818: Fracasso? Depois do impasse, a desilusão (e um discurso inflamado) na COP27

COP27/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Um “passo muito curto para os habitantes do planeta”, lamenta a União Europeia. Sem acordo, conferência das ONU teve mais um dia do que o previsto.

Sedat Suna/EPA-EFE

A União Europeia disse hoje estar desiludida com a falta de ambição na redução das emissões de gases com efeito de estufa no acordo aprovado pela 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

“O que temos aqui é um passo muito curto para os habitantes do planeta. Não proporciona esforços adicionais suficientes por parte dos principais emissores para aumentar e acelerar as suas reduções de emissões”, disse Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, num discurso inflamado, na sessão plenária final da COP27, após duas semanas de conferência, no Egipto.

A conferência anual do clima da ONU aprovou hoje um acordo que prevê a criação de um fundo para financiar danos climáticos sofridos por países “particularmente vulneráveis”, numa decisão descrita como histórica.

A resolução foi adoptada por unanimidade em assembleia plenária, seguida de aplausos estrondosos, no final da conferência anual do clima da ONU.

A resolução enfatiza a “necessidade imediata de recursos financeiros novos, adicionais, previsíveis e adequados para ajudar os países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis” aos impactos “económicos e não económicos” das alterações climáticas.

Entre essas possíveis modalidades de financiamento está a criação de um “fundo de resposta a perdas e danos”, uma reivindicação dos países em desenvolvimento.

As modalidades de implementação do fundo terão de ser elaboradas por uma comissão especial, para serem adoptadas na próxima COP28, no final de 2023, nos Emirados Árabes Unidos.

A questão das “perdas e danos”, que esteve mais do que nunca no centro de debate, após as devastadoras inundações que atingiram recentemente o Paquistão e a Nigéria, quase inviabilizou a COP27.

Esta manhã, os delegados tinham aprovado o fundo de compensação, mas não tinham lidado com as questões controversas, como a meta para controlar a subida da temperatura, cortes nas emissões de gases com efeito de estufa e limitação gradual de combustíveis fósseis.

Ao amanhecer, a União Europeia e outras nações impunham-se contra o que consideravam ser um retrocesso no acordo da presidência egípcia, ameaçando afundar o resto do processo.

O acordo foi novamente revisto.

Não é tão forte quanto gostaríamos que fosse, mas não vai contra” aquilo que foi decidido na conferência climática da ONU do ano passado, disse o ministro do Clima norueguês, Espen Barth Eide.

O acordo inclui uma referência velada aos benefícios do gás natural como energia de baixa emissão, apesar de muitas nações apelarem a uma redução gradual da utilização do gás natural, que contribui para as alterações climáticas.

Este novo acordo não prevê uma redução das emissões, mas mantém vivo o objectivo global de limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius. A presidência egípcia tinha retomado propostas que remontavam a 2015, que mencionavam um objectivo mais flexível de dois graus.

A 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas começou em 06 Novembro e terminou hoje em Sharm-el-Sheik, no Egipto, juntando mais de 35 mil participantes, nomeadamente vários líderes de países, com cerca de duas mil intervenções sobre mais de 300 tópicos.

Lusa // ZAP
20 Novembro, 2022



 

683: Activistas pelo clima invadiram a Ordem dos Contabilistas

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ACTIVISTAS/MANIF

Alguns dos manifestantes invadiram a Ordem dos Contabilistas, onde estava o ministro da Economia em reunião, durante a tarde deste sábado.

© Diana Quintela/ Global Imagens

Dezenas de manifestantes invadiram este sábado um edifício em Lisboa, onde decorria um evento privado com o ministro da Economia, António Costa Silva, durante uma marcha contra o Fracasso Climático.

No exterior do edifício, na Avenida Defensores de Chaves, centenas de manifestantes da marcha pelo clima, iniciativa organizada pela coligação “Unir Contra o Fracasso Climático”, cantavam “Fora, fora Costa Silva”.

Alguns manifestantes entraram dentro do edifício onde se encontrava o ministro da Economia, tendo sido chamadas as forças de segurança.

Duas unidades das forças de segurança entraram dentro do prédio, estando os manifestantes a ser retirados, alguns deles arrastados pelas forças de segurança.

“Não vamos sair daqui enquanto ele [ministro da Economia] não sair”, sublinhavam.

