544: Os lagos rasos na crosta gelada de Europa podem entrar em erupção

CIÊNCIA/GEOLOGIA/GEOFÍSICA

NASA/ESA/K. Retherford/SWRI
Esta ilustração retrata uma pluma de vapor de água que poderia ser potencialmente emitida da superfície gelada da lua de Júpiter, Europa.

Na busca por vida para lá da Terra, os corpos com água subterrânea, no nosso Sistema Solar exterior, são alguns dos alvos mais importantes.

É por isso que a NASA vai enviar a nave espacial Europa Clipper para a lua de Júpiter, Europa: há fortes evidências de que sob uma espessa crosta de gelo, a lua abriga um oceano global que poderá ser potencialmente habitável.

Mas os cientistas pensam que o oceano não é a única água líquida em Europa. Com base nas observações do orbitador Galileo da NASA, pensam que os reservatórios de líquidos salgados podem residir dentro da concha gelada da lua – alguns deles perto da superfície gelada e alguns muitos quilómetros abaixo.

Quanto mais os cientistas compreenderem a água que Europa pode conter, mais provável é que saibam onde procurá-la quando a NASA enviar a Europa Clipper em 2024 para realizar uma investigação detalhada.

A nave vai orbitar Júpiter e vai utilizar o seu conjunto de instrumentos sofisticados para recolher dados científicos enquanto passa pela lua cerca de 50 vezes.

Agora, uma investigação está a ajudar os cientistas a melhor compreender como estes lagos sub-superficiais de Europa podem ser e como se comportam.

Uma descoberta chave num artigo publicado recentemente na revista The Planetary Science Journal apoia a ideia de longa data de que a água poderia potencialmente irromper acima da superfície de Europa, quer como plumas de vapor, quer como actividade crio-vulcânica (ou seja, fluxos viscosos de gelo em vez de lava derretida).

A modelagem por computador apresentada no artigo científico vai mais longe, mostrando que se houver erupções em Europa, estas provavelmente são originárias de lagos rasos e incrustados no gelo e não do oceano global muito abaixo.

“Demonstrámos que as plumas ou fluxos de criolava poderiam significar a existência de reservatórios rasos de líquido abaixo, que a Europa Clipper seria capaz de detectar”, disse Elodie Lesage, cientista do projecto no JPL da NASA no sul da Califórnia e autora principal da investigação.

“Os nossos resultados dão novas informações sobre a profundidade da água que pode estar a conduzir a actividade superficial, incluindo as plumas. E a água deve ser suficientemente rasa para poder ser detectada por múltiplos instrumentos da Europa Clipper”.

Profundidades diferentes, gelo diferente

A modelagem por computador de Lesage estabelece um plano do que os cientistas poderiam encontrar dentro do gelo se observassem erupções à superfície.

De acordo com os seus modelos, provavelmente detectariam reservatórios relativamente próximos da superfície, na parte superior de 4 a 8 quilómetros da crosta, onde o gelo é mais frio e mais quebradiço.

Isto porque o gelo sub-superficial ali não permite a expansão: à medida que as bolsas de água congelam e se expandem, podem quebrar o gelo circundante e provocar erupções, tal como uma lata de refrigerante explode num congelador. E as bolsas de água que rebentassem seriam provavelmente largas e planas como panquecas.

Os reservatórios mais profundos na camada de gelo – com bases a mais de 8 km abaixo da crosta – empurrariam contra o gelo mais quente que os rodeia à medida que se expandem.

Esse gelo é macio o suficiente para agir como uma almofada, absorvendo a pressão em vez de rebentar. Em vez de actuar como uma lata de refrigerante, estas bolsas de água comportar-se-iam mais como um balão cheio de líquido, onde o balão simplesmente se estica à medida que o líquido no interior congela e se expande.

Detecção em primeira mão

Os cientistas da missão Europa Clipper vão poder utilizar esta investigação quando a nave espacial chegar à lua de Júpiter em 2030.

Por exemplo, o instrumento de radar REASON (Radar for Europa Assessment and Sounding: Ocean to Near-surface) é um dos instrumentos chave que será utilizado para procurar bolsas de água no gelo.

