922: Marte está a destruir a sua maior lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Força de maré: novo estudo sugere que a gravidade do “planeta vermelho” está a destruir Fobos, o seu maior satélite.

jihemD / Wikimedia
Marte e Fobos

Imagine a Terra a destruir a Lua.

Agora imagine Marte a destruir a sua maior lua.

É o que está mesmo a acontecer, de acordo com um estudo divulgado no The Planetary Science Journal.

Têm-se visto uns sulcos paralelos, invulgares, na superfície de Fobos, a maior lua de Marte.

Os sulcos eram vistos como consequências de um impacto de asteróide, há milhares ou milhões de anos.

Mas afinal são quase desfiladeiros cheios de poeira que têm vindo a ficar cada vez maiores, à medida que a lua se estende por forças gravitacionais.

Esta análise sugere que esses sulcos são sinais de uma destruição que a gravidade Marte está a causar no seu principal satélite. Destruição lenta, mas está a acontecer.

O portal Space.com explica que esse satélite está a ser dilacerado pelas forças gravitacionais extremas exercidas por Marte.

Com diâmetro máximo de 27 quilómetros, Fobos faz três rotações completas por dia, à volta de Marte, a uma distância de 6 mil quilómetros.

Mas como o seu movimento de rotação não é constante, não tem uma órbita estável, e devido à gravidade do quarto planeta do Sistema Solar, está a “cair” lentamente (1,8 metros em cada 100 anos) em direcção a Marte. Está presa numa espécie de “espiral da morte”.

O estudo lembra que, à medida que Fobos (corpo menor) se aproxima de Marte (corpo maior), Fobos estica-se cada vez mais numa linha em direcção a Marte. É a força de maré. Um dos lados do corpo tem uma maior aceleração do que o seu centro de massa; o outro lado do corpo tem uma menor aceleração.

Se nada se alterar, daqui a 40 milhões de anos a força de maré será maior do que a gravidade de Fobos (que a mantém). E aí, ou até antes, Fobos será completamente destruída.

Consequência provável: os detritos de Fobos vão criar um pequeno anel ao redor de Marte, tal como os anéis de Saturno.

A tensão das marés pode criar “fissuras paralelas com espaçamento regular”, lê-se no estudo, o que pode antecipar – lentamente, sim – a destruição do satélite.

ZAP //
26 Novembro, 2022



 

844: O que comeríamos se a Terra fosse atingida por um asteróide

CIÊNCIA/ASTERÓIDES/TERRA/ALIMENTAÇÃO

Caso um asteróide gigante atingisse a Terra daqui a alguns anos, bloqueando o Sol e causando um colapso da agricultura, até poderíamos vê-lo a chegar, mas as tentativas de redireccionar a sua trajectória poderiam facilmente falhar.

CC0 Public Domain

À primeira vista, as nossas hipóteses de sobrevivência parecem poucas. No entanto, se isso fosse possível, conseguiríamos construir um novo sistema alimentar com o conhecimento que já temos?

Num artigo publicado recentemente, a BBC News Brasil imaginou como poderíamos sobreviver caso o planeta fosse atingisse por um asteróide.

Quando o asteróide Chicxulub atingiu a Terra, há 66 milhões de anos, transformou o leito rochoso do oceano em plasma, vaporizou toda a vida num raio de 2.400 quilómetros e atirou detritos ao redor do planeta. Cerca de 25 biliões de toneladas de matéria desenterrada entraram na atmosfera, bloqueando a luz solar.

Ao contrário dos dinossauros, muitos dos nossos ancestrais mamíferos sobreviveram às consequências porque eram escavadores. Mas não foram apenas o estilo de vida e a morfologia que os ajudaram. A dieta também os favoreceu.

Os dinossauros que sobreviveram a terramotos, incêndios e tsunamis logo descobriram que não tinham nada para comer. Os nossos ancestrais mamíferos, por outro lado, viviam de insectos, nozes e plantas aquáticas.

Um pequeno número de dinossauros terópodes – que incluiu o Tiranossauro rex e do qual todas as aves contemporâneas evoluíram – conseguiu sobreviver, graças à sua dieta omnívora, bico e uma moela que os ajudou a extrair nutrição das sementes.

Esta lição pode sugerir que devemos preparar estoques de alimentos básicos de emergência. Durante a Guerra Fria, num depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos (EUA), as autoridades norte-americanas propuseram uma “bolacha de sobrevivência para todos os fins”, feita de triguilho.

Latas de sopa Campbell, sumos em pó Tang e o “alimento multi-propósito” da General Mills (produto à base de soja, rico em nutrientes para uso em situações de “emergência ou desastre”) foram produzidos sob ordens do governo norte-americano para encher as prateleiras dos abrigos nucleares.

No entanto, não seria fácil armazenar comida suficiente para alimentar a todos durante uma década – ou até mesmo um ano. Estima-se que os ‘stocks’ existentes de alimentos secos poderiam alimentar cerca de 10% da população durante um período de cinco anos.

Se os governos ou a Organização das Nações Unidas (ONU) adoptassem a mentalidade ‘prepper’ (estratégia de sobrevivência dos super-ricos) e produzissem as cerca de 1,6 mil milhões de toneladas necessárias todos os anos para alimentar todos os humanos na Terra, os preços disparariam. Isso também seria uma catástrofe.

Quando os EUA detonaram uma bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasaki, aqueles que se esconderam em túneis de minas antigas conseguiram sobreviver desde que não estivessem muito perto da entrada.

Akiko Takakura, na altura com 20 anos, conseguiu sobreviver apesar de estar a 300 metros do hipocentro da explosão pelo facto de estar dentro de um prédio de concreto armado – a agência do Banco do Japão, em Nagasaki.

Diante de um ataque de asteróide, os cidadãos de Ancara, Pequim, Moscovo e Montreal terão, portanto, uma vantagem. Estas cidades contam com grandes espaços de trânsito, armazenamento e comércio no subsolo.

A Turquia pode até utilizar a vasta rede de cidades subterrâneas na província de Nevşehir – situada na região da Capadócia -, construída pelos frígios há 2.500 anos e expandida pelos capadócios gregos.

O Reino Unido também estará numa posição forte. Além das redes de metro subterrâneos em Londres, Newcastle, Sunderland, Glasgow e Liverpool, existem abóbadas subterrâneas, abrigos, cavernas e adegas em Nottingham, Edimburgo, Chislehurst e Stockport.

