985: Covid-19: Norma da DGS sobre visitas a idosos infectados em lares divide responsáveis

SAÚDE PÚBLICA / PANDEMIA / COVID-19 / LARES

Confederação das Instituições de Solidariedade Social e Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos com visões diferentes sobre a norma.

A norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para assegurar que os utentes infectados com covid-19 que residem em lares têm direito a visitas divide responsáveis, entre quem a considere uma medida esperada e quem aponte uma flexibilização excessiva.

Na opinião do padre Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), a norma é “oportuna” e trata-se de uma “orientação esperada e consistente”.

“Na generalidade dos lares havia visitas a pessoas infectadas, com os devidos cuidados porque o vírus numa pessoa num lar pode com facilidade propagar-se a outras pessoas. Mas não podemos ter as pessoas indefinidamente enclausuradas e já sabemos que, com a vacinação completa, o vírus não tem a força que teria com todo este processo de vacinação”, defendeu.

Na opinião do presidente da CNIS, os lares já estão “devidamente apetrechados” para cumprir a recomendação e, tendo em conta que “já não há surtos” como os registados no início da pandemia, “há mais condições para proteger as pessoas, evitando propagações”.

A DGS publicou na segunda-feira uma nova norma sobre os casos de suspeita ou confirmação de covid-19, que salienta que a elevada cobertura vacinal e a evolução epidemiológica favorável permitem “progredir para um modelo de resposta focado na prevenção e no tratamento da doença grave, atento ao padrão de circulação e ao aparecimento de novas variantes de SARS-CoV-2”.

Nessa norma, fica definido que as visitas aos doentes com covid-19 que estejam em lares ou estruturas similares devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de protecção individual.

O presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos apontou que a norma da DGS “é confusa, pouco orientadora, [e] com regras um bocado vagas”.

João Ferreira de Almeida defendeu que a DGS deveria ter actualizado a orientação específica sobre os procedimentos a adoptar nos lares relativamente à covid-19 em vez de publicar esta norma “que mistura situações hospitalares com situações em lares”.

“Esta dualidade de actuação da DGS não consigo compreender porque só baralha, só complica, só desorienta e nós precisamos é de orientação”, criticou.

O responsável defendeu mesmo que a norma “não faz sentido”, questionando o que se andou a fazer durante dois anos.

“Se a situação agora é assim, porquê tantas restrições e tão severas algumas durante quase dois anos. Isto faz-me confusão”, criticou.

Acrescentou que “seria bom” que esta norma determinasse que as visitas possam ser retomadas com a normalidade existente antes da pandemia, “em que as visitas eram feitas na sala, com visitas para mais do que um idoso em simultâneo”.

“Acho que é uma flexibilização exagerada. Estão a fazer confiança com a dose de reforço a vacina. Não sei se não estão a confiar demais”, apontou João Ferreira de Almeida.

Diário de Notícias
DN/Lusa
29 Novembro 2022 — 13:38



 

812: Covid-19. Aumento de incidência e internamentos mas impacto reduzido

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

A covid-19 registou um aumento de incidência, com tendência estável crescente, e houve também um aumento de internamentos, mas mantém-se reduzido o impacto da doença nos serviços de saúde e na mortalidade geral.

Covid em Portugal
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Os dados fazem parte do último relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a monitorização da situação epidemiológica da covid-19, divulgado este sábado.

De acordo com o documento, houve um aumento do número de internamentos em enfermaria no grupo etário entre os 40 e os 59 anos, e nas unidades de cuidados intensivos acima dos 80 anos, “ainda que abaixo do limiar crítico definido e do valor máximo da última fase epidémica”.

Apesar do aumento de internamentos, o impacto da covid-19 é reduzido, explicando o INSA que há a manutenção de uma mortalidade pelo vírus reduzida, “com tendência estável e correspondente a um valor cinco vezes inferior ao valor máximo observado na última fase epidémica”.

O INSA sublinha que a situação epidemiológica justifica a manutenção da vacinação de reforço, as medidas de protecção individual e “a comunicação frequente destas medidas à população”.

Os últimos dados indicam que a linhagem BA.5 da variante Omicron da covid-19 era dominante.

