1012: Novo medicamento contra o Alzheimer tem resultados positivos

– Atenção aos efeitos colaterais que não são nada suaves… “hemorragias cerebrais” e “edema cerebral”…

SAÚDE PÚBLICA / ALZHEIMER / MEDICAMENTO

O Alzheimer afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

© D.R.

Cientistas comemoraram esta quarta-feira os resultados de um ensaio clínico que confirma que um novo medicamento atrasa o declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer, mas também apontaram alguns efeitos colaterais importantes.

Os resultados completos do ensaio clínico avançado (fase III) realizado com cerca de 1.800 pessoas durante 18 meses confirmaram uma redução de 27% no comprometimento cognitivo em pacientes que receberam lecanemab, um medicamento desenvolvido pelo grupo farmacêutico japonês Eisai e pela americana Biogen.

No entanto, os resultados, publicados esta quarta-feira no New England Journal of Medicine, também apontam para efeitos colaterais, às vezes graves.

No total, 17,3% dos pacientes que receberam lecanemab sofreram hemorragias cerebrais, em comparação com 9% dos pacientes do grupo placebo. Além disso, 12,6% dos pacientes tratados com lecanemab sofreram edema cerebral e apenas 1,7% no grupo placebo.

A taxa geral de mortalidade é quase a mesma nos dois grupos (0,7% nas pessoas que receberam lecanemab, 0,8% nas que receberam placebo).

“É o primeiro medicamento que oferece uma opção real de tratamento para pessoas com Alzheimer”, disse Bart De Strooper, director do Instituto Britânico de Pesquisa em Demência.

“Embora os benefícios clínicos pareçam um tanto limitados, espera-se que eles se tornem mais evidentes se o medicamento for administrado por um maior período de tempo”, disse ele.

Na doença de Alzheimer, duas proteínas-chave – tau e outra chamada beta-amilóide – acumulam-se gradualmente de forma anormal no cérebro, causando a morte das células cerebrais e o encolhimento do cérebro. Isso causa perda de memória e uma crescente incapacidade de realizar tarefas diárias.

O Alzheimer afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O lecanemab tem como alvo os depósitos de proteína beta-amilóide, mas apenas nos estágios iniciais da doença, o que pode limitar o seu uso, já que o Alzheimer costuma ser diagnosticado tardiamente.

Diário de Notícias
DN/AFP
30 Novembro 2022 — 11:32



 

1009: NASA atinge mais de 423 mil km de distância e quebra recorde de Apollo

Nasa NASA / ORION / ARTEMIS 1 / LUA

Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu alcançar. Na imagem captada pela NASA é possível ver a Terra e a Lua juntas, num dia em que “a Lua apareceu para eclipsar a Terra”.

© NASA

A Orion, cápsula espacial da NASA, atingiu, na segunda-feira, mais de 423 mil quilómetros, alcançando, assim, a sua distância máxima da Terra durante a missão Artemis I, e ultrapassando também o recorde de Apollo 13. Este é o ponto mais distante que uma nave espacial concebida para transportar humanos até ao espaço conseguiu atingir até agora.

Numa imagem captada pela NASA, a Orion consegue ter uma “visão única” da Terra e da Lua, “através de uma câmara montada numa das matrizes solares”. “A nave também captou imagens da Terra e da Lua juntas, num dia em que a Lua que apareceu para eclipsar a Terra”, explica a NASA em comunicado.

O recorde de Apollo 13 foi quebrado pela Orion no sábado, 26 de Novembro, quando a cápsula atingiu cerca de 400 mil quilómetros de distância da Terra.

A primeira fase da missão Artemis I tem uma duração de 25 dias e, para já, a Orion “mantém-se em boas condições enquanto continua a sua viagem em órbita retrógrada distante”, ou seja, “a milhares de quilómetros para lá da Lua”.

“A Artemis I teve um sucesso extraordinário e completou uma série de acontecimentos históricos”, disse o administrador da NASA Bill Nelson. “É incrível como esta missão tem corrido sem sobressaltos”, sublinha.

A Orion deve voltar à Terra a 11 de Dezembro.

A missão da NASA, Artemis, marca o início do programa com que os Estados Unidos pretendem regressar à superfície da Lua em 2025, colocando a primeira astronauta mulher e o primeiro astronauta negro em solo lunar.

No topo do foguetão está a cápsula Orion que, para esta primeira missão, está equipada com um “manequim” que vai registar os impactos do voo no corpo humano.

O lançamento da missão ocorreu após duas tentativas de lançamento em Agosto e Setembro, que foram canceladas devido a problemas técnicos.