Além de abrigar humanos, espaços subterrâneos podem ser usados ​​para cultivar alimentos nutritivos. Apesar da falta de luz e da humidade, certas culturas podem prosperar nesses locais caso seja utilizada a abordagem correta. Experiências em pequena escala na agricultura urbana subterrânea já estão em andamento.

Paris abriga quilómetros quadrados de espaço inexplorado na forma de estacionamentos, parte dos quais a empresa Cycloponics transformou em espaços de cultivo de cogumelos. Enquanto isso, a empresa Growing Underground está a cultivar vegetais num antigo abrigo antiaéreo em Clapham, Londres.

Por um curto período, brotos, micro-verdes (versões bem menores de vegetais comestíveis), aspargos brancos, ruibarbo e cogumelos podem ser cultivados com luz artificial zero ou mínima.

Os brotos são uma óptima fonte de vitaminas, ácidos gordos e fibras, e usam a energia armazenada na semente para crescer. O mesmo vale para os micro-verdes, que podem fornecer uma variedade de sabores – de picante a azedo e doce – para preparar outros alimentos.

Em Dezembro de 2020, a Autoridade Carbonífera e o Serviço Geológico Britânico divulgaram mapas de calor para os estimados 25 quilómetros quadrados de campos de carvão em desuso em todo o Reino Unido.

Através deste levantamento, chegaram à conclusão que futuras habitações podem ser construídas para extrair calor das águas que retornaram às minas depois de terem sido desactivadas.

Ainda na antecipação de cenário da BBC News Brasil, uma semana após a Terra ser atingida, sairíamos dos refúgios temporários. A fuligem flutuaria no ar e a luz lembraria o crepúsculo antes do amanhecer. Cada um de nós tem pacotes iniciais: bactérias, sementes e células.

Como os cogumelos não contêm cloroplastos, não precisam de luz para crescer. O que eles precisam é de calor, humidade e um substrato de matéria orgânica para frutificar, recém-abundante na vegetação derrubada do velho mundo biológico.

Infelizmente, os cogumelos não são uma grande fonte de calorias. Muitos são venenosos. A maioria produz esporos tóxicos para humanos em alta concentração e rasga edifícios que preferimos usar como abrigo. O cultivo de cogumelos deve ocorrer em caves, edifícios e túneis especialmente designados.

Não será fácil conseguir uma dieta equilibrada – mas isso pode ser feito. As pessoas continuariam a comer espécies de ruminantes sobreviventes como veados, vacas, cabras e galinhas, alimentando o número reduzido que mantemos com gramíneas mortas, folhas e madeira em decomposição.

Quanto às vitaminas complicadas, E, A e B12 podem ser sintetizadas por processos industriais. Outras, como K ou D, serão mais difíceis de adquirir.

A maior parte da vitamina D comercial vem do refino e irradiação da lã de ovelha. No curto prazo, podemos extrair nutrientes de flores, folhas e partes das árvores.

O chá de agulha de pinheiro tem mais vitamina C do que um sumo de laranja. O chá de urtiga contém vitaminas A, C e K, e o de dente-de-leão é rico em potássio.

Modelos de computador construídos para estudar uma guerra nuclear total prevê que menos de 40% da luz persistirá perto do equador, com apenas 5% nos pólos.

A beterraba mostrou tolerância a temperaturas mais baixas e podemos ter sucesso limitado no cultivo de cenouras, repolhos, batatas e ervilhas.

Muitas outras culturas essenciais, como batata, trigo, cevada, arroz, milho e soja, poderiam ser realocadas para os trópicos e complementadas por mandioca, espinafre selvagem e inhame.

Aqui construiríamos estufas – supondo que a cooperação e o comércio continuassem -, estruturas simples feitas de madeira, filme de polímero, cascalho e pregos que maximizassem a luz solar que receberíamos.

Uma visão comum nas cidades hoje são rios e canais cheios com algas. No entanto, esse imenso poder de crescimento pode tornar as algas altamente valiosas em caso de desastre. Estas são ricas em nutrientes, incluindo ômega-3 e ômega-6, e podem ser cultivadas com pouca luz e colhidas durante todo o ano.

Com matérias-primas como petróleo, gás natural, CO2 ou as sobras não comestíveis das plantações (resíduos das colheitas ou da extracção de madeira) poderíamos produzir proteínas “sintéticas”, açúcar e gorduras.

Historicamente, em períodos de guerra ou crise económica, a infra-estrutura foi redireccionada para atender às necessidades mais prementes da sociedade. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA adaptaram 66% das fábricas de automóveis para a produção de aeronaves.

E, depois que a pandemia de covid-19 começou, em 2020, a empresa de roupas Barbour fez aventais hospitalares e a Land Rover reprogramou as suas impressoras 3D de peças de carros para fabrico de viseiras de protecção.

Refinarias de biocombustíveis e fábricas de papel em Selby, Grimsby, Wilton, Manchester, no Reino, poderiam ser reaproveitadas para produzir açúcares comestíveis a partir de biomassa lignocelulósica.

Transformar hidrocarbonetos em ceras e gorduras digeríveis – combustíveis fósseis em alimentos – pode ajudar a suprir várias deficiências. Na década de 1910, o químico Arthur Imhausen adaptou um processo conhecido como oxidação de parafina para criar a “manteiga de carvão”, em resposta à inflação na Alemanha.

Uma nova fábrica em Chongqing, na China, usa um processo de síntese química refinado para produzir 20 mil toneladas de proteína a partir de bactérias.

Essa proteína unicelular requer apenas metano, oxigénio e nitrogénio para crescer e será usada para alimentar peixes, mas pode ser ajustada para humanos.

Talvez possamos pensar nos alimentos de hoje à base de plantas como um laboratório para fabricação – no qual as proteínas da ervilha replicam a fibrosidade da carne ou das raízes da soja para fazer hambúrgueres vegetais.

Essa é a continuação de uma tecnologia que tem sido utilizada em todas as culturas para intensificar o sabor, tornar os alimentos mais duradouros, transformar o seu formato, cor, textura ou desencadear efeitos psicoativos: a fermentação.

Os resultados até agora incluem pão, cerveja, kimchi, tempeh (alimento originário da Indonésia), molho de soja, vinho, queijo, ácido cítrico, etanol combustível e penicilina.

É difícil prever o que acontecerá com os oceanos. A pesquisa sobre o inverno nuclear prevê acidificação, aumento da radiação ultravioleta e colapso das teias alimentares.

