1072: Aeroporto: há novidades

OPINIÃO

Nenhuma conclusão substitui o estudo que o Governo mandou fazer sobre a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Mas há novas pistas, fruto do debate promovido pelo Conselho Económico e Social e o Público.

No quadro abaixo ficam alguns dos pontos fortes e fracos de cada projecto apresentados na terça-feira. As premissas da análise são estas:

IMPACTO NO AMBIENTE: não há tema mais crítico para a construção de um aeroporto em qualquer ponto do mundo. Olhando para as seis hipóteses em análise, talvez apenas Alverca (que já tem uma pista, numa área menos crítica do estuário) ou Santarém (numa zona menos sensível) escapem. Alcochete e Montijo são indubitavelmente as piores pelas consequências ecológicas em redor.

Manter a Portela tem um impacto pesado sobre os habitantes da capital – daí as dúvidas sobre se se deve diminuir a operação, ou pura e simplesmente acabar. Nem o presidente da Câmara, Carlos Moedas, consegue dizer qual escolhe…

CUSTO DE INVESTIMENTO: a grande novidade veio da Vinci-ANA. Afinal, não há aeroportos grátis, ao contrário do que António Costa deu a entender quanto ao Montijo. Ficou subentendido nas afirmações do líder da Vinci que ou a ANA paga o aeroporto com os lucros que não entrega ao Estado, ou o Estado paga tudo.

Só a melhoria da Portela fica por conta dos franceses (ou não?). Portanto, não é indiferente querermos um aeroporto + acessos cuja escala pode ir de 500 milhões (Alverca) até 8 mil milhões (Alcochete).

Não sendo certo, Santarém começou por assinalar mil milhões para a primeira fase, tal como o Montijo. Acessos já construídos: Alverca e Santarém são claramente os melhores.

ATÉ 30 MINUTOS DE LISBOA: este ponto é decisivo e não se mede em quilómetros, mas em tempo de acesso. A Portela é imbatível – já está na cidade. Alverca e Montijo estão mais perto, Alcochete, Ota e Santarém mais longe. No entanto, todas as soluções de transporte os colocam a 30 minutos da capital.

Mais: se a alta velocidade ficar no subterrâneo do aeroporto escolhido, não é por este critério que Santarém – o mais distante – fica de fora. E quanto ao resto das regiões em redor da capital? Em população abrangida, Santarém também é o que marca mais pontos neste item.

NAVEGAÇÃO AÉREA: o maior argumento contra Alverca sempre foi o de ter uma pista conflituante com a da Portela, mas a nova proposta traz até três pistas sem conflitos de tráfego. A presidente da autoridade de navegação aérea (NAV) confirmou essa plausibilidade na terça-feira.

Ora, se é assim, Alverca passa a ser uma hipótese muito próxima, barata e de impacto mais reduzido do que, por exemplo, Montijo – apesar de também estar no estuário e ambas terem contra si a questão das aves.

A Ota, com a serra da Montejunto a limitar a operação aérea, e os frequentes nevoeiros, sempre foi má hipótese. A Portela, com uma só pista, tem os problemas conhecidos. Santarém e Alcochete parecem ser os que têm menos limitações de expansão.

FUTURO: no estudo do professor de Coimbra, Pais Antunes, especialista em mobilidade, o crescimento do tráfego aéreo global até 2050 é de apenas 2 a 4%. Nas suas contas, a capital portuguesa só necessitaria de construir mais uma pista, além da actual.

Queremos um aeroporto que possa crescer muito mais? O ministro Pedro Nuno Santos não quer um futuro pequenino. Só que a vantagem deste processo é que qualquer solução só crescerá por fases e o dinheiro impõe a realidade. Alcochete, Ota, Santarém, mas até Alverca (ainda que mais limitada), têm espaço para crescer gradualmente. Se houver procura.

Conclusão: não perdemos 50 anos a adiar. Pura e simplesmente não tivemos capacidade de realizar mais endividamento para um enorme investimento público.

Entretanto, se levarmos o comboio de alta velocidade ao novo aeroporto, garantirmos um custo decente e gradual, e minimizarmos o impacto na capital pela chegada de aviões mais limpos, o tempo deu-nos uma melhor solução. E não destruímos nem o estuário do Tejo, nem a muralha de sobreiros e biodiversidade ambiental da margem Sul. Seria notável.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
04 Dezembro 2022 — 07:00



 

‘Gone with the wind’ (‘Foi com o vento’)

OPINIÃO

Atenas, na pandemia, andou livre de turistas, havendo espaço e vagar para a vermos na beleza antiga, graças a Zeus.

Entre as muitas maravilhas, a Torre dos Ventos, ou Horológio de Andrónico, do nome do seu erector, o astrónomo macedónio Andrónico de Cirro.

Construída por volta de 50 a.C., com doze metros de altura, todos inteirinhos em mármore, tem planta octognal, com cada um dos lados a representar uma divindade eólica: Bóreas, do norte, Kaikias, de nordeste, Eurus, de leste, Apeliotes, de sueste, Lips, de soeste, Zéfiro, de oeste, e Siroco, de noroeste. No interior, houve em tempos uma clepsidra, movida a água vinda da Acrópole, e no topo um cata-vento, naturalmente, pois era a Torre dos Ventos.

Ao início, o cata-vento de Atenas tinha no cimo uma enorme figura de bronze do Tritão, o deus do mar com cauda de peixe cujo tridente apontava para o nome do vento que o arejava, mas é possível, até provável, que mais tarde passasse a ostentar um galo, pois assim foi determinado no século IX, quando o Papa Nicolau I ordenou que os cata-ventos das igrejas e das abadias tivessem no topo um galináceo cantante, em alusão ao galo que cantou três vezes antes da aurora raiar e, sobretudo, à indecisão de São Pedro, que tanto jurava Cristo como O negava a pés juntos.

À semelhança do santo, também os cata-ventos viram para um lado e para outro, consoante o vento que levam ou trazem, não sendo essa, obviamente, a primeira nem a última associação entre os ventos e os deuses.

Na Grécia antiga, existiu, inclusive, a crença numa imaculada concepção eólica, pois dizia-se que Bóreas, o vento gelado setentrional, soprava com tal vigor que era capaz de engravidar as éguas que estivessem a pastar nos campos com os quartos traseiros virados para norte, e que assim eram fecundadas sem qualquer intervenção de um macho.

