437: África está a dividir-se em dois continentes (e vai nascer um novo oceano)

– Vou esperar sentado… para ver! 🙂

CIÊNCIA/ÁFRICA/GEOLOGIA

O continente africano vai dividir-se em dois. A Somália, metade da Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique irão separar-se para formar um novo continente. Vai acontecer daqui a cinco milhões de anos (tempo relativamente curto, na escala geológica) e já começou.

A comunidade científica acredita que em apenas 5 milhões de anos, África não será um continente, mas dois.

Em 2009, investigadores da Universidade de Rochester, no Reino Unido, revelaram pela primeira vez que mudanças geológicas na região de Afar, na Etiópia, estavam a provocar a divisão do continente.

Segundo a New Scientist, o processo teve início em Setembro de 2005, após a erupção do vulcão Dabbahu, que terá aberto uma gigantesca fissura em apenas 5 dias.

A fractura da placa continental africana, dizem os cientistas no estudo então publicado na Geophysical Research Letters, irá dar origem a um novo oceano.

A falha não mais deixou de crescer, e mais de uma dezena de novas falhas apareceram entretanto. Desde então, a teoria de que África se vai dividir em dois continentes ganhou bastante popularidade na comunidade científica, mas nem todos estão de acordo.

As discussões entre os cientistas sobre a forma como o continente africano se está a dividir reavivaram-se em 2019, depois de ter aparecido no Quénia uma gigantesca fissura, que rasgou a meio um vale e cortou uma estrada importante da região do Narok, no oeste do país.

As dimensões da fissura foram na altura estimadas em vários quilómetros de comprimento, cerca de 15 metros de profundidade e mais de 20 de largura.

Mas, de acordo com dados de GPS mais recentes, apresentados num estudo publicado em 2021 na revista Geology por investigadores da Virginia Tech, nos EUA, a divisão da placa tectónica africana é ainda mais extensa do que se imaginava.

A enorme fissura do Quénia não foi no entanto o primeiro fenómeno deste tipo a manifestar-se no continente africano. Há dezenas ou centenas de pontos fracos ao longo do chamado Grande Vale do Rift, que atravessa o continente desde o Corno de África, na Somália, até Moçambique.

Esta formação, também conhecida como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica, e estende-se cerca de 5000 km no sentido norte-sul, com largura que varia entre 30 e 100 km e uma profundidade de centenas a milhares de metros.

Segundo o jornal local Daily Nation, o Quénia, atravessado pelo Grande Vale do Rift, está literalmente a partir-se ao meio, e a profunda fissura que se deu a conhecer em Março em Narok “é apenas o início“.

A fissura apareceu na zona com menor actividade sísmica do país. Segundo explicou ao jornal catalão La Vanguardia a geóloga Sara Figueras Vila, do Instituto Cartográfico e Geológico da Catalunha, “o último sismo importante nesta região aconteceu em 1928, com uma magnitude de 6.9 na Escala de Richter”.

No fundo do vale encontram-se o vulcão Suswa. Nas proximidades, Monte Longonot. Os dois vulcões poderão ser responsáveis por inúmeras falhas vulcânicas ocultas ao longo do território queniano do Grande Vale do Rift.

“Estas zonas frágeis formam linhas de falha e fissuras que normalmente são preenchidas com cinzas vulcânicas. As fortes chuvas que recentemente assolaram a região poderão ter levado as cinzas, ajudando a descobrir a fissura”, explica ao Daily Nation o geólogo queniano David Adede.

Mas o facto de a região assentar em duas placas tectónicas que estão a divergir lentamente em direcções opostas terá consequências inevitáveis.

Inevitavelmente, um novo continente

Dentro de 10 milhões de anos, quatro países do Corno de África – a Somalia, metade da Etiópia, o Quénia e a Tanzania, além de uma parte de Moçambique, irão inexoravelmente separar-se do resto do continente africano e formar um novo continente.