Posteriormente, foi criado um cordão formado por entre 15 a 20 forças de segurança à entrada do edifício.

Entretanto, os manifestantes abandonaram o local, passando pelo Arco do Cego, onde fizeram uma paragem de cerca de 15 minutos, seguindo para o Liceu Camões, onde chegaram por volta das 16:30.

Várias organizações ambientalistas juntam-se este sábado numa marcha pelo clima em Lisboa para exigirem “políticas climáticas compatíveis com a realidade climática”. Alguns dos manifestantes invadiram a Ordem dos Contabilistas na deste sábado para fazer frente ao ministro da economia.

Sob o lema “Unir contra o fracasso climático”, a marcha, que começa às 14:00 no Campo Pequeno e termina junto ao Instituto Superior Técnico, é convocada quando decorre, no Egipto, a 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

A marcha é organizada por associações como a Climáximo, a DiEM25, a Scientist Rebellion Portugal e a Zero, bem como a Greve Climática Estudantil, que ao longo da última semana promoveu um protesto que passou pela ocupação de seis escolas secundárias e faculdades em Lisboa para apelar ao fim dos combustíveis fósseis.

Desde segunda-feira, o movimento Greve Climática Estudantil Lisboa iniciou um protesto que incluiu a ocupação de seis escolas e universidades de Lisboa, iniciativa que visa exigir o fim aos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão do ministro da Economia e do Mar.

Diário de Notícias
DN/Lusa
12 Novembro 2022 — 15:21



 

637: A primeira extinção em massa na Terra ocorreu há 550 milhões de anos

CIÊNCIA/GEOBIOLOGIA

A maior parte das espécies extintas no final do período Ediacarano (há quase 550 milhões de anos) foi causada por uma queda na disponibilidade de oxigénio em todo o mundo, revelou um novo estudo.

Scott Evans / Virginia Tech
Impressões dos fósseis do período Ediacarano

Numa investigação publicada recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences, geobiólogos da Virginia Tech, nos Estados Unidos (EUA), concluíram que este período assistiu à primeira extinção em massa, na qual morreram cerca de 80% das espécies.

“Isto incluiu a perda de muitos tipos diferentes de animais. No entanto, aqueles (…) que dependiam de quantidades significativas de oxigénio parecem ter sido atingidos de forma particularmente dura”, disse o investigador Scott Evans, citado pelo Interesting Engineering.

Estes resultados “sugerem que o evento de extinção ocorreu a nível ambiental, tal como todas as outras extinções em massa no registo geológico”, continuou.

“Alterações ambientais, tais como o aquecimento global e eventos de desoxigenação, podem levar à extinção em massa de animais e a uma profunda perturbação e reorganização do ecossistema”, disse Shuhai Xiao, co-autor do estudo, notando: “isto tem sido demonstrado repetidamente no estudo da história da Terra”.

Segundo Evans, não se sabe o que causou a queda de oxigénio a nível global. Os animais que se extinguiram reagiram a uma redução da quantidade de oxigénio à escala global, embora a extinção possa ter sido causada por uma combinação de movimentos de placas tectónicas, erupções vulcânicas e impactos de asteróides.

“O nosso estudo mostra que, tal como todas as outras extinções no passado, esta primeira extinção em massa de animais foi causada por alterações climáticas – mais uma numa longa lista de advertências que demonstram os perigos da actual crise climática para a vida animal”, reforçou.

Segundo Xiao, as extinções em massa que já eram conhecidas na história animal são: a Extinção do Ordoviciano–Siluriano (há 440 milhões de anos), a Extinção do Devoniano (há 370 milhões de anos), a Extinção Permiano-Triássica (há 250 milhões de anos), a Extinção do Triássico-Jurássico (há 200 milhões de anos) e a Extinção do Cretáceo-Paleógeno (há 65 milhões de anos).

“As extinções em massa são reconhecidas como passos significativos na trajectória evolutiva da vida neste planeta”, indicaram os investigadores.

Na investigação, a equipa encontrou dados que apontam para “diminuição da disponibilidade global de oxigénio como o mecanismo responsável por essa extinção”.

“Isto sugere que os factores abióticos têm tido impactos significativos nos padrões de diversidade ao longo dos mais de 570 milhões de anos de história dos animais neste planeta”, escreveram os autores.