De resto, já os antigos egípcios acreditavam que não havia abutres machos, e que a fertilização das fêmeas se fazia pela força do vento, algo que Plínio aplicaria às perdizes, mas com uma nuance: segundo ele, existiam perdizes machos e fêmeas, mas estas engravidavam por um vento soprado pelos machos, não havendo, pois, qualquer contacto carnal, tese que, por seu turno, Virgílio aplicaria às éguas da Lusitânia.

Em árabe, a palavra para vento é ruh, que tanto pode significar “respiração” como “espírito” e em hebraico usa-se ruach, que também pode querer dizer “criação” ou “divindade”.

As antigas divindades helénicas do vento chamavam-se Anemoi, que deriva de anima, “alma”, e que por sua vez deu o nome às anémonas; e é também grega a palavra pneuma, que tanto poderia dizer “respiração”, como “sopro”, como “alma” ou “espírito”, abrangendo, portanto, desde os pneus dos automóveis até pneumologia, ramo dos estudos teológicos que se ocupa do Espírito Santo. Sem maçar muito com etimologias, diga-se tão-só que ventilação vem de ventus, obviamente, e que no inglês e no nórdico antigos se usavam as palavras windoge ou vindauge, ambas com o significado de “olho do vento”.

Das crenças e tradições ligadas ao vento, uma das mais belas que conheço é a dos moinhos ingleses, desde sempre foram usados como fonte de energia e tracção, mas também como sinal de aviso para o perigo próximo, seja um incêndio a galopar ao longe, seja a aproximação de um exército inimigo, seja, enfim, a aparição indesejada de um cobrador de impostos.

E a tradição era esta: quando morria um moleiro, tiravam-se as vinte de tábuas dos braços do moinho, e este permanecia silencioso e imóvel durante um tempo – dez, quinze, vinte dias, ou mais -, fazendo luto pelo seu dono (se fosse a mulher do moleiro, tiravam-se dezanove tábuas; num filho criança tiravam-se treze tábuas, na morte dos pais, onze tábuas; na morte do filho de um primo, uma tábua apenas).

Noutras paragens, muitas, acredita-se que os ventos são espíritos de gente que morreu recentemente e em várias culturas existe uma figura que serve de guardião dos ventos, como Éolo, na Grécia clássica, ou Feng Po Po, o deus do vento na sabedoria chinesa antiga, um ancião de barbas brancas e barrete azul, que consigo transporta um saco amarelo chamado “Mãe dos Ventos”, de onde vai libertando ventos em várias direcções.

Muitos povos índios da América, como os Iroqueses ou os Algonquinos, acreditavam que um deus maligno tinha os ventos aprisionados numa caverna, crença também partilhada pelos Batuk da Malásia ou pelos Maori da Nova Zelândia, numa comunhão universal de mitos e lendas que sempre surpreende e intriga, mas que talvez se explique por uma razão singela: nunca conseguimos ver um vento, mas apenas os seus efeitos, que ora surgem sob a forma de suaves brisas, ora de tempestades arrasadoras. A invisibilidade do vento e a volatilidade dos seus humores prestam-se, pois, e muito, a que os associemos aos deuses.

Os ventos são sempre masculinos, ou quase sempre, e há-os bons e maus (“de Espanha nem bom vento…”). Entre estes últimos, destaca-se o föhn, um vento quente e descendente dos Alpes, cujo nome vem do gótico fôn, que significa “fogo”, pois o föhn traz consigo um risco real de incêndio; ou o sirocco, um vento quente de Primavera, vindo do Saara, e que tem vários nomes, mas também o mistral, do latim magistralis, esse um sopro frio de noroeste, com rajadas que percorrem o Vale do Reno, e do qual já Estrabão dizia ser “um vento impetuoso e terrível”.

Se os Himalaias protegem a Índia das frentes frias mais vigorosas, a Itália está salvaguardada pelos Alpes e a Espanha pelos Pirenéus. Já a América Norte não tem uma cordilheira que bloqueie o fluxo para sul dos ventos frios setentrionais e, por vezes, uma maré de ar polar chega até ao Golfo do México.

Em contrapartida, no Canadá e a leste das Montanhas Rochosas há um vento bom, quente e seco, o chinook, considerado um “devorador de neve”, cujos uivos são prenúncio de que o Inverno acabou.

Ao que parece, a maior rajada de vento do mundo, produzida por um tornado, foi registada em 12 de Abril de 1934, no cume do Monte Washington, na cordilheira dos Apalaches, e atingiu a incrível velocidade de 370 quilómetros por hora. E o sítio mais ventoso do planeta é uma montanha na extremidade da Antárctida, onde há um vento constante, que sopra a 60 quilómetros por hora, todos os dias todas as noites do ano.

E que dizer da “Tornado Alley”, uma região que atravessa o Kansas, o Oklahoma e o Missouri, e de onde nascem cerca de 700 tornados por ano? Ou que pensar quando nos dizem que um furacão mediano precipita cerca de 20 000 milhões de água por dia, o equivalente em energia a 500 mil bombas atómicas? (o furacão Betsy, de 1965, é considerado o maior desastre natural da história dos EUA, tendo provocado prejuízos superiores a mil milhões de dólares).

Mais espantoso ainda é sabermos que o interior de um monstro desses – ou seja, o “olho” do furacão, com cerca de 20 quilómetros de diâmetro – é anormalmente calmo e sereno e muitas vezes está cheio de aves que tranquilamente rodopiam em seu seio.

Numa vertigem imparável, a intensidade e a violência das tempestades tem vindo a aumentar de forma assustadora: em Outubro de 2018, uma tempestade de vento e de chuva atingiu extensas zonas dos Alpes orientais, com rajadas de velocidade superior a 200km/hora, que destruíram dezenas de milhares de hectares de bosque.

Como mamíferos que andam erectos sobre uma base de sustentação reduzida (ou, se quisermos, sobre uma superfície que corresponde apenas a 2% de todo o nosso corpo), geralmente não gostamos dos ventos, desde logo por essa razão biológica elementar.

Dos poucos ventos que apreciamos, e que consideramos benignos, destacam-se as brisas de curta duração, suaves e refrescantes, ou moderadamente tépidas, como o imbat, que aflora as costas quentes da Tunísia; o datoo, que traz ar fresco da costa oeste do Atlântico através de Gibraltar; o vento de baixo de Portugal; o medina, de Cádis; o kapalihua, no Havai; ou o libeccio, que ameniza os escaldantes (e porquíssimos) Verões napolitanos.

