84: Quando perdem, viram a mesa

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🇵🇹 OPINIÃO

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Palácio do Planalto, Tribunal Supremo Federal e Congresso Nacional. No passado domingo, as três principais instituições democráticas do Brasil foram tomadas de assalto por apoiantes fanáticos do ex-presidente Jair Bolsonaro, inconformados com a sua derrota.

Tal como nos EUA, dois anos antes, não foi uma “manifestação espontânea”. Foi uma acção planeada (e financiada) por quem não aceitou os resultados das eleições, visando atacar as instituições e subverter a ordem constitucional.

A semelhança com o caso norte-americano, porém, não se reduz ao simples fenómeno de mimetismo. Tem causas bem mais profundas, que radicam na pulsão autoritária inerente aos movimentos de extrema-direita. É por isso, em particular, que não podemos desvalorizar estas manifestações violentas.

Nas democracias, os cidadãos expressam a sua opinião nas urnas e ganha quem tem mais votos. Os vencidos respeitam o resultado e passam o testemunho; os vencedores tomam posse e procuram executar o seu programa político. A natureza do sistema, portanto, é a vontade popular.

Vontade essa que Bolsonaro e Trump desrespeitaram com a sua ausência nas cerimónias de transição para os respectivos sucessores. Trump depois de instigar directamente a insurreição; Bolsonaro, mais discreto, depois de esgotar as vias obscuras para se manter no poder e fugir para a Florida, nos EUA.

Nesse sentido, o comportamento violento dos seus seguidores fanáticos tratou simplesmente de traduzir em actos concretos o discurso político de ataque à democracia representativa e às suas instituições.

Não tenhamos dúvidas: o ataque sistemático à política e aos políticos empreendido pelos populistas (como se eles próprios não fossem políticos) é, na sua génese, um ataque à democracia.

Porque quando se ataca a classe política, enquanto tal, como se fossem todos a mesma coisa – e não são -, como se fossem todos corruptos ou não quisessem outra coisa senão “tacho”, corrói-se a confiança no próprio sistema democrático. Que tem vícios, é certo, mas que devemos corrigir e não destruir.

É sobretudo por isso que tanto preocupam – em Portugal e pela Europa fora – os exemplos de partidos de centro-direita que vacilam perante os seus princípios e se aliam à extrema-direita para chegarem ao poder. Ficam reféns de partidos hostis a imigrantes e minorias, mas também intrinsecamente antidemocráticos.

Se alguma dúvida havia, os incidentes de domingo voltam a demonstrar que a normalização da extrema-direita e as coligações que com ela têm sido realizadas em vários países – Portugal, Espanha, Itália, Suécia – ultrapassam uma linha que jamais devia ter sido ultrapassada. Se há alguns anos havia quem anunciasse a vinda do diabo… afinal ele pode vir por outra porta.

5 valores
Rita Marques

Passar do governo para uma empresa sobre a qual tomou decisões não é apenas ilegal, é imoral.

Eurodeputado
(Partido Socialista)

Diário de Notícias
Pedro Marques
12 Janeiro 2023 — 00:21



 

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