Freguesias “asfixiadas” pelo aumento do custo da energia

ENERGIA/CUSTOS/FREGUESIAS

Juntas de freguesia queixam-se da subida exponencial dos gastos com vários equipamentos municipais, em particular piscinas e escolas, com facturas que triplicam e aumentos na ordem das dezenas de milhares de euros. Há quem exija mais apoio da câmara e do Governo. Executivo de Moedas promete apresentar plano antes do orçamento.

Juntas de freguesia queixam-se de um enorme acréscimo de custos em vários equipamentos municipais, devido ao aumento do gás e electricidade. Piscinas são o exemplo mais flagrante.
© Paulo Spranger/Global Imagens

As freguesias de Lisboa viram disparar a factura de pagamento de gás e electricidade, sobretudo em equipamentos como piscinas e escolas, e queixam-se que o acréscimo de custos ameaça atingir valores incomportáveis.

José António Videira, presidente da Junta de Freguesia de Marvila, diz ao DN que o aumento tem sido exponencial ao longo deste ano: considerando os gastos já efectuados nos primeiros nove meses e a estimativa para o último trimestre, o autarca prevê chegar ao final do ano com um acréscimo de despesas da factura energética na ordem dos 400 mil euros, face aos custos suportados em 2021.

Grande parte deste desvio é explicado pela factura energética das piscinas municipais que, segundo os valores apontados pelo autarca, deverá superar em 240 mil euros os valores do ano passado, um acréscimo que se deve, em larga medida, ao pagamento do gás.

Já quanto às escolas – “temos oito escolas de 1º ciclo com Jardim de Infância e a única escola da cidade com duas cozinhas, em dois edifícios distintos” – o aumento estimado é na ordem dos 160 mil euros.

José António Videira conta que o aumento da factura “começou a sentir-se logo a partir de Abril”, no caso das escolas teve algum alívio durante os meses de verão, por força das férias escolares, mas deverá agora ganhar maior dimensão, com a chegada do Inverno e a necessidade de recorrer a aquecimento. “Estamos a falar de valores cinco a seis vezes superiores, por cada equipamento, ao que costumávamos ter.

Custos que eram de 300 euros estão agora na ordem dos 1500, os que tinham valores de 800 euros agora chegam aos 2.100.” Até agora, a junta fez frente aos custos porque “tem poupanças”, mas isto é “impossível de gerir a 2/3 anos” – “Vamos apresentar prejuízos que começam a ser preocupantes”.

Com o aumento generalizado de preços a afectar as famílias, devido à inflação, o autarca do PS fala numa “tempestade perfeita”, numa altura em que “as pessoas estão a recorrer mais à junta à procura de respostas sociais”.

Do outro lado da cidade, na freguesia de Belém, Fernando Ribeiro Rosa também se vê a braços com o aumento da factura da energia das muito concorridas piscinas do Restelo.

O custo de manter este equipamento em pleno funcionamento aumentou “muitas dezenas de milhares de euros” e o presidente da junta prepara-se para fechar o ano com despesas de cerca de meio milhão.

“Não há orçamento que resista a uma coisa destas”, diz o autarca social-democrata, à frente da freguesia desde 2013: “Já cá estou há muitos anos e nunca estive tão atrapalhado”.

O problema assume maiores dimensões por surgir após dois anos de pandemia. As piscinas – que são também uma fonte de receitas – estiveram fechadas durante aquele período, com a junta a manter os trabalhadores, mesmo os que estavam a prazo, e a custear as despesas de manutenção: “Perdemos um milhão e 300 mil euros em dois anos. Tínhamos algumas reservas, mas nestes dois anos ficámos sem boa parte da almofada que tínhamos”.

Fernando Ribeiro Rosa diz que já actualizou “ligeiramente” as taxas de utilização da piscina e tem tentado cortar custos noutras áreas e aumentar receitas, mas não é fácil compensar despesas, fundamentalmente com o gás e a electricidade, que “saem para lá de qualquer previsão orçamental”.

Até porque, sendo mais expressivo nas piscinas, o aumento se estende a outros equipamentos, como as escolas, e mesmo à contratação de serviços. O aluguer de autocarros para transportar as crianças nos programas de férias, por exemplo, “disparou”.