Segundo o documento, a 14 de Novembro a incidência cumulativa a sete dias foi de 63 casos por 100.000 habitantes, verificando-se um aumento dessa incidência em todas as regiões de saúde e em todos os grupos etários em relação à semana anterior, sendo esse aumento mais significativo nas regiões autónomas.

Quanto ao índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que provoca a covid-19 foi de 1,03 a nível nacional, uma subida em relação aos 0,97 da semana anterior.

O relatório do INSA avança que o Rt, indicador que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, no período entre 07 e 11 de Novembro, era igual ou superior a 01, “indicando uma tendência crescente de novos casos”. Comparando com o relatório anterior, o Rt subiu em todas as regiões de saúde menos no Algarve.

Em 14 de Novembro estavam internadas 570 pessoas com covid-19 (sem variação em relação à semana anterior) e na mesma data estavam 42 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos.

No mesmo dia, indica ainda o documento do INSA, a mortalidade por covid-19 era de 9,3 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, apresentando uma estabilização. Este valor é inferior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Novembro 2022 — 20:26



 

790: Casos de covid em Portugal aumentaram na última semana

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Com estes números, Portugal registou mais 1.202 casos de infecção e mais seis mortes em relação à última semana.

© D.R.

Portugal registou, entre 8 e 14 de Novembro, 6.478 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 51 mortes associadas à covid-19 e uma estabilização dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 1.202 casos de infecção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 570 pessoas, menos uma apenas do que no mesmo dia da semana anterior, com 42 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais oito do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 63 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um aumento de 24% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 1,03 a nível nacional.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.412 casos na última semana, mais 256 do que no período anterior, e 24 óbitos, mais oito.

A região Centro contabilizou 887 casos (mais 114) e 11 mortes (mais duas) e o Norte totalizou 1.610 casos de infecção (mais 378) e 11 mortes (menos cinco).

No Alentejo foram registados 254 casos positivos (mais 12) e um óbito (o mesmo número da semana anterior) e no Algarve verificaram-se 228 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais oito) e três mortes (o mesmo número da semana anterior).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 300 novos contágios nos últimos sete dias (mais 105) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 787 casos nesse período (mais 329) e um óbito (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.064), seguindo-se a das pessoas entre os 50 e os 59 anos (1.034), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (206).

Dos internamentos totais, 230 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (124) e dos 60 aos 69 anos (84).

A DGS contabilizou ainda 13 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, quatro dos 10 aos 19 anos, 13 dos 20 aos 29 anos, 16 dos 30 aos 39 anos, 22 dos 40 aos 49 anos e 36 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 40 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, três entre os 60 e 69 anos e duas entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 71% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 64% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 75% dos idosos com mais de 80 anos e a 61% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN / Lusa
18 Novembro 2022 — 20:07



 

671: Portugal com 5.291 casos e 44 mortes por covid-19 entre 1 e 7 de Novembro

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Registaram-se menos 602 casos de infecção em relação à semana anterior, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Portugal registou, entre 1 e 7 de Novembro, 5.291 infecções pelo coronavírus ​​​​​​​SARS-CoV-2, 44 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se menos 602 casos de infecção, verificando-se ainda menos 12 mortes na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 571 pessoas, mais 46 do que no mesmo dia da semana anterior, com 34 doentes em unidades de cuidados intensivos, o mesmo número do que na semana anterior.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 51 casos por 100 mil habitantes, tendo registado uma redução de 11% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus aumentou para 0,97.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.170 casos entre 01 e 07 de Novembro, menos 125 do que no período anterior, e 16 óbitos, menos quatro.

A região Centro contabilizou 776 casos (menos 38) e nove mortes (menos quatro) e o Norte totalizou 1.233 casos de infecção (menos 205) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 244 casos positivos (menos 48) e um óbito (menos cinco) e no Algarve verificaram-se 223 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais três) e três mortes (mais duas).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 189 novos contágios nos últimos sete dias (menos 60) e nenhuma morte, enquanto a Madeira registou 456 casos nesse período (menos 129), também sem qualquer óbito, de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (944), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (826), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (147).

Dos internamentos totais, 229 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (140) e dos 60 aos 69 anos (80).