Alguns argumentam que um “amortecedor” bem administrado, reduzindo a pesca actual, pode nos fornecer frutos do mar quando mais precisarmos.

Actualmente, menos de 2% das nossas calorias vêm do oceano. Apenas 22% dos navios em condições de navegar são usados ​​para pesca. Se for o caso, porta-aviões, navios de carga, rebocadores e iates podem ser requisitados para a aquicultura.

A empresa de serviços Roxel Aqua desenvolveu um sistema modular (conhecido como “o conceito Octopus”), que converte plataformas de perfuração de petróleo em quintas de peixes.

Noutros lugares, como no Golfo do México, empresas e centros de investigação colaboraram em sistemas de “aquacultura multitrófica integrada”, usando plataformas de petróleo desactivadas para cultivar mexilhões, peixes e algas, ao mesmo tempo em que produzem energia renovável.

Os ecossistemas marinhos florescem onde superfícies rígidas e estáveis ​​se tornam disponíveis – como plataformas de petróleo abandonadas. Além das plantas, anémonas, peixes e aves marinhas que se aglomeram ao seu redor, essas plataformas podem abrigar alojamentos, silos cheios de ração, currais gigantescos e cabos submarinos extremamente longos para o cultivo de bivalves ou algas marinhas.

O recente sucesso da NASA em alterar a rota do asteróide Dimorphous é reconfortante e os cientistas estimam que a probabilidade de uma colisão do tamanho de Chicxulub é de apenas 0,000001%. Mas isso não significa que não devemos nos preparar para um colapso catastrófico do suprimento de alimentos.

E os asteróides não são a única ameaça que enfrentamos: também há alterações climáticas, os patógenos, o inverno nuclear e os super-vulcões.

ZAP // BBC News Brasil
21 Novembro, 2022



 

Estudo de anãs brancas “poluídas” descobre que as estrelas e os planetas crescem ao mesmo tempo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.
Crédito: Amanda Smith

Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.

Um estudo de algumas das estrelas mais antigas do Universo sugere que os blocos de construção de planetas como Júpiter e Saturno começaram a formar-se enquanto uma estrela jovem está a crescer.

Pensava-se que os planetas só se formassem quando uma estrela atinge a sua dimensão final, mas novos resultados, publicados na revista Nature Astronomy, sugerem que as estrelas e os planetas “crescem” juntos.

A investigação, liderada pela Universidade de Cambridge, muda a nossa compreensão de como os sistemas planetários, incluindo o nosso próprio Sistema Solar, se formaram, potencialmente resolvendo um grande puzzle da astronomia.

“Temos uma boa ideia de como os planetas se formam, mas uma questão pendente que temos tido é quando eles se formam: a formação planetária começa cedo, quando a estrela-mãe ainda está a crescer, ou milhões de anos mais tarde?” disse a Dra. Amy Bonsor do Instituto de Astronomia de Cambridge, a primeira autora do estudo.

Para tentar responder a esta pergunta, Bonsor e colegas estudaram as atmosferas das estrelas anãs brancas – os antigos e ténues remanescentes de estrelas como o nosso Sol – para investigar os blocos de construção da formação planetária.

O estudo envolveu também investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Munique, da Universidade de Groninga e do Instituto Max Planck para Investigação do Sistema Solar em Gotinga.

“Algumas anãs brancas são laboratórios espantosos, porque as suas atmosferas finas são quase como cemitérios celestes”, disse Bonsor.

Normalmente, os interiores dos planetas estão fora do alcance dos telescópios. Mas uma classe especial de anãs brancas – conhecidas como sistemas “poluídos” – têm elementos pesados como o magnésio, ferro e cálcio nas suas atmosferas normalmente limpas.

Estes elementos devem ter vindo de pequenos corpos como asteróides deixados para trás pela formação planetária, que chocaram contra as anãs brancas e arderam nas suas atmosferas.

Como resultado, as observações espectroscópicas de anãs brancas poluídas podem sondar os interiores desses asteróides dilacerados, dando aos astrónomos mais informações das condições em que se formaram.

Pensa-se que a formação planetária comece num disco protoplanetário – feito principalmente de hidrogénio, hélio e pequenas partículas de gelo e poeira – em órbita de uma estrela jovem.

De acordo com a teoria actual sobre como os planetas se formam, as partículas de poeira colam-se umas às outras, acabando por formar corpos sólidos cada vez maiores.

Alguns destes corpos maiores vão continuar a acretar material, tornando-se planetas, e alguns permanecem como asteróides, como os que colidiram com as anãs brancas no estudo actual.

Os investigadores analisaram observações espectroscópicas a partir das atmosferas de 200 anãs brancas poluídas em galáxias próximas. De acordo com a sua análise, a mistura de elementos observada nas atmosferas destas anãs brancas só pode ser explicada se muitos dos asteróides originais tivessem derretido, o que fez com que o ferro pesado se afundasse para o núcleo enquanto os elementos mais leves flutuavam à superfície.

Este processo, conhecido como diferenciação, foi o que levou a Terra a ter um núcleo rico em ferro.

“A causa do derretimento só pode ser atribuída a elementos radioactivos de vida muito curta, que existiram nas fases iniciais do sistema planetário, mas que se decompõem em apenas um milhão de anos”, disse Bonsor.

“Por outras palavras, se estes asteróides foram derretidos por algo que só existe durante muito pouco tempo, no início do sistema planetário, então o processo de formação planetária deve começar muito rapidamente”.

O estudo sugere que é provável que o quadro de formação precoce esteja correto, o que significa que Júpiter e Saturno tiveram muito tempo para crescer até aos seus tamanhos actuais.

“O nosso estudo complementa um consenso crescente no campo de que a formação planetária começou cedo, com os primeiros corpos a formarem-se em simultâneo com a estrela”, disse Bonsor. “As análises das anãs brancas poluídas dizem-nos que este processo de fusão radioactiva é um mecanismo potencialmente ubíquo que afecta a formação de todos os exoplanetas”.

“Isto é apenas o começo – de cada vez que encontramos uma nova anã branca, podemos reunir mais evidências e aprender mais sobre como os planetas se formam.

Podemos traçar elementos como o níquel e o crómio e dizer quão grande deve ter sido um asteróide quando estes formaram o seu núcleo de ferro. É espantoso que sejamos capazes de sondar processos como este em sistemas exoplanetários”.

