999: Adeus, foguetões? Elevadores espaciais não são ficção científica

CIÊNCIA / FÍSICA / ESPAÇO / TECNOLOGIA

Estão longe de ser ficção científica. Cientistas estão a trabalhar em elevadores espaciais, estando mais perto do que nunca de torná-los uma realidade.

Um elevador espacial é um plano para uma estrutura destinada a transportar carga da superfície de um planeta para o Espaço. O seu objectivo é eventualmente substituir os foguetões na tarefa de colocar cargas em órbita.

O primeiro conceito de elevador espacial surgiu em 1895, quando o cientista russo Konstantin Tsiolkovsky se inspirou na Torre Eiffel para criar uma torre que chegasse ao Espaço.

A torre seria construída até uma altitude de 35.790 km.

O físico Stephen Cohen, que trabalha em elevadores espaciais há quase 20 anos, publicou um artigo na Scientific American em que refere que está mais perto do que nunca de se tornar uma realidade. No entanto, realça que ainda há alguns desafios pela frente.

Os materiais actualmente disponíveis não são fortes e leves o suficiente para tornar um elevador espacial prático. Algumas fontes esperam que avanços futuros em nanotubos de carbono possam levar a um design prático. Outros acreditam que os nunca serão fortes o suficiente.

Se esquecermos as dificuldades, um elevador espacial traria benefícios significativos. Cohen fala numa enorme poupança de energia e custos como a principal vantagem.

“Foguetões como meio de transporte são absurdos. Para uma típica missão espacial, mais de 90% da massa total na plataforma de lançamento é o combustível! É como estar num carro sem motor, com apenas um tanque de combustível de 100.000 litros”, atira Cohen.

“Outro motivo que muitas vezes é esquecido é a acessibilidade. A expressão ‘missão espacial’ seria substituída por ‘trânsito‘, pois as viagens ao Espaço tornar-se-iam rotineiras e, na maioria das vezes, independentes das condições climatéricas”, escreve o perito.

Pat Rawlings / NASA
Conceito artístico de um elevador espacial.

Para construir um elevador espacial seria necessário lançar um cabo de um satélite para a Terra, que seria fixado ao nosso planeta. Este cabo seria a via para levar cargas necessárias para o Espaço.

“Para o construir, precisamos de um material cuja resistência específica seja cerca de 50 vezes maior que o aço. Mas, enquanto isso, eu e um punhado de outras pessoas no mundo estamos a fingir que esse problema será resolvido e a abordar outros aspectos da engenharia de elevadores espaciais enquanto esperamos”, explica Cohen.

O físico calcula que ainda será necessário esperar pelo menos dez anos para ser resolvido o problema do material para o cabo. Mas quanto tempo demoraremos ainda até ter o elevador efectivamente pronto?

Um dos mais importantes contributos para a ideia de um elevador espacial foi dado pelo famoso engenheiro, inventor e autor de ficção científica Arthur C. Clarke, autor do livro 2001: Odisseia no Espaço. O seu romance ‘The Fountains of Paradise’ narra a construção do primeiro elevador espacial.

No início dos anos 90, questionado sobre quando poderíamos ter um elevador espacial a funcionar, deu uma resposta que ficou famosa: “Provavelmente cerca de 50 anos depois de todos pararem de se rir“.

Mas uma resposta mais actual pode ser: ‘Saberemos que estamos perto quando Elon Musk começar a receber o crédito por isso’”, lê-se no texto de Cohen.

ZAP //
30 Novembro, 2022



 

942: Inédito: sementes no Espaço para ter cultivos mais resistentes às mudanças climáticas

TECNOLOGIA/CULTURA/SEMENTES/ESPAÇO

“Este é um caminho promissor para melhores processos agrícolas, melhor nutrição e, consequentemente, melhor qualidade de vida para toda a população mundial”.

Arek Socha / Pixaba

Duas agências da ONU – a Aiea, Agência Internacional de Energia Atómica, e a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – uniram-se para uma iniciativa inédita em todo o mundo: enviar sementes para o Espaço, a fim de colocá-las em condições extremas que ajudem a desenvolver novas culturas mais resistentes às mudanças climáticas.

As duas primeiras espécies eleitas para a experiência foram a planta Arabidopsis, já amplamente utilizada em testes genéticos devido às suas características, e o grão Sorgo, que possui grande variedade de nutrientes e já é muito usado para alimentação humana e também nos processos de produção de ração animal e etanol.

As sementes das duas espécies ficarão expostas durante cerca de três meses a ambientes internos e externos da Estação Espacial Internacional em condições de micro-gravidadeuma mistura complexa de radiação cósmica e temperaturas extremamente baixas”, segundo a Aiea.

Após esse período, as sementes retornarão à Terra e serão monitoradas de perto pelos cientistas das duas agências da ONU, a fim de identificar possibilidades de mutação para novas variedades de suas espécies.

“Milhões de pequenos agricultores em todo o mundo lidam, diariamente, com condições de cultivo cada vez mais desafiadoras. Esse experimento pretende dar luz à capacidade da ciência nuclear em contribuir nesse cenário de combate às mudanças climáticas, a partir do fornecimento de sementes resilientes e de alta qualidade que vão ajudar esses agricultores a adaptar-se ao clima e a aumentar o seu suprimento de alimentos”, explicou Rafael Grossi, director-geral da Aiea.

Ainda segundo ele, apesar de este ser o primeiro experimento feito no espaço, a Aiea e a FAO já actuam há quase 60 anos, de forma conjunta, na indução de mutações em plantas, visando desenvolver novas variedades de culturas agrícolas.

A parceria já criou cerca de 3,4 mil novas variedades de mais de 210 espécies de plantas, que já foram liberadas oficialmente para uso comercial em 70 países.

“Este é um caminho promissor para melhores processos agrícolas, melhor nutrição e, consequentemente, melhor qualidade de vida para toda a população mundial”, finalizou Grossi.

The Greenest Post // ZAP
27 Novembro, 2022

No Facebook não se pode falar mal da Besta de Leste, um russonazi 🇷🇺☠️卐☠️🇷🇺 terrorista, assassino e psicopata demente!



 

893: Meteorito reforça a tese de que a água da Terra veio do Espaço

CIÊNCIA/ESPAÇO/ÁGUA

Um meteorito que caiu na cidade de Winchcombe, no sudeste da Inglaterra, no ano passado, continha água que correspondia quase perfeitamente com a existente na Terra.

Museu de História Natural
Um dos fragmentos recuperados do meteorito Winchcombe.

Isso reforça a ideia de que rochas do Espaço podem ter trazido componentes químicos importantes, incluindo água, para o nosso planeta no início da sua história, há mil milhões de anos. Este meteorito é considerado o mais importante alguma vez recuperado no Reino Unido.

Os cientistas, que acabaram de publicar a primeira análise detalhada, dizem que o objecto rendeu informações fascinantes.

Mais de 500g de detritos escuros foram recolhidos de jardins residenciais, calçadas e campos depois de uma bola de fogo gigante iluminar o céu nocturno de Winchcombe.

Os restos fragmentados foram cuidadosamente catalogados no Museu de História Natural de Londres e depois emprestados a equipas de toda a Europa para serem investigados.

A água representava até 11% do peso do meteorito — e continha uma proporção muito semelhante de átomos de hidrogénio à da água na Terra.

Alguns cientistas dizem que quando a Terra era jovem era tão quente que teria expelido grande parte do seu conteúdo volátil, incluindo água.

O facto de a Terra ter tanta água hoje — 70% da sua superfície é coberta por oceanos — sugere que deve ter havido um acréscimo posterior.

Alguns afirmam que isso pode ser proveniente de um bombardeio de cometas gelados — mas a composição química deles não coincide tanto. Mas os condritos carbonáceos — meteoritos como o de Winchcombe — certamente coincidem. E o facto de ter sido recuperado menos de 12 horas após a queda significa que absorveu muito pouca água terrestre, ou até mesmo quaisquer contaminantes.

“Todos os outros meteoritos foram comprometidos de alguma forma pelo ambiente terrestre”, diz Ashley King, co-autor principal do estudo, do Museu de História Natural de Londres, à BBC News. “Mas o de Winchcombe é diferente por causa da rapidez com que foi recolhido”.

“Isso significa que, quando analisamos (o meteorito), sabemos que a composição que estamos a ver leva-nos de volta à composição no início do Sistema Solar, há 4,6 mil milhões de anos”.

“Fora buscar amostras de rocha de um asteróide com uma nave espacial, não poderíamos ter um espécime mais intocado”.

Trajectória precisa

Os cientistas que examinaram os compostos orgânicos que continham carbono e azoto do meteorito, incluindo os seus aminoácidos, tiveram uma imagem igualmente nítida. É o tipo de química que poderia ter sido matéria-prima para a biologia começar nos primórdios da Terra. A nova análise também confirma a origem do meteorito.

As imagens dos vídeos da bola de fogo permitiram que os investigadores elaborassem uma trajectória muito precisa. Um cálculo retroactivo indica que o meteorito veio da parte externa do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

Outros estudos revelam que se desprendeu da parte superior de um asteróide maior possivelmente devido a uma colisão.

De seguida, levou apenas de 200 mil a 300 mil anos para chegar à Terra, conforme revela o número de átomos específicos, como o néon, criados na matéria do meteorito através da irradiação constante de partículas espaciais de alta velocidade, ou raios cósmicos.

“0,2 a 0,3 milhão de anos parece muito tempo — mas, do ponto de vista geológico, é realmente muito rápido”, explica Helena Bates, do Museu de História Natural de Londres.

“Os condritos carbonáceos precisam chegar rapidamente aqui ou não sobrevivem, porque são tão quebradiços, tão frágeis que simplesmente se desintegram”.

“Mais segredos”

A primeira análise dos cientistas, publicada na edição desta semana da revista Science Advances, é apenas uma visão geral das propriedades do meteorito de Winchcombe.

Mais uma dúzia de artigos sobre temas mais específicos devem ser publicados em breve em uma edição da revista Meteoritics & Planetary Science.

E não deve parar por aí.

“Os investigadores vão continuar a estudar este espécime nos próximos anos, desvendando mais segredos sobre as origens do nosso Sistema Solar”, afirmou Luke Daly, co-autor do estudo, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

ZAP // BBC
23 Novembro, 2022



 

“Um Pálido Ponto Azul”, o retrato de família que é um lembrete à nossa fragilidade

CIÊNCIA/ESPAÇO/TERRA/ORION

A recente imagem endereçada à Terra a partir das câmaras da sonda espacial Orion, em missão não tripulada à Lua, recorda-nos que os retratos de família do terceiro planeta a contar do Sol contam uma história de décadas. Entre as imagens icónicas, olhemos para “Um Pálido Ponto Azul” e dois nasceres da Terra captados a partir da Lua.

Três imagens que remetem para uma declaração de Carl Sagan em Nova Iorque, em 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

A uma distância de 6 mil milhões de quilómetros do corpo celeste de que se apartara havia 13 anos, a sonda espacial recebeu uma ordem proveniente de casa: apontar a lente focal de alta resolução da câmara fotográfica à retaguarda do engenho e captar uma definitiva e completa imagem do planeta mãe.

O resultado: um ponto ínfimo, menos de um pixel num universo de 640 mil pixeis a enxamear a foto, capturado dentro de um raio solar. Trinta e quatro minutos após a tomada da foto, a 14 de Fevereiro de 1990, a sonda acolheu a ordem vinda da Terra, desligou as câmaras e manteve a sua viagem, a 64 mil quilómetros por hora, rumo aos limites do Sistema Solar.

O parágrafo precedente poderia configurar o epílogo de uma novela de ficção científica, num último e nostálgico adeus ao planeta de origem. O facto ocorreu a 14 de Fevereiro de 1990, num momento em que a sonda espacial norte-americana Voyager 1, chamava a si o título de objecto humano mais distante do planeta Terra.

Uma década antes, concluíra a aproximação e o estudo do planeta Saturno, para prosseguir a viagem, que ainda mantém em 2022, 45 anos volvidos, em direcção ao espaço interestelar.

Na NASA, o astrónomo, astrofísico e divulgador científico norte-americano, Carl Sagan, então com 55 anos, somou a imagem recolhida pela Voyager 1 à colecção de 60 fotografias que a sonda enviou para a Terra entre os meses de Março e Maio de 1990. Imagens à boleia de sinais de rádio que cumpriam a distância entre os confins do Sistema Solar e o nosso planeta, em pouco mais de cinco horas, num galope de 300.000 quilómetros por segundo, a velocidade da luz.

A série de imagens com o nome de baptismo “Retrato de Família”, tem na fotografia captada a 14 de Fevereiro de 1990 o membro mais famoso do clã. “Um Pálido Ponto Azul” (“Pale Blue Dot”), assim nomeada a foto, resultou da combinação de três imagens com filtros espectrais no verde, azul e violeta.

Um ponto tão ínfimo como frágil, como recordaria mais tarde Carl Sagan na conferência que proferiu na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, a 13 de Outubro de 1994: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica.”

Um cenário frágil, recentemente captado numa nova imagem, a 16 de Novembro de 2022, pela cápsula Orion, parte da missão espacial Artémis 1, desenvolvida pela NASA. Missão que conta, entre outros objectivos, com o regresso dos humanos à Lua até 2025, mais tarde ao planeta Marte.

Este que será o primeiro voo tripulado a pousar no satélite natural da Terra desde a Apollo 17, em 1972, entregou-nos aquela que é a primeira imagem completa do nosso planeta, captada nos últimos 50 anos, a partir de um objecto operado por mão humana a caminho da Lua. A 90 mil quilómetros de distância, a Terra assoma na escuridão envolvente.

Uma imagem de família que nos recorda que o álbum de fotos do terceiro planeta a contar do Sol, é robusto com antecedentes ainda nas décadas de 1940 e 1950, com os primeiros voos sub-orbitais.

Na década de 1960, na sua ronda em torno do satélite natural da Terra, a sonda Lunar Orbiter 1, parte do programa Orbiter, tinha como objectivo da missão o de fotografar a superfície da Lua. Havia que identificar lugares de pouso seguros para as futuras missões tripuladas Apollo.

Entre as mais de duas mil fotos captadas nas cinco missões não tripuladas Orbiter, entre 1966 e 1967, numa cobertura de 99% da superfície da Lua, uma ganhou o estatuto de histórica. Uma extravagância no contexto da missão, ao não apontar as suas câmaras ao solo árido.

A 23 de Agosto de 1966, a câmara da Orbiter 1 fixou em fotografia o primeiro “nascer” do nosso planeta com o horizonte lunar em primeiro plano. A 380 mil quilómetros de distância da Terra, o crescente visível na imagem abarca um horizonte que se estende de Istambul à Cidade do Cabo.

Um horizonte “retocado” em 2014 quando, no âmbito do programa LOIRP (Lunar Orbiter Image Recovery Project), o nascer da Terra de 1966, mereceu digitalização a partir dos dados analógicos recolhidos nas fitas originais da missão.

Um luminoso erguer da Terra acima da linha de horizonte lunar que bisou na véspera de Natal de 1968. A missão Apollo 8 levava pela primeira vez seres humanos à orbita da Lua.

A bordo da Apollo 8, com os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, a humanidade estreava não só os seus olhos no lado oculto da Lua, como também na primeira imagem da Terra captada por mão humana a partir do nosso satélite natural.

“Nascer da Terra” (“Earthrise”) imagem captada por William Anders viu-se incluída em 2003 na lista das100 Fotografias que Mudaram o Mundo, a par do cogumelo atómico de Nagasaki, a imagem captada em Raio-X e a paisagem que inaugurou a arte da fotografia (“Vista da Janela em Le Gras”).

Em “Nascer da Terra” o montanhista e premiado fotógrafo norte-americano Galen Rowell identificou “a fotografia ambiental mais influente alguma vez tirada”.

Uma foto emoldurada a partir de uma órbita sobre o equador lunar, com o bordo do satélite natural na vertical face ao planeta Terra. Esta, paira no espaço ligeiramente à esquerda da superfície lunar. Uma imagem mais tarde rodada 90º, para enfatizar uma mitificada aurora da Terra.

“Um Pálido Ponto Azul” mereceu republicação por parte da NASA em 2020, data em que se completaram 30 anos sobre a captação da imagem. O pixel que identifica o nosso planeta a mais de 6 mil milhões de quilómetros parece-nos mais próximo, graças à melhor definição imprimida por software e técnicas de processamento de imagem do século XXI.

As palavras de Carl Sagan proferidas em Cornell em 1994, brilham hoje como há três décadas: “Olhem de novo este ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós.

Nele, todos os que amamos, todos os que conhecemos, qualquer um sobre quem ouviram falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas (…) um grão de pó suspenso num raio de sol (…) A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar”.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Jorge Andrade
21 Novembro 2022 — 00:33



 

407: Publicidade no Espaço? Cientistas propõem exibir anúncios no céu das cidades

CIÊNCIA/PUBLICIDADE/ESPAÇO

Dino Reichmuth / unsplash

Um grupo de investigadores russos está a analisar a viabilidade de colocar anúncios publicitários no Espaço.

Segundo noticiou o Futurism, graças a satélites devidamente posicionados para reflectir a luz do Sol, os investigadores acreditam que seria possível criar imagens que pudessem ser vistas a partir da Terra.

O objectivo é perceber o volume de pessoas que veria este anúncio espacial e o custo para que estivesse visível durante vários meses – com estimativas de que poderia custar o equivalente a 65 milhões de dólares (65,7 milhões de euros), segundo referiram no estudo, publicado recentemente na Aerospace.

“Há algum tempo que estudamos alguns dos aspectos mais técnicos de publicidade espacial. Desta vez, olhámos para o lado económico e, por muito irrealista que possa parecer, mostramos que 50 ou mais satélites pequenos a voar em formação pode ser economicamente viável”, disse Shamil Biktimirov, o primeiro autor do estudo.

A equipa calculou que as receitas dependeriam de uma série de factores, incluindo “a nebulosidade, o tempo frio – que mantém as pessoas dentro de casa -, e a composição demográfica das cidades”. Em circunstâncias ideais, uma campanha de 91 dias poderia gerar 111 milhões de dólares, já com as despesas pagas.

A ideia destes investigadores não é nova. Em 2019, a empresa russa StartRocket sugeriu algo semelhante. Três meses depois, anunciou que tinha assinado um contrato com a PepsiCo para enviar um “cartaz orbital” para o espaço – mas o fabricante de bebidas acabou por abandonar o projecto.

Contudo, como indicou o DigitalTrends, esses anúncios podem criar problemas aos astrónomos na observação do céu nocturno, uma vez que é necessário escuridão para que não existam interferências. A ideia já gerou controvérsia no passado.

Também em 2019, o astrónomo Patrick Seitzer, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, defendeu “um céu nocturno livre desse tipo de actividade, que permaneça o mais acessível a toda a humanidade”.

  ZAP //
8 Outubro, 2022



 

319: Ouça o som que a NASA gravou de meteoritos a bombardear a superfície de Marte

ESPAÇO/MARTE/SONS/NASA

Quer fosse através de um filme ou da realidade, os humanos sempre se perguntaram como seria se uma rocha espacial significativa atingisse a Terra. Apesar de estarmos constantemente a ser atingidos, a verdade é que não é material suficientemente massivo para causar estrondo. No entanto, Marte, recebe bombardeamentos de magnitude audível.

A sonda da NASA, InSight, captou, pela primeira vez, o som de meteoritos a colidir com a superfície de Marte.

Bom, o som é estranho, mas não surpreende, se pensarmos que é um som “de outro mundo”.

O som de Marte a ser bombardeado

Acredite ou não, o material espacial está sempre a atingir o nosso planeta. Segundo a NASA, os cientistas estimam que 48,5 toneladas desse material atingem a Terra todos os dias. Muitas são poeiras, pequenos fragmentos de meteoritos, lixo espacial, e mesmo que sejam asteróides um pouco maiores, por norma têm sido consumidos pelo fogo quando atravessam a nossa atmosfera.

Raros são os que deixam um “boom” alto e estridente. Normalmente iluminam o céu. Mas no nosso vizinho planeta Marte, diz a NASA, os cientistas conseguiram “ouvir” como soa quando as rochas espaciais atingem um planeta.

O robô InSight da NASA tem vindo a estudar o interior de Marte desde que aterrou na superfície em 2018. Este sofisticado equipamento foi capaz de detectar ondas sísmicas de quatro rochas espaciais que atingiram o planeta em 2020 e 2021, marcando a primeira vez que tais ondas foram detectadas em Marte.

Os resultados dos investigadores foram publicados na revista Nature Geoscience, na segunda-feira.

Sim, este módulo terrestre também já teve “sorte”. Isto porque quando uma rocha espacial atingiu Marte no dia 5 de Setembro de 2021, a nave terráquea estava a uma distância entre 85 e 290 km da zona de impacto. A rocha quebrou-se em três pedaços antes de atingir a superfície. Portanto, poderia ter havido um “encontro imediato de grau grave” com o InSight.

Após esse impacto, o InSight, que tem um sismómetro a bordo, detectou os “tremores de Marte” e enviou os dados aos cientistas. Depois de registar o impacto, a NASA enviou o seu Mars Reconnaissance Orbiter, nave que orbita o planeta vermelho, para confirmar a localização e encontrou as crateras para os três pedaços de rocha espacial.

Após três anos de InSight à espera de detectar um impacto, estas crateras ficaram lindas.

Disse Ingrid Daubar, co-autora do jornal e cientista planetária da Universidade de Brown, numa declaração.

Observações posteriores encontraram o que o módulo terrestre InSight detectou como impactos em Maio de 2020, Fevereiro de 2021 e Agosto de 2021.

Então, como soa quando um meteorito atinge Marte?

O módulo de aterragem não só detectou o impacto do meteorito, como também foi capaz de gravar o som do impacto do 5 de Setembro de 2021. No clip de áudio do sismógrafo do InSight, é possível ouvir três “bloops”, um para quando o meteorito entra na atmosfera de Marte, outro para quando se parte em pedaços e outro para quando atinge o planeta.

A atmosfera de Marte é 1% tão espessa como a da Terra, diz a NASA, pelo que os meteoritos dificilmente se desintegram antes do impacto.

O impacto, juntamente com os três outros ataques confirmados, criou “marterramotos” com uma magnitude inferior a 2,0.

Embora esta tenha sido a primeira vez que um ataque de meteoritos foi detectado, os investigadores interrogam-se porque não encontraram mais. Isto porque Marte está ao lado do principal cinturão de asteróides do nosso sistema solar, o que lhe dá uma maior probabilidade de ser atingido.

O lander InSight será desligado em breve devido à acumulação de poeira nos seus painéis solares. Funcionará até lá, mas a NASA estima que se desligará entre Outubro e Janeiro de 2023.

Pplware
Autor: Vítor M
21 Set 2022



 

302: EAU vão lançar o seu primeiro rover lunar em Novembro

CIÊNCIA/ESPAÇO/LUA

O mundo está focado na exploração espacial e mesmo aqueles países que parecem adormecidos dão cartas nesse sentido. Os Emirados Árabes Unidos (EAU), por exemplo, vão lançar o seu primeiro rover lunar, já em Novembro.

A missão será concretizada juntamente com o Japão.

Ao jornal estatal The National, Hamad Al Marzooqi disse que o Rashid será lançado a partir do Kennedy Space Center, na Florida, Estados Unidos da América (EUA), entre o dia 9 e 15 de Novembro. A data exata do lançamento do rover nomeado em homenagem à família que governa o Dubai será anunciada no próximo mês.

Terminámos os testes do rover e estamos satisfeitos com os resultados. O rover foi integrado com o lander e está pronto para o lançamento.

Citou o The National.

A máquina será enviada a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX e será depositada na Lua, em Março, por um lander japonês.

Esta missão a ser lançada em Novembro faz parte de uma estratégia que os EAU estão a levar a cabo e que pretende torná-los num actor importante no campo da exploração espacial. Se a missão for bem sucedida, os EAU e o Japão juntar-se-ão à Rússia, aos EUA e à China, enquanto nações que colocaram uma nave espacial na superfície da Lua.

Hamad Al Marzooqi, licenciado em Electrical and Electronics Engineering, pela University of Sharjah, e mestre em Security, Cryptology and Coding of Information System, pela Universites De Grenoble.

Espera-se que o rover Rashid estude a superfície lunar, a mobilidade na Lua e forma como as diferentes superfícies interagem com as partículas do planeta. com 10 kg, transportará duas câmaras de alta resolução, uma câmara microscópica, uma câmara de imagem térmica, uma sonda, e outros dispositivos.

Embora não seja ainda um exemplo neste campo, esta não é a primeira investida dos EAU para a exploração do espaço. Afinal, o país associou-se à japonesa Mitsubishi Heavy Industries para lançar uma sonda. A Emirati está a orbitar Marte desde Fevereiro de 2021, para recolher dados e permitir o estudo do planeta por esses países.

