234: Más notícias sobre o arroz carolino, a alface frisada, a polpa de tomate, o açúcar branco, a couve-coração, o carapau, o leite UHT, a bolacha Maria e a batata vermelha

 

🇵🇹 CABAZ ALIMENTAR // CUSTO DE VIDA // INFLAÇÃO

Imagine que vai às compras e que esta é a sua lista: arroz carolino, alface frisada, polpa de tomate, açúcar branco, cenouras, couve coração, carapaus, leite UHT meio gordo, bolacha Maria e batata vermelha. No fim, vai pagar em média 21,27 euros por tudo isto – há 11 meses gastaria 14.

Agora imagine o impacto de comprar estes produtos – ou alguns deles – várias vezes ao longo do ano. Mas o que aconteceu então a estes produtos? Foram os que mais subiram de preço desde o início da guerra na Ucrânia.

Más notícias sobre o arroz carolino, a alface frisada, a polpa de tomate, o açúcar branco, a couve-coração, o carapau, o leite UHT, a bolacha Maria e a batata vermelha © TVI24

Segundo dados da Deco Proteste, que divulga semanalmente o custo do cabaz de 63 produtos alimentares essenciais com base em 11 marcas, estes dez itens são os que registam maiores diferenças entre 23 de Fevereiro de 2022, véspera da invasão, e 23 de Janeiro de 2023.

Produtos com maior variação de preço (23/fev)
PRODUTO 23/fev/22 25/jan Diferença 23/02/22 – 25/01/23
Arroz carolino 1,14 € 2,21 1,07 € 94%
Alface frisada 2,06 € 3,42 € 1,36 € 66%
Polpa de tomate 0,89 € 1,47 € 0,58 € 65%
Açúcar branco 1,11 € 1,64 € 0,54 € 48%
Cenoura 0,77 € 1,13 € 0,36 € 46%
Couve coração 1,04 € 1,51 € 0,47 € 45%
Carapau 3,32 € 4,80 € 1,48 € 44%
Leite UHT meio gordo 0,68 € 0,96 € 0,29 € 43%
Bolacha Maria 2,08 € 2,88 € 0,80 € 39%
Batata vermelha 0,91 € 1,25 € 0,34 € 37%

Desde que a guerra começou, o cabaz de alimentos essenciais monitorizado pela Deco já registou uma subida de pelo menos 35,28 euros (19,2%). A contribuir para este aumento está, por exemplo, o arroz carolino, cujo preço atingiu um novo máximo a 25 de Janeiro.

Este produto está agora a custar, em média, mais de dois euros nos supermercados. Quase duplicou. Já a alface frisada sofreu um aumento de mais de 1,30€.

Em rota ascendente destaca-se também a polpa de tomate que, entre 4 e 25 de Janeiro, já aumentou 20 cêntimos (16%). Custa actualmente 1,47 euros. Aliás, entre 23 de Fevereiro de 2022 e 18 de Janeiro de 2023, a polpa de tomate foi um dos produtos que mais viram o seu preço subir, com um aumento de 65%, ou seja, de 0,58 euros.

Mas se olharmos para os bens alimentares que mais aumentaram só na última semana, então o cenário já é um pouco diferente e inclui, entre outros, laranjas, maçãs, iogurtes líquidos e cereais.

Produtos com maior variação de preço (semana anterior)
PRODUTO 18/jan 25/jan Diferença 18/01 – 25/01
Polpa de tomate 1,26 € 1,47 € 0,21 € 17%
Carapau 4,43 € 4,80 € 0,37 € 8%
Maçã gala 1,97 € 2,13 € 0,16 € 8%
Flocos de Cereais 2,09 € 2,26 € 0,16 € 8%
Iogurte líquido morango 2,39 € 2,57 € 0,17 € 7%
Peixe espada preto 7,64 € 7,94 € 0,30 € 4%
Laranja 1,35 € 1,40 € 0,05 € 4%
Alface frisada 3,31 € 3,42 € 0,11 € 3%
Couve coração 1,46 € 1,51 € 0,05 € 3%
Peito de Peru fatiado 2,28 € 2,36 € 0,07 € 3%

Ainda numa análise comparativa à semana anterior, há a destacar uma boa notícia: o preço do mesmo cabaz de 63 alimentos essenciais diminuiu 5,76 euros (-2,5%) para um total de 218,91 euros.