O processo, estimam os geólogos, estará concluído em cerca de 50 milhões de anos: a chamada “placa Somali” ter-se-á tornado por completo um continente novo, separada da sua irmã maior, a “placa Núbia”, por um oceano novo.

Numa entrevista à NTV Kenya, o sismólogo queniano Silas Simiyu sustenta que a fissura de Narok não é uma falha vulcânica, mas apenas resultado das abundantes chuvas que se registaram na região. “As camadas de terra abateram devido às chuvas e encheram os canais subterrâneos de água”, diz o cientista queniano.

Mas Lucia Perez Diaz, do Grupo de Pesquisa da Dinâmica de Falhas da Universidade de Londres, não tem dúvidas. Em termos práticos, as duas placas do continente africano estão a separar-se, diz a geóloga ao The Conversation.

E as fissuras que apareceram no leste do Grande Vale do Rift são um exemplo de que isso já está a acontecer.

Após um dramático processo, durante uns 50 milhões de anos, teremos então inevitavelmente algo como a Grande Núbia e o Corno de África. Mal podemos esperar.

  ZAP //
15 Outubro, 2022



 

307: Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE/GEOLOGIA

O rover Perseverance da NASA põe o seu braço robótico a trabalhar em torno de um afloramento rochoso chamado “Skinner Ridge” na Cratera Jezero de Marte. Composto por múltiplas imagens, este mosaico mostra rochas sedimentares em camadas na face de um penhasco no delta, bem como um dos locais onde o rover raspou uma área circular para analisar a composição de uma rocha.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS

O rover Perseverance da NASA está já na sua segunda campanha científica, recolhendo amostras rochosas a partir de características dentro de uma área há muito considerada pelos cientistas como das melhores para encontrar sinais de vida microbiana antiga em Marte.

O rover recolheu quatro amostras de um antigo delta de rio na cratera Jezero do Planeta Vermelho desde 7 de Julho, elevando a contagem total de amostras de rochas cientificamente atraentes para 12.

“Escolhemos a Cratera Jezero para o Perseverance explorar porque pensámos que tinha a melhor hipótese de fornecer amostras cientificamente excelentes – e agora sabemos que enviámos o rover para o local certo”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA para ciência em Washington.

“Estas duas primeiras campanhas científicas produziram uma incrível diversidade de amostras a serem trazidas para a Terra pela campanha MSR (Mars Sample Return)”.

Com 45 quilómetros de largura, a Cratera Jezero contém um delta – uma antiga característica em forma de leque que se formou há cerca de 3,5 mil milhões de anos na convergência de um rio e de um lago marcianos.

O Perseverance está actualmente a investigar as rochas sedimentares do delta, formadas quando partículas de vários tamanhos se instalaram no ambiente outrora aquático.

Durante a sua primeira campanha científica, o rover explorou o chão da cratera, encontrando rochas ígneas que se formam no subsolo profundo a partir do magma ou durante a actividade vulcânica à superfície.

“O delta, com as suas rochas sedimentares diversas, contrasta maravilhosamente com as rochas ígneas – formadas a partir da cristalização do magma – descobertas no chão da cratera”, disse o cientista do projecto Perseverance Ken Farley do Caltech em Pasadena, Califórnia, EUA.

“Esta justaposição proporciona-nos uma rica compreensão da história geológica após a formação da cratera e um conjunto diversificado de amostras. Por exemplo, encontrámos um arenito que transporta grãos e fragmentos de rocha criados longe da cratera Jezero – e um lamito que inclui compostos orgânicos intrigantes”.

“Wildcat Ridge” é o nome dado a uma rocha com cerca de 1 metro de largura que provavelmente se formou há milhares de milhões de anos, à medida que a lama e a areia fina assentavam num lago de água salgada em evaporação.

No dia 20 de Julho, o rover raspou parte da superfície de Wildcat Ridge para poder analisar a área com o instrumento SHERLOC (Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals).