Astronomia On-line
18 de Novembro de 2022



 

777: Qual seria o impacto da mineração de asteróides na economia global?

MINERAÇÃO/ASTERÓIDES/ECONOMIA GLOBAL

Há cerca de uma década, a perspectiva de “mineração de asteróides” teve um grande aumento de interesse.

CC0 Public Domain

Isso deveu-se em grande parte à ascensão do sector espacial comercial e à crença de que a colheita de recursos do Espaço logo se tornaria uma realidade.

O que tinha sido objecto de ficção científica e previsões futuristas agora estava a ser discutido seriamente no sector empresarial, com muitos afirmando que o futuro da exploração de recursos e manufactura estava no Espaço. Desde então, houve um certo arrefecimento, pois essas esperanças não se concretizaram no prazo esperado.

No entanto, há poucas dúvidas de que a presença humana no espaço implicará a recolha de recursos de Near Earth Asteroids (NEAs) e além. Num artigo recente que está a ser revisto para publicação na Annual Review of Sociology, uma equipa da Universidade de Nottingham em Ningbo, na China, examinou o impacto potencial da mineração de asteróides na economia global.

Com base na sua avaliação detalhada que inclui forças de mercado, impacto ambiental, tipo de mineral e asteróide e a escala da mineração, os investigadores mostram como a mineração de asteróides pode ser feita de maneira consistente com o Tratado do Espaço Sideral (ou seja, para o benefício de toda a humanidade).

Simplificando, a perspectiva de mineração de asteróides resume-se a recursos e ao crescimento contínuo da civilização humana. Há muitas razões citadas para isso, desde garantir a sobrevivência da humanidade e da vida na Terra (ter um “local de reserva” ou tornar-se “multi-planetário”) até atender a uma necessidade básica e ancestral de explorar e “vagar”.

Depois, há a ideia de prevenir o colapso ecológico aqui na Terra por meio de mineração e manufacturação ou inaugurar uma sociedade “pós-escassez”, realocando toda a nossa extracção e manufactura de recursos para o Espaço próximo à Terra, o espaço cislunar e além.

Carl Sagan, o falecido e grande físico, autor e comunicador da ciência, resumiu isso lindamente e relatou como os dois podem estar interligados no nível intuitivo. Como ele colocou:

A estrada aberta ainda chama suavemente, como uma canção quase esquecida da infância. Investimos os lugares distantes com um certo romance. O apelo, suspeito, foi meticulosamente elaborado pela selecção natural como um elemento essencial para a nossa sobrevivência. Verões longos, Invernos amenos, colheitas ricas, caça abundante – nenhum deles dura para sempre. A sua própria vida, ou a de seu bando, ou mesmo a da sua espécie pode ser devida a uns poucos inquietos – atraídos, por um desejo que eles mal conseguem articular ou entender, para terras desconhecidas e novos mundos.

Do ponto de vista material, a justificação é de que o crescimento humano é um fenómeno exponencial que ocorre desde o Paleolítico Superior (há cerca de entre 50.000 a 12.000 anos).

O período que se seguiu – o Holoceno – viu a rápida proliferação das sociedades humanas e o crescimento do seu impacto nos sistemas ambientais em todo o mundo.

A tendência tornou-se tão aguda que, em meados do século XX, os geólogos começaram a referir-se à época actual como o Antropoceno, onde a humanidade é o maior impulsionador das mudanças ambientais no planeta.

A crença de que o futuro da humanidade está no espaço comanda um grande número de seguidores hoje, graças em grande parte à ascensão da indústria do espaço comercial (aka. NewSpace). Outro factor é a pressão contínua para garantir que haja recursos suficientes para atender às necessidades de uma população crescente, aliada aos efeitos das mudanças climáticas.

À medida que nos aproximamos da metade do século XXI, o maior desafio será prover para cerca de 10 bilhões de pessoas em todo o mundo em meio aos impactos das mudanças climáticas. O argumento é que, se nosso futuro deve ser garantido, os recursos de fora do mundo devem ser aproveitados.

A procura por minerais, explicou He Sun, co-autor do estudo ao Universe Today por e-mail, é um factor importante para garantir a abundância de recursos:

Devido ao fato de que a quantidade total de minerais no planeta é finita, os avanços contínuos na tecnologia de recuperação de recursos não podem resolver fundamentalmente o problema do esgotamento mineral. Nesse contexto, a importância da mineração de asteróides está a tornar-se mais aparente. Grandes empresas de mineração de asteróides (incluindo Space X, Blue Origin e outras que já estão presentes nessa área) podem criar uma concorrência hostil. Para evitar a expansão desordenada do capital e o monopólio industrial relacionado, é necessário que as Nações Unidas estabeleçam regulamentos relevantes.

Para evitar que a mineração de asteróides e a futura economia espacial se tornem uma situação do tipo “Velho Oeste”, há muitos apelos para a elaboração de leis que possam impedir a concorrência acirrada e garantir que a riqueza mineral seja usada para o bem de toda a Humanidade.

Isso está de acordo com o Tratado do Espaço Sideral assinado em 1967 entre os EUA, a União Soviética e o Reino Unido, que eram os jogadores mais influentes no Espaço na época. O Tratado já foi assinado e ratificado por 112 países (em Fevereiro de 2022) e continua a ser a peça mais importante da legislação espacial.

De acordo com a NASA, o Tratado do Espaço Sideral é a inspiração por trás dos Acordos Artemis, um conjunto de princípios e melhores práticas que regem as parcerias internacionais para o avanço do Programa Artemis.

Conforme declarado na Secção I – Objectivo e Alcance, os Acordos “destinam-se a aumentar a segurança das operações, reduzir a incerteza e promover o uso sustentável e benéfico do espaço para toda a humanidade”. O Tratado, diz He Sun, também serviu de pano de fundo para a análise da equipe:

“Por um lado, reflecte a preocupação das Nações Unidas com a mineração de asteróides”, disse. “Por outro lado, o nosso documento fornece [à ONU] políticas programáticas aprimoradas para evitar os efeitos negativos sobre a equidade global de possíveis cenários, como monopólios, maldições de recursos, etc.”

He Sun e os seus colegas começaram a sua análise com uma avaliação da situação global e das capacidades de exploração espacial de vários países. Então concentraram-se na criação de um modelo que mediria o impacto da mineração espacial na equidade global e na formulação de políticas que garantiriam (tanto quanto possível) que todas as pessoas beneficiariam.

