114: NASA identifica regiões candidatas para o regresso dos humanos à Lua

CIÊNCIA/ESPAÇO/LUA

presentação das 13 regiões candidatas à alunagem da missão Artemis III. Cada região tem aproximadamente 15×15 quilómetros. Um local de alunagem é um sítio, dentro dessas regiões, com um raio aproximado de 100 metros.
Crédito: NASA

À medida que a NASA se prepara para enviar astronautas de volta à Lua no programa Artemis, a agência espacial identificou 13 regiões candidatas à alunagem perto do pólo sul do nosso satélite natural.

Cada região contém múltiplos locais potenciais de pouso para a missão Artemis III, que será a primeira das missões Artemis a colocar uma tripulação à superfície, incluindo a primeira mulher na Lua.

“A selecção destas regiões significa que estamos um salto gigantesco mais próximo do regresso dos humanos à Lua pela primeira vez desde o programa Apollo”, disse Mark Kirasich, administrador adjunto associado da Divisão de Desenvolvimento da Campanha Artemis na sede da NASA em Washington.

“Quando o fizermos, será diferente de qualquer missão que tenha surgido antes: os astronautas vão aventurar-se em áreas escuras anteriormente inexploradas pelos humanos e lançam as bases para futuras estadias de longo prazo”.

A NASA identificou as seguintes regiões candidatas para uma alunagem da Artemis III:

  • Faustini Rim A;
  • Peak Near Shackleton;
  • Connecting Ridge;
  • Connecting Ridge Extension;
  • de Gerlache Rim 1;
  • de Gerlache Rim 2;
  • de Gerlache-Kocher Massif;
  • Haworth;
  • Malapert Massif;
  • Leibnitz Beta Plateau;
  • Nobile Rim 1;
  • Nobile Rim 2;
  • Amundsen Rim.

Cada uma destas regiões está localizada a seis graus de latitude no pólo sul lunar e, colectivamente, contêm diversas características geológicas. Juntas, as regiões fornecem opções de alunagem para todas as potenciais oportunidades de lançamento da Artemis III.

Os locais de pouso estão fortemente ligados ao calendário da janela de lançamento, pelo que múltiplas regiões asseguram flexibilidade para um lançamento ao longo do ano.

Para seleccionar as regiões, uma equipa de cientistas e engenheiros de toda a agência espacial avaliou a área perto do pólo sul lunar usando dados da LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA e décadas de publicações e descobertas científicas lunares.

Além de considerar a possibilidade de janelas de lançamento, a equipa avaliou as regiões com base na sua capacidade de acomodar uma alunagem segura, usando critérios que incluem a inclinação do terreno, a facilidade de comunicação com a Terra e as condições de iluminação.

Para determinar a acessibilidade, a equipa também considerou as capacidades combinadas do foguetão SLS (Space Launch System), da nave espacial Orion e do sistema de aterragem humana Starship fornecido pela SpaceX.

Todas as regiões consideradas são cientificamente significativas devido à sua proximidade com o pólo sul lunar, que é uma área que contém regiões permanentemente à sombra ricas em recursos e em terrenos inexplorados por humanos.

“Vários dos locais propostos dentro das regiões estão localizados entre algumas das partes mais antigas da Lua e, juntamente com as regiões permanentemente à sombra, proporcionam a oportunidade de aprender mais sobre a história da Lua através de materiais lunares previamente não estudados”, disse Sarah Noble, líder científica do programa Artemis para a Divisão de Ciência Planetária da NASA.

A equipa de análise pesou outros critérios de alunagem com objectivos científicos específicos da missão Artemis III, incluindo o objectivo de pousar perto o suficiente de uma região permanentemente à sombra para permitir à tripulação realizar um passeio lunar, limitando ao mesmo tempo a perturbação da alunagem.

Isto permitirá à tripulação recolher amostras e realizar análises científicas numa área não comprometida, produzindo informações importantes sobre a profundidade, distribuição e composição da água gelada que foi confirmada no pólo sul da Lua.

A equipa identificou regiões que podem cumprir o objectivo do passeio lunar assegurando a proximidade a regiões permanentemente à sombra, e também tiveram em conta outras condições de iluminação.

Todas as 13 regiões contêm locais que proporcionam acesso contínuo à luz solar durante um período de 6,5 dias – a duração planeada da estadia da missão Artemis III à superfície. O acesso à luz solar é crítico para uma estadia prolongada na Lua, porque proporciona uma fonte de energia e minimiza as variações de temperatura.

“O desenvolvimento de um plano para explorar o Sistema Solar significa aprender a utilizar os recursos que estão à nossa disposição e ao mesmo tempo preservar a sua integridade científica”, disse Jacob Bleacher, cientista chefe de exploração da NASA.

“A água gelada lunar é valiosa de uma perspectiva científica e também como recurso, porque dela podemos extrair oxigénio e hidrogénio para sistemas de suporte de vida e combustível”.

A NASA vai discutir as 13 regiões com as mais vastas comunidades científicas e de engenharia através de conferências e workshops para solicitar contributos sobre os méritos de cada região. Este feedback irá informar a selecção de locais no futuro, e a NASA poderá identificar regiões adicionais para consideração.

A agência espacial vai continuar a trabalhar com a SpaceX para confirmar as capacidades de aterragem da nave espacial Starship e para avaliar as opções em conformidade.

A NASA vai seleccionar locais dentro das regiões, para a Artemis III, depois de identificar as datas de lançamento da missão, que ditam as trajectórias de transferência e as condições ambientais à superfície.

Através do programa Artemis, a NASA vai fazer pousar a primeira mulher e a primeira pessoa afro-americana na Lua, abrindo caminho para uma presença lunar sustentável a longo prazo e servindo como pedra angular para futuras missões tripuladas a Marte.

Astronomia On-line
23 de Agosto de 2022