócio principal, o vinho do Porto”.

A The Fladgate Partnership é uma holding que possui negócios no vinho do Porto, turismo e distribuição, sendo que “a empresa fundadora do grupo é a Taylor’s, que data de 1692”.

“Em 2001 adquire a Croft, fundada em 1588, que já celebrou o seu 430º aniversário. Com as suas outras casas (Fonseca e Krohn), é líder na produção de categorias especiais de vinho do Porto, que vende em mais de 105 países”, recordou o grupo.

A empresa entrou mais recentemente na área do turismo, destacando a criação do The Yeatman Hotel, inaugurado em 2010.

“Também é proprietária do Vintage House Hotel, no Pinhão”, bem como do WOW, (World of Wine) uma “iniciativa que visa transformar a zona histórica de Vila Nova de Gaia com um quarteirão cultural de sete museus, doze restaurantes e bares, uma escola de vinho e várias lojas”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
08 Janeiro 2023 — 09:36



 

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60: Afinal, o céu que todos vemos não é realmente azul

 

CIÊNCIA // ASTRONOMIA // COR DO CÉU

published in: 4 semanas 

Quando o Sol está perto do horizonte, quase toda a luz azul é dispersa (ou absorvida pelo pó), por isso o resultado acaba por ser um Sol vermelho com cores mais azuis à sua volta.

Geoffrey Lowe / Flickr

Num dia de sol em que decida, no exterior, olhar para cima, é provável que a cor dominante que vai ver seja o azul. Mas será esta a verdadeira cor do céu? Ou a sua única?

As respostas são complicadas, mas envolvem a natureza da luz, átomos e moléculas e algumas partes excêntricas da atmosfera terrestre. Sem esquecer grandes lasers.

Primeiro devemos começar pelo que estamos a ver num dia de céu aparentemente azul num dia de sol. Estaremos a ver nitrogénio azul ou oxigénio azul? A resposta não é simples. Em vez disso, a luz azul que vemos é a luz do sol dispersa.

O Sol produz um amplo espectro de luz visível, que vemos como branco, mas que inclui todas as cores do arco-íris. Quando a luz solar passa através do ar, átomos e moléculas na atmosfera dispersam a luz azul em todas as direcções, muito mais do que a luz vermelha.

A isto chama-se dispersão de Rayleigh, e resulta num Sol branco e céu azul em dias claros.

Ao pôr-do-sol, podemos ver este efeito marcado, porque a luz solar tem de passar por mais ar para chegar até nós.

Quando o Sol está perto do horizonte, quase toda a luz azul é dispersa (ou absorvida pelo pó), por isso acabamos por ter um Sol vermelho com cores mais azuis à sua volta.

Mas se tudo o que vemos é luz solar dispersa, qual é a verdadeira cor do céu? Talvez consigamos obter uma resposta à noite. Se olharmos para o céu nocturno, é óbvio que está escuro, mas não é exactamente preto.

Existem as estrelas, mas o próprio céu nocturno brilha. Isto não é poluição luminosa, mas sim a atmosfera a brilhar naturalmente.

Numa noite escura sem lua no campo de visão, longe das luzes da cidade, é possível ver as árvores e as colinas contra o céu.

Este brilho, chamado airglow, é produzido por átomos e moléculas na atmosfera. Na luz visível, o oxigénio produz luz verde e vermelha, as moléculas de hidroxilo (OH) produzem luz vermelha, e o sódio produz um amarelo estranho.

O nitrogénio, embora muito mais abundante no ar do que o sódio, não contribui muito para o efeito de airglow.

As cores distintas do airglow são o resultado de átomos e moléculas que libertam quantidades particulares de energia (quanta) sob a forma de luz.

Por exemplo, em altas altitudes a luz ultravioleta pode dividir as moléculas de oxigénio (O₂) em pares de átomos de oxigénio, e quando estes átomos mais tarde se recombinam em moléculas de oxigénio, produzem uma luz verde distinta.

Os átomos de sódio constituem uma fracção minúscula da nossa atmosfera, mas constituem uma grande parte do brilho do ar, e têm uma origem muito invulgar – estrelas cadentes.

