1083: Pandemia provocou mais 300 mil mortes na UE do que as oficiais

SAÚDE PÚBLICA // PANDEMIA // COVID-19

Relatório da OCDE e da Comissão Europeia indica que a covid-19 “reduziu a esperança de vida em quase todos os países europeus”, tendo diminuído mais de um ano no conjunto da União Europeia, “atingindo níveis vistos pela última vez há uma década”.

© Artur Machado / Global Imagens

A pandemia provocou mais 300 mil mortes na Europa do que os dados oficiais e reduziu a esperança de vida em mais de um ano, a maior diminuição desde a II Guerra Mundial, indica um relatório divulgado esta segunda-feira.

“No final de Outubro de 2022, mais de 1,1 milhões de mortes de covid-19 foram reportadas em todos os 27 países da UE, mas os dados sobre o excesso de mortalidade sugerem que se trata de uma sub-estimativa e que mais 300 mil pessoas morreram devido ao efeito directo ou indirecto da pandemia”, refere o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Comissão Europeia (CE).

O documento, que analisa vários indicadores de saúde nos últimos anos, salienta ainda que a covid-19 “reduziu a esperança de vida em quase todos os países europeus”, tendo diminuído mais de um ano no conjunto da União Europeia (UE), “atingindo níveis vistos pela última vez há uma década”.

“A pandemia teve um impacto dramático na vida das pessoas na Europa e em todo o mundo. Conduziu a uma redução de mais de um ano de esperança de vida na UE em 2021 em comparação com 2019. Estas foram as maiores reduções da esperança de vida desde a II Guerra Mundial na maioria dos países da UE”, avança o relatório.

A OCDE e a CE adiantam ainda que a grande maioria das mortes por covid-19 – mais de 90% – foi registada em pessoas com mais de 60 anos.

Em números absolutos, até final de Outubro, a mortalidade por covid-19 mais elevada registou-se em Itália (179 mil mortes), França (171 mil), Alemanha (154 mil), Polónia (117 mil) e Espanha (115 mil), mas em percentagem da população, as taxas mais altas verificaram-se na Bulgária, Hungria, Croácia, República Checa e Eslovénia e as mais baixas na Islândia e na Noruega.

De acordo com os dados agora divulgados, em Portugal a mortalidade por covid-19, entre Março de 2020 e Junho de 2022, foi ligeiramente inferior à média da UE e o excesso de mortalidade ficou sensivelmente dentro da média dos 27.

“As diferenças entre países geralmente reflectem variações na estrutura etária da população, o tempo e a eficácia das estratégias de contenção, a aceitação da vacinação covid-19 em 2021 e 2022 e as diferenças na capacidade dos sistemas de saúde para tratar os doentes com covid-19”, explica o documento.

De acordo com os dados agora divulgados, o excesso de mortalidade na UE, desde o início da pandemia até ao final de Junho, foi 26% superior ao registado pelas mortes de covid-19.

“Isto traduz-se em cerca de 300 mil mortes adicionais em comparação com o número reportado de mortes covid-19, que podem ser devido ao impacto directo ou indirecto da pandemia, ou a outros eventos”, adianta a OCDE.

“A diferença entre o excesso de mortalidade e as mortes reportadas pela covid-19 foi particularmente grande na Bulgária, na Roménia, na Polónia, na Eslováquia e na Estónia, indicando que os dados relativos à mortalidade covid-19 reportados por esses países subestimaram substancialmente o impacto da pandemia”, sublinha o relatório.

Em 2019, ou seja, antes da pandemia, as duas principais causas de mortalidade na UE foram as doenças circulatórias, que representaram mais de 1,6 milhões de mortes ou 35% de todas as mortes, e o cancro, que representou quase 1,2 milhões de mortes ou 26% de todas as mortes.

Vacinas evitaram mais de 250 mil mortes na UE em 2021

Relatório indica ainda que as vacinas contra a covid-19 evitaram mais de 250 mil mortes em 2021 na União Europeia (UE), onde se estima que a `long covid´ tenha afectado cerca de 25 milhões de pessoas.

Estima-se que as vacinas tenham evitado mais de 250 mil mortes em toda a UE apenas em 2021, embora as taxas de vacinação entre grupos vulneráveis tenham permanecido bastante baixas em alguns países”, refere o relatório da OCDE e da Comissão Europeia.

O documento diz que um dos efeitos colaterais positivos da pandemia é que ajudou a aumentar a cobertura da vacinação contra a gripe sazonal entre idosos e outros grupos vulneráveis, apontando o exemplo da Dinamarca, onde a cobertura de vacinação entre pessoas com mais de 65 anos aumentou 23 pontos percentuais em 2020 em comparação com 2019, chegando aos 75%.

A OCDE e a CE alertam também que a `long covid´ – a permanência de sintomas após a infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 – “surgiu como uma nova condição crónica que exigirá mais investigação para melhorar o diagnóstico e o tratamento e uma coordenação entre prestadores de cuidados primários e especialistas” de saúde.

“As estimativas preliminares indicam que pelo menos 10% das pessoas infectadas com covid-19 experimentam alguns sintomas de `long covid´ que duram mais de um mês, o que significa que afectou e possivelmente continua a afectar mais de 25 milhões de pessoas em todos os países da EU”, avança o relatório.

Os dados agora divulgados referem ainda que os atrasos no rastreio do cancro durante os primeiros anos da pandemia levaram a que muitos doentes oncológicos fossem diagnosticados em fases mais avançadas, “tornando o seu tratamento mais complexo e reduzindo as suas hipóteses de sobrevivência”.