A DGS contabilizou ainda 11 internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, um dos 10 aos 19 anos, 10 dos 20 aos 29 anos, 24 dos 30 aos 39 anos, 21 dos 40 aos 49 anos e 37 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 33 idosos com mais de 80 anos, seis pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos e uma entre 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 69% dos idosos com mais de 80 anos já receberam a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 57% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 72% dos idosos com mais de 80 anos e a 56% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Novembro 2022 — 22:08



 

Reunião do Infarmed vai colocar as pessoas em “estado de alerta”

– Este sujeito, por natureza, é sempre do contra. Seria a favor de qualquer tipo de medidas se elas fossem a partir de um governo da sua cor partidária. Acho bem a reunião com o Infarmed para que seja efectuada uma análise com os intervenientes na área da saúde e isso não me coloca em nenhum tipo de “estado de alerta”.

ORDEM DOS MÉDICOS/PANDEMIA/INFARMED

Na opinião de Miguel Guimarães, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

© ANTÓNIO COTRIM/Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considerou esta quinta-feira que a realização da reunião de peritos do Infarmed para avaliar a situação da pandemia no país vai colocar as pessoas em “estado de alerta”.

Os peritos voltam a reunir-se na sexta-feira no auditório do Infarmed, em Lisboa, para fazer um ponto de situação da covid-19, mas o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esclareceu na altura do anúncio da reunião que a realidade mostra que a decisão de interromper o estado de alerta, no dia 1 de Outubro, foi acertada.

“Eu percebo que se queira fazer uma reunião para fazer o ponto da situação do estado da pandemia actualmente, mas não era preciso fazer uma reunião formal, com a conotação que as reuniões do Infarmed têm”, disse Miguel Guimarães, que falava à agência Lusa a propósito do 25.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos que decorre na sexta-feira em Braga.

Na sua opinião, “o facto de existir uma reunião no Infarmed vai colocar as pessoas em estado de alerta” porque vão pensar que, se os peritos se estão a reunir, é porque “as coisas não estão bem”.

Miguel Guimarães adiantou que nesta época do ano vai haver mais casos de covid-19, de gripe, vão morrer mais pessoas, mas o que se deve fazer é apelar às pessoas para se vacinarem e dar condições para que a vacinação seja acelerada.

“A vacinação agora não está a ser igual (…) é tudo muito mais lento e o tempo passa. Daqui a bocado estamos em Janeiro e corremos o risco de não estar vacinados, pelo menos, a população-alvo”, disse, afirmando que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) “podia estar melhor nesse aspecto e o Governo também”.

Por outro lado, defendeu, é preciso proteger as pessoas mais frágeis, que, de uma forma geral, são as que têm morrido.

“São pessoas que têm alterações do sistema imunitário, que estão a fazer imuno-supressores, ou que estão imuno-deprimidas pela doença que têm, o que significa que a vacina nessas pessoas funciona menos bem porque elas não conseguem produzir os anticorpos necessários para ficarem protegidas”, adiantou.

Para prevenir a doença grave nestes doentes, o bastonário defendeu que o país tem “a obrigação de disponibilizar anticorpos mono-clonais neutralizantes” para que possam “estar tão protegidas como as pessoas que fazem a vacinação”, uma prática que disse estar a ser feita em praticamente em todos os países da Europa.

Questionado sobre se os serviços de urgência estão preparados para uma maior procura, disse que, neste momento, já têm a capacidade de resposta limitada devido à saída de “muitos médicos” do SNS.

Adiantou que o serviço de urgência tem “vivido muito” das horas extraordinárias que os médicos vão fazendo, mas há muitos que já não estão disponíveis para as continuar a fazer todas as semanas, e às vezes mais do que uma vez por semana, “em prejuízo da sua vida pessoal e familiar”.

“Portanto, eu prevejo que a situação seja complicada”, disse, apontando que, para a resolver, “é perceber quem é que vai estar disponível para fazer serviço de urgência, e isso vê-se com tempo, dentro do SNS” e recorrendo a prestação de serviços, mas directamente com os médicos.

Defendeu ainda que se deve também “preparar já e perceber” junto dos hospitais privados quem pode estar disponível, caso seja necessário, para receber, por exemplo, doentes respiratórios.

