603: Portugueses consideram que aumentos salariais não são suficientes

– Só existe uma forma desta – e de outras anteriores – governanças saberem o que é tentar (sobre)viver com os miseráveis salários e/ou pensões de reforma de milhares de portugueses: toda esta gente política ganhar o salário mínimo nacional, sem mordomias de qualquer espécie (carro, motorista, viagens, alimentação, telefones, cartão de crédito, casas, etc.). Aí é que esta gente política poderia constatar in loco as dificuldades económico/financeiras por que passam milhares de portugueses.

AUMENTOS SALARIAIS/MISÉRIA/GOVERNO

Sondagem da Aximage mostra que a insatisfação é transversal. Maioria não acredita que o acordo será cumprido pelos privados.

© MIGUEL A. LOPES/LUSA MIGUEL A. LOPES/LUSA

Os aumentos salariais, anunciados pelo Governo e acordados no âmbito da concertação social, “não são suficientes” na óptica dos portugueses. Essa insatisfação é generalizada, desde o salário mínimo à valorização da remuneração na Função Pública e nos privados.

É uma das conclusões da sondagem feita pela Aximage para o DN, TSF e JN. Os inquiridos consideram, ainda, insuficiente o apoio de três mil milhões de euros para aliviar os custos da energia nas empresas.

Em ambos os casos, as opiniões são transversais a todas as faixas etárias (a partir da maioridade) e colhem simpatizantes de todos os partidos, incluindo aqueles que votaram no Partido Socialista nas últimas eleições legislativas.

No que toca ao acordo de rendimentos, firmado entre o Governo, os parceiros sociais e o sector privado, a maioria dos inquiridos (65%) garante já ter ouvido falar das medidas consagradas no documento.

No entanto, não estão satisfeitos com os valores acordados para a subida faseada do ordenado mínimo, que crescerá para os 760 euros no próximo ano e chegará aos 900 em 2026.

Mais de metade dos inquiridos afirma que os valores “não são suficientes”, enquanto 28% consideram “suficientes” e 6% não têm opinião formada.

CGTP ou UGT? 43% não sabem

Também o aumento nominal dos salários no sector privado é visto como insuficiente. O acordo de rendimentos prevê, em média, uma subida de 4,8% entre 2023 e 2026. Para 67% dos inquiridos, o entendimento fica aquém do desejado.

Apenas 24% defendem que será “suficiente”. E a maioria (71%) está descrente no cumprimento do acordo já próximo ano por parte das empresas.

O sentimento é semelhante no que toca ao acordo de rendimentos para o sector público, que prevê um aumento salarial entre 2% e 8%. Cerca de 65% dizem ser insuficiente e 43% não têm opinião sobre qual a entidade que defendeu melhor os interesses dos funcionários públicos.

Os restantes dividem-se: 32% colocam-se ao lado dos sindicatos afectos à UGT, que assinaram o acordo (53% tem mais de 65 anos), e 25% dão razão à CGTP, que rejeitou o documento (31% tem entre 50 e 64 anos).

As expectativas dos portugueses, com a entrada em vigor do acordo de rendimentos, não são animadoras. Até porque 47% dos inquiridos acham que o país ficará “igual”. Já 28% prevêem mudanças para pior e só 19% acreditam em melhorias.

O cenário repete-se quando questionados sobre as perspectivas de melhoria no campo pessoal, fruto do acordo da concertação social. A maioria está convicta de que os seus rendimentos em 2023 ficarão “iguais”. 17% crêem em melhorias e 35% auguram mudanças para pior.

FICHA TÉCNICA
A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objectivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a Concertação Social e Acordo de Rendimentos.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 26 e 30 de Outubro de 2022 e foram recolhidas 812 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 812 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma “margem de erro” – a 95% – de 3,44%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direcção técnica de Ana Carla Basílio.

marisa.silva@ext.jn.pt

Diário de Notícias
Marisa Silva
06 Novembro 2022 — 09:00



 

406: Actualização dos escalões de IRS vai penalizar quem tiver aumentos salariais

IMPOSTOS/IRS/GOVERNO

António Pedro Santos / Lusa
O ministro das Finanças, Fernando Medina.

As alterações nos escalões do IRS previstas para 2023 vão penalizar os contribuintes que tiverem aumentos salariais, que vão perder poder de compra, tendo em conta a taxa de inflação.

No próximo ano, quem tiver aumentos salariais semelhantes à taxa de inflação registada em 2022 vai perder poder de compra. Isto porque esse aumento será penalizado pela actualização dos escalões do IRS em 5,1% no próximo ano.

A actualização é inferior à taxa de inflação, não apenas à deste ano (7,2%), mas também à que o Governo prevê para o próximo ano (7,4%).

Assim, tendo em conta os valores actuais e os previstos pelo Governo, os aumentos salariais iguais à taxa de inflação acabarão por ser penalizados no IRS em 2023.

Já os salários até 1.000 euros vão ter um alívio fiscal no próximo ano.

Actualização tinha de ser de 18%

Simulações da Deloitte mostram que, mantendo a ideia do aumento das remunerações em 5,1%, em linha com as mexidas no IRS, o Governo teria de actualizar os escalões “na vizinhança de 18%” para haver “um aumento da remuneração líquida aproximado ao aumento dos preços”, como cita o Jornal de Negócios.

A consultora teve em conta os valores avançados pelo Governo, no âmbito da discussão da proposta de Orçamento de Estado para 2023( OE2023).

“Se aumentarmos os salários em 5,1% e os escalões em igual percentagem, temos um aumento do rendimento líquido em 5,1%, mas isso só acontece assim porque assumimos que as deduções também aumentam 5,1%“, aponta ao Negócios o especialista da Deloitte Ricardo Reis. Se isso não acontecer, o aumento líquido não será de 5,1%, constata.

O Governo ainda não indicou se haverá, ou não alterações nas deduções em sede de IRS. Será preciso esperar pela entrega da proposta final de OE2023, na próxima segunda-feira, para saber.

  ZAP //
8 Outubro, 2022