276: DART: “Missão suicida” da NASA para desviar asteróide será filmada e transmitida

CIÊNCIA/NASA/DART

Já aconteceu, pode acontecer de novo e a humanidade tem de ter uma forma de se proteger contra um asteróide massivo em rota de colisão com a Terra. Para testar a actual capacidade de podermos actuar numa situação destas, a NASA pretende promover uma colisão entre a nave DART e o asteróide Dimorphos, do sistema binário Dimorphos-Didymos.

A ideia é a chocar a nave contra a rocha para tentar um ligeiro desvio na sua órbita.

O embate está previsto para o dia 26 de Setembro e a colisão será testemunhada pelo LICIACube, um cubesat italiano.

NASA: DART ataca o alvo

A missão DART, Double Asteroid Redirection Test (Teste de Redireccionamento duplo de Asteróide), foi lançada da Terra a 24 de Novembro de 2021 e tem o objectivo de colidir uma nave contra um sistema de asteróides chamado Dydimos, que inclui o alvo Dimorphos. Não vamos seguramente assistir a uma explosão da rocha, será tentado sim um pequeno empurrão à pequena lua no sistema binário de asteróides Didymos.

Didymos é um asteróide Apollo que tem um satélite natural em órbita, uma espécie de lua, com um período de 11,9 horas, daí a denominação “Didymos”, que significa “gémeo”. O asteróide principal tem cerca de 800 metros de diâmetro, o satélite tem cerca de 150 metros de diâmetro numa órbita a cerca de 1,1 km do primário. A velocidade rotação de Didymos é rápida, 2,26 horas.

Portanto, no dia 26 de Setembro, data marcada para missão, o foco nada mais é do que acertar precisamente no pequeno asteróide satélite, sendo uma missão suicida, já que provavelmente não irá sobrar nada da nave.

Esta imagem da luz do asteróide Didymos e da sua lua em órbita Dimorphos é um composto de 243 imagens tiradas pela Didymos Reconnaissance e asteróide Camera for Optical Navigation (DRACO) a 27 de Julho de 2022. Créditos: Equipa de Navegação JPL DART da NASA

Objectivo: testar a capacidade de salvar um dia a Terra

A NASA está a olhar para missão DART como o primeiro teste real de defesa interplanetária da Terra, considerando a possibilidade de ter sucesso na tentativa de desviar um asteróide que possa ameaçar o nosso mundo. Assim, se bem sucedida, a nave irá alterar o caminho de Dimorphos. No entanto, se de facto ocorrerem alterações na sua órbita, só meses mais tarde se conseguirá perceber.

A ideia é fazer um impacto cinético em Dimorphos, ou seja, lançar a nave com força total conta o asteróide. Se tudo correr como esperado, este impacto poderá alterar o curso da órbita espacial.

Este evento será testemunhado pelo LICIACube. Trata-se de um cubesat italiano, um micro-satélite, de 14 quilos. Este será o responsável por transmitir, em tempo real, todas as informações e imagens para a Terra. Desta forma os cientistas poderão acompanhar o desenrolar do processo.

Missão que pode não surtir qualquer efeito

Todo este processo exige uma afinação nas rotas programadas para levar a nave humana até a uma rota de colisão com a pequena lua de Didymod. Assim, para que o processo seja efectivo, DART terá que ajustar a sua trajectória nas últimas quatro horas antes da colisão e garantir que o impacto seja perfeito.

O pequeno satélite LICIACube está equipado com duas câmaras ópticas e seguirá a nave DART em direcção ao asteróide Dimorphos. Assim que o satélite chegar à distância segura de mil quilómetros do local do impacto, o cubesat italiano ficará estacionado e aguardará a colisão.

Para a Terra não haverá qualquer perigo. Este evento acontecerá a 11 milhões de quilómetros do nosso planeta. Está tão afastado que não permite, por exemplo, que os astrónomos situados no planeta, o consigam ver.

