998: Maior vulcão activo do mundo acordou quase 40 anos depois

CIÊNCIA / VULCANOLOGIA / HAVAI / ERUPÇÃO

Chama-se Mauna Loa Loa, está localizado no Havai, e é, actualmente, o maior vulcão activo do mundo. Depois de 38 anos adormecido, está em erupção desde a noite de domingo.

Os cientistas e as autoridades já haviam avisado sobre a possibilidade de erupção.

Passava das 23h (10h30 de segunda, em Lisboa) quando, no Havai, o vulcão Mauna Loa Loa acordou, depois de quase 40 anos adormecido. A informação foi adiantada pelo United States Geological Survey que, numa actualização feita na segunda-feira de manhã, deu conta que a lava estava a sair do lado nordeste do vulcão, conhecido como a Zona de Elevação do Nordeste.

Os fluxos de lava não estão a ameaçar quaisquer comunidades e todas as indicações são de que a erupção permanecerá na Zona de Elevação do Nordeste.

Garantiu o United States Geological Survey, acrescentando o alerta de que os ventos poderiam transportar cinzas vulcânicas, gás e vidro para outros locais.

Além disso, o United States Geological Survey esclareceu que, com base em acontecimentos passados, as “fases iniciais de uma erupção do vulcão Mauna Loa podem ser muito dinâmicas e a localização e avanço dos fluxos de lava podem mudar rapidamente”.

Embora as autoridades não tenham emitido nenhuma ordem de evacuação, por acreditarem que a erupção não terá outros impactos, o Hawaii News Now relatou que foram abertos vários abrigos.

As pessoas com doenças respiratórias devem permanecer dentro de casa, para evitar inalar as partículas de cinzas, e qualquer pessoa no exterior deve cobrir a boca e o nariz com uma máscara ou um pano.

Alertou o National Weather Service, recordando que as cinzas podem contaminar a água e as culturas, danificar edifícios e equipamentos e prejudicar a saúde.

Segundo o National Park Service, o vulcão Mauna Loa eleva-se em mais de 4.145 metros acima do Oceano Pacífico e a sua base subaquática ronda os 9.000 metros. Esta estrutura colossal torna este vulcão mais alto do que o Monte Evereste.

O vulcão entrou em erupção 33 vezes, desde a sua primeira “erupção histórica devidamente documentada”, em 1843. O fenómeno não acontecia desde 1984 e deu-se, conforme previsto pelos cientistas e pelas autoridades, algumas semanas após os terramotos que estavam a ter lugar no seu cume.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
29 Nov 2022



 

256: Cientistas alertam: o mundo não está preparado para a próxima super-erupção

VULCANOLOGIA/ERUPÇÕES

Além dos elementos provocados ou acelerados pelos seres humanos, existem outros que, de forma natural, poderão não poupar a humanidade. Exemplo disso são as erupções vulcânicas, apontadas por dois investigadores como um perigo desvalorizado.

Na opinião dos autores de um novo artigo, a preparação para possíveis asteróides é mais prudente, apesar de a probabilidade de uma super-erupção ser superior.

A Terra recebeu-nos carregada de perigos, antes mesmo de os potencializarmos ou criarmos nós mesmos. Aliás, mesmo que a humanidade consiga sobreviver, apesar das alterações climáticas ou de eventos como a guerra, existem outras ameaças naturais à nossa espécie.

Conforme ressalva o Science Alert, um dos perigos mais flagrantes é a possibilidade de um ou mais asteróides devastar os seres humanos da mesma forma que devastou os dinossauros, há milhões e milhões de anos. Por isso, cientistas estudam e procuram formas de precaver a vida na Terra.

Contudo, segundo dois investigadores, a ansiedade relativamente aos asteróides não pode sobrepor-se a outro perigo colossal: os vulcões. Na opinião de ambos, enquanto a preparação para os asteróides tem sido prudente, com governos e agências a direccionar centenas de milhões de dólares para a defesa planetária, o investimento na preparação para uma super-erupção tem sido deixado para trás e sido desvalorizado.

Ao longo do próximo século, as erupções vulcânicas em grande escala têm centenas de vezes mais probabilidades de ocorrer do que os impactos de asteróides e cometas.

Escreveram Michael Cassidy e Lara Mani, professor de vulcanologia na Universidade de Birmingham e associada de investigação no Centro de Estudos de Risco Existencial da Universidade de Cambridge, respectivamente, alertando que “isto precisa de mudar”.

Michael Cassidy, professor de vulcanologia na Universidade de Birmingham

Vulcões são desvalorizados, mas representam um perigo iminente

Conforme se lê no Science Alert, embora os vulcões sejam menos “exóticos” do que as bolas de fogo que recebemos do espaço, essas estruturas geológicas já estão espalhadas pela Terra, “muitas vezes cobertas por cenários pitorescos que escondem o seu potencial destrutivo”.

Além disso, apesar de os humanos já terem conhecido violentas erupções, a verdade é que a última super-erupção aconteceu há cerca de 22.000 anos, de acordo com o US Geological Survey.

Super-erupção

Aquela com uma magnitude 8, a classificação mais alta no Volcanic Explosivity Index.

A mais recente erupção de magnitude 7 aconteceu em 1815, no Mount Tambora, na Indonésia, e matou cerca de 100.000 pessoas. Além da acção devastadora e direita da lava que o vulcão libertou, as consequências indirectas surgiram em efeito dominó: as cinzas e o fumo consequente reduziram as temperaturas globais em cerca de 1º C, em média, causando o “Ano Sem Verão”, em 1816, e provocando falhas generalizadas de colheitas, que promoveram a fome, surtos de doenças e violência.

Apesar de a monitorização dos vulcões, bem como os apoios direccionados à assistência em caso de catástrofe, tenha melhorado desde essa altura, ainda não é suficiente para o risco que enfrentamos.

Afinal, a população humana cresceu exacerbadamente, os dois autores ressalvam que continua a haver áreas urbanas a nascer muito perto de vulcões considerados perigosos.

Os autores do artigo publicado na Nature, garantiram que são precisas uma série de melhoramentos, por forma a garantir que uma super-erupção não destrói a humanidade:

  • Investigação interdisciplinar para ajudar a prever como uma super-erupção pode prejudicar a civilização, identificando riscos para o comércio, agricultura, energia e infra-estruturas;
  • Monitorização mais abrangente dos vulcões, incluindo monitorização terrestre e observação aérea e por satélite;
  • Sensibilização e educação da comunidade, uma vez que as pessoas precisam de saber se vivem em zonas de perigo vulcânico, precisam de aprender como se preparar para uma erupção, e o que fazer quando esta acontecer;
  • Definição, pelas autoridades, de formas de transmitir alertas públicos quando os vulcões entram em erupção, como mensagens de texto com detalhes sobre evacuações, dicas para sobreviver a uma erupção, ou instruções para abrigos e instalações de cuidados de saúde.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
11 Set 2022