885: Lisboa vai ter limites no número de trotinetes

“… não é possível conseguir uma monitorização a 100% das trotinetes por parte da polícia, “porque obviamente a polícia tem muitas outras coisas com que se preocupar, esta é apenas uma das coisas que a polícia tem como preocupação”“.

As “muitas outras coisas” que a polícia tem como preocupação mas não actua convenientemente contra os infractores, é o estacionamento selvagem e ilegal em cima dos passeios, obrigando as pessoas a circularem pela estrada com risco de vida; é o estacionamento ilegal em cima das passadeiras; é o estacionamento ilegal nas zonas de paragem dos transportes públicos; é o estacionamento ilegal em cima do passeio com bloqueio de portas de prédios. Muito mais preocupante que o caso das trotinetes.

LISBOA/C.M.L./TROTINETES

No início de Junho, a Câmara de Lisboa revelou que existiam na altura na capital portuguesa 11.000 trotinetas e bicicletas partilhadas sem doca.

Tim Evanson / Flickr

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa disse esta terça-feira que o memorando de entendimento com os operadores de trotinetes será assinado em breve e terá “aspectos muito claros” relativamente à redução da velocidade e limitação do número de veículos.

“Estou a semanas de assinar um memorando com aqueles que são os promotores das trotinetes, em que espero que todos assinem esse memorando, um memorando que virá antes de um regulamento”, declarou Carlos Moedas (PSD), na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.

Considerando que o memorando de entendimento é “um bom sinal à cidade”, o autarca de Lisboa disse que o acordo com os operadores destes veículos eléctricos terá “aspectos muito claros, o primeiro é uma redução da velocidade das trotinetes”.

“Temos velocidades que vão acima dos 20 quilómetros por hora e sabemos que em cidades europeias, como é o caso de Paris, tem havido limitações”, indicou o presidente da Câmara de Lisboa, referindo que na capital francesa a velocidade das trotinetes foi limitada para “oito quilómetros por hora, o que tem reduzido muito os acidentes”.

Além desse aspecto, Carlos Moedas disse pretender ter “um comprometimento do lado destes promotores numa limitação do número de trotinetes”, relembrando que Lisboa tem “o dobro ou o triplo das trotinetes que existem numa cidade como Madrid e isso não é normal”.

“Vai ter que haver um acordo nesse sentido e, depois, um acordo também naquilo que é o comportamento em relação a andar em cima dos passeios, andar em contra-mão, e temos hoje sistemas tecnológicos que permitem evitar que isso aconteça”, acrescentou.

O autarca de Lisboa ressalvou que não é possível conseguir uma monitorização a 100% das trotinetes por parte da polícia, “porque obviamente a polícia tem muitas outras coisas com que se preocupar, esta é apenas uma das coisas que a polícia tem como preocupação”.

“Temos que ter sistemas tecnológicos em que as trotinetes não andem nos sítios errados, em que quando estão em cima do passeio não conseguem andar, que são estacionadas em pontos específicos da cidade”, explicou.

Sem anunciar a data concreta da assinatura do memorando de entendimento, Carlos Moedas disse que é preciso saber se “todos vão assinar”.

“Se assinarem esse memorando, já ficam comprometidos para aquilo que vai ser o próprio regulamento e penso que isso seria muito positivo na cidade”, defendeu o presidente da Câmara de Lisboa.

O autarca referiu ainda os casos de acidentes com trotinetes, em que “hoje, pela primeira vez, há uma preocupação de muitos médicos em relação a este assunto”.

Em Setembro, Moedas revelou que o Executivo camarário já tinha tido uma primeira reunião com alguns operadores, na qual perguntou quantas trotinetes é que cada um tinha no mercado: “contámos 15 mil trotinetes”, adiantou.

Na reunião, Carlos Moedas ficou também a saber, por parte de um operador espanhol, que a cidade de Madrid, com cinco vezes mais população e tamanho do que Lisboa, tem seis mil trotinetes.

