396: BdP. Custo de cabaz alimentar de bens básicos aumentou 15%

SOCIEDADE/AUMENTOS/BENS BÁSICOS

Entre os principais aumentos médios destacam-se os cereais e a carne, que em muitos casos superam os 20%. Os lacticínios e os vegetais terão registado menores aumentos, mas ainda assim acima de 10%.

O custo de um cabaz básico de bens alimentares subiu 15% entre Outubro de 2021 e Agosto deste ano, com alguns produtos a dispararem 20%, enquanto outros registaram variações negativas, estima o Banco de Portugal (BdP).

No Boletim Económico de Outubro, divulgado esta quinta-feira, o BdP assinala que existe uma dispersão “muito significativa dos preços”, com o custo dos cabazes compostos pelas variedades dos produtos com preços mais altos a ser cerca de duas vezes e meia superior ao dos cabazes compostos por variedades com os preços mais baixos.

De acordo com a análise do regulador, “entre Outubro de 2021 e Agosto de 2022 – período em que existe disponibilidade dos preços – o crescimento médio do custo do cabaz situou-se em torno de 15%, com preços de alguns produtos com variações superiores a 20% e outros com variações negativas”.

A análise do BdP é feita a partir dos preços fixados nas plataformas ‘online’ dos principais retalhistas alimentares a operar em Portugal.

“Entre Outubro de 2021 e Agosto de 2022 a evolução dos preços por unidade foi muito diferenciada nos produtos considerados no cabaz”, aponta.

Entre os principais aumentos médios destacam-se os cereais e a carne, que em muitos casos superam os 20%.

Já os lacticínios e vegetais terão registado menores aumentos neste período, mas ainda assim acima de 10%.

“De realçar que alguns dos produtos com maiores aumentos de preço são aqueles para os quais a procura se dirige em períodos de dificuldades económicas, por serem substitutos dentro da respectiva classe”, assinala.

Considerando os preços médios da semana terminada em 31 de Agosto de 2022, o BdP estima que o valor do cabaz foi mais elevado para o grupo dos adolescentes (168,80 euros) e mais reduzido para as crianças de dois anos (95,02 euros).

Já para o cabaz de consumo dos adultos estima 154,88 euros.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06 Outubro 2022 — 15:16



 

386: Preços do gás e electricidade para as famílias sobem este sábado

PREÇOS/AUMENTOS/GÁS/ELECTRICIDADE

Os clientes da EDP Comercial vão passar a pagar pelo gás natural, em média, mais 30 euros mensais. Na Goldenergy os preços vão sofrer aumentos médios de 10 euros e no mercado regulado passam a pagar mais cinco euros por megawatt-hora.

© João Silva/Global Imagens

Os aumentos de preços do gás natural e da electricidade para os clientes domésticos, no mercado regulado e no liberalizado, entram este sábado em vigor, o que, em alguns casos, vai pesar quase mais 40 euros na factura mensal.

Os anúncios dos aumentos foram sendo feitos um a um pelos comercializadores, durante o verão, mas a entrada em vigor dos novos preços acontece agora ao mesmo tempo para todos os clientes domésticos e também alguns pequenos negócios.

Quem for cliente da EDP Comercial vai passar a pagar pelo gás natural, em média, mais 30 euros mensais, acrescidos de cinco a sete euros de taxas e impostos, uma subida que a empresa justificou com a escalada de preços nos mercados internacionais, após um ano sem fazer actualizações de tarifário.

Os novos preços vão estar em vigor durante três meses, e não durante um ano, como habitual, estando sujeitos a revisões em alta ou em baixa, no final daquele período.

A empresa descartou, no entanto, “mais alterações até ao final do ano no preço da electricidade”, a menos que haja “situações excepcionais no decorrer dos próximos meses”.

Já no caso da Galp, a subida da factura do gás natural rondará os oito euros, para o escalão mais representativo de clientes.