ZAP //
8 Novembro, 2022



 

Guterres. Mundo tem de escolher entre “ser solidário” ou cometer “suicídio em massa”

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ONU/GUTERRES

Para o secretário-geral das Nações Unidas, é “inaceitável, escandaloso e contraproducente” deixar a luta contra as alterações climáticas “em segundo plano”.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres
© EPA/MAXIM SHIPENKOV

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu esta segunda-feira que os conflitos mundiais não sejam usados como desculpa para fugir às responsabilidades relativas ao clima, defendendo que a humanidade tem de escolher entre “solidariedade ou suicídio em massa”.

No seu discurso perante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP27), Guterres considerou que, apesar dos múltiplos conflitos que assolam o mundo – como a guerra na Ucrânia ou o conflito no Sahel -, “as alterações climáticas têm uma escala e uma linha de tempo diferentes”, já que “constituem a questão definidora da época” actual e o “desafio central do século”.

Por isso, defendeu ser “inaceitável, escandaloso e contraproducente” deixar a luta contra as alterações climáticas “em segundo plano”, e sublinhou que “muitos dos conflitos actuais estão relacionados com o crescente caos climático”.

Reconhecendo que a invasão russa à Ucrânia expôs a dependência do mundo ocidental face aos combustíveis fósseis e criou uma crise energética no mundo, Guterres pediu que isso não seja usado como “uma desculpa para recuos” nos objectivos definidos relativamente ao clima.

Estes conflitos devem antes “ser uma razão para ter mais urgência, acção mais forte e responsabilidade efectiva”, disse.

O secretário-geral da ONU afirmou ainda que, face ao aquecimento global e aos seus cada vez mais rápidos impactos, a humanidade terá de “cooperar ou morrer”.

“A humanidade tem uma escolha: cooperar ou morrer. É um Pacto de Solidariedade Climática ou um Pacto de Suicídio Colectivo”, disse António Guterres.

A actividade humana é a causa do problema climático, pelo que “a acção humana deve ser a solução”, referiu, defendendo que “a confiança” entre “o Norte e o Sul” tem de ser restabelecida.

Guterres pediu que as economias desenvolvidas e emergentes estabeleçam um “pacto de solidariedade climática” para que todos os países “façam um esforço extra para reduzir as emissões nesta década, de acordo com a meta” de limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius e atingir emissões líquidas zero até 2050 em todo o mundo.

“Estamos perigosamente perto do ponto sem retorno”

“Mas essa meta de 1,5º está ligada à máquina de suporte de vida e a máquina está a tremer. Estamos perigosamente perto do ponto sem retorno”, disse, pedindo aos países do G20 (grupo das 19 economias mais desenvolvidas do mundo e União Europeia) que acelerem a sua transição verde “nesta década”.

Esse pacto de solidariedade climática também deve garantir que os países ricos e as instituições internacionais “fornecem ajuda técnica e financeira às economias emergentes para que estas acelerem a sua própria transição para as energias renováveis” e “acabem com a dependência de combustíveis fósseis”.

Para isso, é preciso “eliminar o carvão nos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] até 2030 e em todos os outros até 2040”, afirmou.

O secretário-geral da ONU lembrou aos Estados Unidos e à China, as duas maiores economias do mundo, que têm “uma responsabilidade particular de unir forças para tornar esse pacto uma realidade”, sublinhando que o acordo representa a “única esperança para alcançar as metas climáticas”.

Lembrando que a população mundial chega oficialmente aos 8 mil milhões de pessoas em 15 de Novembro, Guterres avançou uma questão: “O que diremos quando esse bebé 8 mil milhões tiver idade suficiente para nos perguntar: o que fizeram pelo nosso mundo e pelo nosso planeta quando tiveram oportunidade?”.

“Não esqueçamos que a guerra contra a natureza é, em si mesma, uma violação maciça dos direitos humanos”, acrescentou.

É preciso fazer mais para ajudar os países mais vulneráveis a lidar com as “perdas e danos” já sofridos devido ao aumento das tempestades, inundações, secas e outros fenómenos climáticos extremos, defendeu.

Embora esta questão seja um dos pontos de negociação mais sensíveis desta COP27, “a obtenção de resultados concretos sobre perdas e danos será o teste dos compromissos dos governos para o sucesso” da conferência, considerou.