“As taxas de rastreio do cancro da mama diminuíram na maioria dos países da UE em 2020, com uma redução média de 6% em 16 países da UE com dados disponíveis. A redução foi geralmente maior nos países que já tinham taxas baixas antes da pandemia”, adianta o documento.

Os dados indicam que a Dinamarca, Finlândia e Irlanda estão entre os poucos países que não suspenderam os seus programas de rastreio do cancro em 2020 e, por isso, “não sofreram uma queda significativa no rastreio do cancro da mama”.

“Os diagnósticos e tratamentos tardios do cancro têm custos elevados, tanto para os doentes como para os sistemas de saúde. Adiar o tratamento cirúrgico para cancros comuns aumenta o risco de morte em cerca de 7%, enquanto adiar a quimioterapia ou a radioterapia em quatro semanas aumenta o risco de morte em até 13%”, alerta a OCDE.

O relatório refere também que, em 2020, foram realizados menos dois milhões de intervenções cirúrgicas programadas (como cirurgias às cataratas e à anca e joelho) do que em 2019 nos países da UE, aumentando os tempos de espera dos doentes.

“Muitos países da UE disponibilizaram fundos adicionais para fazer face a estes atrasos, mas o principal constrangimento ao aumento do volume de procedimentos tem sido a escassez de trabalhadores da saúde”, sublinha o documento.

O relatório considera positivo o rápido desenvolvimento de tele-consultas no início de 2020, que ajudou a manter o acesso aos cuidados de pessoas com doenças crónicas, mas alerta para os riscos do aumento das desigualdades em saúde, através da exclusão digital de pessoas mais velhas, mais pobres e que vivem em zonas rurais.

Ao nível da saúde mental, em vários países europeus, como a Bélgica, a Estónia, a França, a Suécia e a Noruega, a percentagem de jovens que reportam sintomas de depressão mais do que duplicou durante a pandemia, atingindo níveis de prevalência pelo menos duas vezes mais elevados do que nas faixas etárias mais velhas, refere o documento.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Dezembro 2022 — 11:28



 

985: Covid-19: Norma da DGS sobre visitas a idosos infectados em lares divide responsáveis

SAÚDE PÚBLICA / PANDEMIA / COVID-19 / LARES

Confederação das Instituições de Solidariedade Social e Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos com visões diferentes sobre a norma.

A norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para assegurar que os utentes infectados com covid-19 que residem em lares têm direito a visitas divide responsáveis, entre quem a considere uma medida esperada e quem aponte uma flexibilização excessiva.

Na opinião do padre Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), a norma é “oportuna” e trata-se de uma “orientação esperada e consistente”.

“Na generalidade dos lares havia visitas a pessoas infectadas, com os devidos cuidados porque o vírus numa pessoa num lar pode com facilidade propagar-se a outras pessoas. Mas não podemos ter as pessoas indefinidamente enclausuradas e já sabemos que, com a vacinação completa, o vírus não tem a força que teria com todo este processo de vacinação”, defendeu.

Na opinião do presidente da CNIS, os lares já estão “devidamente apetrechados” para cumprir a recomendação e, tendo em conta que “já não há surtos” como os registados no início da pandemia, “há mais condições para proteger as pessoas, evitando propagações”.

A DGS publicou na segunda-feira uma nova norma sobre os casos de suspeita ou confirmação de covid-19, que salienta que a elevada cobertura vacinal e a evolução epidemiológica favorável permitem “progredir para um modelo de resposta focado na prevenção e no tratamento da doença grave, atento ao padrão de circulação e ao aparecimento de novas variantes de SARS-CoV-2”.

Nessa norma, fica definido que as visitas aos doentes com covid-19 que estejam em lares ou estruturas similares devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de protecção individual.

O presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos apontou que a norma da DGS “é confusa, pouco orientadora, [e] com regras um bocado vagas”.

João Ferreira de Almeida defendeu que a DGS deveria ter actualizado a orientação específica sobre os procedimentos a adoptar nos lares relativamente à covid-19 em vez de publicar esta norma “que mistura situações hospitalares com situações em lares”.

“Esta dualidade de actuação da DGS não consigo compreender porque só baralha, só complica, só desorienta e nós precisamos é de orientação”, criticou.

O responsável defendeu mesmo que a norma “não faz sentido”, questionando o que se andou a fazer durante dois anos.

“Se a situação agora é assim, porquê tantas restrições e tão severas algumas durante quase dois anos. Isto faz-me confusão”, criticou.

Acrescentou que “seria bom” que esta norma determinasse que as visitas possam ser retomadas com a normalidade existente antes da pandemia, “em que as visitas eram feitas na sala, com visitas para mais do que um idoso em simultâneo”.

“Acho que é uma flexibilização exagerada. Estão a fazer confiança com a dose de reforço a vacina. Não sei se não estão a confiar demais”, apontou João Ferreira de Almeida.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Novembro 2022 — 13:38



 

812: Covid-19. Aumento de incidência e internamentos mas impacto reduzido

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

A covid-19 registou um aumento de incidência, com tendência estável crescente, e houve também um aumento de internamentos, mas mantém-se reduzido o impacto da doença nos serviços de saúde e na mortalidade geral.

Covid em Portugal
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Os dados fazem parte do último relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a monitorização da situação epidemiológica da covid-19, divulgado este sábado.

De acordo com o documento, houve um aumento do número de internamentos em enfermaria no grupo etário entre os 40 e os 59 anos, e nas unidades de cuidados intensivos acima dos 80 anos, “ainda que abaixo do limiar crítico definido e do valor máximo da última fase epidémica”.

Apesar do aumento de internamentos, o impacto da covid-19 é reduzido, explicando o INSA que há a manutenção de uma mortalidade pelo vírus reduzida, “com tendência estável e correspondente a um valor cinco vezes inferior ao valor máximo observado na última fase epidémica”.