Estas são visíveis em qualquer noite escura, desde que o céu esteja claro. São pequenos meteoros, produzidos por grãos de poeira que aquecem e vaporizam na atmosfera superior, enquanto viajam a mais de 11 quilómetros por segundo.

À medida que estrelas cadentes se erguem no céu, a cerca de 100 quilómetros de altitude, deixam para trás um rasto de átomos e moléculas.

Por vezes, é possível ver estrelas cadentes com cores distintas, resultantes dos átomos e moléculas que elas contêm.

Estrelas cadentes muito brilhantes podem até deixar rastros de fumo visíveis. E, entre esses átomos e moléculas, há um cheiro de sódio.

Esta alta camada de átomos de sódio é de facto útil para os astrónomos. A nossa atmosfera está perpetuamente em movimento, é turbulenta, e desfoca as imagens de planetas, estrelas e galáxias.

Para compensar a turbulência, os astrónomos obtêm imagens rápidas de estrelas brilhantes e medem a forma como as imagens das estrelas são distorcidas.

Um espelho deformável especial pode ser ajustado para remover a distorção, produzindo imagens que podem ser mais nítidas do que as dos telescópios espaciais.

Esta técnica — chamada “óptica adaptativa” — é poderosa, mas há um grande problema. Não há estrelas brilhantes naturais suficientes para que a óptica adaptativa funcione sobre todo o céu. Assim, os astrónomos fazem as suas próprias estrelas artificiais no céu nocturno, chamadas “estrelas-guia laser”.

ZAP //
8 Janeiro, 2023



 

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59: É um dinossauro? Um pássaro? Cientistas descobrem estranha combinação dos dois

 

CIÊNCIA // PALEONTOLOGIA

published in: 4 semanas 

Recorrendo às versões digitais dos ossos mineralizados, a equipa reconstruiu a forma e função do crânio tal como era durante a vida da ave.

Zhao Chang
Cratonavis zhui

A forma como os pássaros evoluíram desde os dinossauros permanece um mistério para os paleontólogos, fascinados com este processo.

Agora, um fóssil recentemente descoberto de um pássaro que terá vivido na China há 120 milhões de anos pode ajudá-los a clarificar alguns dos passos, face à cabeça mais arcaica, semelhante a um dinossauro, no topo de um corpo que tem mais em comum com as aves modernas.

A transição de dinossauro para pássaro inclui algumas das mudanças mais dramáticas na forma, função e ambiente, que acabaram por conduzir ao formato do corpo típico das aves de hoje.

Algumas dessas mudanças ainda podem ser vistas nas aves modernas, mas a ordem em que estas mudanças ocorreram, e a natureza das pressões evolutivas que deram origem a características estritamente aviárias, ainda está aberta ao debate.

O fascinante fóssil recentemente encontrado, chamado Cratonavis zhui, pode fornecer importantes perspectivas sobre a evolução das aves modernas.

Os investigadores descobriram a impressão corporal de Cratonavis, a ave com cabeça de dinossauro, durante escavações realizadas no norte da China.

As impressões do corpo de dinossauros com penas e de aves precoces, incluindo Confuciusornis sanctus, foram descobertas nesta região, em rochas sedimentares formadas há 120 milhões de anos, durante o período Cretáceo.

Liderados pelo paleontólogo Zhou Zhonghe da Academia Chinesa de Ciências (CAS), a equipa iniciou a sua investigação do crânio fóssil com tomografia computorizada (CT) de alta resolução.

Recorrendo às versões digitais dos ossos mineralizados, a equipa reconstruiu a forma e função do crânio tal como era durante a vida da ave.

Concluíram que a forma do crânio do Cratonavis é quase igual à dos dinossauros como o Tyrannosaurus rex e não como a de uma ave.

“As características primitivas do crânio falam do facto de a maioria das aves cretáceas como o Cratonavis não conseguirem mover o seu bico superior independentemente em relação ao cratonavis e ao maxilar inferior, uma inovação funcional amplamente distribuída entre as aves vivas que contribui para a sua enorme diversidade ecológica”, diz o paleontólogo do CAS Zhiheng Li.