A guerra não explica tudo

No fundo, o problema é histórico, sublinha a associação de defesa do consumidor: Portugal está altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno. E, de acordo com a Deco, estes representam apenas 3,5% da produção agrícola nacional.

A guerra na Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um sector que estava há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks.

A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia – necessária à produção agroalimentar – têm-se refletido num aumento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal. No peixe, por sua vez, a subida dos preços poderá reflectir o aumento dos preços dos combustíveis, que tem um elevado impacto na indústria da pesca. Mas não só.

Também os fornecedores queixam-se de venderem o seu produto a um preço substancialmente mais barato do que aquele que é pedido aos clientes dos hipermercados. A inflação não explica tudo e a própria ASAE já admitiu que pode haver conceitos de lucros ilegítimos incorporados em alguns destes produtos.

À CNN Portugal, João, um agricultor de Benavente utilizou a venda do tomate, um dos produtos agrícolas que mais aumentou com a inflação, como exemplo.

“Vendemos a um preço e, depois, chega ao consumidor a uma quantia mesmo muito superior”, afirmou, destacando que, com a inflação, “há algum aproveitamento, não podemos esconder”.

“Vendo um produto a 0,30 cêntimos e depois vendem-no a 2,5 euros”, afirmou o produtor.

MSN Notícias
TVI
CNN Portugal
26.01.2023



 

published in: 1 semana 

 

 16 total views,  1 views today

208: Azeite português é 62% mais caro em Portugal do que na Alemanha

 

– Menos rendimentos; salários inferiores; pensões miseráveis; nível de vida de merda comparados com os alemães, neste exemplo do azeite.

🇵🇹 PORTUGAL // CUSTO DE VIDA // AZEITE //
🇩🇪 ALEMANHA

Publicação de uma imagem originou ida às compras. Sem sair do computador. Oliveira da Serra é a marca.

Reprodução / Reddit

Já abordámos aqui o facto de muitos portugueses terem voltado a ir a Espanha para realizar as compras.

As medidas para combater a inflação em Espanha são diferentes das portuguesas. E há portugueses que aproveitam, por exemplo, a isenção de IVA nos alimentos básicos.

As idas às compras a Espanha já chegaram ao canal Euronews – à “boleia” de uma reportagem da RTP.

O exemplo dado é de uma habitante de Chaves que, estando a um quarto de hora da fronteira, prefere ir ao país vizinho. Porque é mais barato.

E nesta terça-feira chegou até nós um exemplo de um produto português que está mais barato num mercado alemão do que em Portugal.

Um utilizador partilhou no Reddit uma imagem que mostra uma garrafa de meio litro de azeite Oliveira da Serra, virgem extra gourmet. Preço: 5,49 euros. Ou 10,98 euros por litro.

A legenda é curta e directa: “Azeite português mais barato na Alemanha do que em Portugal”.

Fomos às compras, em modo online.

No Continente verificámos que a mesma garrafa custa 6,99 euros. São 13,98 euros por litro. Mais caro, portanto – e está em promoção.

Os preços sobem ainda mais no Auchan e no El Corte Inglês. Sem promoção: 8,79 euros pelo mesmo produto. Ou 17,58 euros por litro. Nestes casos, o preço é 62% mais caro do que naquela loja alemã – da Kaufland.

E, voltando à Alemanha, encontrámos no eBay, portal de comércio electrónico (versão em alemão), a mesma garrafa por 5 euros. Estava esgotada.

Procurámos o mesmo produto nas 10 maiores redes de supermercados da Alemanha. Só encontrámos num, na REWE: não está disponível, não tem stock (e não tem preço no site).

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //
24 Janeiro, 2023

CONTINENTE

– Azeite Virgem Extra Seleccionado Pet Oliveira da Serra emb. 75 cl
€5,49/un (promoção)
€7,32/lt
PVP Recomendado: €10,99/un

– Azeite Pet Oliveira da Serra emb. 75 cl
€5,19/un (promoção)
€6,92/lt
PVP Recomendado: €6,92/un

– Azeite Virgem Extra Clássico Oliveira da Serra emb. 75 cl
€6,19/un (promoção)
€8,25/lt
PVP Recomendado: €7,79/un



 

published in: 2 semanas 

 

 16 total views

82: Aumento do custo de vida e pobreza são os assuntos que mais preocupam portugueses

 

🇵🇹 AUMENTOS // CUSTO DE VIDA // PREÇOS // INFLAÇÃO

published in: 3 semanas 

Dos portugueses inquiridos no último Euro-barómetro, 40% revelou que enfrenta algumas dificuldades actualmente e 9% disse que enfrenta bastantes dificuldades com os rendimentos actuais.