TSF
Por Carolina Quaresma
30 Novembro, 2022 • 10:28



 

1007: Rover Perseverance detecta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida

CIÊNCIA / ASTRONOMIA / ASTROBIOLOGIA

O rover Perseverance encontrou moléculas orgânicas em Marte semelhantes aos químicos que deram origem à vida na Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

No chão da cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA descobriu sinais de moléculas orgânicas, os tipos de químicos que compõem a vida na Terra. Com base nas medições que o rover tem realizado até agora, é impossível dizer se as moléculas orgânicas provêm de vida antiga ou de processos geológicos.

No entanto, mesmo moléculas orgânicas formadas geologicamente reforçam as evidências da habitabilidade passada de Marte, porque a vida na Terra provavelmente começou por coalescência a partir de moléculas orgânicas naturais como estas, diz Amy Williams, astrobióloga da Universidade da Florida e uma das planeadoras a longo prazo da missão do Perseverance.

“Os compostos orgânicos compõem a vida tal como a conhecemos”, disse Williams. “Ver carbono orgânico em Marte permite-nos compreender se os blocos de construção da vida estavam presentes no planeta no passado através da lente de como a vida evoluiu na Terra”.

O Perseverance recolheu múltiplas amostras de rochas que vão ser enviadas para a Terra graças à missão MSR (Mars Sample Return). Algumas dessas amostras incluem rochas alteradas pela água e os cientistas pensam que um Marte húmido pode ter suportado vida há milhares de milhões de anos atrás.

Testes mais sofisticados na Terra podem verificar os sinais de moléculas orgânicas e determinar se as amostras rochosas possuem evidências convincentes de vida passada em Marte.

Num artigo científico publicado dia 23 de Novembro na revista Science, liderado por Eva Scheller do Caltech (California Institute of Technology), Williams e o resto da equipa do Perseverance partilharam a sua análise de moléculas orgânicas em vários locais do chão da cratera.

O rover também avistou vários sais minerais que se formaram a partir da interacção da água com rochas na cratera.

Liderado pelo JPL da NASA, o Perseverance está a estudar a cratera Jezero porque em tempos acolheu um grande delta de rio que desaguava num antigo lago. Esse passado húmido faz da cratera um local promissor para a identificação de quaisquer sinais de vida de há milhares de milhões de anos atrás.

Esta não é a primeira vez que moléculas orgânicas são detectadas em Marte. O rover Curiosity – no qual Williams também trabalha – encontrou carbono orgânico noutros locais do planeta em 2015.

Agora que o Perseverance viu assinaturas semelhantes num contexto geológico completamente diferente, as evidências estão a acumular-se de que o carbono orgânico é omnipresente no Planeta Vermelho, embora a níveis baixos.

“Ver uma história consistente é sempre reconfortante como cientista”, disse Williams. “Agora que temos uma ideia dos compostos orgânicos, isso está a ajudar-nos a ligá-los a uma biosfera marciana ou a processos geológicos no passado”.

Astronomia On-line
29 de Novembro de 2022



 

1006: IXPE ajuda a resolver o mistério dos jactos dos buracos negros

CIÊNCIA / ASTRONOMIA

blazar é um buraco negro rodeado por um disco de gás e poeira com um jacto brilhante de partículas altamente energéticas apontado para a Terra. A ilustração da inserção mostra partículas altamente energéticas no jacto (azul). Quando as partículas atingem a onda de choque, ilustrada como uma barra branca, as partículas tornam-se energizadas e emitem raios-X à medida que aceleram. Ao afastarem-se do choque, emitem luz de baixa energia: primeiro visível, depois infravermelha, e ondas de rádio. Mais longe do choque, as linhas do campo magnético são mais caóticas, causando mais turbulência no fluxo de partículas (ver versão não legendada).
Crédito: NASA/Pablo Garcia

Os blazares são alguns dos objectos mais brilhantes do céu. São constituídos por um buraco negro super-massivo que se alimenta de material que gira à sua volta num disco, o que pode criar dois poderosos jactos perpendiculares de cada lado do disco.

Os blazares são especialmente brilhantes porque um dos seus poderosos jactos de partículas altamente velozes aponta directamente para a Terra. Durante décadas, os cientistas têm perguntado: como é que as partículas nestes jactos são aceleradas a energias tão elevadas?

O IXPE (Imaging X-Ray Polarimetry Explorer) da NASA ajudou os astrónomos a ficarem mais perto de uma resposta. Num novo estudo publicado na revista Nature, da autoria de uma grande colaboração internacional, os astrónomos consideram que a melhor explicação para a aceleração das partículas é uma onda de choque dentro do jacto.

“Este é um mistério com 40 anos que finalmente conseguimos resolver”, disse Yannis Liodakis, autor principal do estudo e astrónomo do FINCA (Finnish Centre for Astronomy) para o ESO. “Finalmente, tínhamos todas as peças do puzzle e a imagem que nos proporcionaram foi clara”.