Entre os ramos da árvore genealógica do dinossauro, o Cratonavis situa-se entre o Arqueoptérix de cauda longa, que mais parecia um réptil, e os Ornithothoraces, que já tinham desenvolvido muitos dos traços das aves modernas.

De destacar ainda o facto do fóssil Cratonavis ter uma escápula surpreendentemente longa e o primeiro metatarso (osso do pé) — características que raramente são vistas nos fósseis de outros dino-âncoras para as aves, e completamente ausentes nas aves modernas.

As tendências evolutivas mostram um pequeno comprimento no primeiro metatarso à medida que as aves se desenvolvem. Os autores do estudo propõem que durante a mudança dos dinossauros para as aves, o primeiro metatarso passou por um processo de selecção natural que o tornou mais curto.

Uma vez atingido o seu tamanho ideal, que era inferior a um quarto do comprimento do segundo metatarso, perdeu as suas funções anteriores.

Os autores mencionam as morfologias abnomais da escápula e metatarsais preservadas em Cratonavis realçam a amplitude da plasticidade do esqueleto nas aves precoces.

A mistura única de anatomia do Cratonavis zhui é um sinal de como todos os seres vivos representam melhorias e mudanças, e a evolução das aves de todas as penas ocorreu simultaneamente ao longo de uma grande variedade de caminhos divergentes.

ZAP //
8 Janeiro, 2023



 

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58: O Google Calendar tem estes 4 “truques”? Devia ter sabido mais cedo

 

TECNOLOGIA // GOOGLE CALENDAR // TRUQUES

published in: 4 semanas 

O calendário do Google, provavelmente a agenda mais utilizada entre nós, tem uns extras que talvez não conheça.

keso s / Flickr

Quando é o jantar do teu aniversário? Pronto, vou anotar no calendário Google.

A consulta da nossa filha ficou marcada para quando? É isso. Vou anotar no calendário Google.

O Google Calendar será, em Portugal (e em muitos outros países), a agenda mais utilizada.

Sobretudo no telemóvel – onde já vem instalado na maioria dos Android – mas não só.

É fácil de usar, fácil de se perceber. Mas ainda há uns “extras”, os famosos add-ons (complementos), que ainda podem tornar mais útil e prática esta ferramenta da Google.

O portal Laptop Mag destacou os quatro add-ons que, provavelmente, o leitor queria ter conhecido há mais tempo.

O primeiro é o G-calize. É um extra que pode ajudar a evitar confusões. Por exemplo, não confundir eventos de sábado com eventos de domingo. O G-calize permite colocar uma cor distinta em cada dia da semana. Cada dia tem uma cor.

A segunda ferramenta é a Timely. Para quem quer ter noção do tempo que gasta em reuniões online (no Google Meet, claro), este é o extra ideal. A Timely grava automaticamente a duração de uma reunião do Google Meet.

Existe também a possibilidade de instalar o Checker Plus, um verificador extra. Facilita o agendamento de eventos porque permite criar eventos no calendário Google directamente de qualquer site (um evento Facebook, por exemplo), sem precisar de abrir a aplicação.

Por fim, o TeamCal: ver e gerir diversos calendários. Se tiver autorização para ver/editar calendários de outras contas, vai poder assim comparar o seu calendário com o de outras pessoas, ao mesmo tempo. Para reuniões de equipa, de grupos de trabalho, é muito útil.

ZAP //
8 Janeiro, 2023



 

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57: Autópsias mostram o que o coronavírus faz ao nosso corpo

 

SAÚDE PÚBLICA // PANDEMIA // COVID-19 // DANOS

published in: 4 semanas 

84 locais do corpo atingidos em pacientes não vacinados, que morreram por causa da COVID. Vírus chega a ficar no corpo durante quase oito meses.

Tumisu / Pixabay

Já estamos em 2023 e o coronavírus continua a ser assunto. Já menos do que noutros tempos, mas continua a ser motivo de atenção e de análise.