“O novo trabalho mostra que as massas de água no subsolo pouco profundo podem ser instáveis se as tensões excederem a força do gelo e podem estar associadas a plumas que se elevam acima da superfície”, disse Don Blankenship, do Instituto para Geofísica da Universidade do Texas em Austin, EUA, que lidera a equipa do instrumento de radar.

“Isto significa que o REASON poderá ser capaz de ver corpos de água nos mesmos locais em que se veem as plumas”, acrescenta.

A Europa Clipper transportará outros instrumentos que serão capazes de testar as teorias da nova investigação. As câmaras científicas serão capazes de obter imagens estereoscópicas de Europa e a alta resolução; o gerador de imagens de emissão térmica vai usar uma câmara infravermelha para mapear as temperaturas de Europa e encontrar pistas sobre a actividade geológica – incluindo crio-vulcanismo.

Se existirem plumas em erupção, estas poderão ser observadas pelo espectrógrafo ultravioleta, o instrumento que analisa a luz ultravioleta.

Mais sobre a missão

Missões como a da Europa Clipper contribuem para o campo da astrobiologia, o campo de investigação interdisciplinar que estuda as condições de mundos distantes que podem abrigar vida tal como a conhecemos.

Embora a Europa Clipper não seja uma missão de detecção de vida, vai realizar uma exploração detalhada de Europa e investigar se a lua gelada, com o seu oceano subterrâneo, tem a capacidade de suportar vida.

A compreensão da habitabilidade de Europa vai ajudar os cientistas a compreender melhor como a vida se desenvolveu na Terra e o potencial para encontrar vida para lá do nosso planeta.

ZAP // CCVAlg (18.10.2022)
1 Novembro, 2022



 

477: Países devem preparar-se para aumento de infecções e hospitalizações

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Na última semana a foram notificados na Europa mais de 1,4 milhões de casos positivos. O chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/Europa alerta para a possibilidade “outras variantes mais transmissíveis”.

© Fabrice COFFRINI / AFP

A Europa registou 1,4 milhões de infecções e 3.250 mortes na última semana, um novo aumento da covid-19 que obriga os países a preparem-se para um crescimento de casos e hospitalizações, alertou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde.

“Não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes neste momento”, adiantou à agência Lusa Richard Pebody, chefe da Equipa de Alta Ameaça Patogénica da OMS/Europa com sede em Copenhaga, ao salientar que o continente tem registado um aumento de contágios pelo coronavírus SARS-CoV-2 desde o início de Outubro.

Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, “estamos preocupados com um possível aumento dos números da covid-19 e da doença correspondente”, reconheceu o epidemiologista.

Segundo disse, apenas na última semana foram notificados na Europa mais de 1,4 milhões de casos positivos e 3.250 óbitos, que elevaram para cerca de 260 milhões o total de infecções e mais 2,1 milhões de mortes desde o início da pandemia.

“Encorajamos os países a prepararem-se para possíveis novos aumentos de casos e internamentos por covid-19”, sublinhou Richard Pebody, tendo em conta que algumas sub-variantes da Ómicron são mais transmissíveis do que as suas antecessoras e que muitas pessoas continuam por vacinar ou têm a vacinação incompleta.

“Também é possível que haja outras variantes mais transmissíveis, por isso não podemos dizer com certeza o que pode acontecer a seguir”, referiu o especialista da OMS/Europa à Lusa, ao recordar que a forma mais eficaz de salvar vidas, proteger os sistemas de saúde e manter as sociedades e as economias abertas é “vacinar primeiro os grupos certos”.

De acordo com o responsável da Equipa de Alta Ameaça Patogénica, apesar de muitos países terem reduzido os testes e a sequenciação do SARS-CoV-2, é necessário “continuar à procura do vírus”, sob pena de ficarem “cada vez mais cegos” em relação aos seus padrões de transmissão e à sua evolução.

“Este vírus não vai desaparecer só porque os países pararam de procurá-lo. Continua a espalhar-se, continua a mudar e continua a causar hospitalizações e a tirar vidas”, alertou Richard Pebody, para quem a testagem e a sequência genética “continuam a ser medidas críticas para a monitorização” do SARS-CoV-2.