© Ina FASSBENDER/AFP

O aumento do custo de vida, como consequência da inflação exacerbada pela guerra na Ucrânia, assim como a pobreza e a exclusão social são as questões que mais preocupam os portugueses, de acordo com o último Euro-barómetro.

De acordo com o último relatório estatístico europeu, divulgado esta quinta-feira, que inquiriu 1.028 cidadãos portugueses de um total de 26.431 cidadãos pertencentes a Estados-membros da União Europeia (UE), 98% dos cidadãos nacionais identificou o aumento do custo de vida, por exemplo, através do aumento do preço de produtos alimentares e da energia como o assunto mais preocupante, uma percentagem que é em cinco pontos percentuais superior à média dos 27.

Apesar da preocupação, 47% dos inquiridos nacionais respondeu que até ao momento está a viver com algum conforto com os rendimentos de que dispõe, enquanto 40% revelou que enfrenta algumas dificuldades actualmente e 9% disse que enfrenta bastantes dificuldades com os rendimentos actuais.

Em comparação com a média europeia, 46% responderam que vivem confortavelmente com os rendimentos que têm, enquanto 36% dizem passar por algumas dificuldades.

O tópico seguinte que mais preocupa a população nacional é a pobreza e a exclusão social (95%). Aqui há um hiato maior para a média europeia, já que 82% responderam que esta era uma preocupação maior.

Mas a maior disparidade surge quando a questão é sobre a possibilidade de propagação de doenças infecciosas como a covid-19 ou a varíola dos macacos.

Os portugueses são mais receosos do que a média europeia, uma vez que 83% responderam que estavam “preocupados” com essa hipótese, em oposição à média da UE, que é de 62%.

Com a guerra na Ucrânia a cumprir quase um ano e sem desfecho à vista continua a pairar o receio de uma escalada nuclear do conflito, que se reflectiu na maioria dos mais de 1.000 cidadãos portugueses inquiridos.

89% respondeu que receia “incidentes nucleares” e apenas 9% respondeu que essa questão não levanta preocupações.

Olhando para o conjunto dos países do bloco comunitário, 74% acredita que o risco é real, enquanto 25% descarta essa possibilidade

Questionados também sobre o estado da generalidade do país, 43% dos portugueses inquiridos considerou que está a ir “na direcção errada”, mas aqui os portugueses estão abaixo da média europeia, que é de 62%. 30% dos cidadãos nacionais consideram que Portugal está no caminho certo, 16% não sabem e 11% consideraram que a situação do país continua igual.

Em relação ao estado da União Europeia, a percentagem portuguesa (35%) contrasta com a europeia (51%) quando a resposta é “as coisas estão a ir na direcção errada. A mesma percentagem de portugueses considera que a União Europeia está no rumo correto.

Contudo, mais de metade dos portugueses (52%, no universo da amostra de 1.028) está optimista em relação ao futuro do bloco comunitário. Neste parâmetro, a população entre os 15 e os 24 anos e entre os 40 e os 54 anos é que apresenta uma fatia maior de optimismo em relação ao futuro da UE, 52% e 61%, respectivamente.

Diário de Notícias
DN/Lusa
12 Janeiro 2023 — 08:26



 

 17 total views,  1 views today

81: Custo da alimentação regista maior subida em quase 40 anos

 

🇵🇹 INFLAÇÃO // PREÇOS

published in: 3 semanas 

Inflação em 2022. E é preciso recuar cerca de três décadas, até Fevereiro de 1991, para encontrar um aperto maior no custo da energia (22%). Mas, em Dezembro, começaram a surgir alguns sinais de moderação, levando a inflação a baixar ligeiramente, para 9,6%, diz o INE.

Preços dos alimentos são uma preocupação para mais de metade dos portugueses.
© Leonardo Negrão/Global Imagens

O custo de vida agravou-se em várias frentes durante o ano de 2022, mas é nos preços da alimentação e das bebidas não alcoólicas que o aperto é mais forte e histórico: de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços médios no consumidor deste grupo de bens ditos essenciais terminaram o ano passado 19,9% acima do valor de 2021, naquele que é o maior aumento desde 1985, quase quatro décadas (37 anos).