Lançado a 9 de Dezembro de 2021, o satélite IXPE, em órbita da Terra, uma colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Italiana, fornece um tipo especial de dados que nunca tinha sido antes acessível a partir do espaço.

Estes novos dados incluem a medição da polarização dos raios-X, o que significa que o IXPE detecta a direcção e intensidade médias do campo eléctrico das ondas de luz que compõem os raios-X.

A informação sobre a orientação do campo eléctrico dos raios-X, e a extensão da polarização, não é acessível aos telescópios na Terra porque a atmosfera absorve os raios-X oriundos do espaço.

“As primeiras medições da polarização dos raios-X desta classe de fontes permitiram, pela primeira vez, uma comparação directa com os modelos desenvolvidos a partir da observação de outras frequências da luz, desde o rádio até aos raios-gama altamente energéticos”, disse Immacolata Donnarumma, cientista do projecto IXPE na Agência Espacial Italiana.

“O IXPE vai continuar a fornecer novas evidências à medida que os dados actuais forem sendo analisados e dados adicionais forem sendo adquiridos no futuro”.

O novo estudo usou o IXPE para apontar para Markarian 501, um blazar na direcção da constelação de Hércules. Este sistema com buraco negro activo situa-se no centro de uma grande galáxia elíptica.

O IXPE observou Markarian 501 durante três dias no início de Março de 2022, e novamente duas semanas depois. Durante estas observações, os astrónomos utilizaram outros telescópios no espaço e no solo para recolher informações sobre o blazar numa vasta gama de comprimentos de onda, incluindo rádio, visível e raios-X.

Embora outros estudos já tenham analisado, no passado, a polarização da luz de baixa energia dos blazares, esta foi a primeira vez que os cientistas conseguiram obter esta perspectiva dos raios-X de um blazar, que são emitidos mais perto da fonte de aceleração das partículas.

“O acrescentar da polarização dos raios-X ao nosso arsenal da polarização do rádio, infravermelho e visível, muda o jogo”, disse Alan Marscher, astrónomo da Universidade de Boston que lidera o grupo que estuda buracos negros gigantes com o IXPE.

Os cientistas descobriram que a luz de raios-X é mais polarizada do que a óptica, que é mais polarizada do que o rádio. Mas a direcção da luz polarizada era a mesma para todos os comprimentos de onda observados e estava também alinhada com a direcção do jacto.

Após comparar a sua informação com modelos teóricos, a equipa de astrónomos percebeu que os dados coincidiam mais com um cenário em que uma onda de choque acelera as partículas do jacto.

Uma onda de choque é gerada quando algo se move mais depressa do que a velocidade do som do material circundante, tal como quando um jacto supersónico passa na atmosfera da nossa Terra.

O estudo não foi concebido para investigar as origens das ondas de choque, que ainda são misteriosas. Mas os cientistas teorizam que uma perturbação no fluxo do jacto faz com que uma secção do mesmo se torne supersónica.

Isto poderia ser o resultado de colisões de partículas altamente energéticas dentro do jacto, ou de mudanças abruptas de pressão no limite do jacto.

“À medida que a onda de choque atravessa a região, o campo magnético fica mais forte e a energia das partículas fica mais elevada”, disse Marscher. “A energia vem do movimento do material que produz a onda de choque”.

À medida que as partículas viajam para fora, emitem primeiro raios-X porque são extremamente energéticas. Movendo-se mais para fora, através da turbulenta região mais distante do local do choque, começam a perder energia, o que as faz emitir radiação menos energética como ondas ópticas e depois ondas de rádio.

Isto é análogo a como o fluxo de água se torna mais turbulento depois de encontrar uma queda de água – mas aqui, os campos magnéticos criam esta turbulência.

Os cientistas vão continuar a observar o blazar Markarian 501 para ver se a polarização muda com o tempo.

O IXPE vai também investigar uma colecção mais vasta de blazares durante a sua missão principal de dois anos, explorando mistérios mais antigos do Universo. “Faz parte do progresso da humanidade no sentido de compreender a natureza e todo o seu exotismo”, disse Marscher.

Astronomia On-line
29 de Novembro de 2022



 

Astrónomos observam a luz intra-grupo – o brilho elusivo entre galáxias distantes

CIÊNCIA / ASTRONOMIA

A luz “entre” galáxias – a luz intra-grupo -, por mais ténue que seja, é irradiada por estrelas despojadas da sua galáxia natal.

Uma equipa internacional de astrónomos direccionou uma nova técnica para a ténue luz entre galáxias – conhecida como “luz intra-grupo” – para caracterizar as estrelas que aí habitam.

A Dra. Christina Martínez-Lombilla, autora do estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, da Escola de Física da Universidade de Nova Gales do Sul, disse: “Não sabemos quase nada sobre a luz intra-grupo”.