Tudo quanto aqui é dito encontra-se num tratado completíssimo, Uma História Natural do Vento, do malogrado Lyall Watson, obra que a esclarecida editora Bazarov, de Arcozelo, deu à estampa em 2020, e que no final traz um exaustivo dicionário de todos os ventos que neste mundo existem.

Ali sabemos, entre tantas coisas, que as névoas e secas avermelhadas vindas do Saara (lembram-se delas, há poucos meses?) são transportadas em direcção aos pólos e pousam em sítios tão distantes como a Cornualha e Devon e produzem chuvas de lama tão vermelhas que por vezes são confundidas com sangue.

É fenómeno antigo: já Gregório de Tours dizia que, no ano 582 d.C., uma “chuva de sangue” aterrorizou de tal forma os habitantes de Paris que estes rasgaram as vestes em sinal de pânico.

E é fenómeno cíclico: em 1846, as sarjetas da Provença ficaram cheias de lama vermelha e, em 1859, na Alemanha, uma área de 30 mil quilómetros quadrados ficou toda coberta por um manto róseo, arenoso; em 1901, houve copiosas “chuvas de sangue” em Espanha e em Portugal e, em Abril de 1926, estima-se que a Europa tenha sido inundada por dois milhões de toneladas de lama do Saara, a qual voltou a atacar a Suíça, em 1936, e o Luxemburgo, em 1947.

Se dúvidas houvesse sobre a interacção entre clima e cultura humana, bastaria dizer que o nascimento de todas as civilizações primitivas ocorreu ao longo de uma isotérmica em que a temperatura média anual é de 20º C e, sempre que essa temperatura coincidia com uma humidade razoável e terra arável, florescia uma nova civilização com uma regularidade infalível. Assim foi com os egípcios, com os fenícios, com os assírios e com os babilónios, com os persas, com os chineses, com os aztecas, os maias e os incas.

Terá havido, sem dúvida, civilizações que despontaram e medraram em ambientes mais agrestes e a temperaturas mais baixas, mas só o fizeram depois de terem desenvolvido técnicas que lhes permitiram controlar os efeitos do clima e manter a temperatura na média amena de 20º C, não mais, não menos.

Aliás, muito do que lemos na Bíblia, mormente no Velho Testamento, mais não são do que narrativas sobre desastres climáticos e, segundo se crê, o registo mais antigo de um tornado foi feito pelo profeta Ezequiel, no ano 600 a.C., quando disse: “Então olhei e contemplei uma terrível tempestade que se aproximava vinda do Norte: uma nuvem enorme, com relâmpagos e raios intensos, cercada por forte luz brilhante.

O centro do fogo parecia metal reluzente” (e para quem julgue que a Bíblia é um livro sensaborão, atente-se no versículo hard core de Ezequiel 23:20, “desejou ardentemente os seus amantes, cujos membros eram com os de jumentos e cuja ejaculação era como a dos cavalos”).

O clima e os ventos foram de tal forma importantes para dominar o mundo que em torno deles sempre existiram mistérios e ocultações. Os marinheiros árabes guardavam ciosamente os seus segredos dos ventos, pois aqui residia o senhorio das costas de África e do Golfo Pérsico, numa área que se estendia pelo Mar Vermelho e pelo Índico adentro, até aos ricos domínios de Oriente, que Alexandre tentou em vão conquistar, mas que só seriam abertos pela intrepidez do nosso camarada Vasco, o da Gama.

Foram os ventos alísios, de resto, que favoreceram o achamento do Brasil e, como nota Lyall Watson, é essa “propensão para oeste” dos alísios, que persistiu até aos dias das grandes embarcações de aço do início do século XX, que explica, em larga medida, o superior desenvolvimento do Brasil, em contraste com a estagnação e o esquecimento a que Angola foi votada.

Ao longo da História, o curso de muitas batalhas foi determinado pelos ventos, ou ajudado por eles, como sucedeu com a derrota da Invencível Armada, em 1588, e, três séculos antes, em 1281, com a destruição da frota de Kublai Khan pelos shimpu, os “ventos divinos” que protegeram o Japão dos invasores mongóis (ainda hoje se encontram destroços dos navios do Khan nas costas de Takashima), para não falarmos do triunfo de Temístocles sobre Xerxes, em Salamina: se os gregos não tivessem vencido os persas, não teria existido o século de Péricles, as esculturas de Praxiteles, a democracia ateniense, a filosofia de Platão e de Sócrates e, no fundo, toda a civilização ocidental, tal como a conhecemos e vivemos. É grande o poder do vento.

Não admira, assim, que os homens desde sempre tenham tentado dominá-lo. No Árctico canadiano, quando o vento soprava semanas a fio, impedindo os inuítes de saírem para caçar, estes faziam longos chicotes com algas marinhas e açoitavam o ar, gritando “Taba! Já chega!”.

Na Gronelândia, escolhia-se uma mulher que tivesse dado à luz recentemente e que se dirigia para a tempestade, enchia os pulmões de ar e regressava para casa com os ventos cativos no interior do seu corpo.

Nos Xhosa da África do Sul, um sacerdote cuspia uma poção na direcção do vento, para que este serenasse, e, na Índia, homens santos enfrentavam as tempestades sozinhos, munidos de um bastão e de uma tocha flamejante.

Na antiga Gália, venerava-se uma sacerdotisa, a barbagouin, que tinha o poder de gerar ventos e, no século XIX, Walter Scott ainda encontrou várias “bruxas dos ventos” na ilha de Man, havendo mulheres nas Shetland que vendiam ventos sob a forma de lenços atados.

Hoje, pouco resta dos moinhos de vento que pontuaram os cumes da Europa e que se calavam à morte dos seus moleiros. Chegaram a ser mais de 18 mil só na Alemanha, sete mil entre Portugal e Espanha, dez mil na Inglaterra, outros tantos na Holanda. Vemo-los agora sob novas vestes, as das eólicas que desfiguram a paisagem, mas que tão necessárias são para nos livrarmos das energias fósseis.