Ribeiro Rosa defende que, face a este cenário, tem de haver “um pouco mais de responsabilidade da câmara e maior complementaridade com as juntas de freguesia”, e diz acreditar que Carlos Moedas estará disponível para ajudar a resolver o problema.

Se as queixas com o aumento de custos não se distinguem por cores partidárias é na acção da câmara que as posições entre os autarcas socialistas e sociais-democratas da capital se dividem: “A Câmara Municipal de Lisboa melhorou muito com Carlos Moedas”, diz Fernando Ribeiro Rosa. Mas para acrescentar a seguir: “Vai ter que melhorar ainda mais”.

Governo e câmara municipal devem ajudar freguesias

Ricardo Mexia, independente eleito pela coligação Novos Tempos na freguesia do Lumiar, também já identificou uma subida muito acentuada nos custos suportados pela junta, que no caso se reportam sobretudo às escolas – “Não tenho piscinas. Imagino a situação das freguesias que têm”.

O médico de saúde pública, agora no papel de autarca, argumenta que o Governo, tal como lançou um pacote de ajuda às famílias e outro às empresas (“e bem”) deve fazer o mesmo com as instituições públicas, que têm visto os custos disparar.

“Imagino que noutras áreas da Administração Pública não seja diferente”, sublinha Ricardo Mexia, defendendo que deve ser feito um “reforço do financiamento às autarquias” e, por decorrência, às juntas.

Um ponto em comum entre os vários autarcas é o destaque dado ao facto de as dotações orçamentais às freguesias não terem sofrido grandes alterações, decorrida uma década sobre a reforma administrativa da cidade, o que deixa os valores desajustados aos tempos actuais.

Sofia Oliveira Dias, socialista que preside à Penha de França, defende que “face aos valores definidos pela reorganização administrativa da capital, em particular no actual contexto de aumento da inflação provocado pela guerra na Ucrânia” se deve avançar para um “acordo entre juntas, Câmara de Lisboa e Governo para aumentar as transferências financeiras relativas a recursos humanos e equipamentos”.

Um acordo que deve “ter tradução” já no Orçamento do Estado para 2023, actualmente em sede de debate na especialidade, na Assembleia da República.

Também a gerir uma piscina na freguesia, Sofia Oliveira Dias diz que o organismo que dirige, “dentro das suas possibilidades, tem vindo a desenvolver todos os esforços para manter os compromissos assumidos na área do desporto e educação”.

Das várias juntas contactadas pelo DN, a de São Vicente, pela voz da presidente Natalina Moura (PS), afirmou que os custos aumentaram, mas têm sido controlados com algumas medidas de contenção nos gastos da energia: “Até agora temos conseguido. Estamos numa situação de desconforto, mas que ainda é suportável”.

Já o gabinete da presidência da Junta de Freguesia de São Domingos (liderada por José da Câmara, eleito pela coligação Novos Tempos) diz não ter sentido, até agora, os efeitos da subida dos custos da energia.

Há uma explicação para isso. Nos Olivais, a presidente da junta, Rute Lima, também diz que a subida de preços se fez sentir “ligeiramente” até agora, dado que os contratos são feitos através dos serviços partilhados da Administração Pública, com preços que são “concursados”.

Mas este cenário vai mudar: “Já fomos notificados de que, a partir de Janeiro, vamos ter um aumento na ordem dos 30%”. As projecções feitas pelos serviços da junta para 2023 evidenciam a dimensão da diferença de valores.

Com uma previsão de gastos de cerca de 140 mil euros em electricidade até ao final deste ano, a junta prepara-se agora para uma factura que poderá ascender aos 415 mi euros em 2023; os 25 mil euros em gás natural deverão passar para 95 mil; e os cerca de 40 mil euros afectos aos transportes, ao longo deste ano, deverão ultrapassar os 67 mil euros em 2023.

Em Alcântara, que gere as piscinas do Alvito, o presidente da junta, Davide Amado, fala também num acréscimo significativo de custos, que se estende a outro equipamento, o balneário público da freguesia.

O autarca socialista diz ter alertado a câmara em Julho para o aumento dos custos da energia, que pode “pôr em causa o funcionamento de equipamentos municipais”.

