637: A primeira extinção em massa na Terra ocorreu há 550 milhões de anos

CIÊNCIA/GEOBIOLOGIA

A maior parte das espécies extintas no final do período Ediacarano (há quase 550 milhões de anos) foi causada por uma queda na disponibilidade de oxigénio em todo o mundo, revelou um novo estudo.

Scott Evans / Virginia Tech
Impressões dos fósseis do período Ediacarano

Numa investigação publicada recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences, geobiólogos da Virginia Tech, nos Estados Unidos (EUA), concluíram que este período assistiu à primeira extinção em massa, na qual morreram cerca de 80% das espécies.

“Isto incluiu a perda de muitos tipos diferentes de animais. No entanto, aqueles (…) que dependiam de quantidades significativas de oxigénio parecem ter sido atingidos de forma particularmente dura”, disse o investigador Scott Evans, citado pelo Interesting Engineering.

Estes resultados “sugerem que o evento de extinção ocorreu a nível ambiental, tal como todas as outras extinções em massa no registo geológico”, continuou.

“Alterações ambientais, tais como o aquecimento global e eventos de desoxigenação, podem levar à extinção em massa de animais e a uma profunda perturbação e reorganização do ecossistema”, disse Shuhai Xiao, co-autor do estudo, notando: “isto tem sido demonstrado repetidamente no estudo da história da Terra”.

Segundo Evans, não se sabe o que causou a queda de oxigénio a nível global. Os animais que se extinguiram reagiram a uma redução da quantidade de oxigénio à escala global, embora a extinção possa ter sido causada por uma combinação de movimentos de placas tectónicas, erupções vulcânicas e impactos de asteróides.

“O nosso estudo mostra que, tal como todas as outras extinções no passado, esta primeira extinção em massa de animais foi causada por alterações climáticas – mais uma numa longa lista de advertências que demonstram os perigos da actual crise climática para a vida animal”, reforçou.

Segundo Xiao, as extinções em massa que já eram conhecidas na história animal são: a Extinção do Ordoviciano–Siluriano (há 440 milhões de anos), a Extinção do Devoniano (há 370 milhões de anos), a Extinção Permiano-Triássica (há 250 milhões de anos), a Extinção do Triássico-Jurássico (há 200 milhões de anos) e a Extinção do Cretáceo-Paleógeno (há 65 milhões de anos).

“As extinções em massa são reconhecidas como passos significativos na trajectória evolutiva da vida neste planeta”, indicaram os investigadores.

Na investigação, a equipa encontrou dados que apontam para “diminuição da disponibilidade global de oxigénio como o mecanismo responsável por essa extinção”.

“Isto sugere que os factores abióticos têm tido impactos significativos nos padrões de diversidade ao longo dos mais de 570 milhões de anos de história dos animais neste planeta”, escreveram os autores.

ZAP //
8 Novembro, 2022



 

178: A Terra poderá ser expulsa do nosso sistema solar?

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Vivemos hoje num momento muito especial no que toca à exploração espacial e à compreensão do Universo. Contudo, já no passado havia quem teorizasse sobre um futuro incerto do ponto de vista cósmico, que obrigasse os humanos a tomar medidas radicais, embora impossíveis aos olhos da actualidade.

No conto de Liu Cixin “The Wandering Earth“, Cixin retrata um cenário em que os líderes do planeta concordam em expulsar a Terra do sistema solar para escapar de uma explosão solar iminente que iria dizimar tudo no planeta.

Esta história é, claro, baseada no reino da ficção, mas será que a Terra alguma vez poderá realmente deixar o sistema solar?

E se um dia a Terra fosse expulsa do sistema solar?

Numa visão micro, de dentro para fora em relação ao planeta no universo, esta conversa parece até absurda. Aliás, Matteo Ceriotti, engenheiro aeroespacial e professor de engenharia de sistemas espaciais na Universidade de Glasgow no Reino Unido, disse mesmo que este cenário “é muito improvável”.

No entanto, como Ceriotti explicou, “improvável” não significa que seja “impossível”, e sugeriu uma forma de o fazer teoricamente.

A Terra poderia ser afastada da sua órbita através da acção de um enorme objecto interestelar, que ao voar através do espaço interestelar, entrasse no sistema solar e passasse perto da Terra.

Referiu o engenheiro aeroespacial.

Esta realidade seria possível, pois neste encontro próximo, conhecido como “flyby”, a Terra e o objecto trocariam energia e impulso, e a órbita da Terra seria perturbada. Se o objecto fosse suficientemente rápido, massivo e próximo, poderia projectar a Terra para uma órbita de fuga dirigida para fora do sistema solar.

Timothy Davis, um professor superior de física e astronomia na Universidade de Cardiff no Reino Unido, concordou que a Terra poderia ser teoricamente expulsa do sistema solar, e tem a sua própria hipótese sobre como isto poderia acontecer.

Os planetas, tal como existem neste momento, estão em órbitas estáveis à volta do Sol. Contudo, se o Sol tivesse um encontro próximo com outra estrela, então as interacções gravitacionais destes corpos poderiam perturbar estas órbitas, e potencialmente causar a expulsão da Terra do sistema solar.

Explicou Davis num comentário à Live Science.

No entanto, Davis observou que, embora este cenário seja viável, é incrivelmente duvidoso que venha a acontecer – pelo menos, num futuro previsível.

Tais encontros estelares são bastante raros. Por exemplo, sabemos que se espera que a estrela Gliese 710 se aproxime bastante, em termos astronómicos, do Sol dentro de cerca de um milhão de anos – mas mesmo este “flyby” é pouco provável que perturbe os planetas.