A elaboração do Regulamento Municipal da Mobilidade Partilhada (RMMP) da cidade de Lisboa está em processo de participação dos cidadãos, fase que se iniciou em 30 de Setembro e termina na sexta-feira, para entrar em vigor em 2023.

No início de Junho, em resposta à agência Lusa, a Câmara de Lisboa revelou que existiam na altura na capital portuguesa 11.000 trotinetas e bicicletas partilhadas sem doca (não necessitam de serem arrumadas e os clientes podem deixá-las em qualquer lugar das ruas da cidade) e quatro operadoras.

O município adiantou, então, que estava a estudar a forma de “melhor regular a actividade” e que pretendia ter um regulamento em vigor tão brevemente quanto possível, para permitir a monitorização e controlo efectivo da actividade de partilha de trotinetas e bicicletas sem docas.

Lusa // ZAP
23 Novembro, 2022



 

Governo e IPMA alertam: “Vamos entrar na terceira onda de calor”

– Avisem o sr. bastonário da ordem dos médicos deste facto, por e-mail, fax ou carta registada com aviso de recepção, porque ele não deve ler as notícias e assim responde-se directamente à sua “preocupação” com o excesso de mortalidade em Portugal!

SAÚDE PÚBLICA/TEMPERATURAS EXCESSIVAS

O ministro da Administração Interna esteve reunido com o Instituto do Mar e da Atmosfera e do final do encontro saiu uma certeza: os próximos dias serão difíceis no que diz respeito aos incêndios.

Foto Global Imagens

A partir de dia 20, sábado, Portugal entra naquela que será a terceira onda de calor deste verão. O alerta foi feito pelo Governo e pelo Instituto do Mar e da Atmosfera no final de um encontro que aconteceu na manhã desta quarta-feira.

“”O perigo de incêndio rural em Portugal está ainda a meio da campanha, passámos uma onda de calor de grande intensidade e que chegou a temperaturas que quase rondaram os cinquenta graus, passámos uma segunda onda com menos intensidade, mas mesmo assim com grande impacto e vamos passar uma terceira onda de calor provavelmente dentro de dias“, realçou Jorge Miguel Miranda, presidente do IPMA, apontando para dia 20, o seu início.

Salientou ainda que o mês de Setembro será mais quente e mais seco que o habitual. “Temos mais um mês e meio pela frente para ultrapassar”, disse.

Jorge Miguel Miranda acrescentou que “as previsões não são positivas” em termos de precipitação e que provavelmente “Setembro será um pouco mais seco e um pouco mais quente” como têm sido os meses anteriores.

O alerta foi reforçado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que realçou que a onda de calor se vai prolongar por Setembro, “que será 50 e 60% mais quente e 40 a 50% mais seco” do que em anos anteriores.

O ministro esclareceu que não se pode dizer que a próxima onda de calor será mais grave que as anteriores e que a mais crítica terá sido a do mês de Julho.

No entanto, defendeu que o prolongamento das ondas de calor é um factor de risco no que respeita aos incêndios e que o esforço de toda a comunidade é “absolutamente indispensável”.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No que diz respeito ao incêndio na serra da Estrela, José Luís Carneiro sublinhou que todos os meios disponíveis têm estado no terreno. “Ouvimos aqui uma informação muito importante da parte do IPMA: efectivamente, na serra da Estrela, estão reunidas todas as variáveis de maior complexidade”, disse o ministro, referindo-se “às temperaturas, à orografia e à complexidade dos ventos”.

Variáveis, continuou, que ajudam a explicar a “razão de ser de, por vezes, ser difícil de compreender como é que, permanentemente, há aqueles reacendimentos na serra da Estrela”. “Há factores técnicos que ajudam a explicar o que efectivamente se tem vindo a passar”, afirmou.

O governante disse ainda que as causas dos reacendimentos no incêndio da serra da Estrela estão a ser investigadas. Afirmou que as autoridades estão a desenvolver as investigações não só na serra da Estrela mas noutras regiões do país, sublinhando que tem “havido eficácia no combate ao fogo posto”.

