262: Foguetão não tripulado da Blue Origin cai após lançamento. Não há feridos

CIÊNCIA/ESPAÇO/BLUE ORIGIN

A Federal Aviation Administration anunciou a suspensão de qualquer lançamento enquanto decorre uma investigação à missão falhada do foguetão não tripulado da Blue Origin. “A cápsula aterrou em segurança enquanto o foguetão caiu no chão na zona de risco designada”, declarou o regulador.

Um foguetão da Blue Origin não tripulado caiu pouco após o lançamento, esta segunda-feira, no Texas, sul dos EUA, informou a empresa espacial de Jeff Bezos, acrescentando que a cápsula separou-se “com sucesso” do resto do foguetão.

“Falha no mecanismo de propulsão durante o voo não tripulado de hoje”, anunciou a empresa, dando conta que o sistema de ejecção da cápsula funcionou como era esperado.

Um vídeo publicado no Twitter mostra a aterragem forçada, mas em segurança, da cápsula, mas não os destroços do foguetão. Não há registo de feridos.

Os foguetões New Shepard foram aterrados aguardando uma investigação, disse a Administração Federal de Aviação, que é um procedimento padrão.

No vídeo divulgado é possível ver que, aproximadamente um minuto após o lançamento, a cápsula activou os seus motores de emergência e separou-se do foguetão a toda velocidade. Em seguida, aterrou com a ajuda de para-quedas.

O regulador da aviação civil dos Estados Unidos, a Federal Aviation Administration (FAA), anunciou a suspensão de qualquer novo lançamento enquanto decorre uma investigação. “A cápsula aterrou em segurança enquanto o foguetão caiu no chão na zona de risco designada”, escreveu a agência federal. “Não foram relatados feridos ou danos à propriedade pública”, acrescentou a FAA.

Esta foi a 23ª missão do programa dos foguetões New Shepard da Blue Orizon e a primeira a terminar em fracasso, o que representa um golpe para a empresa de turismo espacial criada pelo fundador da Amazon.

O New Shepard-23, que transportava material de pesquisa, estava programado para ser lançado no final de Agosto, mas foi adiado devido ao mau tempo.

Tudo aconteceu quando o foguetão estava a subir a 1.126 quilómetros por hora a uma altitude de cerca 8.500 metros. O foguetão pareceu parar quando se registou o problema técnico. A cápsula iniciou então a sua sequência de fuga, tendo o propulsor ficado envolvido em chamas.

Este incidente marca um revés para a Blue Origin e a crescente indústria de turismo espacial. O próprio Jeff Bezos participou no primeiro voo tripulado do New Shepard em Julho de 2021. Desde então, a missão New Shepard transportou cerca de trinta pessoas, incluindo William Shatner, actor da icónica série de ficção Star Trek, e o português Mário Ferreira.

No início de Agosto, o principal accionista da TVI e dono da empresa de cruzeiros Douro Azul tornou-se no primeiro português a ir ao espaço, uma experiência de apenas alguns minutos com ausência de gravidade.

Diário de Notícias
DN/AFP
12 Setembro 2022 — 23:48



 

206: NASA consegue reparar a Voyager 1 que está a 23 mil milhões de quilómetros da Terra

TECNOLOGIA/NASA/VOYAGER I

A sonda espacial Voyager 1, lançada da Terra em Setembro de 1977, está agora a cerca de 23,5 mil milhões de quilómetros de distância de casa. Contudo, apesar dessa distância de arrepiar a mente, os cientistas da NASA acabam de realizar um trabalho de reparação na nave.

Depois de em Maio, a sonda ter começado a enviar informação totalmente desconexa, era necessário ajustar os seus sistemas, mas não se sabia o que se passava e se era possível essa reparação. O que foi então feito?

Segundo o que referiu a NASA no passado mês de Maio, o Sistema de Articulação e Controlo da Atitude (AACS) controla a orientação da nave espacial e mantém a antena da sonda apontada para a Terra, para que esta possa enviar e receber dados. O sistema parecia estar a funcionar, mas os dados de telemetria que foram enviados eram inválidos e, de facto, pareciam estar a ser gerados aleatoriamente.

Embora o resto da sonda continuasse a comportar-se normalmente, as informações que enviou sobre a sua saúde e actividades não faziam qualquer sentido. Assim, através de um interruptor, que gere a forma como os dados são enviados de volta da Voyager 1, a agência espacial norte-americana parece ter resolvido a situação.

A Voyager 1 decidiu por si mudar as funcionalidades?

Na verdade, a avaliação da NASA permitiu aos cientistas perceber que a nave tinha começado a transmitir dados através de um computador de bordo parado de funcionar há anos atrás. Então, a equipa da NASA ordenou à Voyager 1 que voltasse ao computador correto para as comunicações.

O que intriga os cientistas é perceber por que razão a Voyager 1 decidiu começar a comutar para o modo como estava a enviar dados de volta ao seu planeta de origem. A explicação mais provável é um comando defeituoso gerado a partir de algum outro lugar nos sistemas electrónicos da sonda.

Isto, por sua vez, sugere que há outro problema noutro lugar, caso contrário a troca de computador nunca teria sido feita. Contudo, a equipa da Voyager 1 está confiante de que a saúde a longo prazo da nave espacial não está ameaçada.

Vamos fazer uma leitura completa da memória da AACS e olhar para tudo o que ela tem feito. Isso irá ajudar-nos a tentar diagnosticar o problema que causou a questão da telemetria em primeiro lugar.

Explicou Suzanne Dodd, gestora de projecto da Voyager no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA na Califórnia.

Sondas estão “no fim do mundo”

A Voyager 1 e a Voyager 2 (lançadas com um mês de diferença) viajaram tanto em 45 anos que agora estão ambas para além do ponto conhecido como a heliopausa, onde os ventos solares do Sol já não podem ser sentidos e o espaço é oficialmente considerado como interestelar.

Apesar da Voyager 1 desligar alguns dos seus sistemas e perder alguma funcionalidade neste tempo, e da Voyager 2 mostrar também alguns problemas, ambas as sondas continuam a reportar à Terra – embora uma mensagem possa demorar cerca de dois dias a percorrer a distância necessária.

As sondas enviaram imagens de perto de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, e nos últimos anos têm continuado a registar e a analisar as estranhas e maravilhosas experiências que estão a ter no espaço.

A Voyager 1 não desencadeou a sua rotina de ‘modo seguro’, o que sugere que não detecta nada de errado, e o sinal da nave espacial não enfraqueceu. Tudo bem, ela pode continuar a reportar durante muitos anos.

Estamos cautelosamente optimistas, mas ainda temos mais investigação a fazer.

Concluiu Dodd.

Esta e uma das mais desafiadoras missões que a humanidade pode seguir através do site da Voyager Mission Status.

Pplware
Autor: Vítor M
05 Set 2022