356: Sonda da NASA colidiu com asteróide para o desviar da Terra

TECNOLOGIA/NASA/SONDA/COLISÃO/ASTERÓIDE

Colisão aconteceu às 0:14 desta terça-feira (hora de Lisboa). Inovador teste de “defesa planetária” que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

Esta terça-feira arrancou com um feto inédito na história da humanidade: a NASA utilizou uma sonda para colidir com um asteróide e desviar-lhe a trajectória, num inovador teste de “defesa planetária” que deverá proteger melhor a Terra de uma possível ameaça futura.

O asteróide alvo deste teste não representa nenhum risco para o planeta, mas a missão, denominada DART, vai ajudar a determinar a resposta da NASA se for detectado um asteróide que ameace colidir com a Terra no futuro, de acordo com o líder da agência espacial, Bill Nelson.

O momento do impacto, a 11 milhões de quilómetros da Terra, foi acompanhado ao vivo no canal da NASA no YouTube por milhares de pessoas.

A sonda, que não é maior do que um carro, descolou em Novembro da Califórnia, nos Estado Unidos, e cumpriu o seu objectivo esta madrugada a uma velocidade superior aos 20 mil quilómetros por hora.

“Estamos a mudar o movimento de um corpo celeste natural no espaço. A humanidade nunca o havia feito antes”, afirmou Tom Statler, cientista-chefe da missão. “É tirado dos livros de ficção científica e dos episódios da Star Trek – Caminho das Estrelas, de quando eu era criança. E agora é real”, frisou, antes da colisão.

Na realidade, o alvo foi um par de asteróides: um maior, o Didymos (de 780 metros de diâmetro) e o seu satélite, Dimorphos (de 160 metros de diâmetro), que gira em volta do primeiro.

É contra o pequeno, Dimorphos, que a sonda colidiu. Este asteróide gira em torno do maior numa órbita que demora 11 horas e 55 minutos. O objectivo é reduzi-la dez minutos, uma alteração que poderá ser medida com telescópios na Terra, de onde será possível observar a variação do brilho, quando o asteróide menor passar à frente do maior.

Para saber se o objectivo será cumprido serão necessários “poucos dias”. “Ficaria surpreendido se levasse mais de três semanas”, assegurou Statler.

A sonda que colidiu com o asteróide levou uma câmara chamada DRACO que captou uma imagem por segundo. Cada imagem chegou à Terra com um atraso de apenas 45 segundos.

Para atingir um alvo tão pequeno, a sonda dirigiu-se de forma autónoma durante as últimas quatro horas, como se de um míssil teleguiado se tratasse.

As aproximadamente quarenta pessoas presentes na sala de controlo do Laboratório de Física Aplicada (APL), da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, estavam prontas para intervir se fosse necessário.

O evento também foi observado pelos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

Tudo isso deverá permitir compreender melhor a composição de Dimorphos, representativo de uma população de asteróides bastante comuns e, portanto, medir o efeito que esta técnica, denominada de impacto cinético, pode ter sobre eles.

Diário de Notícias
DN/AFP
27 Setembro 2022 — 00:21



 

354: Asteroid Map: Simule o nível de destruição que um asteróide provocaria na sua cidade

CIÊNCIA/ASTERÓIDES/DESTRUIÇÃO

Todos os anos caem na Terra 5.200 toneladas de poeira extraterrestre. Estamos, portanto, constantemente a ser alvo de colisões com micro-meteoritos, asteróides, poeira interplanetária de cometas e outro material. No entanto, estamos há mais de 100 anos livres de grandes e danosos impactos.

Por ser um assunto sério e com urgência em perceber como nos podemos um dia defender de uma ameaça de um asteróide em rota de colisão, hoje a NASA vai realizar um teste importante que responderá a algumas questões e poderá salvar mesmo o planeta no futuro.

Assim, o DART será um teste de fogo ao nosso hipotético poder para desviar um asteróide perigoso. No entanto, se quiser perceber o dano que teria uma destas rochas ao colidir com o nosso planeta, simule usando o serviço Asteroid Map.

Preâmbulo de uma tragédia

A questão não é dramatizar sobre um assunto que, já por ele, não tem sido dramático na vida dos humanos vivos actualmente no planeta. Isto porque o último grande impacto ocorrido entre uma rocha espacial e um continente data de há 114 anos.

Segundo os relatos, um objecto celeste invadiu a atmosfera, no dia 30 de Junho de 1908, e, com o atrito, provocou uma explosão com potência mil vezes maior que a da bomba de Hiroxima.