Sem resposta até agora, diz ao DN, defendendo que “a câmara tem de ser um parceiro” das freguesias e “comparticipar” os custos com instalações que são municipais. “Tem mais que obrigação de o fazer, a câmara não se pode demitir deste problema”, argumenta Davide Amado.

CML promete apoio antes do orçamento

A Câmara Municipal de Lisboa promete apoiar as Juntas de Freguesia – e outras instituições – com medidas que deverão ir a reunião do executivo antes da apresentação do orçamento para 2023.

Questionada pelo DN sobre se está a ponderar medidas de apoio às freguesias, face a este aumento dos custos energéticos, a autarquia respondeu que o gabinete do vice-presidente, Filipe Anacoreta Correia, “está a preparar uma proposta que será apresentada em reunião de Câmara, ainda antes da proposta do Orçamento” e “que visa apoiar não só as juntas de freguesia, mas também outras instituições da cidade”. De que forma, a autarquia não especifica ainda.

susete.francisco@dn.pt

Diário de Notícias
Susete Francisco
09 Novembro 2022 — 00:15



 

341: Indústria da carne antecipa aumento de preços entre 15 a 20 % nos próximos meses

PREÇOS/AUMENTOS/INFLAÇÃO/CARNES

Agravamento dos custos de produção está a levar à diminuição do número de animais criados para alimentação humana. A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes prevê que o consumo diminua entre 10 a 15%.

Estimativa, para este ano, de prejuízos no sector da suinicultura é de 100 milhões de euros
© Sérgio Freitas/Global Imagens

O preço da carne poderá subir entre 15 a 20% até Fevereiro do próximo ano. A previsão – e o alerta – é da Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC), que adianta que a instabilidade do mercado e, em especial o preço dos cereais, estão a conduzir a uma diminuição do número de animais para consumo.

“As próximas semanas serão determinantes para percebermos qual vai ser a reacção do mercado à falta de animais e ao facto de estarem muito leves”, diz ao DN/Dinheiro Vivo a directora executiva da associação, Graça Mariano.

As razões que impactam nesta subida de preços são sobejamente conhecidas – aumento do preço das matérias-primas, dos aditivos, dos materiais de embalagem, do transporte e da electricidade e gás, o que leva os produtores a reduzir a criação animal por não ser rentável – mas agora acrescenta-se a valorização do dólar, que está a levar a China a voltar a comprar carne na Europa, expõe Graça Mariano.

No mesmo sentido, e agora que o turismo abrandou e o custo de vida aumentou de forma significativa, a expectativa da APIC é que “haja um decréscimo acentuado do consumo, a rondar os 10% a 15%, o que reflecte as enormes dificuldades que o sector irá atravessar no curto prazo”.

Presentemente, a diminuição do cabaz de compras já é notória, com os consumidores a optarem por adquirir produtos mais económicos. “Existe uma queda de 1% do consumo de produtos à base de carne”, afirma Graça Mariano, citando os dados da Nielsen (empresa de análise de dados de consumo), acumulados até Agosto.

Sem especificar, em termos de valor, o impacto que a crise terá no sector, a directora executiva da APIC garante que “ao nível de rentabilidade, o que podemos afirmar com toda a certeza é que as empresas estão neste momento com margens residuais”.

Risco de falências

O que leva ao risco de falência das empresas, adverte, por seu turno, o secretário-geral da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), João Bastos.

Só na área da suinicultura a estimativa é que, no final deste ano, o prejuízo ronde os 100 milhões de euros. Embora a federação não registe, para já, uma quebra de consumo (de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, nos primeiros sete meses deste ano foram consumidas cerca de 262 toneladas de carne de porco, contra as 253 do mesmo período em 2021), o secretário-geral da FPAS frisa que a diminuição da procura é global e generalizada.

Quanto a aumentos de preços, João Bastos diz que, neste momento, a previsão é que a carne de porco tenha atingido o seu valor máximo anual. E, embora a oferta e a procura deste alimento estejam equilibradas, a oscilação dos custos de produção, como a alimentação animal e os serviços energéticos continuam a ser uma incógnita.