Notícia actualizada às 13:57

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Novembro 2022 — 12:15



 

612: O planeta está a enviar um sinal de sofrimento: a crónica do caos climático

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/AVISOS

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, avisou hoje que o “planeta está a enviar um sinal de sofrimento”, numa mensagem vídeo enviada aos participantes na Cimeira do Clima COP27, no Egipto, que arrancou de manhã.

ZAP // Marion / pixabay; André Kosters / Lusa

“No momento em que arranca a COP27, o nosso planeta está a enviar um sinal de sofrimento”, afirmou Guterres, citado pela agência de notícias AFP, referindo-se a uma “situação crónica do caos climático”.

A conferência climática da ONU arrancou hoje, em Sharm el-Sheikh, no Egipto, com um novo alerta sobre a aceleração do aquecimento global, cujo financiamento dos danos a países pobres está pela primeira vez, oficialmente, na lista dos debates.

Segundo dados divulgados hoje pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), os oito anos entre 2015 e 2022 serão os mais quentes já registados.

Até 18 de Novembro, delegados de quase 200 países tentarão dar um novo fôlego à luta contra o aquecimento global, enquanto as múltiplas e inter-relacionadas crises que abalam o mundo – guerra na Ucrânia, inflação e ameaça de recessão, crise alimentar – levantam receios de que o tema vai ficar em segundo plano.

“Vamos implementar juntos os nossos compromissos para a humanidade e para o nosso planeta”, apontou o ministro egípcio Sameh Choukri, que preside à cimeira.

Os impactos das alterações climáticas têm-se multiplicado, como mostram os diversos desastres que atingiram o planeta em 2022, desde as inundações históricas no Paquistão, às repetidas ondas de calor na Europa, além de furacões, incêndios, ou secas.

Os custos daqueles desastres já rondam as dezenas de milhares de milhões de euros, pelos quais os países do sul do globo, mais afectados, reivindicam uma compensação financeira.

O tema delicado das “perdas e danos” foi oficialmente adicionado à agenda das discussões, durante a cerimónia de abertura, enquanto até então era apenas objecto de diálogo previsto até 2024.

A desconfiança dos países em desenvolvimento é forte, enquanto não se cumpre a promessa dos países do norte de aumentar para 100.000 milhões de dólares por ano, a partir de 2020, a ajuda aos do sul, para reduzirem as emissões e se prepararem para os impactos.

Outra questão premente nas discussões prende-se com evitar um recuo nos compromissos de redução de emissões, que, mesmo assim, ainda são insuficientes.

Apenas 29 países apresentaram planos de redução aprimorados desde a COP de 2021, em Glasgow, na Escócia, embora tenham assumido o compromisso de o fazer.

2015 e 2022: a crónica do caos climático

Se as projecções para este ano se confirmarem, os oito anos de 2015 a 2022 serão os mais quentes jamais registados, alertou hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM) num relatório em que faz uma “crónica do caos climático”.

Esta “crónica do caos climático” mostra claramente que “a mudança se processa a uma velocidade catastrófica”, devastando vidas “em todos os continentes”, acrescentou, apelando para uma resposta através de “acções ambiciosas e credíveis” durante as duas semanas desta conferência sobre o clima no Egipto.

Com uma temperatura média estimada de 1,15°C superiores à da era pré-industrial, o ano de 2022 deverá classificar-se “apenas” como o quinto ou o sexto dos anos mais quentes, devido à influência não habitual, pelo terceiro ano consecutivo, do fenómeno oceânico La Niña, que provoca uma baixa das temperaturas.

“Mas isto não altera a tendência a longo prazo. É apenas uma questão de tempo até haver um novo ano mais quente”, insistiu a OMM, agência especializada da ONU.

Decisores políticos, académicos e ONGs reúnem-se entre hoje e 18 de Novembro em Sharm el-Sheikh na 27ª cimeira da ONU sobre alterações climáticas, COP27, para tentar travar o aquecimento do planeta, limitando o aquecimento global a 2ºC, e se possível a 1,5ºC, acima dos valores médios da época pré-industrial.

Líderes como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, confirmaram a presença, e o Governo português vai ser representado pelo primeiro-ministro, António Costa.