Referiu o investigador de física e astronomia da Universidade de Cardiff.

E se um dia tivéssemos mesmo que “fugir” para longe do nosso Sol?

Em cenários apocalípticos, na orça da ficção, um dia poderíamos ter de fugir de onde estamos. Embora seja improvável que forças externas forcem a Terra a sair do sistema solar em breve, poderá a humanidade construir maquinaria capaz de deslocar o planeta a tal ponto que este acabe por ser ejectado?

A energia necessária para remover a Terra da sua órbita e expulsá-la do sistema solar é tão maciça – equivalente a mil triliões (um 1 com 21 zeros depois dele) de bombas nucleares mega-toneladas a explodirem de uma só vez – que isto parece improvável.

Disse Davis.

Embora tal evento esteja longe de ser provável, o que aconteceria se a Terra se separasse do sistema solar? Que impactos ocorreriam se o nosso planeta natal acabasse por ser permanentemente arrancado para as profundezas do universo?

A Terra voaria para o espaço interestelar até ser capturada ou engolida por outra estrela ou por um buraco negro. Além disso, se a Terra deixasse o sistema solar, provavelmente resultaria na dizimação de muita – se não de toda – a vida do planeta.

Explicou Ceriotti.

O investigador referiu que nesse cenário seria improvável que a atmosfera permanecesse: O clima global da Terra é muito delicado devido a um fino equilíbrio entre a radiação que chega do sol e a energia dissipada para o espaço profundo. Se isto viesse a variar, as temperaturas mudariam imediata e dramaticamente.

Portanto, a maioria da vida na Terra não sobreviveria a este movimento cataclísmico de afastamento do sistema solar.

Se a Terra abandonasse o sistema solar, é muito provável que a grande maioria da vida tal como a conhecemos desaparecesse. Quase toda a energia utilizada pelos organismos vivos da Terra tem origem no Sol, quer directamente (por exemplo, plantas que foto-sintetizam), quer indirectamente (por exemplo, herbívoros que comem as plantas, e carnívoros que comem os herbívoros).

Neste cenário, quanto mais a Terra se afastasse do Sol, mais baixa seria a sua temperatura. Acabaria por congelar por completo. A única fonte natural de calor restante seria o decaimento dos elementos radioactivos na crosta terrestre remanescentes da formação do sistema solar.

Concluiu Timothy Davis.

Olhando para o futuro, os investigadores concordam que o nosso sistema solar acabará por ser gravemente perturbado, que a Terra ou será arrasada, ou será inteiramente destruída.

Pplware
Autor: Vítor M
01 Set 2022


 

11: O próximo evento de extinção em massa na Terra pode já ter data marcada (e é inesperada)

Isto, se muito antes dessa previsão, não existir um chanfrado qualquer que desate a mandar mísseis hipersónicos com ogivas nucleares…

TERRA/EXTINÇÃO EM MASSA

Sponchia / Pixabay

A pesquisa aponta que só depois de 2500 é que haverá uma subida de temperatura capaz de causar um sexto evento de extinção em massa com uma escala comparável à dos cinco anteriores.

Um novo estudo publicado na Biogeosciences fez uma previsão sobre o que podemos esperar do próximo evento de extinção em massa na Terra.

Já por cinco ocasiões nos últimos 540 milhões de anos, a Terra perdeu a maioria das suas espécies num período de tempo geológico relativamente curto. Estes eventos de extinção em massa costumam seguir-se a grandes alterações climáticas causadas pelo choque com asteróides com pela actividade vulcânica.

A nova pesquisa tentou quantificar a estabilidade da temperatura média da superfície da Terra e a biodiversidade do planeta e concluiu que o efeito é geralmente linear — quanto maior a mudança na temperatura, maior o impacto do evento de extinção.

Para eventos de arrefecimento global, as maiores extinções em massa aconteceram quando as temperaturas caíram cerca de 7.ºC. Já para os eventos de aquecimento global, os maiores eventos de extinção deram-se após uma subida de 9.ºC.

Este valor é muito mais alto do que estimativas anteriores, que previam que um aumento de 5,2.ºC já causasse uma extinção em massa na vida marinha comparável com os cinco grandes eventos anteriores.

Se nada mudar, espera-se que a superfície do planeta aqueça cerca de 4,4.ºC até ao final do século. Kunio Kaiho, autor do estudo, prevê que a subida de temperatura de 9.ºC só aconteça depois de 2500 “no pior cenário”.

O cientista não nega que já espécies a desaparecer por causa das alterações climáticas, mas não antecipa que a actual crise climática chegue à mesma proporção que eventos de extinção anteriores, nota o Science Alert.

Para além do grau das alterações climáticas, a velocidade em que acontecem também é importante. O maior evento de extinção na Terra matou 95% das espécies conhecidas na altura e demorou 60 mil anos há cerca de 250 milhões de anos.

No entanto, o aquecimento que verificamos hoje em dia está a acontecer muito mais rápido devido às actividades humanas poluidoras. Apesar do aumento da temperatura não ser tão grande, é possível que morram mais espécies no sexto evento de extinção devido à rapidez das mudanças, que impedem a adaptação das espécies.

“Prever a magnitude da futura extinção antropogénica usando apenas a temperatura à superfície é difícil porque as causas da extinção antropogénica diferem das causas de extinções em massa no tempo geológico”, admite ainda Kaihu.

  ZAP //
2 Agosto, 2022