69: Moscovo nega combater Kiev, mas diz estar a destruir o seu exército

  • 3 semanas 
  • 5Minutes
  • 937Words
  • 17Views

 

🇷🇺 A RÚSSIA ☠️卐☠️ É UM ESTADO PÁRIA, TERRORISTA, ASSASSINO, LADRÃO, GENOCIDA, VIOLADOR 🇷🇺

🇺🇦 A UCRÂNIA É DOS UCRANIANOS 🇺🇦,
NÃO É DOS RUSSONAZIS
🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺

published in: 3 semanas 

O regime russo ora diz que não está a lutar contra os ucranianos, ora avança com números estratosféricos de danos causados às forças armadas de quem diz não combater.

Míssil russo atingiu um mercado em Shevchenkove, uma aldeia em Kharkiv.
© SERGEY BOBOK / AFP

Há uma realidade paralela na Rússia. Não é uma opinião, são factos: o governo prepara-se para criminalizar quem use mapas do país sem as regiões anexadas; o Ministério da Defesa continua a apregoar números irreais; e o secretário do Conselho de Segurança, no dia em que um míssil matou duas mulheres e feriu seis ucranianos num mercado de uma localidade na região de Kharkiv, afirmou que o que se passa é tão-só uma “experiência sangrenta do Ocidente para destruir o povo fraterno da Ucrânia”.

Há uma frase atribuída a Soljenítsin, mas escrita por Elena Gorokhova, que viveu na União Soviética antes de emigrar para os EUA, definidora da relação do poder soviético com a sociedade: “As regras são simples: eles mentem-nos, nós sabemos que estão a mentir, eles sabem que nós sabemos que estão a mentir, mas continuam a mentir à mesma e nós continuamos a fingir que acreditamos.”

O actual regime russo, que olha com saudosismo para o papel de super-potência da URSS, aparenta seguir o manual soviético descrito no livro de memórias de Gorokhova, A Mountain of Crumbs.

A dissonância com a realidade é tal que o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, se viu na contingência de afirmar que o Kremlin tem “plena confiança” nas informações prestadas pelo Ministério da Defesa.

No domingo, alegou que um “ataque em represália” ao bombardeamento de ano novo – que matou 89 soldados russos segundo Moscovo e cerca de 400 segundo Kiev – havia atingido Kramatorsk e eliminado 600 militares ucranianos.

Uma jornalista do New York Times visitou os locais atingidos – um edifício industrial e uma escola de formação profissional – pouco depois de os sete mísseis terem caído e não viu vestígios de baixas.

As autoridades ucranianas dizem que os danos limitaram-se aos edifícios daquela cidade da região de Donetsk.

Os aviões e helicópteros que o Ministério da Defesa russo diz ter destruído são mais do dobro do que aqueles que a Ucrânia possui.

No dia seguinte, o mesmo ministério fez um balanço dos danos provocados no exército ucraniano desde o início da “operação militar especial”. Segundo o tenente-general Igor Konashenkov, porta-voz da Defesa, a Rússia abateu 367 aviões de combate, 200 helicópteros, 2.856 veículos aéreos não tripulados, 400 sistemas de mísseis terra-ar, 7.460 tanques e outros veículos blindados de combate, 972 lançadores de foguetes múltiplos, 3.793 armas de artilharia e morteiros e 7.978 veículos motorizados militares.

Só para dar um exemplo dos dados inflacionados, a Ucrânia não tem sequer metade dos aviões e dos helicópteros que a Rússia diz ter destruído.

O site Oryx, que documenta os equipamentos destruídos de parte a parte com base em fotografias e vídeos, contabiliza 56 aviões e 28 helicópteros ucranianos destruídos ou capturados.

Enquanto o Ministério da Defesa diz ter esmagado o equipamento das forças armadas ucranianas, Nikolay Patrushev, tido como um dos conselheiros mais próximos de Vladimir Putin, nega que a Rússia esteja sequer a combater os ucranianos. “Os acontecimentos na Ucrânia não são um confronto entre Moscovo e Kiev.

É um confronto militar da NATO, primeiro que tudo dos EUA e do Reino Unido, com a Rússia. Temendo um envolvimento directo, os instrutores da NATO empurram os homens ucranianos para a morte certa”, afirmou em entrevista à agência estatal TASS.

Não satisfeito, Patrushev, que chefia a segurança da Rússia, voltou a repetir desinformação sobre uma alegada perseguição aos russófonos: “Milhões de pessoas estão proibidas de falar russo, a sua língua nativa, e forçadas a esquecer as suas origens.”

Quem vai ser forçado a usar mapas com as regiões anexadas são os cidadãos russos – caso contrário arriscam-se a multas e prisão, noticia a TASS.

Para já, o governo russo deu parecer positivo à iniciativa da Duma de equiparar a distribuição de mapas que não estejam em conformidade com as pretensões de “integridade territorial” do Kremlin a material extremista.

Nas últimas horas, Moscovo diz ter capturado uma localidade perto de Bakhmut, Bakhmutske, e renovou os ataques àquela cidade, bem como a Soledar.

Neste último caso, o dono do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, fez saber que o assalto é feito em exclusivo pelas suas tropas.

Além destas incursões, a Rússia atingiu nas últimas horas múltiplos civis, fosse num supermercado em Kherson (um morto e um ferido) ou num hospital em Mykolaiv (dez feridos), no sul; ou fosse a um mercado numa aldeia em Kharkiv (dois mortos e seis feridos), no norte; fosse ainda na localidade de Nevske, em Lugansk, onde foi reportado um número indeterminado de baixas entre civis.

cesar.avo@dn.pt

Diário de Notícias
César Avó
10 Janeiro 2023 — 00:12



 

 18 total views,  1 views today

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *