36: Nova secretária de Estado da Agricultura com contas arrestadas

– O Livre defende – e bem, no meu entender “… que uma das soluções para que este tipo de situações não volte a acontecer “é o escrutínio através de audições prévias dos candidatos a governantes na Assembleia da República”, como acontece em vários países, assim como na União Europeia, “onde esta averiguação prévia é feita para minimizar situações irregulares e possíveis conflitos de interesses”

São broncas atrás de broncas! Mas esta gente (da governança) quando escolhe ministros, secretários, sub-secretários, não tem conhecimento do passado desta nova gente que vai ocupar lugares públicos e, neste caso, de governo? Já começa  a tresandar…

🇵🇹 GOVERNO // BRONCAS SOBRE BRONCAS

published in: 4 semanas 

Carla Alves Pereira, a secretária de Estado da Agricultura ontem empossada, tem diversas contas arrestadas, na sequência de uma investigação que visa o marido, avança esta quinta-feira o Correio da Manhã. Está previsto que a governante faça, ainda hoje, uma declaração.

© Leonardo Negrão / Global Imagens

A nova secretária de Estado da Agricultura, Carla Alves Pereira, ontem empossada pelo presidente da República, tem diversas contas arrestadas, na sequência de uma investigação que visa o marido, Américo Pereira, ex-presidente da Câmara de Vinhais, segundo avança o Correio da Manhã na edição desta quinta-feira.

A governante irá fazer, durante o dia de hoje, uma declaração no seguimento desta notícia. O mesmo deve fazer o marido.

De acordo com a publicação, a PJ conseguiu o levantamento do segredo bancário concluindo que a agora governante, então funcionária em instituições públicas, recebia mais dinheiro do que aquele que declarava.

Segundo o jornal, em 2015, o casal declarou rendimentos de 135 mil euros, mas na banca entraram 338 mil euros. Em 2017, o casal terá ganho cerca de 61 mil euros e acabou por depositar 107 mil nas contas conjuntas.

As contas conjuntas do casal estarão arrestadas desde Março de 2022 e pretende-se a devolução de cerca de 700 mil euros ao Estado.

Ainda segundo o CM, o Ministério Público terá pedido o julgamento do marido da governante por suspeitas de corrupção e prevaricação no negócio da venda do seminário.

Carla Alves Pereira, natural de Bragança, tem 52 anos e é licenciada em Engenharia Zootécnica pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Era directora regional de Agricultura e Pescas do Norte desde Dezembro de 2018, tendo sido antes, a partir de 2007, directora do Parque Biológico de Vinhais. Carla Alves faz parte do quadro técnico da Câmara Municipal de Vinhais desde 2000.

Carla Alves substituir Rui Martinho que abandonou as funções de Secretário de Estado da Agricultura por motivos de saúde.

Diário de Notícias
DN
05 Janeiro 2023 — 09:12



 

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29: Alexandra Reis: a negociadora

 

🇵🇹 HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Publicado: 1 mês 

Alexandra Reis é natural de Leiria

Sem filiação partidária ou experiência política conhecidas, Alexandra Reis pode gabar-se de ter merecido a confiança dos dois ministros rivais, conhecendo-se a exigência de ambos nessa matéria. E de os ter colocado em causa, de uma assentada.

Em Maio de 2022, é oradora numa talk dedicada ao tema “Negociar salários e orçamentos”. O “Executiva” – site “de carreira para mulheres”, dirigido essencialmente “a empresárias, gestoras e empreendedoras” -, responsável pelo evento, apresenta a “especialista em negociação” e garante que a “docente em programas para executivos” deixará “ideias muito úteis sobre este tema no “Bootcamp Executiva: 8 atitudes para acelerar a sua carreira”.