E, obviamente, vai continuar a ser analisado sobretudo pela Ciência. Por investigadores, cientistas, médicos, epidemiologistas.

Um estudo recente, publicado na revista Nature, deixa “pistas” que podem ser muito importantes nessas análises científicas.

Cientistas dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) dos Estados Unidos da América analisaram amostras de tecido das autópsias de 44 pessoas não vacinadas que morreram por causa da COVID-19, entre Abril de 2020 e Março de 2021. Média de idades: 63 anos.

A prioridade era verificar por onde o coronavírus se espalha pelo corpo das vítimas.

Sem surpresas, o vírus infectou e danificou sobretudo as vias aéreas e o tecido pulmonar, relata a Revista Galileu.

Mas o SARS-CoV-2 foi notado, no total, em 84 pontos do corpo.

Incluindo o cérebro. Houve poucos danos encontrados no tecido cerebral mas algumas “réplicas” do vírus chegaram ao sistema nervoso central.

E, durante as duas primeiras semanas depois do início dos sintomas, o vírus atinge vários locais não respiratórios.

O coronavírus foi detectado (apenas num ou dois casos) no hipotálamo, cerebelo, gânglios da base.

Num caso que surpreendeu os autores do estudo, verificou-se que o vírus ficou no corpo da vítima durante quase oito meses.

Em média, a pessoa morreu quase 19 dias depois de ter sentido os primeiros sintomas da COVID-19.

ZAP //
8 Janeiro, 2023



 

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56: Putin queria conquistar a Ucrânia dividindo o Ocidente — mas o apoio à NATO nunca foi tão forte

 

🇷🇺 A RÚSSIA ☠️卐☠️ É UM ESTADO TERRORISTA, ASSASSINO, LADRÃO, VIOLADOR 🇷🇺

🇺🇦 A UCRÂNIA É DOS UCRANIANOS 🇺🇦,
NÃO É DOS RUSSONAZIS
🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺

published in: 4 semanas 

Dez meses após o início da guerra, existe agora um maior apoio militar da NATO à Ucrânia do que alguma vez existiu. 

Quando Vladimir Putin enviou a sua máquina de guerra para a Ucrânia em Fevereiro último, uma das razões apontadas para a invasão foi para assegurar o estatuto neutro da Ucrânia e impedir o seu governo de colar o país ao Ocidente.

Embora haja mais por detrás desta guerra, o líder russo há muito que expressa preocupações sobre a possibilidade de a Ucrânia procurar uma cooperação militar mais estreita com a NATO, tendo em vista a sua eventual adesão à aliança. A “operação militar especial” visava travar esta situação no seu caminho.

Mas dez meses de guerra sangrenta tiveram o efeito contrário. Existe agora um maior apoio militar da NATO à Ucrânia do que alguma vez existiu. Este vai desde equipamento médico ao treino e armamento avançado — ultrapassou os 20 mil milhões de dólares só de Washington.

Isto — e a incapacidade da Rússia de derrubar o governo ucraniano nos primeiros dias da guerra — são amplamente aceites como um grande erro estratégico por parte da Rússia.

Putin sobrestimou a extensão do apoio da Rússia entre o povo ucraniano e subestimou a força da identidade nacional ucraniana. Mas como é que a guerra afectou as atitudes em relação à neutralidade e à NATO entre o povo ucraniano comum?

Os dados mais recentes sobre atitudes das pessoas antes e depois da invasão mostram que os ucranianos que antes viam o seu futuro orientado para a Rússia estão agora a olhar cada vez mais para o Ocidente.

O apoio à adesão à NATO está no auge, e os ucranianos que anteriormente favoreciam a neutralidade já não o fazem. Estas tendências são particularmente acentuadas entre os inquiridos mais jovens.

Em 2019-2020, realizámos um conjunto de sondagens de opinião pública representativas a nível nacional em vários dos estados da Rússia “próximos do estrangeiro”.

Dado que o governo russo há muito que utiliza mecanismos de soft power (como os meios de comunicação social e televisão pró-russos, a igreja e a sociedade civil) para tentar convencer os cidadãos destes países de que fazem parte do “mundo russo”, um grupo de investigadores avaliou também as orientações geopolíticas das pessoas comuns.