A análise do SHERLOC indica que as amostras contêm uma classe de moléculas orgânicas que estão espacialmente correlacionadas com as de minerais sulfatados. Os minerais sulfatados encontrados em camadas de rocha sedimentares podem produzir informações significativas sobre os ambientes aquosos em que se formaram.

O que é a matéria orgânica?

As moléculas orgânicas consistem numa grande variedade de substâncias feitas principalmente de carbono e normalmente incluem átomos de hidrogénio e oxigénio. Podem também conter outros elementos, tais como azoto, fósforo e enxofre. Embora existam processos químicos que produzem estas moléculas que não requerem vida, alguns destes elementos são os blocos de construção química da vida.

A presença destas moléculas específicas é considerada uma potencial bio-assinatura – uma substância ou estrutura que poderia ser evidência de vida passada, mas que também pode ter sido produzida sem a presença de vida.

Em 2013, o rover Curiosity da NASA encontrou evidências de matéria orgânica em amostras de rocha e o Perseverance já tinha detectado antes matéria orgânica na Cratera Jezero.

Mas, ao contrário daquela descoberta anterior, esta última detecção foi feita numa área onde, num passado distante, sedimentos e sais foram depositados num lago sob condições em que a vida poderia, potencialmente, ter existido. Na sua análise de Wildcat Ridge, o instrumento SHERLOC registou as detecções orgânicas mais abundantes na missão até à data.

“No passado distante, a areia, lama e sais que agora constituem a amostra de Wildcat Ridge eram depositados em condições onde a vida poderia, potencialmente, ter prosperado”, disse Farley. “O facto de a matéria orgânica ter sido encontrada numa rocha sedimentar – conhecida por preservar fósseis de vida antiga aqui na Terra – é importante.

No entanto, por mais capazes que sejam os nossos instrumentos a bordo do Perseverance, outras conclusões relativas ao que está contido na amostra de Wildcat Ridge terão de esperar até que esta seja enviada para a Terra para um estudo aprofundado como parte da campanha MSR da agência espacial”.

O primeiro passo na campanha MSR da NASA-ESA teve início quando o Perseverance obteve a sua primeira amostra de rocha em Setembro de 2021. Juntamente com as suas amostras de rocha, o rover recolheu uma amostra atmosférica e dois “tubos testemunha”, todos eles armazenados na barriga do rover.

A diversidade geológica das amostras já transportadas no rover é tão boa que a equipa do rover está a estudar o depósito de tubos seleccionados perto da base do delta daqui a cerca de dois meses. Depois de depositar a cache, o rover continuará as suas explorações do delta.

“Tendo estudado a habitabilidade e geologia marcianas durante grande parte da minha carreira e conheço em primeira mão o incrível valor científico de enviar um conjunto cuidadosamente recolhido de rochas de Marte”, disse Laurie Leshin, directora do JPL da NASA no sul da Califórnia.

“O facto de estarmos a semanas de depositar as fascinantes amostras do Perseverance e a meros anos de as trazer para a Terra, para que os cientistas as possam estudar em requintados detalhes, é verdadeiramente fenomenal. Vamos aprender muito.”

Mais sobre a missão Perseverance

Um objectivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
20 de Setembro de 2022



 

163: Planeta vermelho não é todo vermelho. Cratera de Marte esconde estranhas rochas verdes

CIÊNCIA/GEOLOGIA/MARTE

O rover marciano Perseverance descobriu rochas em Marte semelhantes às que dão às praias havaianas o seu tom verde. As rochas ígneas esverdeadas foram vistas em Jezero, uma cratera de 45 km de largura que é considerada o lar de um antigo lago em Marte.

Centenas de investigadores analisaram os dados recolhidos pelo robô da NASA e afirmam que talvez o planeta vermelho não seja tão vermelho quanto pensamos.