“As partes mais brilhantes da luz intra-grupo são cerca de 50 vezes mais fracas do que o céu nocturno mais escuro da Terra”. É extremamente difícil de detectar, mesmo com os maiores telescópios da Terra – ou no espaço”.

Usando a sua técnica sensível, que elimina toda a luz de todos os objectos excepto da luz intra-grupo, os investigadores não só detectaram a luz intra-grupo, como foram capazes de estudar e contar a história das estrelas que a povoam.

“Analisámos as propriedades das estrelas intra-grupo – aquelas estrelas que vagueiam entre as galáxias. Analisámos a idade e abundância dos elementos que as compunham e depois comparámos essas características com as estrelas que ainda pertencem a grupos de galáxias”, comentou a Dra. Martínez-Lombilla. “Descobrimos que a luz intra-grupo é mais jovem e menos rica em metal do que as galáxias circundantes”.

Reconstruindo a história da luz intra-grupo

Não só as estrelas órfãs no grupo intra-luz eram “anacrónicas”, com pareciam ser de uma origem diferente das suas vizinhas mais próximas. Os investigadores descobriram que o carácter das estrelas intra-grupo parecia semelhante ao da “cauda” nebulosa de uma galáxia mais distante.

A combinação destas pistas permitiu aos investigadores reconstruir a história da luz intra-grupo e de como as suas estrelas vieram a estar reunidas no seu próprio “orfanato” estelar.

“Pensamos que estas estrelas individuais se tornaram, em algum ponto, órfãs das suas galáxias natais e agora flutuam livremente, seguindo a gravidade do grupo”, explicou a Dra. Martínez-Lombilla.

“O despojamento, chamado de despojamento de marés, é provocado pela passagem de enormes galáxias satélite – parecidas à Via Láctea – que puxam as estrelas na sua esteira”. Esta é a primeira vez que a luz intra-grupo destas galáxias é observada.

“A revelação da quantidade e origem da luz intra-grupo fornece um registo fóssil de todas as interacções que um grupo de galáxias sofreu e uma visão holística da história de interacções do sistema”, disse a Dra. Martínez-Lombilla.

“Além disso, estes eventos ocorreram há muito tempo. As galáxias [que estamos a observar] estão tão distantes, que estamos a observá-las como eram há 2,5 mil milhões de anos. É esse o tempo que leva para que a sua luz nos alcance”.

Ao observar eventos de há muito tempo atrás, em galáxias tão distantes, os investigadores estão a contribuir com dados vitais para a evolução lenta dos eventos cósmicos.

Processo de tratamento de imagem feito à medida

Os investigadores foram pioneiros numa técnica única para conseguir esta visão penetrante. “Desenvolvemos um processo de tratamento de imagem feito à medida que nos permite analisar as estruturas mais fracas do Universo”, disse a Dra. Martínez-Lombilla.

“Segue os passos padrão do estudo de estruturas fracas em imagens astronómicas – o que implica a modelação 2D e a remoção de toda a luz, excepto da proveniente do intra-grupo. Isto inclui todas as estrelas brilhantes nas imagens, das galáxias que ocultam a luz intra-grupo e uma subtracção da emissão contínua do céu.

“O que torna a nossa técnica diferente é que é totalmente baseada em Python, pelo que é muito modular e facilmente aplicável a diferentes conjuntos de dados de diferentes telescópios, em vez de ser apenas útil para estas imagens.

O resultado mais importante é que ao estudar estruturas muito ténues em torno de galáxias, cada etapa do processo conta e cada luz indesejável deve ser contabilizada e removida. Caso contrário, as suas medições estarão erradas.”

As técnicas apresentadas neste estudo são piloto, encorajando futuras análises da luz intra-grupo, realça a Dra. Martínez-Lombilla.

“O nosso principal objectivo a longo prazo é alargar estes resultados a uma grande amostra de grupos de galáxias. Depois podemos olhar para as estatísticas e descobrir as propriedades típicas relativas à formação e evolução da luz intra-grupo e destes sistemas extremamente comuns de grupos de galáxias.

Este é um trabalho fundamental para a preparação da próxima geração de levantamentos de todo o céu profundo, tais como os que vão ser realizados pelo telescópio espacial Euclid e o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) com o Observatório Vera C. Rubin.”

Astronomia On-line
29 de Novembro de 2022



 

1001: Marte já teve água suficiente para ser um planeta totalmente oceânico

CIÊNCIA / ASTRONOMIA / MARTE

Hoje, Marte é coloquialmente conhecido como o “Planeta Vermelho” por causa da sua paisagem seca e empoeirada rica em óxido de ferro (também conhecido como “ferrugem”).