Num projecto de investigação iniciado em 2019, uma equipa planeou a realização de duas rondas de inquéritos para traçar se e como as mudanças geopolíticas afectaram as opiniões das pessoas ao longo do tempo.

Em cooperação com o Kyiv International Institute of Sociology, foi feito o primeiro inquérito na Ucrânia em Dezembro de 2019 (financiado pela US National Science Foundation), e em Outubro de 2022  um inquérito de acompanhamento (financiado pelo Norwegian Research Council).

Devido à guerra, o segundo inquérito foi feito por telefone e não cara a cara, com a equipa a voltar a entrevistar quase 20% dos inquiridos em 2019.

Embora os inquéritos apresentem uma oportunidade única de analisar como a guerra da Rússia na Ucrânia mudou a opinião pública, há pelo menos dois desafios que exigem cautela.

A guerra de Putin saiu-lhe pela culatra

Os dados recolhidos mostram que a invasão da Rússia pouco fez, mas encorajou os ucranianos a voltarem-se para o Ocidente.

A invasão e a guerra brutal — incluindo crimes de guerra, o ataque de civis e infra-estruturas civis, crianças deslocadas à força para a Rússia, e deslocações em massa — pouco fizeram, talvez sem surpresa, para que as pessoas olhassem para a Rússia como o seu futuro.

Esta tendência é particularmente acentuada entre os indivíduos de 18 a 30 anos, entre os quais quase 47% pensam que a Ucrânia deveria estar orientada para o Ocidente, em comparação com apenas 3% que pensam que deveria estar orientada para a Rússia.

No que diz respeito à NATO e à neutralidade, vemos uma mudança semelhante. Consistente com outras sondagens de opinião pública que, durante anos, tinham mostrado apoio à adesão à NATO entre 30 e 40%, a referida sondagem de 2019 mostrou que o apoio à adesão à aliança era de cerca de 44%.

Mas na nossa sondagem de Outubro de 2022, oito meses após a invasão, a percentagem de inquiridos a favor da adesão foi de 77%.

Como seria de esperar, em Outubro de 2022 a neutralidade tinha-se tornado menos atractiva para muitos ucranianos do que em 2019, quando mais pessoas viam a neutralidade como a opção preferida. Agora existe uma clara maioria contra a neutralidade.

O apoio é especialmente elevado entre as pessoas mais jovens da amostra complementada em 2022 — mais de 70% dos inquiridos com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos discordaram da afirmação de que seria “melhor para a segurança do nosso país ser neutro e manter-se fora de alianças militares”.

A invasão russa da Ucrânia tem sido um fiasco militar para a Rússia. Também acelerou o processo que foi concebido para impedir, o alinhamento da Ucrânia com as instituições euro-atlânticas – especialmente a NATO.

Atacando um país onde a maioria das pessoas antes da guerra olhava favoravelmente para a neutralidade e céptica em relação à NATO, a invasão de Putin conseguiu inverter este sentimento.

ZAP  // The Conversation
8 Janeiro, 2023




 

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55: 0patch vai continuar a lançar actualizações de segurança para o Microsoft Edge no Windows 7

 

BROWSERS // SOFTWARE // EDGE // WINDOWS 7

published in: 4 semanas 

Com o fim do suporte para o Windows 7 e outros sistemas da Microsoft, o Edge vai ter o mesmo destino nestas plataformas. A Microsoft vai permitir instalar o Edge 109 e esse será o último a ser disponibilizado nesse sistema.

A 0patch quer mudar esse cenário, por saber que muitos vão ficar no Windows 7, e por isso anunciou agora que irá suportar o Edge nas plataformas que, entretanto, forem abandonadas. Isso garante uma nova vida a este browser, que assim fica actualizado.

É bem conhecido o esforço que a 0patch tem feito para manter o Windows 7 actualizado e livre de problemas. Quando a Microsoft determinou o fim desse sistema este grupo conseguiu manter as actualizações vivas e a serem enviadas para os utilizadores.

