438: 11,4% da mortalidade já se deve à alimentação inadequada

– Todo este blá-blá-blá é muito interessante e profiláctico se as pessoas mais desfavorecidas economicamente, possuíssem capacidade financeira para aderirem a uma dieta mediterrânica equilibrada e de acordo com o que foi escrito na peça. Infelizmente em Portugal milhares de pessoas lutam diariamente para tentarem (sobre)viver com o quase nada ou mesmo nada que têm, nomeadamente os DESEMPREGADOS que ficam sem qualquer ajuda ou apoio das respectivas instituições (Segurança Social, Banco Alimentar, etc.)

SAÚDE PÚBLICA/ALIMENTAÇÃO/MORTALIDADE

Direcção-Geral da Saúde lança hoje um Plano de Promoção para a Alimentação Saudável para assinalar este dia. E define como uma das prioridades a necessidade de se reduzir em 10% e 20% a ingestão de sal e de açúcares até 2027.

É preciso educar os portugueses, sobretudo crianças e adolescentes, para uma alimentação mais saudável.

Os erros alimentares e o excesso de peso e obesidade podem vir a ultrapassar o tabaco no ranking dos factores de risco que mais contribuem para a mortalidade”.

Isto mesmo é afirmado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), no Plano Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), documento que hoje é lançado para assinalar o Dia Mundial da Alimentação e onde está plasmada a estratégia para a área da nutrição até 2030.

Neste documento, a DGS alerta para o facto de, actualmente, 11,4% da mortalidade no nosso país já ter como causa a alimentação inadequada, concretamente, mais de 13 mil pessoas, sendo que 9.666 morreram devido a doenças cardiovasculares, 2.165 por doença oncológica e 1.443 por diabetes e doenças renais.

13.275 portugueses já registam causas de morte associadas a uma alimentação inadequada, nomeadamente por doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e doenças renais.

Para a autoridade nacional de Saúde, é urgente reverter esta tendência. E, neste sentido, este plano inclui duas prioridades a cinco anos, até 2027, como a redução da ingestão do teor de sal, em 10%, e dos açucares, em 20%.

Mas este plano tem ainda como objectivo “melhorar o conhecimento sobre a dieta mediterrânica”, bem como “a promoção da alimentação saudável e a prevenção e controlo de todas as formas de mal-nutrição, em particular do excesso de peso e da obesidade”, precisamente porque a continuar-se com os actuais hábitos alimentares as projecções para a 2030 são de que haverá ainda mais pessoas a morrer por esta causa, alimentação inadequada, mais do que, se calhar, ao tabaco.

No PNPAS, a DGS dá ainda nota que 56% dos portugueses (esmagadora maioria adolescentes e crianças) regista um consumo inferior a 400 gramas por dia de horto-frutícolas; que 41% dos adolescentes consume diariamente refrigerantes e que tanto estes como as crianças ingerem também diariamente mais de 10% de açúcares livres, em produtos processados.

A ingestão de sal é outro problema, estando provado que 77% dos portugueses também ingere mais de 5 gramas por dia. E como se não bastasse, 29% dos produtos ingeridos diariamente não incluem a roda dos alimentos saudáveis.

41% dos adolescentes ingerem diariamente refrigerantes, mais de 10% de açucares livres e mais de 5 gramas de sal. 29% dos alimentos que ingerem não fazem parte sequer da roda da alimentação saudável.

As orientações registadas no PNPAS 2022-2030, cujo documento estará em consulta pública a partir de hoje e durante 21 dias úteis, dão “continuidade ao trabalho iniciado em 2012, que tem como objectivo promover a saúde da população, prevenir e controlar todas as formas de mal-nutrição (alimentação inadequada, desnutrição, ingestão inadequada de vitaminas e minerais, pré-obesidade e obesidade)”, sublinha a DGS.

O PNPAS está ainda em consonância com as prioridades estratégias e recomendações da União Europeia e da Organização Mundial da Saúde, destacando ainda que se por um lado a prioridade é a promoção de uma alimentação saudável e a prevenção do excesso, por outro tem de haver uma intervenção forte por parte do sistema de saúde, quer ao nível dos cuidados primários quer dos cuidados diferenciados mais para o controlo do excesso de peso e obesidade.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
16 Outubro 2022 — 00:00