(dr) Envato Elements

Além disso, a atmosfera é extremamente fina e fria, e nenhuma água pode existir na superfície em qualquer forma que não seja gelo. Mas Marte já foi um lugar muito diferente, com uma atmosfera mais quente e densa e água líquida na sua superfície.

Durante anos, os cientistas tentaram determinar por quanto tempo os corpos naturais existiram em Marte e se eram ou não intermitentes ou persistentes.

Outra questão importante é quanta água Marte já teve e se isso foi ou não suficiente para sustentar a vida. De acordo com um novo estudo, Marte pode ter tido água suficiente há 4,5 mil milhões de anos para estar coberto num oceano global de até 300 metros de profundidade.

Os autores argumentam que isto indica que Marte pode ter sido o primeiro planeta do Sistema Solar a suportar a vida.

Os planetas terrestres sofreram um período de impactos significativos de asteróides após a sua formação há mais de 4,5 mil milhões de anos. Acredita-se que esses impactos sejam a forma como a água e os blocos de construção da vida (moléculas orgânicas) foram distribuídos por todo o Sistema Solar.

No entanto, o papel deste período na evolução dos planetas rochosos no Sistema Solar interior – particularmente no que diz respeito à distribuição de elementos voláteis como a água – ainda é debatido.

A equipa relatou a variabilidade de um único isótopo de cromo (54Cr) em meteoritos marcianos datados desse período inicial. Estes meteoritos faziam parte da crosta de Marte na altura e foram ejectados devido a impactos de asteróides que os enviaram para o Espaço.

Por outras palavras, a composição destes meteoritos representa a crosta original de Marte antes de os asteróides depositarem água e vários elementos na superfície. Como Marte não possui placas tectónicas activas como a Terra, a superfície não está sujeita a convecção e reciclagem constantes.

Portanto, os meteoritos ejectados de Marte há milhares de milhões de anos oferecem uma visão única de como era Marte logo após a formação dos planetas do sistema solar. Como o co-autor Professor Bizzarro, do StarPlan Center, disse num comunicado de imprensa do corpo docente da UCPH:

“As placas tectónicas na Terra apagaram todas as evidências do que aconteceu nos primeiros 500 milhões de anos da história do nosso planeta. As placas movem-se constantemente e são recicladas e destruídas no interior do nosso planeta. Em contraste, Marte não possui placas tectónicas de forma que a superfície do planeta preserve um registo da história mais antiga do planeta”.

Ao medir a variabilidade de 54Cr nesses meteoritos, a equipa estimou a taxa de impacto para Marte ca. há 4,5 mil milhões de anos e quanta água eles forneceram. De acordo com os seus resultados, haveria água suficiente para cobrir todo o planeta em um oceano de pelo menos 300 metros de profundidade e até um quilómetro de profundidade em algumas áreas.

Em comparação, havia muito pouca água na Terra neste momento porque um objecto do tamanho de Marte colidiu com a Terra, levando à formação da Lua (ou seja, a Hipótese do Grande Impacto).

Além da água, os asteróides também distribuíram moléculas orgânicas como aminoácidos (os blocos de construção do DNA, RNA e células de proteína) em Marte durante o bombardeio. Como Bizarro explicou, isto significa que a vida poderia ter existido em Marte quando a Terra era estéril:

“Isto aconteceu nos primeiros 100 milhões de anos de Marte. Após esse período, algo catastrófico aconteceu para a vida potencial na Terra. Acredita-se que houve uma colisão gigantesca entre a Terra e outro planeta do tamanho de Marte. Foi uma colisão energética que formou o sistema Terra-Lua e, ao mesmo tempo, eliminou toda a vida potencial na Terra.”

Este estudo é semelhante a pesquisas recentes que usaram as proporções deutério-para-hidrogénio de meteoritos marcianos para criar modelos de evolução atmosférica.

As suas descobertas mostraram que Marte pode ter sido coberto por oceanos quando a Terra ainda era uma bola de rocha derretida. Essas e outras questões relacionadas com a evolução geológica e ambiental de Marte serão investigadas posteriormente por missões robóticas destinadas a Marte nesta década (seguidas por missões tripuladas na década de 2030).

ZAP // Universe Today
29 Novembro, 2022



 

1000: A missão Artemis pode ser a última dos astronautas da NASA

POST Nº. 1.000 DESTE BLOGUE

CIÊNCIA / TECNOLOGIA / ESPAÇO / ARTEMIS 1

Neil Armstrong deu o seu histórico “pequeno passo” na Lua em 1969. E apenas três anos depois, os últimos astronautas da Apollo deixaram o nosso vizinho celestial.

NASA

Desde então, centenas de astronautas foram lançados ao Espaço, mas principalmente para a Estação Espacial Internacional que orbita a Terra. Nenhum, de facto, se aventurou mais do que algumas centenas de quilómetros da Terra.