O primeiro passo foi calcular um Índice Unificado de Equidade (IUE) para cada país, que consistia na análise de seis factores: económico, educação, ciência e tecnologia, saúde, meio ambiente e estabilidade social.

Em suma consideraram como o IUE de um país seria afectado por coisas como a desigualdade de riqueza (coeficiente de Gini), Produto Interno Bruto (PIB), desemprego, nível médio de educação, número médio de patentes e gastos com pesquisas, esperança de vida e resultados de saúde, questões ambientais e taxas de criminalidade.

A partir disso, obtiveram um Índice de Equidade para todo o mundo baseado na entropia da UEI de cada país. Isso levou-os ao segundo passo, onde o impacto da mineração de asteróides foi simulado com base nos tipos de asteróides que seriam minerados.

Os asteróides dividem-se em três categorias amplas: tipo C, tipo S e tipo M. Enquanto os asteróides do tipo C (condritos) – os mais comuns – contêm grandes quantidades de carbono e são compostos principalmente de argila e rochas de silicato, os asteróides do tipo S (“pedregosos”) são compostos de minerais de silicato e metal (níquel-ferro), e os tipos M são principalmente metálicos.

Também consideraram quais entidades estavam envolvidas (privadas, nacionais, internacionais) e mudanças nos valores minerais ao longo do tempo.

Em particular, o modelo analisou como o valor dos minerais mudaria entre 2025 e 2085, coincidindo com o crescimento esperado da mineração de asteróides neste século.

Em última análise, o modelo mostrou que, sem regulamentação, a lacuna entre as entidades competitivas no Espaço (países com programas espaciais, empresas com capacidade espacial avançada) e outras entidades aumentaria profundamente e a equidade dentro das nações ficaria mais longe e fizeram algumas recomendações específicas:

“Sugerimos que a ONU adicione a Política de Informações sobre Mineração, a Política de Legado Mineral, a Política de Assistência Mútua, a Política Antitruste e a Política de Orientação sobre Transacções à versão actualizada do Tratado do Espaço Sideral. Existem recursos inimaginavelmente tremendos no espaço e, se não os explorarmos e distribuirmos com sabedoria, as consequências serão graves”, considera He Sun

Muito trabalho ainda ter de ser feito antes que a mineração de asteróides se torne uma indústria que promete realocar a extracção de recursos para o Espaço e inaugurar uma economia “pós-escassez”.

Isso inclui uma redução adicional nos custos de lançamento, a criação de infra-estruturas em órbita terrestre baixa (LEO) e onde quer que pretendamos minerar, e a capacidade de processar minerais de forma barata.

No entanto, há poucas dúvidas de que a perspectiva de mineração de asteróides está a aproximar-se, e várias questões legais, éticas e económicas precisam ser abordadas de antemão.

ZAP // Universe Today
17 Novembro, 2022



 

599: Asteróide 2022 AP7, escondido no brilho do Sol poderá um dia esmagar a Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

Existem milhões de asteróides já identificados, vigiados e as órbitas calculadas não mostram perigo algum para a Terra. O problema são os desconhecidos, os que não os podemos ver a vir em direcção a nós.

São rochas gigantes o suficiente para causar eventos de extinção em massa. Sim, não podem ser vistos porque estão escondidos pela luz do Sol.

Um exemplo é o objecto “potencialmente perigoso” de 1,5 km de largura, chamado de 2022 AP7. Este é uma das várias grandes rochas espaciais que os astrónomos descobriram recentemente perto das órbitas da Terra e de Vénus.

Asteróide “assassino” está na rota da Terra

Quanto mais conhecemos da nossa vizinhança galáctica, mas percebemos que a Terra “tem tido sorte”. Isto é, o nosso planeta, felizmente, tem estado a salvo de impactos catastróficos há muitos milhões de anos. Contudo, é sabido que não está em causa se voltaremos a ser um alvo para estas rochas, o que está em causa é quando será esse dia.

Actualmente, o asteróide 2022 AP7 atravessa a órbita da Terra enquanto o nosso planeta está no lado oposto do Sol, mas os cientistas dizem que ao longo de milhares de anos, esta rocha e a Terra começarão lentamente a cruzar o mesmo ponto mais próximo, aumentando assim as probabilidades de um impacto catastrófico.

O asteróide, descoberto ao lado de dois outros asteróides próximos da Terra utilizando o Observatório Inter-americano Cerro Tololo no Chile, foi descrito num estudo publicado a 29 de Setembro no The Astronomical Journal.

Até agora, encontrámos dois grandes asteróides próximos da Terra [NEAs] que têm cerca de 1 km de diâmetro, um tamanho a que chamamos assassinos de planetas. Os asteróides “planet killer” são rochas espaciais suficientemente grandes para causar um evento global de extinção em massa, se fossem esmagar a Terra.

Disse o autor principal do estudo Scott Sheppard, astrónomo do Instituto Carnegie para a Ciência em Washington, D.C., numa declaração.

Encontrar estas rochas é muito complicado

Para descobrir estes asteroides, os astrónomos treinaram o Dark Energy Camera do Telescópio Cerro Tololo Víctor M. Blanco de 4 metros no sistema solar interno. O brilho do Sol torna as observações impossíveis durante a maior parte do dia, pelo que os investigadores tinham apenas duas janelas de 10 minutos de crepúsculo cada noite para fazer as suas observações.

Apenas cerca de 25 asteróides com órbitas completamente dentro da órbita da Terra foram descobertos até à data devido à dificuldade de observar perto do clarão do Sol. Provavelmente só restam alguns NEAs com tamanhos semelhantes para encontrar, e estes grandes asteróides não descobertos provavelmente têm órbitas que os mantêm no interior das órbitas da Terra e de Vénus a maior parte do tempo.

Explicou Sheppard.

A NASA segue os locais e órbitas de cerca de 28.000 asteróides, seguindo-os com o ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), um conjunto de quatro telescópios que podem varrer todo o céu nocturno a cada 24 horas.

A agência espacial assinala qualquer objecto espacial que se encontre num raio de 193 milhões de km da Terra como um “objecto próximo da Terra” e classifica qualquer corpo grande num raio de 7,5 milhões de km do nosso planeta como “potencialmente perigoso”.