ZAP // Lusa
6 Novembro, 2022



 

População está “condenada” sem acordo entre países ricos e pobres, alerta Guterres

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ANTÓNIO GUTERRES

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, lembra o compromisso não cumprido, assumido há dez anos pelos países desenvolvidos, de dar às nações mais pobres do mundo um total de 100.000 milhões de euros, até 2020, no âmbito da ajuda à protecção climática.

© EPA/MYKOLA TYS

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou este sábado para a necessidade urgente de um acordo climático entre os países ricos e os que estão em desenvolvimento, caso contrário a população mundial estará “condenada”.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada poucas horas antes da COP27 que decorrerá a partir de domingo na cidade egípcia de Sharm el Sheikh, Guterres lembrou o compromisso não cumprido, assumido há 10 anos pelos países desenvolvidos, de dar às nações mais pobres do mundo um total de 100.000 milhões de euros, até 2020, no âmbito da ajuda à protecção climática.

“Não há como evitar uma catástrofe se ambos não chegarem a um acordo neste sentido”, declarou o secretário-geral da ONU. “Neste momento, estamos todos condenados”, alertou.

António Guterres afirmou que o mundo está a aproximar-se de uma crise climática “irreversível” e de “danos dos quais não será capaz de recuperar”.

“Precisamos de mais urgência, mais ambição e reconstruir a confiança entre o norte e o sul do planeta”, acrescentou.

O responsável vincou que “metade da humanidade está na zona de perigo de enchentes, secas, tempestades extremas e incêndios florestais”.

“Nenhuma nação está imune. No entanto, continuamos a alimentar o nosso vício em combustíveis fósseis. Perante isto, temos uma de duas opções: ou a acção colectiva, ou o suicídio colectivo”, afirmou.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Novembro 2022 — 14:30



 

578: Alterações climáticas vão produzir mais arco-íris

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ARCO-ÍRIS

Lights Over Lapland / Facebook

Uma das consequências mais invulgares das alterações climáticas extremas pode incluir um aumento da frequência de arco-íris até 2100 em até 5%, revelou uma nova investigação.

Num novo estudo publicado recentemente na Global Environment Change, no qual analisaram imagens, dados climáticos e um modelo informático, os investigadores identificaram entre 21 a 34% das zonas em que os arco-íris vão diminuir e 66 a 79% nas quais vão aumentar, à medida que o mundo aquece.

“Vivendo no Havai, senti-me grato pelo arco-íris deslumbrante e efémero fazer parte da minha vida diária”, disse a cientista de sistemas terrestres Kimberly Carlson, da Universidade de Nova Iorque. “Interrogava-me como as alterações climáticas poderiam afectar tais oportunidades de visualização do arco-íris”.

As previsões foram feitas através do estudo de dezenas de milhares de fotos de arco-íris disponíveis no Flickr. Se a localização estivesse registada, essas imagens eram referenciadas e utilizadas para estudar e comparar mapas de precipitação, cobertura de nuvens e o ângulo do Sol.

Em seguida, a equipa utilizou esses dados para treinar um modelo que prevê as mudanças climáticas nos próximos anos. Descobriram que as áreas menos populosas, localizadas em latitudes e atitudes mais elevadas, tais como o Planalto Tibetano, são as que mais beneficiarão do aumento global de arco-íris.

“Se quiser estar nos melhores locais para observar arco-íris nos próximos anos, as ilhas são o locais para onde deve ir. Em particular, ilhas como o Havai continuarão a ser ‘hotspots’ dos arco-íris por causa da sua topografia”, lê-se num artigo do Science Alert, que cita o estudo.

“O terreno das ilhas levanta o ar durante as brisas marítimas diárias, produzindo chuvas localizadas, rodeadas por céus limpos que deixam o Sol entrar e permitem produzir arco-íris majestosos”, disse o cientista atmosférico Steven Businger, da Universidade do Havai.

Como lembrou o artigo, parte do desafio de enfrentar com sucesso a crise climática está em conseguir que as pessoas se preocupem o suficiente com o ambiente para o querer proteger.

Nas áreas densamente povoadas e com muito nevoeiro, projectadas para ter mais dias secos e menos precipitação, são esperados menos arco-íris.

“As alterações climáticas vão gerar mudanças em todos os aspectos da experiência humana na Terra”, indicou Carlson. “As mudanças em aspectos intangíveis do nosso ambiente – como o som e a luz – fazem parte e merecem mais atenção por parte dos investigadores”, acrescentou.