O INSA sublinha que a situação epidemiológica justifica a manutenção da vacinação de reforço, as medidas de protecção individual e “a comunicação frequente destas medidas à população”.

Os últimos dados indicam que a linhagem BA.5 da variante Omicron da covid-19 era dominante.

Segundo o documento, a 14 de Novembro a incidência cumulativa a sete dias foi de 63 casos por 100.000 habitantes, verificando-se um aumento dessa incidência em todas as regiões de saúde e em todos os grupos etários em relação à semana anterior, sendo esse aumento mais significativo nas regiões autónomas.

Quanto ao índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que provoca a covid-19 foi de 1,03 a nível nacional, uma subida em relação aos 0,97 da semana anterior.

O relatório do INSA avança que o Rt, indicador que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, no período entre 07 e 11 de Novembro, era igual ou superior a 01, “indicando uma tendência crescente de novos casos”. Comparando com o relatório anterior, o Rt subiu em todas as regiões de saúde menos no Algarve.

Em 14 de Novembro estavam internadas 570 pessoas com covid-19 (sem variação em relação à semana anterior) e na mesma data estavam 42 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos.

No mesmo dia, indica ainda o documento do INSA, a mortalidade por covid-19 era de 9,3 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, apresentando uma estabilização. Este valor é inferior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Novembro 2022 — 20:26



 

790: Casos de covid em Portugal aumentaram na última semana

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Com estes números, Portugal registou mais 1.202 casos de infecção e mais seis mortes em relação à última semana.

© D.R.

Portugal registou, entre 8 e 14 de Novembro, 6.478 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 51 mortes associadas à covid-19 e uma estabilização dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 1.202 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 570 pessoas, menos uma apenas do que no mesmo dia da semana anterior, com 42 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais oito do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 63 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um aumento de 24% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 1,03 a nível nacional.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.412 casos na última semana, mais 256 do que no período anterior, e 24 óbitos, mais oito.

A região Centro contabilizou 887 casos (mais 114) e 11 mortes (mais duas) e o Norte totalizou 1.610 casos de infecção (mais 378) e 11 mortes (menos cinco).

No Alentejo foram registados 254 casos positivos (mais 12) e um óbito (o mesmo número da semana anterior) e no Algarve verificaram-se 228 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais oito) e três mortes (o mesmo número da semana anterior).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 300 novos contágios nos últimos sete dias (mais 105) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 787 casos nesse período (mais 329) e um óbito (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.064), seguindo-se a das pessoas entre os 50 e os 59 anos (1.034), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (206).

Dos internamentos totais, 230 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (124) e dos 60 aos 69 anos (84).

A DGS contabilizou ainda 13 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, quatro dos 10 aos 19 anos, 13 dos 20 aos 29 anos, 16 dos 30 aos 39 anos, 22 dos 40 aos 49 anos e 36 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e duas entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 71% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 64% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 75% dos idosos com mais de 80 anos e a 61% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN / Lusa
18 Novembro 2022 — 20:07



 

Reunião do Infarmed devia ter incluído “recomendações fortes” de protecção individual

– Como tem sido habitual neste Portugal dos Pequeninos…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFARMED

Especialistas consideram que encontro entre políticos e peritos decorreu com “zero novidades”, embora nesta fase da pandemia fosse fundamental “recomendações fortes” para se minimizar a circulação do vírus. Do lado da saúde, só houve uma palavra para a prevenção: vacinação.

Ministro Manuel Pizarro esteve ontem no Infarmed para ouvir os peritos de instituições do Estado sobre a situação epidemiológica do país.

A pandemia ainda não terminou. E por muito que se queira incluir a infecção por SARS-CoV-2 no lote das doenças comuns, por infecção respiratória, ainda há muito para fazer, nomeadamente no que toca a “fortes recomendações para protecção individual”, senão mesmo algumas medidas obrigatórias, como o uso de máscara em situações muito específicas, bem como no que toca “a uma vigilância mais activa, para se ter noção real do que se está a passar no país”.

Mas não só. É preciso até “mais literacia da população sobre este tipo de doença”, precisamente “para se minimizar os riscos e as consequências”. Isto mesmo foi defendido ao DN por três especialistas que têm acompanhado a evolução da pandemia no nosso país, e daí que uma das críticas feitas à reunião que esta sexta-feira assinalou o regresso entre políticos e peritos ao Infarmed seja precisamente a de “não ter incluído fortes recomendações à população”.

Até porque todos os recados que têm vindo a ser dados pelas autoridades de saúde visam única e exclusivamente “a responsabilidade individual” e têm como palavras de ordem “vacinação, vacinação”.

O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, considerou que a reunião foi “exactamente o que se esperava e o que o Sr. Ministro já tinha dito que iria ser.

Falou-se da evidência e recordou-se desafios, com zero de novidades ou com pouco impacto na vida das pessoas. Ou seja, com uma ausência total de recomendações e de implementação de medidas. E, neste sentido, a reunião foi o que se esperava, simpática e pouco mais”.

O médico infecciologista António Silva Graça disse ao DN ter estado a acompanhar a reunião e que “esperava mais”, questionando mesmo que, para ter decorrido desta forma, “se seria mesmo necessária”, pois “já tínhamos ouvido o Sr. Ministro dizer na véspera que não iriam ser tomadas medidas significativas relativamente à pandemia”.

