799: A “sinistra viagem” de Marcelo e Costa ao Qatar. “Tenham vergonha!”

– “… Vão “pagos por quem? Por contribuintes, quando estamos em crise económica, com inflação e guerra? Ora tomem juízo! Decência, decoro e frugalidade exigem-se!”“. Eu respondo: vão pagos pelos tótós dos contribuintes, especialmente aqueles de baixos recursos financeiros mas de altas taxas de impostos! Não lhes sai da algibeira deles! Viajam, comem e bebem por esse mundo fora à pala dos impostos cobrados e esbulhados aos contribuintes! Alguma dúvida?

SINISTRA VIAGEM/QATAR/FUTEBOL

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa admitem ir ao Qatar durante o Mundial 2022, alegando que vão apoiar a Selecção e defender os direitos humanos. E recebem uma onda de críticas a lembrar os gastos do Estado em tempos de crise e sendo acusados de estar a legitimar uma “monarquia arcaica e repressiva”.

Tiago Petinga / Lusa

Nas vésperas da abertura do Mundial 2022, há uma chuva de críticas quanto à organização do torneio no Qatar, um país onde a homossexualidade é crime e onde os direitos das mulheres não estão consagrados, além de ser acusado de violar os direitos humanos, nomeadamente no caso de trabalhadores imigrantes.

Em Portugal, o tema é a possível ida de Marcelo Rebelo de Sousa, de António Costa e também do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, ao país, um tema que tem sido muito discutido na praça pública e que vai ser votado pelo Parlamento na próxima segunda-feira.

Nas redes sociais, há muito quem proteste contra essa possibilidade, incluindo a socialista Ana Gomes que questiona “a que título” o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, qual “gato e periquito”, vão ao Qatar “em representação do Estado, esquecendo Direitos Humanos”.

Vão “pagos por quem? Por contribuintes, quando estamos em crise económica, com inflação e guerra? Ora tomem juízo! Decência, decoro e frugalidade exigem-se!”, escreve Ana Gomes no seu perfil no Twitter.

Mais adiante, Ana Gomes acrescenta que “apoiar a Selecção Nacional de futebol ou de caça a gambuzinos não é tarefa que se exija a primeiro-ministro ou Presidente da República”. “Pelo contrário, deviam era combater promiscuidade entre futebol, negócios e política“, acrescenta, frisando que só se entende que se esqueçam da “corrupção e calquem direitos humanos” por um “despudorado populismo”.

Pelo meio destas mensagens, Ana Gomes também partilha a publicação de um utilizador do Twitter que lembra que Marcelo alega que vai ao Qatar defender os direitos humanos, mas que “nunca foi a Odemira, nos últimos três anos, para fazer valer a voz de imigrantes que são vítimas de patrões selvagens e de redes mafiosas acolhidas de bolsos aberto pelo regime”.

A economista Susana Peralta fala, por seu turno, da “sinistra viagem das três mais altas figuras do Estado” português ao Qatar numa crónica no Público, onde defende que a ida àquele país “legitima a lavagem desta monarquia arcaica e repressiva, em nosso nome”.

Susana Peralta nota ainda que subscreve “a carta dirigida às três figuras cimeiras do Estado pelo presidente e pelo vice-presidente da Frente Cívica, Paulo de Morais e João Paulo Batalha, na qual lhes apelam para que não se desloquem ao Qatar“.

Os autores desta carta consideram “imorais e ilegítimos quaisquer gestos de legitimação, e até de celebração” da “barbárie civilizacional” que é o Qatar 22.

A economista nota ainda que Marcelo, Costa e Santos Silva “não são uns adeptos quaisquer”. “Se não têm eles vergonha, pensem na nossa e fiquem em casa“, aconselha.

Marcelo diz que vai ao Qatar defender os direitos humanos

Na passada quinta-feira, Marcelo assumiu que “o Qatar não respeita os direitos humanos”, mas recomendou “esqueçamos isto”, frisando que pretende assistir ao Portugal-Gana naquele país, na estreia da Selecção no Mundial 2022 a 24 de Novembro.

Essas declarações causaram muita polémica e o Presidente da República veio, entretanto, justificar que estava “nervoso” com o futebol.

As declarações de Marcelo deixaram o director executivo da Amnistia Internacional (AMI) Portugal, Pedro Neto, “estupefacto”. Pedro Neto também desafiou o Presidente da República a não ir ao Qatar.

Ora, Marcelo já disse que se o Parlamento aprovar, vai assistir ao jogo da Selecção naquele país, reforçando que é sócio da AMI e que não tem visto “muitos chefes de Estado a serem tão veementes e tão claros na condenação do que se passa em termos de direitos humanos no Qatar”.