Na energia também foram vencidos vários recordes ao longo deste ano e, em especial, desde que rebentou a guerra na Ucrânia (em Março do ano passado), tendo a classe dos chamados “produtos energéticos” (onde estão combustíveis automóveis e outros, vários tipos de gás, etc.) aumentado de preço perto de 21% entre Dezembro de 2021 e igual mês de 2022.

Também aqui é preciso recuar décadas (mais de três), até Fevereiro de 1991, para encontrar um aperto maior no custo da energia (22%). No entanto, têm existido alguns alívios no custo dos combustíveis, sobretudo no mês de Dezembro.

Ainda assim, segundo o destaque do INE, divulgado ontem (quarta-feira), em Dezembro de 2022, o Índice de Preços no Consumidor (IPC), indicador que mede o custo geral dos bens e serviços do capaz dos consumidores portugueses, “registou uma variação homóloga de 9,6%”, isto depois de ter atingido um pico em Outubro (10,1%), naquele que foi o valor mais alto desde maio de 1992.

Olhando apenas para Dezembro, é preciso recuar mais, até 1991, para encontrar uma inflação maior na recta final do ano, indicam as séries longas do INE.

Embora comecem a surgir alguns sinais de que a inflação (extremamente alta) pode estar a ficar mais moderada, o instituto oficial mostra que metade do ranking dos piores agravamentos de preços em 2022 é ocupado por bens de primeira necessidade. A inflação atingiu em cheio os alimentos, basicamente. E não parece querer recuar.

O que ficou mais caro durante 2022

O grupo “óleos e gorduras alimentares” aumentou quase 34% no ano que termina em Dezembro, o cabaz composto por leite, queijo e ovos está 32% mais caro, o custo dos legumes e outros produtos hortícolas subiu mais de 23%, a carne está 21% mais cara do que no final de 2021, o pão e os cereais idem (aumento de 21%).

Recorde-se que o cabaz médio do consumidor está mais caro, mas não apresenta saltos destas magnitudes. Como referido, o IPC subiu 9,6% em termos homólogos, em Dezembro.

Depois os combustíveis. O preço do gás é o item do cabaz que mais galgou durante 2022, tendo subido uns impressionantes 70%. A electricidade avançou 29%.

E os combustíveis para aquecimento ficaram 20% mais caros. O impacto no bolso dos portugueses e de muitas outras populações na Europa só não é maior porque o outono e este início de inverno têm sido anormalmente menos frios do que o habitual.

Fora desta dupla comida/energia, os cálculos do Dinheiro Vivo (DV) a partir das bases de dados do INE mostram que o custo do item “animais de estimação e produtos relacionados” disparou mais de 21%.

E, sem surpresa, à boleia da forte procura no turismo (que continua, apesar do custo superior da energia), os serviços de alojamento ficaram, em média, 21% mais caros em Portugal.

O que ficou mais barato

Para a inflação ter sido 9,6% em Dezembro, há bens e serviços cujos preços cresceram pouco ou nada; ou até caíram.

O mesmo levantamento feito pelo DV revela que os serviços médicos são o consumo que ficou mais barato ao longo de 2022, tendo o seu preço médio caído quase 15%.

Em segundo lugar surgem as televisões e os écrans, onde o preço medido em Dezembro caiu 9% face ao final de 2021.

A inflação também foi negativa nos serviços hospitalares: aqui o preço ficou 8% mais leve comparativamente ao final de 2021.

A tecnologia para o lar e o lazer volta a surgir, com o preço das câmaras fotográficas a ceder 6%. É o quarto item cujo preço mais cai na lista de quase duas centenas de bens e serviços considerados pelo INE.

Os computadores e similares ficaram 4% mais baratos, a inflação nos “transportes combinados de passageiros” foi de menos 1,2%. Quebra quase idêntica aconteceu ao nível dos jogos, brinquedos e artigos para lazer, equipamentos para desporto e campismo.

De notar ainda a ligeira quebra de 0,4% no caso do calçado, um bem no qual a economia portuguesa é especialista e grande exportadora.

