587: Portugal pode estar com mais de 2 mil casos diários de covid-19, muito acima dos 735 oficiais

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

Para o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal a 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes
© D.R.

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista uma média de 735 infecções diárias pelo coronavírus SARS-CoV-2, mas o epidemiologista Manuel Carmo Gomes alerta que o número real de casos pode ser cerca de três vezes superior.

“No que respeita ao número de novos casos, devemos estar acima de 2.000 por dia, no mínimo”, disse à Lusa o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado na quinta-feira, estima que o número médio de casos a cinco dias está nas 735 infecções diárias a nível nacional, baixando para as 619 no continente.

Para Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal em 1 de Outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

“Presentemente apenas conhecemos resultados de testes realizados em meio hospitalar e de pessoas que se deram ao trabalho de obter receita médica para se testar”, alertou o especialista, para quem essa redução dos despistes das infecções está a comprometer a monitorização atempada da pandemia em Portugal.

Perante as alterações na testagem, o “guia” sobre a situação da covid-19 no país passou a ser os números de hospitalizados e de mortes, indicadores que “chegam a ter semanas de atraso em relação ao número de casos”, explicou o epidemiologista.

Além disso, o desconhecimento de “quantos casos ocorrem de uma doença diminui a percepção do risco” entre a população, sublinhou ainda Carmo Gomes.

“Uma doença infecciosa que se propaga silenciosamente tira partido da ausência de medidas que poderiam retardar o seu avanço e, quando finalmente nos apercebemos que a carga de doença na população é já elevada, torna-se mais difícil reverter a sua propagação”, salientou ainda o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O epidemiologista admite que o número de infecções possa estar ainda a subir em Portugal, tendo em conta que se verifica uma “leve tendência crescente” de pessoas hospitalizadas devido à covid-19.

“Durante Setembro e parte de Outubro tivemos menos de 400 camas ocupadas em enfermaria covid-19. Agora estamos com quase 500 camas”, alertou Manuel Carmo Gomes, ao adiantar que as mortes se mantiveram “muito tempo em cinco e seis por dia, mas nos últimos dias a média subiu para 7,6 óbitos”.

“Esperemos que esta tendência não se confirme, mas temos de aguardar mais uns dias para saber”, disse.

Um dos factores de incerteza sobre a evolução da covid-19 tem a ver com o facto de, nos últimos meses, a variante Ómicron se ter desdobrado em numerosas sub-variantes, que “têm em comum possuir mutações que lhes permitem fugir aos nossos anticorpos”, disse o especialista.

“Para já não existe evidência (prova) de que sejam mais patogénicas do que as primeiras Ómicron (BA.1, BA.2 e BA.5), mas ainda sabemos muito pouco sobre o seu significado clínico”, salientou Carmo Gomes.

O especialista adiantou que as próximas semanas serão decisivas para perceber se a circulação destas novas sub-variantes, combinadas com a chegada do tempo frio a Portugal, vai contribuir para uma eventual subida dos casos e de hospitalizações.

França foi o primeiro país europeu onde a “BQ.1 ultrapassou a fasquia dos 50% entre os casos e, para já, não existe evidência de maior patogenicidade”, sublinhou o epidemiologista.

“Sem dúvida que todos os que se preocupam com a dinâmica da covid e a saúde pública, gostariam de voltar a ter notificações que sejam mais representativas do verdadeiro número de casos”, afirmou Manuel Carmo Gomes.

Com a decisão do Governo de não renovar a situação de alerta, cessou a vigência de diversas leis, decretos-leis e resoluções aprovadas no âmbito da pandemia, alterações que influenciaram a “vigilância de base populacional e consequente interpretação dos indicadores” da covid-19, reconheceram recentemente a Direcção-Geral da Saúde e o INSA.

Na prática, além do isolamento deixar de ser obrigatório, os testes à covid-19 deixaram de ser prescritos através do SNS24 e passaram a ser comparticipados mediante prescrição médica, à semelhança de outras análises e meios complementares de diagnóstico.

Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que vai decorrer no próximo dia 11 uma reunião de peritos para fazer um ponto de situação da covid-19 em Portugal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Novembro 2022 — 12:50



 

379: COVID-19: Casos estão a aumentar! Rt volta a disparar

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

O coronavírus que leva à doença COVID-19 já não é propriamente tema de discussão, mas a verdade é que ainda vivemos em tempos de pandemia. De acordo com os dados mais recentes, o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 voltou a subir bastante.

O número médio de casos diário está a aumentar.

COVID-19: Rt volta a subir e está em 1,06

Segundo o relatório semanal do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a evolução da COVID-19, o Rt, que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, aumentou de 1,02 para 1,06 a nível nacional.

O INSA referiu ainda que o número médio de casos diários a cinco dias também sofreu um aumento, passando dos 2.642 para os 2.952 a nível nacional, sendo ligeiramente mais baixo no continente (2.784).

O Instituto estima que, desde 02 de Março de 2020, quando foram notificados os primeiros casos, até 23 de Setembro, Portugal tenha registado um total de 5.483.226 infecções pelo vírus que provoca a COVID-19.

Segundo o relatório do INSA, a linhagem BA.5 da variante Omicron (incluindo as suas múltiplas sub-linhagens) é dominante em Portugal desde a semana 19 (9 a 15 de Maio), apresentando uma frequência relativa de 94,2% de acordo com a mais recente amostragem aleatória por sequenciação na semana 37 (12 a 18 de Setembro).

A linhagem BA.4 da variante Omicron tem registado uma frequência relativa estável nas últimas amostragens semanais, representando 3,8% das sequências analisadas nas semanas 36 e 37.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
28 Set 2022