O Presidente da República também reforça que quando um chefe de Estado visita países com um regime não democrático, fá-lo “pelo interesse nacional”, caso contrário “não se poderia visitar três quartos do mundo”, nem receber ou ter relações com esses países, porque são “ditaduras”.

Marcelo defende ainda que uma das razões para ir ao Qatar são “os direitos humanos em termos de liberdades das pessoas” e dos “trabalhadores que trabalharam na construção dos estádios e cuja situação é dramática”.

“Apoiamos a Selecção no Qatar, em França, na China, na Rússia”

O primeiro-ministro nota também que os responsáveis políticos portugueses estarão no Mundial 2022 a apoiar a Selecção Nacional e não a violação dos direitos humanos ou a discriminação das mulheres no Qatar.

“O Campeonato do Mundo é onde é. Todos temos uma posição sobre o que é o Qatar”, mas “quando formos lá não vamos seguramente apoiar o regime do Qatar, a violação dos direitos humanos e a discriminação das mulheres no Qatar”, realça António Costa.

“Quando formos lá, vamos apoiar a Selecção Nacional, a Selecção de todos os portugueses, a Selecção que veste a bandeira”, sublinha o primeiro-ministro.

Apoiamos no Qatar, em França, na Índia, na China, na Rússia. Apoiamos onde a Selecção estiver. É a nossa Selecção. E nós estamos sempre com a nossa Selecção, porque a Selecção veste a nossa bandeira”, constata ainda António Costa.

Susana Valente, ZAP // Lusa
19 Novembro, 2022



 

562: Costa anuncia que Governo está a avaliar o fim dos vistos gold

– É uma vergonha, um abuso, uma injustiça o governo estar a dar a possuidores de vistos gold a verba de € 125,00 de “apoio” às famílias! Os  ‘tadinhos são pobrezinhos e necessitam de “apoio”? É por estas e por muitas outras que os contribuintes com mais dificuldades económicas pagam impostos (IRS) exorbitantes para encher a pança a esta choldra!

PORTUGAL/GOVERNO/VISTOS GOLD

O primeiro-ministro disse que, “provavelmente”, o regime de vistos gold “já cumpriu a função que tinha a cumprir e que neste momento não se justifica mais manter”.

O primeiro-ministro António Costa
© EPA/STEPHANIE LECOCQ

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que o Governo está a avaliar a continuidade do regime de vistos gold para obtenção de autorização de residência em Portugal, admitindo que poderá não se justificar mais a sua manutenção.

António Costa falava aos jornalistas no final de uma visita de quase duas horas à zona de exposições da Web Summit, na Feira Industrial de Lisboa (FIL), depois de ter sido questionado sobre o regime fiscal especial destinado aos chamados “nómadas digitais”.

O primeiro-ministro defendeu a continuidade da política de atractividade de investidores em Portugal, sobretudo na área tecnológica, mas fez uma distinção em relação ao regime dos vistos gold, em que se obtém autorização de residência no país na sequência, por exemplo, da compra de um imóvel de elevado valor.

“Há programas que nós estamos neste momento a reavaliar e um deles é o dos vistos gold, que, provavelmente, já cumpriu a função que tinha a cumprir e que neste momento não se justifica mais manter”, declarou o líder do executivo, tendo ao seu lado o ministro da Economia, António Costa Silva.

Perante os jornalistas, o primeiro-ministro não apontou ainda um calendário concreto para o possível fim dos vistos gold — uma medida que tem sido reivindicado pela esquerda política, principalmente pelo Bloco de Esquerda, que considera este regime um factor de agravamento dos preços da habitação e fonte de problemas de justiça por suspeitas lavagem de dinheiro.

“Quando se está a avaliar colocam-se todas as hipóteses. Depois de se completar a avaliação, então tomam-se decisões — e as hipóteses tornam-se decisões.

Neste momento, estamos a avaliar se os vistos gold fazem sentido, mas há outros [regimes] que continuam a fazer sentido”, disse António Costa, dando como exemplo “o programa Regressar”.

“Esse é um programa em que damos apoio generoso em matéria fiscal para que os portugueses que tiveram de emigrar regressem ao país”, acrescentou.

A deputada do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, já reagiu às declarações do primeiro-ministro sobre a possibilidade de acabar com o regime de vistos gold.

“Provavelmente já cumpriu a função que tinha a cumprir”. Oh se cumpriu! Vamos ver como votam no Orçamento ou se é só mais um anúncio sem proposta”, escreveu a deputada do BE na rede social twitter.

Notícia actualizada às 13:03

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Novembro 2022 — 12:24