Em Setembro do mesmo ano, no mesmo site, a já então CEO da Navegação Aérea de Portugal (NAV) revela o segredo de um bom negociador: “Preparação, preparação, preparação”. E deixa “um conselho fundamental” ao processo de entendimento: “Sermos fiéis ao nosso valor, actuar com ética e respeito pelo outro”.

Na mesma entrevista, vai mais longe. Questionada sobre as funções anteriores – administradora da TAP -, diz ter “abraçado o desafio com espírito de missão”. Que o importante “era acudir à empresa”, uma empresa “crítica”.

Descreve o desafio – “Implementação de etapas-chave do processo e reestruturação, de redução de custos, suportado por um conjunto de recursos muito escassos”, para concluir: “Espero que nenhuma empresa volte a sentir com aquela intensidade”. Por isso, agradece “o sacrifício e o contributo de várias equipas, todas com um compromisso e dedicação inigualáveis”.

Alexandra Reis, a recém-demitida secretária de Estado do Tesouro, foi um dos rostos da reestruturação da companhia aérea e da execução de um plano que exigiu o corte de 25% da massa salarial da TAP, e levou à saída de cerca de três mil trabalhadores.

Em Fevereiro de 2022 – demitiu-se ou foi demitida? – chegou a vez da gestora. E quando chega a vez dela, Reis pede à TAP uma indemnização de 1,4 milhões de euros, vindo a assinar a rescisão por meio milhão, líquido. 336 mil euros dizem respeito a remunerações correspondentes a um ano de trabalho por cumprir, num contrato que fechava a 31 de Dezembro de 2024.

Acontece, porém, que, apenas quatro meses depois de ter recebido 500 mil euros, a negociadora é escolhida por Fernando Medina, das Finanças, e por Pedro Nuno Santos, das Infra-estruturas (que acabou por cair devido à polémica), para presidir à NAV (Navegação Aérea de Portugal).

Passagem breve: a convite de Fernando Medina, sobe a secretária de Estado do Tesouro. Para uma passagem brevíssima: menos de um mês e é demitida.

Sem filiação partidária ou experiência política conhecidas, Alexandra Reis pode gabar-se de ter merecido a confiança dos dois ministros rivais, conhecendo-se a exigência de ambos nessa matéria. E de os ter colocado em causa, de uma assentada.

No PS, pergunta-se: “Por onde terá chegado a Medina e a Pedro Nuno Santos?”. Não se sabe. “No partido não tem história”, diz um militante socialista. Que brinca: “Terá vindo a conselho de Lacerda Machado, que é como se sabe um fanático da aviação?”.

Estranho é, dizem, “que antes de um convite para o Governo não haja quem faça, nem que seja uma busca no Google, por saber o mínimo sobre o convidado. São surpresas a mais”.

Nada surpreendidos com tamanha indemnização ficaram Tiago Lopes (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil) e Ricardo Penarroias (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil). “Nunca reuni com ela, mas sei que é uma negociadora altamente intransigente.

Para tirar aos trabalhadores e para dar a ela, como se vê”, atira Tiago Lopes. “Será que recebeu os 500 mil euros a prestações, como aconteceu com todos os trabalhadores indemnizados acima de 50 mil euros? Esta é uma das muitas perguntas para as quais exigimos respostas.”

Com uma pós-graduação e posterior docência na AESE, bussiness scholl conotada com a Universidade de Navarra – por sua vez, associada à Opus Dei -, Alexandra Reis explicou ao “Executiva” o que a levou à Engenharia Tecnológica.

“Aos 18 anos não tinha bem ideia do que queria ser, não fazia ideia do que era o mercado de trabalho, acabei para o fazer uma escolha pragmática. (…) Porque tinha a ideia de que isto das tecnologias tinha futuro.” Tinha.

Alexandra Margarida Vieira Reis
Nascimento:
1974
Nacionalidade: Portuguesa (Leiria)

Notícias Magazine
por Alexandra Tavares-Teles
fotos Ilustração: João Vasco Correia
03/01/2023



 

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