© INE e cálculos DV

Estimativa de Medina ultrapassada

A inflação que o ministro das Finanças estimou para 2022 (na apresentação do Orçamento do Estado para 2023, feita em Outubro passado) foi claramente ultrapassada pelo agravamento da crise inflacionista, que foi muito agressiva em Outubro e Novembro, o que levou o governo a avançar com apoios e subsídios para moderar o impacto nas famílias e empresas.

Em meados de Outubro, o ministro Fernando Medina ainda acreditava que fosse possível terminar o ano passado com uma inflação média de 7,4%. Não aconteceu: segundo o INE, a média do ano ficou nos 7,8%.

Mas também não se verificaram as previsões mais desfavoráveis da Comissão Europeia (em Novembro, disse 8%), da OCDE (8,3%, também estimados em Novembro) e do Banco de Portugal (apontou para 8,1% em Dezembro).

Seja como for, o INE recorda que a variação média anual de 7,8% registada no ano de 2022 como um todo fica “significativamente acima da variação registada no conjunto do ano 2021 (1,3%)”.

Assim, “trata-se da variação anual mais elevada desde 1992” e “excluindo do IPC a energia e os bens alimentares não transformados, a taxa de variação média situou-se em 5,6% (0,8% no ano anterior)”.

“A taxa de variação homóloga do IPC total evidenciou uma acentuada subida ao longo de 2022, com maior intensidade na primeira metade do ano”, acrescenta o INE no destaque ontem divulgado.

“No segundo semestre de 2022, a variação homóloga do IPC manteve-se elevada e acima da média do ano, mas observou-se uma desaceleração dos preços nos últimos dois meses do ano. A variação média registada no segundo semestre (9,5%) foi superior à do primeiro (6,1%)”, refere o instituto.

Luís Reis Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

Diário de Notícias
Luís Reis Ribeiro
12 Janeiro 2023 — 07:01



 

 29 total views

12: Fúria da inflação contagia preços em 2023 e salários não acompanham

 

🇵🇹 INFLAÇÃO // PREÇOS // CUSTO DE VIDA

Energia, matérias-primas, bens alimentares e serviços públicos e privados não escapam à subida generalizada do Índice de Preços no Consumidor. Salários e pensões também aumentam, mas não o suficiente para compensar o incremento dos preços. O ano de 2022 termina com uma inflação média anual de 7,8%.

2022 termina com uma inflação média anual de 7,8%.
© Ivan Del Val/Global Imagens

IAS com a maior subida desde 2006

O Indexante de Apoios Sociais (IAS) irá ter um incremento de 8,4%, isto é, passa para 480,43 euros. Esta é a maior subida desde que foi criado, em 2006.

A actualização deste indexante irá reflectir-se no aumento de várias prestações sociais, como propinas, pensões, subsídios de desemprego, social e de doença, entre outros apoios da Segurança Social.

Portagens com subida de 4,9%

O preço das portagens nas autoestradas vai subir 4,9%. Este é o limite decretado pelo governo, que decidiu travar o aumento com base na taxa de inflação. As concessionárias tinham proposto subidas entre 9,5 e 10,5%. Este travão vai custar cerca de 140 milhões de euros aos cofres do Estado.

Na Brisa, que tem a concessão de 11 autoestradas nacionais, quase 70% das taxas de portagem de classe 1 sobem a partir de 1 de Janeiro, destacando-se um aumento de 1,05 euros na A1, entre Lisboa e Porto, e de 1,10 euros na A2, entre Lisboa e o Algarve.

Travão no incremento das rendas

O governo limitou a 2% o aumento das rendas em 2023. Sem esse travão, o aumento com base na inflação seria de 5,43%. Já para apoiar os arrendatários até 35 anos, foram actualizados os valores máximos de renda admitidos no programa Porta 65.

A título de exemplo, arrendar um T2 em Lisboa com apoio deste programa estava limitado a um máximo de 756 euros e, em 2023, esse tecto passará a ser 1150 euros. No Porto, também para um T2, o limite actual é de 581 euros, mas com a actualização passará a ser de mil euros.

Pão vai ficar mais caro

A Associação do Comércio e da Indústria da Panificação já fez saber que o preço do pão vai aumentar para acompanhar a subida do custo das matérias-primas e do salário mínimo.

A variação dos preços dos alimentos está dependente das condições do mercado e da inflação e, neste campo, não há certezas da evolução.

O que se pode contar é com o IVA reduzido nas bebidas e iogurtes de base vegetal, na manteiga, margarina e creme vegetal e nas conservas de peixe e de moluscos.

