244: Para acabar de vez com a banalização do Mal

 

– Importante lembrar aos mais “distraídos” que o Holocausto nazi causou milhões de judeus mortos, da mesma forma que o regime russonazi  🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺 está a provocar o genocídio de milhares de ucranianos. Lembrar também o anti-semitismo de Lavrov, um dos putinofantoches do regime russonazi e da Banalidade do Mal.

DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

Neste Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, os canais TVCine estreiam um documentário de investigação em torno do julgamento histórico daquele que foi considerado o arquitecto do genocídio judeu. A Confissão do Mal: As Gravações Perdidas de Eichmann, de Yariv Mozer, dá a ouvir Adolf Eichmann na sua verdadeira e tenebrosa versão, pela primeira vez.

Parte da dinâmica de A Confissão do Mal passa pelo contraste absoluto entre o que Eichmann disse, ou melhor, negou em tribunal e o que se ouve nas gravações.

“Não me arrependo de nada. Cada fibra do meu ser resiste a dizer que fizemos algo de errado. Não (…). Se tivéssemos matado 10,3 milhões de judeus, eu teria ficado satisfeito e diria: “Óptimo. Exterminámos um inimigo.” Nesse caso, teríamos cumprido a nossa missão.”

Estas são apenas algumas das frases chocantes que o documentário A Confissão do Mal: As Gravações Perdidas de Eichmann (hoje, 22h00, no TVCine Edition) revela ao longo de três episódios, que cruzam momentos semelhantes de um conjunto de entrevistas de Adolf Eichmann a Willem Sassen, em 1957, com uma visão sobre o mediático julgamento que começou a 11 de Abril de 1961, em Jerusalém.

São frases pronunciadas pelo homem que também disse: “Nada me irrita mais do que um tipo que mais tarde nega as coisas que realizou”.

Exactamente o que o próprio fez no tribunal. Negou ponto por ponto qualquer responsabilidade na chamada Solução Final, declarando-se um mero funcionário a cumprir ordens superiores.

Dentro de uma redoma de vidro à prova de bala, esta postura ilegível de Eichmann – que não seria mais do que uma boa performance de actor a disfarçar o homem que outrora usara a farda com orgulho – encontrou um olhar analítico, e não intencionalmente desculpabilizador, do lado da filósofa Hannah Arendt, que, ao assistir ao julgamento, produziu a famosa e polémica teoria da “banalidade do Mal”.

A mesma que é questionada agora neste documentário do israelita Yariv Mozer, munido de material que, se tivesse sido do seu conhecimento na altura, provavelmente faria Arendt hesitar perante a própria ideia de que Eichmann encaixava num perfil mais ou menos comum a muitos nazis que trabalhavam dentro do regime. Isto é: apenas homens burocratas, sem dimensão ideológica nas suas acções.

Parte da dinâmica de A Confissão do Mal passa pelo contraste absoluto entre aquilo que Eichmann disse, ou melhor, negou em tribunal e o que se ouve nas gravações (precisamente, palavras de um fervoroso idealista).

Mas o possível impacto perturbador que se anuncia no início de cada episódio, com o aviso “Não aconselhado a todos”, tem sobretudo que ver com o contexto das ditas gravações, recriado para o efeito dramático do documentário.

Mozer ilustra os excertos áudio, que contêm a voz de Adolf Eichmann, com um cenário e actores que visam mergulhar o espectador o mais possível nos detalhes do ambiente em que decorreram as conversas gravadas pelo jornalista nazi Willem Sassen – a sua filha, Saskia Sassen, surge como orientadora dessas visões, sendo a criança que vemos espreitar atrás da porta os homens na sala do pai, e que agora, uma socióloga com idade respeitosa, fala daquela figura que transbordava energia negativa.

Há mesmo um momento das gravações em que se escuta, em fundo, essa menina a brincar perto da sala; o tipo de sons estranhos que, se não houvesse uma reconstituição da cena, não seriam identificados em rigor.

Gravador que aparece nas recriações das conversas (com a voz de Eichmann).

Recuamos então a 1957, Buenos Aires, Argentina, para onde muitos nazis se dirigiram depois da guerra, entre eles Eichmann, com outra identidade. Aí submeteu-se às referidas conversas, uma série de entrevistas com Sassen, cuja motivação pessoal, enquanto nazi, era… obter provas de que Hitler não seria o responsável pelo extermínio dos judeus.

Foi só quando percebeu a vaidade e satisfação com que Eichmann se “confessava” que decidiu dar trela à loucura de levar até ao fim aquilo que, afinal, fez desmoronar a crença. Por sua vez, a intenção do entrevistado era que as gravações só fossem divulgadas após a sua morte, para fins de “investigação científica”.

Durante o julgamento, Eichmann teve sempre a confiança de que esta prova estrondosa nunca seria ouvida naquela sala de audiências. E não foi.

Eis então outra pergunta a que o documentário procura responder: porque razão as gravações nunca chegaram às mãos do procurador-geral de Israel, Gideon Hausner, apesar de este ter conseguido transcrições das entrevistas?

Naturalmente, aqui Mozer entra no território da conjectura, sondando as complexas questões diplomáticas à volta do julgamento.