Semanas depois, o que será feito é medir a rota no momento para comparara com a que já seria esperada antes da colisão. Espera-se uma variação na órbita de 12 horas do Dimorphos.

Sobre o impacto e como ficará o asteróide, não haverá qualquer informação, apenas há como objectivo que o pequeno toque que consiga o desvio sem que haja envio de informações do estado da rocha após a colisão da nave DART.

A NASA irá transmitir as imagens  da missão DART directamente da TV NASAsite ou pelo canal do YouTube da agência, às 21 horas (de Portugal continental).

Pplware
Autor: Vítor M
15 Set 2022



 

238: DART já vê o seu destino, o asteróide Didymos e a pequena lua Dimorphos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem da luz do asteróide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 imagens tiradas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) a 27 de Julho de 2022.
Crédito: Equipa de Navegação DART no JPL da NASA

A nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA obteve recentemente o seu primeiro olhar de Didymos, o sistema de asteróide duplo que inclui o seu alvo, Dimorphos. No dia 26 de Setembro, a DART vai colidir intencionalmente com Dimorphos, a pequena lua do asteróide Didymos.

Embora o asteróide não represente uma ameaça para a Terra, este é o primeiro teste mundial da técnica de impacto cinético, usando uma nave espacial para desviar um asteróide para defesa planetária.

Esta imagem da luz do asteróide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 exposições obtidas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) no dia 27 de Julho de 2022.

A partir desta distância – cerca de 32 milhões de quilómetros da DART – o sistema de Didymos ainda parece muito ténue e os especialistas da câmara de navegação não sabiam ao certo se o DRACO já seria capaz de detectar o asteróide.

Mas assim que as 243 exposições que capturou durante esta sequência de observação foram combinadas, a equipa foi capaz de melhorar composição digitalmente para revelar Didymos e assim identificar a sua localização.

“Este primeiro conjunto de imagens está a ser usado como um teste para provar as nossas técnicas de imagem”, disse Elena Adams, engenheira de sistemas da missão DART no APL (Applied Physics Laboratory) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland.

“A qualidade da imagem é semelhante à que poderíamos obter com telescópios terrestres, mas é importante mostrar que o DRACO está a funcionar correctamente e que pode ver o seu alvo para fazer quaisquer ajustes necessários antes de começarmos a utilizar as imagens para guiar a nave espacial para o asteróide de forma autónoma”.

Embora a equipa já tenha realizado várias simulações de navegação utilizando imagens não-DRACO de Didymos, a DART dependerá em última análise da sua capacidade de ver e processar imagens de Didymos e Dimorphos, assim que a lua também possa ser observada, para guiar a nave espacial em direcção ao asteróide, especialmente nas quatro horas finais antes do impacto.

Nesse momento, a DART terá de se auto-navegar para conseguir um impacto com sucesso com Dimorphos sem qualquer intervenção humana.

“Vendo as imagens DRACO de Didymos pela primeira vez, podemos determinar as melhores configurações para o DRACO e assim afinar o software”, disse Julie Bellerose, líder de navegação da DART no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. “Em Setembro, vamos refinar para onde a DART está a apontar, obtendo uma determinação mais precisa de Didymos”.

Utilizando observações feitas a cada cinco horas, a equipa DART vai executar três manobras de correcção da trajectória ao longo das próximas semanas, cada uma das quais reduzirá ainda mais a margem de erro para a trajectória necessária da nave espacial até ao impacto.

Após a manobra final de 25 de Setembro, aproximadamente 24 horas antes da colisão, a equipa de navegação conhecerá a posição do alvo Dimorphos até com uma precisão até 2 quilómetros. A partir daí, a DART estará por sua conta para se orientar autonomamente na sua colisão com a lua do asteróide.

O instrumento DRACO observou subsequentemente Didymos durante observações planeadas nos dias 12 de Agosto, 13 de Agosto e 22 de Agosto.

Astronomia On-line
9 de Setembro de 2022