O programa Artemis liderado pelos EUA, no entanto, visa devolver os humanos à Lua nesta década – com o Artemis I voltando para a Terra como parte do seu primeiro voo de teste, girando ao redor da Lua.

As diferenças mais relevantes entre a era Apollo e meados da década de 2020 são uma melhoria incrível no poder do computador e na robótica. Além disso, a rivalidade das super-potências não pode mais justificar gastos massivos, como na competição da Guerra Fria com a União Soviética.

A missão Artemis está a usar o novo Sistema de Lançamento Espacial da NASA, que é o foguete mais poderoso de todos os tempos – semelhante em design aos foguetes Saturn V que enviaram uma dúzia de astronautas da Apollo para a Lua.

Como os seus antecessores, o propulsor Artemis combina hidrogénio líquido e oxigénio para criar um enorme poder de elevação antes de cair no oceano, para nunca mais ser usado. Cada lançamento, portanto, tem um custo estimado entre dois e quatro mil milhões de dólares.

Isto é diferente do seu concorrente da SpaceX, “Starship”, que permite à empresa recuperar e reutilizar o primeiro estágio.

Os benefícios da robótica

Os avanços na exploração robótica são exemplificados pelo conjunto de rovers em Marte, onde o Perseverance, o mais recente prospector da NASA, pode conduzir-se por terrenos rochosos com orientação limitada da Terra.

Melhorias em sensores e inteligência artificial (IA) permitirão ainda que os próprios robôs identifiquem locais particularmente interessantes onde devem recolher amostras para trazer à Terra.

Nas próximas uma ou duas décadas, a exploração robótica da superfície marciana poderá ser quase totalmente autónoma, com a presença humana a oferecer poucas vantagens.

Da mesma forma, projectos de engenharia – como o sonho dos astrónomos de construir um radiotelescópio no outro lado da Lua, livre de interferências da Terra – não requerem intervenção humana. Tais projectos podem ser construídos por robôs.

Em vez dos astronautas, que precisam de um local bem equipado para morar se forem necessários para fins de construção, os robôs podem permanecer permanentemente no seu local de trabalho.

Da mesma forma, se a mineração de solo lunar ou asteróides para materiais raros se tornasse economicamente viável, isso também poderia ser feito de forma mais barata e segura com robôs.

Os robôs também poderiam explorar Júpiter, Saturno e as suas fascinantes luas diversas com poucos gastos adicionais, já que viagens de vários anos apresentam pouco mais desafios para um robô do que a viagem de seis meses a Marte. Algumas dessas luas poderiam, de facto, abrigar vida nos seus oceanos subterrâneos.

Mesmo que pudéssemos enviar humanos para lá, seria uma má ideia, pois poderiam contaminar esses mundos com micróbios da Terra.

Gestão de riscos

Os astronautas da Apollo foram heróis. Aceitaram altos riscos e levaram a tecnologia ao limite. Em comparação, viagens curtas à Lua na década de 2020, apesar do custo de 90 mil milhões de dólares do programa Artemis, parecerão quase rotineiras.

Algo mais ambicioso, como um pouso em Marte, poderia custar à NASA um bilião de dólares – gasto questionável quando estamos a lidar com uma crise climática e pobreza na Terra.

O alto preço é resultado de uma “cultura de segurança” desenvolvida pela NASA nos últimos anos em resposta às atitudes do público.

Isto reflecte o trauma e consequentes atrasos no programa que se seguiram aos desastres do space shuttle em 1986 e 2003, cada um dos quais matou os sete civis a bordo.

Dito isso, o space shuttle, que teve 135 lançamentos no total, alcançou uma taxa de falhas abaixo de dois por cento. Seria irreal esperar uma taxa tão baixa quanto esta para o fracasso de uma viagem de regresso a Marte – afinal, a missão duraria dois anos inteiros.

Os astronautas também precisam de muito mais “manutenção” do que os robôs – as suas jornadas e operações de superfície requerem ar, água, comida, espaço para viverem e protecção contra radiação nociva, especialmente de tempestades solares.

Já substancial para uma viagem à Lua, as diferenças de custo entre viagens humanas e robóticas cresceriam muito mais para qualquer estadia de longo prazo.

Uma viagem a Marte, centenas de vezes mais longe do que a Lua, não apenas exporia os astronautas a riscos muito maiores, mas também tornaria o apoio de emergência muito menos viável. Mesmo os entusiastas dos astronautas aceitam que podem decorrer quase duas décadas antes da primeira viagem tripulada a Marte.

Certamente haverá caçadores de emoção e aventureiros que aceitariam de bom grado riscos muito maiores – alguns até se inscreveram para uma proposta de viagem só de ida no passado.

