565: A centenária Ach Brito está de regresso a casa

ACH BRITO/REGRESSO A CASA

Ach Brito / Facebook
Aquiles de Brito, bisneto do fundador da Ach. Brito

A centenária empresa de sabonetes e perfumes portuguesa Ach Brito, que recentemente tinha sido adquirida por um fundo de investimentos, está de novo nas mãos da família que lhe deu origem.

A Ach. Brito voltou a ser detida integralmente  pela família que lhe deu origem e emprestou o nome, na pessoa de Aquiles de Brito, bisneto do fundador da empresa.

O anúncio foi feito esta terça-feira na página de Facebook da empresa. “De regresso a casa“, assim começa o post.

“É com muito orgulho que anunciamos que a Ach. Brito volta a ser integralmente detida pela família que lhe deu origem e emprestou o nome, na pessoa de Aquiles de Brito, bisneto do fundador da empresa”, revela a publicação.

Mal podemos esperar pelos próximos capítulos desta história centenária, que continuaremos a escrever com os mesmos valores, ambição e dedicação que nos conduziram até aqui. Com a mesma assinatura de sempre”, conclui a nota publicada pela empresa na rede social.

A empresa de sabonetes e artigos de perfumaria Ach. Brito foi criada em 1918, na cidade do Porto, por Achilles de Brito e o irmão Affonso de Brito.

Nos primeiros anos a empresa lançou vários produtos de sucesso, alguns dos quais continuam em comercialização até aos dias de hoje, como a marca Luxo-Banho em 1927, as marcas Patti e Lavanda ambas em 1929, a marca Triple Alfazema, em 1932, a marca Musgo em 1939, entre várias outras.

Os rótulos eram originalmente pintados à mão, o que lhes conferia um carácter ainda mais especial, distinguindo-os de forma clara no mundo da perfumaria.

Ach Brito

Com o surgimento da distribuição moderna nos anos 80, deu-se um estrangulamento do mercado e a empresa atravessou um momento particularmente difícil.

Em 1994 os bisnetos de Achilles de Brito, os irmãos Aquiles e Sónia Brito, decidem adquirir a totalidade da sociedade e iniciam uma reestruturação profunda no sentido de acompanhar as exigências do mercado. A estratégia foi redefinida, o portefólio de produtos reorganizado e as marcas reposicionadas.

A empresa viveu entretanto tempos difíceis por causa da pandemia de covid-19, que afectou decisivamente os lucros, uma vez que era “muito dependente dos mercados externos” e do turismo “que gera 80% das vendas” em Portugal.

Na época mais complicada, durante os meses de confinamentos e de impossibilidade de viajar, teve de recorrer à ajuda do Banco chinês Haitong Bank .

Em Outubro, a empresa terá mesmo sido adquirida, pelo valor simbólico de 1€, pelo fundo de Capital de Risco “FCR PME Novo Banco” — fundo cuja liquidação está prevista para o próximo mês de Dezembro.

Agora, a centenária empresa está de regresso a casa.

ZAP //
2 Novembro, 2022