107: Telescópio James Webb revela imagens incríveis de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/JÚPITER

Novas fotos do mais potente telescópio espacial mostram auroras e os anéis do planeta gigante. Até os cientistas ficaram surpreendidos.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Judy Schmidt.

Novas imagens captadas pelo telescópio espacial James Webb mostram o planeta gigante do Sistema Solar com um detalhe até até agora nunca visto.

Auroras, imensas tempestades provocadas por diferentes condições de pressão atmosférica e até os ténues anéis, há tanta informação nestas fotos que até os cientistas ficaram surpreendidos.

“Não estava na verdade à espera que fosse assim tão bom, para ser honesta”, confessou a astrónoma planetária Imke de Pater, professora emérita de Berkeley, Universidade da Califórnia, citada num comunicado da NASA.

A cientista liderou as observações com Thierry Fouchet, especialista e professor do Observatório de Paris.

O James Webb é um telescópio espacial construído de forma conjunta pela agência espacial norte-americana, a europeia ESA e a canadiana CSA.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Judy Schmidt.

A primeira imagem de Júpiter, em que o planeta se vê solitário, é compósita de várias fotos tiradas pelo Webb, com vários filtros. A famosa Grande Mancha Vermelha do planeta, uma imensa tempestade que dura há milhares de anos e na qual “cabem” várias Terras, surge a branco uma vez que reflecte muita luz.

“Neste caso a maior luminosidade significa maior altitude, pelo que a Grande Mancha Vermelha tem neblinas de alta altitude, tal como as regiões equatoriais”, explica Heidi Hammel, cientista interdisciplinar para as observações do Sistema Solar. “Os vários pontos luminosos são provavelmente topos de nuvens em alta altitude”.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Ricardo Hueso (UPV/EHU) and Judy Schmidt.

Na segunda foto revelada, em grande angular, possível ver os anéis de Júpiter, que são um milhão de vezes mais ténues do que o planeta, bem como duas pequenas luas, Amalteia e Adrasteia.

São também visíveis as auroras a norte e a sul.

© NASA, ESA, CSA, Jupiter ERS Team; image processing by Ricardo Hueso (UPV/EHU) and Judy Schmidt.

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
22 Agosto 2022 — 22:42

73: Astronauta italiana partilhou fotografia de tirar a respiração

ESPAÇO/ISS/EEI

Samantha Cristoforetti chegou à Estação Espacial Internacional em Abril.

A astronauta Samantha Cristoforetti encontra-se actualmente a bordo da Estação Espacial Internacional e, tal como é tradição entre os seus colegas, partilhou uma fotografia na respectiva página de Twitter que é de tirar a respiração.

A fotografia em questão foi captada durante o período nocturno em que foi possível captar uma aurora boreal.

“Naquelas noites luminosas perto da Lua Cheia podes ver pormenores da superfície do planeta mesmo à noite”, escreveu Cristoforetti. “A partir da cúpula a vista é de ‘cabeça para baixo’ – ao voar acima das nuvens parece que estamos na Terra a olhar para o céu. A ver as nuvens e as estrelas ao mesmo tempo”.

A astronauta italiana chegou à Estação Espacial Internacional em Abril de 2022 para uma missão com a duração de seis meses.

MSN Notícias
Notícias ao Minuto
Miguel Dias
17.08.2022 às 20:30

39: Veja um cometa maciço a chocar contra o Sol e a vaporizar-se imediatamente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Um cometa atingiu o Sol no momento em que o Observatório Solar e Heliosférico da NASA observava os movimentos da nossa estrela. Conforme mostram as imagens, o cometa não conseguiu resistir à intensa força gravitacional do Sol. Do outro lado da estrela podemos ver uma enorme ejecção de massa coronal.

Este astro estava condenado. Dizem os especialistas que seria já um fragmento de um corpo substancialmente maior.

O espaço sideral pode perdoar, mas o Sol não

Um cometa foi captado pelo Observatório Solar e Heliosférico da NASA, no domingo passado, enquanto observava os movimentos solares.

O astro condenado seria um “Kreutz sungrazer” ou cometas rasantes Kreutz. Basicamente são fragmentos de um cometa gigante que se partiu há muitos séculos.

Segundo o astrónomo Tony Phillips:

Há um enxame destes fragmentos que orbita o Sol, e todos os dias pelo menos um se aproxima demasiado e desintegra-se. A maioria, medindo menos de alguns metros de largura, são demasiado pequenos para serem vistos, mas ocasionalmente um grande como o de hoje atrai a atenção.

As imagens mostram que o cometa foi vaporizado na poderosa e intensa atracção gravitacional do Sol. O calor é de tal ordem que ao aproximar-se, este fragmento desaparece em poucos segundos.

Como era composto este cometa?

Os cometas, em grosso modo, são pequenos corpos do sistema solar que começam a aquecer e libertam gás à medida que passam perto do Sol. Os cometas podem variar em tamanho desde algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.