Todas essas capacidades estão agora a ser transferidas para a manutenção do Edge, o browser da Microsoft. Comprometem-se a manter esta solução actualizada e com correcções de segurança que sejam necessárias ao longo do tempo, para proteger os utilizadores.

Nós na 0patch decidimos adoptar o Edge versão 109 com segurança e fornecer patches de segurança críticos, para que possa continuar a usar o Windows 7, Server 2008 R2 com o Edge de maneira segura. Com o 0patch, você também poderá continuar a usar o Windows Server 2012 (não R2 ou R2) com o Edge em segurança até o fim do suporte oficial da Microsoft em Outubro de 2023… versão do servidor e você poderá continuar a usar em segurança por mais tempo.

Esta solução passa para a versão 109 do browser, a última que será suportada pelo Windows 7. Uma vez que fica de imediato sem qualquer protecção de segurança, esta parece ser a única forma de garantir que o browser não fica exposto às falhas que forem sendo descobertas.

Será acessível por 2 anos e será uma solução que será paga por quem quiser usar. Não foram revelados valores, mas parece ser a única forma de manter o Edge activo e com uma camada de segurança mínima garantida.

Do que revelam e caso os utilizadores aceitem pagar para ter o Edge protegido, as actualizações do sistema operativo devem ser mantidas. Assim garante-se que qualquer solução de emergência será instalada automaticamente.

Depois disso, deverá ser instalado o cliente 0patch que fará a instalação das actualizações que surjam.

Esta parece ser a única forma de manter o Edge actualizado no futuro. O Windows 7 está terminado e assim a segurança será mantida. Há ainda outros sistemas que mesmo com alguma garantida da Microsoft perdem o suporte para o browser.

Pplware
Autor: Pedro Simões
08 Jan 2023



 

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54: Dica: Que dados o seu browser liberta nos sites? Saiba tudo e acabe com isso

 

TECNOLOGIA // BROWSERS // DADOS LIBERTADOS

– Resultado dos meus testes: Nossos testes indicam que você tem uma forte protecção contra o rastreamento da Web.

É o seu browser: Mozilla Firefox 108.0.2
Bloqueio de anúncios de rastreamento? Sim
Bloquear rastreadores invisíveis? Sim
Protegendo você de impressões digitais? Seu navegador tem uma impressão digital única

Ao navegarmos na Internet estamos constantemente a libertar informações nos sites, libertados pelo browser. Esta é uma situação que acontece sem que a maior parte dos utilizadores saibam, o que acaba por ser algo involuntário e sem qualquer controlo.

Com o ganhar de consciência da necessidade de segurança e privacidade, os utilizadores precisam saber como ter acesso a toda a informação. Assim, há uma forma simples de saber que dados o seu browser liberta nos sites, bem como filtrar a informação fornecida.

Mesmo que alguns utilizadores saibam como limita os dados a que os sites têm acesso, a verdade é que a maioria tem estas opções no padrão base. Isso leva a que o browser liberte muita informação sobre o utilizador e o seu sistema, sem que o utilizador saiba disso.

Claro que não é um processo complicado de fazer, se o utilizador souber como alterar as opções e configurações. Ainda mais importante é saber que dados estão a ser libertados e como estes podem ser usados para identificar o utilizador em qualquer ponto da Internet.

Para ter acesso à informação que está a ser libertada e como o browser está configurado, existe uma ferramenta essencial. Foi criada pela Electronic Frontier Foundation e está acessível a todos de forma aberta.

Basta aceder ao site Cover Your Tracks e realizar o teste que está presente na página. Este vai aceder a um conjunto de links e avaliar toda a informação que é possível obter, que será registada de forma anónima e protegida. No final, existe uma avaliação do browser do utilizador.

Aqui dentro podem ver como o browser se comporta no acesso aos diferentes sites e com diferentes perfis. Existe ainda informação de como o utilizador se poderá proteger e modificar a configuração do seu navegador da Internet.

Esta é uma avaliação importante e que devem fazer para garantir que estão anónimos na Internet. Pode complementar outras avaliações importantes e que vã ser essenciais para a protecção e privacidade dos utilizadores.