Isso sinaliza uma diferença fundamental entre a era Apollo e hoje: o surgimento de um forte sector privado de tecnologia espacial, que agora abrange voos espaciais tripulados.

As empresas do sector privado competem agora com a NASA, de modo que viagens de alto risco e preços reduzidos a Marte, financiadas por bilionários e patrocinadores privados, podem ser tripuladas por voluntários dispostos. Em última análise, o público poderia animar estes aventureiros sem pagar por eles.

Dado que é altamente provável que o voo espacial humano além da órbita baixa seja totalmente transferido para missões com financiamento privado preparadas para aceitar altos riscos, é questionável se o projecto Artemis de vários milhares de milhões de dólares da NASA é uma boa maneira de gastar o dinheiro do governo.

ZAP // The Conversation
30 Novembro, 2022



 

999: Adeus, foguetões? Elevadores espaciais não são ficção científica

CIÊNCIA / FÍSICA / ESPAÇO / TECNOLOGIA

Estão longe de ser ficção científica. Cientistas estão a trabalhar em elevadores espaciais, estando mais perto do que nunca de torná-los uma realidade.

Um elevador espacial é um plano para uma estrutura destinada a transportar carga da superfície de um planeta para o Espaço. O seu objectivo é eventualmente substituir os foguetões na tarefa de colocar cargas em órbita.

O primeiro conceito de elevador espacial surgiu em 1895, quando o cientista russo Konstantin Tsiolkovsky se inspirou na Torre Eiffel para criar uma torre que chegasse ao Espaço.

A torre seria construída até uma altitude de 35.790 km.

O físico Stephen Cohen, que trabalha em elevadores espaciais há quase 20 anos, publicou um artigo na Scientific American em que refere que está mais perto do que nunca de se tornar uma realidade. No entanto, realça que ainda há alguns desafios pela frente.

Os materiais actualmente disponíveis não são fortes e leves o suficiente para tornar um elevador espacial prático. Algumas fontes esperam que avanços futuros em nanotubos de carbono possam levar a um design prático. Outros acreditam que os nunca serão fortes o suficiente.

Se esquecermos as dificuldades, um elevador espacial traria benefícios significativos. Cohen fala numa enorme poupança de energia e custos como a principal vantagem.

“Foguetões como meio de transporte são absurdos. Para uma típica missão espacial, mais de 90% da massa total na plataforma de lançamento é o combustível! É como estar num carro sem motor, com apenas um tanque de combustível de 100.000 litros”, atira Cohen.

“Outro motivo que muitas vezes é esquecido é a acessibilidade. A expressão ‘missão espacial’ seria substituída por ‘trânsito‘, pois as viagens ao Espaço tornar-se-iam rotineiras e, na maioria das vezes, independentes das condições climatéricas”, escreve o perito.

Pat Rawlings / NASA
Conceito artístico de um elevador espacial.

Para construir um elevador espacial seria necessário lançar um cabo de um satélite para a Terra, que seria fixado ao nosso planeta. Este cabo seria a via para levar cargas necessárias para o Espaço.

“Para o construir, precisamos de um material cuja resistência específica seja cerca de 50 vezes maior que o aço. Mas, enquanto isso, eu e um punhado de outras pessoas no mundo estamos a fingir que esse problema será resolvido e a abordar outros aspectos da engenharia de elevadores espaciais enquanto esperamos”, explica Cohen.

O físico calcula que ainda será necessário esperar pelo menos dez anos para ser resolvido o problema do material para o cabo. Mas quanto tempo demoraremos ainda até ter o elevador efectivamente pronto?

Um dos mais importantes contributos para a ideia de um elevador espacial foi dado pelo famoso engenheiro, inventor e autor de ficção científica Arthur C. Clarke, autor do livro 2001: Odisseia no Espaço. O seu romance ‘The Fountains of Paradise’ narra a construção do primeiro elevador espacial.

No início dos anos 90, questionado sobre quando poderíamos ter um elevador espacial a funcionar, deu uma resposta que ficou famosa: “Provavelmente cerca de 50 anos depois de todos pararem de se rir“.

Mas uma resposta mais actual pode ser: ‘Saberemos que estamos perto quando Elon Musk começar a receber o crédito por isso’”, lê-se no texto de Cohen.

ZAP //
30 Novembro, 2022



 

998: Maior vulcão activo do mundo acordou quase 40 anos depois

CIÊNCIA / VULCANOLOGIA / HAVAI / ERUPÇÃO

Chama-se Mauna Loa Loa, está localizado no Havai, e é, actualmente, o maior vulcão activo do mundo. Depois de 38 anos adormecido, está em erupção desde a noite de domingo.

Os cientistas e as autoridades já haviam avisado sobre a possibilidade de erupção.