Desde que o ATLAS foi posto em linha em 2017, avistou mais de 700 asteróides próximos da Terra e 66 cometas. Dois dos asteróides detectados pelo ATLAS, 2019 MO e 2018 LA, atingiram de facto a Terra, o primeiro explodiu ao largo da costa sul de Porto Rico e o segundo aterrou perto da fronteira do Botswana e da África do Sul. Felizmente, estes asteróides eram pequenos e não causaram nenhum dano.

Nos próximos 100 anos nenhum asteróide conhecido vai colidir com a terra, mas e os outros asteróides?

A NASA estimou as trajectórias de todos os objectos próximos da Terra para além do final do século. A Terra não enfrenta nenhum perigo conhecido de colisão apocalíptica de asteróides durante pelo menos os próximos 100 anos, de acordo com a NASA. Mas isto não significa que os astrónomos pensem que devem parar de procurar.

Em Março de 2021, por exemplo, um meteoro do tamanho de uma bola de bowling explodiu sobre Vermont com a força de 200 quilos de TNT. Ainda mais dramaticamente, uma explosão de 2013 de um meteoro sobre Chelyabinsk, Rússia, gerou uma explosão aproximadamente igual a cerca de 400 a 500 quilo-toneladas de TNT, ou 26 a 33 vezes a energia libertada pela bomba de Hiroshima, e feriu cerca de 1.500 pessoas.

As agências espaciais de todo o mundo já estão a trabalhar em possíveis formas de desviar um asteróide perigoso, se alguma vez nos dirigimos.

No passado dia 26 de Setembro, a nave espacial Double Asteroid Redirection Test (DART) redireccionou o asteróide não perigoso Dimorphos, desviando-o da rota, alterando a órbita do asteróide em 32 minutos no primeiro teste do sistema de defesa planetário da Terra.

A China também sugeriu que está nas fases iniciais de planeamento de uma missão de redireccionamento de asteróides. Ao lançar 23 Long March 5 foguetes para o asteróide Bennu, que irá oscilar num raio de 7,4 milhões de km da órbita da Terra entre os anos 2175 e 2199, o país espera desviar a rocha espacial de um impacto potencialmente catastrófico com o nosso planeta.

Pplware
Autor: Vítor M
05 Nov 2022



 

579: Experiência ajuda a prever os efeitos do impacto da DART

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

O satélite LICIACube da Agência Espacial Italiana obteve esta imagem imediatamente antes da sua maior aproximação do asteróide Dimorphos, após a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) ter propositadamente colidido a 26 de Setembro de 2022. Didymos, Dimorphos e a pluma que sai de Dimorphos após o impacto da DART são claramente visíveis.
Créditos: Agência Espacial Italiana/NASA

No dia 26 de Setembro, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu com Dimorphos, uma lua do asteróide próximo da Terra, Didymos, a cerca de 22.500 km/h.

Antes do impacto, os engenheiros e cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) realizaram uma experiência para estudar o processo de formação de crateras que produz a massa de materiais ejectados e mede o subsequente aumento de momento do impacto.

A experiência, financiada internamente, que utilizou um alvo mais realista do que os anteriormente explorados, está descrita num novo artigo publicado na revista The Planetary Science Journal.

A NASA não só rastreia asteróides próximos da Terra (NEAs, sigla inglesa para “near-Earth asteroids”) que poderiam constituir uma ameaça de impacto para o nosso planeta, mas também está a explorar tecnologia para desviar um pequeno NEA.

Apenas uma pequena mudança orbital seria necessária para alterar a trajectória de um objecto de modo a que este passe em segurança pela Terra, desde que a mudança seja aplicada com suficiente antecedência em relação ao instante do impacto.

A alteração de momento de um asteróide através de uma colisão directa fornece um golpe duplo: a transferência directa de momento do projéctil de impacto, empurrando-o para a frente e o recuo dos detritos do asteróide que irrompem da cratera de impacto. O material ejectado transfere momento, impulsionando o alvo de um modo “acção-reacção”, tal como um foguetão é lançado quando o gás a alta velocidade irrompe da traseira do veículo.

“Uma grande questão que enfrentámos foi o aspecto do asteróide e qual seria a sua composição. Para nós é importante saber se podemos aprender algo com experiências laboratoriais em pequena escala”, disse o Dr. James D. Walker, director do departamento de Dinâmica de Engenharia do SwRI e o autor principal do estudo.

Walker é membro da Equipa de Investigação DART juntamente com os seus co-autores, o Dr. Sidney Chocron, Donald J. Grosch e o Dr. Simone Marchi.

A nave espacial DART foi lançada da Terra em Novembro de 2021. No dia 26 de Setembro, colidiu deliberadamente com a lua Dimorphos para avaliar se uma nave espacial poderia desviar um asteróide em rota de colisão com a Terra.

Dimorphos orbita o asteróide Didymos, um objecto próximo da Terra que foi classificado como um asteróide potencialmente perigoso. A missão DART foi concebida para dar um empurrão à órbita da lua em redor de Didymos.

O SwRI tem uma grande pistola de gás, capaz de lançar projécteis a velocidades até sete quilómetros por segundo, que foi utilizada para lançar um projéctil, projéctil este que colidiu com um objecto que representava a pequena lua.

Pensa-se que Dimorphos é um asteróide “pilha de escombros”, composto por pedaços de rocha unidos pela gravidade, pelo que a lua foi representada por uma colecção de rochas e pedras, neste caso mantidas juntas por cimento.

“Disparámos uma esfera de alumínio, que representa a sonda DART, usando a pistola de gás, na direcção do alvo a 5,44 km/s, perto da velocidade de 6,1 km/s do impacto da DART”, disse Walker. “A nossa experiência mediu uma transferência de momento para o alvo de 3,4 vezes o momento da esfera projéctil de alumínio.

O número 3,4 é referido pelos cientistas como a letra grega “beta” do impacto. Assim, o material ejectado forneceu um momento adicional de 240% para deflectir o corpo, para além do que é fornecido pelo próprio projéctil”.

A experiência visava estudar o processo de formação de crateras e medir o aumento do momento que resultaria da colisão. Crucialmente, a pilha de escombros não foi mantida no lugar, mas foi pendurada verticalmente como um pêndulo a fim de medir o aumento do momento, o recuo criado pelo material ejectado pelo impacto.

“É importante compreender o recuo”, disse o co-autor Dr. Simone Marchi. “Tudo se resume à quantidade de momento que foi transferido do impacto para o alvo, e houve uma quantidade significativa de material ejectado e de recuo”.