“É importante que haja também uma consciencialização por parte da sociedade de libertar o espaço da urgência para as pessoas que têm doenças mais graves”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Novembro 2022 — 14:48



 

“Não há razão para alarme, mas autoridades têm de acautelar planos de contingência”

– Com o aumento de infecções de Covid-19 não há razão para alarme? Quando se deixou de usar máscara nos transportes públicos, nos supermercados, na rua, nas ramboiadas, etc.? Líricos…!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Portugal tem menos infecções por SARS-CoV-2, mas só porque as regras mudaram e há menos testagem. De qualquer forma, o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, chama a atenção para o facto de a situação no nosso país ser diferente da de outros países: a cobertura vacinal é superior e isso dá mais alguma protecção.

– Portugal com 5.920 casos e 53 mortes por covid-19 entre 25 e 31 de Outubro.

Vacinação com dose de reforço~já foi dada a mais de 50% da população elegível, na faixa dos mais de 80 anos já há 66% vacinada.

Portugal já atingiu os 5,72 milhões de infecções por SARS-CoV-2 desde o início da pandemia. Neste momento, e com os dados actualizados ao dia 2 de Novembro pela plataforma Our World in Data, a incidência registada indicava 157,27 casos por milhão de habitante.

Embora, e como destaca ao DN o professor Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que integra a equipa que faz a modelação da evolução da doença, tal incidência não seja representativa da realidade. Carlos Antunes explica ainda que o estarmos a registar menos casos “não significa que haja menos circulação do vírus.

Pelo contrário, esta continua elevada. O que significa é que as regras mudaram e por isso não temos um espelho da realidade, que é bem diferente da que está a ser reportada”.

Mas não somos o único país em que tal está a acontecer dentro do quadro europeu. No Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia, Dinamarca e até mesmo nos países Bálticos deixou de haver uma vigilância da doença pelo indicador mais directo, o da incidência. Tudo porque os Estados decidiram abandonar a estratégia de testagem massiva.

Por isso mesmo, e se olharmos para os dados da mesma plataforma internacional, veremos que o Reino Unido regista 90,92 casos por milhão de habitante, a Espanha 76,24, a Noruega 22,53, a Suécia 44,57 e a Dinamarca 129,52.

A excepção são países como a Itália, que tem 504,52 casos por milhão de habitante, a Alemanha, com 436,41, e França, com 297,11, mas estes “mantiveram a estratégia de testagem e até impuseram medidas restritivas para fazer face a uma nova onda vivida entre Setembro e Outubro, que já está controlada nesta altura”.

A nível mundial, a região com maior número de casos por milhão de habitante está na China, Taiwan, com 1.340,72 casos, seguem-se depois países como a Nova Zelândia, com 1.013,86 casos por milhão de habitante, e a Coreia do Sul, com 788,98. O Japão tem 374,73, a Austrália 189,46 e os EUA 106,89.

Em relação a Portugal, o professor assume que mantém a análise dos dados fornecidos pela Direcção-Geral da Saúde, embora admita que estes “tenham deixado de ser representativos, porque a vigilância é feita agora através dos internamentos, não tanto pelo que acontece nas enfermarias, mas mais nos cuidados intensivos, e dos óbitos”, salienta.

Ou seja, “não é feita a partir de indicadores directos, mas de indicadores secundários”. E, por isso mesmo, Carlos Antunes alerta para o facto de Portugal manter nas últimas semanas uma mortalidade que considera “robusta”.

“Tivemos um mínimo de um a seis óbitos por dia, mas agora a média é de nove por dia e de nove por milhão de habitante, o que considero ser um indicador muito robusto, porque os critérios de classificação por covid-19 se mantêm e isto dá-nos uma ideia de transmissibilidade nas faixas etárias mais idosas, que são as que acabam por falecer. Se este indicador revela um aumento, significa que a incidência também aumentou, pelo menos em Outubro.”

Portugal teve onda ligeira de casos em Outubro

Aliás, de acordo com a análise da equipa da Faculdade de Ciências, “em Setembro verificou-se um aumento abrupto de incidência nas faixas etárias mais jovens, o que significa que mais tarde iria atingir outras faixas, mas em Outubro houve um corte abrupto também na incidência, quase de um dia para o outro passámos para um terço dos casos, fruto das novas regras”.

Mas a consequência do aumento da incidência em Setembro fez-se no mês seguinte, através de “um aumento de internamentos nos cuidados intensivos e da mortalidade, que ainda se continua a verificar”.