“A produção e a indústria têm suportado grande parte do aumento dos custos de produção, não repercutindo no consumidor os incomportáveis aumentos de bens como o gás, que aumentou 500%, ou a alimentação animal que aumentou 80%”, sublinha, lembrando que, no caso da suinicultura, “40% das matérias-primas utilizadas na alimentação animal em Portugal têm origem na Ucrânia”.

João Bastos lembrou o recurso à reserva de crises, que resultou num apoio directo, por parte do ministério da Agricultura aos suinicultores, de um montante total de 5,5 milhões de euros.

“Uma medida importante, mas, como facilmente se percebe face aos prejuízos acumulados no sector, claramente insuficiente para salvar milhares de empresas, a maioria familiares, em risco de falência”, alerta.

Um aviso que a Associação dos Criadores de Bovinos da Raça Alentejana (ACBRA) também faz. “A produção não consegue reflectir nos preços de venda da carne as subidas sofridas nos factores de produção, baixando assim a rentabilidade das explorações”, afirma Luís Miguel Bagulho, o presidente da associação.

E, embora no que à carne de bovino alentejana diz respeito, a ACBRA não tenha quebras significativas no seu consumo, até agora, Luís Bagulho não deixa de ressalvar: “Com os aumentos expectáveis de energia, cereais e adubos é possível que esta situação se venha a alterar, agravando ainda mais os preços da carne ao consumidor”. O que poderá levar o consumidor a mudar os seus hábitos alimentares e substituir a carne de bovino “por outras mais baratas”.

Embora seja de opinião contrária, relativamente à mudança dos hábitos alimentares por parte dos portugueses, Marianela Lourenço, da Federação Nacional das Associações dos Comerciantes de Carnes (FNACC), tende a concordar com os impactos da crise no sector.

“Iremos sentir progressivamente falhas no mercado, à medida que a produção for reduzindo”, alerta, estimando que o sector tenha prejuízos na ordem dos 20%, devido à inflação, e aos preços das rações, energia e combustíveis.

A directora executiva da APIC reforça a afirmação da representante da FNACC. “O custo de produção não consegue ser reflectido no custo do produto final, face à crise do mercado e à necessidade das grandes superfícies serem cada vez mais competitivas e fazerem uma pressão enorme aos fornecedores de carne”, refere Graça Mariano, que avisa também para a possibilidade das empresas mais pequenas poderem abrir falência.

“A procura de produtos mais baratos e, consequentemente, de menor qualidade, leva à desvalorização da cadeia alimentar e dos sectores primário e secundário”, considera.

monica.costa@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
Mónica Costa
25 Setembro 2022 — 00:07



 

142: Material escolar está 16,5% mais caro este ano do que em 2021

“… Para os pais e encarregados de educação, a braços com uma inflação elevadíssima e perda de poder de compra, o cenário não se afigura nem risonho nem de poupança.”

SOCIEDADE/MATERIAL ESCOLAR

Análise do KuantoKusta revela que um cabaz com artigos escolares custa mais 15 euros em comparação com Agosto do ano passado. A subida da inflação já se sente nestes produtos.

Procura de material de escolar está a acontecer mais cedo este ano, segundo o kuantoKusta.
© Paulo Spranger / Global Imagens

Aproxima-se a passos largos o regresso à escola de milhares de estudantes portugueses. No entanto, e antes do início das aulas, é preciso comprar toda uma parafernália de material para este ano lectivo.

Para os pais e encarregados de educação, a braços com uma inflação elevadíssima e perda de poder de compra, o cenário não se afigura nem risonho nem de poupança.

E isto porque um cabaz de material escolar básico está 15 euros mais caro, quando comparado com o mês de Agosto de 2021. Este valor representa um aumento de 16,54% relativamente ao período homólogo, revelou ao DN/Dinheiro Vivo, o KuantoKusta.

Segundo a análise do comparador de preços online, em Agosto do ano passado, um cabaz para um aluno de segundo ciclo, contendo lápis e esferográficas, cadernos, mochila, estojo e calculadora científica, custava 92,12 euros. Em Agosto deste ano, o mesmo cabaz custa 107,36 euros, ou seja, mais 15,24 euros do que no ano passado (ver infografia).

