483: DGS recomenda cuidados devido a poeiras do Norte de África

SAÚDE PÚBLICA/POEIRAS/CRIANÇAS/IDOSOS

Devido à fraca qualidade do ar causada pelas poeiras do Norte de África, a DGS aconselha a população mais sensível a tomar cuidados de saúde redobrados.

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A fraca qualidade do ar que se vai registar em Portugal continental na quinta-feira, 27 de Outubro, levou esta quarta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS) a recomendar cuidados redobrados à população mais vulnerável como crianças e idosos.

Numa nota publicada na sua página da Internet, a DGS aconselha a população mais sensível como os idosos, as crianças, os doentes com os problemas respiratórios crónicos (asma) e pessoas com doenças cardiovasculares a terem cuidados de saúde redobrados como permanecer no interior dos edifícios, de preferência com as janelas fechadas.

A autoridade de saúde também aconselha a população em geral a limitar a actividade física ao ar livre, os esforços prolongados e a exposição ao fumo do tabaco, assim como o contacto com produtos irritantes.

A Direcção-Geral da Saúde refere na mesma publicação que esta situação da fraca qualidade do ar se deve “à intrusão de uma massa de ar proveniente dos desertos do Norte de África, que transporta poeiras em suspensão e que atravessa Portugal Continental, aumentando as concentrações de partículas inaláveis de origem natural no ar”.

Em caso de agravamento de sintomas, deve ser contactada a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou recorrer a um serviço de saúde, recomenda a DGS.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Outubro 2022 — 18:08



 

437: África está a dividir-se em dois continentes (e vai nascer um novo oceano)

– Vou esperar sentado… para ver! 🙂

CIÊNCIA/ÁFRICA/GEOLOGIA

O continente africano vai dividir-se em dois. A Somália, metade da Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique irão separar-se para formar um novo continente. Vai acontecer daqui a cinco milhões de anos (tempo relativamente curto, na escala geológica) e já começou.

A comunidade científica acredita que em apenas 5 milhões de anos, África não será um continente, mas dois.

Em 2009, investigadores da Universidade de Rochester, no Reino Unido, revelaram pela primeira vez que mudanças geológicas na região de Afar, na Etiópia, estavam a provocar a divisão do continente.

Segundo a New Scientist, o processo teve início em Setembro de 2005, após a erupção do vulcão Dabbahu, que terá aberto uma gigantesca fissura em apenas 5 dias.

A fractura da placa continental africana, dizem os cientistas no estudo então publicado na Geophysical Research Letters, irá dar origem a um novo oceano.

A falha não mais deixou de crescer, e mais de uma dezena de novas falhas apareceram entretanto. Desde então, a teoria de que África se vai dividir em dois continentes ganhou bastante popularidade na comunidade científica, mas nem todos estão de acordo.

As discussões entre os cientistas sobre a forma como o continente africano se está a dividir reavivaram-se em 2019, depois de ter aparecido no Quénia uma gigantesca fissura, que rasgou a meio um vale e cortou uma estrada importante da região do Narok, no oeste do país.

As dimensões da fissura foram na altura estimadas em vários quilómetros de comprimento, cerca de 15 metros de profundidade e mais de 20 de largura.

Mas, de acordo com dados de GPS mais recentes, apresentados num estudo publicado em 2021 na revista Geology por investigadores da Virginia Tech, nos EUA, a divisão da placa tectónica africana é ainda mais extensa do que se imaginava.

A enorme fissura do Quénia não foi no entanto o primeiro fenómeno deste tipo a manifestar-se no continente africano. Há dezenas ou centenas de pontos fracos ao longo do chamado Grande Vale do Rift, que atravessa o continente desde o Corno de África, na Somália, até Moçambique.

Esta formação, também conhecida como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica, e estende-se cerca de 5000 km no sentido norte-sul, com largura que varia entre 30 e 100 km e uma profundidade de centenas a milhares de metros.

Segundo o jornal local Daily Nation, o Quénia, atravessado pelo Grande Vale do Rift, está literalmente a partir-se ao meio, e a profunda fissura que se deu a conhecer em Março em Narok “é apenas o início“.

A fissura apareceu na zona com menor actividade sísmica do país. Segundo explicou ao jornal catalão La Vanguardia a geóloga Sara Figueras Vila, do Instituto Cartográfico e Geológico da Catalunha, “o último sismo importante nesta região aconteceu em 1928, com uma magnitude de 6.9 na Escala de Richter”.

No fundo do vale encontram-se o vulcão Suswa. Nas proximidades, Monte Longonot. Os dois vulcões poderão ser responsáveis por inúmeras falhas vulcânicas ocultas ao longo do território queniano do Grande Vale do Rift.