Por que razão chamam a Marte o planeta vermelho?

Planeta vermelho, quem, Marte? Porquê?

Marte é chamado de planeta vermelho porque a maioria da suas rochas expostas ao ambiente externo são de cor vermelha. Elas contêm ferro que fica oxidado e fica avermelhado, semelhante a qualquer objecto de ferro na Terra fica vermelho e enferrujado depois de ser colocado ao ar livre.

Surpreendentemente, muitas rochas encontradas na cratera Jezero são diferentes das rochas sedimentares encontradas na superfície marciana.

O robô Perseverance detectou a presença de rochas vulcânicas compostas de grãos olivinos de grande porte na cratera. Muitas praias da Terra têm uma aparência esverdeada devido à presença de olivina, um mineral abundantemente encontrado no manto da Terra e envolvido na formação do peridoto de pedras preciosas.

A presença de rochas ricas em olivinos em Marte poderia revelar respostas para perguntas como — Marte já teve vida?

Muitas questões se levantam depois desta descoberta

Os investigadores acreditam que as rochas vulcânicas descobertas no planeta vermelho foram formadas há cerca de quatro mil milhões de anos.

Curiosamente, as rochas têm propriedades semelhantes às das rochas ígneas que existiam na Terra durante os seus primeiros dias. Para estudar o ambiente antigo de um planeta, os cientistas precisam de amostras de rocha do momento em que o planeta foi formado.

Uma das razões pelas quais não temos uma grande compreensão de onde e quando a vida evoluiu pela primeira vez na Terra é porque estas rochas desapareceram, então é muito difícil reconstruir como eram os ambientes antigos na Terra.

Disse o Briony Horgan, um dos autores e professor associado do Departamento de Ciências da Terra, Atmosferas e Planetárias da Universidade de Purdue.

Pplware
Autor: Vítor M
30 Ago 2022

Descoberta cratera submarina com 8 km de diâmetro – e que foi causada quando os dinossauros desapareceram

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

Um asteróide vindo do espaço caiu na superfície da Terra há 66 milhões de anos, deixando uma enorme cratera debaixo do mar e causando uma grande devastação no planeta.

© TVI24 Descoberta cratera submarina com 8 km de diâmetro – e que foi causada quando os dinossauros desapareceram

Não, não é o asteróide de que sempre ouvimos falar, aquele que condenou os dinossauros à extinção, mas sim uma cratera até agora desconhecida que se encontra a 399 quilómetros da costa africana ocidental e que se formou por volta da mesma altura.

Um estudo mais aprofundado da cratera de Nadir, como é designada, poderá pôr em questão aquilo que sabemos sobre o momento mais cataclísmico da história natural.

Uisdean Nicholson, professor assistente na Universidade de Heriot-Watt em Edimburgo, descobriu a cratera por acidente – estava a recolher dados de levantamento sísmico para outro projecto sobre a divisão tectónica entre a América do Sul e África e encontrou provas da existência desta cratera sob 400 metros de sedimentos do fundo do mar.

“Ao analisar os dados, deparei-me com esta característica muito invulgar de crateras, algo como eu nunca antes tinha visto”, afirmou. “Tinha todas as características de uma cratera de impacto.”

Nicholson afirmou que para ter a certeza absoluta de que a cratera tinha sido causada por uma colisão de asteróides seria necessário perfurá-la e testar os minerais do seu solo.

Mas tem todas as características que os cientistas previam: a relação certa entre a abertura e a profundidade da cratera, a altura das bordas, e a altura da elevação central – um monte no centro criado por rochas e sedimentos impelidos para cima pela pressão do choque.

A revista Science Advances publicou este estudo na quinta-feira.

