572: Por 185 votos contra 2 (e 2 abstenções), ONU pede fim do embargo a Cuba

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Resolução que Havana apresenta há 30 anos foi aprovada com largo consenso, tendo tido só com o voto contra dos EUA e de Israel e a abstenção de Brasil e Ucrânia.

Estudantes universitários assistem, num ecrã gigante em Havana, ao discurso do chefe da diplomacia.
© EPA/Ernesto Mastrascusa

Com o voto contrário dos Estados Unidos e de Israel e abstenções do Brasil e da Ucrânia, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quinta-feira, por esmagadora maioria, uma resolução apresentada por Cuba que pede o fim do embargo americano imposto há 60 anos.

Com 185 votos a favor, a resolução pede o “fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba” e defende a “igualdade soberana” dos Estados, a “não-ingerência nos seus assuntos internos” e a “liberdade de comércio e de navegação”.

A resolução tem sido aprovada todos os anos desde 1992, tendo o ano de 2020 sido a excepção, por causa das restrições da pandemia de covid-19.

Em 2016, num ano que ficou marcado pela visita do então presidente norte-americano Barack Obama à ilha, os EUA abstiveram-se pela única vez nesta votação. A administração de Donald Trump recuou e voltou a votar contra, com a actual, de Joe Biden, a manter a mesma política.

O voto desde ano foi quase igual ao do ano passado. A única diferença foi a Colômbia, que passou da abstenção para o voto a favor. O país tem desde Agosto, e pela primeira vez na História, um presidente de esquerda, Gustavo Petro.

Imposto em Fevereiro de 1962, em plena Guerra Fria, pelo então presidente John F. Kennedy, o embargo que tem sido reforçado progressivamente para asfixiar o regime comunista, “tem efeito de uma pandemia permanente, de um furacão constante”, lamentou o chefe da diplomacia cubano, Bruno Rodríguez, na tribuna da ONU.

Segundo o ministro, nos primeiros 14 meses da Administração de Biden, os “prejuízos” ocasionados pelo embargo ultrapassaram os seis mil milhões de dólares e 154 mil milhões em seis décadas.

Diário de Notícias
DN com AFP
03 Novembro 2022 — 19:02