O KuantoKusta analisou, ainda, os preços dos artigos mais procurados dentro de cada categoria e descobriu que as maiores subidas verificaram-se nos estojos (+42,86%), nos cadernos A4 (+26,54%) e nas mochilas (+10,81%). Já os lápis e as esferográficas seleccionados pelo marketplace foram os artigos que não sofreram qualquer alteração.

A empresa diz que “a inflação e o aumento dos custos de muitos materiais impactaram os preços de artigos como lapiseiras e minas (com uma subida média de preço de 205%), papel A4 (+160%), furadores e agrafadores (+115%) e lápis, afias e borrachas (+105%)”. Já as mochilas escolares, as calculadoras e os estojos conseguiram uma descida do preço médio.

Apesar do pico de compra destes artigos acontecer nas segunda e terceira semanas de Setembro (entre os dias 13 e 23 desse mês em 2021), no início do corrente mês a procura por material escolar e artigos de escritório já se fazia sentir.

O KuantoKusta verificou que a maior procura dos consumidores foi mesmo por material escolar, que cresceu 93,5%. Dentro desta categoria destacam-se os cadernos (+187,5%) e mochilas escolares (+287,5%).

Por estarmos num ano atípico, o director comercial do KuantoKusta, André Duarte, diz que existem vários factores que podem explicar o comportamento dos consumidores. “A variação da inflação tem uma influência directa na capacidade de as lojas acompanharem o ritmo de campanhas e promoções de anos anteriores.

Por outro lado, os consumidores perderam poder de compra e têm mais interesse em comparar preços e fazer compras informadas, pela necessidade de esticar o orçamento”. O responsável adiantou ainda que existe um maior número de pesquisas por produtos de baixo valor, como material de escrita.

Por seu turno, Ricardo Pereira, director de marketing do KuantoKusta, aconselha as famílias a anteciparem algumas compras, “por forma a evitar possíveis aumentos de preços, fruto da inflação”.

Poupar nos manuais escolares

No regresso à escola é preciso contar também com os manuais escolares. Para os alunos do ensino público, a gratuitidade dos livros já não é novidade, sendo até possível reutilizá-los e, segundo dados do Ministério da Educação citados pela Lusa, dos mais de cinco milhões de manuais escolares distribuídos no passado ano lectivo pelos alunos do ensino obrigatório, foram reutilizados, até ao início de Agosto, 2,3 milhões. O que corresponde “a uma percentagem de cerca de 65% dos manuais a reutilizar”.

Mas, para os pais cujos educandos frequentem o ensino privado, esta situação não se coloca, a menos que a escola dos filhos o faça por iniciativa própria. Para colmatar essa lacuna, a livraria online Book in Loop vende manuais escolares usados, bem como material escolar usado e calculadoras gráficas recondicionadas.

“Num primeiro momento, a Book in Loop foi responsável por garantir a reutilização de manuais escolares e alimentar um sistema circular que pudesse aliviar as famílias dos custos avultados associados à compra de livros”, contou Manuel Tovar, co-fundador da The Loop Co.

Os livros eram comprados por 20% do preço de venda ao público (PVP), recondicionados e depois vendidos com 60% de desconto. O que permitia uma poupança combinada de 80% às famílias.

Ao longo dos anos a Book in Loop – que nasceu em 2016 – orgulha-se de ter dado uma nova vida a mais de 300 mil livros em Portugal e ajudado as famílias portuguesas a pouparem cerca de três milhões de euros.

Actualmente, são sobretudo famílias do ensino privado ou adeptos de modelos mais sustentáveis quem mais recorre à compra destes manuais escolares.

“A reutilização de manuais escolares tem vindo a ganhar adeptos nos últimos anos e essa opção deve-se, maioritariamente, à poupança que representa para as famílias portuguesas. O custo de aquisição de materiais novos todos os anos consegue ser insuportável e, por vezes, desnecessário, pois um livro bem estimado pode ser aproveitado por uma série de alunos”, reforça Manuel Tovar, referindo que, actualmente, a aquisição de manuais escolares em segunda mão permite poupar 50% em relação ao PVP de mercado.

“Igualmente nas calculadoras gráficas, podem poupar mais de 50% nestes equipamentos electrónicos, devidamente testados e certificados”, assegura.

monica.costa@dinheirovivo.pt

Diário de Notícias
Mónica Costa
29 Agosto 2022 — 00:01