106: Antigo deputado russo afirma que guerrilheiros da resistência da Rússia foram responsáveis ​​pelo ataque que matou a filha de Dugin

GUERRA/UCRÂNIA

Ilya Ponomarev alega que a bomba que matou a filha de Dugin, aliado político de Putin, foi obra de grupo clandestino que reivindicou a autoria do ataque e que é responsável por acções de resistência russa ao “Putinismo”

© NurPhoto Ilya Ponomarev foi o único parlamentar russo que votou contra a anexação da Crimeia em 2014

Um antigo parlamentar da Duma da Rússia, que foi expulso por actividades “anti-Kremlin”, alega que guerrilheiros russos são os responsáveis por colocarem a bomba no veículo que explodiu neste sábado onde seguia a filha de um dos aliados políticos próximos de Vladimir Putin.

A partir de Kiev, onde se encontra a morar, Ilya Ponomarev argumentou que a explosão na noite de sábado foi obra do Exército Nacional Republicano, revela o jornal “The Guardian”. Segundo refere o antigo representante russo, trata-se de uma organização clandestina que opera dentro da Rússia e cujo objectivo é o de derrubar o regime de Putin. As alegações de Ilya Ponomarev não foram verificadas de forma independente.

Comentadores dos ‘media’ russos culparam a Ucrânia pelo ataque, mas Kiev rejeitou as acusações. “Esta acção, como muitas outras acções partidárias realizadas no território da Rússia nos últimos meses, foi realizada pelo Exército Nacional Republicano (NRA)”, sustentou o antigo deputado Ilya Ponomarev.

O antigo parlamentar da Duma ainda acrescentou: “Um acontecimento importante ocorreu perto de Moscovo na noite passada. Este ataque abre uma nova página na resistência russa ao ‘Putinismo’. Nova, mas não a última.”

A explosão matou Darya Dugina, a filha de 30 anos do pensador político russo e ideólogo de extrema-direita Aleksandr Dugin. Os dois já tinham sido sancionados pelo Reino Unido e pelos EUA por realizarem acções para desestabilizar a Ucrânia.

Ilya Ponomarev considerou ainda que os guerrilheiros da Rússia estão preparados para concretizar outros ataques semelhantes contra alvos de alto perfil ligados ao Kremlin, incluindo oligarcas e membros das agências de segurança russas.

O antigo deputado leu o que pretendia ser um manifesto do grupo NRA: “Declaramos o presidente Putin um usurpador de poder e criminoso de guerra que alterou a Constituição, desencadeou uma guerra fratricida entre os povos eslavos e enviou soldados russos para a morte certa e sem sentido.

Pobreza e caixões para alguns, palácios para outros; é a essência da sua política. Acreditamos que as pessoas sem privilégios têm o direito de se rebelarem contra os tiranos. Putin será deposto e destruído por nós!”

O manifesto enuncia também que o governo russo e as administrações regionais são “cúmplices” de Putin. “Aqueles que não renunciarem ao seu poder serão destruídos por nós.”

Outros alvos incluem empresários corruptos, as casas e propriedades daqueles que não condenam o Kremlin e sua guerra, e “funcionários das estruturas de poder”. Cargas militares e pessoas que lucram com elas também serão exterminadas.

A declaração promete que o NRA não definirá alvos civis, e descreve Darya Dugina como um alvo legítimo e “companheira fiel” do pai, que apoiou o genocídio na Ucrânia. “Ela era uma voz que pedia violência e assassinatos” nas áreas ocupadas pelos russos na Ucrânia, afirma o grupo.

Quem é Ilya Ponomarev?

Elemento da esquerda do parlamento russo, foi o único deputado a votar contra a anexação da Crimeia, em 2014. O Kremlin impediu-o, quando de uma viagem aos EUA, de reentrar no país. Ilya Ponomarev tornou-se cidadão ucraniano em 2019. Em Março, após a invasão da Ucrânia, o antigo parlamentar lançou o “February Morning and Rozpartisan”, um canal do Telegram que fornece actualizações de acções anti-guerra em vilas e cidades russas.

Ilya Ponomarev financia o canal de notícias com cerca de um milhão de euros por ano, com os recursos de investimentos que fez.

A rivalidade do esquerdista com Vladimir Putin é conhecida. A afirmação que fez, sobre a existência de um movimento clandestino activo que procura assassinar proeminentes apoiantes da guerra dentro das fronteiras da Rússia, a confirmar-se, poderia marcar uma escalada.

MSN Notícias
Expresso
Catarina Maldonado Vasconcelos
21.08.2022 às 19:59