Pplware
Autor: Pedro Simões
08 Jan 2023



 

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53: Aeroporto demonstrará quem manda no governo

 

🇵🇹 OPINIÃO

published in: 4 semanas 

Não há memória de uma decisão tão brutal e inusitada como aquela em que, sozinho, da sua coutada onírica, Pedro Nuno Santos (PNS) vinculou o país a dois aeroportos: Montijo e Alcochete. Note-se: não um. Dois. Numa responsabilidade pública de pelo menos oito mil milhões de euros.

Aquele dia marcou uma nova fase da vida pública do Portugal pós-Sócrates. Um ministro, chefe de facção do PS, coloca em acção a Geringonça II. Achando que tinha poder para isso. Passando por cima do primeiro-ministro. É obra.

Como se manteve PNS em funções desde essa altura é o único mistério. Não por acaso, António Costa tinha considerado, na entrevista de Dezembro à Visão, o “Aeroporto PNS” como o momento mais complexo que viveu ao longo de 2022. Porque tudo em PNS era “andar para a frente”.

Essa sobranceria levou a que, pela mesma altura, tenha achado irrelevante uma indemnização de 500 mil euros à gestora da TAP, Alexandra Reis, sem que isso a impedisse de ser presidente da NAV. Em que grupo privado alguém receberia 500 mil euros para passar de administradora despedida a presidente de outra empresa do mesmo patrão?

Agora, António Costa escolheu João Galamba para substituir PNS nas Infra-estruturas. Galamba responde ao primeiro-ministro ou a PNS? A pergunta parece absurda, mas já nada é impossível.

E por isso mesmo, a decisão sobre o aeroporto tem tudo para ser mais um ponto crítico em 2024, o tal ano Marcelo. É que, se não queria este ónus, Costa teria de ter escolhido uma figura nova e acima de suspeita para romper com as decisões pré-preparadas de PNS.

O aeroporto representa, assim, uma batalha política com três contendores: 1) a Esquerda PNS-Geringonça, da Margem Sul (sobretudo Alcochete) e para quem a dimensão do gigantesco investimento público é apenas um detalhe técnico; 2) a facção Portela-Montijo, da ANA-Vinci, tendo José Luís Arnaut como o pivô político que abre todas as portas; 3) a correr pela pista de fora, a solução Santarém, com o ex-líder da Cisco em Portugal, Carlos Brazão + o grupo Barraqueiro, cuja relação com o governo pode estar estragada por causa da TAP, mas cujo trunfo político passa pelos autarcas do Centro do país. (Não é de descartar que Alverca se transforme na tábua de salvação da Vinci para não perder o monopólio do hub de Lisboa).

Dado importante: a ANA-Vinci alertou que, afinal, não paga o novo aeroporto – seja Montijo, seja Alcochete. Serão as taxas aeroportuárias a suportar os mil milhões do Montijo. Mas será o Estado a pagar Alcochete praticamente na íntegra, porque não há taxas que cubram aeroporto + acessos (8 mil milhões).

Alverca tem um custo estimado de 500 milhões, suportado por taxas aeroportuárias. Santarém também anunciou não precisar de investimento público.

A diferença significativa nesta batalha é de que “Santarém” cria concorrência aeroportuária à Vinci. E isso vale muito: o actual monopólio dos aeroportos nacionais, vendido em pacote pelo Governo Passos Coelho, é uma máquina de fazer dinheiro.

Os franceses pagaram três mil milhões por 50 anos de concessão, em 2012, mas já lucraram perto de 1500 milhões em apenas 10 anos. E as taxas não param de subir.

A decisão do aeroporto mostrará se vence a ponderação do menor custo para o Estado, se o impacto ambiental também é tido em conta, ou se as guerras políticas dentro do PS e provavelmente no PSD, contam no momento decisivo.

Com uma dúvida extra: Marcelo deve arbitrar esta contenda? É todo o actual sistema que estará em causa na transparência desta escolha.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
08 Janeiro 2023 — 01:12



 

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