818: Fracasso? Depois do impasse, a desilusão (e um discurso inflamado) na COP27

COP27/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Um “passo muito curto para os habitantes do planeta”, lamenta a União Europeia. Sem acordo, conferência das ONU teve mais um dia do que o previsto.

Sedat Suna/EPA-EFE

A União Europeia disse hoje estar desiludida com a falta de ambição na redução das emissões de gases com efeito de estufa no acordo aprovado pela 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

“O que temos aqui é um passo muito curto para os habitantes do planeta. Não proporciona esforços adicionais suficientes por parte dos principais emissores para aumentar e acelerar as suas reduções de emissões”, disse Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, num discurso inflamado, na sessão plenária final da COP27, após duas semanas de conferência, no Egipto.

A conferência anual do clima da ONU aprovou hoje um acordo que prevê a criação de um fundo para financiar danos climáticos sofridos por países “particularmente vulneráveis”, numa decisão descrita como histórica.

A resolução foi adoptada por unanimidade em assembleia plenária, seguida de aplausos estrondosos, no final da conferência anual do clima da ONU.

A resolução enfatiza a “necessidade imediata de recursos financeiros novos, adicionais, previsíveis e adequados para ajudar os países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis” aos impactos “económicos e não económicos” das alterações climáticas.

Entre essas possíveis modalidades de financiamento está a criação de um “fundo de resposta a perdas e danos”, uma reivindicação dos países em desenvolvimento.

As modalidades de implementação do fundo terão de ser elaboradas por uma comissão especial, para serem adoptadas na próxima COP28, no final de 2023, nos Emirados Árabes Unidos.

A questão das “perdas e danos”, que esteve mais do que nunca no centro de debate, após as devastadoras inundações que atingiram recentemente o Paquistão e a Nigéria, quase inviabilizou a COP27.

Esta manhã, os delegados tinham aprovado o fundo de compensação, mas não tinham lidado com as questões controversas, como a meta para controlar a subida da temperatura, cortes nas emissões de gases com efeito de estufa e limitação gradual de combustíveis fósseis.

Ao amanhecer, a União Europeia e outras nações impunham-se contra o que consideravam ser um retrocesso no acordo da presidência egípcia, ameaçando afundar o resto do processo.

O acordo foi novamente revisto.

Não é tão forte quanto gostaríamos que fosse, mas não vai contra” aquilo que foi decidido na conferência climática da ONU do ano passado, disse o ministro do Clima norueguês, Espen Barth Eide.

O acordo inclui uma referência velada aos benefícios do gás natural como energia de baixa emissão, apesar de muitas nações apelarem a uma redução gradual da utilização do gás natural, que contribui para as alterações climáticas.

Este novo acordo não prevê uma redução das emissões, mas mantém vivo o objectivo global de limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius. A presidência egípcia tinha retomado propostas que remontavam a 2015, que mencionavam um objectivo mais flexível de dois graus.

A 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas começou em 06 Novembro e terminou hoje em Sharm-el-Sheik, no Egipto, juntando mais de 35 mil participantes, nomeadamente vários líderes de países, com cerca de duas mil intervenções sobre mais de 300 tópicos.

Lusa // ZAP
20 Novembro, 2022



 

801: No Egipto, os escravos eram tratados como animais. As marcas no corpo confirmam

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/EGIPTO/ESCRAVOS

Ferros em chamas eram utilizados para marcar os escravos, como sinal de propriedade do faraó.

Johann Moritz Rugendas / Wikimedia
Pintura mostra cenário de um navio que transportava escravos para as Américas

O Egipto ficou na história como um local de grandes avanços, de grandes pirâmides, de inovações significativas.

Mas, tal como em quase todo o lado – recordemos os ‘Descobrimentos’ feitos pelos portugueses – há registos igualmente marcantes, mas menos positivos.

“Marcantes” é uma palavra adequada para o estudo revelado no The Journal of Egyptian Archaeology, citado pelo portal The Jerusalem Post.

A investigação demonstra – ou confirma – que os escravos eram literalmente marcados, tal como gado, no antigo Egipto.

As marcas eram feitas para identificar aquelas pessoas como propriedade de um determinado faraó.

As marcas realizadas com ferro em chamas serviam, não só para sinalizar a propriedade, mas também para mostrar que os escravos estavam ao nível do gado, naquela sociedade.

Os escravos tinham no corpo marcas diferentes das outras pessoas da época. Não eram uma espécie de tatuagem ou “arte corporal” daquela altura. Seriam mesmo marcas propositadas.

A descoberta de diversos ferros que eram demasiado pequenos para marcar gado originou esta associação por parte dos investigadores.

Foram 10 ferros descobertos, que datam aproximadamente do período entre o ano 1292 a.C. até 656 a.C..

Ou seja, mais de 600 anos a marcar pessoas.

Os séculos passaram e houve coisas que não mudaram: no século XIX, há tão “pouco” tempo, foram utilizados ferros semelhantes para marcar escravos na Europa.

ZAP //
19 Novembro, 2022