Perante isso, o epidemiologista adiantou que a OMS encoraja os países a “reiniciar ou manter a vigilância, a testagem, a sequenciação e rastreio de contactos”, para que seja possível proteger os grupos vulneráveis.

“A população em geral deve ter acesso a diagnósticos, vacinas e tratamentos, especialmente aqueles que estão em maior em risco. Aqueles que ainda precisam de ser vacinados têm de tomar a vacina, para se manterem a si e aos outros seguros”, destacou.

Além da covid-19, a chegada do outono e do inverno pode levar ao “ressurgimento da gripe”, depois de dois anos de fraca incidência dessa doença, resultando numa pressão adicional sobre os sistemas de saúde, disse.

Para responder a este aumento de pressão sobre os serviços de saúde, a OMS avançou com cinco “estabilizadores pandémicos”, medidas que considera críticas para proteger a população europeia nos próximos meses.

Entre estas medidas estão o aumento da vacinação da população em geral e a administração de uma segunda dose de reforço a pessoas imuno-comprometidas a partir dos cinco anos e aos seus contactos próximos.

Além disso, a OMS recomenda o uso de máscaras no interior e nos transportes públicos, a ventilação de espaços públicos e lotados, como escolas, escritórios e transportes públicos, e a aplicação de protocolos terapêuticos rigorosos para pessoas em risco de doença grave.

As decisões sobre as medidas de protecção a implementar “sempre foram dos Estados-membros com base na transmissão do vírus no seu país. O conselho da OMS continua a ser que uma máscara adequada deve ser usada em ambientes fechados, confinados, lotados e mal ventilados, sempre que possível”, adiantou Richard Pebody.

“Temos de reconhecer a fadiga pandémica. Todos nós só queremos que esta pandemia acabe, mas as medidas simples continuam a ser essenciais, especialmente em determinadas circunstâncias”, sublinhou o especialista da OMS/Europa.

Diário de Notícias
DN/Lusa
25 Outubro 2022 — 12:22



 

66: Estudo diz que risco de falta de água atingirá 17% dos europeus até 2050

FALTA DE ÁGUA/RISCOS

Os dados do Water Risk Filter apontam para a necessidade de serem tomadas medidas urgentes pelos governos e empresas.

© Arquivo Global Imagens

Cerca de 17% da população europeia está em grande risco de escassez de água até 2050, o que poderá afectar 13% do PIB da Europa, indica uma análise esta quarta-feira divulgada pela organização “World Wide Fund for Nature” (WWF).

A nova análise “mostra que a Europa será cada vez mais propensa a secas e escassez de água”, alerta um comunicado divulgado pela Associação Natureza Portugal (ANP), que trabalha em associação com a WWF.

Os dados do “Water Risk Filter” apontam para a necessidade, segundo o comunicado, “de tomada de medidas urgentes pelos governos e empresas para aumentar a resiliência das sociedades e economia, particularmente através de soluções baseadas na natureza”.

“As secas na Europa não devem chocar ninguém: os mapas de risco da água há muito que apontam para um agravamento da escassez em todo o continente. O que nos deve chocar é que os governos, empresas e investidores europeus continuam a fechar os olhos aos riscos de escassez da água, como se estes riscos se resolvessem sozinhos”, diz, citado no comunicado, Alexis Morgan, da WWF.

Ruben Rocha, da ANP/WWF, também citado no documento, lembra que em Portugal, como nos restantes países de clima mediterrânico, a situação de seca meteorológica é cada vez mais intensa devido às alterações climáticas.

“Sabemos que a agricultura é responsável por cerca de 75% do consumo de água em Portugal, valor muito superior à média europeia (aproximadamente 25%) e maior do que a média mundial (70%), devido a práticas agrícolas insustentáveis, que exigem medidas urgentes e muitas vezes impopulares do ponto de vista político”, diz.

O estudo recorda que os rios da Europa estão actualmente a sofrer as consequências do calor, com quatro dos rios mais importantes do continente – Danúbio, Pó, Reno e Vístula – a enfrentarem recordes nos seus níveis mínimos, ameaçando os negócios, indústria, agricultura e mesmo o consumo de água pelas pessoas.

Lamentavelmente 60% dos rios da Europa estão hoje “pouco saudáveis”, diz a organização ambientalista.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Agosto 2022 — 15:58