Carlos Antunes refere que desta forma pode dizer-se que “o país já voltou a viver uma nova onda, não na dimensão que registaram países como França, Alemanha e Áustria, mas uma onda ligeira”.

Agora atravessa a fase em que a BA.5 está a deixar de ser preponderante para se passar à dominância da BQ.1.1, podendo “atingir os 50% no final do mês”.

Em relação ao que é expectável, o professor revela que “não há razão para alarme ou para preocupação, mas é preciso que as autoridade acautelem planos de contingência e reforço do sistema de saúde caso seja necessário, com recomendações ou até medidas de confinamento ligeiro.”

Embora sublinhe que Portugal tem “uma situação ligeiramente diferente da de outros países europeus, devido à sua elevada cobertura vacinal, o que também nos dá maior protecção contra a doença grave e morte”.

E exemplifica: “Basta olhar para a taxa de ocupação dos cuidados intensivos, que nesta altura está em cerca de 13% em relação à média definida para as 255 camas.

É claro que esta varia também de região para região, sabendo nós que o Norte está com uma ocupação de 17%, o Centro de 20%, Lisboa e Vale do Tejo com 11%, o Alentejo com 0% e o Algarve com 9%.” No mesmo país, “diferentes realidades, mas deste ponto de vista pode dizer-se que temos uma situação controlada e que não há pressão da covid-19 sobre o SNS”.

Quanto ao futuro, o analista vinca que estamos a entrar no inverno e “numa situação de nevoeiro cerrado, porque a dificuldade de projectar o que aí vem é ainda mais difícil sem vigilância da incidência.

Agora o que é possível perceber é que o vírus continua a modificar-se de uma forma rápida, mas que, e progressivamente no tempo, a humanidade também vai reforçando o seu sistema imunitário”.

E isto faz-nos poder “acreditar que a possibilidade de surgir uma nova variante com um nível patogénico bastante mais agressivo não se confirme”.

Retrato da situação

Infecções
O último Boletim da Direcção-Geral da Saúde, publicado nesta sexta-feira, dia 4, à noite, indica que entre os dias 25 e 30 de Outubro Portugal registou 5920 infecções por SARS-CoV-2, menos 1736 do que na semana anterior, com dias, como 31 de Outubro, a registarem apenas 325 – uma dos números mais baixos dos últimos meses. De acordo com o Boletim, o país está assim com uma média de 57 infecções diárias por 100 mil habitantes e com um R(t) – índice de transmissibilidade – bem abaixo de 1, precisamente 0,87.

Internamentos
Num dos indicadores que agora sustenta a monitorização da doença – os internamentos -, a situação parece estar controlada. Neste mesmo período foram contabilizados 525 internamentos, mais 37 do que na semana anterior, mas apenas 34 em Unidades de Cuidados Intensivos, menos um do que na semana anterior. Relativamente a óbitos, foram registados 53, mais seis do que na semana anterior.

Vacinação
O Boletim indica também que 66% da população com mais de 80 anos e elegível para a quarta dose, segundo reforço, já foi vacinada. Na faixa etária entre os 65 e os 79 anos esta percentagem é de 51%.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Novembro 2022 — 00:05



 

512: Portugal com 7.753 casos e 47 mortes por covid-19 entre 18 e 24 de Outubro

– Cada cidadão tem o pleno direito de comportar-se como bem entender. O que não tem o direito é a de colocar em perigo a saúde – e a vida – dos outros cidadãos entrando numa décalage de falta de civismo e de cidadania!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Há mais 489 casos de infecção e regista-se um ligeiro aumento dos internamentos em relação à semana anterior.

Portugal registou, entre 18 e 24 de Outubro, 7.753 infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 47 mortes associadas à covid-19 e um ligeiro aumento dos internamentos, indicou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 489 casos de infecção, verificando-se o mesmo número de mortes nos dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 478 pessoas, mais 13 do que no mesmo dia da semana anterior, com 35 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais três.

De acordo com o boletim da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 75 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um aumento de 6% em relação à semana anterior, e o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus atingiu o limiar de 1,00.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 2.567 casos entre 18 e 24 de Outubro, menos 47 do que no período anterior, e 23 óbitos, mais dois.

