537: O ESO captura o fantasma de uma estrela gigante

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESO

Uma teia de aranha fantasmagórica, dragões mágicos ou finos traços de fantasmas? O que é que estamos a ver nesta imagem do remanescente da super-nova da Vela? Esta bela tapeçaria de cores, que foi capturada com grande detalhe pelo VLT Survey Telescope, instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, mostra os restos fantasmagóricos de uma estrela gigantesca.

Esta fina estrutura de nuvens rosa e laranja é tudo o que resta de uma estrela massiva que terminou a sua vida numa enorme explosão há cerca de 11 mil anos atrás. Quando as estrelas mais massivas chegam ao fim das suas vidas, geralmente explodem violentamente num evento chamado super-nova.

Estas explosões provocam ondas de choque que se deslocam pelo gás circundante, comprimindo-o e criando intrincadas estruturas filamentares. A energia libertada aquece os tentáculos gasosos, fazendo-os brilhar intensamente, como podemos ver na imagem.

Nesta imagem de 554 milhões de pixeis, temos uma vista extremamente detalhada do remanescente da super-nova da Vela, assim designada pela sua localização na constelação austral da Vela.

Caberiam nove luas cheias nesta imagem e a nuvem completa é ainda maior. Situado a apenas 800 anos-luz de distância da Terra, este remanescente de super-nova é um dos mais próximos que conhecemos.

Quando explodiu, as camadas mais exteriores da estrela progenitora foram ejectadas no gás circundante, dando origem a estes filamentos. O que resta da estrela é apenas uma bola ultra densa onde protões e electrões são forçados a juntar-se em neutrões — uma estrela de neutrões.

A estrela de neutrões do remanescente da Vela, que se encontra ligeiramente fora da imagem no canto superior esquerdo, é uma pulsar que roda sobre o seu próprio eixo à incrível velocidade de mais de 10 vezes por segundo.

Esta imagem trata-se de um mosaico de observações obtidas com a câmara de grande campo OmegaCAM, montada no VLT Survey Telescope (VST), no Observatório do Paranal do ESO, no Chile.

A câmara de 268 milhões de pixeis pode obter imagens através de vários filtros que deixam passar luz de diferentes cores. Nesta imagem particular do remanescente da Vela foram usados quatro filtros diferentes, aqui representados por uma combinação de magenta, azul, verde e vermelho.

O VST pertence ao Instituto Nacional de Astrofísica italiano, INAF, e com o seu espelho de 2,6 metros é um dos maiores telescópios dedicados ao rastreio do céu nocturno no visível. Esta imagem é um exemplo de um tal rastreio: o VPHAS+ (VST Photometric Hα Survey of the Southern Galactic Plane and Bulge).

Durante cerca de sete anos, este rastreio mapeou uma área considerável da nossa Galáxia, permitindo aos astrónomos compreender melhor como é que as estrelas se formam, evoluem e eventualmente morrem.

Informações adicionais

O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construimos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e levar ao público o fascínio da astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia.

Estabelecido como uma organização intergovernamental em 1962, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça), para além do Chile, o país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico.

A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor.

No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará o Cherenkov Telescope Array South, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo.

Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o APEX e o ALMA no Chajnantor, duas infra-estruturas que observam o céu no domínio do milímetro e do submilímetro. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo voltado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO.

Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.

ESO-European South Observatory
eso2214pt — Foto de Imprensa
31 de Outubro de 2022



 

230: Estrelas massivas podem ‘roubar’ planetas do porte de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Planetas do tamanho de Júpiter podem ser roubados ou capturados por estrelas massivas em berçários estelares densamente povoados, onde a maioria das estrelas nasce, descobriu um novo estudo. O trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

Estrelas massivas podem ‘roubar’ planetas do porte de Júpiter
© Concepção artística de um BEASTie. A imagem mostra um planeta gigante gasoso (como Júpiter) em uma órbita distante em torno de uma estrela azul e massiva. É provável que o planeta tenha sido capturado ou roubado de outra estrela. As estrelas de fundo são membros da mesma região de formação de estrelas e podem ser a estrela em torno da qual o BEASTie nasceu. Crédito: Mark Garlick

Pesquisadores da Universidade de Sheffield (Reino Unido) propuseram uma nova explicação para os recém-descobertos planetas do tipo B-star Exoplanet Abundance STudy (BEAST). Trata-se de planetas semelhantes a Júpiter a grandes distâncias (centenas de vezes a distância entre a Terra e o Sol) de estrelas massivas.

Até agora, sua formação tem sido um mistério, já que estrelas massivas emitem grandes quantidades de radiação ultravioleta que impedem que os planetas cresçam até o tamanho de Júpiter – o maior planeta do nosso sistema solar.

Assalto planetário

A drª Emma Daffern-Powell, co-autora do estudo, do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Sheffield, afirmou: “Nossa pesquisa anterior mostrou que em berçários estelares as estrelas podem roubar planetas de outras estrelas, ou capturar o que chamamos de ‘planetas errantes’.

Sabemos que estrelas massivas têm mais influência nesses berçários do que estrelas parecidas com o Sol, e descobrimos que essas estrelas massivas podem capturar ou roubar planetas – que chamamos de ‘BEASTies’”.

“Essencialmente, este é um assalto planetário”, prosseguiu ela. “Usamos simulações de computador para mostrar que o roubo ou captura dessas BEASTies ocorre em média uma vez nos primeiros 10 milhões de anos de evolução de uma região de formação de estrelas.”

O dr. Richard Parker, professor de astrofísica no Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Sheffield e co-autor do estudo, explicou: “Os planetas BEAST são uma nova adição à miríade de sistemas exoplanetários, que exibem uma diversidade incrível, de sistemas planetários em torno de estrelas semelhantes ao Sol que são muito diferente do nosso Sistema Solar a planetas que orbitam estrelas evoluídas ou mortas”.

Parker acrescentou: “A colaboração BEAST descobriu pelo menos dois planetas super-jovianos orbitando estrelas massivas. Embora os planetas possam se formar em torno de estrelas massivas, é difícil imaginar planetas gigantes gasosos como Júpiter e Saturno sendo capazes de se formar em ambientes tão hostis, onde a radiação das estrelas pode evaporar os planetas antes que eles se formem completamente. (…)

No entanto, nossas simulações mostram que esses planetas podem ser capturados ou roubados, em órbitas muito semelhantes às observadas para os BEASTies. Nossos resultados dão mais credibilidade à ideia de que planetas em órbitas mais distantes (mais de 100 vezes a distância da Terra ao Sol) podem não estar orbitando sua estrela-mãe”.

MSN Notícias
Revista Planeta
08.09.2022