No recente A Planta do Mundo – Aventuras de Plantas e Pessoas (Pergaminho, 2022), diz-nos Stefano Mancuso que a principal adversidade com que as árvores se debatem, pelo menos na Europa, é o vento, ao qual se devem mais de 50% dos danos sofridos pelos nossos bosques, os quais são ameaçados não apenas pelos incêndios (apenas 16% dos danos), nem pelos elementos patogénicos ou pelos insectos, mas simplesmente por acção eólica.

As perdas de árvores causadas pelo vento não cessam de crescer desde os anos 1950 e duplicaram de 1970 a 2010, passando de cerca de 50 milhões a 100 milhões de metros cúbicos. Desse modo, reduz-se em cerca de 30% a capacidade de fixação do CO² nas áreas afectadas por este massacre ventoso.

E, numa vertigem imparável, a intensidade e a violência das tempestades tem vindo a aumentar de forma assustadora: em Outubro de 2018, uma tempestade de vento e de chuva atingiu extensas zonas dos Alpes orientais, com rajadas de velocidade superior a 200km/hora, que destruíram dezenas de milhares de hectares de bosque.

Desde há muito que se sabe que a deflorestação aumenta exponencialmente o poder destruidor dos ventos. Há quem diga, inclusivamente, que o mistral teve origem no abate em massa das árvores das Cevenas, perpetrado nos tempos do imperador Augusto.

Subitamente desnudado, o bosque impenetrável deu lugar a uma paisagem desolada, feita de calhaus e de arbustos, que Robert Louis Stevenson, montado num burro, descreveu admiravelmente em Os Prazeres dos Lugares Inóspitos (Relógio D”Água, 2016).

Talvez seja exagero atribuir a origem de um vento à acção de um só homem, mesmo que imperador de Roma, mas o facto é que abundam exemplos, tristes exemplos, em que a imprevidência e a avidez humanas potenciaram brutalmente o poder destruidor dos ventos.

Num livro acabado de sair, As Últimas Colheitas (Vogais, Outubro de 2022), um relato demolidor dos efeitos da agricultura intensiva sobre as alterações climáticas, Philip Lymbery fala-nos da chegada em massa, nos anos 1920, de novos colonos às Grandes Planícies americanas, atraídos pelas promessas de prosperidade feitas pelos poderes públicos, por grupos económicos e por especuladores.

Encorajados pelos preços elevados dos cereais a seguir à Primeira Guerra, milhares ou milhões de famílias precipitaram-se então sobre a terra virgem. O Departamento Federal dos Solos garantia que aquele era “o único recurso que não pode ser esgotado, não pode ser gasto”.

Na década de 1920, naquilo que ficou conhecido como “a grande lavra”, foram revolvidos, destruídos, milhões de hectares de cobertura de erva, para em sua substituição se plantar trigo numa escala nunca vista, com o auxílio de máquinas e tractores. No imediato, a produção disparou 300%, houve excedentes colossais de cereais e, logo, uma abrupta queda de preços.

Os agricultores viram-se então no dilema de diminuírem a produção para manter os preços em alta ou de a aumentarem ainda mais, optando por esta última solução, que veio a revelar-se desastrosa. Enquanto continuavam a lavrar cega e incessantemente, vieram oito anos de seca, instalou-se a aridez, e, como nos conta Philip Lymbery, a ausência de chuvas implicou que as plantas recém-cultivadas não conseguiram crescer, deixando o solo exposto.

Os campos outrora verdes acabaram por secar. Os preços caíram mais, ainda mais, milhares de agricultores entraram em falência, milhões de hectares de antigo prado ficaram despidos, expostos aos ventos que sopravam ferozmente sobre a terra seca e poeirenta, levando a que grandes extensões se fendessem e separassem, uma dor de alma.

Então ergueram-se grandes ventos, começaram as tempestades de poeira. Em alguns locais, as nuvens de pó e terra seca chegavam aos três quilómetros de altura, ofuscando a luz do sol, cobrindo campos e cidades de um manto denso, acastanhado, impedindo as pessoas de saírem sequer à rua.

O Dust Bowl, nome por que ficou conhecido, devastou, como uma praga bíblica, o oeste do Kansas, o leste do Colorado, o nordeste do Novo México e zonas enclave do Oklahoma e do Texas.

Estima-se que, em 1934, 40 milhões de terra agrícola tenham perdido a totalidade ou a maior parte do seu solo arável para os ventos. Em certas localidades, a poeira matou 90% das galinhas, as vacas deixaram de dar leite, o gado solto no pasto ficou cego, com os olhos como que colados.

Cerca de dois milhões de pessoas abandonaram os estados da Dust Bowl na década de 1930, um êxodo terrível que seria narrado por John Steinbeck em As Vinhas da Ira e captado em imagens cruciantes de fotógrafos como Walker Evans, Dorothea Lange, Russell Lee ou Arthur Rothstein.

No rescaldo das tempestades, surgiram as lebres famintas. Os agricultores tinham matado os coiotes, o que agravou a praga dos coelhos bravos, que agora competiam com os humanos pelo pouco que restava no solo.

As comunidades organizaram então batidas impiedosas, em que os coelhos eram encaminhados para enormes redis e aí açoitados até à morte com bastões e mocas, numa orgia de sangue e dor.

Ainda hoje há quem não consiga esquecer os berros lancinantes de milhares de coelhos massacrados, o barulho ensurdecedor que faziam enquanto eram mortos à paulada por homens, por mulheres, por crianças.

O Dust Bowl e os seus ventos foram um trágico exemplo, mais um, daquilo a que podem conduzir a cupidez e a estupidez humanas. Estupidez que ainda hoje em dia persiste naqueles que ainda teimam em negar as alterações climáticas e a sua origem humana.

Alguns, por ignorância ou má-fé, vão ao ponto de invocar a História e convocar o passado, com isso pretendendo dizer que outrora também houve mudanças do clima, pelo que as de hoje não serão certamente diferentes, seja na sua gravidade e alcance, seja na ausência de responsabilidade humana na sua génese.

Há um par de meses, um terço do Paquistão ficou submerso pelas cheias, que causaram de imediato 800 vítimas mortais, esperando-se muitas mais, devido às epidemias e às doenças. António Guterres afirmou nunca ter visto uma “carnificina climática” semelhante.

Por cá, perante uma tragédia daquelas, alguns imbecis (sem surpresa, os mesmos imbecis que questionam os confinamentos e as vacinas da Covid, que salvaram 19,8 milhões de vidas) não acharam melhor do que caricaturar Guterres e os seus insistentes alertas, alertas que, note-se, são partilhados de forma esmagadora pela comunidade científica: um estudo de 2021, publicado na revista Environmental Research Letters, concluiu que 99% dos trabalhos publicados sobre a matéria reconhecem que as actuais alterações climáticas têm origem humana.