“A descoberta de uma cratera de impacto terrestre é sempre significativa, porque são muito raras no registo geológico. Existem menos de 200 estruturas de impacto confirmadas na Terra e alguns candidatos prováveis que ainda não foram inequivocamente confirmados”, afirmou Mark Boslough, professor de investigação em Ciências da Terra e Planetárias na Universidade do Novo México, que não esteve envolvido nesta investigação, mas concordou que a cratera em questão foi muito provavelmente causada por um asteróide.

Boslough referiu que o aspecto mais significativo desta descoberta é que ela nos deixa com um exemplo de uma cratera de impacto submarina, sendo que existem apenas alguns exemplos conhecidos.

“A oportunidade de estudar uma cratera de impacto submarina deste tamanho ajudar-nos-ia a compreender o processo de impactos oceânicos, que são os mais comuns, mas os menos bem preservados ou compreendidos.”

© Fornecido por TVI Um diagrama, incorporando observações sísmicas e simulações de computador, de como a Cratera de Nadir se formou

Cadeia de consequências

A cratera tem 8 quilómetros de dimensão, e Nicholson acredita que foi provavelmente causada por um asteróide com mais de 400 metros de largura que se precipitou na crosta terrestre.

Embora muito menor do que o asteróide do tamanho de uma cidade que causou a cratera de Chicxulub, com uma dimensão de 161 quilómetros que atingiu a costa do México e levou à extinção em massa de grande parte da vida no planeta, esta continua a ser uma rocha espacial bastante grande.

“O impacto (de Nadir) terá certamente causado consequências graves a nível local e regional – pelo menos pelo Oceano Atlântico”, explicou Nicholson.

“Deve ter havido um grande terramoto (magnitude 6,5 – 7), e por isso um significativo abanão na zona local próxima. A explosão de ar deve ter sido ouvida em todo o globo, e deve ter causado graves danos locais em toda a região.”

Terá causado uma onda de tsunami “extremamente grande” até 1 quilómetro de altura em torno da cratera, dissipando-se para cerca de cinco metros de altura uma vez alcançada a América do Sul.

Em comparação, a explosão no ar de um asteróide muito mais pequeno de 50 metros de largura em 1908 na Rússia, conhecido como o evento Tunguska, aplanou uma floresta numa área de 1.000 quilómetros quadrados.

“A cerca de 400 metros, a explosão de ar (que causou a cratera ao largo da África Ocidental) teria sido de magnitude maior.”

Dados recolhidos de micro-fósseis em poços de exploração próximos mostram que a cratera foi formada há cerca de 66 milhões de anos – no final do período Cretáceo. Contudo, ainda há incerteza – margem ou erro de cerca de 1 milhão de anos – sobre a sua idade exacta.

Nicholson afirmou que era possível que a colisão de asteróides estivesse ligada ao impacto de Chicxulub, ou que pode ser simplesmente uma coincidência – um asteróide deste tamanho atingiria a Terra de 700.000 em 700.000 anos.

Se tiver, de facto, alguma relação com Chicxulub, este asteróide poderá ter sido o resultado de uma ruptura de um asteróide original perto da Terra – com os fragmentos separados dispersos durante uma órbita anterior da Terra, ou era possível que fizesse parte de uma chuva de asteróides de longa duração que atingiram a Terra durante um período de cerca de um milhão de anos.

“Descobrir a idade exacta é realmente crítico para testar isto – mais uma vez, só seria possível através de perfuração.”

Mesmo que houvesse ligação entre os dois impactos, este teria sido engolido pelo impacto de Chicxulub, mas, ainda assim, teria tido relevância no conjunto global da cadeia de consequências, afirmou.

“Compreender a natureza exacta da sua relação com Chicxulub (se houver) é importante para perceber o que se passava no sistema solar interno na altura e o facto é que esta descoberta levantou algumas novas questões interessantes”, disse Nicholson.

“Se houve dois impactos ao mesmo tempo, será que podem ainda existir outras crateras por aí, e qual terá sido o efeito em cadeia de múltiplas colisões?”

MSN Notícias
CNN
21.08.2022