238: DART já vê o seu destino, o asteróide Didymos e a pequena lua Dimorphos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem da luz do asteróide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 imagens tiradas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) a 27 de Julho de 2022.
Crédito: Equipa de Navegação DART no JPL da NASA

A nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA obteve recentemente o seu primeiro olhar de Didymos, o sistema de asteróide duplo que inclui o seu alvo, Dimorphos. No dia 26 de Setembro, a DART vai colidir intencionalmente com Dimorphos, a pequena lua do asteróide Didymos.

Embora o asteróide não represente uma ameaça para a Terra, este é o primeiro teste mundial da técnica de impacto cinético, usando uma nave espacial para desviar um asteróide para defesa planetária.

Esta imagem da luz do asteróide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 exposições obtidas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) no dia 27 de Julho de 2022.

A partir desta distância – cerca de 32 milhões de quilómetros da DART – o sistema de Didymos ainda parece muito ténue e os especialistas da câmara de navegação não sabiam ao certo se o DRACO já seria capaz de detectar o asteróide.

Mas assim que as 243 exposições que capturou durante esta sequência de observação foram combinadas, a equipa foi capaz de melhorar composição digitalmente para revelar Didymos e assim identificar a sua localização.

“Este primeiro conjunto de imagens está a ser usado como um teste para provar as nossas técnicas de imagem”, disse Elena Adams, engenheira de sistemas da missão DART no APL (Applied Physics Laboratory) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland.

“A qualidade da imagem é semelhante à que poderíamos obter com telescópios terrestres, mas é importante mostrar que o DRACO está a funcionar correctamente e que pode ver o seu alvo para fazer quaisquer ajustes necessários antes de começarmos a utilizar as imagens para guiar a nave espacial para o asteróide de forma autónoma”.

Embora a equipa já tenha realizado várias simulações de navegação utilizando imagens não-DRACO de Didymos, a DART dependerá em última análise da sua capacidade de ver e processar imagens de Didymos e Dimorphos, assim que a lua também possa ser observada, para guiar a nave espacial em direcção ao asteróide, especialmente nas quatro horas finais antes do impacto.

Nesse momento, a DART terá de se auto-navegar para conseguir um impacto com sucesso com Dimorphos sem qualquer intervenção humana.

“Vendo as imagens DRACO de Didymos pela primeira vez, podemos determinar as melhores configurações para o DRACO e assim afinar o software”, disse Julie Bellerose, líder de navegação da DART no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. “Em Setembro, vamos refinar para onde a DART está a apontar, obtendo uma determinação mais precisa de Didymos”.

Utilizando observações feitas a cada cinco horas, a equipa DART vai executar três manobras de correcção da trajectória ao longo das próximas semanas, cada uma das quais reduzirá ainda mais a margem de erro para a trajectória necessária da nave espacial até ao impacto.

Após a manobra final de 25 de Setembro, aproximadamente 24 horas antes da colisão, a equipa de navegação conhecerá a posição do alvo Dimorphos até com uma precisão até 2 quilómetros. A partir daí, a DART estará por sua conta para se orientar autonomamente na sua colisão com a lua do asteróide.

O instrumento DRACO observou subsequentemente Didymos durante observações planeadas nos dias 12 de Agosto, 13 de Agosto e 22 de Agosto.

Astronomia On-line
9 de Setembro de 2022