Antes também já se tinha assumido “a pobreza dos números registados”, portanto, diz Silva Graça, “o que considerava importante era haver pelo menos uma recomendação muito forte sobre a utilização da máscara”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, e que desta vez não esteve no Infarmed, confessou não ter tido a oportunidade de acompanhar em directo, mas não deixa de referir que o importante, mesmo para esta fase, “era a obrigatoriedade do uso de máscara em situações muito específicas, nomeadamente nos transportes públicos, porque é uma medida que não tem impacto económico nem social nas nossas vidas”.

Querem tornar a covid-19 uma doença do dia-a-dia, mas é preciso mais literacia

Do lado da saúde pública, Gustavo Tato Borges comentou ao DN ter concordado com o ministro Manuel Pizarro no que defendeu sobre a vacinação, “tem de ser fomentada” e “as pessoas que forem chamadas devem ser vacinadas”, mas “nesta reunião faltou dizer que as pessoas devem manter os cuidados quando estão doentes e evitar ir trabalhar”, e, se forem, “deve haver a garantia de que usam máscara”.

Mais. “Esta deve ser usada em qualquer momento do nosso dia sempre que possa haver um risco acrescido de se ser infectado ou de se transmitir a infecção a outras pessoas.”

O médico reforça que outra das recomendações que deveriam ter sido feitas no encontro “era a da ventilação dos espaços interiores”. Nesta fase da pandemia, é preciso termos a garantia de que “há melhores espaços com ventilação interior”.

Gustavo Tato Borges sublinha: “O que me parece é que se pretende que a covid seja cada vez mais uma doença normal, como outras de infecção respiratória, e que integre aquilo que é a vigilância habitual destas, só que, se calhar, esta vigilância é que deveria ser aperfeiçoada, não só para a covid-19, mas para as outras infecções respiratórias”, lembrando ainda que “as mudanças de comportamento exigem o aumento da literacia sobre as doenças virais.

Só assim conseguiremos minimizar o risco futuro de tais doenças, e, nomeadamente, da covid-19 na nossa sociedade e na minimização do recurso aos serviços de saúde, como urgências, nas quais já se sente uma sobrecarga considerável”.

Neste momento nada mais há a fazer em relação à covid-19 que não seja “prevenção, protecção, comportamento individual e ventilação”, mas se isto não for dito sobejamente à população o vírus continuará a circular de forma elevada.

Por isso, alerta, a partir do momento “que se comece a notar que a doença está a ter maior impacto nos internamentos e óbitos é necessário o regresso da máscara obrigatória e de uma ou outra medida mais dramática”.

Manuel Pizarro com a secretária de Estado para a Promoção da Saúde, Margarida Tavares, e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
© Miguel Lopes/Lusa

O infecciologista António Silva Graça avança também: “Parece-me pouco esperar-se que as pessoas utilizem a máscara quando estão com sintomas e infectadas, só porque é uma questão cívica e de respeito pelos outros.

É preciso que esta medida seja fortemente recomendada pelas autoridades de saúde, dizendo mesmo que, “embora não seja uma fase crítica, a pandemia não acabou e existem mais casos do que aqueles que se admite existirem”.

Para o médico a vigilância está a ser feita de uma forma com a qual não concorda e, se o país quer “evitar um agravamento da situação, dever-se-ia, pelo menos, reverter o que foi feito relativamente à testagem – permitindo que as pessoas pudessem voltar a aceder mais facilmente aos testes para confirmarem a infecção – e à protecção ao isolamento dos infectados”, porque senão “vamos ter reflexos maiores no trabalho e nas escolas”.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considerou que “a situação ainda não é muito preocupante, mas que vamos ter de esperar para ver, porque há duas grandes incógnitas às quais ainda não se consegue responder: uma é o verdadeiro impacto das sub-variantes e outra a protecção que dão as vacinas adaptadas a estas sub-variantes”.

Do lado da Saúde, a prevenção remete-se à vacinação, vacinação

Durante quase uma hora os peritos de instituições do Estado, Henrique de Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, João Paulo Gomes, director do Departamento Bioinformático do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), e Carlos Alves, infecciologista do Infarmed, autoridade da saúde e do medicamento, resumiram a situação epidemiológica do país, usando a vacinação como palavra de ordem para a prevenção.

Henrique de Barros defendeu que “a pandemia actual é aquilo a que os economistas chamam um exemplo de incerteza radical, ou seja, é demasiado complexa para ser capturada por modelos simples”, lembrando, no entanto, que “as vacinas são indispensáveis”, mas “podem não ser suficientes”.

No entanto, o médico ressalvou que estas preveniram “mais de um milhão de infecções, mais de dois milhões de dias de internamento e 130 mil em cuidados intensivos, bem como 12 mil mortos”.

E é neste sentido que defende a vacinação como “uma estratégia de imunização”, considerando até que se há “vacinas disponíveis, como nós temos, nada justifica que as pessoas não possam vacinar-se qualquer que seja a sua idade”.

Mas o médico reforçou que esta pode não ser suficiente, sendo necessário manter de forma responsável um “conjunto de medidas” da parte da população, como: quem está doente deve ficar em casa ou não continuar a “funcionar socialmente”.

O técnico do INSA, João Paulo Gomes, começou a sua declaração por fazer o ponto de situação sobre as variantes, linhagens e sub-linhagens que caracterizam o panorama epidemiológico a nível nacional e internacional, referindo que “a variante Delta foi a mais severa e esteve em Portugal cerca de 7 meses, até que “importámos da África do Sul a famosa Ómicron”.

Referiu ainda que a taxa de vacinação “excelente” que temos aumentou a imunidade, permitindo que se passasse a falar apenas das sub-linhagens desta – BA.1, BA.2 e BA.5 e agora BQ.1.1, estando esta última “a crescer”, “cerca de 30% dos casos devem-se já a esta sub linhagem, a mais transmissível actualmente”.