De um lado, 99% de cientistas; do outro, 1% de idiotas. Parole al vento, dizem os italianos. E nós também.

Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia.

Diário de Notícias
António Araújo
04 Dezembro 2022 — 07:00



 

1070: É estupidamente fácil ganhar a III Guerra Mundial, não era?

III GUERRA MUNDIAL // INTERNET // ANÁLISES

Graças à nossa dependência da Internet e tendo em conta que estamos numa época de guerras cibernéticas, uma possível Terceira Guerra Mundial seria “estupidamente fácil de ganhar”.

(dr) Policy Exchange
Submarino militar nas proximidades de um cabo submarino de comunicações

Ganhar uma eventual III Guerra Mundial seria estupidamente fácil: bastaria cortar a Internet ao mundo.

E se há país bem colocado para o fazer, mantendo a sua própria Internet “local” a funcionar, é a Rússia, que em 2019 se desligou, com sucesso, da internet mundial.

O impacto de um apagão mundial da Internet seria catastrófico para a humanidade e lançaria o pânico em todo o planeta, assegurou a semana passada Esther Paniagua, autora do livro Error 404 em entrevista à BBC.

Tal apagão mundial poderia ser facilmente causado por um ataque de hackers que provocasse uma disrupção dos protocolos de comunicação em que se baseia a Internet, diz a autora.

Mas Paniagua tem outra preocupação: a fragilidade dos gigantescos cabos submarinos que ligam continentes, através dos quais flui a maior parte da informação que circula na Internet.

Assim, na eventualidade de uma III Guerra Mundial, um país que tivesse interesse táctico num apagão mundial poderia atacar estes cabos, provocando graves perturbações no fluxo de informação em todo o mundo.

O analista Steve Weintz explicou em 2018 no  The National Interest que bastaria cortar os cabos de fibra óptica que passam pelo fundo do oceano para causar uma séria destruição nas comunidades inimigas.

A maioria dos dados são transferidos através destes cabos de fibra submarinos, explica o autor, apontando que, na realidade, só uma pequena parte dos dados passa pelos sistemas de satélite.

Para exemplificar os efeitos devastadores recorrentes da perda da Internet e das demais comunicações, o colunista menciona um acontecimento nas ilhas Marianas, no oceano Pacífico. Naquela altura, uma queda acidental de rochas rompeu o único cabo de fibra óptica que conectava o arquipélago com a rede internacional.

Como consequência, todos o voos foram cancelados, os terminais multibanco não funcionavam nos estabelecimentos e não havia qualquer conexão via Internet ou telemóvel.

Posteriormente, um navio especializado em Taiwan reparou o cabo, mas o incidente mostrou os inúmeros problemas que uma perda de conexão pode causar.

Por tudo isto, Weintz está convencido de que, em caso de um conflito, um dos lados pode vencer o inimigo cortando os cabos de alta velocidade. Esta ruptura pode ser feita nas profundezas no mar ou nos lugares onde estes cabos passam na costa, tornando-os assim especialmente vulneráveis.

Telegeography.com / Asia Times
Mapa da rede mundial de cabos submarinos de telecomunicações

Segundo o colunista, para fazer o corte apenas são necessários submarinos que cheguem às profundezas do oceano. E nesse aspecto, a União Soviética trabalhou arduamente para desenvolver a sua capacidade de desenvolver operações em águas profundas. Consequentemente, a Rússia herdou as suas conquistas.

Steve Weintz nota que a Rússia tem a maior frota de águas profundas do mundo. “Juntamente com a sua crescente frota de resgate submarino e forças especiais marítimas, a Rússia agora tem uma capacidade de guerra submarina híbrida muito poderosa”, concluiu.

Não é a primeira vez que uma suposta ameaça russa aos cabos de Internet é discutida. No entanto, e apesar das declarações alarmistas, os especialistas em comunicações dizem que a possibilidade disto acontecer acaba por ser muito menos aterrorizante do que o imaginário militar.

Cortar cabos submarinos parece ser assim uma forma estupidamente simples de ganhar uma Guerra Mundial. Ou assim parecia, em 2018.

Recentemente, um novo agente entrou em campo nos jogos de guerra: a Starlink. Em 2020, a empresa de Elon Musk lançou os primeiros dos seus 42 mil satélites — com os quais construiu uma rede capaz de fornecer acesso por satélite à Internet em qualquer parte do mundo.

O objectivo da Starlink é comercial — é mais um fornecedor de acesso à Internet, a competir no mercado com uma oferta diferenciada das tradicionais plataformas baseadas em comunicações terrestres.

Mas a verdade é que a sua rede de satélites tem aplicações militares óbvias — como acaba de o provar a Ucrânia, que, em plena guerra com a Rússia, dispunha do “melhor e mais resistente serviço de Internet“.

Além de ajudar o país a manter as comunicações e o contacto com o mundo exterior, a Starlink ajudou também os drones ucranianos a atingir e destruir tanques russos.

Assim, actualmente, ganhar uma III Guerra Mundial poderia não ser tão simples quanto parecia há uns anos. Além de cortar os cabos submarinos, seria necessário deitar abaixo os satélites de Elon Musk.

No que parece ser uma resposta à intervenção da Starlink na Guerra da Ucrânia, a Rússia lançou recentemente o Projecto Kalina, uma arma laser anti-satélite gigante que estará a ser construída perto do radiotelescópio RATAN-600, em Zelenchukskaya, na zona sudoeste do país.

Mas isso parece não preocupar Elon Musk — que garante que a sua empresa consegue colocar satélites em órbita mais rapidamente do que um adversário os poderia derrubar.

Sim, era estupidamente fácil ganhar a III Guerra Mundial…

ZAP //
4 Dezembro, 2022



 

1069: E se estivermos mesmo sozinhos no Universo?

CIÊNCIA/ UNIVERSO

Pelo menos uma vez, olhou para o céu nocturno e fez a mesma pergunta de longa data que todos nós fizemos pelo menos uma vez: “Estamos sozinhos?”