A empresa justificou a subida também com o “custo de aquisição em linha” com os preços no mercado internacional.

A Galp tinha actualizado o preço do gás natural em 01 de Julho, com um aumento de cerca de 3,60 euros para o escalão mais representativo.

Por sua vez, os clientes da Goldenergy vão sofrer aumentos médios de 10 euros nas facturas de gás mensais, que abrangem tanto famílias, como pequenos negócios.

A energética justificou esta subida com os custos dos acessos regulados, a volatilidade do mercado e a escalada de preços do gás.

O novo tarifário será aplicado até ao final do ano, sendo revisto face às alterações do mercado.

Estes anúncios levaram o Governo a aprovar uma medida que permite o regresso ao mercado regulado de gás dos consumidores no mercado liberalizado, tal como já acontecia no caso da electricidade.

O mercado regulado oferece tarifas mais baratas, no entanto, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou um novo aumento do preço da energia no mercado regulado de gás natural e no de electricidade.

Assim, naquele mercado, entra hoje em vigor uma subida de 3,9% face ao mês anterior e, uma vez que foram sendo feitas actualizações ao longo do ano, o aumento é de 8,2% para o ano 2022-2023, face ao ano anterior (2021-2022).

Já no caso da electricidade, os clientes no mercado regulado passam a pagar mais cinco euros por megawatt-hora (MWh), equivalente a uma subida média de 3% na factura mensal.

Sem subidas mantêm-se os clientes da Endesa, que se comprometeu a manter os preços contratuais até Dezembro e a cumprir os compromissos estabelecidos no mecanismo ibérico, depois de o presidente da empresa ter afirmado que a electricidade iria subir 40% em Agosto.

A Iberdrola também não anunciou aumentos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Outubro 2022 — 12:35



 

341: Indústria da carne antecipa aumento de preços entre 15 a 20 % nos próximos meses

PREÇOS/AUMENTOS/INFLAÇÃO/CARNES

Agravamento dos custos de produção está a levar à diminuição do número de animais criados para alimentação humana. A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes prevê que o consumo diminua entre 10 a 15%.

Estimativa, para este ano, de prejuízos no sector da suinicultura é de 100 milhões de euros
© Sérgio Freitas/Global Imagens

O preço da carne poderá subir entre 15 a 20% até Fevereiro do próximo ano. A previsão – e o alerta – é da Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC), que adianta que a instabilidade do mercado e, em especial o preço dos cereais, estão a conduzir a uma diminuição do número de animais para consumo.

“As próximas semanas serão determinantes para percebermos qual vai ser a reacção do mercado à falta de animais e ao facto de estarem muito leves”, diz ao DN/Dinheiro Vivo a directora executiva da associação, Graça Mariano.

As razões que impactam nesta subida de preços são sobejamente conhecidas – aumento do preço das matérias-primas, dos aditivos, dos materiais de embalagem, do transporte e da electricidade e gás, o que leva os produtores a reduzir a criação animal por não ser rentável – mas agora acrescenta-se a valorização do dólar, que está a levar a China a voltar a comprar carne na Europa, expõe Graça Mariano.

No mesmo sentido, e agora que o turismo abrandou e o custo de vida aumentou de forma significativa, a expectativa da APIC é que “haja um decréscimo acentuado do consumo, a rondar os 10% a 15%, o que reflecte as enormes dificuldades que o sector irá atravessar no curto prazo”.

Presentemente, a diminuição do cabaz de compras já é notória, com os consumidores a optarem por adquirir produtos mais económicos. “Existe uma queda de 1% do consumo de produtos à base de carne”, afirma Graça Mariano, citando os dados da Nielsen (empresa de análise de dados de consumo), acumulados até Agosto.

Sem especificar, em termos de valor, o impacto que a crise terá no sector, a directora executiva da APIC garante que “ao nível de rentabilidade, o que podemos afirmar com toda a certeza é que as empresas estão neste momento com margens residuais”.