Todavia, “não há evidências de que estas sub-linhagens sejam mais severas”. João Paulo Gomes destacou, no entanto, que “as vacinas têm-se mostrado “muito eficazes”, mas “menos contra estas linhagens emergentes”.

Na área do medicamento, Carlos Alves reforçou que no combate à pandemia “as medidas não farmacológicas são importantes”, mas que as farmacológicas “fizeram a grande diferença”, tendo sido as vacinas “a terem mais impacto na evolução da pandemia” e que “estar vacinado faz a diferença. É importante fazer reforços”.

O coronel Penha Gonçalves, que coordena agora o processo de vacinação, lembrou que 94,7% da população residente em Portugal iniciou o processo de vacinação e que 74% dos elegíveis já recebeu a segunda dose de reforço, que está a ser dada desde Setembro.

O médico militar anunciou ainda haver um aumento de 10% na capacidade vacinal para permitir administrar a dose de reforço às pessoas acima dos 50 anos antes do final do ano, mas assumiu que ainda há cerca de 600 mil pessoas que ainda não se vacinaram.

A seguir a esta reunião do Infarmed, e como dizem alguns especialistas, resta esperar para ver, até porque o que está definido em termos de directrizes de acção para as unidades de saúde está desactualizado, já que vem tudo do período em que estávamos sob o estado de alerta.

No ano passado, nesta altura, já havia plano de outono-inverno, agora, sobre este nada se sabe, tal como nada se sabe sobre o sistema de vigilância para a covid-19, em simultâneo com a gripe, através dos médicos de sentinela, um projecto que foi anunciado ainda no início do verão.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Novembro 2022 — 22:53



 

671: Portugal com 5.291 casos e 44 mortes por covid-19 entre 1 e 7 de Novembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 602 casos de infecção em relação à semana anterior, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Portugal registou, entre 1 e 7 de Novembro, 5.291 infecções pelo coronavírus ​​​​​​​SARS-CoV-2, 44 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 602 casos de infecção, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 571 pessoas, mais 46 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, o mesmo número do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 51 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 11% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 0,97.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.170 casos entre 01 e 07 de Novembro, menos 125 do que no período anterior, e 16 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 776 casos (menos 38) e nove mortes (menos quatro) e o Norte totalizou 1.233 casos de infecção (menos 205) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 244 casos positivos (menos 48) e um óbito (menos cinco) e no Algarve verificaram-se 223 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais três) e três mortes (mais duas).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 189 novos contágios nos últimos sete dias (menos 60) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 456 casos nesse período (menos 129), também sem qualquer óbito, de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (944), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (826), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (147).

Dos internamentos totais, 229 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (140) e dos 60 aos 69 anos (80).

A DGS contabilizou ainda 11 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, um dos 10 aos 19 anos, 10 dos 20 aos 29 anos, 24 dos 30 aos 39 anos, 21 dos 40 aos 49 anos e 37 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 33 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos e uma entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 69% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 57% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 72% dos idosos com mais de 80 anos e a 56% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Novembro 2022 — 22:08



 

Reunião do Infarmed vai colocar as pessoas em “estado de alerta”

– Este sujeito, por natureza, é sempre do contra. Seria a favor de qualquer tipo de medidas se elas fossem a partir de um governo da sua cor partidária. Acho bem a reunião com o Infarmed para que seja efectuada uma análise com os intervenientes na área da saúde e isso não me coloca em nenhum tipo de “estado de alerta”.

ORDEM DOS MÉDICOS/PANDEMIA/INFARMED

Na opinião de Miguel Guimarães, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

© ANTÓNIO COTRIM/Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considerou esta quinta-feira que a realização da reunião de peritos do Infarmed para avaliar a situação da pandemia no país vai colocar as pessoas em “estado de alerta”.

Os peritos voltam a reunir-se na sexta-feira no auditório do Infarmed, em Lisboa, para fazer um ponto de situação da covid-19, mas o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esclareceu na altura do anúncio da reunião que a realidade mostra que a decisão de interromper o estado de alerta, no dia 1 de Outubro, foi acertada.

“Eu percebo que se queira fazer uma reunião para fazer o ponto da situação do estado da pandemia actualmente, mas não era preciso fazer uma reunião formal, com a conotação que as reuniões do Infarmed têm”, disse Miguel Guimarães, que falava à agência Lusa a propósito do 25.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos que decorre na sexta-feira em Braga.

Na sua opinião, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

Miguel Guimarães adiantou que nesta época do ano vai haver mais casos de covid-19, de gripe, vão morrer mais pessoas, mas o que se deve fazer é apelar às pessoas para se vacinarem e dar condições para que a vacinação seja acelerada.

“A vacinação agora não está a ser igual (…) é tudo muito mais lento e o tempo passa. Daqui a bocado estamos em Janeiro e corremos o risco de não estar vacinados, pelo menos, a população-alvo”, disse, afirmando que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) “podia estar melhor nesse aspecto e o Governo também”.

Por outro lado, defendeu, é preciso proteger as pessoas mais frágeis, que, de uma forma geral, são as que têm morrido.

“São pessoas que têm alterações do sistema imunitário, que estão a fazer imuno-supressores, ou que estão imuno-deprimidas pela doença que têm, o que significa que a vacina nessas pessoas funciona menos bem porque elas não conseguem produzir os anticorpos necessários para ficarem protegidas”, adiantou.

Para prevenir a doença grave nestes doentes, o bastonário defendeu que o país tem “a obrigação de disponibilizar anticorpos mono-clonais neutralizantes” para que possam “estar tão protegidas como as pessoas que fazem a vacinação”, uma prática que disse estar a ser feita em praticamente em todos os países da Europa.