“Estas zonas frágeis formam linhas de falha e fissuras que normalmente são preenchidas com cinzas vulcânicas. As fortes chuvas que recentemente assolaram a região poderão ter levado as cinzas, ajudando a descobrir a fissura”, explica ao Daily Nation o geólogo queniano David Adede.

Mas o facto de a região assentar em duas placas tectónicas que estão a divergir lentamente em direcções opostas terá consequências inevitáveis.

Inevitavelmente, um novo continente

Dentro de 10 milhões de anos, quatro países do Corno de África – a Somalia, metade da Etiópia, o Quénia e a Tanzania, além de uma parte de Moçambique, irão inexoravelmente separar-se do resto do continente africano e formar um novo continente.

O processo, estimam os geólogos, estará concluído em cerca de 50 milhões de anos: a chamada “placa Somali” ter-se-á tornado por completo um continente novo, separada da sua irmã maior, a “placa Núbia”, por um oceano novo.

Numa entrevista à NTV Kenya, o sismólogo queniano Silas Simiyu sustenta que a fissura de Narok não é uma falha vulcânica, mas apenas resultado das abundantes chuvas que se registaram na região. “As camadas de terra abateram devido às chuvas e encheram os canais subterrâneos de água”, diz o cientista queniano.

Mas Lucia Perez Diaz, do Grupo de Pesquisa da Dinâmica de Falhas da Universidade de Londres, não tem dúvidas. Em termos práticos, as duas placas do continente africano estão a separar-se, diz a geóloga ao The Conversation.

E as fissuras que apareceram no leste do Grande Vale do Rift são um exemplo de que isso já está a acontecer.

Após um dramático processo, durante uns 50 milhões de anos, teremos então inevitavelmente algo como a Grande Núbia e o Corno de África. Mal podemos esperar.

  ZAP //
15 Outubro, 2022



 

436: Poeiras de África atingem Portugal! Quais as regiões mais afectadas?

CIÊNCIA/POEIRAS/TEMPESTADES/ÁFRICA

De acordo com o sistema Copernicus (programa europeu de monitorização da Terra), as poeiras de África vão voltar a atingir Portugal e Espanha. O fenómeno deve ser registado este domingo e terça-feira.

Fique a saber quais as regiões onde ser irá sentir maior densidade deste fenómeno.

Desde o início de Outubro que várias tempestades de poeira do Saara têm vindo a afectar áreas fora da África. Actualmente, uma nova tempestade de poeira do Saara está a atravessar o Oceano Atlântico, em direcção ao Caribe.

A 13 de Outubro de 2022, um dos satélites Copernicus Sentinel-3 capturou a nuvem de poeira envolvendo os céus de Cabo Verde, conforme é mostrado na seguinte imagem.

Há também já algumas publicações no Twitter sobre o assunto onde é referido que a Península Ibérica será atingida entre os dias 16 e 18 de Outubro.

As poeiras irão sentir-se mais nas zonas de Lisboa, região Oeste, Alentejo e Algarve.

Em meados de Março já se tinham verificado grandes nuvens de poeira na Europa ocidental e este ano, nuvens semelhantes provenientes do deserto do Saara também atravessaram o Atlântico até atingirem as Caraíbas.

Este poluente (partículas inaláveis – PM10) tem efeitos na saúde humana, principalmente na população mais sensível, crianças e idosos, cujos cuidados de saúde devem ser redobrados durante a ocorrência destas situações.

Assim, e enquanto este fenómeno se mantiver, a Direcção-Geral da Saúde recomenda:

  • A população em geral deve evitar os esforços prolongados, limitar a actividade física ao ar livre e evitar a exposição a factores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes.
  • Os seguintes grupos de cidadãos, pela sua maior vulnerabilidade aos efeitos deste fenómeno, para além de cumprirem as recomendações para a população em geral, devem, sempre que viável, permanecer no interior dos edifícios e, preferencialmente, com as janelas fechadas:
    • Crianças;
    • Idosos;
    • Doentes com problemas respiratórios crónicos, designadamente asma;
    • Doentes do foro cardiovascular.
  • Os doentes crónicos devem manter os tratamentos médicos em curso.

Períodos de seca e aumento da desertificação fazem aumentar a probabilidade de fenómenos destes, que fazem diminuir a qualidade do ar nas regiões afectadas, sobretudo no caso de as nuvens de poeira passarem a baixa altitude.

Acedendo ao portal QualAr, é possível saber de imediato a qualidade do ar numa determinada zona. O utilizador pode ver ainda um histórico diário, mensal e anual por zona. Pode escolher a estação e tipo de estação, assim como o tipo de área.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
15 Out 2022