Além disso, os EAU têm planos para desenvolver o satélite comercial mais avançado do Médio Oriente, de modo a produzir imagens de alta resolução. Assim como Elon Musk, o país estabeleceu o objectivo ambicioso de construir uma colónia humana, em Marte. No caso dos EAU, o horizonte temporal está estabelecido para 2117.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
19 Set 2022



 

239: NASA já escolheu os fatos que os astronautas da missão Artemis vão usar na viagem à Lua

NASA/ARTEMIS I/ASTRONAUTAS

A corrida ao espaço voltou a estar activa, com os EUA a quererem voltar à Lua. A conhecida missão Artemis irá tratar desta vontade, mas para isso precisam de algum equipamento essencial, muito para lá nave e do módulo lunar que tratará de colocar os astronautas no nosso satélite natural.

Depois de alguns problemas com os testes da missão Artemis, a NASA assumiu agora um novo compromisso para esta viagem. A agência americana escolheu finalmente os fatos que os astronautas a missão Artemis vão usar na viagem à Lua.

A missão que irá colocar novamente humanos na Lua em 2040 está já a ser preparada há algum tempo. Para além de toda a logística que foi sendo preparada, os testes reais estão prestes a ser iniciados, como se tem acompanhado nas últimas semanas, infelizmente com um nível de sucesso abaixo do esperado.

Ainda assim, a NASA revelou agora que tomou mais uma decisão essencial para a missão Artemis. Escolheu a empresa que irá fabricar os fatos que os astronautas vão usar nos passeios lunares. Será a Axiom Space a fornecer este equipamento essencial e que será usado num ambiente bem hostil.

Naturalmente que estas peças essenciais para os astronautas vão ter um custo muito elevado, mas que a NASA precisa mesmo de gastar. No total, este contrato do pedido feito à Axiom Space terá um valor de pelo menos 228,5 milhões de dólares.

A Axiom foi uma das duas empresas que estiveram na corrida para criar trajes espaciais para o programa Artemis da NASA. A agência já tem um lote limitado de fatos espaciais para utilização na Estação Espacial Internacional, mas os fatos devem ser muito diferentes. Além das condições extremas de temperatura, os astronautas têm de lidar com a gravidade da Lua e a poeira lunar que se tende a colar em tudo.

Curiosamente, este não era o plano inicial da NASA, no que toca o desenvolvimento dos fatos espaciais para os astronautas da missão Artemis. Inicialmente tentou iniciar o desenvolvimento das suas propostas, mas depressa percebeu que não iria cumprir os prazos, pelo que delegou nas duas empresas concorrentes.

Com estes fatos prontos, a NASA vai poder avançar nos seus planos para a missão Artemis III, que levará a primeira mulher a passear na Lua em 2025. O passo mais importante é mesmo colocar a missão de testes a voar, algo que tem sido recorrentemente adiado, fruto de vários problemas.

Fonte: NASA
Neste artigo: Artemis, astronautas, fatos, Lua, NASA

Pplware
Autor: Pedro Simões
09 Set 2022



 

178: A Terra poderá ser expulsa do nosso sistema solar?

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Vivemos hoje num momento muito especial no que toca à exploração espacial e à compreensão do Universo. Contudo, já no passado havia quem teorizasse sobre um futuro incerto do ponto de vista cósmico, que obrigasse os humanos a tomar medidas radicais, embora impossíveis aos olhos da actualidade.

No conto de Liu Cixin “The Wandering Earth“, Cixin retrata um cenário em que os líderes do planeta concordam em expulsar a Terra do sistema solar para escapar de uma explosão solar iminente que iria dizimar tudo no planeta.

Esta história é, claro, baseada no reino da ficção, mas será que a Terra alguma vez poderá realmente deixar o sistema solar?

E se um dia a Terra fosse expulsa do sistema solar?

Numa visão micro, de dentro para fora em relação ao planeta no universo, esta conversa parece até absurda. Aliás, Matteo Ceriotti, engenheiro aeroespacial e professor de engenharia de sistemas espaciais na Universidade de Glasgow no Reino Unido, disse mesmo que este cenário “é muito improvável”.

No entanto, como Ceriotti explicou, “improvável” não significa que seja “impossível”, e sugeriu uma forma de o fazer teoricamente.

A Terra poderia ser afastada da sua órbita através da acção de um enorme objecto interestelar, que ao voar através do espaço interestelar, entrasse no sistema solar e passasse perto da Terra.

Referiu o engenheiro aeroespacial.