Questionado sobre se os serviços de urgência estão preparados para uma maior procura, disse que, neste momento, já têm a capacidade de resposta limitada devido à saída de “muitos médicos” do SNS.

Adiantou que o serviço de urgência tem “vivido muito” das horas extraordinárias que os médicos vão fazendo, mas há muitos que já não estão disponíveis para as continuar a fazer todas as semanas, e às vezes mais do que uma vez por semana, “em prejuízo da sua vida pessoal e familiar”.

“Portanto, eu prevejo que a situação seja complicada”, disse, apontando que, para a resolver, “é perceber quem é que vai estar disponível para fazer serviço de urgência, e isso vê-se com tempo, dentro do SNS” e recorrendo a prestação de serviços, mas directamente com os médicos.

Defendeu ainda que se deve também “preparar já e perceber” junto dos hospitais privados quem pode estar disponível, caso seja necessário, para receber, por exemplo, doentes respiratórios.

“É importante que haja também uma consciencialização por parte da sociedade de libertar o espaço da urgência para as pessoas que têm doenças mais graves”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 14:48



 

646: Ministro da Saúde afasta regresso ao estado de alerta

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ESTADO DE ALERTA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou ainda que o Governo vai apostar no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afastou esta quinta-feira a hipótese, “pelo menos no curto prazo”, de regressar ao estado de alerta e impor medidas de saúde pública para combater a covid-19.

“Para efeitos de tranquilidade da opinião pública, não há nenhuma intenção, nem nenhuma necessidade de regressar, pelo menos a curto prazo, a quaisquer medidas que envolvam o estado de alerta ou imposições em matéria de saúde pública, Isso está completamente afastado”, disse Manuel Pizarro em respostas a questões levantadas pelos jornalistas na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros.

O ministro adiantou que as autoridades de saúde vão continuar a “monitorizar atentamente” a evolução da pandemia de covid-19 e de todas as outras doenças respiratórias habituais no inverno.

Na sexta-feira vai realizar-se uma reunião de peritos para informar “com detalhe técnico” sobre as circunstâncias epidemiológicas no plano nacional, plano europeu e internacional.

“Amanhã vamos fazer uma actualização da situação epidemiológica e na sequência disso anunciaremos o nosso plano de intervenção para o inverno”, disse.

Na próxima semana, acrescentou Manuel Pizarro, serão anunciadas medidas adicionais do ponto de vista do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, “em resposta àquilo que é uma dificuldade sazonal habitual com o aumento das infecções respiratórias”.

“Este ano em Portugal, como na generalidade dos países da Europa e como já tinha ocorrido no hemisfério sul, houve uma certa antecipação de alguns dos vírus respiratórios” e por isso foi antecipado o plano de vacinação para 07 de Setembro, ao abrigo do qual já foram vacinadas quase dois milhões de portugueses contra a gripe e com o reforço da covid-19.

Para o ministro, a vacinação é a medida “mais relevante” para prevenir estas infecções.

Questionado sobre o aumento da procura dos serviços de urgência nos últimos dias, disse que foi uma situação sentida no conjunto dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde por motivos relacionados com as infecções respiratórias.

“A verdade é que, com algumas perturbações de funcionamento, que são muito difíceis de evitar nessas circunstâncias, os hospitais foram capazes de dar a resposta devida”, salientou, acrescentando que “a situação é hoje, felizmente, bastante mais calma do que a que ocorreu nos últimos dias.

Ministro admite possibilidade de cooperativas de médicos de família por período transitório

O ministro da Saúde admitiu a possibilidade de cooperativas de médicos de família em regiões do país mais carenciadas destes profissionais “por um período transitório”.

Manuel Pizarro já tinha admitido durante uma audição nas comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de Saúde, na terça-feira, a criação de Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o BE considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde.

Questionado esta quinta-feira sobre este assunto na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministro, o ministro começou por afirmar que o Governo tem uma “aposta clara” no reforço dos cuidados de saúde primários, sendo o objectivo garantir que todos os portugueses tenham acesso a uma equipa de saúde familiar.

Mas, disse, “é conhecido que em algumas regiões do país, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo”, há “carência de profissionais” para cumprir já esse objectivo.

“Nesse contexto, encaramos medidas que sejam transitórias e supletivas e, entre essas, poderá também haver a possibilidade de cooperativas de médicos poderem concorrer à prestação deste nível de cuidados durante um período temporário, até que o maior aumento de sempre do número de médicos em formação na especialidade possa produzir os seus efeitos”, salientou.

Manuel Pizarro lembrou que, em 2023, há o maior número de vagas de sempre (574) para formação de especialistas em Medicina Geral e Familiar, que tem a duração de quatro anos.

“O processo de formação de profissionais demora o seu tempo e nós temos que garantir que, entretanto, a nossa capacidade de resposta melhore e é apenas neste contexto que essa possibilidade existe”, vincou Manuel Pizarro.

“Não estamos a falar de nenhuma privatização do SNS, o que seria, aliás, estranho da parte de um Governo que se insere na tradição da criação do Serviço Nacional de Saúde público, geral e universal”, rematou Manuel Pizarro.

O ministro salientou ainda que o reforço dos cuidados de saúde primários quer dizer “levar até ao fim uma reforma muito importante” que têm promovido e que criaram, pelo menos na última década e meia.

Trata-se do reforço dos centros de saúde, a criação de unidades de saúde familiar, o rejuvenescimento das profissões associadas à prestação deste nível de cuidados, médicos, enfermeiros, secretários clínicos ou outros técnicos de saúde, adiantou.