A região Centro contabilizou 2.088 casos (mais 1.045) e sete mortes (menos duas) e o Norte totalizou 1.649 casos de infecção (menos 208) e 15 mortes (mais uma).

No Alentejo foram registados 267 casos positivos (menos 30) e um óbito (mais um) e no Algarve verificaram-se 345 infecções pelo SARS-CoV-2 (mais 33), não tendo sido registada qualquer morte.

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 250 novos contágios nos últimos sete dias (menos 93) e nenhuma morte (menos duas), enquanto a Madeira registou 587 casos nesse período (menos 211) e um óbito (mais um), de acordo com os dados da DGS.

Segundo o relatório, a faixa etária entre os 60 e os 69 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (1.416), seguindo-se a das pessoas entre os 70 e os 79 anos (1.293), enquanto as crianças até aos 9 anos foram o grupo com menos infecções nesta semana (220).

Dos internamentos totais, 185 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (135) e dos 60 aos 69 anos (72).

A DGS contabilizou ainda seis internamentos no grupo etário das crianças até aos 9 anos, três dos 10 aos 19 anos, sete dos 20 aos 29 anos, 11 dos 30 aos 39 anos, 18 dos 40 aos 49 anos e 30 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 29 idosos com mais de 80 anos, 11 pessoas entre os 70 e 79 anos, quatro entre os 60 e 69 anos, duas entre 50 e 59 anos e uma entre os 40 e 49 anos.

Os dados indicam ainda que 63% dos idosos com mais de 80 anos já recebeu a vacina de reforço sazonal contra a covid-19, percentagem que baixa para os 41% no grupo entre os 65 e 79 anos.

Quanto à vacina da gripe, a DGS refere que já foi administrada a 67% dos idosos com mais de 80 anos e a 41% das pessoas do grupo etário entre os 65 e 79 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Outubro 2022 — 16:45



 

483: DGS recomenda cuidados devido a poeiras do Norte de África

SAÚDE PÚBLICA/POEIRAS/CRIANÇAS/IDOSOS

Devido à fraca qualidade do ar causada pelas poeiras do Norte de África, a DGS aconselha a população mais sensível a tomar cuidados de saúde redobrados.

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A fraca qualidade do ar que se vai registar em Portugal continental na quinta-feira, 27 de Outubro, levou esta quarta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS) a recomendar cuidados redobrados à população mais vulnerável como crianças e idosos.

Numa nota publicada na sua página da Internet, a DGS aconselha a população mais sensível como os idosos, as crianças, os doentes com os problemas respiratórios crónicos (asma) e pessoas com doenças cardiovasculares a terem cuidados de saúde redobrados como permanecer no interior dos edifícios, de preferência com as janelas fechadas.

A autoridade de saúde também aconselha a população em geral a limitar a actividade física ao ar livre, os esforços prolongados e a exposição ao fumo do tabaco, assim como o contacto com produtos irritantes.

A Direcção-Geral da Saúde refere na mesma publicação que esta situação da fraca qualidade do ar se deve “à intrusão de uma massa de ar proveniente dos desertos do Norte de África, que transporta poeiras em suspensão e que atravessa Portugal Continental, aumentando as concentrações de partículas inaláveis de origem natural no ar”.

Em caso de agravamento de sintomas, deve ser contactada a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou recorrer a um serviço de saúde, recomenda a DGS.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Outubro 2022 — 18:08



 

478: Portugal está numa situação estável, mas pode mudar. Tudo vai depender das novas sub-variantes

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SUB-VARIANTES

Os alertas e o impacto que as novas sub-variantes podem ter no aumento de casos não cessam. Desta vez, chegaram da parte da OMS/Europa, que diz: “Não podemos ser complacentes”. Em Portugal, internamentos e óbitos estão controlados, mas “é preciso manter a vigilância”, diz o professor da Faculdade de Ciências de Lisboa Carlos Antunes.

Portugal está a fazer o reforço vacinal dos maiores de 60 anos nesta época.

Na última semana, a Europa registou 1,4 milhões de infecções por covid-19 e 3.250 mortes. Os números foram anunciados ontem por Richard Pebody, chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/ Europa à Agência Lusa , que diz mesmo: “Não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes neste momento.”