Esta realidade seria possível, pois neste encontro próximo, conhecido como “flyby”, a Terra e o objecto trocariam energia e impulso, e a órbita da Terra seria perturbada. Se o objecto fosse suficientemente rápido, massivo e próximo, poderia projectar a Terra para uma órbita de fuga dirigida para fora do sistema solar.

Timothy Davis, um professor superior de física e astronomia na Universidade de Cardiff no Reino Unido, concordou que a Terra poderia ser teoricamente expulsa do sistema solar, e tem a sua própria hipótese sobre como isto poderia acontecer.

Os planetas, tal como existem neste momento, estão em órbitas estáveis à volta do Sol. Contudo, se o Sol tivesse um encontro próximo com outra estrela, então as interacções gravitacionais destes corpos poderiam perturbar estas órbitas, e potencialmente causar a expulsão da Terra do sistema solar.

Explicou Davis num comentário à Live Science.

No entanto, Davis observou que, embora este cenário seja viável, é incrivelmente duvidoso que venha a acontecer – pelo menos, num futuro previsível.

Tais encontros estelares são bastante raros. Por exemplo, sabemos que se espera que a estrela Gliese 710 se aproxime bastante, em termos astronómicos, do Sol dentro de cerca de um milhão de anos – mas mesmo este “flyby” é pouco provável que perturbe os planetas.

Referiu o investigador de física e astronomia da Universidade de Cardiff.

E se um dia tivéssemos mesmo que “fugir” para longe do nosso Sol?

Em cenários apocalípticos, na orça da ficção, um dia poderíamos ter de fugir de onde estamos. Embora seja improvável que forças externas forcem a Terra a sair do sistema solar em breve, poderá a humanidade construir maquinaria capaz de deslocar o planeta a tal ponto que este acabe por ser ejectado?

A energia necessária para remover a Terra da sua órbita e expulsá-la do sistema solar é tão maciça – equivalente a mil triliões (um 1 com 21 zeros depois dele) de bombas nucleares mega-toneladas a explodirem de uma só vez – que isto parece improvável.

Disse Davis.

Embora tal evento esteja longe de ser provável, o que aconteceria se a Terra se separasse do sistema solar? Que impactos ocorreriam se o nosso planeta natal acabasse por ser permanentemente arrancado para as profundezas do universo?

A Terra voaria para o espaço interestelar até ser capturada ou engolida por outra estrela ou por um buraco negro. Além disso, se a Terra deixasse o sistema solar, provavelmente resultaria na dizimação de muita – se não de toda – a vida do planeta.

Explicou Ceriotti.

O investigador referiu que nesse cenário seria improvável que a atmosfera permanecesse: O clima global da Terra é muito delicado devido a um fino equilíbrio entre a radiação que chega do sol e a energia dissipada para o espaço profundo. Se isto viesse a variar, as temperaturas mudariam imediata e dramaticamente.

Portanto, a maioria da vida na Terra não sobreviveria a este movimento cataclísmico de afastamento do sistema solar.

Se a Terra abandonasse o sistema solar, é muito provável que a grande maioria da vida tal como a conhecemos desaparecesse. Quase toda a energia utilizada pelos organismos vivos da Terra tem origem no Sol, quer directamente (por exemplo, plantas que foto-sintetizam), quer indirectamente (por exemplo, herbívoros que comem as plantas, e carnívoros que comem os herbívoros).

Neste cenário, quanto mais a Terra se afastasse do Sol, mais baixa seria a sua temperatura. Acabaria por congelar por completo. A única fonte natural de calor restante seria o decaimento dos elementos radioactivos na crosta terrestre remanescentes da formação do sistema solar.

Concluiu Timothy Davis.

Olhando para o futuro, os investigadores concordam que o nosso sistema solar acabará por ser gravemente perturbado, que a Terra ou será arrasada, ou será inteiramente destruída.

Pplware
Autor: Vítor M
01 Set 2022


 

117: NASA prepara regresso do Homem à Lua

ESPAÇO/LUA/REGRESSO

A NASA prepara o seu regresso à Lua, 50 anos depois. É já no próximo dia 29 deste mês que a agência espacial vai enviar um foguetão gigante para uma viagem em torno da Lua.

NASA prepara viagem à lua. © Terry Renna / AP

A cápsula não tripulada, de nome Orion, partirá da Florida. Este é o primeiro grande passo para preparar o retorno do Homem à Lua, previsto para 2025. O próximo passo será efectuar uma viagem a Marte.

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23.08.2022