Risco de falências

O que leva ao risco de falência das empresas, adverte, por seu turno, o secretário-geral da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), João Bastos.

Só na área da suinicultura a estimativa é que, no final deste ano, o prejuízo ronde os 100 milhões de euros. Embora a federação não registe, para já, uma quebra de consumo (de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, nos primeiros sete meses deste ano foram consumidas cerca de 262 toneladas de carne de porco, contra as 253 do mesmo período em 2021), o secretário-geral da FPAS frisa que a diminuição da procura é global e generalizada.

Quanto a aumentos de preços, João Bastos diz que, neste momento, a previsão é que a carne de porco tenha atingido o seu valor máximo anual. E, embora a oferta e a procura deste alimento estejam equilibradas, a oscilação dos custos de produção, como a alimentação animal e os serviços energéticos continuam a ser uma incógnita.

“A produção e a indústria têm suportado grande parte do aumento dos custos de produção, não repercutindo no consumidor os incomportáveis aumentos de bens como o gás, que aumentou 500%, ou a alimentação animal que aumentou 80%”, sublinha, lembrando que, no caso da suinicultura, “40% das matérias-primas utilizadas na alimentação animal em Portugal têm origem na Ucrânia”.

João Bastos lembrou o recurso à reserva de crises, que resultou num apoio directo, por parte do ministério da Agricultura aos suinicultores, de um montante total de 5,5 milhões de euros.

“Uma medida importante, mas, como facilmente se percebe face aos prejuízos acumulados no sector, claramente insuficiente para salvar milhares de empresas, a maioria familiares, em risco de falência”, alerta.

Um aviso que a Associação dos Criadores de Bovinos da Raça Alentejana (ACBRA) também faz. “A produção não consegue reflectir nos preços de venda da carne as subidas sofridas nos factores de produção, baixando assim a rentabilidade das explorações”, afirma Luís Miguel Bagulho, o presidente da associação.

E, embora no que à carne de bovino alentejana diz respeito, a ACBRA não tenha quebras significativas no seu consumo, até agora, Luís Bagulho não deixa de ressalvar: “Com os aumentos expectáveis de energia, cereais e adubos é possível que esta situação se venha a alterar, agravando ainda mais os preços da carne ao consumidor”. O que poderá levar o consumidor a mudar os seus hábitos alimentares e substituir a carne de bovino “por outras mais baratas”.

Embora seja de opinião contrária, relativamente à mudança dos hábitos alimentares por parte dos portugueses, Marianela Lourenço, da Federação Nacional das Associações dos Comerciantes de Carnes (FNACC), tende a concordar com os impactos da crise no sector.

“Iremos sentir progressivamente falhas no mercado, à medida que a produção for reduzindo”, alerta, estimando que o sector tenha prejuízos na ordem dos 20%, devido à inflação, e aos preços das rações, energia e combustíveis.

A directora executiva da APIC reforça a afirmação da representante da FNACC. “O custo de produção não consegue ser reflectido no custo do produto final, face à crise do mercado e à necessidade das grandes superfícies serem cada vez mais competitivas e fazerem uma pressão enorme aos fornecedores de carne”, refere Graça Mariano, que avisa também para a possibilidade das empresas mais pequenas poderem abrir falência.

“A procura de produtos mais baratos e, consequentemente, de menor qualidade, leva à desvalorização da cadeia alimentar e dos sectores primário e secundário”, considera.

monica.costa@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
Mónica Costa
25 Setembro 2022 — 00:07



 

304: Preço do pão sobe 18% em Agosto na UE, 15% em Portugal

ECONOMIA/PÃO/PREÇOS

Entre os Estados-membros, as maiores subidas no preço do pão, em Agosto, registaram-se na Hungria (65,5%), Lituânia (33,3%), Estónia e Eslováquia (32,2% cada).

O preço do pão estava, em Agosto, 18% mais alto do que no mesmo mês de 2021 na União Europeia (UE), divulga esta segunda-feira o Eurostat, em consequência da ofensiva russa na Ucrânia, que perturbou os mercados globais.