Salário mínimo sobe para 760 euros

O salário mínimo nacional sobe dos actuais 705 para 760 euros. Já o mínimo de existência aumenta de 9870 para 10 640 euros anuais, ou seja, os rendimentos até este valor estão isentos de IRS.

O ano de 2023 traz também um aumento no valor mínimo do subsídio de desemprego, que vai subir 41 euros, para 550,68 euros. O montante máximo desta prestação cresce 88,75 euros para 1196,75 euros.

Pensões sobem entre 3,89% e 4,83%

Os 2,7 milhões de pensionistas da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações vão ter uma actualização nas reformas entre 3,89% e 4,83%.

Para pensões até 960,86 euros, o aumento será de 4,83%; de 4,49% para prestações acima de 960,86 e até 2882,58 euros; e de 3,89% para reformas entre 2882,58 e 5 765,16 euros. O aumento será de apenas metade face ao previsto devido ao bónus de meia pensão pago em Outubro.

Actualização nos escalões do IRS

Os escalões do IRS serão actualizados em 5,1%. O governo vai também baixar em dois pontos a taxa marginal do segundo escalão de 23% para 21%. Como consequência, a taxa média dos restantes escalões também terá uma descida. Será ainda implementado um novo modelo de retenção na fonte, com a criação de uma taxa intermédia.

As novas tabelas ainda terão de ser publicadas e só entrarão em vigor em Julho, sem efeitos retroactivos. As famílias podem contar com um aumento na dedução de IRS a partir do segundo filho abaixo dos seis anos, que sobe de 750 para 900 euros.

Para os jovens em início de carreira – entre 18 e 26 anos com qualificações de nível 4 (curso profissional) ou superior prevista ou 30 anos no caso de doutorados – foi estipulada uma isenção do IRS até 50% do rendimento no primeiro ano de trabalho (actualmente são 30%); de 40% no segundo; de 30% no terceiro e quarto anos; e de 20% no quinto.

Além disso, as famílias que têm créditos para a compra de habitação vão poder ter uma redução de um escalão do IRS na retenção na fonte. Essa possibilidade pode ser accionada já a partir deste mês de Janeiro.

Esta medida do governo, que visa mitigar a escalada dos custos mensais com o empréstimo à compra de casa, só é aplicável aos trabalhadores que tenham crédito para uma habitação própria e permanente e uma remuneração mensal bruta de até 2.700 euros. Os trabalhadores têm de comunicar à entidade empregadora que querem reduzir a retenção mensal no IRS.

Mais 52 euros para a função pública

O salário mínimo no Estado vai subir de 705 para 761,58 euros. O acréscimo será de 52,11 euros para ordenados até 2600 euros brutos, e de 2% para salários superiores.

O aumento médio salarial para os trabalhadores do Estado será de 3,6%. O governo também deu a indicação de aumentos de 5,1% para os trabalhadores do sector empresarial do Estado.

O Executivo procura assim dar o exemplo ao sector privado que, no âmbito do acordo de rendimentos assinado na Concertação Social, prevê uma majoração no IRC para as empresas procedam a aumentos salariais a partir de 5,1% no próximo ano.

Mais ISV e IUC nos automóveis

O Imposto Sobre Veículos (ISV) e o Imposto Único de Circulação (IUC) vão subir cerca de 4%. Por via do ISV, o preço de venda tem um aumento médio de 1,6%. Este ano, está previsto retomar o incentivo ao abate de veículos em fim de vida, solução que carece ainda de uma avaliação prévia.

Em 2023, as empresas com frotas de veículos eléctricos, híbridos plug-in e gás natural veicular, de ligeiros de passageiros, serão tributadas às taxas de 2,5%, 7,5% e 15%, em função do valor de aquisição do veículo.

Electricidade e gás sobem no regulado

O preço da electricidade terá um incremento de 1,6% no mercado regulado em Janeiro face a Dezembro, o que se traduz num aumento de 3,3% face ao preço médio registado em 2022. No mercado liberalizado de electricidade, a EDP Comercial anunciou que vai aumentar em cerca de 3%, em média, o valor da factura da electricidade dos clientes residenciais no próximo ano.

A Endesa revelou que vai manter os preços, a Iberdrola diz que a factura de electricidade desce, em média, 15% no próximo ano, e a Galp estima também uma redução média de cerca de 11%.

