920: Recaídas no cancro têm os dias contados graças a nano-partículas que matam (mesmo) as células

SAÚDE PÚBLICA/CANCRO/RECAÍDAS

A combinação de duas terapias nas nano-partículas foi muito mais eficaz a eliminar as células cancerígenas que costumam causar recaídas.

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

Um novo estudo publicado na Nature Nanotechnology detalha a criação de nano-partículas juntam os benefícios da quimioterapia com uma nova imunoterapia. Estas nano-partículas atacam o cancro e reduzem significativamente o risco de recaída na doença.

A nova imunoterapia silencia um gene que os investigadores descobriram que estava envolvido na supressão do sistema imunitário. Quando combinada com um medicamento de quimioterapia já existente nas nano-partículas, este tratamento reduziu o tamanho dos tumores em ratos com cancro do cólon e do pâncreas.

A quimioterapia é o principal pilar no tratamento do cancro, mas podem persistir células cancerígenas residuais que levam ao reaparecimento da doença.

Este processo envolve um lípido chamado fosfatidilserina (PS), que geralmente se encontra dentro da camada interior da membrana celular do tumor e que depois migra para a superfície da célula em resposta aos medicamentos da quimioterapia. Na superfície, o lípido protege as células do cancro do sistema imunitário.

Os autores do estudo descobriram que tratamentos com os medicamentos fluorouracil e oxaliplatina (FOXP) causaram uma redução da proteína Xkr8, que controla a distribuição do PS na membrana da célula.

Isto sugere que bloquear a acção da Xkr8 ajuda a evitar que o PS venha para superfície da célula e que proteja o cancro das defesas do sistema imunitário.

As nano-partículas são tipicamente demasiado grandes para atravessarem os vasos sanguíneos nos tecidos saudáveis, mas podem chegar às células cancerígenas porque os tumores por vezes têm vasos mal desenvolvidos e com buracos que permitem a sua passagem.

No caso desta terapia, quando as nano-partículas foram injectadas nos ratos, cerca de 10% chegaram aos tumores — uma melhoria significativa relativamente a outras nano-transportadores.

Uma análise anterior estimou que apenas 0,7% das doses de nano-partículas chegam, em média, aos seus alvos.

O tratamento que combinou as duas terapias reduziu dramaticamente a migração do PS para a superfície da célula em comparação a nano-partículas que tinham apenas o FOXP. Verificou-se o mesmo nos testes com ratos que tinham cancro do cólon e do pâncreas, lê-se no comunicado de imprensa.

Devido a tudo isto, os ratos que receberam as nano-partículas mostraram uma redução dramática no tamanho do tumor em relação aos animais que receberam nano-partículas com apenas uma das terapias.

ZAP //
26 Novembro, 2022



 

378: Ensaios mostram que novo tratamento para Alzheimer reduz em 27% declínio cognitivo

SAÚDE PÚBLICA/ALZHEIMER/TRATAMENTO

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”.

O tratamento Lecanemab reduz em 27% o declínio cognitivo de pacientes nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, segundo os resultados preliminares de ensaios clínicos com quase 1.800 pessoas, divulgaram as farmacêuticas Eisai e Biogen.

Este novo medicamento para o Alzheimer é o primeiro a demonstrar claramente em ensaios clínicos que retarda a progressão da doença, reduzindo o declínio cognitivo em 27% dos pacientes tratados, durante um período de 18 meses, nos estágios iniciais da doença.

Estes resultados preliminares surgem após ensaios clínicos realizados em quase 1.800 pessoas, metade das quais recebeu o tratamento e a outra metade um placebo.

A Eisai e a Biogen planeiam publicar os resultados completos numa revista científica e apresentar pedidos de autorização de comercialização para o tratamento nos Estados Unidos, Japão e Europa antes do final de Março de 2023.

Os benefícios do medicamento para os pacientes “são modestos, mas reais”, e estes resultados são, portanto, “realmente encorajadores”, destacou o professor de neuro-ciência da University College London, John Hardy.

“Se os dados resistirem ao escrutínio, esta é uma notícia fantástica”, destacou, por sua vez, Tara Spires-Jones, da Universidade de Edimburgo.

O tratamento não leva a “uma cura”, mas “retardar o declínio cognitivo e assim preservar a possibilidade de realizar as actividades diárias normais já é uma grande vitória”, sublinhou.

O medicamento terá, no entanto, que ser examinado “no que diz respeito aos riscos de efeitos colaterais” detectados, “incluindo inflamação e sangramento no cérebro”, alertou Charles Marshall, da Universidade Queen Mary de Londres.

De qualquer forma, os resultados mostram que atacar as placas amiloides no cérebro, como faz o Lecanemab, “merece exploração contínua como estratégia de tratamento”, acrescentou.

Os pacientes com Alzheimer têm placas de proteínas, chamadas amiloides, que se formam ao redor dos seus neurónios e, eventualmente, os destroem.

Mas o papel preciso dessas placas na doença, se são a causa ou a consequência de outros fenómenos, é cada vez mais objecto de debate na comunidade científica.

Outro tratamento do laboratório norte-americano Biogen, chamado Aduhelm e também direccionado às placas amiloides, gerou muitas esperanças em 2021, por ser o primeiro medicamento aprovado nos Estados Unidos contra a doença desde 2003.

Mas também causou polémica, pois a agência norte-americana de medicamentos (FDA) foi contra a opinião de um comité de especialistas, que julgou que o tratamento não tinha demonstrado suficientemente a sua eficácia durante os ensaios clínicos.

Mais tarde, a FDA restringiu o seu uso apenas a pessoas com casos leves da doença.

Diário de Notícias
Lusa/DN
29 Setembro 2022 — 09:14