Esta “colisão” só não se tornou numa tragédia humana porque a rocha extraterrestres caiu num lugar desabitado, na região de Tunguska, na Sibéria (no norte da Rússia).

As únicas vítimas do impacto espacial foram árvores e a fauna existente. A devastação foi tal que desapareceu uma floresta de 2 mil quilómetros quadrados, uma área mais ou menos como metade do Algarve.

Em termos práticos, o que aconteceu neste evento não foi exactamente um impacto, já que a rocha explodiu a aproximadamente 5 quilómetros de altura. Os astrónomos estimam que este bloco tinha aproximadamente 70 metros de diâmetro e, por ser tão grande e rápido, não resistiu ao atrito com a atmosfera e incendiou-se provocando depois a sua destruição ainda no ar.

Imagem com simulação de um asteróide de 4300 metros de diâmetro com impacto em Moscovo

O que acontecerá se um asteróide colidir com a Terra?

Esta é a pergunta para o qual muitas respostas podem ser dadas, mas nenhuma será a que define o que acontecerá na realidade. Isto porque tem tudo a ver com uma enorme quantidade de factores, entre eles o tamanho do objecto que nos acertar.

Aliás, o tema é tão urgente e preocupante que a NASA, com a missão DART, tenta hoje desviar a órbita de um pequeno asteróide, por forma a perceber se, em caso de um dia estarmos na rota de colisão com um asteróide massivo, podermos ter meios para nos salvar.

Se quiser saber mais sobre o que vai acontecer, veja: DART: “Missão suicida” da NASA para desviar asteróide será filmada e transmitida.

Por exemplo, o Apófis é um asteróide com cerca de 400 metros de diâmetro, que causou um breve período de preocupação em Dezembro de 2004 porque as observações iniciais indicavam uma probabilidade pequena (até 2,7%) de que este poderia atingir a Terra em 2029.

Observações adicionais melhoraram as predições e eliminaram a possibilidade de um impacto na Terra ou na Lua em 2029. Entretanto, dizem, ainda há uma possibilidade de impacto. Isto é, no seu voo pela nossa vizinhança em 2029 o Apófis poderá passar por uma fenda de ressonância gravitacional, uma região precisa não maior que 600 metros, e isso poderá mudar o rumo desta rocha e provocar um impacto directo no dia 13 de Abril de 2036.

É esta possibilidade que mantém o asteróide no Nível 1 da escala de perigo de impacto de Turim desde Agosto de 2006. Contudo, este asteróide já esteve, durante um curto espaço de tempo, no nível 4.

Apesar de não ser “gigante”, poderia causar danos irreparáveis no planeta. O que destruiria, este ou outro, dependo muito da massa do objecto em causa e do local da queda. Em cada zona, o nível de destruição poderá ser completamente diferente.

Assim, se quiser perceber os danos que um asteróide causará, poderá usar o serviço Asteroid Map. Este irá dizer-lhe, com base no tamanho do objecto, da área afectada e de outros componentes, o nível de destruição.

Asteroid Map: a terra contra tudo e contra todos

Asteroid Map é um simulador que, tal como o nome indica, permite simular uma colisão de um asteróide de qualquer tamanho, em qualquer sítio da Terra e mostra, de forma gráfica, alguns dados como, por exemplo, o diâmetro da cratera ou as zonas que seriam mais críticas para a sobrevivência humana.

Sendo uma simulação, a sua acuidade relativa. Apesar disso, mostram-nos com um grau de curiosidade o que nos poderá acontecer se certos asteróides nos acertarem

Conforme podemos ver em cima, usando o Asteroid Map, o utilizador poderá, primeiro, introduzir a zona, a cidade onde hipoteticamente seria o alvo calculado do impacto. Podem ser colocados os nomes das cidades ou, como é indicado, uma morada específica.

Depois, no segundo campo, podemos introduzir o tamanho da rocha que irá impactar com o planeta. Neste exemplo em cima o tamanho foi mais ou menos o do asteróide Apófis. Se reparar, existem já diâmetros pré-definidos, mas podemos também colocar manualmente o valor.

Por fim, clique no botão “View Damage!” Agora poderá ver um mapa com os vários níveis de resultados do impacto.

Pplware
Autor: Vítor M
26 Set 2022

Asteroid Damage Visualization Map (teste)

Simulação de colisão de um asteróide com 400 m de diâmetro em Lisboa

Simulação da colisão de um asteróide de 400 m em Lisboa