ZAP //
2 Novembro, 2022



 

558: Um terço dos glaciares protegidos vão desaparecer devido às alterações climáticas

– Não são apenas as alterações climáticas que fazem desaparecer os glaciares e a Vida na Terra. Existem por aí, espalhados por todo o lado, terroristas que contribuem, com os seus actos bélicos, para que o Planeta entre em vias de extinção.

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/GLACIARES

Um terço dos glaciares património mundial da UNESCO, que representam 10% da superficial glaciar da Terra, vão desaparecer entre este ano e 2050 devido ao aumento das temperaturas causado pelas alterações climáticas.

Los Alerces, na Argentina
© DR

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) salienta que o património glaciar mundial está numa situação preocupante.

A cada ano perde em média 58 biliões de toneladas de gelo, o equivalente ao volume total de água usada por Espanha e França, aponta o relatório.

As alterações climáticas ameaçam destruir locais protegidos, como os glaciares no Monte Perdido, nos Pirenéus, em França e Espanha, ou os do Parque Nacional Los Alerces, na Argentina, que perderam 45,6% da sua massa total em relação ao ano 2000.

Metade da humanidade depende das superfícies glaciares como fonte de água, quer para uso doméstico, quer para a agricultura ou energia hidroeléctrica, além de serem de grande importância cultural, religiosa e turística.

Todos os glaciares que compõem o património mundial da UNESCO estão seriamente ameaçados e 60% destes apresentam um “recuo em ritmo acelerado” da sua massa, segundo o relatório.

Este derretimento alarmante causa 5% do aumento global do nível do mar, acrescenta.

O estudo oferece um raio de esperança: se a temperatura global não subir mais de 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais, o restante da superfície glaciar destes locais protegidos poderá ser salvo.

A UNESCO defende a criação de um fundo internacional para monitorizar e proteger os glaciares, maior apoio à investigação científica e o desenho e desenvolvimento de medidas de alerta e redução de risco perante desastres naturais.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Novembro 2022 — 01:15



 

“A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”

– Mesmo sabendo destes problemas, existem grunhos labregos irracionais que mantêm as suas piscinas e piscinazinhas desmontáveis a funcionar…

AMBIENTE/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/SECA

Depois de um verão quente e seco, os próximos meses podem não ser fáceis. Em Espanha, os agricultores já pediram, inclusive, que o governo trave a cedência de água a Portugal prevista nos acordos de Albufeira. Ao DN, o presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas diz não compreender a falta de discussão do tema a nível ibérico.

Presidente da APDA: “Falta de água vai ser a próxima pandemia.”
© Nuno Veiga / Lusa

Em seca severa (55,2%) ou extrema (44,8%): Esta era a situação a nível nacional, no início do mês de Agosto, depois daquele que foi o Julho mais quente desde que há registo. Os dados do mais recente Relatório de Monitorização Agro-meteorológica e Hidrológica, feito pelo Grupo de Trabalho de assessoria técnica à Comissão de Acompanhamento dos Efeitos da Seca mostram de forma objectiva a difícil situação que o país atravessa devido à escassez de água.

Depois do verão mais quente desde 1932, os próximos meses podem não ser fáceis. Quem o diz é o presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, Rui Godinho. “Gostava de ter uma expectativa mais positiva em relação a este assunto, mas a verdade é que se pensa que a situação será grave”, alerta o responsável, apesar de não ter dados “a médio/longo prazo”.

O que leva, então, a esta forma de pensamento? “O relatório é feito mensalmente desde 2017, um ano gravíssimo em termos de seca porque foi muito além do verão. E cada vez mais vemos que a seca é uma questão sistémica”, diz Rui Godinho, acrescentando: “A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”, não só a nível nacional.

“A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”

Depois de um verão quente e seco, os próximos meses podem não ser fáceis. Em Espanha, os agricultores já pediram, inclusive, que o governo trave a cedência de água a Portugal prevista nos acordos de Albufeira. Ao DN, o presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas diz não compreender a falta de discussão do tema a nível ibérico.