O dirigente da OMS/Europa aproveitou a ocasião para destacar que o aumento do número de infecções está a ser sentido desde o início de Outubro, e com particular incidência na Alemanha, França e Itália, devendo obrigar todos os países a preparem-se para um eventual aumento de hospitalizações.

Richard Peabody justificou ainda este cenário com o facto de nos estarmos a aproximar do inverno, sabendo-se já ser normal um agravamento das doenças respiratórias neste período.

Em Portugal, por agora, e de acordo com a análise feita ao DN pelo professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que se tem dedicado à modelação da evolução da covid-19 desde o início da pandemia, “a situação parece estar estável, mas é preciso manter-se a vigilância através dos factores de gravidade da doença, devido ao impacto que as novas sub-variantes, BQ.1 e BQ.1.1, possam vir a ter na nossa população”.

O professor recorda mesmo que, em poucas semanas, e citando os relatórios do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a prevalência destas novas sub-variantes passou de 0.9 para 4.9.

“Foi uma evolução muito rápida, portanto é provável que nesta altura a prevalência já seja da ordem dos 20% e que, no próximo mês, possa chegar aos 50%”, como já está a acontecer em alguns países europeus.

Daí que alerte, mais uma vez, para a necessidade de “estarmos preparados para o caso de termos de agir de forma individual e colectiva, se o número de infecções começar a aumentar e os internamentos e óbitos também”.

Carlos Antunes sublinhou o facto de se poder “considerar que Portugal está numa situação controlada” a todos os níveis, mas alerta que, nas últimas semanas, se tem vindo a registar “um aumento ligeiro de internamentos em cuidados intensivos e em óbitos”.

É certo que “este aumento está a ser mobilizado sobretudo por uma única região do país, Lisboa e Vale do Tejo (LVT), embora na última semana a Região Centro também tivesse começado a dar sinais deste aumento”, mas é preciso “continuar a vigilância”.

Segundo o professor da Faculdade de Ciências, de 2 a 17 de Outubro, o número de internamentos geral passou de 390 para 480, sendo que o número de camas em Intensivos passou de 22 para 38. Uma situação que considera que ainda tem a ver com o efeito da sub-variante da Ómicron, BA.5, que ainda é a dominante no país.

“O aumento de infecções começou nas camadas mais novas, ainda em Setembro, devido ao início das aulas, mas duas a três semanas depois propagou-se ao resto da população, levando a este aumento, mas sem grande repercussão em termos de óbitos”.

Os dados divulgados no dia 24 pela Direcção-Geral da Saúde, referentes a domingo, dia 23, revelavam a existência de 468 casos e 11 óbitos, embora a média diária seja de 6.5 de óbitos.

Carlos Antunes considera que o factor vacinação tem permitido também o controlo da situação relativa aos óbitos. “Podemos assumir que a situação dos óbitos está mais ao menos controlado pelo reforço vacinal, mas, e como sabemos que as sub-variantes BQ.1 e BQ1.1 também já estão em Portugal, é prematuro ajuizar que tal situação se irá manter”.

Ou melhor, “não sabemos o que estas sub-variantes ainda vão trazer para a Europa ou para Portugal”, especifica. Por isto, sublinha, “é preciso manter a monitorização através dos factores de gravidade”.

Estes são aliás os únicos factores, embora indirectos, que nos podem dar agora uma ideia de como a infecção está a evoluir no nosso país, porque “o número de infecções registadas apenas corresponde a cerca de 1/3 ou de 1/4 da realidade, pois há muitas pessoas infectadas que não são detectadas.

Os casos registados surgem basicamente de quem tem de ir a um hospital e tem de fazer teste”, uma das consequências do fim da estratégia de testagem massiva.

Basta perceber que no final de Setembro passámos de cerca de três mil infecções para mil. Portanto, o número de infecções pouco ou nenhum significado tem agora. O importante é a evolução da gravidade da doença”.