Segundo a NASA, os cometas são bolas de neve cósmicas de gases congelados, rochas e poeira que orbitam a nossa estrela. Quando congelados, têm o tamanho de uma pequena cidade. Quando a órbita de um cometa o aproxima do Sol, ele aquece e lança poeira e gases para uma cabeça gigantesca e brilhante, maior do que a maioria dos planetas.

O pó e os gases formam uma cauda que se afasta do Sol durante milhões de quilómetros. Há provavelmente milhar de milhões de cometas em órbita do nosso Sol no Cintura de Kuiper e ainda mais distante da Nuvem de Oort.

Pplware
Autor: Vítor M.
11 Ago 2022

17: Visão ampla do Universo jovem revela indícios de galáxia muito primitiva

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os cientistas da Colaboração CEERS identificaram o objecto apelidado de “galáxia de Maisie”, em honra da filha do chefe de projecto Steven Finkelstein, que pode ser uma das primeiras galáxias alguma vez observadas. Se o seu desvio para o vermelho, estimado em 14, for confirmado com futuras observações, isso significaria que a estamos a vê-la como era apenas 290 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NASA/STScI/CEERS/TACC/S. Finkelstein/M. Bagley/Z. Levay

Duas novas imagens pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA mostram o que podem ser as galáxias mais primitivas algumas vez observadas. Ambas as imagens incluem objectos de há mais de 13 mil milhões de anos e uma oferece um campo de visão muito mais amplo do que o da imagem FDF (First Deep Field) do Webb, divulgada com grande fanfarra a 12 de Julho.

As imagens representam algumas das primeiras de uma grande colaboração de astrónomos e outros investigadores académicos que se associaram à NASA e parceiros globais para descobrir novas perspectivas sobre o Universo.

A equipa identificou um objecto particularmente excitante – denominado galáxia de Maisie em honra da filha do chefe de projecto, Steven Finkelstein – que estimam que esteja a ser observado apenas 290 milhões de anos após o Big Bang (os astrónomos referem-se a isto como tendo um desvio para o vermelho de z=14).

A descoberta foi publicada no site de pré-impressão arXiv e aguarda revisão por pares e publicação numa revista da especialidade. Se o achado for confirmado, será uma das galáxias mais primitivas alguma vez observadas, e a sua presença indicaria que as galáxias começaram a formar-se muito mais cedo do que muitos astrónomos pensavam anteriormente.

As imagens nítidas e sem precedentes revelam uma mão cheia de galáxias complexas que evoluem ao longo do tempo – alguns cata-ventos elegantemente maduros, outras manchas juvenis, outras espirais. As imagens, que demoraram cerca de 24 horas a recolher, são de uma zona do céu perto da “pega” da “frigideira” da Ursa Maior. Esta mesma área do céu foi observada anteriormente pelo Telescópio Espacial Hubble.

“É incrível ver um ponto de luz pelo Hubble tornar-se numa galáxia linda e completamente formada nas novas imagens do James Webb, e outras galáxias surgem do nada”, disse Finkelstein, professor associado de astronomia na Universidade do Texas em Austin, EUA, e investigador principal do CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science Survey), do qual estas imagens foram obtidas.

A colaboração CEERS é composta por 18 co-investigadores de 12 instituições e mais de 100 colaboradores dos EUA e de nove outros países. Os investigadores do CEERS estão a estudar como algumas das primeiras galáxias se formaram quando o Universo tinha menos de 5% da sua idade actual, durante um período conhecido como reionização.

Antes da chegada dos dados actuais do telescópio, Micaela Bagley, investigadora pós-doutorada na mesma universidade e uma das líderes de imagem do CEERS, criou imagens simuladas para ajudar a equipa a desenvolver métodos de processamento e análise das novas imagens. Bagley liderou um grupo que processava as imagens reais para que os dados pudessem ser analisados por toda a equipa.

A imagem grande é um mosaico de 690 quadros individuais que levaram cerca de 24 horas a recolher utilizando o instrumento NIRCam (Near Infrared Camera). Esta nova imagem cobre uma área do céu cerca de oito vezes maior do que a imagem FDF do Webb, embora não seja tão profunda.

Os investigadores usaram supercomputadores no TACC (Texas Advanced Computing Center) para o processamento inicial da imagem: o supercomputador Stampede2 foi usado para remover o ruído de fundo e artefactos, e o Frontera, o supercomputador mais poderoso situado numa universidade norte-americana, foi utilizado para unir as imagens e assim formar um único mosaico.

“O poder computacional de alto desempenho tornou possível combinar uma miríade de imagens para manter os quadros em memória, de uma só vez, para processamento, resultando numa única imagem linda”, acrescentou Finkelstein.