Free-Photos / Pixabay

Com todos esses pontos de luz lá fora, não podemos ser os únicos seres inteligentes no Universo, certo? Deve haver pelo menos uma civilização tecnológica além de nós na grande vastidão que chamamos de cosmos.

O astrónomo Carl Sagan ficou famoso pela sua citação no seu livro e filme, Contacto: “O Universo é um lugar muito grande. Se formos apenas nós, parece uma terrível perda de espaço.

No entanto, para alguns de nós, é incrivelmente difícil entender que somos apenas nós no vasto desconhecido cheio de tantas estrelas e uma lista crescente de exoplanetas que são descobertos quase diariamente. No entanto, apesar de todas as nossas buscas sem fim, até agora não encontramos ninguém”.

Então, e se descobríssemos um dia que somos apenas nós? E se no grande cosmos, de todos os planetas, estrelas e galáxias, estivermos realmente sozinhos? Como olharíamos para o universo? Para a Humanidade? Para nós mesmos?

Acreditaríamos? Pararíamos de olhar para as estrelas completamente? Iríamos sentir-nos desapontados por estarmos sozinhos ou sentiríamos uma sensação de optimismo sabendo que a pergunta de longa data finalmente foi respondida de uma vez por todas?

O filme, Ad Astra, mostrou Roy McBride interpretado por Brad Pitt em busca do seu pai, H. Clifford McBride, interpretado por Tommy Lee Jones, o último dos quais estava numa missão em Neptuno em busca de vida inteligente.

No final, Brad encontra o seu pai sozinho na estação espacial na órbita de Neptuno, apenas para descobrir que seu pai não encontrou nada. Nenhuma vida inteligente em qualquer lugar do Universo. Somos só nós.

Ao longo do filme, Roy lutou para se reconectar com o seu pai e o seu pai estava a lutar para se conectar com o Universo, e isso serve apenas como uma analogia apropriada para nossa própria busca de responder à pergunta de longa data.

A certa altura, quando está em Marte, Roy pergunta-se a respeito de seu pai: “Não sei se espero encontrá-lo ou livrar-me dele”. Na nossa própria busca para tentar responder à pergunta de longa data, e se não estivermos à espera de encontrar vida inteligente, mas a tentar livrar-nos de saber se existe vida inteligente?

No final, quando Clifford dececionantemente diz ao seu filho que não há mais ninguém no Universo e que falhou na sua missão, Roy não responde com raiva ou decepção, mas com optimismo, dizendo a seu pai distante com um sorriso: “Pai, você não tem. Agora nós sabemos. Somos tudo o que temos.

Naquele momento, foi como se o peso literal do Universo tivesse sido tirado dos ombros de Roy sabendo que éramos só nós. Depois de Roy infelizmente deixar o seu pai para morrer no vazio, observa que mal pode esperar pelo dia em que a sua solidão terminará, e o filme termina com ele a reconectar-se com a sua esposa.

Embora Roy se tenha sentido quase aliviado por finalmente saber a resposta para a pergunta de longa data, é importante perguntar se nós nos sentiríamos da mesma maneira. Porque, apesar de todas as esperanças de encontrarmos vida inteligente em outro lugar do Universo, devemos enfrentar a possibilidade real de sermos. É só nós, e para onde vamos a partir daqui?

Nós estamos sozinhos no Universo? Talvez nós realmente estejamos.

ZAP // Universe Today
4 Dezembro, 2022




 

1068: “Médico do rabo” explica porque não devemos usar papel higiénico

SAÚDE PESSOAL // PAPEL HIGIÉNICO

Brad Morris, conhecido nas redes sociais como “o médico do rabo” explica porque é que você não devia usar papel higiénico.

Kev Bation / Unsplash

Conhecido como “o médico do rabo” [The Butt Doctor] nas redes sociais, Brad Morris visa acabar com o estigma em torno da saúde anorretal e do cólon. Em declarações no podcast “I’ve Got News For You”, do site news.com.au, o especialista explica porque é que não é um fã de papel higiénico.

Morris diz que limpar “muito vigorosamente” depois de usar a sanita pode levar a muitos problemas.

“A maioria dos problemas que vejo na pele à volta do ânus deve-se ao excesso de tentativas de higiene, e muito raramente é devido a uma higiene insensível. É uma área muito sensível”, disse Morris ao apresentador Andrew Bucklow.

O médico australiano respondia a uma pergunta de um ouvinte, que o questionava sobre se limpar o rabo com muita força poderia ser perigoso.

“Não entendo porque é que usamos papel higiénico para nos limparmos”, refere Morris. Se, por exemplo, nos sujássemos noutra parte do corpo qualquer, não nos limparíamos com papel higiénico.

“Acho que precisamos repensar culturalmente o que fazemos, e talvez olhar para bidés e usar água para lavar”, já que esfregar demasiado pode “traumatizar a pele”, acrescenta.

Se já alguma vez reparou que passa demasiado tempo a limpar, talvez isso seja um sinal de que não é a melhor forma de o fazer, argumenta o médico.

Morris alerta ainda as pessoas que passam demasiado tempo na casa de banho, nomeadamente agarrados ao telemóvel, nas redes sociais. O especialista sugere que coisas como esta mantêm-no em negócio.

O ideal são cerca de “dois a três minutos sem esforço, sem pressa […], mas permitindo que aconteça de maneira eficiente e rápida”.

Ficar sentado por muito tempo significa que “você está predispor-se a problemas com o canal anal”, podendo causar “problemas de longo prazo em alguns músculos” e afectando “a capacidade de fazer cocó com eficiência para sempre”.

ZAP //
3 Dezembro, 2022



 

1067: Itália vai construir satélites para monitorizar desastres naturais

– Com tantos satélites em órbita, não tarda deixamos de ver o Sol, a Lua e os planetas visíveis! É como se fosse um chapéu de chuva… E mal estão os astrónomos que já protestam pelos que existem e prejudicam as suas observações!

🇮🇹 ITÁLIA // SATÉLITES // DESASTRES NATURAIS

A Itália assinou este sábado os primeiros contratos para a construção de cerca de 50 satélites. Estes satélites irão servir para prever catástrofes ambientais e analisar possíveis riscos hidro-geológicos. O projecto IRIDE (íris, em português) está inserido no âmbito do programa europeu de observação da Terra.

O projecto de satélites terá um prazo de execução de cinco anos.

