Jerónimo de Sousa aponta ao “reforço” do PCP, contra “campanha de calúnias”

– Engraçado… Ao ler este artigo e contextualizando-o internacionalmente, parece estar a ver/ouvir os discursos dos ORCS russonazis ☠️卐☠️ a proferirem o mesmo tipo de linguagem – forças reaccionárias, natureza da NATO, a guerra e as sanções -, embora a ex-URSS já não tenha nada a ver com comunismo – até a bandeira mudaram da cor vermelha com a foice e o martelo para as três listas branca, vermelha e azul). Interessante, mas nada de estranhar…!

POLÍTICA/PZP/CONFERÊNCIA NACIONAL

Na sua última intervenção como líder do PCP, Jerónimo de Sousa insurgiu-se contra a “campanha antidemocrática” contra o partido e deixou um caderno de encargos ao sucessor Paulo Raimundo, que será eleito em Comité Central ao final desta tarde de sábado. E despediu-se com muito afecto.

Jerónimo de Sousa
© Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

Jerónimo de Sousa, naquele que foi o último discurso como líder ao partido, entrou no Pavilhão Alto do Moinho, em Corroios, Seixal, sob forte aplauso e o grito em uníssono “PCP, PCP” e punhos erguidos dos delegados comunistas que participam na Conferência Nacional que marcará a mudança de liderança do PCP para as mãos de Paulo Raimundo.

“Sabemos dos impactos negativos nos planos eleitorais, da expressão institucional, das nossas dificuldades, das nossas insuficiências e atrasos que estão identificados e importa superar”, assumiu perante os seus camaradas.

A Internacional abriu os trabalhos e Jerónimo, nestas últimas palavras enquanto secretário-geral, reafirmou os princípios do PCP e recebeu novamente palmas quando disse que o partido é vítima “de campanhas de deturpação” de “calúnias e tentativas de chantagem”.

“A classe dominante – os senhores do mando do país – ambicionaria que, perante a ofensiva, o partido tivesse soçobrado e abdicado dos seus princípios, se submetesse a sua agenda e aos seus critérios.

Que escondesse ao povo a verdade sobre os aproveitamentos da pandemia, as opções de classe do PS, os projectos das forças reaccionárias, a natureza da NATO, a guerra e as sanções. Enganaram-se e vão continuar enganados!” As palmas irromperam novamente no Pavilhão.

Jerónimo de Sousa já se tinha insurgido contra “o imperialismo” e contra a o “aproveitamento da pandemia, da instigação da confrontação e principalmente das sanções”. Nunca mencionou a palavra Rússia, apenas aludiu à intensificação da guerra na Ucrânia.

Que, disse, resulta num processo de degradação de condições de vida dos portugueses, sem que o Orçamento do Estado para 2023, a ser debatido no Parlamento, responda ao “aumento do custo de vida”.

“A governação mostra cada vez mais um PS inclinado para a direita”, afirmou. Ele que deu a mão ao PS em 2015 para formar a geringonça, mas que em 2021 chumbou o OE para este ano e ajudou a fazer cair o governo de António Costa.”A proposta de Orçamento do Estado aprofundará o empobrecimento da maioria da população”, assegurou.

Além do “embuste do aumento das reformas”, da “farsa da revalorização salarial” do chamado Acordo de Rendimentos, da “retoma do processo privatizador da TAP”, o líder comunista cessante atacou o processo de revisão constitucional em curso e para o qual também contribuiu com um projecto de lei.

“É explicito e crescente o confronto com a Constituição portuguesa por parte de forças reaccionárias com o objectivo da sua revisão e subversão”. Jerónimo associou sempre PS, PSD, CDS, Chega e IL tudo num mesmo bolo.

Caderno de encargos para o país e partido

Mesmo de saída da liderança., e continuando a participar na vida do partido como prometeu, Jerónimo de Sousa deixou um caderno de encargos para o país e para o partido. Paulo Raimundo, sentado na mesa da direcção do partido ouviu-o, a poucas horas de lhe suceder. Entrou, aliás, no Pavilhão ao seu lado.

Das “lutas” para Portugal: aumento dos salários; promoção dos direitos das crianças e pais; bater-se por melhores condições de vida da juventude; valorização das reformas e das funções sociais do Estado, entre outras.

O “reforço” do partido foi a grande mensagem deixada para o camarada que lhe vai suceder. Jerónimo de Sousa apontou à “formação de quadros”, ao recrutamento de novos militantes, maior intervenção junto “da classe operária”, tal como “promover uma ampla iniciativa a partir das organizações locais do partido”.

No plano da imprensa, o líder comunista cessante, que deixa estas funções no partido após 18 anos (em 2004 foi eleito secretário-geral do PCP) sublinhou a campanha em torno do órgão oficial do PCP, O Avante!, a iniciar em Abril de 2023, para aumentar a promoção e venda do jornal.

Com o quadro de fundo de um partido que tem encolhido nas urnas – de 12 deputados ainda saídos das eleições de 2019, a bancada parlamentar passou para 6 nas de 2022 – Jerónimo de Sousa rematou a garantir que “o PCP influenciou e influencia a evolução da vida nacional”, “um dever do qual o PCP não abdica”.

A Conferência Nacional rendeu-se em palmas e “assim se vê a força do PC” soou no Pavilhão do Alto do Moinho com grande intensidade. Uma ovação de sete minutos de pé.

Os trabalhos prosseguem esta tarde com intervenções de delegados dos vários distritos do país e culminará amanhã com a intervenção do novo secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, que será eleito ao final da tarde na reunião do Comité Central.

A Conferência Nacional do PCP, a quarta em 100 anos, foi organizada com o objectivo de reenquadrar a acção do partido em contexto de maioria absoluta do PS, aumento da inflação e consequente degradação das condições de vida da generalidade da população, e também de incerteza em relação ao redesenho do mapa geopolítico internacional.

Diário de Notícias
Paula Sá
12 Novembro 2022 — 11:21