Existem fogos que são praticamente não combatíveis“, afirmou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas, à excepção da Madeira”, facto que dificulta o combate, destacou.

“Cada incêndio é um incêndio. A ciência tenta sempre desenvolver meios para saber como vai ser combatido, mas tenhamos todos sentido das proporções. O nosso país é frágil perante o desenvolvimento de um incêndio rural”, acrescentou, referindo que os meios são finitos.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Ou temos uma capacidade de solidariedade entre organizações, pessoas, aldeias, vilas que permita sermos capazes de passar este período que se avizinha ou vamos ter situações que poderão ser de maior complexidade do que as que tivemos até agora. Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra“, concluiu o presidente do IPMA.

Jorge Miguel Miranda disse ainda que, depois do que tem acontecido na Europa do Norte, em França, Espanha e em Portugal, é possível perceber que “a mudança climática é o factor determinante” e que aparece sob duas formas “que se pioram uma a outra”: seca prolongada – “estamos numa situação de seca histórica” – e fenómenos de onda de calor e de “onda de vento”.

“Isto leva a que as situações sejam tremendamente difíceis de controlar”, afirmou.

Diário de Notícias
DN
17 Agosto 2022 — 09:41

69: Batidos recordes de óbitos em quase metade dos dias de Julho

– Afinal a resposta ao bastonário da ordem dos médicos é clara: “Há duas semanas, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelou que Portugal tinha registado um excesso de mortalidade entre 07 e 18 de Julho correspondente a 1.063 mortes atribuídas às temperaturas extremas que se verificaram no continente.”. O sr, bastonário anda desinformado… ou então esteve de férias no Alaska… Mas há que malhar no sistema!

SAÚDE PÚBLICA/MORTALIDADE/TEMPERATURAS EXTREMAS/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

No total, morreram em Julho 10.602 pessoas. Houve excesso de mortalidade em quase todos os dias do mês de Julho, à excepção dos dois primeiros (1 e 2) e dos três últimos (29, 30 e 31).

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Em quase metade dos dias de Julho foram batidos recordes de mortalidade para este mês, com o dia 14 a ser aquele que maior percentagem de excesso de mortalidade registou (63,4%), segundo dados oficiais.

Os dados da vigilância da mortalidade, elaborado com base no Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO), que a agência Lusa consultou, indicam que houve excesso de mortalidade em quase todos os dias do mês de Julho, à excepção dos dois primeiros (01 e 02) e dos três últimos (29, 30 e 31).

O dia 14 de Julho (com 458 óbitos) foi o que registou uma percentagem maior de excesso de mortalidade (63,4%). Nos últimos 13 anos, este foi igualmente o dia 14 de Julho que mais mortes registou.

Em 12 dias do mês de Julho (entre 01 e 04, entre 12 e 16 e nos dias 18, 25 e 28) foram batidos recordes dos extremos máximos de mortalidade: uns datavam de 2010, outros de 2013 e outros de 2020.

Há duas semanas, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelou que Portugal tinha registado um excesso de mortalidade entre 07 e 18 de Julho correspondente a 1.063 mortes atribuídas às temperaturas extremas que se verificaram no continente.

Segundo os dados do índice ÍCARO – uma medida numérica do risco potencial que as temperaturas ambientais elevadas têm para a saúde da população, podendo levar ao óbito — os valores estiveram no seu nível mais elevado precisamente no dia 14 (0.96).

Nos últimos três dias, quando começaram de novo a subir as temperaturas, o valor voltou a aumentar: de 0.04 na sexta-feira (29) passou para 0.38, no sábado (30), e para 0.68, no domingo (31).

Este índice compara os óbitos previstos pelo modelo estatístico subjacente ao sistema de vigilância ÍCARO, com os óbitos esperados sem o efeito das temperaturas extremas.

No total, morreram em Julho 10.602 pessoas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Agosto 2022 — 13:05