Para reduzir o impacto dos custos energéticos nas famílias, o governo vai reduzir o IVA na factura da electricidade para 6%, mas apenas sobre os primeiros 100 kWh de consumo e só em potências contratadas até 6,9 kVA. Também a tarifa regulada de gás natural sobe para cerca de 3%.

No mercado livre de gás, a Galp indicou que vai manter inalteradas as facturas do gás natural “nos primeiros três meses de 2023”.

No sentido de apoiar os aumentos do gás, estará disponível mais um milhão de euros para o “bilha solidária”. Já a tarifa social de energia chegará às famílias com um rendimento anual até 6272 euros, tanto no mercado regulado como no livre.

Bilhetes ocasionais de transportes aumentam

O governo determinou o congelamento do valor dos passes e do tarifário vigente em 2022 para os títulos de transporte da CP referente aos serviços regulares.

O aumento do tarifário permitido pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes para o próximo ano, decorrente da evolução da inflação de 2022, é de 6,11%, mas apenas poderá ser aplicado “a títulos e tarifas de transporte ocasionais”. Na Grande Lisboa, no entanto, a Carris Metropolitana já fez saber que não vai aumentar os preços dos títulos ocasionais.

Os passes do tarifário Navegante e os bilhetes ocasionais da Carris Metropolitana vão manter este ano os preços praticados no ano que agora terminou. Na Área Metropolitana do Porto, os bilhetes ocasionais do tarifário intermodal Andante vão ter uma subida média de 1% a partir deste mês de Janeiro.

Subidas das comissões bancárias abranda

Depois de vários anos consecutivos a aumentar as comissões bancárias, as maiores instituições financeiras em Portugal devem dar tréguas a fortes subidas no próximo ano.

Nos últimos anos os bancos argumentaram que tinham de aumentar comissões, em grande parte, pelo facto de os juros estarem em território negativo.

Agora, com este indicador a recuperar à boleia da subida acentuada das taxas directoras, alguns bancos decidiram travar a onda de subidas que vinha a ser registada e outros falam em actualizações “pontuais”. Mas nenhum admite vir a descer os preçários.

Questionada pelo DN/DV sobre os planos de alteração dos preçários para o próximo ano, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) adiantou que “decidiu não promover qualquer processo de actualização global de comissões para 2023”. Uma posição semelhante à do BPI que garante não estarem “previstas alterações”.

No entanto, a mesma fonte oficial da CGD aproveitou para esclarecer que “eventuais alterações pontuais de comissionamento” que pretenda implementar “decorrerão de alterações legais/regulamentares ou de factores relacionados com o posicionamento da Caixa no mercado e custos incorridos pela prestação dos serviços, cumprindo os princípios da responsabilidade social e do justo valor para o cliente”.

Por sua vez, o Novo Banco admite que no próximo ano irá avançar com uma subida “pontual” nas comissões bancárias, mas “claramente inferior à inflação prevista”. O BCP referiu apenas que não comenta a sua política comercial.

Mas o CEO do banco, Miguel Maya, revelou na Money Conference, que não vê “racional para as comissões descerem, desde que o cliente percepcione que é um bom serviço”. Mas assegurou que a avançar com actualizações, o aumento”não vai acompanhar a inflação em termos gerais”.

Na mesma conferência, a intervenção do administrador do Novo Banco foi no mesmo sentido. “As comissões têm de remunerar os investimentos que os bancos fazem na tecnologia”, sublinhou Luís Ribeiro. Porém, frisou que estando a inflação acima de 10%, “os preçários dos bancos não vão evoluir no mesmo sentido”.

O Santander não respondeu às questões enviadas até ao fecho da edição.
Nos primeiros nove meses de 2022 os seis principais bancos – BCP, BPI, CGD, Banco Montepio, Novo Banco e Santander – registaram receitas superiores a 2 mil milhões de euros em comissões bancárias. Um valor que representa uma subida de cerca de 9% face ao mesmo período de 2021.

No entanto, como alguns banqueiros destacaram na apresentação das contas, a evolução dos proveitos deveu-se não só à subida de preços, mas ao aumento do número de serviços prestados pelos bancos nesse período. Sara Ribeiro

Jornalistas do Dinheiro Vivo

Diário de Notícias
Sónia Santos Pereira
01 Janeiro 2023 — 07:00

actualizado em: 04/02/2023 15:59




 

 36 total views