Ao medir o momento, a equipa do SwRI pôde então extrair informações importantes que poderiam avaliar a dificuldade de desviar asteróides no espaço.

Nesta última experiência, o aumento do momento foi superior ao que foi testemunhado nas experiências anteriores da equipa. Um recuo maior sugere que seria mais fácil desviar o asteróide.

Nas semanas que se seguiram ao impacto, a NASA anunciou que a DART tinha sido bem-sucedida em dar em empurrãozinho à lua. Walker está agora ansioso por ver o que mais se pode aprender com a missão, incluindo a transferência de momento do evento no espaço.

“Vai demorar algum tempo a calcular os resultados, em parte porque envolve a estimativa da massa da lua, que é desconhecida”, disse. “Assim que houver um acordo sobre a massa, então a medição da mudança na órbita da lua dir-nos-á a transferência de momento.

Temos um corpo especulativo que impactámos e o que realmente gostaríamos de saber é como o tamanho afectou as coisas. Será um desafio determinar isso”.

Astronomia On-line
4 de Novembro de 2022



 

548: “Assassino de planetas” detectado pela primeira vez próximo da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

NOIRlab
Conceito artístico de um asteróide numa órbita do Sol mais próxima do que a órbita da Terra

Um asteróide de cerca de 1,5 quilómetros de tamanho foi detectado, pela primeira vez, na proximidade da Terra, anunciaram esta segunda-feira cientistas.

O asteróide, denominado 2022 AP7, “está no caminho da Terra, o que o torna num asteróide potencialmente perigoso”, disse um astrónomo do Instituto Carnegie para a Ciência, Scott Sheppard.

A ameaça não é imediata, uma vez que se encontra “muito longe” da Terra, mesmo ao atravessar a órbita do planeta, sublinhou.

Mas, como qualquer asteróide, a trajectória vai ser lentamente modificada devido às forças gravitacionais exercidas sobre ele, nomeadamente pelos planetas, o que torna qualquer previsão a longo prazo muito difícil, adiantou o cientista.

Este é o “maior objecto potencialmente perigoso descoberto nos últimos 8 anos”, de acordo com um comunicado de imprensa do NOIRLab norte-americano, que opera vários observatórios.

Este asteróide próximo da Terra leva cinco anos a circundar o Sol, e no seu ponto mais próximo passará a vários milhões de quilómetros da Terra.

O risco é portanto hipotético, mas, em caso de colisão, um asteróide deste tamanho teria “um impacto devastador na vida tal como a conhecemos“, explicou Scott Sheppard.

A poeira lançada para a atmosfera bloquearia a luz solar, arrefecendo o planeta e causando uma extinção em massa.

A descoberta foi feita através do telescópio Victor M. Blanco, no Chile, com os resultados publicados na revista científica The Astronomical Journal.

“A nossa pesquisa encontrou até agora dois asteróides próximos da Terra com cerca de 1km de largura — uma dimensão a que chamamos de assassinos de planetas, explica Sheppard.

Cerca de 30 mil asteróides de todos os tamanhos, incluindo mais de 850 a medir um quilómetro ou mais, foram catalogados nas proximidades da Terra, sem que nenhum represente uma ameaça para o planeta durante os próximos 100 anos.

De acordo com Scott Sheppard, há 20 a 50 grandes Objectos Próximos da Terra por detectar. “A maioria deles está em órbitas que tornam a detecção difícil“, acrescentou.

Para se preparar para uma descoberta mais grave, a agência espacial norte-americana NASA realizou em Setembro a Missão DART,  que lançou uma nave espacial contra um asteróide não perigoso — provando ser possível alterar a sua trajectória.

ZAP // Lusa
1 Novembro, 2022



 

534: Um enorme e “potencialmente perigoso” asteróide vai passar perto da Terra este Halloween

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

Kevin Gill / Flick

O asteróide tem quase o tamanho do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, que mede 828 metros de altura, e vai passar pela Terra a 68 vezes a velocidade do som.

De acordo com a NASA, um novo e “potencialmente perigoso” asteróide com quase o tamanho do edifício mais alto do mundo vai passar perto da Terra mesmo a tempo do Dia das Bruxas.

O asteróide chama-se 2022 RM4 e tem um diâmetro estimado entre 330 e 740 metros. Como termo de comparação, o Burj Khalifa, o arranha-céus mais alto do mundo, tem 828 metros de altura.

O asteróide vai acenar-nos no céu a uma velocidade a rondar os 84.500 quilómetros por hora, cerca de 68 vezes a velocidade do som, escreve o Live Science. No momento mais próximo, o asteróide vai estar a apenas 2,3 milhões de quilómetros do nosso planeta, o que corresponde a aproximadamente seis vezes a distância média entre a Terra e a Lua.

Este é assim classificado como um “near-Earth object” (objeto perto da Terra) por passar a menos de 193 milhões de quilómetros de distância do nosso planeta. É também “potencialmente perigoso” por ser um grande objecto e passar a uma distância menor do que 7,5 milhões de quilómetros.

Quando são identificadas, estas potenciais ameaças são vigiadas de perto pelos astrónomos, que procuram sinais de que possam mudar repentinamente de trajectória e vir em direcção à Terra.

Recorrendo aos quatro telescópios do sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), a NASA faz esta patrulha cósmica da Terra e mantém cerca de 28 mil asteróides debaixo de olho.

A agência norte-americana já estimou as trajectórias de todos os near-Earth objects para além do fim deste século e, por enquanto, não há nenhum perigo apocalíptico à vista.

Caso a situação venha a mudar, pelo menos podemos dormir mais descansados após o recente sucesso da missão DART da NASA, que testou o seu sistema de defesa planetário através do desvio de asteróides.

A China está também a desenvolver um plano semelhante, tendo o famoso asteróide Bennu como alvo. Apesar de ter apenas uma probabilidade de 1 em 2700 de colidir com a Terra, um choque com o Bennu seria devastador devido ao seu enorme tamanho.

Os cientistas chineses querem disparar ao mesmo tempo 23 foguetes de Longa Marcha-5, cada um com um peso de 900 toneladas, contra o asteróide.

ZAP //
31 Outubro, 2022



 

A monstrously large, ‘potentially hazardous’ asteroid will zip through Earth’s orbit on Halloween

SCIENCE/ASTEROID 2022 RM4

The asteroid’s upper size estimate is just short of the world’s tallest building.