Passava das 23h (10h30 de segunda, em Lisboa) quando, no Havai, o vulcão Mauna Loa Loa acordou, depois de quase 40 anos adormecido. A informação foi adiantada pelo United States Geological Survey que, numa actualização feita na segunda-feira de manhã, deu conta que a lava estava a sair do lado nordeste do vulcão, conhecido como a Zona de Elevação do Nordeste.

Os fluxos de lava não estão a ameaçar quaisquer comunidades e todas as indicações são de que a erupção permanecerá na Zona de Elevação do Nordeste.

Garantiu o United States Geological Survey, acrescentando o alerta de que os ventos poderiam transportar cinzas vulcânicas, gás e vidro para outros locais.

Além disso, o United States Geological Survey esclareceu que, com base em acontecimentos passados, as “fases iniciais de uma erupção do vulcão Mauna Loa podem ser muito dinâmicas e a localização e avanço dos fluxos de lava podem mudar rapidamente”.

Embora as autoridades não tenham emitido nenhuma ordem de evacuação, por acreditarem que a erupção não terá outros impactos, o Hawaii News Now relatou que foram abertos vários abrigos.

As pessoas com doenças respiratórias devem permanecer dentro de casa, para evitar inalar as partículas de cinzas, e qualquer pessoa no exterior deve cobrir a boca e o nariz com uma máscara ou um pano.

Alertou o National Weather Service, recordando que as cinzas podem contaminar a água e as culturas, danificar edifícios e equipamentos e prejudicar a saúde.

Segundo o National Park Service, o vulcão Mauna Loa eleva-se em mais de 4.145 metros acima do Oceano Pacífico e a sua base subaquática ronda os 9.000 metros. Esta estrutura colossal torna este vulcão mais alto do que o Monte Evereste.

O vulcão entrou em erupção 33 vezes, desde a sua primeira “erupção histórica devidamente documentada”, em 1843. O fenómeno não acontecia desde 1984 e deu-se, conforme previsto pelos cientistas e pelas autoridades, algumas semanas após os terramotos que estavam a ter lugar no seu cume.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
29 Nov 2022



 

981: Sida matou 650 mil pessoas no ano passado

🇵🇹 SAÚDE PÚBLICA / SIDA / MORTES

O número total de novas infecções no ano passado foi semelhante ao registado em 2020, enquanto as mortes caíram 5,79%, embora a taxa de mortalidade tenha sido observada especialmente alarmante entre as crianças.

Cerca de 650 mil pessoas morreram de Sida em 2021 e um milhão e meio de pessoas foram infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) no ano passado, segundo o relatório anual do Programa das Nações Unidas de Combate ao ​​​​​​​VIH/Sida (ONUSIDA) divulgado esta terça-feira.

O número total de novas infecções no ano passado foi semelhante ao registado em 2020, enquanto as mortes caíram 5,79%, embora a taxa de mortalidade tenha sido observada especialmente alarmante entre as crianças.

Segundo o ONUSIDA, 15% de todas as mortes no ano passado ocorreram entre crianças com menos de 14 anos, apesar de representarem menos de 15% das pessoas a viver com o VIH no mundo.

No total, 38,4 milhões de pessoas têm VIH em todo o mundo, de acordo com as últimas estatísticas disponíveis, 1,5% a mais do que em 2020, quando a doença afectava cerca de 37,8 milhões de pessoas, segundo o relatório apresentado dois dias antes do Dia Mundial de Combate à Sida, que se assinala em 01 de Dezembro.

De qualquer forma, as novas infecções caíram 54% desde o pico da doença em 1996 e as mortes caíram 32% desde 2004, quando dois milhões de pessoas perderam a vida devido à Sida.

Quase dois terços das infecções globais ocorreram por contacto sexual entre pessoas pertencentes a grupos de risco (profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injectáveis e pessoas transexuais).

A parte positiva é que em 2021 aumentou o número de pessoas com acesso à terapia anti-retroviral, que subiu 5,22%, chegando a 28,7 milhões de pessoas tratadas.

Por região, a África Oriental e Austral responde por quase metade do total de casos de Sida no mundo: 20,6 milhões, dos quais 78% têm acesso ao tratamento anti-retroviral.

O tratamento é menos comum no norte do continente africano e na Ásia Central, onde apenas metade da população afectada tem as terapias necessárias.

O documento destacou a desigualdade de género na luta contra a Sida em diferentes regiões do mundo e mostra o seu impacto nas mulheres na África subsariana, onde as adolescentes entre 15 e 19 anos têm duas vezes mais chances de serem infectadas do que homens da mesma faixa etária.

Cerca de 63% das novas infecções por VIH na região eram mulheres, quase 10 pontos percentuais a mais do que nas estatísticas globais.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Novembro 2022 — 09:25