Na audição parlamentar Manuel Pizarro salientou que o modelo do Governo para a reforma dos cuidados de saúde primários assenta na criação de USF modelo A, correspondentes aos centros de saúde tradicionais, e na sua transformação, “por amadurecimento organizativo”, em USF modelo B, em que os profissionais são pagos de acordo com o desempenho.

As Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C assentam em entidades estabelecidas com autonomia organizacional e financeira e com um contrato-programa com as Administrações Regionais de Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 16:12



 

643: Covid-19. Vacinação a partir dos 50 anos vai avançar em breve

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAÇÃO/>50 ANOS

A taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos é inferior ao que o Governo gostaria. A secretária de Estado da Promoção da Saúde faz, por isso, um apelo. “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

© MIGUEL A. LOPES / LUSA

As pessoas a partir dos 50 anos vão poder vacinar-se contra a covid-19 em breve, anunciou a secretária de Estado da Promoção da Saúde, que apela aos mais velhos que não deixem de se vacinar.

Numa entrevista ao jornal Público, Margarida Tavares explica que a estratégia da Direcção-Geral da Saúde (DGS) “foi mais cautelosa” – o plano era o de vacinar apenas as pessoas a partir dos 60 anos até Dezembro – porque as autoridades queriam concentrar-se nas classes etárias de maior risco, mas que, em breve, a idade para a vacinação vai baixar para os 50 anos.

“Essa medida vai ser anunciada pela Direcção-Geral da Saúde em breve”, revela.

Margarida Tavares reconhece que a taxa de vacinação nas pessoas acima dos 80 anos – que está abaixo dos 70% – é inferior ao que o Governo gostaria e apela à vacinação dos mais velhos: “Gostaríamos que fosse mais e faço aqui um apelo a todas as pessoas mais velhas: não deixem de se vacinar”.

Sobre o inverno, reconhece que “não vai ser fácil”, com a circulação, em simultâneo, do vírus que provoca a covid-19, do da gripe e do vírus sincicial respiratório.

“Como infecciologista, sabia que, volvido algum tempo, estaríamos a assistir a uma dinâmica dos vírus respiratórios que foi totalmente alterada e não me surpreende nada que o vírus sincicial respiratório se tenha antecipado e que os casos de gripe sejam mais precoces”, afirma.

A secretária de Estado fala ainda do plano de contingência para o inverno que o Governo está a preparar e, quanto à reunião de peritos agendada para sexta-feira no Infarmed, diz que “vai ser apenas um momento de reflexão e transparência”, não devendo ser tomadas novas medidas de contenção.

Contudo, alerta que as máscaras “não desapareceram” e que são “altamente recomendadas para as pessoas que têm sintomas respiratórios, quando estão próximas de outras pessoas”. “Vamos recomendá-las vivamente nos espaços fechados. Eventualmente, vamos fazer recomendações mais apertadas para os transportes públicos, por exemplo”, revela.

Depois de o ministro Manuel Pizarro ter esta semana admitido criar Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C temporárias para responder à falta de médicos de família, uma possibilidade que o Bloco de Esquerda considerou ser a “privatização” dos cuidados primários de saúde, Margarida Tavares admite que a “constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta” para algumas regiões.

“Em algumas regiões do país, até por períodos limitados de tempo, a constituição de cooperativas de médicos poderá ser uma resposta, por exemplo, com médicos reformados”, afirma.

Contudo, a governante diz que “será uma possibilidade remota, localizada no tempo e no espaço e ponderada caso a caso”, insistindo: “Não nos passa pela cabeça privatizar os cuidados de saúde primários”.

Sobre os programas prioritários da DGS, refere que “precisam de ser reforçados” e reconhece a falta de meios da Direcção-Geral da Saúde, lembrando que a estrutura também “está muito pesada e difícil de gerir”.

A este propósito, a secretária de Estado da Promoção da Saúde adianta que será criada uma nova estrutura, dentro do Ministério da Saúde,” para “reorganizar a promoção da saúde e dar-lhe o devido espaço, recursos e meios e uma visão moderna da saúde”.

A governante acrescenta ainda que o Governo tenciona ir mais longe na legislação do tabaco e que quer “regulamentar melhor a questão do fumo em espaços fechados”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 08:14



 

Passe-se o que se passar em África ou na Ásia, o que importa “é proteger os mais vulneráveis”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PROTECÇÃO

Num ano, o vírus SARS-CoV-2 evoluiu de tal forma que deu ao mundo mais uma nova variante e cinco sub-variantes, cada uma mais transmissível do que a outra. O que se vai passar a seguir e de onde podem surgir novas ameaças, o investigador do Instituto de Medicina Molecular Luís Graça diz ser incerto. Por agora, sabe-se que a existência de vacinas com elevada efectividade contra a doença grave e morte atenuou o investimento nas vacinas de quarta geração, destinadas à transmissão.

China é dos países que mantém uma política de eliminação da circulação do vírus, sendo o objectivo atingir os zero casos, a qual para o mundo ocidental é “inviável”.

O ano de 2022 começou com o mês de Janeiro a ultrapassar os 62 mil casos de covid-19. Nada que não tivesse sido previsto pelos analistas um mês antes.

Mas este início de ano pouco ou nada teve a ver com o início de 2021, em que o país ultrapassava os 12 mil casos, com mais de 900 doentes a necessitarem de cuidados intensivos e 300 óbitos por dia. A única diferença de um cenário para o outro, dizem os especialistas, não foi a mutação do vírus, mas a vacinação.

O médico imunologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular (iMM) Luís Graça explica ao DN: “Ao longo da pandemia temos vindo a assistir a uma progressiva evolução do vírus, que sofre mutações e as quais vão sendo cada vez mais competitivas, acabando por estar mais representadas na comunidade.