Mas a marcar o dia de ontem, fica o alerta do epidemiologista da OMS/ Europa sobre o facto de terem sido detectadas novas “sub-variantes da Ómicron mais transmissíveis do que as suas antecessoras e que muitas pessoas continuam por vacinar ou com a vacinação incompleta”, não se podendo assim “dizer com certeza o que pode acontecer a seguir”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
26 Outubro 2022 — 07:00



 

438: 11,4% da mortalidade já se deve à alimentação inadequada

– Todo este blá-blá-blá é muito interessante e profiláctico se as pessoas mais desfavorecidas economicamente, possuíssem capacidade financeira para aderirem a uma dieta mediterrânica equilibrada e de acordo com o que foi escrito na peça. Infelizmente em Portugal milhares de pessoas lutam diariamente para tentarem (sobre)viver com o quase nada ou mesmo nada que têm, nomeadamente os DESEMPREGADOS que ficam sem qualquer ajuda ou apoio das respectivas instituições (Segurança Social, Banco Alimentar, etc.)

SAÚDE PÚBLICA/ALIMENTAÇÃO/MORTALIDADE

Direcção-Geral da Saúde lança hoje um Plano de Promoção para a Alimentação Saudável para assinalar este dia. E define como uma das prioridades a necessidade de se reduzir em 10% e 20% a ingestão de sal e de açúcares até 2027.

É preciso educar os portugueses, sobretudo crianças e adolescentes, para uma alimentação mais saudável.

Os erros alimentares e o excesso de peso e obesidade podem vir a ultrapassar o tabaco no ranking dos factores de risco que mais contribuem para a mortalidade”.

Isto mesmo é afirmado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), no Plano Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), documento que hoje é lançado para assinalar o Dia Mundial da Alimentação e onde está plasmada a estratégia para a área da nutrição até 2030.

Neste documento, a DGS alerta para o facto de, actualmente, 11,4% da mortalidade no nosso país já ter como causa a alimentação inadequada, concretamente, mais de 13 mil pessoas, sendo que 9.666 morreram devido a doenças cardiovasculares, 2.165 por doença oncológica e 1.443 por diabetes e doenças renais.

13.275 portugueses já registam causas de morte associadas a uma alimentação inadequada, nomeadamente por doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e doenças renais.

Para a autoridade nacional de Saúde, é urgente reverter esta tendência. E, neste sentido, este plano inclui duas prioridades a cinco anos, até 2027, como a redução da ingestão do teor de sal, em 10%, e dos açucares, em 20%.

Mas este plano tem ainda como objectivo “melhorar o conhecimento sobre a dieta mediterrânica”, bem como “a promoção da alimentação saudável e a prevenção e controlo de todas as formas de mal-nutrição, em particular do excesso de peso e da obesidade”, precisamente porque a continuar-se com os actuais hábitos alimentares as projecções para a 2030 são de que haverá ainda mais pessoas a morrer por esta causa, alimentação inadequada, mais do que, se calhar, ao tabaco.

No PNPAS, a DGS dá ainda nota que 56% dos portugueses (esmagadora maioria adolescentes e crianças) regista um consumo inferior a 400 gramas por dia de horto-frutícolas; que 41% dos adolescentes consume diariamente refrigerantes e que tanto estes como as crianças ingerem também diariamente mais de 10% de açúcares livres, em produtos processados.

A ingestão de sal é outro problema, estando provado que 77% dos portugueses também ingere mais de 5 gramas por dia. E como se não bastasse, 29% dos produtos ingeridos diariamente não incluem a roda dos alimentos saudáveis.

41% dos adolescentes ingerem diariamente refrigerantes, mais de 10% de açucares livres e mais de 5 gramas de sal. 29% dos alimentos que ingerem não fazem parte sequer da roda da alimentação saudável.

As orientações registadas no PNPAS 2022-2030, cujo documento estará em consulta pública a partir de hoje e durante 21 dias úteis, dão “continuidade ao trabalho iniciado em 2012, que tem como objectivo promover a saúde da população, prevenir e controlar todas as formas de mal-nutrição (alimentação inadequada, desnutrição, ingestão inadequada de vitaminas e minerais, pré-obesidade e obesidade)”, sublinha a DGS.

O PNPAS está ainda em consonância com as prioridades estratégias e recomendações da União Europeia e da Organização Mundial da Saúde, destacando ainda que se por um lado a prioridade é a promoção de uma alimentação saudável e a prevenção do excesso, por outro tem de haver uma intervenção forte por parte do sistema de saúde, quer ao nível dos cuidados primários quer dos cuidados diferenciados mais para o controlo do excesso de peso e obesidade.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
16 Outubro 2022 — 00:00