421: Câmara de Lisboa quer fazer marcha com pessoas em situação de vulnerabilidade

– É tão grande a intenção por pessoas em situação de vulnerabilidade que chegou ao meu conhecimento quem pedisse ajuda ao BANCO ALIMENTAR há mais de três semanas e nem resposta obteve!

C.M.L./CARIDADEZINHA

jad99 / Wikimedia
Edifício da Câmara Municipal de Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a organizar um piquenique e uma marcha pela Avenida da Liberdade com “pessoas em situação de vulnerabilidade”. Um evento que está a causar indignação, com acusações de que é “um atentado à dignidade” humana.

A vereadora para os Direitos Humanos e Sociais da CML, Laurinda Alves, enviou um e-mail às Juntas de Freguesia para divulgarem a realização de um “almoço em formato piquenique” e de uma “caminhada/marcha” entre a Avenida da Liberdade e o Arco da Rua Augusta, destinados a “pessoas em situação de vulnerabilidade”.

A TSF teve acesso a este e-mail que apela à “colaboração” e à “participação das Juntas de Freguesia” para esta iniciativa que se realizará no próximo dia 17 de Outubro.

Mas das 24 freguesias de Lisboa, “mais de metade não vão alinhar no desfile” que se assinala no Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, como avança a TSF.

“Expõe pessoas que devem ser protegidas”

“Este convite, tal como vem descrito no e-mail, expõe pessoas que devem ser protegidas por nós. Acima de tudo isto é um atentado à dignidade das pessoas“, lamenta em declarações a esta Rádio a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS).

“Este trabalho de combate à pobreza faz-se todos os dias, caso a caso e protegendo também a privacidade das pessoas“, reforça na TSF o presidente da Junta de Carnide, Fábio Sousa (CDU).

Já o presidente da Junta de Campo de Ourique, Pedro Costa (PS), nota à Rádio que a iniciativa reflecte “exclusão” e não “o trabalho da inclusão” que é preciso fazer nesta área.

“As propostas de combate à pobreza não são bondosas, são investimentos sociais, com vista à erradicação da pobreza e é nesse debate que devemos concentrar os nossos esforços nesse dia, e não em celebrar“, acrescenta Pedro Costa.

Para o presidente da Junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, a iniciativa é colocar “as estruturas do Estado [a] fazerem manifestações contra si próprias“.

A iniciativa prevê também actividades culturais e um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. A participação implica a inscrição prévia que dá acesso a uma senha de refeição no momento da chegada.

  ZAP //
12 Outubro, 2022