441: Analfabetismo

OPINIÃO

Tenho a sensação que Portugal continua a ser um país onde proliferam inúmeros analfabetos.

Mas esses, são uns analfabetos especiais. Sabem ler e escrever mas não sabem interpretar correctamente as palavras. Senão vejamos: Quem pretende ter uma licença para conduzir um veículo de duas ou de quatro rodas, tem de fazer exame de condução e de código.

Ora, para estas duas situações, os candidatos a condutor, têm de saber ler e escrever, sem o qual não poderiam estudar o Código da Estrada.

Mas depois de efectuado o exame de condução e o de código, parece que o analfabetismo de muita gente, associado a crises de amnésia, leva a que o que se teve de saber – para “passar” no exame de código -, esqueceu-se, ficou para trás.

Ora, é comum e sintomático, constatar que os “amnésicos” do volante, violam as leis estabelecidas no Código da Estrada e arranjam as mais esfarrapadas desculpas para tentarem safar-se de uma (ou mais) coimas que são aplicada por esse código, aos infractores.

As mais comuns são o estacionamento em cima dos passeios (os passeios não são parques de estacionamento, fizeram-se para os peões circularem, assim como as estradas fizeram-se para as viaturas circularem).

O estacionamento em cima das passadeiras ou a distâncias irregulares das mesmas, das paragens dos transportes públicos, o estacionamento em cima dos passeios com bloqueio de portas de prédios, etc..

Todos estes amnésicos constituem uma classe de gente imprópria para ter capacidade para conduzir seja que viatura for, inclusive as scooters que são outro cancro de estacionamento em cima dos passeios e em tudo que as possa abrigar.

Obrigam os peões a circularem pela estrada, com risco da própria vida, sejam novos, idosos, crianças, carrinhos com bebés, pessoas com mobilidade reduzida, etc..

E a polícia (municipal) tem conhecimento destes actos de infracção ao Código da Estrada mas assobia para o lado e raramente monitoriza a situação nos locais assinalados.

Concomitantemente, estes amnésicos infractores do volante, desconhecem o significado das palavras CIDADANIA (¹) e CIVISMO (²), o que os transporta para um estádio de analfabetismo agudo incurável dado que diariamente, sem descanso, provocam as infracções referidas, sem que sejam minimamente importunados por quem de direito.

(¹) CIDADANIA: Cidadania (do latim civitas, que quer dizer cidade) corresponde, no direito ao vínculo jurídico que traduz a condição de um indivíduo enquanto membro de um Estado ou de uma comunidade política, a que designamos cidadão, constituindo-o como detentor de direitos e de deveres perante essa mesma entidade num determinado território que este administra, e ao exercício da sua prática. Estes direitos e deveres devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação com outro cidadão. São esses recursos e práticas que, segundo Dalmo de Abreu Dallari, “dão à pessoa a possibilidade de participar activamente da vida social e do governo de seu povo“.

(²) CIVISMO: Civismo são práticas assumidas como deveres fundamentais para a vida colectiva, visando preservar a sua harmonia e melhorar o bem-estar de todos. Mais especificamente, o civismo consiste na dedicação pelo interesse público e também pela política de um país, fidelidade, paz ou honra em relação à pátria; patriotismo.

Questões do civismo

As questões do civismo, centram-se sobretudo ao nível das práticas quotidianas, nomeadamente na forma como os cidadãos contribuem ou não para

Em três dimensões:

  • a) Dimensão Ética. A atitude cívica é inseparável da ética, isto é, de uma acção norteada por princípios.
  • b) Dimensão normativa. Um comportamento cívico é, frequentemente, encarado como o respeito por um conjunto de regras de convivência que estão definidas na lei, em posturas municipais etc. Estas prescrições, fruto de consensos colectivos, mais não visam do que integrar os indivíduos numa organização social e evitar a conflitualidade nas suas relações.
  • c) Dimensão Identitária. As sociedades, como as pólis, são anteriores aos próprios indivíduos que as constituem. Têm memórias, valores e heranças patrimoniais que importa preservar, sob pena de perderem aquilo que as diferencia e individualiza como tais. O civismo é, em última instância, uma atitude de defesa da própria cidade e da cultura que a mesma possui.

16.10.2022