Acordo prevê construção inicial de 22 satélites

A Agência Espacial Europeia (ESA), que apoia este programa, em conjunto com a Agência Espacial Italiana (ASI), revelou esta novidade da Itália em construir satélites europeus para monitorizar desastres naturais.

O acordo, com um valor de 68 milhões de euros e que prevê a construção inicial de 22 satélites, foi assinado hoje entre representantes da ESA e das empresas italianas Argotec e Ohb.

Segundo comunicado da ESA, publicado pela Efe, o IRIDE vai funcionar como uma “constelação” de satélites que irá apoiar as instituições europeias e os serviços de protecção civil na luta contra a “instabilidade hidro-geológica e os incêndios”, ajudando também “a proteger o litoral, a vigiar as infra-estruturas críticas, a qualidade do ar e as condições meteorológicas”.

O projecto global, com um custo de 1,3 mil milhões de euros financiados pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência italiano, irá suportar a produção de cerca de 50 satélites de diferentes tipos e tamanhos, que irão gerar uma grande variedade de dados e imagens terrestres.

Segundo a ESA, prevê-se que os primeiros satélites do IRIDE sejam lançados para o espaço em 2025 e comecem a enviar informação sobre a Terra em 2026, podendo ajudar a tomar as mais diversas acções.. Há mais informações sobre este projecto aqui.

Além deste projecto, o Programa Copernicus da ESA, que conta com os satélites Sentinel-3 A e B, tem vindo a monitorizar fogos e incêndios em todo o mundo.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
03 Dez 2022



 

1066: Iluminação de Natal em Lisboa arranca oficialmente segunda-feira

🇵🇹 LISBOA // ILUMINAÇÃO NATAL

As iluminações de Natal este ano estarão com um horário reduzido, decisão da Câmara Municipal de Lisboa para garantir poupanças de 50% no consumo de energia.

© Gerardo Santos / Global Imagens

O arranque oficial das iluminações de Natal em Lisboa está marcado para esta segunda-feira, dia 5 de Dezembro, às 19h na Praça do Comércio. O evento irá contar com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e a União de Associações de Comércio e Serviços.

As iluminações de Natal este ano estarão com um horário reduzido, decisão da Câmara Municipal de Lisboa para garantir poupanças de 50% no consumo de energia. As luzes vão estar nos habituais locais da cidade, mas com recurso a lâmpadas de baixo consumo com tecnologia LED”.

Segundo o comunicado enviado às redacções, a CML “já tinha informado que as tradicionais iluminações de Natal em Lisboa só iriam entrar em funcionamento mais tarde do que o habitual, e decidiu também reduzir o período em que as mesmas estarão em funcionamento”

“A poupança dos recursos do planeta é algo que nos preocupa verdadeiramente. E com isso em mente procuramos sempre optar por garantias na utilização das mais recentes técnicas de poupança”, lê-se em comunicado da CML, acrescentado ainda que as iluminações “têm sido um dos pontos altos de estímulo ao comércio em Lisboa e constituem uma tradição fortemente enraizada por todos”.

As luzes vão estar acesas das 18h às 23h de domingo a quinta-feira. Sextas e sábado as luzes vão estar ligadas até à meia-noite. Na noite de Natal e de passagem de ano ficarão ligadas até à 1 da manhã.

Diário de Notícias
DN
03 Dezembro 2022 — 16:18



 

1065: A Minha Cozinha

Caçarola de Tiras de Frango com Cogumelos e Natas

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Ingredientes:

– 400 g de tiras de frango (Strogonoff)
– 250 g de macarrão riscado
– 100 g de cebola em cubos
– 1 dente de alho
– 200 g de cogumelos laminados
– 200 ml de Creme Vegetal de soja
– azeite extra-virgem q.b.
– 1 dl de vinho branco
– alecrim, manjericão, cominhos q.b.
– tempero de alho e pimentão doce q.b.
– noz-moscada moída q.b.
– pimenta preta q.b.
– 1 col. de sopa de molho de soja
– sumo de limão q.b.
– flor de sal q.b.

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Preparação:

01.- Tempere as tiras de frango com a quantidade desejada de flor de sal, alecrim, manjericão, tempero de alho e pimentão doce, molho de soja, pimenta preta e reserve no frigorífico até à confecção. Num tacho ao lume, com um fio de azeite, coloque a cebola e o alho, deixe alourar enquanto coze a massa temperada com um cubo para massas, um fio de azeite até ficar al dente, não muito cozida.

02.- Junte ao refogado do tacho as tiras de frango e deixe cozinhar até estarem tenras. Adicione o vinho branco e deixe evaporar completamente.

03.- Tempere com uma pitada de flor de sal, cominhos, adicione os cogumelos e deixe cozinhar até os cogumelos ficarem macios. Por fim, junte um pouco de noz-moscada moída e as natas de soja e deixe engrossar um pouco.

04.- Escorra a massa e misture-a com o preparado da carne. Para finalizar, tempere com o sumo de limão e sirva de imediato, com uma salada simples.

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03.12.2022



 

1064: Uma questão de “segurança nacional”. Director do FBI alerta para riscos do uso do TikTok

🇺🇸 EUA // SEGURANÇA // TIK-TOK // 🇨🇳 CHINA

O responsável do FBI também destacou que a China pode utilizar a rede social de partilha de vídeos para recolher dados dos seus utilizadores, que podem ser usados para operações de espionagem.

solen-feyissa / Flickr

O director do FBI, Chris Wray, manifestou hoje preocupações de segurança nacional em relação ao TikTok, alertando que o controlo da famosa rede social pertence a um Governo chinês que não partilha os mesmos valores dos Estados Unidos.

Wray realçou que a polícia federal norte-americana está preocupada com o facto de os chineses terem a capacidade de controlar o algoritmo de recomendação da aplicação, o que lhes permite “manipular o conteúdo e, se quiserem, utilizá-lo para influenciar operações”.

O responsável do FBI também destacou que a China pode utilizar a rede social de partilha de vídeos para recolher dados dos seus utilizadores, que podem ser usados para operações de espionagem.

“Todas estas coisas estão nas mãos de um Governo que não partilha os nossos valores e que tem uma missão que está em desacordo com o que é do melhor interesse dos Estados Unidos.

Isso deve-nos preocupar”, sublinhou Wray durante uma audiência na Escola de Políticas Públicas Gerald R. Ford, da Universidade de Michigan.

Estas preocupações são semelhantes às que o director do FBI tinha levantado durante as aparições no Congresso norte-americano em Novembro, quando a questão foi levantada.

