160: Quem faz a escola é o professor

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– “… Afinal, por onde anda a sensibilidade social do Executivo socialista. Ou tudo isto não passa de uma questão de incompetência?

Na esfera civil, ou seja, dos contribuintes que alimentam o aparelho do Estado, a insensibilidade desta – e de anteriores – governanças, é simplesmente deplorável! Tudo junto – incompetência, insensibilidade, desconhecimento, favorecimentos, compadrios, etc. -, contribuem para que os que menos defesa têm no conjunto sócio-económico do País, tenham de sofrer todas as manobras menos claras dos políticos, não só dos que nos (des)governam, como nos que assentam o cu no Parlamento e contribuem para a mesma desgraça colectiva. Tudo o resto, não passa de conversa da treta… 💩

🇵🇹 OPINIÃO

published in: 2 semanas 

Não é difícil imaginar a vida de uma professora ou de um professor que habite em Lisboa e seja colocado numa escola em Cabeceiras de Basto.

Com um vencimento médio líquido de 1.600 euros, um docente terá de enfrentar despesas de deslocação, duas rendas de casa, o que fazer aos filhos se os tiver, e o afastamento do seu núcleo familiar.

É isto a que todos chamam de professor “com a casa às costas”, situação que ao fim de sete anos o governo promete agora (sempre as promessas tardias) resolver.

Foi preciso lenços brancos e uma manifestação que juntou várias dezenas de milhares de professores para o que Executivo despertasse para o problema da situação do docente e da escola, um dos pilares sociais mais importantes do Estado de Direito e a mais velha instituição da Humanidade.

Tal como acontece na saúde, o actual Executivo, durante anos, deixou ao abandono as questões da Educação, possibilitando a instalação do caos nas várias vertentes do modelo educacional.

Os professores ganham mal, estão sobrecarregados de tarefas burocráticas que não lhes deixam tempo livre para se dedicarem, convenientemente, aos seus alunos.

As escolas, ao longo dos anos, não viram criadas as condições para que nos seus quadros tivessem o número de professores que lhes possibilitasse enfrentar cada ano lectivo com tranquilidade.

Com a progressão nas suas carreiras congeladas durante nove anos, quatro meses e dezoito dias, os professores viram, pela segunda vez, fechar-se-lhes as portas para a recuperação desse tempo de serviço.

Primeiro, em Maio de 2019, quando o primeiro-ministro ameaçou demitir-se caso avançasse no Parlamento a alteração ao decreto governamental que ia possibilitar a contagem integral do tempo de serviço dos professores.

E agora, pela segunda vez, pelo voz de Fernando Medina, que não quer “fazer despesa estrutural” e, também, por António Costa que diz não poder resolver os problemas do passado, como se ele não fosse protagonista político desse mesmo passado.

Com três sindicatos lançados em greves de diferentes matizes o Executivo foi, finalmente, forçado a apresentar propostas para o que poderia e deveria ter feito vários anos atrás.

A criação de 63 zonas pedagógicas reduzirá para cerca de 50 Km a distância máxima para colocação de um professor, um dos elementos fundamentais para trazer algum conforto e operacionalidade na colocação dos professores.

Por agora, seguem as negociações que, temos esperança, cheguem a bom porto.

O professor é um dos protagonistas mais decisivos no desenvolvimento do país. A escola tem, actualmente, um papel vital na sociedade portuguesa.

Ela é decisiva para ajudar nas dificuldades que os pais, por vezes, enfrentam devido a empregos que lhes ocupam grande parte do dia, não lhes possibilitando dar a devida atenção aos filhos.

Os professores precisam, assim, de tranquilidade, vinculação em vez de precariedade, apoios nas deslocações para longe das suas residências, tempo para se dedicarem aos seus alunos.

Os professores são um eixo essencial na formação da personalidade dos mais jovens, onde está depositado o nosso futuro.

É lamentável que este governo não tenha na sua actuação uma aspiração reformista que dê prioridade ao que precisa de ser modernizado. Por vezes, nem tudo é apenas uma questão de dinheiro que sabemos escassear.

Muita coisa há a fazer no domínio da gestão, da reorganização, dos pequenos acertos pontuais, que tem sido descurado ao longo dos anos. O governo parece viver no torpor dos gabinetes ignorando os problemas que se vão acumulando.

É assim na educação. Tem sido assim na saúde. Afinal, por onde anda a sensibilidade social do Executivo socialista. Ou tudo isto não passa de uma questão de incompetência?

Jornalista

Diário de Notícias
António Capinha
20 Janeiro 2023 — 01:07



 

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