De acordo com o serviço estatístico da UE, o aumento do preço do pão tem acelerado desde Março, chegando a um pico de 18% em Agosto, na UE.

Em Portugal, o preço do pão aumentou 15,0% entre Agosto de 2021 e Agosto de 2022.

Entre os Estados-membros, as maiores subidas no preço do pão, em Agosto, registaram-se na Hungria (65,5%), Lituânia (33,3%), Estónia e Eslováquia (32,2% cada).

Por outro lado, França (8,2%), Países Baixos (9,6%) e Luxemburgo (10,2%).

O Eurostat destaca que os preços do pão e dos óleos alimentares, tiveram subidas muito acentuadas devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, dado que ambos os países são importantes exportadores de cereais, como o trigo e o milho, e ainda de fertilizantes.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Setembro 2022 — 11:34



 

135: Quanto e como poupar? Saiba o que fazer para evitar subida de 30€ na conta do gás

– Resumindo o blá-blã-blá da notícia: o mar bate na rocha e quem se lixa é sempre o mexilhão… E lixados andam, cada vez mais, os “mexilhões” com pensões de reforma de miséria, os desempregados sem qualquer tipo de ajuda da “segurança” social, etc., etc., etc..A governança também se está lixando para quem mais necessita de apoios, os políticos idem, ibidem e Portugal é um país lindo de morrer… na penúria!!!

SOCIEDADE/AUMENTOS DESMESURADOS/GÁS E ELECTRICIDADE

O governo anunciou nesta semana medidas para reduzir o impacto da escalada de preços da energia, depois de EDP e Galp terem anunciado aumentos brutais na factura do gás. Mas quem quer fugir aos novos custos tem de pedir. E também é assim na Bilha Solidária. Entenda como funciona o mercado e o que tem de fazer para reduzir o impacto no seu bolso.

© João Silva/Global Imagens

Quanto posso poupar na conta se voltar à tarifa regulada do gás?
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) faz a simulação. Um casal com dois filhos e sem aquecimento central, com um consumo de 292 metros cúbicos anuais de gás, que estivesse no mercado regulado, pagava 23,41 euros por mês. Se fosse cliente da EDP Comercial já desembolsaria 28,10 euros, na Galp Power 56,16 euros e na Iberdrola a factura chegaria aos 69,37 euros. Com o aumento previsto na EDP a rondar os 30 euros a mais a partir de Outubro, os preços no mercado livre subiriam para, pelo menos, 60 euros. Ainda que esteja previsto um aumento também no mercado regulado, este limita-se a 3,9%, pelo que estar no mercado regulado pode representar uma poupança de quatro a 46 euros mensais face ao que pagaria no mercado liberalizado, dependendo do operador.

E o que tenho de fazer para voltar ao mercado regulado? E paga-se a mudança?
O governo decidiu levantar as restrições legais aplicadas à tarifa regulada do gás (que impede quem aderiu ao mercado livre de reverter a decisão) para evitar que famílias e pequenos negociantes — que tenham um consumo anual até 10 mil metros cúbicos de gás — sejam impactadas com aumentos de 150% na sua factura. Assim, qualquer consumidor poderá transitar do mercado liberalizado para o regulado quando quiser, sem qualquer encargo adicional. De acordo com a ERSE, existem hoje 12 comercializadores de último recurso para o gás natural, isto é, com tarifa regulada. No caso da electricidade, existem 13. Ora, no mercado liberalizado o número de fornecedores pode ser cinco vezes maior. Para regressar à tarifa regulada, com o governo a garantir que o preço praticado é inferior ao que se verifica no mercado liberalizado, o consumidor deve pesquisar que serviço se adequa mais às suas condições (há simuladores na ERSE e na Deco que podem ajudar) e tem de celebrar um novo contrato com um comercializador de último recurso. Será a nova empresa fornecedora a tratar da transição com o antigo comercializador. A mudança pode levar até três semanas a concretizar-se, mas não haverá quaisquer encargos adicionais. E também não há risco de ficar sem acesso ao gás em casa durante o processo de troca de fornecedor.