E não o faz de forma leviana: há todo um conjunto de historiadores e outros especialistas, para além de testemunhas, que reforçam o traço de investigação deste trabalho aprofundado.

Apesar de uma narração em off algo televisiva que por vezes fere o tom sóbrio de A Confissão do Mal (por certo, um encargo da co-produtora americana MGM), pode dizer-se que, num todo, funciona como um thriller.

Com a particularidade do esforço de informação: o realizador nunca dá por adquirido que todas as personagens desta história são bem conhecidas, e por isso todas as peças são encaixadas para que o retrato de Eichmann e os acontecimentos que o envolveram ganhem uma expressão completa, sem deixar de alimentar outras reflexões futuras.

No dia em que se assinala a memória das vítimas do Holocausto, esta estreia no pequeno ecrã não se constitui apenas como uma curiosidade histórica para picar o ponto.

Há, de facto, uma componente humana que atravessa os discursos e torna presente aquilo que não pode ficar arrumado no passado, nem pode ser diminuído como “banalidade do Mal”.

Como bem resumiu Mozer ao jornal The New York Times, referindo-se às gravações: “Esta é a prova contra os negacionistas do Holocausto e uma maneira de ver a verdadeira face de Eichmann.” Disso não haja dúvidas.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Inês N. Lourenço
27 Janeiro 2023 — 07:00



 

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211: Lembrar as vítimas do Holocausto através da Música

 

– É bom não esquecer a posição anti-semita do russonazi  terrorista Sergei Lavrov (ver caixa no final do artigo), pertencente à horda russonazi de Neandertais do século XXI

 DIA INTERNACIONAL DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

É com música, interpretada pelo Artemisia String Trio, que a Embaixada de Itália em Lisboa assinala o Dia Internacional das Vítimas do Holocausto. Um concerto, de entrada livre, na 6.ª feira, em Lisboa.

Elisa Eleonora Papandrea (violino), Domenica Pugliese (viola) e Daniela Petracchi (violoncelo) compõem o Trio Artemisia.

Todos os anos, a 27 de Janeiro, a comunidade internacional assinala o Dia das vítimas do Holocausto. O objectivo é claro: não permitir que o tempo dissipe ou banalize a memória do extermínio sistemático e deliberado de milhões de judeus, realizado pelos nazis.

Mas porque ao discurso necessariamente trágico sobre o tema corresponde também o imperativo de recordar quem arriscou vida e família para salvar vidas, a Embaixada de Itália em Lisboa, em colaboração com o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e com a Associação Hagadá – Tikvá para o futuro Museu Judaico de Lisboa, decidiu assinalar a data com um concerto do Artemisia String Trio, que se realizará no Museu Nacional da Música (estação de metro do Alto dos Moinhos), em Lisboa, na 6.ª feira, 27, às 18.00.

O programa do concerto inclui músicas de Antonio Vivaldi, Anton Giulio Priolo, Mario Castelnuovo-Tedesco, Nicola Piovani, Reiner Kuttenberger, John Williams, Herman Yablokoff, elaboradas e orquestradas por Anton Giulio Priolo para o trio composto por Elisa Eleonora Papandrea (violino), Domenica Pugliese (viola) e Daniela Petracchi (violoncelo).

As três são intérpretes com uma longa carreira tanto em música de câmara como em execução orquestral. A sua paixão partilhada pela música de câmara levou-as em 2020 a juntar-se neste projecto. Têm actuado em festivais e temporadas musicais em Itália e no estrangeiro.

Recentemente realizaram um concerto com a flautista Luisa Sello na Embaixada de Itália em Sófia. Gravaram o vídeo do Quarteto no 1 op.25 do Johannes Brahms com o pianista Monaldo Braconi, em breve disponível no canal Rai5e, para a Rai Radio3, o Quarteto K285 de Mozart com Luisa Sello na flauta.

Com este concerto, a Embaixada de Itália associa-se à homenagem ao padre português Joaquim Carreira, que em 2015 recebeu a título póstumo o reconhecimento de “Justo entre as Nações” (o mesmo que já fora atribuído ao cônsul Aristides de Sousa Mendes) pela sua protecção e salvamento de judeus italianos e refugiados durante a II Guerra Mundial. Na época, Joaquim Carreira era Reitor do Pontifício Colégio Português de Roma.

Para além do concerto, o Trio Artemisia durante a sua estadia em Lisboa participará na gravação de um documentário dedicado ao Padre Carreira, da autoria dos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco.

Anton Giulio Priolo, compositor e músico, também participará no documentário, com o Trio Artemisia a executar um repertório que inclui temas da tradição judaica e músicas compostas propositadamente para o documentário, que será exibido pela TVI em Fevereiro e estará depois disponível em várias plataformas digitais.

Em declarações ao DN, o embaixador de Itália em Lisboa, Carlo Formosa, sublinhou a importância de lembrar um momento histórico tão trágico como este nos dias de hoje: “Contar a profunda amizade entre Itália e Portugal não apenas no quotidiano das nossas relações bilaterais, mas também na excepcionalidade dos momentos mais dramáticos da nossa História colectiva é um dos principais objectivos da minha missão.