A outra imagem foi obtida com o MIRI (Mid-Infrared Instrument). Em comparação com o NIRcam, o MIRI tem um campo de visão mais pequeno, mas opera a uma resolução espacial muito mais elevada do que os anteriores telescópios no infravermelho médio. O MIRI detecta comprimentos de onda mais longos do que o NIRCam, permitindo aos astrónomos ver poeira cósmica a brilhar em galáxias com formação estelar e buracos negros a distâncias moderadamente grandes, e ver luz de estrelas mais antigas a distâncias muito grandes.

Todo o programa CEERS vai envolver mais de 60 horas de tempo de telescópio. Muitos mais dados de imagem serão recolhidos em Dezembro, juntamente com medições espectroscópicas de centenas de galáxias distantes.

Astronomia On-line
5 de Agosto de 2022

7: Telescópio James Webb revela galáxias muito distantes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem JWST mostra o enxame de galáxias SMACS J0723.3-7327 com um grande número de galáxias de fundo sofrendo o efeito de lente. A barra branca em baixo corresponde a 50 segundos de arco, que é aproximadamente o tamanho máximo de Júpiter observado a partir da Terra.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI

Usando a primeira imagem científica divulgada pelo Telescópio Espacial James Webb, uma equipa internacional de cientistas com contribuição significativa da Universidade Técnica de Munique construiu um modelo melhorado para a distribuição de massa do enxame de galáxias SMACS J0723.3−7327.

Actuando como uma lente gravitacional, o enxame galáctico em primeiro plano produz tanto múltiplas imagens de galáxias de fundo como amplia estas imagens. Uma família de tais imagens múltiplas pertence a uma galáxia, que o modelo prevê estar a uma distância de 13 mil milhões de anos, ou seja, cuja luz viajou cerca de 13 mil milhões de anos antes de alcançar o telescópio.

As lentes gravitacionais, especialmente os enxames de galáxias, ampliam a luz de galáxias de fundo e produzem múltiplas imagens das mesmas. Antes do James Webb, eram conhecidas 19 imagens múltiplas de seis fontes de fundo em SMACS J0723.3−7327. Os dados do JWST revelaram agora 27 imagens múltiplas adicionais de outras dez fontes sob o efeito de lente.

“Neste primeiro passo em frente na estrada construída pelo JWST, utilizámos dados recentes deste novíssimo telescópio para modelar com grande precisão o efeito de lente de SMACS0723”, realça Gabriel Bartosch Caminha, pós-doutorado na Universidade Técnica de Munique, no Instituto Max Planck para Astrofísica e do GCCL (German Centre for Cosmological Lensing).

A colaboração começou por utilizar dados do Telescópio Espacial Hubble e do MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) para construir um modelo “pré-JWST” e depois refinou-o com a nova imagem do JWST no infravermelho próximo. “A imagem do Telescópio Espacial James Webb é absolutamente espantosa e bela, mostrando muitas mais fontes de fundo, o que nos permitiu aperfeiçoar substancialmente o nosso modelo de massa da lente”, acrescenta.

Um dos modelos mais precisos disponíveis

Muitas destas novas fontes que sofrem efeito de lente ainda não têm estimativas de distância e os cientistas utilizaram o seu modelo de massa para prever a que distância é mais provável que estas galáxias estejam. Uma delas foi encontrada provavelmente à incrível distância de 13 mil milhões de anos (desvio para o vermelho > 7,5), ou seja, a sua luz foi emitida durante as fases iniciais do Universo. Esta galáxia é multiplicada em três imagens e a sua luminosidade é ampliada por um factor de μ≈20 no total.

No entanto, para estudar estes objectos primordiais, é fundamental descrever com precisão o efeito de lente do enxame de galáxias em primeiro plano. “O nosso preciso modelo de massa constitui a base para a exploração dos dados do JWST”, enfatiza Sherry Suyu, professora de cosmologia observacional na Universidade Técnica de Munique, líder do grupo de investigação no Instituto Max Planck para Astrofísica e académica visitante no Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sinica.

“As espectaculares imagens do JWST mostram uma grande variedade de galáxias com lentes fortes, que podem ser estudadas em detalhe graças ao nosso modelo preciso”.

O novo modelo para a distribuição de massa do enxame em primeiro plano é capaz de reproduzir as posições de todas as imagens múltiplas com uma elevada precisão, tornando o modelo um dos mais exactos disponíveis. Para estudos de acompanhamento destas fontes, os modelos de lentes, incluindo os mapas de ampliação e desvios para o vermelho (ou seja, distâncias) estimados a partir do modelo, foram disponibilizados publicamente.

“Estamos muito entusiasmados com isto”, acrescenta Suyu, “estamos ansiosamente à espera de futuras observações de outros enxames galácticos com lentes gravitacionais pelo JWST. Estes não só nos permitirão restringir melhor as distribuições de massa dos enxames galácticos, mas também estudar as galáxias com um alto desvio para o vermelho”.

Astronomia On-line
2 de Agosto de 2022