O que distingue a tarifa regulada dos preços praticados no mercado liberalizado?
No mercado regulado, os preços da energia a cobrar aos consumidores são fixados pelo regulador, enquanto no mercado liberalizado, embora existam regras a cumprir, cada comercializador decide quanto cobra ao consumidor pela energia. Desde 2013, pelo menos, que os consumidores têm sido incentivados a aderir ao mercado liberalizado, com o argumento de que mais concorrência gera uma baixa de preços. E quem saía não podia voltar, tanto no gás como na electricidade. Em 2018, essa regra foi alterada para a luz, após proposta do PCP, mas continuava a ser irreversível no gás. Com os custos da energia a dispararem nos mercados internacionais, os preços no consumidor estão a subir em flecha. Daí que o governo, agora, permita o regresso ao mercado regulado, onde os preços praticados são mais baixos. Essa excepção só durará, porém, por um ano.

Como escolher um novo comercializador?
A ERSE aconselha o uso do simulador do regulador para uma escolha informada. O simulador da ERSE reúne todas as ofertas comerciais disponíveis para os consumidores de electricidade com potência contratada até 41,4 kilovoltampere (kVA), para baixa tensão normal, e de gás natural com consumos anuais até 10 000 metros cúbicos, para baixa pressão (BP). “Como os preços das ofertas comerciais no mercado liberalizado dependem, em parte, das tarifas aprovadas anualmente pela ERSE, como é o caso das tarifas de acesso às redes, aconselha-se o consumidor a fazer, pelo menos, duas simulações de preços por ano. Dado o calendário de aprovação das tarifas da ERSE, recomenda-se o final de Janeiro, para a electricidade, e o final de Outubro, para o gás natural”, sugere ainda o regulador.

Quando podem os consumidores mudar para a tarifa regulada?
A partir de 1 de Outubro pode escolher livremente em qual dos mercados quer estar, de acordo com o anúncio do ministro do Ambiente e Acção Climática, Duarte Cordeiro. Actualmente são 227 mil os consumidores que se mantêm na tarifa regulada do gás natural, de acordo com dados da ERSE. Ou seja, cerca de 97,7% dos consumidores portugueses estão hoje no mercado liberalizado do gás.

E quem tem gás de bilha, tem algum apoio?
O governo prolongou também o Programa Bilha Solidária, que prevê um apoio de dez euros por família, mas também aqui é preciso ver se tem direito e fazer o pedido de adesão. O programa que o governo apresentou para ajudar as famílias mais pobres a reduzir o impacto da escalada de preços no gás, devia ter chegado a mais de 800 mil consumidores, mas ficou-se por 8 mil. Demasiada burocracia e falta de informação e divulgação foram as razões encontradas pela Deco para o apoio não ter chegado a quem dele precisava. Agora, o governo promete simplificar o acesso.

E mudar compensa de certeza?
O preço definido pela ERSE mantém-se bastante abaixo dos valores do mercado liberalizado, mas apenas no gás. Na electricidade, é no mercado livre que estão as melhores ofertas. Pelo que quem tem contratos combinados de luz e gás pode acabar por perder no custo da luz o que poupa com a mudança no do gás. Convém fazer as simulações antes de decidir. Com J.P.

​​​​​​​jose.rodrigues@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
José Varela Rodrigues
28 Agosto 2022 — 07:00

124: Famílias vão poder voltar a aderir à tarifa regulada do gás

– … “Em resposta ao Dinheiro Vivo, a energética (EDP) avançou que esta medida (a EDP Comercial tornou público que, a partir de Outubro, a factura dos gás natural dos clientes residenciais vai aumentar, em média, 30 euros.) vai impactar um universo de 650 mil clientes, que engloba os 21 mil utentes da tarifa social.”. Os “aumentos” das pensões de reforma, assim como salariais não acompanham estes aumentos. Nestas circunstância, é de pensar começar a preparar os alimentos numa fogueira instalada no chão da cozinha…

SOCIEDADE/ELECTRICIDADE/GÁS/AUMENTOS

Esta medida foi anunciada pelo ministro do Ambiente e Acção Climática, Duarte Cordeiro.

Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentar
© TIAGO PETINGA/LUSA

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, que ocorreu esta tarde, o ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, informou que o executivo decidiu levantar as restrições aplicadas à tarifa regulada do gás, evitando que famílias e pequenos negociantes, com consumo anual até dez mil metros cúbicos, se exponham a aumentos de 150% na factura do gás – que, segundo o governante, não se comparam ao aumento de 3,9% anunciado pela ERSE para o mercado regulado a partir de Outubro.

De acordo com o responsável governamental, esta medida vai abranger cerca de 1,5 milhões de clientes, que poderão voltar a decidir-se pelo mercado regulado daquela matéria-prima. Este é um número, estima o Governo, que representa cerca de 7% do volume de gás consumido em Portugal e 12% do total dos contratos.

“O Governo tem estado a trabalhar num conjunto de medidas que têm como objectivo responder ao aumento do custo de vida”, deu conta o ministro. Contudo, “face ao que soubemos” – referia-se ao aumento de 30 euros na factura do gás, anunciado na quarta-feira pela EDP Comercial – “decidimos antecipar”.

Questionado sobre a possibilidade de o executivo adoptar um dos instrumentos propostos pela Comissão Europeia, referente à descida do IVA sobre o gás, Duarte Cordeiro considerou que a medida agora apresentada é “mais eficaz do que outras alternativas”, revelando um “impacto directo no preço que as famílias pagam pelo gás”, representando mesmo “uma poupança face ao actual preço”.

Relativamente ao aumento do apoio à indústria, nomeadamente às empresas com consumo intensivo de energia, o ministro do Ambiente remeteu a responsabilidade ao ministério tutelado por António Costa Silva. “Essa é uma medida que terá de ser o ministério da Economia a esclarecer”, vincou.

Sobre o mercado de electricidade, Duarte Cordeiro disse que estamos perante um cenário em que “o mercado regulado não sofreu aumentos e que existem várias ofertas de comercializadores que não sofreram aumentos acentuados”.

O ministro salientou ainda que o Governo uniu esforços para reduzir os preços praticados através da aplicação do mecanismo ibérico, deixando a nota de que “o benefício deste mecanismo de ajustamento deveria estar visível” nas facturas dos clientes.

Outros pontos abordados pela imprensa tocaram também o prolongamento do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), sobre o qual respondeu o responsável governamental: “O Governo está a fazer uma avaliação”. A mesma reacção obteve a questão da possibilidade de tributar os lucros excessivos: “No momento certo, avaliaremos se existiram”.

Na quarta-feira a EDP Comercial tornou público que, a partir de Outubro, a factura dos gás natural dos clientes residenciais vai aumentar, em média, 30 euros. A justificação da empresa prende-se com a crescente subida de preços nos mercados internacionais e por não ter efectuado qualquer actualização nos valores cobrados há um ano.

Em resposta ao Dinheiro Vivo, a energética avançou que esta medida vai impactar um universo de 650 mil clientes, que engloba os 21 mil utentes da tarifa social.

No mesmo dia a Galp declarou que, também em Outubro, iria proceder a um aumento do preço do gás, embora tenha remetido para mais tarde a revelação do valor desse aumento. Ainda no mês passado a petrolífera havia aumentado o preço do gás natural, para para “reflectir o aumento do custo de compra em linha com a evolução do produto no mercado internacional”.

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Diário de Notícias
Mónica Costa e Mariana Coelho Dias (Dinheiro Vivo)
25 Agosto 2022 — 16:18