Nesta perspectiva, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é de particular relevância porque, sobretudo no momento histórico especialmente complexo que vivemos, é mais essencial do que nunca preservar a consciência da responsabilidade individual e colectiva de cada um de nós perante as grandes tragédias em que a História nos coloca. Ouvir o Outro, saber ser o Outro ao ouvi-lo, é talvez o elemento mais importante da nossa passagem pela História.”

O diplomata realçou ainda a cooperação entre entidades portuguesas e italianas em prol de uma memória que é da Humanidade: “A Embaixada de Itália está especialmente satisfeita com esta iniciativa conjunta, que conta com a participação da Associação Hagadá empenhada na edificação do futuro Museu Judaico de Lisboa – Tikvá. Simbolicamente equivale a afirmar que a Memória é um processo de edificação constante, sempre in fieri (em construção).”

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Maria João Martins
25 Janeiro 2023 — 00:34

 A explosão anti-semita de Lavrov expõe o absurdo das alegações de “Ucrânia nazista” da Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, provocou um escândalo diplomático com uma explosão anti-semita que destaca o absurdo das alegações de propaganda implacável da Rússia sobre a “Ucrânia nazista”.

A diatribe de Lavrov veio durante uma entrevista em 1º de maio para o programa de TV italiano Zona Bianca, enquanto ele tentava defender o retrato insistente da Rússia sobre a Ucrânia como um estado “nazista”, apesar do fato de que o próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é judeu.

“E daí se Zelensky é judeu? O fato nega os elementos nazistas na Ucrânia”, afirmou o principal diplomata da Rússia. Em uma aparente tentativa de reforçar seu argumento, Lavrov afirmou que “Hitler também tinha sangue judeu” antes de declarar que “os anti-semitas mais ardentes geralmente são judeus”.

Os comentários chocantes de Lavrov provocaram uma onda de raiva internacional, com Israel liderando o coro de condenação. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid , disse que as declarações “imperdoáveis ​​e ultrajantes” de Lavrov representavam “a forma mais baixa de racismo contra os judeus”.

O colega ministro do governo israelense, Yair Golan , afirmou que as afirmações de Lavrov “reflectem o que o governo russo realmente é: um governo violento que não hesita em eliminar seus rivais em casa, invadir um país estrangeiro e acusá-lo falsamente de renovar o nazismo”.

As autoridades ucranianas também foram rápidas em denunciar Lavrov. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, observou que os “ comentários hediondos ” de seu colega russo foram ofensivos ao presidente Zelensky, à Ucrânia, a Israel e ao povo judeu, enquanto demonstrava que “a Rússia de hoje está cheia de ódio contra outras nações”.

A descida pública do ministro das Relações Exteriores da Rússia às profundezas sórdidas das teorias da conspiração anti-semita destaca as crescentes dificuldades enfrentadas pelo regime de Putin ao tentar justificar a guerra na Ucrânia.

Oficialmente, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o objectivo de sua “operação militar especial” na Ucrânia é “desnazificar” o país. No entanto, nem Putin nem nenhum de seus colegas conseguiram explicar exactamente por que consideram a Ucrânia “nazificada”.

Em vez disso, eles confiaram amplamente na ignorância externa da Ucrânia contemporânea, juntamente com os tropos de propaganda da era soviética, equiparando quaisquer expressões da identidade nacional ucraniana ao fascismo.

Na realidade, a Ucrânia independente se estabeleceu nas últimas três décadas como uma democracia imperfeita, mas vibrante, com uma cultura política pluralista que está a anos-luz de distância do modelo autoritário da própria Rússia moderna. Desde 1991, a geração pós-soviética de ucranianos se acostumou a um clima democrático altamente competitivo e muitas vezes indisciplinado, que não tem nenhuma semelhança com a tirania fascista dos contos de fadas do Kremlin.

Propagandistas russos e seus aliados ocidentais rotineiramente exageram o grau de influência da extrema direita na Ucrânia de hoje, mas, na verdade, os partidos nacionalistas causaram pouca impressão na política dominante do país e permanecem muito mais marginalizados do que em outros lugares da Europa.

É instrutivo observar que, enquanto Marine Le Pen, abertamente de extrema-direita, recebeu mais de 41% dos votos nas recentes eleições presidenciais da França, uma coalizão dos principais partidos de extrema-direita da Ucrânia conseguiu garantir apenas 2,15% nas eleições parlamentares do país em 2019. .

Como indica a recente explosão desequilibrada de Lavrov, a vitória esmagadora de Volodymyr Zelenskyy nas eleições presidenciais da primavera de 2019 na Ucrânia foi particularmente dolorosa para o Kremlin. Como um ucraniano judeu falante de russo, a popularidade sem precedentes de Zelenskyy entre os eleitores ucranianos tornou ridícula toda a narrativa da “Ucrânia nazista” da Rússia e forçou os propagandistas do Kremlin a todo tipo de ginástica mental bizarra para manter a fantasia de uma ameaça fascista.

Por Peter Dickinson
Atlantic-Council.org
UcrâniaAlerta



 

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