Em seca severa (55,2%) ou extrema (44,8%): Esta era a situação a nível nacional, no início do mês de Agosto, depois daquele que foi o Julho mais quente desde que há registo. Os dados do mais recente Relatório de Monitorização Agro-meteorológica e Hidrológica, feito pelo Grupo de Trabalho de assessoria técnica à Comissão de Acompanhamento dos Efeitos da Seca mostram de forma objectiva a difícil situação que o país atravessa devido à escassez de água.

Depois do verão mais quente desde 1932, os próximos meses podem não ser fáceis. Quem o diz é o presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, Rui Godinho. “Gostava de ter uma expectativa mais positiva em relação a este assunto, mas a verdade é que se pensa que a situação será grave”, alerta o responsável, apesar de não ter dados “a médio/longo prazo”.

O que leva, então, a esta forma de pensamento? “O relatório é feito mensalmente desde 2017, um ano gravíssimo em termos de seca porque foi muito além do verão. E cada vez mais vemos que a seca é uma questão sistémica”, diz Rui Godinho, acrescentando: “A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”, não só a nível nacional.

Na passada segunda-feira, cerca de três mil agricultores espanhóis das províncias de León, Zamora e Salamanca manifestaram-se para exigirem o fim do Acordo de Albufeira. Assinado em 1998 (e em vigor desde 2000), este compromisso prevê a gestão conjunta e o uso de água das cinco bacias hidrográficas comuns, entre as quais a do Douro, por força do qual terão de chegar a Portugal 870 hectómetros cúbicos de água (650 dos quais de duas barragens espanholas, o que equivale a mais de metade da água armazenada).

“Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta? Decisões políticas fortes, de continuidade.”

Esta situação, para Rui Godinho, “é um exemplo concreto” de que faltam “soluções políticas concretas” para resolver o problema da seca na Península Ibérica – até porque pertence à bacia do Mediterrâneo, uma das regiões que será mais afectada pela seca no futuro.

“Não se entende como é que o tema da água, e da seca em concreto, não se discute ao nível das cimeiras ibéricas que se realizam”, considera o presidente da APDA, para quem ainda há “muito a fazer” nesta área, sobretudo ao nível das políticas públicas, para resolver o problema. “Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta então? Decisão políticas fortes, de continuidade.”

Diálogo ibérico “é mais do que bem-vindo”

Neste sentido, o governo anunciou na quarta-feira, pela voz do ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está em contacto permanente com os congéneres espanhóis para procurar encontrar soluções. As declarações do ministro foram feitas numa audição parlamentar na Comissão de Ambiente e Energia, em resposta a uma pergunta do líder parlamentar do Bloco de Esquerda sobre a gestão da água e escassez em Portugal.

Para o presidente da APDA, “todas as iniciativas de diálogo entre ambas as partes são mais do que bem-vindas. Este é ou devia ser o caminho”. E deixa o alerta: “Apesar disso, e de serem dados passos mais técnicos para certas situações – como o foco em soluções para compensar a falta de volume nos caudais -, é importante que haja um diálogo institucional nas esferas mais altas também, não apenas ao nível das associações.”

Do ponto de vista de Rui Godinho, “o custo de não tomar medidas concretas é muito maior do que qualquer investimento que se faça para prevenir e combater a seca. Já para não falar dos custos económicos e humanos associados à seca”, diz o presidente da APDA, para quem “a falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas”.

Esta perspectiva foi, de resto, confirmada pelo relatório Drought 21 (Seca 21), organizado pela Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, apresentado na última COP21. “É cada vez mais um problema sistémico, como prova o relatório”, considera o responsável.

Conferência pretende chegar a soluções concretas

Tendo em conta a “premência e criticidade do tema”, a APDA decidiu organizar uma conferência “para tentar chegar a soluções e medidas concretas para apresentar ao governo”, diz o presidente.

A Conferência A Urgência da Água: do Ambiente à Economia decorre esta quinta-feira no Pavilhão do Conhecimento e João Galamba, secretário de Estado do Ambiente e da Energia, estará presente.

“A falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas.”

Sobre esta iniciativa, Rui Godinho diz que a intenção é “mesmo a de organizar mais no futuro”. “Queremos ser parte da solução e dar soluções para aquele que é um problema cada vez mais sistémico. Há que mobilizar o país para discutir este tema que muitas vezes é esquecido nos debates no espaço público”, afirma Rui Godinho.

