291: Mais saúde e segurança, para as pessoas e o planeta

OPINIÃO

Neste dia Mundial da Segurança do Doente, é importante reflectirmos sobre a forma como a nossa pegada ecológica está a influenciar a saúde das pessoas e como pode vir a interagir com os medicamentos que utilizamos. Todos nós podemos ter um papel activo nesse domínio

No dia 17 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Segurança do Doente, uma efeméride fundada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tendo como objectivos em 2022 chamar a atenção para o custo e danos causados pelos erros de medicação e práticas inseguras, defender acções urgentes para melhorar a segurança dos medicamentos, envolver todos os stakeholders do sector da saúde para prevenir erros de medicação e os danos que possam provocar e capacitar os doentes e cuidadores para que sejam agentes activos de uma utilização segura dos medicamentos.

A preocupação da OMS com este tema é de tal ordem que, em 2017, lançou o desafio “Medicação sem danos”, com o objectivo de reduzir em 50%, ao longo de 5 anos, o número de danos causados por erros ou práticas pouco seguras na administração de medicamentos.

Este desafio é composto por um quadro estratégico que envolve doentes e cuidadores, profissionais de saúde, os medicamentos e os sistemas e práticas de medicação, isto porque, de facto, todos os agentes da cadeia do medicamento são fundamentais para que a medicação segura aconteça.

Do ponto de vista da indústria farmacêutica, esta efeméride é celebrada todos os dias porque a segurança é uma prioridade absoluta, desde da investigação primária até ao momento em que o medicamento chega ao mercado e começa a ser utilizado por quem dele necessita.

No entanto, há inúmeras variáveis difíceis de controlar. Desde logo o factor humano, mas também o factor ambiental, que era aquele que gostaria de destacar.

Neste dia Mundial da Segurança do Doente é importante reflectirmos sobre a forma como a nossa pegada ecológica está a influenciar a saúde e a segurança das pessoas e como pode vir a interagir com os medicamentos que utilizamos. Também aí, a Indústria Farmacêutica (e outros actores) podem ter um papel activo.

As alterações climáticas e a perda de recursos naturais estão a exacerbar a crise da água, destruindo zonas húmidas, aumentando poluição da água, intensificando as inundações e prolongando as secas. É fundamental que as organizações sejam ambiciosas nos objectivos para ajudar a melhorar a disponibilidade de água, a sua qualidade e a sua acessibilidade.

Além disso, dez milhões de hectares de floresta são cortados globalmente a cada ano, o que equivale a uma área aproximadamente do tamanho de Portugal a cada década.

As florestas são os pulmões do planeta e são fundamentais para combater as alterações climáticas e a perda de biodiversidade. São, também, vitais na salvaguarda da saúde humana, através da limpeza da água e do ar, sendo que a sua destruição aumenta o risco de pandemias.

Para combater este flagelo, a GSK uniu-se à Coligação LEAF, uma ambiciosa iniciativa público-privada (que une entidades governamentais e empresariais) projectada para parar e reverter a desflorestação tropical até 2030 e acelerar a acção climática2.

É importante, também, lembrar que é necessário agir, desde já, para nos prepararmos para o aparecimento de novas doenças, bem como a expansão de problemas de saúde já existentes para partes do mundo onde ainda não surgiram.

Ao fazê-lo, estamos a prevenir futuras crises humanitárias e económicas, como a que vivemos devido à covid-19. A GSK está comprometida com a melhoria da saúde a nível mundial e tem investido em centros de investigação na área da prevenção de doenças infecciosas e desenvolvimento de vacinas.

Há algo, ainda, em que, cada um de nós, pode (e deve) investir individualmente: um envelhecimento saudável. A carga de doenças crónicas em Portugal é considerável – dados de 2019 apontavam para 3,9 milhões de portugueses com pelo menos uma doença crónica.

Apostar numa alimentação equilibrada, exercício físico regular e a prevenção de doenças, nomeadamente através da vacinação, são acções que também vão contribuir para uma maior segurança quando estivermos doentes.

Por fim, sublinhar a importância de termos consciência de que cada medicamento, mesmo aqueles não sujeitos a receita médica, é um agente externo que vai modificar processos internos no nosso organismo, é fundamental para uma utilização responsável e segura da medicação. É um princípio básico mas que nunca deve ser esquecido.

Director de Acesso ao Mercado e Assuntos Externos da GSK Portugal

Diário de Notícias
Guilherme Monteiro Ferreira
17 Setembro 2022 — 00:00