An artist’s impression of a near-Earth asteroid. (Image credit: Science Photo Library – ANDRZEJ WOJCICKI via Getty Images)

A newly discovered, “potentially hazardous” asteroid almost the size of the world’s tallest skyscraper is set to tumble past Earth just in time for Halloween, according to NASA.

The asteroid, called 2022 RM4, has an estimated diameter of between 1,083 and 2,428 feet (330 and 740 meters) — just under the height of Dubai’s 2,716-foot-tall (828 m) Burj Khalifa, the tallest building in the world. It will zoom past our planet at around 52,500 mph (84,500 km/h), or roughly 68 times the speed of sound.

At its closest approach on Nov. 1, the asteroid will come within about 1.43 million miles (2.3 million kilometers) of Earth, around six times the average distance between Earth and the moon. By cosmic standards, this is a very slender margin.

NASA flags any space object that comes within 120 million miles (193 million km) of Earth as a “near-Earth object” and classifies any large body within 4.65 million miles (7.5 million km) of our planet as “potentially hazardous.” Once flagged, these potential threats are closely watched by astronomers, who study them with radar for signs of any deviation from their predicted trajectories that could put them on a devastating collision course with Earth.

NASA tracks the locations and orbits of roughly 28,000 asteroids, pinpointing them with the Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS) — an array of four telescopes able to perform a total scan of the entire night sky every 24 hours.

Since ATLAS was brought online in 2017, it has spotted more than 700 near-Earth asteroids and 66 comets. Two of the asteroids detected by ATLAS, 2019 MO and 2018 LA, actually hit Earth, the former exploding off the southern coast of Puerto Rico and the latter crash-landing near the border of Botswana and South Africa. Fortunately, those asteroids were small and didn’t cause any damage.

NASA has estimated the trajectories of all the near-Earth objects beyond the end of the century. The good news is that Earth faces no known danger from an apocalyptic asteroid collision for at least the next 100 years, according to NASA.

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But this doesn’t mean that astronomers think they should stop looking. Though the majority of near-Earth objects may not be civilization-ending, such as the planet-busting comet in the 2021 satirical disaster movie “Don’t Look Up,” there are plenty of devastating asteroid impacts in recent history to justify the continued vigilance.

For instance, in March 2021, a bowling ball-size meteor exploded over Vermont with the force of 440 pounds (200 kilograms) of TNT. In 2013, a meteor that exploded in the atmosphere above the central Russian city of Chelyabinsk generated a blast roughly equal to around 400 to 500 kilotons of TNT, or 26 to 33 times the energy released by the Hiroshima bomb. During the 2013 explosion, fireballs rained down over the city and its environs, damaging buildings, smashing windows and injuring approximately 1,500 people.

If astronomers were to ever spy a dangerous asteroid headed our way, space agencies around the world are already working on possible ways to deflect it. On Sept. 26, the Double Asteroid Redirection Test (DART) spacecraft redirected the non-hazardous asteroid Dimorphos by ramming it off course, altering the asteroid’s orbit by 32 minutes in the first test of Earth’s planetary defense system.

China has also suggested it is in the early planning stages of an asteroid-redirect mission. By slamming 23 Long March 5 rockets into the asteroid Bennu, which is set to swing within 4.6 million miles (7.4 million km) of Earth’s orbit between the years 2175 and 2199, the country hopes to divert the space rock from a potentially catastrophic impact with our planet.

LiveScience
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27.10.2022



 

356: Sonda da NASA colidiu com asteróide para o desviar da Terra

TECNOLOGIA/NASA/SONDA/COLISÃO/ASTERÓIDE

Colisão aconteceu às 0:14 desta terça-feira (hora de Lisboa). Inovador teste de “defesa planetária” que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

Esta terça-feira arrancou com um feto inédito na história da humanidade: a NASA utilizou uma sonda para colidir com um asteróide e desviar-lhe a trajectória, num inovador teste de “defesa planetária” que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

O asteróide alvo deste teste não representa nenhum risco para o planeta, mas a missão, denominada DART, vai ajudar a determinar a resposta da NASA se for detectado um asteróide que ameace colidir com a Terra no futuro, de acordo com o líder da agência espacial, Bill Nelson.

O momento do impacto, a 11 milhões de quilómetros da Terra, foi acompanhado ao vivo no canal da NASA no YouTube por milhares de pessoas.

A sonda, que não é maior do que um carro, descolou em Novembro da Califórnia, nos Estado Unidos, e cumpriu o seu objectivo esta madrugada a uma velocidade superior aos 20 mil quilómetros por hora.

“Estamos a mudar o movimento de um corpo celeste natural no espaço. A humanidade nunca o havia feito antes”, afirmou Tom Statler, cientista-chefe da missão. “É tirado dos livros de ficção científica e dos episódios da Star Trek – Caminho das Estrelas, de quando eu era criança. E agora é real”, frisou, antes da colisão.

Na realidade, o alvo foi um par de asteróides: um maior, o Didymos (de 780 metros de diâmetro) e o seu satélite, Dimorphos (de 160 metros de diâmetro), que gira em volta do primeiro.

É contra o pequeno, Dimorphos, que a sonda colidiu. Este asteróide gira em torno do maior numa órbita que demora 11 horas e 55 minutos. O objectivo é reduzi-la dez minutos, uma alteração que poderá ser medida com telescópios na Terra, de onde será possível observar a variação do brilho, quando o asteróide menor passar à frente do maior.

Para saber se o objectivo será cumprido serão necessários “poucos dias”. “Ficaria surpreendido se levasse mais de três semanas”, assegurou Statler.

A sonda que colidiu com o asteróide levou uma câmara chamada DRACO que captou uma imagem por segundo. Cada imagem chegou à Terra com um atraso de apenas 45 segundos.

Para atingir um alvo tão pequeno, a sonda dirigiu-se de forma autónoma durante as últimas quatro horas, como se de um míssil teleguiado se tratasse.

As aproximadamente quarenta pessoas presentes na sala de controlo do Laboratório de Física Aplicada (APL), da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, estavam prontas para intervir se fosse necessário.

O evento também foi observado pelos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

Tudo isso deverá permitir compreender melhor a composição de Dimorphos, representativo de uma população de asteróides bastante comuns e, portanto, medir o efeito que esta técnica, denominada de impacto cinético, pode ter sobre eles.

Diário de Notícias
DN/AFP
27 Setembro 2022 — 00:21