O TikTok é propriedade da ByteDance, com sede em Pequim. Um porta-voz desta rede social não respondeu imediatamente a estas declarações, noticiou a agência Associated Press (AP).

Em Setembro, durante uma audiência no Senado, a directora de operações da TikTok, Vanessa Pappas, garantiu que a empresa protege todos os dados de utilizadores norte-americanos e que as autoridades ligadas ao Governo chinês não têm acesso a estes. “Nunca partilharemos dados, ponto final”, vincou Pappas.

Preocupado com a influência da China sobre o TikTok, o Governo de Donald Trump ameaçou em 2020 proibir a aplicação nos EUA e pressionou a ByteDance a vender o TikTok a uma empresa norte-americana.

As autoridades dos EUA e a empresa estão agora em negociações sobre um possível acordo que resolveria as preocupações de segurança dos norte-americanos, um processo que Wray disse estar a decorrer em agências do Governo dos EUA, liderado por Joe Biden.

Lusa // ZAP
3 Dezembro, 2022



 

1063: A detecção mais distante de um buraco negro a engolir uma estrela

CIÊNCIA // ASTRONOMIA // BURACOS NEGROS

Esta imagem artística ilustra como é que uma estrela que se aproxima demasiado de um buraco negro fica “espremida” pela enorme atracção gravitacional deste objecto. Algum do material estelar é puxado e roda em torno do buraco negro, formando o disco que podemos ver nesta imagem. Em alguns casos raros como este, jactos de matéria e radiação são lançados a partir dos pólos do buraco negro. No caso de AT2022cmc, foram detectadas evidências de jactos por vários telescópios, incluindo o VLT, que determinou que este é o exemplo mais distante de um tal evento.
Crédito: ESO/M.Kornmesser

No início deste ano, o VLT (Very Large Telescope) do ESO recebeu um alerta após uma fonte de luz visível invulgar ter sido detectada por um telescópio de rastreio.

O VLT, juntamente com outros telescópios, foi rapidamente apontado na direcção desta fonte: um buraco negro super-massivo numa galáxia distante que tinha “devorado” uma estrela, expelindo os restos da “refeição” sob a forma de um jacto.

O VLT determinou que este era o exemplo mais distante de um tal evento observado até à data. Uma vez que o jacto aponta praticamente na nossa direcção, esta é também a primeira vez que foi descoberto no visível, demonstrando-se assim uma nova maneira de detectar estes eventos extremos.

As estrelas que se aproximam demasiado de um buraco negro são destruídas pelas enormes forças de maré deste objecto, num fenómeno a que se chama evento de perturbação de marés. Cerca de 1% destes eventos dão origem a jactos de plasma e radiação que são ejectados a partir dos pólos do buraco negro em rotação.

Em 1971, o pioneiro dos buracos negros, John Wheeler definiu o conceito de perturbação de marés com jactos como “um tubo de pasta de dentes apertado no meio com toda a força,” fazendo com que o sistema “esguiche matéria pelas duas pontas”.

“Até agora observámos apenas uma mão cheia deste tipo de eventos que permanecem, por isso, mal compreendidos e são bastante exóticos,” disse Nial Tanvir, da Universidade de Leicester no Reino Unido, que liderou as observações com o VLT para determinar a distância ao objecto.

Os astrónomos procuram constantemente estes eventos extremos para compreenderem melhor como é que os jactos realmente se formam e porque é que apenas uma percentagem tão pequena de eventos de perturbação de marés lhes dão origem.

É por esta razão que muitos telescópios, incluindo o ZTF (Zwicky Transient Facility) nos EUA, mapeiam constantemente o céu à procura de sinais de eventos de curta duração, frequentemente extremos, que possam seguidamente ser estudados com mais detalhe por grandes telescópios, como o VLT do ESO, no Chile.

“Desenvolvemos um procedimento automático de código aberto que armazena e extrai informação importante do rastreio ZTF e nos alerta em tempo real para eventos invulgares,” explica Igor Andreoni, astrónomo na Universidade de Maryland, EUA, que co-liderou, juntamente com Michael Coughlin da Universidade de Minnesota, o artigo científico sobre este trabalho, publicado na revista Nature.

Em Fevereiro deste ano, o ZTF detectou uma nova fonte de radiação visível. O evento, chamado AT2022cmc, fazia lembrar uma explosão de raios-gama, a fonte de radiação mais potente do Universo.

Com o intuito de investigar este fenómeno raro, a equipa utilizou vários telescópios em todo o mundo para observar a misteriosa fonte com mais detalhe. Isto incluiu o VLT do ESO, que rapidamente observou este novo evento com o instrumento X-shooter.

Os dados do VLT colocaram a fonte a uma distância sem precedentes no que diz respeito a estes eventos: a luz produzida por AT2022cmc começou a sua viagem quando o Universo tinha apenas cerca de um-terço da sua idade actual.

Uma grande variedade de radiação, desde raios-gama altamente energéticos a ondas rádio de baixa energia, foi recolhida por 21 telescópios em todo o mundo. A equipa comparou estes dados com diferentes tipos de eventos conhecidos, desde estrelas em colapso a quilo-novas.

O único cenário que explicava os dados obtidos era um raro evento de perturbação de marés com um jacto a apontar na nossa direcção. Giorgos Leloudas, astrónomo no DTU Space na Dinamarca e co-autor deste estudo, explica que “uma vez que o jacto relativista aponta na nossa direcção, o fenómeno torna-se muito mais brilhante e visível ao longo de um maior domínio de comprimentos de onda do espectro electromagnético.”

As medições de distância executadas com o VLT mostraram que AT2022cmc é o mais distante fenómeno de perturbação de marés alguma vez observado, mas este não é o único recorde que este objecto bate.

“Até agora, o pequeno número destes eventos que se conheciam, tinham sido inicialmente detectados por telescópios de raios-gama ou de raios-X. Esta foi a primeira descoberta feita durante um rastreio no visível!” disse Daniel Perley, astrónomo na Universidade John Moores de Liverpool, Reino Unido, e co-autor do estudo.

Isto mostra-nos uma nova maneira de detectar eventos de perturbação de marés com jactos, permitindo-nos estudar melhor estes eventos raros e investigar os meios extremos que circundam os buracos negros.

Astronomia On-line
2 de Dezembro de 2022