Daí o surgimento de variantes cada vez mais transmissíveis, que conseguem entrar no sistema imunitário de populações não-vacinadas ou vacinadas.”

Neste momento o que se está a verificar é o aparecimento de novas sub-variantes da variante Ómicron.

Aliás, no espaço de um ano pode dizer-se que apareceu uma nova variante, a Ómicron, detectada na África do Sul, que destronou a anterior, a Delta, identificada na Índia, e mais seis sub-variantes desta, todas consideradas de interesse para investigação, cada uma mais transmissível do que a outra, nomeadamente a BA.1, a BA.2 e a BA.5, e recentemente a BQ1 e a BQ1.1, originárias da BA.5, e a XXB, detectada em Singapura, originária da BA.2.

A boa notícia “é que a transmissibilidade maior destas variantes não parece ser acompanhada de doença mais grave”, sustenta Luís Graça.

Embora o aparecimento destas seja recente, com muito pouco tempo de análise, “o que se nos apresenta é que a protecção conferida pela vacinação não é menor para estas sub-variantes do que tem sido em relação às anteriores, sobretudo no que toca à doença grave e à morte, o que, no fundo, é o principal objectivo da estratégia de vacinação neste momento”, sublinha.

Em relação a Portugal, e como têm vindo a registar os relatórios da Direcção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), há já uma sub-variante a ganhar vantagem à BA.5, que é a BQ1.1, e neste momento a sua circulação na comunidade é da ordem dos 35%, mas até ao final do mês poderá chegar até aos 50%.

Luís Graça destaca mesmo que em “outros países europeus, como em França, a sua representação já é bem mais elevada”.

Taxa de circulação do vírus irá manter-se elevada

Mas face ao aparecimento de tantas sub-variantes este ano e a possíveis novas ameaças que a evolução do SARS-CoV-2 ainda pode trazer ao mundo, o imunologista considera que, independentemente do que se passar em África ou na Ásia, de onde vieram as últimas variantes, o que é importante, reforça, “é garantir que a população mais vulnerável está protegida, nomeadamente com a vacinação inicial e reforços, uma vez que está demonstrado que as vacinas continuam a ser um excelente instrumento contra doença grave e morte”.

Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou o mundo, mais uma vez, para possíveis novas ameaças da mutação do vírus, já que foi detectado haver países que pararam a vacinação.

Na altura, países africanos, como a Nigéria, foram citados como exemplo, mas o investigador principal do iMM mantém ao DN que, “independentemente do que se passar no exterior, e ao qual nós não estamos imunes, o vírus manterá uma elevada taxa de circulação no nosso país, não sendo expectável que esta taxa de circulação venha a desaparecer, logo é preciso que as pessoas mais susceptíveis a complicações com esta infecção tenham o máximo de protecção”.

Por outro lado, e do ponto de vista clínico, também já se sabe mais como lidar com a doença, pois ao longo destes dois anos foram sendo testadas várias terapêuticas, existindo agora “uma diversidade de medicamentos que oferecem uma boa efectividade no tratamento da doença”.

Olhando para o mundo, a China continua a ser dos poucos países, senão mesmo o único, a manter uma política de eliminação da circulação do vírus, o que, diz Luís Graça, “é uma medida que, perante as variantes em circulação, seria inviável no nosso país ou em qualquer outro do mundo ocidental”. E isto porque o pensamento científico também mudou.

“Inicialmente, quando o vírus em circulação era o original, acreditava-se que haveria a oportunidade de se trabalhar no sentido de se obter um impacto muito significativo na diminuição da sua circulação, sobretudo se se abrangesse uma grande parte da população com a vacinação, mas com o surgimento de novas variantes, cada uma com maior capacidade de transmissão do que a outra, isso não será possível.”

Daí que “as estratégias de vacinação continuem a ser dirigidas sobretudo para a protecção das populações mais vulneráveis em relação à doença grave”.

Isto fez também com que o entusiasmo lançado precisamente há um ano em relação à investigação sobre as vacinas de quarta geração, dirigidas à transmissão, para se mitigar a circulação do vírus, e que poderiam chegar ao mercado a meio deste ano, também tivesse sido atenuado.

O especialista em vacinas justifica: “Continua a haver investigação com novos formatos de vacinas e novas estratégias de vacinação que ainda podem ter um impacto maior na transmissibilidade, contudo o facto de terem surgido variantes com uma transmissibilidade muito elevada veio tornar este objectivo mais difícil, porque o que se alcançou foi a evidência de que as vacinas já existentes, apesar de não terem impacto na transmissibilidade, têm uma efectividade muito elevada na protecção contra doença grave.”

Desta forma, “tem sido possível manter a população vulnerável protegida”. “Estas vacinas, bem como algum desenvolvimento na terapêutica, têm permitido que pessoas com doenças imunitárias de base respondam melhor às consequências mais graves da infecção.”

Por isso, confirma, “o facto de estas vacinas serem muitos eficientes contra a doença grave e óbitos, aliado à maior transmissibilidade das novas variantes, atenuou o entusiasmo quanto ao investimento em estratégias centradas nas vacinas que poderão actuar na transmissão predominantemente”.

Esta semana Portugal ultrapassou os mais de 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2.

E, ao longo de quase três anos, o país tem seguido a estratégia definida no mundo ocidental e pela própria União Europeia no sentido de mitigar a transmissibilidade e as complicações da doença nas pessoas mais vulneráveis, mas foi dos poucos países, senão mesmo o único, que conseguiu alcançar a mais elevada adesão da população ao esquema vacinal primário e até de reforço, que já atingiu os 50% de cobertura na segunda dose de reforço da população elegível, acima dos 60 anos.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:03