Ao longo do dia, serão discutidos temas como “o stress hídrico, a arquitectura institucional da gestão de água” ou os “problemas pendentes nos serviços de águas”, anuncia APDA em comunicado. Com a intenção a ser a realização de conferências semelhantes no futuro, Rui Godinho dá já pistas para uma eventual próxima edição: “Há que discutir também a evolução tecnológica e a aplicação destas ferramentas ao serviço da gestão de águas.”

rui.godinho@dn.pt

Diário de Notícias
Rui Miguel Godinho
22 Setembro 2022 — 00:14



 

“É a altura perfeita para atacar as alterações climáticas”

– Não existe “altura perfeita” para atacar as alterações climáticas! Este “ataque” já deveria ter sido efectuado há muitos anos atrás para não termos de chegar ao actual deplorável estado semi-moribundo do Planeta!

PLANETA TERRA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

No último dia da iniciativa European Young Leaders, debateu-se, em mesa redonda, o futuro do clima. A conclusão? Há espaço para fazer mais e melhor.

Iniciativa que debate o futuro da Europa decorreu em vários espaços de Lisboa, como a Assembleia da República (na foto) e no Teatro Municipal São Luiz.
© Friends of Europe | European Young Leaders

O melhor caminho para mitigar e combater os efeitos das alterações climáticas é unir esforços, em particular entre os Estados Unidos e a União Europeia.

É esta a principal conclusão do painel Transatlantic Climate Change Dialogue (“Diálogo Transatlântico sobre Alterações Climáticas”, em português), que aconteceu ontem em formato híbrido, e que se insere na iniciativa European Young Leaders (Jovens Líderes Europeus, em português), que decorre em Lisboa desde quinta-feira e termina este sábado.

O painel, constituído sobretudo por figuras ligadas a instituições europeias e americanas com um papel na luta contra as alterações climáticas, discutiu, ao longo de pouco mais de duas horas qual a melhor forma de mitigar os efeitos cada vez mais visíveis desta problemática.

Para Laura Cozzi, da Agência Internacional de Energia, esta “é a altura perfeita para atacar as alterações climáticas”, e justifica: “Estamos a começar a perceber que política energética não significa necessariamente energia, mas sim que é agora possível, também, ter fundos para mudar de casa e estamos a perceber qual é o caminho a seguir neste aspecto”.

Mas, reconhece a responsável, “não tem havido uma abordagem consistente por parte dos decisores políticos e isso não é apelativo para os consumidores” – algo com o qual Francesca Cavallo, escritora italiana e outra das intervenientes, concorda: “O discurso tem sido sempre muito punitivo, quase como se fosse um pecado ter comportamentos pouco ambientalistas.”

Numa perspectiva vinda dos Estados Unidos, Kevin Noertker, CEO da Ampaire, uma empresa da indústria da aviação híbrida, defende que “o futuro passa por investimentos na sustentabilidade”, apesar de considerar que “as políticas públicas actuais não contribuem para a descarbonização”.

No caso do sector da aviação – considerado dos mais poluentes a nível global -, “tem havido sempre obstáculos porque não é uma indústria fácil de descarbonizar.

A alternativa? Seria reprogramar e reestruturar o sector e isso ia atrasar o progresso já alcançado.” Numa esfera mais próxima do poder político, Ethan Hinch, funcionário do gabinete do senador Bernie Sanders, acrescenta que “é necessário haver uma redução da dependência de combustíveis fósseis.

É preciso apoiar a descarbonização” e, para isso, defende Andrea Ruotolo, responsável pelo departamento de sustentabilidade da empresa Rockwell (que produz soluções de automação industrial e energia), a solução é só uma: “Se queremos efectivamente descarbonizar as economias, temos de estabelecer um preço obrigatório para o carbono.”

No final das intervenções, a conclusão é que, perante a crise energética que se enfrenta, o caminho passa por pensar em como estabelecer “novas cadeias de abastecimento energético, ao mesmo tempo que se tenta, aos poucos e poucos, adoptar modelos de mobilidade alternativos ao automóvel e aos meios de transporte mais poluentes.

As emissões estão a aumentar e não o contrário“, remata Thibaut Febvre, presidente-executivo da Vianova, uma plataforma de dados sobre mobilidade urbana e serviços de transporte.

rui.godinho@dn.pt

Diário de Notícias
Rui Miguel Godinho
10 Setembro 2022 — 07:00